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22/05/2009 - 14:58

O obituário do Zé Rodrix

Por ulisses mascarenhas

“z.rodrix”

Data: Qua Jun 2, 2004 7:34 pm

Assunto: Re: [M-Música] . Re: [M-Música] . Re: Paul McCartney – (era:
Rock in Rio Lisboa…)

Felipe:

Em resposta a seu completissimo questionario passo-lhe às mãos minhas especificações para passamento e eventual necrologio.

Há alguns anos, gostaria de ter a causa-mortis preferida de meu pai: assassinado aos 98 anos de idade com um tiro dado por um marido ciumento que o tivesse pego em pleno ato… mas hoje nao mais. Pode ser de fulminante ataque cardiaco, dentro da minha biblioteca, perto o suficiente da familia e dos amigos mas afastado o bastante para que, alertados pelos cachorros da casa, ja me encontrem morto, com um sorriso nos labios.

Pode sepultar-me em pleno mar, sob a forma de cinzas, ja que nao poderei ser sepultado in totum no jardim da minha casa. Se conseguirem isso, no entanto, que nao cobrem entradas para visitação, à moda do irmão da princesa: deixem que alem das pessoas os passarinhos e os animais da casa se refestelem no lugar, renovando diariamente o eterno ciclo da Natureza.

Ao enterro devem, atraves de convite formal, comparecer todos que foram aos meus lançåmentos de livro: nada mais parecido com um velorio do que isso.

Peço parcimonia nos efluvios emocionais: já as risadas devem ser francas e sem limite. Creio inclusive que prepararei com antecedencia uma fita de piadas gravadas para animar o velorio e manter o pessoal na boa.

Como dizia o Bozo, “sempre rir, sempre rir….”

La so deixarei a mim mesmo: mesmo os inimigos que comparecerem para ter certeza de que estou realmente morto podem voltar para casa em paz. Nao pretendo puxar a perna de ninguem à noite e nem assombra-los depois de morto.

Já os amigos podem contar comigo: havendo vida após a morte, volto para avisar, da maneira mais pratica e menos assustadora que me for possivel. A cremação deve ser feita depois que todos forem embora cuidar de seus proprios afazeres: enfrentar as chamas do forno terrestre ja será um gardne introito
para a vida eterna.

Se conseguir, tentarei ser crooner da grande Orquestra de Jazz doInferno, vulgarmente chamada de SATANAZZ ALL-STARS: como ja vou chegar la
tenente ou capitão, dada a minha imensa taxa de maldades realizadas sobre a Terra, creio que nao será dificil. Meu castigo certamente será cantar MPBdQ
por toda a eternidade, mas mesmo com isso ainda se pode encontrar algum prazer, assim na terra como no inferno….é o que veremos a seguir.

No enterro podem tocar de tudo, menos as musicas que eu tenha feito. Mnha morte servirá certamente para que se livrem nao apenas de mim mas tambem de
minhas obras. Os herdeiros tambem nao merecem ouvi-las, sabendo que nada herdarão de minha lavra, porque, sendo eu adepto da politica do VAI TRABALHAR,
VAGABUNDO, como meu pai fez comigo, ja tomei providencias para que essas musicas nao lhes rendam nem um tostão furado. Sendo um velorio moderno,
recomendo musicas de carnaval antigo, as indiscutiveis, claro, com algumas discretas serpentinas e confetes jogadas sobre o caixão, fechado,
naturalmente.

Morrer num Sabado à tarde, ser enterrado num Domingo antes do almoço, e estar completamente esquecido na manhã de Segunda, sem atrapalhar a vida
profissional de ninguem: eis a perfeição que desejo na minha morte.

Muito grato.
beijos
Z

Do Portal Luís Nassif

Clique aqui para ajudar a enriquecer o dossiê sobre a carreira de Rodrix.

E clique aqui para uma página da Laura Macedo sobre ele.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

78 comentários para “O obituário do Zé Rodrix”

  1. Maria Dirce disse:

    Qdo todas as cabeças iluminadas se forem, o que farão os medícres?

  2. Tive o privilégio de contar com o Z. Rodrix em alguns breves, porém intensos, momentos da minha vida. O suficiente para alçá-lo à posição de ídolo e referência contínua de comportamento. Um desses momentos cravou-se nas primeiras páginas do meu primeiro livro, no prefácio assinado carinhosamente por ele que, certamente, é mais valoroso que a obra em si. Vai lá, meu amigo e “Tio” Zé. Segue sua estrada de luz. Pede pro cara lá em cima não deixar de olhar por nós, mesquinhos e incompletos, aqui embaixo. Que sua esposa Julia, sua mãe e seus filhos tenham conforto e entendimento. E que a gente aprenda, mesmo que dolorosamente, a suportar a ausência de sua mente e de seu espírito brilhante.
    beijo do sobrinho,
    Z.

  3. marcia disse:

    já é estrela…

  4. Com o desaparecimento de Zé Rodrix, mais um segmento físico da geração que embalou a adolescência da minha geração vai nos deixando orfãos culturais. Mas como sua obra permanece eterna entre nós, vamos fazer coro a GLORIA GAYNOR e cantar “Never Can Say Goodbay” .
    Quinta-feira, 28 de maio, o programa STUDIO 1120 vai prestar uma homenagem a Zé Rodrix. Acompanhe pelo http://www.fatimafm.com.br e visite o blog http://studio1120.blogspot.com/ .
    Tchau Zé Rodrix e descanse em sua eterna “Casa de Campo” tirando o “Pó da Estrada” .

  5. Hélio disse:

    Zé você faz parte de um momento significativo de minha vida….
    Quando mudei de Sampa e comprei uma casa em Floripa em um lugar bem bucólico longe do “burburinho” num lugar bem bucólico…ou seja…Sambaqui. E nesse processo estava em SP fazendo a tranzação e coloquei para a minha esposa ouvir essa canção no telefone “eu quero uma casa no campo” isso a uns 6 anos atrás. E após isso tenho meus livros, meus discos e sobretudo um filho de cuca legal…

    Valeu cara……

    Hélio

  6. Militao Ricardo disse:

    Em 1997 fez a palestra de abertura do Set Universitário de Comunicação na PUCRS em Porto Alegre. Com sua verve impagável deu uma grande aula de produção de áudio publicitário. Digo uma aula e não uma palestra, porque contou os seus cases de sucesso (como todo o ego publicitário faz), mas também contou cases que não deram certo Estes últimos trazem muitos bons ensinamentos. É muito raro ver um publicitário contar os insucessos publicamente.

  7. Carlos N Mendes disse:

    Caramba, a morte dele foi bem próxima de seus desejos – perto da família e fulminante. Não sei do sorriso nos lábios ou dos cachoros, mas acho que talvez tenha sido cedo demais – mas isso não costuma a depender de nós. Mas valeu. Vá em paz, Zé Rodrix.

  8. e desculpe dizer, mas com tanto pagodeiro horroroso vivinho da silva, vamos perder logo um sujeito da criatividade e inteligencia do Ze.
    eu o conheci brevemente numa entrevista para a extinta Macworld. Ele era usuario Mac das antigas e mantinha um dos seus primeiros micros (um SE ou um SE Plus, nao me recordo bem) em funcionamento a recepcao de seu estudio. Era da maxima de que “PC velho eh obsoleto, Mac antigo vira um classico”! Tambem me diverti muito com ele contando sobre as varias encarnacoes do Joelho de Porco e do sonho de lancar um disco em homenagem ao Roberto Carlos com o sugestivo titulo de “Um Trem Passou por Aqui – ou Em Terra de Surdo quem tem uma Perna eh Rei”

  9. [...] o Luis Nassif postou o “obituário” do Zé Rodrix, escrito cinco anos antes de sua morte. Mórbido ou não…o texto em si é pura poesia e muito [...]

  10. Zé Rodrix juntamente com Sá e Guarabyra, fazem parte da geração que embalou a adolescência da minha geração. Vá em paz para sua eterna “Casa no Campo” e pode retirar ” O Pó da Estrada” que carrregaste entre Bom Jesus da Lapa e Pirapora Pindurado no Vapor.
    Quinta-feira, 28 de maio, vamos oferecer um programa especial para o eterno Zé Rodrix apartir das 20h (8h PM) no Studio 1120. Acesse o blog para ter mais informações e prestigie : STUDIO 1120 – O Melhor Programa de Rock do Rádio Brasileiro.
    Brilhe no Céu Zé Rodrix .

  11. “Ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém.”Te ouvindo ,lendo seus bons trabalhos , você está mais do que vivo , está imortalizado.VALEU , ZÉ!!!Fica a saudade.

  12. Almir Sani Moreira disse:

    Estive na Grande Loja, no velório do corpo do Zé Rodrix.

    Apesar da profunda tristeza aproveitei o momento para uma reflexão, enquanto o grão-Mestre conduzia os trabalhos.

    Nos anos 70, a música Circuito Universitário foi um grande sucesso. Hoje me recordo daquela mensagem, que devemos fazer nossas escolhas e, apesar de tudo, seguir em frente.

    Já recentemente tomei conhecimento de seu livro Diário de um Construtor do Templo. Uma obra que me conscientizou da importância de nossos atos, além de me mostrar uma outro ponto de vista para a leitura da Bíblia.
    E para uma releitura do que eu já havia estudado sobre a Maçonaria.

    Ao fim do livro percebi que o Templo que construímos é na verdade nosso caráter, nossa essência e os valores que cultivamos.

    E ali, diante de seu corpo material, mas consciente de que seu espírito rumava ao encontro do Grande Arquiteto do Universo, percebi um terceiro ensinamento, de que nossa vida terrena é finita. Tudo que tivermos a fazer, façamos, antes de cruzarmos o Umbral das Trevas e descermos ao Érebo, ato que se dá sem nossa iniciativa, mas de uma Força Superior.

    Curiosamente três momentos, número tão importante na Irmandade.

    Então percebi que minha tristeza não era só pela morte do Zé Rodrix, mas por ser tão mesquinho, egoísta e estúpido a ponto de não perceber, ou se o fazia, não praticar os ensinamentos que me foram colocados à disposição, pelas mais diversas formas. Tristeza por não saber distinguir o que é realmente importante para mim.

    Mas tristeza também por saber que não sou o único. Ou o mundo seria um lugar melhor.

    “Eu quero uma casa no campo, do tamanho ideal … onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros, e nada mais … ” Acho que a tristeza era por saber que eu não tenho direito a isso. Não agora.

    O trabalho do artista é esse. É acordar, remexer tudo dentro de nós, é dar um soco no estômago de vez em quando …

    Sua alma seguiu rumo ao infinito, e como disse o Grão-Mestre, é a estrela mais brilhante no firmamento; mas sua mensagem ficou. Como disse o Júlio de Paula, “ninguém morre enquanto permanece vivo no coração de alguém”

    Pelo menos o “… filho de cuca legal …” eu tenho. E ao chegar em casa abracei meu filho e disse a ele que tinha ido me despedir de um sujeito fenomenal, e que, esse sim, deve ser um exemplo para todos nós.

    A dor vai amainando, a ferida vai cicatrizando, e a corrente vai se recompondo.
    E o exemplo vai ficando mais forte.

    “Fica a saudade”, mas também ficam as obras, sólidas, pois edificadas por um grande Pedreiro.

  13. …ESTOU TRISTE..MAS TB FELIZ, POIS SINTO Q O ZE JA ESTA LEVITANDO POR AI…..SOU A VIUVA DO TICO TERPINS, Q SE FOI A 11 ANOS DO MESMO JEITO,…MANDEI MUITOS PENSAMENTOS , E ACHO Q ELES TERAO MUITAS COISAS PRA FAZER GRACA POR ONDE FOR….
    JUNTO COM O DAVID ZING, WALTAO…ENFIM…TODA A TURMA….
    THAT’S LIFE……

  14. Valter Dias Lopes disse:

    Amigos
    A ida de nosso irmão ao céu ( ele preferiu falar do inferno ) é a constatação de que , apesar de tantas peripécias , a vida vale a pena quando construímos o que acreditamos , com aprendi\zado diário , rechaçando o que pode não nos fazer bem .
    O desencarne de Zé Rodrix é mais que uma morte comum , é a possibilidade de refletir sobre a vida , como ele tão bem soube fazer conosco com as suas obras e a sua existência .
    Quem o conheceu sabe que ele fez da vida uma grande viagem , mas não estava aqui a passeio , porque construiu mutio .

    Valter Dias Lopes

  15. Gesualdi Alexandre Carvalho disse:

    Amanhã, dia 30 de maio, vai fazer um ano que o Zé esteve aqui em BH, junto com o Sá, Guarabyra, Flávio Venturini e 14 Bis, no antológico show do Chevrolet Hall. Vai deixar boas lembranças desde sua passagem pelo grupo Som Imaginário, com Milton Nascimento, Wagner Tiso e Tavito, formando depois o trio com o Sá e Guarabyra, saindo depois para carreira solo, e na década de 80 agrupando-se com a banda Joelho de Porco. Desde 2001 uniu-se novamente ao Sá e Guarabyra e vieram fazer este show memorável aqui no ano passado. Me abraço à Julia, sua esposa, aos filhos e também à Adriana Terpins, mas em pensamento sabemos que o Zé está compondo e tocando muito lá no andar de cima, juntamente com o Tico Terpins e Waltão Baillot.
    Valeu Rodrix…
    Gesualdi Alexandre
    Belo Horizonte-MG

  16. Nilza Teles disse:

    O Zé não morreu! Assim acredito, só trocou de roupa e deixou esse planeta que passa por momento bastante poluído com falcatruas, racismo, corrupção, fome, guerras…
    Sou apaixonada por suas músicas. Embalada por suas músicas, criei “filhos de cuca legal.” O Obituário reflete seu bom humor que é certo, agora deve estar mais afinado do que nunca.
    Valeu, Zé Rodrix! Continue brilhando que aqui vou continuar cantando: Eu quero uma casa no campo… E, lembrando de gargalhar nas horas tristes.
    Nilza Teles Magalhães

  17. Prefiro esse obituário abaixo:

    Jesus numa Moto (Zé Rodrix)

    Em
    Preso nessa cela
    G
    De osso, carne e sangue
    C G
    Dando ordens a quem não sabe
    B7
    Obedecendo a quem tem
    Em
    Só espero a hora
    G
    Em que o mundo estanque
    C G
    Para me aproveitar do confortode não ser mais
    B7
    ninguém
    C
    Eu vou virar a própria mesa
    G
    Quero uivar numa nova alcatéia
    C Am7
    Vou meter um Marlon Brandom nas idéias
    B7
    E sair por aí
    C
    Pra ser Jesus numa moto
    G
    Che Gueavara dos acostamentos
    A
    Bob Dylan numa antiga foto
    B
    Classius Clay antes dos tratamentos
    C
    Jonh Lennon de outras estradas
    G
    Easy Rider, dúvida e eclipse
    A
    São Tomé das letras apagadas
    B
    E arcanjo Gabriel sem apocalipse
    Em
    Nada no passado
    G
    Tudo no futuro
    C G
    Espalhando o que já está morto
    B7
    Pro que é vivo crescer
    Em
    Sob a luz da lua
    G
    Mesmo com o sol claro
    C G
    Não me importa o preço que eu pague
    B7
    O meu negócio é viver

  18. agente ja éra uma barra no tempo do rock do blue riviera agente já era
    novamente ficamos aqui.e voce vai embora, seu tempo em nossa cidade chegou ao fim e tem muitas pessoas que precisão de voce.
    que o pó da estrada possa ensinar aos nossos filhos a colher com as mãos a pimenta e o sal.

    saudades

    Francisco Estimado

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