Trivial de Django Reinhardt
Por Dimitri
Nassif,
não sei se já teve algum post sobre o fabuloso Django Reinhardt (1910-1954), esse guitarrista cigano que praticamente fundou o jazz francês na companhia de Grappelli – no então Quinteto Hot Club em Paris (1934). Depois de um dia puxado de trabalho nada melhor do que chegar em casa, ligar o som, fechar os olhos e ouvir a fluidez insinuante e cristalina do Jazz Manuche do Django.
Pra quem não conhece Jean Reinhardt era cigano Manuche, uma linhagem de ciganos Roma que migraram do leste europeu e se fixaram na França
há pelo menos 3 séculos. O termo “cigano” na realidade é uma corruptela linguística para o nome de uma região montanhosa no norte da Grécia chamada “Gyppe” que, logo na chegada dos primeiros fluxos da diáspora Roma, foi confundido pelos europeus como “Egypte”, e daí “aqueles do Egito” (gypsy, tzigane, tsigane, gitano, cigano). A cultura cigana na realidade é um mosaico de linhagens étnicas, e a linhagem Roma é a maior (da qual saíram os Manuche, como Django). É importante dizer isso porque aqueles que nós chamamos de ciganos fazem parte de uma diversidade fantástica, e a unidade dessa diversidade não está exatamente na língua (o Romani, pois de fato, muitos ciganos não falam Romani, como os Calons aqui do Brasil, por exemplo). Para alguns a unidade dessa cultura está numa espécie de “musicalidade única do espírito” que está presente no “jeito de falar” (o que os ciganos em geral chamam de “romanes” – e o que o antropólogo inglês Micheal Stweart traduziu apropriadamente como “o jeito de ser”). Então se as pessoas prestarem atenção vão perceber que os ciganos (qualquer linhagem) tem uma musicalidade única que é facilmente percebida na “prosódia”. Não, não é sotaque porque é muito mais profundo, é muito mais rico e intenso. Os ciganos, de diferentes linhagens, mesmo não falando sintaticamente o mesmo romani, se reconhecem através dessa musicalidade ímpar que está não apenas na prosódia mas num ethos particular.
Pois é, o Django, que recebeu esse nome quando menino (em romani quer dizer algo como “amanhecer” – que beleza!), aprendeu a tocar violino antes dos 10 anos, mas depois mudou definitivamente para o banjo e violão. Aos 18 anos, já casado, sofreu um acidente que marcou para sempre sua vida. Num incêncio em sua carroça sofreu queimaduras em boa parte do corpo, e os dedos anular e mindinho da mão esquerda ficaram “prensados” e deformados. Queriam amputar o braço de Django que resistiu e resolveu reaprender a tocar com apenas os dedos indicador e médio (com a paralisia dos outros dois dedos colados, ele eventualmente utilizava para fazer acordes em pestana). Em 1934, então com 24 anos Django se juntou a Stephane Grappelli e formou aquele que seria o conjunto de jazz europeu mais famoso. A partir daí Django não parou mais e se tornou referência para guitarristas de todos os matizes e origens – por exemplo, o grande John Williams teve sua vida diretamente ligada a Django, pois seu pai que era músico e violonista se mudou da
Austrália com a família para a Inglaterra exatamente porque era admirador de Django e seu quinteto mágico. John Williams cresceu ouvindo a guitarra de Django Reinhardt.
Abaixo alguns links no youtube para as preciosidades desse cigano. Se ouvir a versão da Aquarela vai perceber a maravilha dessa prosódia cigana! Nunca ouvi uma versão não-brasiliera com esse fraseado expressivo e sensual. A música é cheia de curvas a la Manush! Vale a pena uma conferida!
Brazil: http://www.youtube.com/watch?v=g0MTQpDgSFc&feature=related
Nuages: http://www.youtube.com/watch?v=LY2BQk9s11Y feature=related
Belleville: http://www.youtube.com/watch?v=nS2ylPAUxzA&feature=related
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Now playing: Bibi – chapeuzinho
via FoxyTunes


Praticamente todas as musicas de Django Reinhardt sao lindas e expressam o sofrimento, luta, dedicaçao e alegria do povo cigano.
E todos os ciganos, quando entram na musica, sai de baixo…sao praticamente imbativeis(se nao houver jeitinhos ou preconceitos)….vejam os alunos de Django: Birelli Langreni, Stochelo Rosenberg,Tchavolo Schmitt,Angelo Debarre, Richard Galliano e por ai vai……..
Exemplo maximo: depois LISZT….. Gyorgy Cziffra um dos maiores pianista de todos os tempos… e só comparar a limpeza de seu som e foi cigano?
“I ´ll see you in my dreams” uma das memoráveis interpretações de Reinhardt,
mencionada no filme de Woddy Allen,”Sweet and Lowndown”de 1999,contudo interpretado por outro grande guitarrista americano,Chet Atkins,merecia ser lembrada.
As mais espetaculares músicas ciganas se relacionam ao violino.
Vibro, e me arrepio, só em pensar ouvir…
http://www.youtube.com/watch?v=b2TeevKvqq0
vejam que beleza!!
Stephen Kanitz: O Juro de 2011 De Um Dígito
Não somente o juro de 2009 e 2010 passa a ser de um dígito, mas agora é o futuro de juros de 2011. Ou seja, não somente a queda de juros é vista como permanente, mas mostra que não há sinais de explosão inflacionária, como nos Estados Unidos.
Lá, a curva de aumento de juros ou inflação é assustadora. Vide o gráfico da Bloomberg.
http://brasil.melhores.com.br/2009/06/agora-%C3%A9-o-juro-de-2011-de-um-d%C3%ADgito.html
Eu tenho uma biografia do Django em Francês, lançamento belga e algum material esparso do “quinteto do Hot Clube”, alguns com e outros sem a presença do Grapelli. A presença constante é de outro Reinhardt, que , pela biografia, era seu irmão mais novo. Todo o material é fantástico.