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07/06/2009 - 09:16

A geração yuppie

Por João Vergílio

O artigo de Gilles Lepouge a respeito do fim da classe média é, na verdade, um desenvolvimento (honesto, pois confessado logo nas primeiras linhas) de um artigo magistral de Ramón Muñoz publicado no jornal El País, no último dia 31.

http://www.elpais.com/articulo/semana/Adios/clase/media/adios/elpepueconeg/20090531elpneglse_2/Tes?print=1

Essa geração de jovens com mestrado e doutorado, falando duas ou três línguas e ganhando salários baixíssimos em empregos temporários é um bicho novo no zoológico. Veio para ficar, e dará o tom da vida política dos países ocidentais nos próximos 50 anos. Merecem especial atenção as análises feitas pelo professor Santiago Niño Becerra. Ele procura mostrar que o estado de bem-estar já não tem funcionalidade nenhuma no capitalismo contemporâneo, e está fadado, por isso, a desaparecer. Os “mileuristas” (esses jovens ultrapreparados que ganham mil euros por mês) tendem a ser um estrato social gigantesco, facilmente manipulável e politicamente amorfo. O cenário que se vislumbra a partir daí é o mais sombrio possível.

No entanto, eu me pergunto se esse conformismo dessa “classe média” formada por excluídos de luxo (que já é visível no Brasil) não reflete apenas a incapacidade que temos demonstrado de formular um discurso capaz de entusiasmá-los. Há um potencial transformador nesses jovens insatisfeitos que não pode ser desprezado.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo Tags: ,

95 comentários para “A geração yuppie”

  1. Paulo de Freitas Dias Filho disse:

    Tudo bem, mas no Brasil há uma peculiaridade……esses jovens estão migrando para o emprego público…..setor em expansão e que remunera bem acima da média do mercado.

  2. Júlio Pubikher disse:

    João Vergílio,

    “De onde é que você tirou a idéia de que suas opiniões precisam ser as premissas do argumento alheio?”
    Não, meu caro, minhas opiniões são premissas do MEU argumento…
    Os seus argumentos é que andam, parece, apoiados em opiniões importadas…

    Copio a seguir os melhores comentários, na minha opinião (!), sobre o seu texto de hoje:

    “Só muito cinismo mesmo pra usar esse discurso europeu aqui nos tropicos.”

    “Seria interessante que alguém fizesse um estudo semelhante ao publicado no el país, mas com dados brasileiros, tudo rtelacionado com a nossa história secular de desigualdade social, econômica (essa questão dos preços dos serviços, por exemplo!), etc.”

    “Na verdade o post do Vergilio está confuso.
    Yuppies é uma coisa, desempregados e precarizados com alta escolaridade é outra completamente diferente.”

    Concluindo…
    A “alta escolaridade” (não são “Yuppies”), ao menos aqui, está fadada a ter muitos de seus componentes transformados em “excluídos de luxo” justamente – acredito – por conta de posicionamentos teóricos e práticos dissonantes, como espero ter apontado.
    Talvez a questão seja esclarecer seu texto…
    qual a origem desse “bicho novo no zoológico”? É igual em toda parte? Afinal, dizer que “já existe no Brasil” é ver aí uma proximidade importante… e sugere quase uma causa comum… conformismo DESSA classe média?
    “temos”? Quem?

  3. helbert disse:

    Nao concordo com a situaçao colocada no texto. As pessoas que conheço que fizeram mestrado ou doutorado e sao competentes se encaixam no mercado de trabalho e ganham muito bem. O Brasil está criando uma legiao de novos ricos e a competencia é fundamental para ganhar dinheiro. O que acontece muito sao pessoas sem talento que sentem a necessidade de estudar para tentar buscar um espaço no mercado e graduam, fazem pos graduaçao,mestrado,doutorado mas nao tem aptidao e ficam ganhando muito pouco.

  4. Spok da Silva disse:

    Sr. Anarquista,

    O senhor escreveu, de forma acintosa, que se petista mordesse transmitiria raiva. Quem transmite raiva através da mordida, em geral, é o cachorro. Logo, pelo seu pensamento, petista é cachorro.

    Qual a diferença do pensamento do descerebrado RA que chamada os petistas de petralhas? Ou de DM que chama Lula de anta?

    Esse tipo de ataque aos petistas – o que sou com muita honra – é inaceitável.

  5. Alessandro disse:

    Sou um advogado com mestrado em Relações Internacionais na Australia e infelizmente não ganho nem os ditos mil euros…..

  6. Ademário disse:

    Prezados,
    Depois de todo esse debate, reafirmo que continuam faltando os números do Brasil sobre essa suposta ‘crise’ de emprego para doutores e mestres que falam 2 ou 3 línguas.
    Em que área tem crise? Química? Com a área do petróleo explodindo no país? Com o Cenpes no Rio de Janeiro triplicando de tamanho no ano que vem? Um amigo do Espírito Santo relatou da carência de mão de obra especializada por lá, um dos estados que mais cresce no país.
    Será que esta crise é apenas em algumas áreas do conhecimento e em São Paulo? Como já disse: continuam faltando os números.
    Abraços

  7. William disse:

    Caro Nassif, recomendo que você coloque um mecanismo de moderacão nas respostas do blog. Investi bons 20 minutos lendo as respostas do blog e tive dificuldade em achar algo que presta.

    Resumir o argumento a uma disputa partidária entre ‘tucanalhas’ e ‘petralhas’ não está levando a lugar algum em uma questão que é muito importante. O problema todo em dimensões nacionais é: a dificuldade de converter pesquisa e conhecimento em soluções comerciais que tragam lucro.

    Em minha opinião, se existe uma política de desenvolvimento produtivo que inclui a absorção de recém-doutores para a geração de conhecimento e tecnologia para inovar – ver capes.gov.br – isso já é algum sinal nesse sentido.

  8. William disse:

    Corrijo: mecanismo efetivo de moderacão. Um sistema como o do You Tube seria interessante. Se um post recebe mais de quatro marcas para menos, ele é automaticamente retirado.

    Saudacões, e continue com o bom trabalho!

  9. Ti disse:

    Ideologia e gostos particulares não deveriam guiar nosso estado de alerta de cidadãos bem informados e dispostos a fazer este país melhor. Contra fatos não há argumentos. Achismo não vale. Não sou PT, PSDB ou BLABLABLA, sou Brasil. Tenho 25 anos graduado em Economia, dois idiomas e ganho mal (quem não ganha?). Quero colaborar e crescer com o meu país (apesar da NATURAL inexperiência).

  10. fariajos disse:

    li, reli, e até agora o melhor comentário me parece o do(a) “Legal”… que adianta estudo se esse estudo é disfuncional? Se essa classe média desaparece é porque sua visão de mundo, senão o próprio mundo, está desaparecendo junto. Inércia pura. Acomodamento a uma mentalidade, que une causa e efeito por sofismas (tenho estudo = terei emprego, etc). E começou a desaparecer antes aqui no ocidente.
    Quem tiver uma visão um pouco mais ampla e um pouco menos intoxicada pelo cotidiano (lero-lero politiqueiro), percebe que o mundo está mudando porque precisa mudar… ou por bem ou na marra.
    Onde está essa classe média que desaparece no ocidente? Ressurgindo na China, na India. A má notícia é que o planeta não sustenta essa classe média. São, como o foram aqui no ocidente, consumidores vorazes, de recursos e de energia. São muitos, e vivem, como sempre, muito acima de suas necessidades. Se a classe média não muda a mentalidade perdulária que a caracteriza, o planeta não terá chance. Os corolários, então, podem ser deduzidos disso… tanto sobre os que terão chance de sobreviver com dignidade, sobre os que vão (ou vamos?) desaparecer…

  11. Ti disse:

    * adoraria não ser estereotipado.

  12. Marcão disse:

    Já disse uma vez, e vou repetir com risco de ser moderado ou parecer implicante:
    Quer ler algo interessante nos comentários? Pule qualquer coisa relacionado a Anarquista. É praticamente uma criança pedindo atenção…
    Sério, você pode discordar do Wenden, Legal, Romanelli e outros que trazem matérias e comentários. Mas eles trazem algo para o debate. Não é o caso desse cidadão. Você pode pular e nunca fará falta pros comentários. Aliás, está até ficando incômodo (não o debate, mas a agressão gratuita e vazia de conteúdo). Enfim, seja feita a vontade de Nassif..

    Att.

    Marcão

  13. Alexandre disse:

    Nassif,

    Não estamos prontos para ter essa discussão. Verdade seja dita: ninguém liga para a classe média no Brasil, não a classe média elevada à esta condição pela subida do salário mínimo, a classe média de professores universitários, trabalhadores especializados e profissionais liberais. Já li algum dia que a classe média era a mola propulsora da economia: a classe alta não era suficientemente numerosa nem a classe baixa teria renda suficiente para isso.

    Para quem acha que o Governo Lula aliviou ou resolveu esse problema, sugiro o artigo do Professor Marcio Pochmann (acima de qualquer suspeita de ser oposicionista, creio) “Desemprego estrutural no Brasil e a anomalia da fuga de cérebros”, onde ele deixa claro o agravamento da situação. Enquanto China e Índia estão penando para formar e (bem) empregar milhares de cientistas e engenheiros, o Brasil se dá ao luxo de desperdiça-los.

    Eu, Mestre em Engenharia da Computação jamais encontrei um emprego condizente com meu nível de formação, mas tenho uma renda razoável. Minha noiva, Mestre em Biologia, simplesmente nunca encontrou nenhuma vaga (por vaga, leia-se emprego, não bolsa ou qualquer coisa assim) que pagasse mais de 600 reais. Por enquanto, ela desistiu de exercer sua profissão e ocupa um cargo de nível médio no MP-SP onde ganha 3 vezes mais.

    A solução definitiva? Nós estamos emigrando para o Canadá. Como disse um colega nosso (que já está lá): cansei de tentar mudar o mundo, decidi mudar de mundo.

  14. Geraldo Deus disse:

    Os comentários estão, com excessões é claro, vazios. Conceito de classe média é mais amplo. Uma renda familiar (esposo e esposa) de 2.000,00 a 2.500,00 mensais, pode ter casa e carro é classe média. Agora querer uma viagem para um hotel 5 estrelas no exterior é outra coisa. Outra coisa é ter um diploma de doutorado e querer ganhar 10.000,00 por mes, isso não é classe média.
    O problema das universidades é de acomodação. O resultado das pesquisas dos mestrados e doutorados são, digamos, “planilhas”.
    Uma máquina se inventa pela necessidade. Qualquer cidadão sem diploma pode fazer uma, temos varios exemplos no Brasil de megaempresários sem diploma.
    As universidades tem que ir para dentro das fabricas ver os processos ir lá na amazonia e descobrir um predador do mosquito da malária, ou seja, estar um passo a frente. Não adianta sentar no banco da sala de aula lá em São Paulo e estudar livros de famosos e acomodados e fazer outra “planilha”. Processos precisam ser continuos não somente um dois tres anos. Um determinado pesquisador propõe que na caatinga é o melhor lugar para produção de cana, ou laranja com irrigação com aguas da amazonia, p/q:
    1º) a agua a ser retirada do rio é próximo a sua foz
    2º) A cultura da laranja é perene com isso arvores verdes o ano inteiro melhorando e perservando a agua no sobsolo. A cultura da cana não é perene mas por ser plantada junto uma da outra há pouca perda de agua.
    3º) Implantação de agroindustrias nos grotões. Taí outro problema nacional, as industrias são instaladas nas cidades médias para cima, mas por quase todas financiadas pelo governo poderia ser juros diferentes para essa finalidade (desenvolver as pequenas cidades do interior).
    4º) Um projeto de anos e anos, por isso precisa ser continuo.

    Estamos precisando de projetos mais complexos, como projetos de integração de varios areas, por exemplo: Curso com medicina com engenharia com biologo com matematico, etc.

    Um projeto e resultado grandiosos.

  15. vitor oliveira disse:

    Isso está acontecendo aqui e agora também!!
    Quem acha que não é pq não conhece gente dessa faixa etária.
    Tenho 24 anos, recém formado em uma das melhores faculdades de comunicação do país e todos amigos meus, inclusive alguns formados a bem mais tempo, são espécies de “estagiários de luxo” (salvo raras excessões). Efetivados após o estágio, mas muitas vezes ganhando menos do que anteriormente e sem plano nenhum de carreira ou grandes possibilidades.
    Não há nenhuma luz no horizonte e a grande maioria já está indo ou pensando em ir fritar hambúrgueres e limpar chão, ao menos por um tempo, em algum outro país. Pelo menos se aventurarão por um tempo e conhecerão lugares e gente diferente.
    Eu vou é morar no mato que eu ganho mais!

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