O obituário do Zé Rodrix
Por ulisses mascarenhas
“z.rodrix”
Data: Qua Jun 2, 2004 7:34 pm
Assunto: Re: [M-Música] . Re: [M-Música] . Re: Paul McCartney – (era:
Rock in Rio Lisboa…)
Felipe:
Em resposta a seu completissimo questionario passo-lhe às mãos minhas especificações para passamento e eventual necrologio.
Há alguns anos, gostaria de ter a causa-mortis preferida de meu pai: assassinado aos 98 anos de idade com um tiro dado por um marido ciumento que o tivesse pego em pleno ato… mas hoje nao mais. Pode ser de fulminante ataque cardiaco, dentro da minha biblioteca, perto o suficiente da familia e dos amigos mas afastado o bastante para que, alertados pelos cachorros da casa, ja me encontrem morto, com um sorriso nos labios.
Pode sepultar-me em pleno mar, sob a forma de cinzas, ja que nao poderei ser sepultado in totum no jardim da minha casa. Se conseguirem isso, no entanto, que nao cobrem entradas para visitação, à moda do irmão da princesa: deixem que alem das pessoas os passarinhos e os animais da casa se refestelem no lugar, renovando diariamente o eterno ciclo da Natureza.
Ao enterro devem, atraves de convite formal, comparecer todos que foram aos meus lançåmentos de livro: nada mais parecido com um velorio do que isso.
Peço parcimonia nos efluvios emocionais: já as risadas devem ser francas e sem limite. Creio inclusive que prepararei com antecedencia uma fita de piadas gravadas para animar o velorio e manter o pessoal na boa.
Como dizia o Bozo, “sempre rir, sempre rir….”
La so deixarei a mim mesmo: mesmo os inimigos que comparecerem para ter certeza de que estou realmente morto podem voltar para casa em paz. Nao pretendo puxar a perna de ninguem à noite e nem assombra-los depois de morto.
Já os amigos podem contar comigo: havendo vida após a morte, volto para avisar, da maneira mais pratica e menos assustadora que me for possivel. A cremação deve ser feita depois que todos forem embora cuidar de seus proprios afazeres: enfrentar as chamas do forno terrestre ja será um gardne introito
para a vida eterna.
Se conseguir, tentarei ser crooner da grande Orquestra de Jazz doInferno, vulgarmente chamada de SATANAZZ ALL-STARS: como ja vou chegar la
tenente ou capitão, dada a minha imensa taxa de maldades realizadas sobre a Terra, creio que nao será dificil. Meu castigo certamente será cantar MPBdQ
por toda a eternidade, mas mesmo com isso ainda se pode encontrar algum prazer, assim na terra como no inferno….é o que veremos a seguir.
No enterro podem tocar de tudo, menos as musicas que eu tenha feito. Mnha morte servirá certamente para que se livrem nao apenas de mim mas tambem de
minhas obras. Os herdeiros tambem nao merecem ouvi-las, sabendo que nada herdarão de minha lavra, porque, sendo eu adepto da politica do VAI TRABALHAR,
VAGABUNDO, como meu pai fez comigo, ja tomei providencias para que essas musicas nao lhes rendam nem um tostão furado. Sendo um velorio moderno,
recomendo musicas de carnaval antigo, as indiscutiveis, claro, com algumas discretas serpentinas e confetes jogadas sobre o caixão, fechado,
naturalmente.
Morrer num Sabado à tarde, ser enterrado num Domingo antes do almoço, e estar completamente esquecido na manhã de Segunda, sem atrapalhar a vida
profissional de ninguem: eis a perfeição que desejo na minha morte.
Muito grato.
beijos
Z
Do Portal Luís Nassif
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E clique aqui para uma página da Laura Macedo sobre ele.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

Aqui a gente fica com a tristeza de não contar mais com a sua verve e seu talento. Para lá ele leva o que nos vai fazer falta e o seu inesquecível jeito de encerrar as mensagens provocativas no grupo M-Música com uma
G A R G A L H A D A.
Mas a obra, felizmente, está imortalizada.
Saudades Zé.
Fiquei bastante chateado com o falecimento do Zé Rodrix pois sou apreciador dos seus discos tanto solo como os do Sá,Rodrix e Guarabira.Uma vez não sei se um cunhado dele foi buscar um disco dele mesmo na minha loja e falei com ele ao telefone, que ficou surpreso ao saber que seus discos eram raros e muita gente gostava ainda hoje daquele som, principalmente dos anos 70. Na virada cultural do ano passado no municipal fez um show com o Sá e o Guarabira tocando um disco antigo na integra e o som estava perfeito, em forma como o original.
“Eu quero uma casa no campo… Que seja da paz!
Zé Rodrix também participou de uma formação do sarcástico Joelho de Porco em impagável disco duplo, um disco bem atual ainda hoje…muito som e humor.
[...] Zé Rodrix Posted by Bela under Uncategorized No Comments Zé Rodrix morreu hoje do jeito que ele queria (ou quase) – sem ficar doente -, do [...]
Há exatamente uma semana, dia 16 de maio, coloquei um vídeo na comunidade, Zé Rodrix e Guarabira cantando uma música que todos os nordestinos veneram, fala sobre o Rio São Francisco e a destruição de cidades como Remanso-Ba. Uma maravilha.
Acho que as homenagens, preferencialmente, devem ser feitas em vida.
Quanto ao obituário…MARAVILHOSO, mais uma obra maravilhosa do Zé Rodrix( que pena que ele nos deixou, mas já está encantado).
Realmente, fará falta nosso Zé Rodrix de memoráveis sucessos, principalmente, na Era do Creu e da Eguinha Pocotó.
Belo obtuário, com humor.
Ele foi rápido, melhor assim sem dor.
…” ond’eu possa plantar meus amigos, meus discos, meus livros…e nada mais…” Grato, gratíssimo Zé. Vai com Deus.
Em homenagem tô ouvindo Golden Acapulco. Sem palavras para exprimir Rodrix. Sua crônica pre-fúnebre já diz tudo. “Sinceramente: hahahahahaha!” C’est la vie.
Pena perdermos um músico da magnitude do zé nos dias de hoje. Tive o prazer de conhece-lo dia 26/04 em paranapiacaba. ele autografou meu LP passado presente e futuro, junto com o sá e guarabyra. com certeza, irão ficar as lembranças. Muita paz Zé !!!
Caramba, o Zé Rodrix, morre, e
o gilmar dantas, heraclito fortes, arthur virgilio, fhc, serra, alvaro dias, …………………………continuam vivos.
Só Deus tem a explicação.
E verdade Danilo pro! é verdade…
Estes caras que vc citou (e que me nego a citar novamente) vão morrer com 80, 90 anos…
Lotados de pancake na cara, dentes implantados branquinhos, branquinhos … e um Rolex no pulso
E tirando um sarro com os coió aqui…
Não tem explicação essa sacanagem da vida!
Esse texto antológico do Zé Rodrix é um dos muitos que salvei no meu computador, na pasta de mensagens indeléveis. Fico feliz de agora vê-lo divulgado. Assim cumprimos o seu desejo.
Zé Rodrix partiu “antes do combinado”. Felizmente conseguiu completar sua Trilogia do Templo e lançar o CD de inéditas do trio Sá, Rodrix e Guarabyra. Deixou-nos sua enorme herança musical, literária e humana.
Saudade imensa daquela G.A.R.G.A.L.H.A.D.A.
bom , pelo menos quando forem embora, não vão deixar nadinha de saudades!!!
Saudades, saudades, lebranças do pó da estrada…
Anjo de fogo, gozador, Rodrix, menino-moleque que deixou escrito sua estória de vida e luta e crença daquilo que sempre acreditou…paz, amor e amizade sincera.
Vão não amigo Alex, pode ter certeza. Vão morrer caquéticos, sofridos, vazios, solitários e lamentados somente pelos bajuladores que os seguiram em vida que, nem precisa dizer, são todos falsos.
Zé, sem dúvida você sempre será lembrado pela sua capacidade de expressâo de uma forma inteligente e espontânea…Durante o tempo que você foi nosso Orador, em especial em Lojas Maçônica Filosóficas, sempre foi portador de mensagens maravilhosas e profundas…sempre deixando em nós a certeza que a vida vale a pena e que gênio da sua estirpe devem estar ao alcance das pessoas…Vai nos deixar um vazio muito grande e com certeza lembrarei de sua passagem pelas Lojas Maçônicas como um exemplo de Maçom, pai e homem…que o GADU te receba de braços abertos…você mais que merece …
Nossa eu soube agora lendo o blog. Nós nunca sentimos o tempo como um elemento. O percebemos nas noites e dias, estações, transformações. Sentimos o espaço, a matéria e a energia, mas nunca o tempo. Mudamos o espaço, transformamos a matéria e estamos querendo dominar os fluxos energéticos, mas o tempo é indomável, inevitável. Só sentimos na perda, porque o tempo está em nós. O Zé levou uma parte do meu tempo. Lindo Marcia: Cadê o Zé? O Zé? Encantou!
Morrer faz parte mas lendo o Danilo Pro a gente fica ainda mais derrubado.
Ainda ontem ouvia no carro:
“Preso nessa cela/
De ossos, carne e sangue,/
Dando ordens a quem não sabe,/
Obedecendo a quem tem,/
Só espero a hora,/
Nem que o mundo estanque,/
Prá me aproveitar do conforto,/
De não ser mais ninguém./”
A gente até que tenta ir em frente. E acaba indo.
Mas a vida é deprimente.
Só nos resta espalhar o que está morto, pro que é vivo crescer.
“O meu negócio é viver,
Sob a luz da lua…
Mesmo com sol claro…
Preso nesta cela… “
Alex, Não tem..”vazo ruim não quebra” ..tem sempre alguem que usa cola ! (é so quebrar o que usa cola)
Nassif, mudando para o assunto…
Vc que conhece o meio jornalistico, conhece quem possa nos mostrar ou dizer o que foi a “prima parte ?” Apenas encontrei a segunda.
http://www.youtube.com/watch?v=gsBGkyY9BOk