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07/06/2009 - 09:13

O fim da era das perguntas em off

Depois de abusar de declarações em off, a imprensa começa a trabalhar o conceito das perguntas em off, uma inovação extraordinária.

A criação é de O Globo. Espera-se que não apelem para organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa. A matéria diz que o Blog “viola o sigilo dos órgãos de imprensa”, ao divulgar perguntas encaminhadas e respostas devolvidas para alimentar reportagens.

Usar dossiês pode, divulgar grampos pode. Mas divulgar perguntas e respostas destinadas a matérias supostamente publicáveis não pode.

É a comprovação de que está se encerrando a era das informações seletivas para compor reportagens. Não restará outra alternativa senão fazer reportagens tecnicamente bem feitas, baseadas em fatos não questionáveis. Em suma, praticar jornalismo. E isso é terrível!

Petrobras vaza em blog informações obtidas por jornalistas

Empresa quebra confidencialidade de perguntas enviadas à assessoria de imprensa pelos veículos de comunicação

Alvo de suspeitas de má gestão e favorecimento político em contratos, a Petrobras criou um blog para vazar informações obtidas por jornalistas que investigam indícios de irregularidades nos negócios da estatal. Nos últimos dias, o blog quebrou a confidencialidade de perguntas enviadas à assessoria de imprensa da estatal por jornalistas dos principais veículos de imprensa do país. [Mais...]
Já foram alvo da tática da empresa profissionais do GLOBO, da “Folha de S.Paulo” e de “O Estado de S.Paulo”, que procuraram a Petrobras para cobrar esclarecimentos e ouvir a sua versão dos fatos antes de escrever as reportagens.

A CPI da Petrobras, criada contra a vontade do governo federal para apurar as suspeitas de irregularidades na estatal, deveria ter sido aberta na terça-feira da semana passada, mas foi adiada por manobras da base aliada.

Respostas divulgadas antes da publicação de reportagens O blog, chamado Fatos e Dados, divulga as informações obtidas pelos jornalistas antes da publicação das reportagens em seus respectivos veículos de comunicação.

Além de violar o sigilo dos órgãos de imprensa, a prática da Petrobras ignora regras estabelecidas pela própria estatal em sua comunicação com terceiros. Os emails enviados pela estatal contêm uma mensagem de rodapé, em três idiomas, que ameaça processar os destinatários que não derem “tratamento adequado” às informações.

Afirma o texto: “Sem a devida autorização, a divulgação, a reprodução, a distribuição ou qualquer outra ação em desconformidade com as normas internas do Sistema Petrobras são proibidas e passíveis de sanção disciplinar, cível e criminal”.

Num dos exemplos de desrespeito à apuração dos jornais, o blog reproduziu, na noite de sexta-feira, perguntas sobre o programa de biodiesel enviadas pela sucursal de Brasília do GLOBO. A publicação do questionário, enviado na manhã de sextaf e i r a , v a z o u i n f o r m a ç õ e s apuradas pelo jornal ao longo da semana e antecipou parte do conteúdo de reportagem publicada na edição de hoje. A leitura do blog também mostra que a Petrobras costuma responder às perguntas em bloco, ignorando parte dos questionamentos dos jornalistas.Para estatal, não há ilegalidade no vazamento Procurada, a estatal afirmou não ver ilegalidade no vazamento de informações apuradas pelos órgãos de comunicação.

“Não houve divulgação de email, e sim das perguntas e respostas dadas aos jornais. No entendimento da Petrobras não há ilegalidade, pois o conteúdo divulgado é público”. No blog, a empresa afirma que a intenção da página seria “divulgar de forma completa e transparente” suas posições sobre a CPI.

O blog foi criado pela área de Comunicação Institucional da empresa. A Petrobras afirma que a nova ferramenta de comunicação tem ainda o objetivo de dar ao leitor acesso às respostas da estatal, na íntegra, às indagações feitas pelos jornalistas.

Por Augusto

Nassif,

Eu trabalho no BNDES e sei como a imprensa e a oposição manipula deliberadamente as informações fornecidas pelo BNDES. As vezes, esclarecemos as dúvidas e as “pegadinhas”. Depois de ficar bastante claro que entenderam, eles mantém o argumento distorcido.

Um exemplo claro é o financiamento aos projetos do governo da Venezuela. Explicamos claramente que é financiamento de exportações de bens e serviços brasileiros para as exportações brasileiras terem mais competitividade em relação aos concorrentes estrangeiros (que também recebem apoio de seus respectivos países). E, deliberadamente, imprensa e oposição continuam “denunciando” o chavismo do BNDES, sonegando as informações repassadas que países do bem, como EUA, Chile e outros recebem muito mais financiamentos que a Venezuela.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,

169 comentários para “O fim da era das perguntas em off”

  1. FRANKLIN LAUTERT disse:

    Que arrogância! E, que estupidez simultânea. Fica claro que a presunção, a arrogância emburrecem. A GLOBO vem a público reclamar que uma questão pública foi tornada pública. Podem comer capim, já que nunca praticarão um jornalismo honesto.

  2. peregrino disse:

    Finalmente deu certo, demorou…provavelmente idéia surgiu do estudo dos vários blogs que estão por aí na luta pela verdade e pelo bem de futuros profissionais
    Alguém bolou uma forma de mostrar como as notícias podem ser forjadas para fins políticos e financeiros, e de quebra ainda impôs, talvez sem querer, um terrível castigo que daqui por diante pode significar o seguinte :
    para trabalhar com a mentira, é preciso confessar a dependência.

  3. Então, legal o bnds criar um blog para desmascarar os “porcalistas”.
    É inédito o que está ocorrendo na trasnparencia da informação.

    js

  4. Nonato Amorim disse:

    Nassif & Amigos, a imprensa esgoto anda cada vez mais ridícula!

    Cuméquié? “Sigilo dos órgãos de imprensa”? Quer dizer que

    DESACARADAMENTE inventar, mentir, manipular, distorcer e outras

    podres manobras mais, pode? Não satisfeitos em reclamar

    DESCARADAMENTE da pulverização das verbas oficiais, agora a

    súcia vem com essa? Cadê as provas da tal escuta clandestina do

    Gilmar? Que tal fazer uma mea culpa e voltar a produzir notícias de

    qualidade, ouvindo e publicando, pelos menos, dois lados das opiniões?

    Que caterva abjeta!

    Abs.

  5. nsdelgado disse:

    Dei uma passadinha agora lá no blog da Petrobrás Fatos e Dados e realmente está ótimo, muito bom mesmo, bem esclarecedor. E o LUCRO dela em 2008 foi de quase U$20Bi ou mais de R$40Bi.

    A máscara do PIG tá derretendo.

  6. Pesquisador disse:

    Levantamento a partir do blog da Petrobras http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/2009/06/07/esclarecimento-sobre-notas-do-painel-da-folha-de-s-paulo-de-hoje-0706/, sobre afirmações da coluna “Painel” da FSP:

    Painel em 07/06/2009:
    “Linha de frente. A trinca de diretores da Petrobras escalada para atuar mais diretamente na defesa e no contra-ataque quando a CPI começar inclui Wilson Santarosa (Comunicação), Renato Duque (Serviços) e Paulo Roberto da Costa (Abastecimento).

    Paiol. Santarosa é conhecido de políticos e jornalistas pelo arsenal de dados que costuma reunir sobre desafetos.

    Painel em 30/11/2006:
    “Arquivo vivo. Uma das incumbências reservadas de Wilson Santarosa, gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, sempre foi a de abastecer a direção da empresa com dossiês sobre aliados e adversários do governo.”

    Painel em 01/12/2006:
    “Eu, não. Wilson Santarosa, gerente de Comunicação Institucional da Petrobras, nega ter abastecido a direção da empresa com dossiês sobre aliados e adversários do governo. “Abomino esse tipo de coisa. Não é do meu feitio.”

    Em resumo, esqueceu que já havia publicado até desmentido, e repetiu a matéria…

  7. nsdelgado disse:

    Puxa só descobri agora que os tais R$180 mi eram gastos de 1998 a 2009, ou seja, 11 anos. Pensei que era só de 2008. Santa ingenuidade da minha parte. E depois dizem que o PIG não existe.

  8. Claudio Roberto disse:

    Vamos participar do Programa “PIG Tiragem Zero…” Eu tô fazendo minha parte… Aos emails promocionais de assinatura da Folha, Veja, eu respondo… “Até que gostaria de assinar, mas não dá… A Folha (ou Veja) mente…”

  9. Henrique disse:

    Cota da Petrobrás na Globo para Fórmula-1 é R$ 53 milhões, sem licitação

    A Petrobrás comprou uma das 5 cotas de patrocínio para transmissão das corridas de Fórmula-1 nesta temporada de 2009, como já fez nos anos anteriores.

    O valor de cada cota (anual) foi de R$ 53 milhões.

    Banco Real, Renault, Nova Schin e Mastercard ficaram com as outras 4 cotas, de mesmo valor, totalizando R$ 265 milhões.

    A Globo detém os direitos exclusivos de transmissão para o Brasil, por isso o contrato, com certeza, foi feito sem licitação, uma vez que não existe possibilidade de haver concorrentes.

    A Petrobrás disputa mercado na distribuição de combustíveis e derivados como o Lubrax, o que justifica o patrocínio, principalmente porque o público que assiste tem tudo a ver com consumidores dos postos BR.

    As questões são duas:

    1) Se a Globo condena contratos da empresa sem licitação, o primeiro que ela deveria defender a rescisão é este, provavelmente um dos maiores.

    2) A Globo e a Fórmula-1 vem perdendo audiência. O valor de R$ 53 milhões tem o retorno esperado? Ou esse dinheiro poderia ser empregado em outros patrocínios ou promoções com maior retorno em vendas?

    Matéria do site Os amigos do Presidente Lula

  10. Geraldo Chaves disse:

    Esse Blog da Petrobrás, no meu entender, já pode ser considerado como um “MARCO” – O Início de uma Nova Era, pela força e credibilidade na comunidade da internet contra a mídia corrupta e interesseira.
    Vale ressaltar a importância dos Blogs, como este do Nassif, ao divulgar a criação do Fatos & Dados.

  11. Eudes Carinho disse:

    Essa excelente iniciativa da Petrobras é exatamente o que já ocorre de há muito em blogs como o de Luiz Nassif, PHA, Azenha e outros: a desconstrução da informação distorcida divulgada por uma imprensa lobista (folha, veja, globo, estado de são paulo e outras porcarias).

  12. Adriano Alves Pinto disse:

    Viste Nossa Cozinha

    Essa grita dos jornais a respeito desses “vazamentos” me lembram quando uma lei em SP obrigou os restaurantes a abrirem sua cozinha para que qualquer um pudesse visitar. Tinha muito restaurante fino que se vc visse o como eram feitos os pratos…

  13. Amanda disse:

    E o fim do furo também né?

  14. Juliano Guilherme disse:

    Para mim já começou a muito tempo a era “off do pig e “in” na internet

  15. josé maria souza disse:

    Se a Petrobras não tivesse instituído o seu oportuno blog (de forma corretíssima), será que a Folha teria publicado, hoje, segunda-feira, no Painel do Leitor, as duas (extensas) cartas-respostas sobre sua barriga e sua má-fé em relação ao MBC? Viva a internet!
    José Maria

  16. Fábio Couto disse:

    Desculpa, Nassif, mas como jornalista, com esse post eu não posso concordar. Nunca vi ou ouvi falar disso! Divulgar apuração? Que a Petrobras queira se defender, é justificável. Que ela publique as perguntas e as respostas DEPOIS da matéria publicada, quando pode se constatar discrepâncias, vá lá. Mas divulgar as perguntas ANTES da matéria sair significa qualquer coisa, menos transparência.

    Aliás, de quem foi essa idéia? Tenho certeza de que não é de quem entenda de comunicação.

  17. Leonardo V.C. Darbilly disse:

    Nassif,

    Você estava adivinhando…. O Globo acabou de colocar uma notícia em sua página afirmando que uma dessas associações de imprensa divulgou uma nota repudiando o comportamento da Petrobrás. Não poderia ser diferente…

  18. Junior-PI disse:

    Veja esse post, Nassif.

    Fonte: http://trasel.com.br/blog/?p=166

    Para jornalistas, no dos outros é refresco

    A Petrobras criou um blog para responder e comentar os fatos e dados apresentados na imprensa e na CPI que investiga a gestão financeira da empresa e sua atuação no mercado. É uma estratégia bastante inteligente, porque faz um contraponto à agenda do Congresso e da própria imprensa. O maior risco nessas situações é uma instituição ou indivíduo ficar dependente do espaço que o noticiário resolve lhe dar. Mesmo que um blog como esse tenha muito menos audiência, ao menos em princípio, do que os jornais e parlamentares aos quais responde, se por acaso divulgar informações relevantes poderá contar com os efeitos de rede proporcionados pela própria rede mundial de comunicação mediada por computadores para disseminar esses conteúdos.

    Interessante mesmo é que os repórteres parecem não ter gostado muito da tática de publicar as perguntas e respostas dadas pela assessoria, sem edição. O Estadão e o Globo questionaram a prática adotada pelos editores do blog, o primeiro jornal inclusive tentando pintá-la como ilegal. Pois não é. O destinatário de uma mensagem não pode publicá-la na íntegra, ou mesmo em partes, sem autorização do remetente. Porém, tem o direito de divulgar o conteúdo da mensagem a quem bem entender. É o que a Petrobras está fazendo. O objetivo, claro, é permitir ao cidadão comparar as informações fornecidas pela empresa com a notícia publicada pelos jornais e assim poder verificar qualquer tipo de distorção. Em outras palavras, é constranger os repórteres, editores e diretores, para garantir que tomarão cuidado ao editar as respostas e redigir suas matérias.

    O trabalho do jornalista é expor a vida dos outros, mas parece que os caros colegas do Estadão e do Globo consideram desconfortável ver a própria rotina produtiva tomando banho de sol. Até o surgimento da Internet e, sobretudo, das mídias sociais, os jornalistas detinham poder quase total sobre as informações publicadas ao final do processo de confecção das notícias. Era o redator quem decidia quais declarações das fontes entrariam no texto final e contra quais dados elas seriam postas. Como jornalistas são seres humanos, sujeitos a erros, ignorância e preconceitos, é natural que quase sempre houvesse alguma distorção involuntária — ou voluntária, porque seres humanos também são sujeitos à maldade. O máximo que a fonte indignada podia fazer era enviar uma carta tentando esclarecer os fatos, ou então entrar com um processo judicial contra o veículo, buscando seu direito de resposta. Hoje, basta a essa fonte criar gratuitamente um blog no Wordpress.com ou outro serviço qualquer e divulgar sua versão.

    Nada poderia ser mais saudável para a democracia. Alguém pode argumentar que se trata de pressão indevida de uma poderosa estatal — e, por conseguinte, do governo — sobre a imprensa, mas um repórter ou um jornal honestos não deveriam se sentir pressionados pela transparência. Se o código de ética jornalística foi seguido em todos os momentos e se os profissionais tomaram decisões editoriais conscientes e podem portanto justificá-las, não há o que temer. “Quem não deve, não teme.” Não é o que nós, jornalistas, sempre dissemos a nós mesmos quando publicamos notícias com potencial para arrasar a vida de uma pessoa ou a imagem de uma instituição? Pois, então, se serve para os outros, tem de servir para nós também. Todos têm direitos e deveres iguais numa democracia. O jornalismo deve ser fiscalizado pela sociedade, assim como pretende fiscalizá-la.

  19. fernando disse:

    Pode não ter muito a ver, mas aproveito pra botar esse pitaco
    sobre imprensa:

    - Por que a malícia e a molecagem do Pasquim não
    influenciaram (ao menos) parte da imprensa atual? O
    que aconteceu com essa ousadia?

    - Acho que ousadia tem hora. E não é transmissível para
    covardes e conformados. Com perdão dessa gigantesca
    fatia da humanidade.

    Pergunta o Estadão a propósito da edição da 3ª Antologia
    do Pasquim, responde Millôr Fernandes.

  20. Roberto disse:

    É verdade, os jornais mentem. Como mentiam na época que falavam que o Eduardo Jorge era ladrão, ou o Dossie Cayman… A ingenuidade desse povo me impressiona. Realmente acreditam que é uma luta do bem contra o mal?

    É uma luta do mau contra o bom jornalismo.

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