LN, frequento seu blog há anos e não vi ainda um trivial sobre o saudoso Taiguara, que nos deixou aos 51 anos de idade. O Cãncer o abateuFoi abatido pelo câncer. Suas muitas músicas foram censuras. Foi um ídolo de muitos que frequentam esse espaço.
Cantor e compositor de origem uruguaia, nascido em Montevidéu, tornou-se conhecido com o lançamento de diversos sucessos, entre eles, Universo no Teu Corpo, Hoje, Teu Sonho Não Acabou e Viagem. Taiguara Chalar da Silva foi para o Rio de Janeiro aos quatro anos e mudou-se para São Paulo aos quinze. Depois, fixou residência na Inglaterra (1974/75), Paris (1976) Tanzânia e Etiópia (1978), retornando em seguida ao Brasil. Viveu em New York alguns meses, em 1994: Tive uma surpresa muito grande, muitos artistas brasileiros são obrigados a trabalhar de graça, são até obrigados à pagar.
O cantor chegou as participar dos festivais de música em moda no Brasil em fins da década de 60, como o I Festival Universitário de Música Popular Brasileira, realizado no Rio de Janeiro em 1968, onde ele concorreu com a canção Helena, Helena, Helena, da autoria de Alberto Land, e conquistou o primeiro lugar. A história de Taiguara pode ser resumida em dois aspectos: sua versatilidade, interpretando vários gêneros musicais, e sua resistência contra a censura artística, instrumento de repressão da ditadura militar a que o Brasil esteve sujeito durante vinte anos.
O cantor, no período de 1968 à 1975, era considerado o Rei do Rádio. Intérprete vibrante e compositor de talento, lançou sucessos memoráveis, além de arranjos orquestrais e melodiosos. As letras das canções de Taiguara eram dotadas de rara beleza poética, como em Universo No Teu Corpo: …Eu desisto, não existe essa manhã que eu perseguia, um lugar que me dê trégua ou me sorria, uma gente que não viva só pra si… Embora de tendência comunista, Taiguara não se filiou a nenhum partido, mas teve 68 músicas censuradas. Uma delas, Cavaleiro da Esperança, era em homenagem a Luís Carlos Prestes. Taiguara era casado, tinha cinco filhos e preparava-se para protagonizar um filme de Celso Prudente.
Antes, chegou a ter uma participação nas telas, em O Bolão, ao lado de José Lewgoy. O cantor faleceu aos 50 anos, em 14 de fevereiro de 1996
Houve uma razoável repercussão na imprensa, há duas semanas, sobre uma suposta cartilha com palavrões e conteúdo pornográfico que a Secretaria de Educação dos Estado de S. Paulo teria distribuido a alunos de 3a. série do ensino público. A situação mereceu uma campanha moralista por parte de certos órgãos de imprensa, a Globo em primeiro lugar.
Devo dizer que o caso é um tanto diverso do apregoado. A “cartilha” é na verdade um livro de quadrinhos, editada pelo Orlando Pedroso, ilustrador da Folha, e dela fazem parte 11 cartunistas, entre eles Spacca, Lelis, Fabio Moon, Gabriel Bá, Osvaldo Pavanelli, Caco Galhardo e este locutor que vos fala. Trata-se de um álbum, dirigido ao público adulto, lançado por ocasião da Copa de 2002.
A escolha e a compra pela Secretaria se deu totalmente à nossa revelia. Houve um claro equívoco da parte do governo estadual. O moralismo indignado da mídia é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais.
Envio a vocês, anexo, a cópia de minha história lá publicada.
O ocorrido com o livro “Dez na área, um na banheira e ninguém no gol” foi um deslize. Não acredito em má-fé da Secretaria de Educação. O notável foram algumas apreciações feitas pela imprensa, como as levantadas pelo jornalista Paulo Ramos (http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/):
- “SP distribui a escola livro com palavrões”
19.05 – Título da reportagem da “Folha de S.Paulo”, que revelou o caso
- “Queria saber como isso foi parar nas escolas. Eu sou mãe, o senhor também tem família, filhos, netos. A gente fica até assustado quando acontece uma coisa dessas.”
19.05 – Carla Vilhena, apresentadora do “SPTV 1ª Edição”, na formulação de pergunta a Serra
- “As histórias são em quadrinhos, mas o conteúdo não tem nada de infantil”
19.05 – 1ª frase da jornalista Monalise Perrone, em reportagem sobre o tema no “SPTV 2ª Edição”
O moralismo está principalmente na matéria do SPTV. Não se justifica. Há dois anos, a Globo se opôs fortemente contra a portaria 264, do Ministério da Justiça, que fazia a classificação indicativa para os programas de televisão. A medida visava especialmente impedir que programas impróprios para determinadas faixas etárias fossem ao ar sem horários definidos. O Ministério promoveu audiências públicas nas principais capitais, foi feita uma consulta pública que recebeu mais de 11 mil sugestões e um seminário internacional foi realizado em Brasília. No fim, prevaleceu o lobby da Globo. A alegação é que se tratava de “censura”.
A imprensa brasileira não vai descansar enquanto não arrancar do presidente Lula, ou de algum ministro de Estado, uma declaração favorável ao terceiro mandato. A insistência com que a mídia tem tratado do tema, em ondas ciclotímicas cada vez mais curtas, revela aquele tipo de interesse que nada tem a ver com os fatos ou, no limite, com demandas jornalísticas. Trata-se de uma campanha infernal para colar na imagem de Lula a pecha de “ditador chavista” às vésperas de um ano eleitoral, como se fosse possível, a essa altura do campeonato, estabelecer semelhanças ideológicas e de ação governamental entre o presidente brasileiro e seu colega, Hugo Chávez, da Venezuela. Há mais de dois anos, escrevi uma matéria na CartaCapital (“Eterno factóide”) a respeito do assunto, quando a onda do terceiro mandato tinha como objetivo contaminar as bases eleitorais do governo, com vistas às eleições municipais de 2008, quando ainda rescendiam brasas sobre os escombros do chamado “mensalão”. Lá, pelas tantas, escrevi: Leia mais »
NÍVEL DE ATIVIDADE: Inflação cai em seis de sete capitais
Seis entre sete capitais pesquisadas pela Fundação Getúlio Vargas viram seus índices de inflação desacelerarem no período até 31 de maio. No período, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) registrou variação de 0,39%, queda de 0,07 ponto percentual ante a última apuração.
Apenas Salvador apresentou elevação em suas taxas, passando de 1% para 1,20%. Entre outras capitais, Belo Horizonte desacelerou de 0,12% para -0,16%, Brasília passou de 0,29% para 0,23%, Porto Alegre caiu de 0,49% para 0,35% e Recife retrocedeu de 1,06% para 0,85%.
NÍVEL DE ATIVIDADE: IPC-S 02: Inflação em São Paulo atinge 0,30%
Em São Paulo, o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) apresentou variação de 0,30% na quarta semana de maio, queda de 0,06 ponto percentual sobre o apurado na terceira semana do mês, quando o índice atingiu 0,36%.
Quatro classes de despesa apresentaram decréscimos: Vestuário (de 0,25% para -0,25%), Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,96% para 0,51%), Alimentação (de -0,23% para -0,34%) e Educação, Leitura e Recreação (de -0,02% para -0,07%). Para cada grupo, destaca-se o comportamento dos itens Roupas (de 0,68% para -0,05%), Medicamentos em Geral (de 3,13% para 0,86%), Hortaliças e Legumes (de -0,68% para -2,53%) e Tarifa de passagem aérea (de -5,65% para -6,69%).
O núcleo do índice repetiu a taxa de 0,33% apurada em abril. No ano, o indicador apresenta variação de 1,87% e, nos últimos 12 meses, a oscilação chega a 4,43%.
se juntarmos Fundição Tupy, Randon, Bateiras Moura, Weg para os motores elétricos e mais algumas empresas fornecedoras Brasileiras e talvez algumas com sistemas de distribuição internacional como a Marcopolo e mais 40% do BNDES poderíamos contruir uma empresa supercompetitiva globalmente.
Em fundição, usinagem e montagem o Brasil tem uma competência fabril muito acima da média mundial. Nosso aço é produzido mais barato do que o Chinês (apesar do triopólio do aço não repassar esses baixos custos) e nosso ferro gusa é o mais barato e de melhor qualidade do mundo.
Em pouco tempo a Petrobrás poderá vender resinas a preços abaixo dos internacionais. E nossos custos trabalhistas na metalurgia já são próximos aos dos chineses. Se o Meirelles não atrapalhar, em pouco tempo nossos custos serão menores. Leia mais »
O aturdimento do editorial do Estadão com o aturdimento do PSDB é curioso. O grande erro do PSDB foi ter embarcado na onda midiática da guerra sem quartel.
A reportagem no Estado de domingo, Para voltar ao poder, PSDB aposta até na neurociência, é um retrato desalentador da desorientação que os anos Lula infligiram à legenda oposicionista que em dias melhores se distinguia por reunir um patrimônio intelectual incomum para os padrões partidários nacionais. Com dois presidenciáveis de peso, o governador paulista José Serra e o seu colega mineiro Aécio Neves, mas desprovido de “discurso”, o sinônimo corrente de mensagem, os tucanos também tateiam em busca de um caminho para chegar ao eleitorado que decidirá a sorte da sucessão de 2010 – os 58 milhões de brasileiros, ou 45% do total de votantes potenciais, que podem escolher tanto um candidato do PT como do PSDB, segundo as pesquisas. Leia mais »
Análise diferente de Robert Reich, ex-Secretário do Trabalho dos Estados Unidos, sobre a ajuda do governo à General Motors, em artigo republicado pela Folha (clique aqui).
Diz ele que a GM é inviável, que haverá um ajuste estrutural no setor no qual ela não terá lugar.
Segundo ele, não haveria como a GM ajudar nesses propósitos. O governo poderia ter gasto melhor os recursos públicos ajudando as comunidades que dependem da GM a se revitalizarem de outras formas.
Há dois eleitorados em questão: os que querem preservar empregos e os que querem que o mercado se incumba do problema. A proposta da Obama visaria contentar a ambos. O resgate, diz ele, é apenas uma forma de dar tempo à economia para assimilar o fim inexorável da montadora.
Durante décadas, o Sindicato de Trabalhadores Automotivos (UAW, na sigla em inglês) dos Estados Unidos tinha uma estratégia simples para conseguir o que queria das montadoras – ir à greve. A tática revelou-se tão bem sucedida que a mera ameaça de uma greve de trabalhadores freqüentemente garantia melhores salários, benefícios e segurança no trabalho. Agora, com a General Motors e a Chrysler em falência, e o sindicato se tornando acionista majoritário tanto dos fundos de assistência à saúde como de aposentadoria, a vida ficou muito mais complicada para o UAW. O sindicato, que nasceu dos conflitos trabalhistas, se comprometeu a não entrar em greve contra as duas empresas antes de 2015, como parte do plano de salvamento martelado pela administração Obama. O acordo de paz mediado pode ajudar a terminar a relação antagônica entre o sindicato e a gerência das montadoras, e determinar o futuro não só da GM e Chrysler, mas também do próprio UAW.
Com a concordata requerida, a General Motors não desaparecerá. O modelo de concordata americano, assemelha-se no nosso recém-criado recuperação judicial – inspirado no Capítulo 11 da legislação americana sobre falências e concordatas.
Primeiro, a empresa declara sua incapacidade de quitar suas dívidas. Comprova comparando seu faturamento com seu passivo. Depois, tem 60 dias para apresentar um plano de negociação das dívidas.
No caso da GM, será impossível equacionar a dívida sem redução do total devido e sem aporte de capital novo. É aí que entra o governo norte-americano.
Para poder ajudar a companhia, o governo de Barack Obama exigiu um plano que mostrasse sua viabilidade. A GM não conseguiu se acertar com os credores e trabalhadores. Entrou, então, com o pedido de proteção judicial – para evitar a liquidação, caso em que seria fechada e seus bens leiloados para atender aos credores. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.