A natureza dos gastos públicos
Um dos maiores problemas do pensamento cabeça de planilha é trabalhar a questão dos gastos públicos apenas em cima dos grandes agregados.
Na entrevista que fiz com Fernando Henrique Cardoso, para meu livro “Os Cabeças de Planilha”, o político deixou o intelectual se manifestar. E o intelectual FHC sempre se manifesta com bom senso. Ele admitiu que, com o aumento da cidadania e das demandas por serviços públicos, os gastos públicos seriam sempre crescentes.
A grande discussão, portanto, não é em cima do valor absoluto, mas da alocação desses gastos. E aí se entra no terreno da avaliações das necessidades de cada área, da avaliação de desempenho etc.
No Valor de hoje, o Carlos Lessa repõe o tema nos devidos termos:
Aumento de servidores: pecado ou virtude do governo?
Pelas notícias e pelo tratamento dado a esta questão pela mídia brasileira e por algumas instituições formadoras de opinião, a ampliação do quadro de servidores públicos seria um erro estratégico e um pecado em relação à economia e sociedade brasileiras. Tem sido quase universal a “denúncia” de aumento dos gastos de custeio da administração federal. Neste item, a massa salarial do funcionalismo é a principal componente, sendo resíduo tudo o que é necessário para que os serviços públicos sejam executados. Por exemplo, a “Folha de S. Paulo”, em 17/05, enuncia que “Lula anula enxugamento de servidores”. A atual administração é acusada de haver cancelado o esforço de enxugamento de funcionários públicos realizado pela administração FHC, cujo governo teria reduzido o funcionalismo a 599 mil pessoas, porém Lula elevou, em 2008, para 671 mil. Este contingente, mais os servidores aposentados e militares, absorvem 5% do PIB.
Este aumento pode ser virtuoso ou pecaminoso. Em 2002, o Ministério do Meio Ambiente tinha 7.100 servidores e, em 2008, 9.500; em início de 2003, quando presidente do BNDES, ouvi de Marina Silva a declaração entusiasmada com a contratação de 73 novos analistas de meio ambiente, qualificados para o exame de RIMAs (Relatório de Impacto do Meio Ambiente) e fiquei assustado com a exiguidade do contingente. Somente no BNDES, havia 17 contratos de financiamento para novas usinas hidrelétricas paralisados por ausência de exame do MMA. É quase universal a queixa quanto à lentidão dos pareceres ambientais. Este é um dos retardadores do PAC. Como reitor da UFRJ, conheci de perto os dramas de falta de pessoal e complemento de custeio para ampliar e melhorar os programas docentes. Cursos premiados com avaliação máxima só dispunham de professores com mais de 50 anos; inexistiam jovens professores auxiliares de ensino cuja qualificação e assimilação de padrões permitiria a continuidade e preservação da qualidade e fecundidade do curso. Entre 2002 e 2008, cresceu o número de servidores na educação, com 14.100 novos quadros. Este reforço oportuno é “uma gota d’água” nas necessidades educacionais brasileiras. (…)
http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDRAI5goQ1pm7tpgk
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: gastos públicos, servidor

Certamente esse tipo de esforço para otimizar a capacidade do Estado em prestar um serviço público de melhor qualidade tem sido considerado um grande pecado pelos neoliberais, afinal, a teoria é minguar o Estado até que este desapareça completamente, passando a gestão das coisas públicas ao maravilhoso “mercado”.
Ótimo artigo.
É impressionante como a crença no tal Estado mínimo fecha os olhos de dos seus defensores. Ao demonstrar a proporção de servidores por mil habitantes em países como EUA e Inglaterra, Carlos Lessa deixa óbvio que o Estado brasileiro, complexo como é, na verdade enfrenta uma carência de servidores públicos.
Nassif,outro dia ouvi um “especialista” dizer que pagamos muitos impostos para sustentar uma “maquina pública inchada”pelo Executivo nos últimos anos.Discordo,pagamos muitos impostos porque os políticos do senado e congresso,são uns verdadeiros sangue sugas.Ganham muito,produzem pouco,fazem muita politicagem rasteira,pagam salários elevados para “assessores”, muitos deles apadrinhados.Temos também um judiciário muito preocupado em criticar e pouco preocupado em poupar.Enquanto isso a chamada “grande imprensa”(só no cinismo e mau caratismo),faz de conta que esses gastos não existem.Imaginem quantas escolas,hospitais,serviços de infra estrutura,melhorias no atendimento na saúde, na educação e na segurança não poderiam ser feitos se tivéssemos um Congresso enxuto e um Judiciário preocupado com as causas e não em ganhar e gastar muito?
Na condição de funcionário público da educação sei muito bem como era o enxugamento do quadro na gestão FHC. Por uma lamentável coincidência, aqui no Paraná, governou o pefelista Jaime Lerner, que governou religiosamente à linha FHC. O tal enxugamento simplesmente ocorreu na forma de terceirização. Até mesmo a educação foi de certa forma terceirizada. Ao invés de promover concursos para professores e funcionários, Jaiminho terceirizou a contratação por meio da empresa Paranáeducação. As escolas continuaram públicas mas a mão de obra não.
Agora, foram promovidos concursos e programas salariais para professores e funcionários. A qualidade dos serviços com certeza melhorou. As estatísticas já demonstram e o tempo mostrará mais ainda que serviço público de qualidade faz a diferença e passa pela adequação contínua do contingente.
Ah, o Estado Mínimo. O sonho de consumo dos neocons. Só que Wall Street derreteu, a GM dos EUA agora é uma empresa estatal e os mesmos que queriam afogar o Estado numa banheira estão a pedir socorro a esse mesmo estado, já que eles é que estão se afogando.
Aqui em São Paulo, o estado é mínimo:
a secretaria de “educação” de Zé Serra distribuiu, pela terceira vez, material inadequado que terá que ser recolhido. E o sr. Paulo Renato declarou que vai instaurar sindicância para saber quem aprovou esse material. Ou seja, eles NÃO SABEM QUEM APROVOU. Isso é que é estado minimum minimorum.
Caro Nassif,
Permita-me comentar sobre a minha experiência no setor público federal.
Durantes as décadas de 80 e 90, o governo arrochou enormemente os salários dos servidores públicos. Carreiras de ponta como STN, Receita e Banco Central ganhavam pouco mais de US$ 1.000,00, numa cidade de custo de vida altíssimo como Brasília.
Mas a qualidade desse pessoal não era das melhores, como era de se previr. Embora capacitados para tarefas operacionais, esse servidores demonstravam enorme dificuldade de pensar e inovar os processos. Era uma burocracia medrosa que se escondia atrás da legislação.
A partir dos anos 2000 começa haver uma recuperação dos salários do funcionalismo. Com isso, mesmo paulistas, sempre refratários ao serviço público, começam a chegar a Brasília.
Os bons salários atraem ex-alunos de universidades como USP, FGV, Unicamp, UFRJ, PUCs e federais de excelência
Atualmente há um claro conflito de gerações na burocracia. Entre os velhos servidores, de pior formação mas que ocupam os cargos de chefia, e os novos que passam a exigir mudanças e inteligência no serviço público.
Quem diz que aumentar salário de servidor piora a qualidade do gasto não sabe do que está falando. Basta entrar em muitas prefeituras, onde contadores ganham menos de R$ 1 mil, pra perceber o quanto é prejudicial um funcionalismo que não sabe fazer sequer um cronograma de pagamentos.
Abraços,
Zé Calado
olha como esses analistas dos quais Lessa falam trata a questão dos gastos
Governo gasta quase nada com obras
Postado por Carlos Alberto Sardenberg em 27 de maio de 2009 às 20:46
Na apresentação do resultado das contas públicas do primeiro quadrimestre deste ano, o pessoal da Fazenda gosta de ressaltar que os gastos com investimentos foram os que mais cresceram – 25,8% sobre o mesmo período do ano passado.
É verdade, mas olhem os números. A despesa total do governo federal no período janeiro-abril de 2009 foi de R$ 171,5 bilhões, assim divididos, considerando apenas os principais itens:
- Previdência, R$ 60,6 bilhões;
- Pessoal, R$ 49,9 bi;
- Custeio, R$ 45,1 bi;
- Capital (investimentos), R$ 6,7 bilhões, ou o equivalente a 4% do total das despesas.
Chega a ser ridículo. Só com o aumento do gasto com pessoal no quadrimestre, de R$ 40,1 bilhões, no ano passado, para R$ 49,9 bi, o governo gastou mais dinheiro do que com investimentos em obras.
Isso é outra coisa, aplicar devidamente e de forma racional os gastos com pessoal. Completamente diferente de ser contra reajustes ou fazendo essas comparações ” fulano ganha dez mil enquanto não sei quem ganha salário mínimo”. Ora, deve-se ver em que cargo ele percebe seus vencimentos e analisar-se se aquela função demanda conhecimentos que exijam profissionais de nível alto. Esta a questão. Ou então, todos no Brasil deveriam ganhar salário mínimo. Um cargo de altas responsabilidades deve ser bem remunerado, ou nenhum bom profissional o almejará, o que levará à mediocrização dos quadros públicos, que já vemos em várias categorias. E o aumento das contratações ( via concursos) tem de ser feito na medida em que haja necessidade de evolução do setor em que se as vislumbra. Os últimos raios-X comparando a máquina estatal brasileira com a de países de Primeiro Mundo não mostrou nenhuma aberração cometida por nós.
Caro Nassif,
Para Rodrigo:
- Previdência, R$ 60,6 bilhões;
Previdência ou Seguridade Social?
José Carlos
José Carlos, sei lá
Peguei essa nalise no Sadenberg
Apenas quis mostar como são rasas as analises de quem só sabe bater nessa tecla
O que acontece é que o público, e não só os PIG, vêem uma dissociação entre o aumento dos servidores e o aumento na qualidade do serviço público.
O que se precisa é de indicadores, de resultados que liguem a carga tributária com os serviços oferecidos. E isso ainda é muito precário, mesmo em época de informatização e e-gov.
Assim que se tenha essa relação, clara, mostrada pro público, essa poeira baixa e as reclamações diminuem. E os austro-autistas perdem espaço.
Nessa linha:
http://www.tribunadovale.net/portal/noticias.php?ac=2&uid=28050939072009e8dee48698
Pacote do governo promete pôr 330 mil professores na faculdade
Plano prevê a formação de docentes sem curso universitário ou que atuam em áreas diferentes da sua graduação
Das Agências
Uma série de medidas para valorizar os professores de escolas públicas será anunciada hoje à tarde pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, em Brasília. Entre as novidades está o lançamento do Primeiro Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, que garante a matrícula de professores sem graduação em instituições públicas de ensino superior.
Toda vez que se aproximam as eleições o tema sobre o funcionalismo volta às manchetes. Já se elegeu “caçador de marajás” que era o chefe dos marajás de Alagoas. O tucanato tem o discurso da pseudo eficiência gerencial em cima do arrocho salarial dos servidores, como faz o governo Aécio Neves em MInas com o chamado “choque de gestão”. Os professores com curso superior por lá (aqui) recebem menos de dois salários mínimos, enquanto conselheiros do TCE, deputados e outros marajás recebem mais de 30 mil entre salário, verbas indenizatórias e outros penduricalhos. Pagar bem ao servidor de carreira é uma forma de atrair bons quadros para o serviço público. Isso é bom para a comunidade, é bom também para a economia como um todo, mas não é bom para as aves de rapina que não querem um serviço público de qualidade e republicano. Para eles, é melhor que sobre mais dinheiro para gastos com empreiteiras, ou na promoção de políticas que beneficiam banqueiros bandidos que financiam as candidaturas desses elementos. Para eles, eficiência é terceirizar ou contratar sem concurso público, na chamada economia porca, pois troca a qualidade de um bom serviço público, republicano, impessoal, transparente, pela prática do apadrinhamento de indicações eleitoreiras.
cade a gritaria contra o aumento de gastos em SP
no valor
Em São Paulo, as receitas tributárias do primeiro trimestre de 2009 cresceram 7% nominais em relação ao mesmo período do ano anterior. As despesas de pessoal, porém, aumentaram em 10,56% e as demais despesas correntes, 13%. Os dados são dos relatórios de execução orçamentária, divulgados pela Secretaria da Fazenda do Estado.
Caro Nassif
Quando se fala em gastos com o funcionalismo não se cita o estadual, sera que eles não merecem mais, ai deixo a questão porque São Paulo, onde resido e sou funcionario o Estado ns deixa na mão.
Nassif não fica claro o quanto deste “acréscimo” refere à substituição de terceirizados e aumento no numero de aposentados. Acredito que isto poderia dar uma avaliação mais apropriada e que num encontro de contas seria interessante confirmar ou não se existe aumento incompatível com o crescimento do País e o quanto à redução de burocracia pelo avanço tecnológico pesara nesta conta de chegada em curto prazo.
É incrível que até hoje se tente carimbar gastos correntes como ruins e investimentos como bons.
Obviamente o gasto de mais um real é bom ou ruim dependendo do retorno que dá. É essa análise, simples técnica marginalista, que não se faz, ninguém sabe porque.
Outra coisa: Todo investimento vai ser acompanhado por aumento de gastos correntes. Do contrário, o que temos é sintoma de corrupção (obras sem manutenção, hospitais sem médicos, etc).
Nassif é melhor e mais barato nos tranformarmos em federação.É impossivel fisicamente bancar o atual sistema republicano porque é caro vc. enquandrar 180 milhões em um modelo gerenciado por brasilia,mesmo descentralizando os projetos só o custo da burocracia brasiliense já é um caos para o povo e não é só dinheiro não é o tempo,Muitos nascem e morrem e tem coisas que ainda estão em brasilia
Cabeção diz: Pagar bem fucionários importantes para o funcionamento da máquina é gasto público. Dar dinheiro para banco através do Proer é sanear o sistema financeiro do país
O governo federal vem valorizando seus servidores e colhendo os frutos. Mas a maioria dos serviços de educação, saúde e segurança é de responsabilidade dos estados ou municípios, que não investem na mesma proporção. A população não vê melhora nos serviços que utiliza diretamente e se sente, com muita razão, no direito de reclamar.
Luis Nassif,
Enviei ontem 27/05/2009 às 21:48 um longo comentário para seu post “As visões sobre os gastos públicos” de 27/05/2009 às 08:07. É o bastante. Já copiei e colei o suficiente e fica aqui o registro para quem tiver interesse.
Como leigo minha discordância em relação às idéias do Carlos Lessa são irrelevantes, como também é irrelevante neste caso do artigo eu manifestar minha concordância. Que fique, entretanto, aqui, também esse registro.
E dentro das irrelevâncias destaco mais uma: a sua referência ao Fernando Henrique Cardoso no segundo parágrafo da sua chamada para o artigo do Carlos Lessa. Irrelevância que eu transcrevo:
“Na entrevista que fiz com Fernando Henrique Cardoso, para meu livro “Os Cabeças de Planilha”, o político deixou o intelectual se manifestar. E o intelectual FHC sempre se manifesta com bom senso. Ele admitiu que, com o aumento da cidadania e das demandas por serviços públicos, os gastos públicos seriam sempre crescentes.”
Sou leigo quanto ao bom senso de FHC. Talvez sobre esse bom senso, possam-se encontrar mais informações de gente abalizada no livro de Millor Fernandes “Crítica da razão impura ou O primado da ignorância: sobre Brejal dos Guajas, de José Sarney e Dependência e Desenvolvimento na América Latina, de Fernando Henrique Cardoso”. Livro de 67 páginas editado pela L&PM em 2002.
Sou leigo sobre o bom senso de FHC, mas penso em dizer uma ou duas coisas e como o tema é irrelevante não creio que os erros que porventura eu cometa possam ser tipificados como de lesa-majestade.
Quer dizer que o bom senso de FHC o levou a admitir que “com o aumento da cidadania e das demandas por serviços públicos, os gastos públicos seriam sempre crescentes”.
Eu costumo dizer que o FHC, tendo em vista a tese de mestrado sobre a escravatura, daria um bom assessor de D. Pedro II. Na frase acima o bom senso dele levou-o a repetir uma regra conhecida como “Lei de Wagner sobre a expansão das atividades do Estado”, como se encontra no artigo “Efeitos dos Gastos Públicos sobre o PIB: um teste empírico nos Municípios do Estado do Espírito Santo” de autoria de Dr. Arilton Carlos Teixeira Campagnaro e José Mário Bispo Sant´Anna, ou então como se encontra no artigo “Os gastos públicos no Brasil são produtivos?” de José Oswaldo Cândido Júnior. Segundo José Oswaldo Cândio Júnior a hipótese de Wagner, ou a Lei dos Dispêndios Públicos Crescentes, defende que o crescimento da renda per capita (ou o desenvolvimento econômico em termos gerais) exige a participação cada vez maior do governo na oferta de bens públicos. Essa regra foi estabelecida por Adolph Wagner, economista alemão em 1890 um pouco depois do fim do segundo reinado e talvez FHC, como ótimo copiador que sempre foi, não pudesse prestar também esse tipo de assessoria para D. Pedro II.
Sempre gostava de defender idéias que me parecessem adiantadas no tempo. Assim, na década de 80 defendia o aumento da carga tributária e me considerava um dos únicos a se perfilhar nessa corrente. Qual foi minha surpresa ao descobrir que 100 anos antes Adolph Wagner já dissera coisa semelhante. Então resolvi dar um passo à frente na idéia do Adolph Wagner. Não era o crescimento do PIB que aumentava a demanda por mais gastos públicos, mas mais gastos públicos (e portanto, maior receita tributária) que geravam mais crescimento econômico. Até descobrir que sobre isso já professara Thomas Malthus muitos anos antes, como a nota de rodapé a seguir transcrita do artigo do José Oswaldo Cândico Júnior revela:
“Thomas Malthus defendeu, em 1820, a idéia de que era necessário aumentar os gastos públicos para estimular a demanda agregada e o crescimento econômico”.
Como no meu comentário referido acima e enviado em 27/05/2009 às 21:48 para seu post “As visões sobre os gastos públicos” de 27/05/2009 às 08:07, eu não fiz nenhuma citação, faço-as aqui a rodo. Indico assim o artigo do economista Vito Tanzi, intitulado “Impostos Menores no Futuro?”, disponível no site da ESAF (Escola Superior de Administração Fazendária). A interrogação do título foi a forma que Vito Tanzi encontrou para não dizer a verdade. Ele trabalha para o FMI e não ficava bem defender aumento dos tributos. OFMI prefere que os países pobres em vez de recorrer ao aumento da carga tributária recorram aos empréstimos do FMI.
Do trecho a segui transcrito e sabendo a quantas anda a carga tributária pelos países do mundo dá para perceber que fora o discurso do lobby a tendência é sempre de aumento da carga tributária:
“Em 1888, ao discutir o nível ótimo de tributação, o economista francês Paul Leroy-Bealieu concluiu que uma receita tributária equivalente a 5% a 6% do PIB poderia ser considerada “razoável”, 8% a 10% do PIB seria “normal”, mas uma cifra acima de 12% do PIB seria “exorbitante” e prejudicaria as perspectivas de crescimento dos países”.
Não tem mais não. Era bem isso e só isso o que eu tinha a dizer.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 28/05/2009
Uma parcela grande da sociedade, não sem razão, afirma: “pagamos um imposto altíssimo, e vejam que serviço público temos!”
Atentos a essa demanda social, analistas vêm exigir avaliação de desempenho dos servidores, nos moldes da adotada na iniciativa privada.
Creio que instrumentos dessa espécie poderão captar e eliminar certas distorções de monta, ao preço de criar alguns novos problemas. Trabalhar para atingir metas, dependendo de como elas são elaboradas, é algo muito medíocre. A finalidade do trabalho e o próprio espírito público ficam em segundo plano.
Suponho que os maiores ralos do dinheiro público não têm origem na desídia do servidor comum, mas sim em modelos de gestão e controle insuficientes e, especialmente, na subversão, no seio do Estado, do interesse público em benefício de interesses privados, sejam estes de agentes políticos, sindicatos, empresas… pouco importa.
Não sou contrário a que existam metas de gestão, desde que sejam elaboradas com inteligência e não sejam consideradas uma panaceia.
O comentário sobre o qual comento não atacou o cerne da questão. A mídia, segundo um filósofo do qual não recordo o nome, se constitui hodiernamente nos cães de guarda do capitalismo, tendo o propósito de proteger e propagar a ideologia neoliberal, que prega a idéia do Estado mínimo. Aos capitalistas não interessa um estado estruturado, capaz de fiscalizar suas operações fraudulentas, que têm a função precipua de enriquecê-los rapidamente, não importando as consequencias nefastas para a sociedade. Sendo assim, à mídia, enquanto aliada desse desiderato, trata de atacar o aumento do número dos funcionários públicos, notadamente em setores estratégicos da administração pública, tais como fiscalização, polícia federal e justiça.
Caro Nassif
Cada vez que ouço Estado mínimo me dá caláfrio, que acredita em salário minímo e Estado massacrante, veja o que o Serra esta fazendo com a educação, segurança etc etc.
Enquanto os países ditos centrais reveem a sua economia, ele insiste em continuar com o atraso.
Saudações
O que houve no governo FHC não foi enxugamento, mas sim sucateamento. Corte de verbas mais a política de não recrutar novos servidores, fez com que muitos órgãos, principalmente Universidades tivessem seus quadros esvaziados, forçando-os a se adaptar com remanescentes desqualificados ou terceirizados. Até as agências reguladoras, inventadas no seu governo, ficaram até pouco tempo atrás sem efetivo.
Quanto a relação entre o aumento funcionários do IBAMA e a demora dos licenciamentos ambientais, por que ninguém nunca cogita a hipótese de a análise ter se tornado mais rigorosa, em função da maior qualificação do quadro?
Clever .
Começo com seu texto.
“A carga tributária brasileira é asfixiante para quem paga impostos”. Se for levar a frase ao pé da letra vai-se concluir que o setor que paga imposto está se atrofiando (…)
Como a carga tributária em valores absolutos está aumentando e como o setor que paga os impostos está desmilingüindo, afinal encontra-se asfixiado, chega-se a conclusão que a cada momento que o setor fica menor, mais (…)ele paga impostos. Não sei qual é o ritmo do processo É o tipo de cálculo que talvez os novos físicos economistas possam desenvolver com facilidade que leigos como eu nem se aventuram mas não creio que eu viverei o bastante para ver esse setor desaparecer (…). Admirável mundo novo! “
Clever! Tinha certeza que vc ia entrar nessa. Não deu outra.
Mas vc. esvazia a missa com esse texto chato e longo. As razões …e eu sei que vc as tem, como técnico dedicado, se perdem num prolixismo onde a fala procura a audiência como se procurasse o efeito.
Devolvendo a provocação.
O seu raciocínio me fez lembrar , não os “novos físicos “ , mas os “antigos físicos” e um consolo pra vc quando diz que : não sabe se viverá o bastante (…) Fique tranqüilo.
Por analogia a seu raciocínio acima sabemos que vc deverá viver algum tempo. Como antes de chegar esse tempo deverá chegar a metade dele, e antes dessa metade deverá chegar a metade da metade , e antes disso …. assim sucessivamente até um infinito de repartições (sua grande vocação ) vc chegará ao infinito. O velho Zenão de Eléia “ vi raccomanda , purtroppo non i nuovi fisici “. Só lamento que seja o infinito de algo finito.
Vc. não consegue pegar o ponto central : um ambiente asfixiante limita nosso potencial de desenvolvimento e não há dúvida de que a carga tributária no Brasil asfixia. Sim asfixia …mas diante da morte muitos resolvem reagir. Vc tripudia sobre essa “vontade elementar” .Vc parece , não se interessar pelo destino deles. Prefere uma solução “ divina-estatal” , um complexo arranjo via ICMS com um sistema de repartição …Pis/Cofins pseudo valor agrefado etc Tanzi , Beaulieu..etc.. Dito de outra forma , uma solução técnico-burocrático vinda de cima. O messianismo de cátedra.
Saliente-se sua visão de homem intramuros …, mas ela nada tem de mundo novo, só o velho e a velha incapacidade de homens de dentro da administração pública entender a necessidade de transformação com a sociedade , e não da sociedade , pois trata-se de um jogo de vida e morte , ainda que parcial .
Assim diante do tema proposto: a natureza do gasto público. Como esse emaranhado complexo, chamado estado moderno se paga e se financia e qual sua contrapartida? Vc retoma a ladainha de que o lado de “ iniciativa privada” é só lamentação e nonsense.
Como dissolver a dicotomia Estado X indivíduo, e sua versão Publico-Privado , através de novas práticas de cidadania com foco a qualidade do serviço que o cidadão recebe.
O servidor público precisa atender ao cidadão, não ser instrumento de sua opressão. Devemos deixar morrer adequadamente os vocacionados a ditaduras de cátedra, supremo posto da perversão do bom funcionalismo público.
Nassif tocou no cerne da questão: a sociedade moderna precisa controlar a desmedida do Estado. Alí sob essa roupagem se escondem acomodação e interesses não publicáveis de grupos e indivíduos que não conhecem limites. O Banditismo mais hipócrita que existe.
Saudações Cordiais
R. Rinaldi,
No meu comentário de 27/05/2009 às 21:48 para o post aqui no blog do Luis Nassif intitulado “As visões sobre os gastos públicos” de 27/05/2009 às 08:07, de onde você tirou o trecho transcrito no seu comentário acima, enviado em 30/05/2009 às 11:34, eu pensei em você quando escrevi o primeiro parágrafo do comentário enviado para Luis Nassif e que a seguir transcrevo:
“Recomendo aos que tiverem interesse em saber um pouco mais sobre a tributação a ir ao seu antigo blog projetobr e ler os comentários em “A nova reforma fiscal ” de 29/02/08 às 06:00. E se após a leitura permanecerem com a mesma opinião formada velha sobre tudo, é porque ou já sabiam de tudo, ou é porque adotam o lema do velho texto da canção Opinião (Podem me prender, Podem me bater, Podem até deixar sem comer, Mas eu não mudo de opinião), o que é também de se louvar, pois antes isso a ser uma metamorfose ambulante.”
Sim, ia dar o seu nome como exemplo de quem não muda de opinião apesar de tantas luzes que eu lancei lá em “A Nova Reforma Fiscal”. Só não o citei por você andar sumido e eu não queria fazer a descortesia de mencionar um colega comentarista que eu não sabia onde se encontrava. E vejo que você aproveitou a minha ausência para colocar suas críticas e utilizando comentários meus em posts ainda mais antigos.
Pelo teor dos meus comentários vê-se que estou cansado. É muito esforço e não se vê um avanço. Gostaria de ver o mundo novo acontecendo, mas não me peça para ver imperando a lógica dos velhos filósofos ainda mais que agora sob a batuta de novos que querem o Estado como provedor absoluto em troca de algumas migalhas.
Como você viu, as minhas idéias já se esgotaram, por isso agora só copio textos antigos. Relancei ontem algumas diatribes contra seus colegas do curso de economia. É mais do mesmo, mas vale dar uma olhada nos comentários que enviei para o post aqui no blog do Luis Nassif intitulado “Ladeira abaixo” de 31/05/2009 às 11:06 a respeito de reportagem no Estadão com o título de “Exportador perde com o real, moeda com 2ª maior alta em 2009″.
PS 1. Não sou contra o controle do Estado. Apenas penso que há ingenuidade de Luis Nassif em adotar o que ele chama de novas técnicas de gestão ou modernas práticas de gestão. Não sou adepto da neurociência, mas na quinta feira, dia 28/05/2009, saiu uma crítica ao livro “Management Rewired: Why Feedback Doesn’t Work and Other Surprising Lessons from the Latest Brain Science” de Charles S. Jacobs. Algumas declarações de Charles S. Jacobs são um achado sobre essas novas técnicas de gestão do Luis Nassif. Se não fosse a dependência à neurociência, a crítica dele ao que eu chamo modismo da Administração só é comparável ao livro crítico do livro “O gerente de um minuto” e que se intitulava “O subordinado de 59 segundos, ou como passar à frente de seu gerente de 1 minuto”.
PS 2: Como estou aproveitando este post para fazer referências bibliográficas vou ler o seu comentário com mais calma para ver se para ele ainda cabem mais outras citações.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 01/06/2009