iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
29/05/2009 - 07:00

O cassino do BC

Coluna Econômica – 29/05/2009

Do final do século 19 a 1930 a economia brasileira patinou, porque foi colocada a reboque dos fluxos de capitais especulativos. Não havia controle sobre o câmbio. Períodos de câmbio favorável, por exemplo, permitiam a proliferação de pequenas indústrias substituindo os importados. No momento seguinte, a moeda brasileira se apreciava, provocando quebradeira geral.

O que levava o país a seguir uma lógica que estagnava a economia? Primeiro, o fantasma da inflação do “encilhamento” – que havia sido culpa dos capitais voláteis. Segundo, e principalmente, os lucros extraordinários proporcionados por operações de arbitragem desses capitais – que tomavam crédito em uma moeda para aplicar no país e depois saíam correndo ao menor sinal de perigo.
***

Não mudou nada nos últimos 15 anos. Essa política antinacional foi praticada no governo Fernando Henrique Cardoso e prosseguiu no governo Lula.

A lógica é perversa, mas tem sido reproduzida a cada ciclo de crise externa ou internacional.

1. Primeiro, há uma apreciação do real e juros internos elevados. O capital externo chega, converte dólares em reais, aplica nas taxas de juros do Banco Central. Na hora da saída, com o real mais valorizado, ele tem um ganho adicional ao reconverter sua aplicação em dólares.

2. Esse processo leva a uma apreciação persistente do real, provocando aumento das importações, redução das exportações, rombo nas contas externas. Enquanto dá para manter, mantem-se o jogo especulativo.

Quando as contas externas entram na zona do perigo, os capitais voláteis saem na frente, acelerando a desvalorização da moeda. Até o fim dos anos 90, o Brasil ainda adotava a opção criminosa de contrair empréstimos do FMI, para reduzir a perda dos especuladores. Entrava o dinheiro do FMI, era vendido para os fundos especulativos que convertiam seus reais e saíam do país. Depois, o câmbio estourava, arrebentando com as contas públicas.

3. Quando esse capital especulativo saía, ocorriam dois processos simultâneos. Havia uma pressão sobre o câmbio e sobre os preços, levando o BC a aumentar os juros. Depois, a próprpia desvalorização cobrava um preço alto do país, na forma de desorganização do setor produtivo, mas ajudava a equilibrar as contas. Os capitais que tinham se mandado olhavam para trás. Percebiam que, com sua saída, a economia brasileira começava a se tornar menos vulnerável, ao mesmo tempo em que os juros se mantinham elevados (ou eram aumentados). Voltavam, então, para mais uma rodada especulativa, ganhando rios de dinheiro até a crise cambial seguinte.

***

Esse ciclo aconteceu em 1999, repetiu-se em 2003. Em fins de 2007, as contas externas já prenunciavam uma nova crise cambial. A eclosão da crise mundial adiou o acerto de contas. As importações diminuíram, por conta da recessão. A China entrou inesperadamente no mercado, ajudando a uma certa recuperação nos preços das principais commodities. Com a crise internacional ainda não terminando, o BC já abriu espaço para uma nova rodada especulativa de apreciação do real.

O câmbio tornou FHC poderoso e liquidou com sua imagem perante a história. Poderá fazer o mesmo com o governo Lula.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica Tags: , ,

Ver todas as notas

35 comentários para “O cassino do BC”

  1. Roberto São Paulo/SP disse:

    O Estado de S.Paulo, Sexta-Feira, 29 de Maio de 2009
    Investimento estrangeiro pode voltar a pagar IOF
    Medida não é considerada urgente, mas será adotada em caso de haver enxurrada de dólares para o País
    Beatriz Abreu e Fabio Graner, BRASÍLIA
    O governo não considera a medida urgente, mas avalia duas situações para definir o momento adequado para retomar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos investimentos estrangeiros em renda fixa e títulos públicos: deve se antecipar a um sinal de movimento especulativo, com ingresso maciço de capitais, ou aguardar que essa enxurrada de dólares aconteça efetivamente para impor a taxação……………
    ………..Embora ainda não se possa caracterizar um quadro de enxurrada de dólares, a desvalorização da moeda preocupa o Ministério da Fazenda e o Palácio do Planalto. Apesar das explicações técnicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou, em recente reunião com empresários, que o “dólar não poderia continuar caindo”.

    O ministro Guido Mantega também já fez um alerta em relação ao câmbio, mas ontem, no Congresso, evitou polemizar com o BC e defendeu a política de câmbio flutuante. O BC não está parado. De 8 a 20 de maio, comprou US$ 2,408 bilhões no mercado à vista para tentar evitar a desvalorização do dólar. ………………

  2. Roberto São Paulo/SP disse:

    O Estado de S.Paulo, Sexta-Feira, 29 de Maio de 2009
    http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090529/not_imp378714,0.php
    Insumos importados avançam na indústria
    Participação de importados passou de 39% para 54% desde 2005, diz CNI
    Isabel Sobral, BRASÍLIA
    Uma sondagem especial feita em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 54% das empresas consultadas usam matérias-primas ou insumos importados.
    Em 2005, última sondagem desse tipo feita pela CNI, esse porcentual era de 39%. Para a CNI, a valorização do real ocorrida nesse período estimulou a substituição de insumos domésticos por importados……………
    ……………Os dados da pesquisa preocupam a entidade que defendeu ontem ações mais enérgicas do Banco Central (BC) para segurar a cotação da moeda americana, como reduzir mais fortemente as taxas de juros e acelerar a compra de dólares para as reservas internacionais………..

    ……….Embora a retração do nível de atividade econômica esteja provocando uma queda geral das importações brasileiras, a maioria dos empresários consultados disse temer uma entrada forte de produtos importados, o que deve elevar a concorrência.

    “A percepção dos empresários está relacionada, por um lado, ao excesso mundial de oferta de produtos e, por outro, à avaliação de concorrência no seu próprio setor, o que varia enormemente”, afirmou Castelo Branco……….
    ………O setor siderúrgico, por exemplo, intensificou nos últimos dias a pressão para que o governo eleve o imposto de importação de aço……………

  3. foo disse:

    Nassif,

    Como entra a desvalorizacao real do dólar, frente a todas as moedas internacionais, nessa história?

    Por exemplo:

    Nos últimos 30 dias, o dólar oscilou entre 0.773276 e 0.713776 euros — uma variacao de 8%.

    Com relacao ao real, o dolar oscilou entre 2.24652 a 2.0136 — uma variacao de 11%.

    Outra maneira de ver a situacao:

    http://finance.yahoo.com/q/bc?s=USDEUR=X&t=3m&l=on&z=m&q=l&c=USDBRL=X

    A queda só parece maior porque, há um ano atrás, o dólar valorizou-se desproporcionalmente em relacao ao real:

    http://finance.yahoo.com/q/bc?s=USDEUR=X&t=1y&l=on&z=m&q=l&c=USDBRL=X

  4. DeSola disse:

    Nassif, e sobre os comentários do Meirelles defendendo a atual política de juros e câmbio do BC…??
    A sensação que tenho é que o Brasil está tão perto da praia, depois de nadar tanto e por mares tão revoltos, que o BC não vai mudar a estratégia agora. Melhor deixar chegar devagar, ofegante, aos poucos, e atento pra não ser surpreendido por um repuxo repentino.

    “Não. Os números mostram que, até agora, a entrada de dólares tem sido gerada pela retomada do crédito, aumento do investimento em bolsa e IED (investimento estrangeiro direto)”, disse ao responder a um parlamentar da Comissão Mista de Orçamento que questionava se o patamar atual da Selic, a taxa básica de juros da economia, seria o responsável pela atração de dólares nas últimas semana. “Isso não é resultado de diferencial de taxa de juro”, reforçou.
     O presidente do BC negou as ideias que sugerem o uso da taxa de juro como fator para influenciar a oscilação da taxa de câmbio. “A experiência mostra que não dá para ter equilíbrio interno e externo ao mesmo tempo. Não é a taxa de juro que vai dar equilíbrio externo”, afirmou.
     
    Meirelles defendeu que a adoção de câmbio flutuante “preserva o equilíbrio externo”. Na avaliação de economistas, eventuais desequilíbrios das contas externas podem ser compensados pelo câmbio flutuante. Meirelles também afirmou que uma eventual fixação da taxa de câmbio geraria desequilíbrio das contas internas. “Imaginem se tivéssemos câmbio fixo, onde a Selic teria ido”, questionou os parlamentares ao lembrar da alta do dólar no auge da crise financeira, no fim do ano passa

    Ao comentar a recente apreciação da moeda brasileira, Meirelles afirmou que existe um “fenômeno mundial de desvalorização do dólar”. Meirelles destacou que o real subiu 2,4% em relação ao dólar desde 8 de maio e o euro avançou 2,7% frente à moeda norte-americana no mesmo período.
     
    O presidente do BC afirmou ainda que um eventual problema gerado pela entrada maciça de dólares no País poderia ser enfrentado com a fixação de alíquotas de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A afirmação foi feita em resposta a um parlamentar que questionou sobre as alternativas que a autoridade monetária teria para tentar impedir que a entrada maciça de dólares gerasse problemas na economia brasileira, como para os exportadores.
     
    “O Brasil já usou uma opção que era o IOF. Se em algum momento for necessário, este é um instrumento que poderia ser utilizado. Não estou dizendo que vamos usar”, afirmou Meirelles, ao defender que eventuais problemas gerados por excesso de ingresso de dólares devem ser atacados de forma “direta” e não com o uso de instrumentos como a quarentena, opção citada pelo parlamentar na pergunta.
     
    Ele rechaçou o uso de medidas para controlar a taxa de câmbio. “Não existe sucesso de controle do câmbio. As tentativas de manipulação feitas pelas autoridades monetárias não são bem-sucedidas”.

  5. Roberto São Paulo/SP disse:

    Valor Econômico, divulgado pelo Clipping do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – 29/05/2009
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/5/29/petrobras-garante-recursos-para-investimento-ate-2013
    Petrobras já tem recursos para se financiar até 2013

    A Petrobras concluiu sua necessidade de captações pelos próximos cinco anos. Dos US$ 26 bilhões que a companhia projetava precisar entre 2009 e 2013 para complementar a sua geração de caixa, projetada em US$ 148,6 bilhões, ela já obteve US$ 30 bilhões.
    Ou seja, já está em situação folgada antes mesmo de receber um segundo financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de US$ 10 bilhões prometido para 2010.
    Com os US$ 30 bilhões que já captou a empresa garante os investimentos de US$ 174,4 bilhões nos próximos cinco anos mesmo se o petróleo permanecer nos atuais patamares de preço, em torno de US$ 60 o barril, o que não é o esperado em função da escassez de novos investimentos em produção e considerando que há uma queda natural da produtividade dos campos que hoje estão suprindo a demanda mundial.

    “A preços correntes do petróleo nós já nos financiamos. Andavam dizendo que a Petrobras não pode explorar o pré-sal por problemas técnicos e carência financeira. E nada disso é verdade. Produzir petróleo leve naquela profundidade não é problema para essa companhia”, diz o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa……………
    ……………O primeiro foi um empréstimo-ponte de US$ 6,5 bilhões de um “pool” de bancos (HSBC, Banco do Brasil, Santander, Société Générale, JPMorgan e Citibank), que tem prazo de dois anos para ser repassado ao mercado internacional, sendo que uma parte dele, no valor de US$ 1,5 bilhão, já foi colocada em fevereiro em operação que teve demanda por US$ 5 bilhões.
    A Petrobras obteve em seguida o polêmico financiamento do BNDES, que está prestes a liberar os R$ 25 bilhões, equivalentes a US$ 11,9 bilhões pelo câmbio atual.
    Na sequência vieram US$ 2 bilhões do Banco de Crédito à Exportação e Importação dos Estados Unidos (Eximbank)
    e este mês assinou o contrato de financiamento de US$ 10 bilhões com o China Development Bank (CDB) banco estatal da China.
    Esse contrato, segundo Barbassa, tem 10 anos de prazo, sendo cinco anos de carência e cinco de amortização.

    Também ficou acertado que os chineses poderão se tornar sócios da Petrobras em blocos exploratórios que a estatal já tem sob concessão no norte do Brasil…………………….

  6. Rodrigo Medeiros disse:

    É preciso ficar bem claro quem são os “investidores estrangeiros”. Segundo apontam pesquisas, há uma tendência ao investimento na vizinhança (Cf. NOFSINGER, J. ‘A lógica do mercado’. Fundamento, 2006). Esse fenômeno estudado pelas finanças comportamentais fundamenta graves preocupações. Até que ponto alguns poucos privilegiados, escondidos sob o manto do “investidor estrangeiro”, tiranizam a maioria que depende da renda da produção de bens e serviços para sobreviver?

    Leiam o livro ‘Os cabeças de planilha’ (Ediouro, 2007), do Luís Nassif.

  7. foo disse:

    Se olharmos para a variacao do dolar em relacao ao real e ao euro, veremos uma clara tendência de desvalorizacao, só interrompida pela eclosão da crise internacional:

    http://finance.yahoo.com/q/bc?s=USDEUR=X&t=2y&l=on&z=l&q=l&c=USDBRL=X

    O gráfico acima mostra que o dólar ainda está valorizado com relacao ao real, pelo menos se considerarmos o patamar de 2007.

  8. Roberto São Paulo/SP disse:

    Folha de S. Paulo, divulgado pelo Clipping do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – 29/05/2009
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/5/29/cambio-e-juros-faces-de-uma-mesma-moeda
    Câmbio e juros, faces de uma mesma moeda
    Autor(es): Luiz Carlos Mendonça de Barros
    Juros reais muito mais altos do que em outros países tornarão a valorização do real superior à das outras moedas……………..
    ………..O BC brasileiro, escaldado por um passado muito difícil na gestão da política monetária, prefere sempre errar para mais. Essa posição mais conservadora revelou-se correta no passado e foi um dos fatores para a consolidação da estabilidade da economia brasileira nos anos recentes.

    Mas o Brasil mudou muito. A gestão da política monetária hoje é mais eficiente em razão principalmente da penetração das importações no nosso aparelho produtivo e da maturação da economia brasileira. Por isso poderíamos trabalhar com um prêmio menor nos juros Selic. E isso ainda não aconteceu. O diferencial de juros entre o Brasil e o G7 permanece praticamente igual à média dos últimos anos. Isso parece excessivo, tendo em vista o quadro de inflação benigno e o excepcional sucesso da economia brasileira, que passou no teste da crise.

    O sucesso do Brasil reforçou a confiança internacional. O corolário é que não podemos ter uma taxa de juros real desproporcionalmente alta em relação aos outros países que fazem parte desse novo grupo.

    Se isso acontecer, o fluxo de recursos financeiros para nosso mercado vai ganhar contornos especulativos. E, nessa situação, a valorização do real será muito superior à das outras moedas, que parece ser a referência adotada pelo BC para uma política de intervenção no câmbio.

    O presidente Meirelles tem razão em não concordar com os que, dentro do governo Lula, defendem uma ação direta sobre o nível da taxa de câmbio, buscando um patamar mais desvalorizado.
    Mas também é preciso reconhecer que o Brasil não está isolado do mundo. O BC precisará aceitar uma convergência para taxas de juros mais baixas.
    E que a política fiscal atue no sentido de ajudar a compatibilizar esses objetivos………………….

  9. Roberto São Paulo/SP disse:

    Valor Econômico, divulgado pelo Clipping do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – 29/05/2009
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/5/29/em-ritmo-de-cambio-sobrevalorizado
    Em ritmo de câmbio sobrevalorizado
    Autor(es): Antonio Prado/mestre e doutor pelo IE-Unicamp,……….
    A economia brasileira tem revelado significativa resistência à crise financeira internacional. Os tempos fossem outros, muitas vozes anunciariam o cataclismo. Ao contrário disso, há a convicção, entre a maioria dos analistas, de que sairemos fortalecidos da atual prova de fogo e com a possibilidade de crescimento sustentado por muitos anos.

    O que leva os observadores a esse estado de confiança sobre o Brasil, em meio a tantas incertezas profundas na economia mundial? Uma rápida comparação dos efeitos das crises de emergentes e da Nasdaq sobre nossa economia entre 1994 a 2003 pode ser útil. As quebras do México (1994), Tigres Asiáticos (1997), Rússia (1998), Brasil (1999), Nasdaq (2001) e Argentina (2002) provocaram o mesmo roteiro vicioso.

    Havia fuga de divisas acompanhada do estouro na cotação do dólar e da inflação, problemas enfrentados com a elevação das taxas de juros reais. Dólar mais alto e juros básicos mais caros aumentavam a dívida pública e, em resposta, o governo subia a carga tributária e cortava gastos públicos. A vulnerabilidade externa retroalimentava a vulnerabilidade fiscal e o país derrapava na estagnação. Não é esse o caso agora.

    O estouro da bolha do subprime nos afetou em dois tempos: durante os 12 meses seguintes à insolvência do banco inglês Northern Rock, e depois do Tesouro dos EUA deixar o Lehman Brothers quebrar, em setembro de 2008…………………….
    ………………… A ação do governo brasileiro foi rápida e com contundência progressiva……………….
    ………As expectativas são de que a economia brasileira se recuperará antes dos EUA e Europa e seguirá à frente da média mundial nos próximos anos.

    Não é uma realização trivial da política econômica formar essas expectativas. Nessa crise, o risco-país cresceu após setembro de 2008 e voltou a cair, o mesmo ocorreu com o dólar e a inflação está sob controle. As reservas continuam acima de US$ 200 bilhões, a dívida pública em dólar é insignificante e a dívida líquida do setor público consolidado, como proporção do PIB, não sofrerá impactos relevantes com as medidas fiscais tomadas. A reação da economia brasileira está fora do padrão das crises anteriores…………………
    ……….Há motivos reais para o otimismo em relação ao futuro e à possibilidade de voltar à trajetória de crescimento sustentável verificada no período de 2004 a 2008. Mas algumas medidas ainda poderiam contribuir para a reversão mais rápida dos efeitos da crise mundial sobre o Brasil, em especial no que se refere à política monetária. ………….
    ………..As expectativas do mercado financeiro são de inflação abaixo da meta em 2009 e 2010. Também revelam incomum desconexão entre suas previsões de crescimento do PIB e da inflação. O BC deveria ser mais incisivo na sua atribuição de coordenação das expectativas e reduzir as taxas de juros mais fortemente nas próximas reuniões. Isso contribuiria para impedir uma valorização inoportuna do real e reduziria o custo da dívida pública. E, como em junho são definidas as metas de inflação para 2010, já há os que defendem um valor menor.

    Neste momento, a política monetária precisa de espaço para ser expansiva e não o contrário. A meta deve permanecer a mesma, sob pena de o curto prazo se tornar o algoz das boas convicções em relação ao nosso futuro…………..

    ……….Antonio Prado é economista, mestre e doutor pelo IE-Unicamp, professor do Departamento de Economia da PUC-SP (licenciado). Foi da Direção Técnica do Dieese (1990 a 1999). Atualmente é Chefe da Representação do BNDES em Brasília e docente no Instituto Rio Branco do Ministério das Relações Exteriores.

  10. Zé Calado disse:

    Uma coisa que tem sido pouco discutida é a forma que o Banco Central enxugará o excesso de liquidez oriundo da compra de reservas internacionais. Como é provável que o BC mantenha um irracional conservadorismo com os juros, também é que tenhamos que comprar uma quantidade enorme de dólares para não enfraquecer nossa indústria.

    Os Bancos Centrais do mundo podem enxugar essa liquidez de duas formas:

    1) Vendendo título públicos em definitivo ao mercado;

    2) Operações de um dia com compromisso de recompra no dia seguinte, que são conhecidas como “operações compromissadas”.

    Os manuais dos BCs do mundo inteiro recomendam a primeira forma para enxugamentos mais duradouros, já a segunda para o enxugamento da liquidez diária.

    No entanto, o BC brasileiro estranhamente vinha escolhendo as compromissadas para enxugar a liquidez, em grande parte provocada por superávit comercial, que são capitais definitivos do país.

    Esta escolha trás um grave inconveniente. Quanto a tendência da taxa de juros é de alta, os capitais tendem a ir para as aplicações mais liquidas e curtas. E nada é mais líquido e curto do que as operações diárias do BC.

    Desta forma, mesmo as LFTs do Tesouro podem “micar”, o que acaba obrigando o Tesouro a arrochar a política fiscal sob a pena de ter caixa para os pagamentos.

  11. Zé Calado disse:

    Uma coisa que tem sido pouco discutida é a forma que o Banco Central enxugará o excesso de liquidez oriundo da compra de reservas internacionais. Como é provável que o BC mantenha um irracional conservadorismo com os juros, também é que tenhamos que comprar uma quantidade enorme de dólares para não enfraquecer nossa indústria.

    Os Bancos Centrais do mundo podem enxugar essa liquidez de duas formas:

    1) Vendendo título públicos em definitivo ao mercado;

    2) Operações de um dia com compromisso de recompra no dia seguinte, que são conhecidas como “operações compromissadas”.

    Os manuais dos BCs do mundo inteiro recomendam a primeira forma para enxugamentos mais duradouros, já a segunda para o enxugamento da liquidez diária.

    No entanto, o BC brasileiro estranhamente vinha escolhendo as compromissadas para enxugar a liquidez, em grande parte provocada por superávit comercial, que são capitais definitivos do país.

    Esta escolha trás um grave inconveniente. Quanto a tendência da taxa de juros é de alta, os capitais tendem a ir para as aplicações mais liquidas e curtas. E nada é mais líquido e curto do que as operações diárias do BC.

    Desta forma, mesmo as LFTs do Tesouro podem “micar”, o que acaba obrigando o Tesouro a arrochar a política fiscal sob a pena de não ter caixa para os pagamentos.

  12. Daniel Campos disse:

    O que esperava Nassif? Esse país à muito foi vendido para o “mercado” e os rentistas, e estes fazem o que bem entendem. Eu sei a solução para isso, mas se eu a descrevesse aqui me chamariam segundos depois de “populista” e “ditador” hehe.

  13. Roberto São Paulo/SP disse:

    Reuters, divulgado pelo Último Segundo do IG, 29/05/2009 – 10:51
    http://ultimosegundo.ig.com.br/economia/2009/05/29/mantega+nega+intencao+de+taxar+investimento+estrangeiro+com+iof+6417915.html
    Mantega nega intenção de taxar investimento estrangeiro com IOF
    BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que o governo não cogita voltar a taxar os investimentos estrangeiros com Imposto sobre Operações Estrangeiras (IOF). “O Ministério da Fazenda não cogita mexer no IOF neste momento, principalmente para títulos públicos”, afirmou Mantega por meio de sua assessoria.

    “Queremos que haja compra de títulos públicos, principalmente por estrangeiros. Não há interesse em reduzir esse fluxo.”…………….
    ………….”O fluxo de renda fixo é baixo, por isso não se justifica neste momento a implantação do IOF, que poderia dar um sinal negativo para esse fluxo. A informação é equivocada”, afirmou Mantega…………………

  14. Vladimir disse:

    Um bom texto na Folha de hoje pode contribuir com a discussão:

    “VINICIUS TORRES FREIRE

    Câmbio: de volta para o futuro

    “Dólar a R$ 1,99″ ressuscita debate tedioso sobre câmbio, discussão que não resulta em alternativa técnica ou política

    A DISCRETA despiora da economia global inverteu a direção da taxa de câmbio, que volta a se encaminhar para o seu nível de costume nos últimos seis anos: para baixo (no gráfico, a curva descendente indica valorização do real. A linha da “cesta de moedas” mostra a variação do real diante de um conjunto de moedas dos países com os quais o Brasil tem mais comércio).
    A reviravolta ressuscita um debate tedioso a respeito do que fazer, ou não, do câmbio. Tedioso porque sem sentido prático: técnico ou político.
    Não se trata de dizer, como o fez o presidente do Banco Central, que a experiência dos países que manipulam o câmbio deu errado. Se faz tal coisa na Ásia, na China. O problema maior da adoção da “via chinesa” no Brasil seriam os efeitos colaterais graves. Mas os adeptos do câmbio controlado não apresentam os detalhes de suas propostas. De resto, reduzir a valorização do real ao efeito da discrepância ainda abissal entre os juros brasileiros e os do resto do mundo também é argumento muito fraco, considerados os fatos das contas externas dos últimos seis anos.
    Talvez o aspecto mais crítico do debate seja o seu vazio político. Para começar pelo mais óbvio: a política do BC não mudará pelo menos até 2011, afora catástrofes. A partir daí, imagine-se que venha José Serra ou Dilma Rousseff. Dilma nada fala sobre BC. Mas, dada a sua extração política e o que já disse sobre economia, parece mais próxima de Serra do que do “mainstream”. Serra diz horrores sobre os BCs desde FHC.
    Mas Serra e/ou Dilma vão nomear um BC “exótico”, pelo padrão de hoje? Ou vão reduzir a autonomia do BC? Isso feito, o que farão da política fiscal de modo a evitar besteira geral na política econômica? Pisar fundo no freio dos gastos públicos? Mexer na Previdência? Uma política industrial e/ou comercial revolucionariamente “agressiva”? Qual o “mix” de políticas da alternativa? Mistério.
    Voltando à economia, um cenário razoável para os próximos dois, três anos, é o de recuperação chinesa com lentidão no G3: EUA, Europa e Japão. Um mistério maior nesse cenário é o futuro da liquidez e o momento em que virá uma alta dos juros pelo mundo. Ainda assim, é razoável acreditar em mais valorização do real, excetuados desvarios econômicos no Brasil. Imagine então se o petróleo do pré-sal der certo.
    Há setores avariados pelo câmbio. Mas a grita atual nem se deve à virada do dólar -empresas exportam menos devido ao colapso no comércio mundial, o que pode ter adicionado insulto a injúrias cambiais antigas, mas isso é outra história.
    Quem razoavelmente acha que o câmbio é problema deve parar com conversa mole. Remendos monetários são picuinha diante da dimensão de reformas a fazer e ignoradas por Lula (nada a ver com a baboseira dita “neoliberal”), mudanças que vão além do BC e mesmo de política fiscal. Mas quede o debate político?”

  15. Diógenes Sá disse:

    Através da matemática, aplicada a relação cambial, não é possível provar que a desvalorização da moeda nacional, ou seja, a inflação seja o elemento prejudicial de uma economia. Historicamente fazer tal argumentação é ainda mais esquisito.
    “O dinheiro na República Velha (1889-1937) A desvalorização transformou-se num mal crônico, e as crises financeiras se sucediam. O governo federal passou a ser o único responsável pela emissão de nosso dinheiro. Só em 1911 é que o dinheiro brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional. Em 1906, foi criada a Caixa de Conversão para combater a crise no mercado do café – produto importantíssimo para a economia brasileira – e manter equilibrado o poder de troca da moeda do Brasil no comércio com outras nações. A Caixa emitiu cédulas em valores que variam entre 10 mil réis e 1 conto de réis – o chamado papel-ouro, porque tinha a garantia de ser trocado por moedas de ouro. Ela teve suas atividades encerradas em 1920. Mas o mil-réis se desvalorizou muito devido à Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, e ao crash da bolsa em 1929, fato que influenciou a economia do mundo todo. Começou nesse período a crise da produção cafeeira no Brasil. Para tentar estabilizar a situação, criou-se a Caixa de Estabilização, que emitia cédulas que podiam ser trocadas por barras ou moedas de ouro, com o intuito de formar um estoque que tornasse o dinheiro brasileiro mais forte. A Caixa não teve êxito, pois essas crises foram tão fortes que esgotaram os depósitos, e suas atividades foram encerradas em 1930”, Portal Aprende Brasil”.
    Nunca li algo nos livros sobre a economia brasileira que descrevesse essa atrocidade: “Do final do século 19 a 1930 a economia brasileira patinou, porque foi colocada a reboque dos fluxos de capitais especulativos. Não havia controle sobre o câmbio. Períodos de câmbio favorável, por exemplo, permitiam a proliferação de pequenas indústrias substituindo os importados. No momento seguinte, a moeda brasileira se apreciava, provocando quebradeira geral”. Desculpe-me, mas os fatos históricos precisam de registro para ser validado.
    Os registros históricos nos mostram uma outra realidade sobre os problemas econômicos do referido período:
    “(…) O café foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início do século XIX até a década de 1930. Concentrado a princípio no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São Paulo) e depois nas zonas de terra roxa do interior de São Paulo e do Paraná, o grão foi o principal produto de exportação do país durante quase 100 anos. Foi introduzida por Francisco de Melo Palheta ainda no século XVIII, a partir de sementes contrabandeadas da Guiana Francesa.
    Em meados do século XIX, foi descoberta que a seiva da seringueira, uma árvore nativa da Amazônia, servia para a fabricação de borracha, material que começava então a ser utilizado industrialmente na Europa e na América do Norte. Com isso, teve início o ciclo da borracha no Amazonas (então Província do Rio Negro) e na região que viria a ser o Acre brasileiro (então parte da Bolívia e do Peru).
    O chamado desenvolvimentismo (ou nacional-desenvolvimentismo) foi a corrente econômica que prevaleceu nos anos 1950, do segundo governo de Getúlio Vargas até o Regime Militar, com especial ênfase na gestão de Juscelino Kubitschek.
    Valendo-se de políticas econômicas desenvolvimentista desde a Era Vargas, na década de 1930, o Brasil desenvolveu grande parte de sua infra-estrutura em pouco tempo e alcançou elevadas taxas de crescimento econômico. Todavia, o governo muitas vezes manteve suas contas em desequilíbrio, multiplicando a dívida externa e desencadeando uma grande onda inflacionária. O modelo de transporte adotado foi o rodoviário, em detrimento de todos os demais (ferroviário, hidroviário, naval, aéreo) (…), http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090427110719AAA6mjg.
    “Cada vez mais o contexto econômico-político da nossa sociedade influencia o jornalismo de forma a fazer com que ele se adapte aos tempos neoliberais. Segundo artigo da doutoranda em comunicação e cultura pela UFRJ Hérica Lene, a doutrina neoliberal e do livre mercado, necessita de canais amplos de comunicação e informação para ser difundida.
    “Sem um sistema comercial de mídia global, a globalização econômica e cultural seria impossível para promover os mercados globais e encorajar os valores do consumo”, diz Hérica a respeito das mudanças acontecidas no mundo na segunda metade do século XX.
    Com o fim da predominância da doutrina Keynesiana, que prevaleceu no mundo após a Segunda Guerra Mundial – mais voltada à intervenção do Estado na economia – as idéias monetaristas e liberais, que eram mais dominantes até a década de 1930, voltaram com força principalmente a partir da década de 1980. Também no Brasil após a redemocratização pós-ditadura militar, aconteceu esse mesmo fenômeno que valoriza o papel do consumo, papel esse reforçado pela mídia que reitera uma suposta superioridade das economias abertas e liberais (…), Jornalismo econômico em tempos neoliberais.
    Publicado em 04/09/2008 pelo(a) wiki repórter alexroal, DIVINÓPOLIS-MG.
    “A Revolução de 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíbae Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que depôs o presidente da república Washington Luís em 24 de outubro de 1930, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha.
    Em 1929, lideranças de São Paulo romperam a aliança com os mineiros, conhecida como política do café-com-leite, e indicaram o paulista Júlio Prestes como candidato à presidência da República. Em reação, o Presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada apoiou a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas.
    Em 1º de março de 1930, houve eleições para presidente da República que deram a vitória ao candidato governista, que era o presidente do estado de São Paulo Júlio Prestes. Porém, Júlio Prestes não tomou posse, em virtude do golpe de estado desencadeado a 3 de outubro de 1930, e foi exilado.
    Getúlio Vargas assumiu a chefia do “Governo Provisório” em 3 de novembro de 1930, data que marca o fim da República Velha.
    A crise da República Velha havia se prolongado ao longo da década de 1920. Os expoentes políticos da República Velha vinham perdendo força com a mobilização do trabalhador industrial, com as Revoltas nazi-fascistas e as dissidências políticas que enfraqueceram as grandes oligarquias. Esses acontecimentos ameaçavam a estabilidade da tradicional aliança rural entre os estados de São Paulo e Minas Gerais – a política do café com leite.
    Em 1926, setores que se opunham ao Partido Republicano Paulista(PRP) fundaram o Partido Democrático (PD), que defendia um programa de educação superior. Entretanto, o maior sinal do desgaste republicano era a superprodução de café, alimentada pelo governo com constantes “valorizações” do trabalho rural e generosos subsídios públicos, (…)” Wikipédia. A Enciclopédia Livre.
    Não devemos forçar a barra simplesmente para demonstrar uma idéia, quando ela pode prejudicar a economia brasileira e a sociedade. Não basta ler a história econômica brasileira, é preciso fazer a relação entre os fatos históricos para extrair uma conclusão construtiva para a economia. Contestar suposições com base em “fatos” históricos dá mais trabalho do que rebater os resultados numéricos. Mas, é uma boa provocação

  16. duvidoso disse:

    O que até agora não entendo é como um discurso de financistas tem tanta força neste governo.

    Sabemos que há representantes de pensamentos desenvolvimentistas dentro do governo e que são fortes e próximos ao presidente. Porém parecem que não tem voz com relação às políticas econômica e de juros.

    O que será então que está acontecendo?

    - O governo não sabe das reais consequências desta política irresponsável de juros?
    - O governo sabe das consequências, mas deixar como está e vai esperar que elas venham após as eleições?
    - O governo irá esperar o presidente do BC deixar o cargo para disputar o governo de Goiás?

    Não dá para esperar!

  17. Marco Antonio disse:

    Não resta duvida de que não faltarão argumentos para os defensores do real valorizado(artificialmente).Enquanto estiverem ganhando com o cambio sempre terão artificios para explica-los. Porem cambio não é e não pode ser motivo de especulação, como outros ativos, pelo fato de que cambio como o proprio nome diz é troca ou seja, um produto deveria ter seu valor equivalente em outra moeda, seja ela o euro, dolar, peso , ou qualquer outra.Como por exemplo explicar que feita a equivalencia seja em qualquer moeda ,yen, etc .. , um automovel custe 19.000,00 em qualquer lugar do mundo civilizado e aqui custe 60.000,00(318 %) , digo como exemplo o automovel, porque talvez seja o produto industrializado que mais possua sub- produtos como mão de obra, tecnologia em informatica , aço, aluminio ,plastico , borracha, fiação (cobre) , tinta(petroquimica) e vai longe. Outros exemplos poderiam ser os combustiveis, os texteis,etc… so, talvez, ficando fora os alimentos que no Brasil são muito baratos comparando com outros paises principalmente do hemisfério norte, pelos invernos rigorosos.Ou seja, o cambio virou uma forma de reunir a fome(BC, que é o unico que pode opera-lo) com a vontade de comer(rentistas). Como este desiquilibrio um dia acaba , como já acabou varias vezes, ele não se sustenta indefinitivamente(Salvadore Cattiola,?) alguem -sempre o mal informado do dia-(Sadia ,BVF,etc) fica com o mico .Para o mercado é ótimo poder converter R$1,oo e qualquer coisa em US$1,00 Não prescisa ser só aqui não,este qualquer lugar do mundo que topar, eles topam tambem.

  18. Ximbica disse:

    Nassif,
    Para os que pregam a queda do dólar em relação às outras moedas.
    Hoje o Euro está caindo no Brasil, se o exportador trabalhar com outras moedas, não adianta , qual é o fundamento?

    Moeda venda % hora data
    Dólar Com. 1,9710 -1,89 12:36 29/05

    Dólar Ptax 2,0144 0,00 07:52 29/05

    Dólar Par. 2,3000 0,00 10:27 29/05

    Dólar Tur. 2,0900 -1,41 10:33 29/05

    Euro X Dólar 1,4132 1,33 16:36 29/05

    Euro X Real 2,7861 -0,87 12:33 29/05

    Dólar Futuro 1,97 -1,59 12:26 29/05

  19. Homo Brasilis disse:

    Quanta estultice! Uma moeda tem dois lados, a cara e a coroa.
    Não adianta falar das desvantagens de um lado sem considerar as vantagens do outro e vice-versa..
    O Real desvalorizado melhoraria exportações e reduzia importações, em tese, porque, como o mercado, depende das circunstâncias, obviamente; por outro lado, o Real desvalorizado torna nossos ativos baratos, inclusive as ações das nossas empresas.. Quanto mais ações adquiram os capitais estrangeiros maior será a remessa de lucros para o exterior, o que significa sangria em nossas reservas.
    O ponto de equilíbrio, portanto, não existe. Ele, como um vírus mutante, precisa ser constantemente acompanhado para o improviso de uma vacina de momento. É o que faz o BC.

  20. Diógenes Sá disse:

    Ao ler os mais variados artigos, comentários e análises contra a política cambial brasileira é possível constatar facilmente que estão diretamente associadas ao pensamento liberal e neoliberal de combate à política fiscal do governo, tendo como finalidade impedir as ações de reestruturação social e os benefícios da Previdência social, restabelecendo a antiga política social populista e paliativa com subsídios e doação de alimentos insignificantes e improdutivos. Os defensores da desvalorização do Real para proveito e ganhos fáceis das grandes multinacionais exportadoras querem mesmo é desestabilizar a economia brasileira para poder disputar a eleição de 2010 com um discurso capaz de eleger uma maioria no Congresso Nacional e quem sabe o próximo presidente da república para que as privatizações voltem a acontecer, os salários passem a ter reajustes abaixo dos índices de preços ou de inflação, o que for pior para o assalariado, os gastos do governo sejam direcionados apenas para benefícios dos grandes grupos econômicos, o BNDES seja um banco para usufruto de espertos, enfim que a política neoliberal passe a dominar as ações econômicas do governo. Só assim poderão garantir o retorno da concentração de renda e do enriquecimento do capitalista selvagem. O alvo principal desse debate é a política fiscal e a eleição de 2010.

  21. Guttemberg disse:

    Preocupante o descontrole cambial. Mas, qual seria a saída?

  22. Francisco Antonio da Silva disse:

    Abandonar navio! O Nassif está dizendo que o cambio vai liquidar o governo Lula. Vou cobrar isso de você depois.
    Abraços. Francisco.

  23. Ricardo disse:

    só posso dizer que este país é uma bela piada, ainda bem que aqui tem mulher bonita, futebol, boa cerveja e praia…
    Nassif,
    Lembro que antes da crise a importação tava bombando e o setor exportador tava uma m., algumas commodities estavam melhores por conta dos preços (q. tb eram especulativos).
    Hj temos demanda fraca (preços baixos) e o dólar voltando a 1,60, então o setor exportador e a industria em geral vão viver momentos absurdamente ruins. Sem falar na falta de crédito.
    Vão depender cada vez mais do mercado interno, que vão ter as importações bombando novamente ou seja os investimentos aqui tendem a ser mais baixos.
    Alguns comentaristas falam que o US está caindo no mundo todo e blábláblá, duvido. Mesmo pq o US aqui é conta base para determinar o valor do euro e etc
    O dólar está despencando por causa desta especulação, é óbvio. Assim como é óbvio o péssimo cenário para o setor produtivo.
    Siceramente, para mim é no mínimo meio suspeito esta inércia do governo.
    Pelo fato de que lá em Brasilia só tem gavião, deve de ter sim algum tipo acordo.

  24. Nilson Lattari disse:

    Nassif,
    Tem uma informação de um economista da Tendências dizendo que a apreciação do real decorre do saldo comercial, proveniente da parca remessa de lucros das empresas, aplicação na Bolsa e investimento direto, entre outras coisas e de que a aplicação em renda fixa não explodiu o que levou o MF a não voltar a fazer a taxação do IOF nas aplicações. Vai de encontro ao seu raciocínio.

  25. raposo disse:

    meu caro nassif: o q está empurrando o real p’ra cima é o saldo da balança comercial, o ingresso de investimento direto e a queda na remessa de dividendos.
    cuidado com aqueles que querem trocar uma pequena inflação (paga por seus empregados domésticos) por uma queda no juros de seu cheque especial.

    Cuidado com aqueles que querem trocar o emprego (garantido pelo câmbio desvalorizado) por ganhos no mercado financeiro.

  26. Estes caras são sócios no Carry Trade, cadeia para todos.

  27. Andre Araujo disse:

    Os noticiarios desta noite repetem incessantemente que o dolar caiu 1,94% , apesar da intervenção do BC. Essa é a frase chave e é um monumental engodo. A INTERVENÇÃO NÃO FOI PARA VALER, FOI UM TRUQUE.
    Vejamos. A entrada do BC no pregão da BMF se deu as 15 hs 22 minutos de hoje, 29 de maio de 2009, e durou APENAS DEZ MINUTOS, se encerrando às 15 horas e 32 minutos..
    O que aconteceu com a intervenção (leilão de compra)? A moeda americana que estava a R$1,973 foi comprada pelo BC a R$1,974, isto é, a intervenção fajuta provocou o aumento na cotação de UM MILÉSIMO DE REAL. Isso foi tudo o que a intervenção conseguiu realizar. Essa intervenção foi de faz de conta, não foi para valer, não resultou em aumento nem de um décimo de centavo, serviu apenas para dizer que o DOLAR CAIU APESAR DA INTERVENÇÃO DO BC, um sinal ao mercado de que nem o BC segura a valorização do Real. Tudo isso é puro teatro, é um golpe de marketing, um BC não pode fazer intervenções de mentirinha, desmoralizantes, meramente simbólicas.. Em um giro no interbancario hoje de US$4,57 bilhões de dolares, o BC entra comprado migalhas, o volume de hoje ainda não foi divulgado, mas nas ultimas duas semanas houveram intervenções ridiculas, teve uma de US$29 milhões, é alpiste para espalhar que o BC está resistindo.
    Intervenção para valer é comprar US$ 4 ou 5 bilhões no mês, administrando bandas que ficariam entre 2,15 e 2,10. US$4 a 5 bilhões não é nada para um BC om US$200 bilhões de reservas e operando uma divida publica interna em torno de US$700 bilhões. Em dez meses aumentaria as reservas entre US$30 e 35 bilhões no máximo, não faria mal ao Brasil.
    A proposito, a vlorização do Real causa graves prejuizos financeiros ao BC e ao Tesouro, nossa divida interna se convertida em dolares subiu 15% de janeiro a maio, no mesmo periodo em que a arrecadação federal caiu mais de 10% e o valor de mercado da União nas empresas estatais caiu mais de 30%. Quer dizer, a politica de valorização do Real, alem dos mega estragos na economia produtiva causou pesados danos financeiros à União. Nada disso importa quando a turma da Rua Dias Ferreira está eufórica com a politica cambial, derramando elogios (vide artigo longo de Arminio Fraga no caderno EU do valor da ultima sexta feira, 22 de Maio.). É uma politica nefasta em que todos perdem, menos determinado gruoo de especuladores do carry-trade, que tem cacife para trazer dolares, aplicar aqui e retornar enquanto controlam a operação da politica cambial e sabe até aonde ela vai. O custo para o pais é a desindustrialização, com os componentes importados nas cadeias produtivas saltando velozmente, é cada vez mais barato importar do que fazer aqui. Fazer o que?

  28. andre disse:

    quando nossa economia estiver como a do chile, vou estourar champagne, e começar a ter orgulho de ser brasileiro, mas para isso o Meirelles precisa antecipar-se a crise, cortando muito os juros, mas ele corre atrás do prejuíso, e nós, pagando segurança na rua, escola particular e médico particular graças a Meirelles Lula e Mantega, que não tiram proveito do que fazem os países melhores que os nossos, como baixar drasticamente os juros.

  29. FJT disse:

    A mídia vem vendendo uma imagem de recuperação da economia mundial, onde o otimismo e a confiança estariam de volta. Por outro lado, o valor do imobiliário nos EUA continua a derreter. Os arrestos de imóveis pelos bancos continuam a todo vapor e o desemprego continua em ascensão. Isto sugere que o fundo do lamaçal, no qual os bancos estão atolados junto com seus derivativos financeiros, está muito longe de ter sido atingido. Neste cenário altamente recessivo, haveria apenas espaço para a deflação e empoçamento da liquidez. Então, de onde estaria vindo a recente onda de liquidez de dólares que vem se abatendo, principalmente sobre os produtores de comodities?

    Uma possível explicação estaria na tentativa da China de se livrar de parte das suas reservas. Ela estaria sorrateiramente empurrando-a para um tolo maior. Ao tomar uma atitude tão desesperada, conclui-se que ela estaria prevendo algo muito desagradável prestes a se abater sobre a moeda de referência mundial. Mas, se esta foi sua intenção, apenas o tempo dirá se foi uma jogada sensata.

    Além da China, quais outros países ainda continuam a ancorar o seu câmbio ao dólar? A impressão que se tem é que após o escaldo da crise imobiliária, muitos poucos mantiveram a paridade cambial, tanto que os noticiários vêm divulgando que o dólar se desvalorizou fortemente em relação a diversas moedas. Se esta situação persistir, significa que o financiamento do déficit fiscal norte-americano vai se atrofiar ainda mais, diante de um quadro já desesperador.

  30. Túlio Carvalho disse:

    Achei esclarecedor a perspectiva histórica da relação câmbio e juros. Isto mostra bem as raízes de nosso subdesenvolvimento.

    A comparação de 15/09/08 (quebra de Lehman-Brothers) com janeiro de 1999 merece um reparo, pois em 1999 os juros foram a 40%a.a.. Em 2003 a taxa selic bateu em 26,5%. Na presente crise, reputada como a maior desde os anos 1930, a taxa de juros não subiu. Subiu o diferencial entre a taxa de juros interna e externa. Este diferencial é que merece comparação. É correto supor que a taxa americana em 1999 fosse menor que 10%a.a.. Portanto o diferencial em 1999 era substancialmente maior.

    Além disto, o viés de mercado para a taxa de juros é de baixa. Este parece um momento dramático na história econômica do país, porque a prática de taxa de juros de 1 dígito será inédita. Há reações dos fundos de pensão; há reações na sociedade contra a mudança nos rendimentos da poupança. Enfim, há reações de quem acumulou capital e se vê diante de uma situação de buscar remunerações para este em outra praia, não em títulos do tesouro nacional, que sempre foi uma mãe. Isto é cultural.

    Os caras que criticam por criticar querem que o senado não aprove nada que possa significar um paliativo para o desarranjo que se tornaria a economia se for mantida a remuneração da poupança em 0,5%a.m. Estes caras são os filhos dos barões de café, ou barões de qualquer naipe. A base eleitoral da UDN e dos atuais PSDB-DEM. Donos do sistema FSP, Estadão, e sistema Globo.

    Mas agora o que acontece com a flutuação cambial para baixo? Como revela o seu texto: houve “inesperada” reação das compras chinesas.
    Poderá a China continuar comprando e acumulando estoques, sem ter a quem vender? É claro que não.

    A insistência na análise que coloca na mesma categoria o atual bc — que praticou as menores taxas de juros de toda a história — e os anteriores, para mim só se explica pelo amor à autoria. O blog tem a tese da deterioração das contas externas, por conta do diferencial de juros e da taxa de câmbio declinante. Houve um superávit pontual no mês de abril. Se o câmbio não respondesse, aí sim haveria artificalismo.

  31. Antonio Alvaro Guedes disse:

    É um cassino com cartas marcadas e roleta viciada.
    Cãmbio e juros.

  32. Cao Campos disse:

    Você pensa que sabe muito, só critica, não deixa de apoiar uma parcela dos que se favorecem com o câmbio depreciado. Se acha mais inteligente que o resto, sempre tem a resposta para os problemas na visão maniqueísta. Como economista, deveria saber que não há verdades absolutas, principalmente em matérias que envolvem câmbio e política monetária. A verdade é que hoje temos a taxa real de juros mais baixa dos últimos tempos, mas para você, isso não é importante. Devagar, vamos caminhar mais longe, o Brasil, sua economia, seu povo. Henrique Meirelles deveria ser o candidato do PT a Presidência em 2.010, pois segundo o Sr. Lula, é o mais à esquerda dos seus ministros. Quem sabe, com uma pessoa honesta na Presidência, possamos terminar as reformas de que tanto precisamos, e termos desenvolvimento de fato para todos.

    Com você puxando a votação.

  33. Rene Silva disse:

    Há dois anos e meio o Sr.Nassif ridicularizava o Estadão e a Folha, alardeando o PAC.Editorial de hoje do Estadão:”Não saiu do papel a maior parte das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a grande promessa de realizações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu segundo mandato. Nos primeiros dois anos, o governo concluiu só 3% das 10.914 obras previstas. No fim do ano passado, 23% estavam em andamento e 74% continuavam na intenção. Há menos de dois meses, no dia 6 de abril, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mencionou as obras do PAC, num discurso em Montes Claros, como ações importantes para a superação da crise econômica. Outros ministros haviam usado a mesma retórica desde o ano passado: o Brasil, segundo eles, já dispunha de uma política anticíclica e isso ajudaria a enfrentar a recessão global.”Deve ser tudo coisa de “cabeça de planilha” , não é , grande jornalista?

  34. Cao Campos disse:

    Que bom que vc respondeu, é a terceira vez que comento seus artigos, e nunca tinha me dado a honra da resposta. Não se esqueça que o suposto candidato Henrique Meirelles foi escrutinado, denunciado, acusado de sonegação fiscal e,no fim, teve sua inocência comprovada pela Justiça, fato que pouquíssimos ou nenhum político de projeção pode hoje mostrar. Não só puxaria a votação, como trabalharia de graça em sua campanha, e te chamaria para ajudar na divulgação das suas idéias e propostas. A Economia não é nem nunca foi ciência exata, sofre interferência até de fatores psicológicos, por isso, temos de ser humildes e analisar os fatos como eles são, sem os véus da parcialidade que costumam aparecer nas suas análises. Nesses anos todos que acompanho sua coluna, nunca ví nenhum elogio seu, somente críticas. Será que os ocupantes do Banco Central estão sempre errados?

  35. Euvaldo C. Silva disse:

    Parece-me que você esqueceu um detalhe importante em toda essa terrível tragédia: a isenção de impostos. Os nativos pagam impostos exorbitantes e os de fora estão iseentos.Real desvalorizado permite a troca de dólares com o câmbio nas alturas.Compram-se ações, a preço vil, com bolsa desvalorizada.Isento de impostos,operam nos derivativos, onde sempre vencem, fazem as ações subir, valorizam o real e vão embora com muitos, muitos, dólares.Esse movimento se repete em ondas sucessivas.E a mídia calada, sustentada por esses interesses.E a Nação sangra.

Voltar ao topo