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17/05/2009 - 09:54

Poupança: tortura sem números

De O Globo

PANORAMA ECONÔMICO
Miriam Leitão

Nilton tem uma caderneta de poupança para a educação dos netos. Já juntou R$ 117 mil. Mandou email para a CBN para saber se teria que pagar imposto de renda. No site do “Bom Dia Brasil”, uma telespectadora contou que foi demitida e depositou o FGTS na caderneta. Queria saber se haveria exceção para ela. A diferença com outras mudanças de regras é que, agora, as dúvidas chegam por e-mail.

No mais, é tudo igual àquelas alterações feitas na época pré-internet. As mudanças repentinas e confusas de regras, os planos que fracassaram porque foram anunciados antes e pensados depois, as normas que não contemplam as múltiplas situações da vida real, tudo parecia estar de volta na semana passada.

(…) Nilton não terá como fugir, por mais nobre que seja o motivo pelo qual está poupando.

Terá que pagar imposto que vai incidir sobre a rentabilidade de R$ 67 mil do dinheiro da educação dos netos.

É curioso esse tipo de comparação. Se o Nilton está com uma poupança de R$ 117 mil, exclusivamente para a educação futura dos netos, é evidente que o conjunto de rendimentos dele é muito maior. Mirian fala em rentabilidade de R$ 67 mil sobre uma aplicação de R$ 117 mil. Errou na vírgula. Deve ser R$ 6,7 mil de rentabilidade. Sabe qual o IR máximo que o Nilson vai pagar? Pouco coisa além de R$ 200,00.

(…) Terão todos esses 894.856 poupadores que excedem os emblemáticos R$ 50 mil que torcer para que os juros não caiam, porque a queda dos juros aumentará seu imposto.

Os outros donos de caderneta terão que se limitar aos R$ 50 mil, não poupar nada mais, porque em lei estará um valor imutável a partir do qual se paga imposto de renda. Serão punidos se pouparem mais.

Meu Deus do céu! O sujeito poupa R$ 50.000,00. Ganha R$ 3.360,00 (arredondando) de juros, mais R$ 300,00 de correção monetária pela TR. Não paga IR. Aí ele resolve poupar mais R$ 50.000,00, ficando com R$ 100.000,00. Ganhará mais R$ 3.360,00 em juros, dobrando o que ganhava antes. E terá que pagar R$ 175,00 de IR. E a Mirian considera isso uma punição, a ponto de sugerir que ele não poupe mais nada além dos R$ 50.000,00 isentos. Ou seja, ele deixará de receber mais R$ 3.360,00 de juros para não ser “punido” com um IR de R$ 175,00. Há limites para o terrorismo, que em linguagem corriqueira se chama de “senso de ridículo”. Antes de submeter as mudanças da poupança a sessões de tortura, a Mirian mandou os números saírem da sala para não haver testemunhas.

Comentário

Um pedido a vocês. Cada vez que questiono artigos ou análises, estou rebatendo ideias e conceitos. Mas muitos se inflamam e aproveitam os posts para desancar os polemizados. Vamos ficar no campo das ideias e conceitos, sem ataques de cunho pessoal.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags: ,

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68 comentários para “Poupança: tortura sem números”

  1. Alexandre Leite disse:

    1 – Acho que o governo já conta com um parâmetro maior que 50.000 como barganha no Congresso; muita gente lá dentro defendia 100.000.

    2 – o poupador pode, de boa fé, colocar metade desse valor no CPF da mulher ou mesmo de um parente próximo;

    3 – ou mesmo aplicar na Bolsa que vai bombar nos próximos anos; caiu muito e não tem pq não subir.

  2. juarez marques disse:

    Foo, você tem razão, ou porque não faz um plano de previdência privada para os netos, com o qual ele poderá até abater do IR os valores ali aplicados. Seria mais inteligente e não precisaria pedir conselhos a tal economista.

  3. Sérgio Leandro disse:

    Nassif, acredito que muitos aqui (me incluo nesses “muitos”) acabam fazendo comentários em relação à pessoa (fugindo do campos das idéias) devido ao que parece ser nítida má-fé em escrever um texto exdrúxulo desses.

    O que ainda reforça mais isso é que esses textos e “idéias proferidas na TV e nos jornais por parte da Miriam Leitão (e outros) são feitos em série, assemelhando-se (e muito) com uma linha de produção.

    Já estou cansado de textos de “especialistas” que não tem um mínimo embasamento científico do que escreve. Aliás, creio que um mínimo de bom senso ajudaria esses a defender idéias mais plausíveis.

    Assim sendo, não acredito que sejam esses “especialistas” insensatos, ou sem capacidade de pesquisar sobre os assuntos que escrevem ou discursam. O que os move acredito ser má fé mesmo.

  4. 1.quem faz poupança para os netos não é exatamente um pobretão.
    2.a observação feita acima pelo “mineiro” é altamente relevante.
    3.o número de “poupadores” alcançado é inexpressivo.
    4.dá pra discutir conceitos e idéias com a m. leitão?só com o seu coração,
    nassif.
    romério

  5. Renato Lira disse:

    A minha crítica, Nassif e malungos não é à Miriam Leitão.

    Ela faz o papel que lhe cabe na tática terrorista e “desinformista” da mídia-latrina.

    Minha crítica é aos que se aconselham com a “especialista” da globo.

    Está aí a prova cristalina de que quem segue a cartilha de Miriam Leitão perde dinheiro.

    Perde por não poupar e perde ao comprar remédios para ansiedade, pânico e, depois que quebra a cara, depressão e taquicardia.

    EVOÉ!!!

    Que os

  6. André Oliveira disse:

    Haha,

    E pensar que você, hoje, poderia estar fazendo par romântico com essa jovem senhora nos jornais globais, se tivesse aceito aquele convite de há muito tempo.

  7. Celio Penteado disse:

    A Míriam deve ser daquelas que recusam um aumento de salário para não ter que pagar mais imposto de renda.

    É isso, a mesmíssima lógica que ela usou para a caderneta.

  8. Diógenes Sá disse:

    O que a jornalista fez foi demonstrar, mais uma vez, a pouca capacidade em lidar com os números. Não porque a ilustre não saiba fazer conta, mas pelo fato de ter pouca intimidade com os números, tanto que fez jornalismo. Os números não falam por eles, é preciso base técnica e cultural para interpretar os números. Além disso, faltou conceitos de Política Econômica para analisar uma ação de governo, especialmente por se tratar de política monetária. Se pelo menos ela possuísse os conhecimentos que são necessários a plena cidadania não teria cometido um erro tão grosseiro. Todos os cidadãos para votar e contribuir com a formação do Estado e dos governos precisam ter conhecimento mínimo sobre a constituição política do país e, portanto, da Constituição Federal. Ela deveria conhecer os princípios de um governo constitucional e pelo menos o inciso XIX (sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular) do Art. 22 da Constituição brasileira, que baseiam-se nas garantias fundamentais e nos direitos sociais da Constituição Federal. Conhecendo os Direitos e Deveres Individuais e Coletivos e os Diretos Sociais de todos os cidadãos brasileiros saberia das obrigações de um governo democrático e republicano. Pois, cabe ao Estado suprir as necessidades públicas da população, inclusive daqueles que possuem poupança popular e, para isso, tem como atividade a procura de meios financeiros para satisfazer às suas obrigações para com a sociedade. A tributação não se constitui em castigo ao cidadão, não diminui e não retira as suas garantias, especialmente quando se trata de poupança verdadeiramente popular. Porém, se considerarmos que a jornalista tem a sua poupança como fonte de investimento e não de poupança popular, com grandes somas aplicadas e um salário de marajá, é possível compreender a confusão que ela procura estabelecer para garantir os seus privilégios, ou seja, fazer investimento em vez de poupar com dinheiro proveniente de suas riquezas e com a garantia de nunca ter prejuízo, como se fosse uma poupadora popular. Este seria um jogo típico de mercado se não partisse de uma jornalista no exercício de sua profissão, utilizando-se de um meio de comunicação, cujos serviços são prioritariamente de natureza pública.

  9. gabs disse:

    Mas isso a comentarista faz com frequencia. O problema, neste caso, é que ela não entende sobre o que escreve. Vive expondo opiniões contraditórias dependendo do último especialista consultado. Possivelmente, daqui a dois dias, surja um artigo dela falando o contrário.

  10. Célio Mendes disse:

    Ah! Miriam Big Pig, o que dizer sobre esse seu artigo? Se fosse falar o que realmente penso Nassif me censuraria, então vamos apenas relembrar que esta senhora não entendeu porque prenderam o Daniel Dantas, se não entendeu nem isso como esperar que entenda de economia e poupança? isso não é pré-requisito para ser analista da Globo, o único pré-requisito exigido pelo Kamel é que se fale mal do governo Lula.

  11. Aldo Cardoso disse:

    Oh! como eu queria pagar muito imposto de renda por conta de uma caderneta de poupança mas, infelizmente, não sou o dono da maior caderneta do Brasil porque, vos garanto, não reclamaria nadinha!

  12. Carlos Teixeira disse:

    Caro Nilton:
    - em primeiro lugar, não esquente sua cabeça agora, pois a mudança na CP só vai ocorrer a partir de 2010, após aprovação do projeto no Congresso Nacional;
    - em segundo lugar, continue poupando, para o seu bem, o bem de sua família, e o bem do Brasil;
    - em terceiro lugar, voce poderá tranquilamente distribuir o total aplicado de R.$ 117.000,00 por até tres contas de CP ou mais, em nome de seus netos e seu próprio, cada qual com seu CPF, que voce não pagará NADA de IR;
    - em quarto lugar, procure se informar melhor com quem não mistura economia com ideologia, que voce tomará uma decisão correta, oportuna e sensata;
    - em quinto lugar, mesmo para quem tem um valor muito mais elevado aplicado, ainda valerá a pena aplicar em CP, pois o IR incidirá apenas sobre a parcela de juros ganhos na aplicação;
    - em sexto lugar, tome muito cuidado com os neo-terroristas, que não estão aí na mídia para ajudar ninguém, mas apenas para confundir a cabeça do povo e ajudar políticamente todo político de oposição;

  13. Paulão disse:

    Me expliquem uma coisa:

    Se alguem tem 100 mil, ele aplica 49,999.00 na poupança e o restante em um DI ou CDB, ele paga IR sobre o valor aplicado na poupança?

    Não.

  14. Di Van disse:

    Nao apreciei com muita satisfacao as medida adotadas pelo governo em relacao a poupança. Tenho a subjetividade que esses subterfugio eh simplesmente acabar com as aplicacoes que outrora eram isentas, como uma simples busca par aumentar os impostos , seja via indireta , seja direta, e o poupador – ou seja o contribuinte – sempre sera o alvo para a atitudes insanas do governo. Pois se hoje existe esta permissao para s futuras regras da poupança – incidir o imposto de renda – quiça o que sera dos futuros governos que tambem poderao lançar outras atitudes mais solapadoras com intuito de ganhar recursos nos bolsos dos contribuintes ( seja ele, com poucos ou grandes aplicacoes ). Acho que se a equipe do governo realmente quissese ter uma atitude mais racional e nao discriminado o poupador, poderia muito bem absorver a ideia de que o poupador que ao longo do ano mantivesse a sua poupaça sem retirar recurso, poderia muito bem isenta-las, e aquele poupador sim, que mantivesse retirada(s) de valores ao longo de um ano, esse sim, poderia ser punido com uma cobrança de uma aliquota de imposto de renda.

  15. ale disse:

    “Ou seja, ele deixará de receber mais R$ 3.360,00 de juros para não ser “punido” com um IR de R$ 175,00. Há limites para o terrorismo, que em linguagem corriqueira se chama de “senso de ridículo”. Antes de submeter as mudanças da poupança a sessões de tortura, a Mirian mandou os números saírem da sala para não haver testemunhas.”

    Brilhante!!

  16. Marco Antonio disse:

    Na verdade, você tocou no ponto certo, Nassif, quando mencionou o caso da base tributária, que Míriam Leitão deturpou ( e qualquer motivo será vergonhoso, má-fé ou ignorância econômica). O imposto terá de incidir sobre os juros do IR. Afinal, sobre o valor depositado já incide o referido tributo, que tem como fato gerador exatamente a aquisição de renda. Assim, se a incidência do imposto fosse sobre o valor total acima de 50.000,00, haveria bi-tributação, ato jurídico não permitido em nosso sistema jurídico.

  17. [...] Poupança: tortura sem números Luis Nassif (tags: politics) TagsCategoriasmiudezas Uncategorized   [...]

  18. Mauri Alexandrino disse:

    Bem, Nassif, mesmo sem desancar ninguém é bem difícil fazer o que você pede. O comentário de Mirian Leitão é terrorismo puro, a versão número 2 da irresponsabilidade do sr. Jungmann, do PPS. Como é possível discutir seriamente com quem diz pra todo mundo que o governo vai confiscar a poupança ou que é melhor não poupar mais nada para não pagar imposto (todo aquele imposto)? Está muito, muito, muito difícil.

  19. Juliano Guilherme disse:

    Não comentei quando li pela primeira vêz porque você pediu para não ofender a senhorita PIg Leitão(isso pode né, ou não?). Estou calmo no momento, portanto só pergunto uma coisa: Ela erra de propósito não?

  20. Gustavo Horta disse:

    Caros Nassif e leitores, boa noite. Sendo a quantia de 50 mil fixa, no segundo rendimento de quem tem os tais, este cidadão já fica acima do teto.
    De repente, conforme a profetisa do apocalipse, mãe da tal gripe que anda assolando o mundo (hic! esqueceram de dizer que no Brasil a dengue mata muito mais que a soma desta outra!!) acredita que o melhor é não ter grana nenhuma, colocar tudo no consumo, para seguir na transferência de renda como a transfusão de sangue às avessas.
    Cara, que triste!! Não é à toa que esta gente tem lugar cativo na midia!!!
    Abraço.

  21. Alisson Almeida disse:

    Nassif, seu comentário sobre a análise da Miriam Leitão gerou dúvidas e debates na comunidade RN Política. Transcrevo, a seguir, o comentário indicando possível erro seu e peço que comente:

    “Durante o anúncio, Mantega havia dado como referência para cobrança do imposto o atual nível de juros de 10,25% ao ano, mas tabela divulgada pelo ministério estabelece o patamar de 10,50%. Segundo o documento, com a Selic de 10% a 10,50% ao ano, a base de cálculo do imposto é de 20% dos rendimentos e sobre ela recairá o IR. Na faixa seguinte, de 8,75% a 10% ao ano para a Selic, a base de cálculo é de 30% dos rendimentos, sobre a qual o poupador pagará o imposto. As outras faixas são de 8,25% a 8,75%, com base de cálculo de 40%; e de 7,75% a 8,25%, com base de cálculo de 60%; de 7,25% a 7,75%, a base é de 80%; e de 7,25% para baixo, a base de cálculo é de 100% dos rendimentos.

    Ou seja, Na minha conta tinha entendido que iria recair a taxação dos rendimentos de 100% com taxa de 20%. E lendo melhor este texto, percebi que a taxação é em cima de percentuais do rendimento ou seja…

    Para o caso que eu tinha feito… Temos o seguinte cenario…

    Para uma taxa selic entre 10% à 10,5%
    -> 117.000 – 50.000 = 67.000 -> 67.000 * (1,005^12) – 67.000 = 335 -> 4.132,41 * 0,2 = 826,50 -> 826,50 * 0,275 = 227,29 reais

    Entao acho que na vontade de criticar Miriam Leitao, ele acabou errando tbm nas contas, pq em momento nenhum encontro onde entre nas contas os 6,7 mil que ele mencionou. O valor final do imposto pago esta conferindo, mas acredito que ele tenha errado ao mencionar a troca da virugula… ”

    Alisson, o Alexandre entrou aqui, me deu a maior lição de moral mas… errou nas contas. Pegue o comentário acima, com minha resposta, e leve para a comunidade de matemática tirar um pelo do Alexandre. E conformar-se que irão tirar um pelo da sua cara também porque fui até lá e vi que você decretou meu fim como jornalista econômico, por conta das análises definitivas do Alexandre. Esses potiguares me dão um trabalho.

  22. Alexandre Rêgo disse:

    Nassif,

    Lendo sua materia achei alguns erros seus. Primeiro, a taxação da caderneta de poupança vai incidir sim sobre a rentabilidade dos 67 mil. Sendo que dependendo da taxa selic pode variar de 20% a 100%.
    E o segundo erro que eu achei foi a respeito do valor maximo a pagar de IR. Pois pelas minhas contas seguem ai os valores minimos e maximos a serem pagos:
    Para uma taxa selic entre 10% à 10,5%
    -> 117.000 – 50.000 = 67.000 -> 67.000 * (1,005^12) – 67.000 = 4.132,41 -> 4.132,41 * 0,2 = 826,50 -> 826,50 * 0,275 = 227,29 reais (sendo este o valor minimo)
    Para uma taxa selic abaixo de 7,25%
    -> 117.000 – 50.000 = 67.000 -> 67.000 * (1,005^12) – 67.000 = 4.132,41 -> 4.132,41 * 0,275 = 1.136,41 reais. (sendo o valor maximo mais de Hum Mil Reais.)

    E tbm gostaria de entender de onde vc tirou o valor de 6,7 mil reais que vc inseriu no seu comentario.

    Este é um valor aproximado dos juros creditados no ano para a caderneta. Digo aproximado porque depende da estimativa da TR. No meu exemplo, por exemplo, a soma dos juros dá R$ 7.858,98

    Acredito que no lugar de vc criticar uma companheira de profissao apenas por ela ter ideologia politica diferente de vc. Poderia se preocupar um pouco mais com os seus comentarios, para nao cometer erros como o que vc cometeu. Ou quem sabe nem foi um erro, e sim um interesse de minimizar esse artificio politiqueiro.

    Peraí: para dar a lição, você tem, primeiro, que fazer a conta certa. Critiquei porque ela não fez a conta. Você me critica porque julga que errei a conta.

    Surpresa, para contar para todos seus companheiros de comunidade de Matemática Financeira do Orkut: quem errou foi você, nos números e, por conseguinte, na lição de moral.

    E a medida certa a ser realizada pela Presidente seria taxar todo mundo da caderneta de poupança ou entao modificar a forma de rentabilidade da poupança. Mas ele nao teve coragem de taxar todo mundo que poupa na caderneta pelo simples motivo de prejudicar a sua popularidade e dificultar ainda mais as chances minimas de Dilma.

    Alexandre Rêgo

    Acabou a aula de ideologia? Voltemos então para a matemática. A maneira certa de efetuar os cálculos é a seguinte:
    1. Aplicação: R$ 117.000,00
    2. TR: 0,05%. Primeiro mês R$ 52,65 de CM/TR.
    3. Aí você soma 117.000 + 52,65. Quanto dá? 117.052,65. Parabéns, acertou.
    4. Sobre esse total, você aplica 0,5% de juros. Vai dar R$ 585,26.
    5. Desse resultado, você abate R$ 250,00 – que corresponde à faixa de isenção. Vão sobrar 335,26.
    6. Sobre esse total, aplica-se a redução da base de cálculo. Com a Selic a 10,5%, a redução será de 80%. Assim, aqueles R$ 335,26 se tornam R$ 67,05.
    7. Ai, prezado Alexandre, você soma juros e TR ao saldo, joga o resultado no mês 2 e repete as mesmas contas por 12 meses seguidos.
    8. Fazendo tudo isso, no final do ano, você somará todas as parcelas de juros tributados. Vai dar R$ 845,53.
    9. Sobre esse total, aplica a alíquota de IR do poupador. Se estiver na maior faixa de renda, a alíquota será de 27,5%. O resultado será R$ 233,07 no ano.
    Clique aqui para ter acesso à planilha que montei no Google.
    Agora, chegou minha vez de dar a lição de moral. Preparado? Fique tranquilo, não darei. Apenas recomendarei que, na próxima vez, estude melhor os casos antes de se expor dessa maneira. Seus amigos irão tirar o maior pelo da sua cara.

  23. Marcelo Vielli disse:

    Ótimo comentário.
    Parabéns Nassif.
    Pelo texto e pricipalmente pela paciência em explicar(e explicar de novo) conceitos básicos.
    Não sei o porquê de tanta choradeira com relação à poupança. Se render menos é só aplicar nos fundos de renda fixa ou outro fundo. Ninguém é obrigado a aplicar na poupança.
    Aliás, somente incidirá IR sobre o que ultrapassar R$50.000,00.
    Talvez fosse melhor se simplesmente reduzissem a remuneração sobre saldos de poupança excedentes de 50.000,00. Mas provavelmente iriam chorar do mesmo jeito.
    O choro é meramente especulativo. Mas como dizem por aí, o choro é grátis.

  24. Alisson Almeida disse:

    Nassif, obrigado pela explicação. Tenho por regra não falar do que não entendo. Por isso, transcrevi o comentário do Alexandre sobre o seu comentário (isso tá parecendo metalinguagem… rs). Quanto a ter “decretado o seu fim”, não preciso dizer que fui irônico com o Alexandre, né… rs

  25. Alexandre Rêgo disse:

    Nassif,

    Estou respondendo denovo as suas respostas. Como comentei ontem no inicio da madrugada e ainda nao foi liberado pela moderação. Caso o primeiro chegue a ser liberado, este nao é necessário. Embora acredite que este texto esteja mais resumido e melhor.

    Irei rebater as suas questoes em partes. Primeiro esclarecendo que nao utilizei a TR/CM nos meus calculos por nao ser uma taxa fica como a da poupança. E tbm por acreditar que mudará muito pouco nos calculos.
    Segundo,
    Vc afirma que eu errei meus calculos, mas comparando o seu com o meu. Percebemos que os valores sao bastantes parecidos. Como o valor dos juros tributados pelo IR. O do senhor deu R$ 845,53. Enquanto o meu deu R$826,50. E outro valor bastante parecido foi o valor pago de IR, que o do senhor deu R$ 233,07 no ano. Enquanto o meu deu R$227,29 no ano. Isso levando em conta que o senhor calculou a dedução do IR mensalmente, e eu calculando a dedução do IR anualmente. Entao queria que o senhor mostrasse onde eu errei nas minhas contas, pq pelos valores eu as considero coerente com as do senhor.
    Terceiro, respondendo o seu comentario…
    Este é um valor aproximado dos juros creditados no ano para a caderneta. Digo aproximado porque depende da estimativa da TR. No meu exemplo, por exemplo, a soma dos juros dá R$ 7.858,98
    Acredito que vc esteja calculando os juros dos R$117 mil, sendo a parte tributada será apenas a parte relativa aos 67 mil, o que acredito que seja algo proximo dos 4.132,41 reais.
    Quarto, gostaria de obter o seu comentario referente a minha segunda duvida em relaçao a sua postagem. Que o senhor coloca que os pouco mais de R$200,00 pagos de IR é o maximo possivel pago pelo poupador citado. E eu discordei informando que esse valor é o minimo possivel pago pelo poupador. Uma vez que a atual situação é a mais favoravel. E sendo a sitação mais desfavoravel ao poupador será qnd a taxa selic for abaixo de 7,25%. E com isso a incidencia seria em cima de 100% da rentabilidade excedente de R$ 50mil. O que nas minhas contas deu algo em torno de R$1.136,41 reais.

    Entao como ja coloquei no comentario. Gostaria que o senhor me informasse onde errei nos meus calculos. E tbm respondesse a minha duvida a respeito do valor maximo e minimo a serem pagos pelo poupador citado.
    Fico no aguardo da resposta do senhor.

    Alexandre Rêgo

    Não estou entendendo nada. Você me “acusou” de criticar a Mirian por ideologia e das minhas contas estarem erradas. Agora diz que as minhas e as suas são semelhantes. Como é que ficamos? Quando ao IR máximo, usei a Selic de 9,5%, acho (não me lembro mas está no exemplo). Com uma Selic de 7,5%, o IR do grande poupador será maior, mas ainda assim a poupança renderá mais do que a Selic, ainda que pouca coisa. E o grande poupador sempre terá a alternativa de ir para os fundos. Então, cadê a garfada que a Mirian sugeriu? Não houve, conforme suas contas atestaram.

  26. Alexandre Rêgo disse:

    Nassif,

    Se vc perceber… Eu em nenhum momento disse que todos os seus calculos estavam errados. E citei apenas 2 pontos especificos. O caso do senhor ter utilizado os 200 reais como valor maximo, enquanto eu nas minhas analises achei que era o valor minimo. Inclusive coloquei os calculos dos dois casos no meu comentario como argumento. E o segundo ponto que discordei das suas contas foi no caso dos 6,7 mil reais. O qual em nenhum momento tinha encontrado nas minhas contas, e perguntei onde o senhor tinha achado. E com isso o senhor explicou que tinha arrendondado o valor de aproximadamente 7,8 mil para 6,7 mil.
    Entao no meu ultimo comentario discordei dos valores devido a esses 7,8 mil serem os juros de 117 mil e nao de 67 mil.

    Em nenhum momento critiquei as suas contas completas, e sim apenas alguns pontos. Ate mesmo se o senhor voltar na comunidade RN Politica e olhar o meu comentario. Perceberá que o valor final bateu e eu no tinha encontrado nada que mencionasse esses 6,7 mil.

    Att

    Alexandre Rêgo

  27. Gerson disse:

    A verdade sobre as mudanças na poupança é:
    Os Bancos se estruturaram para a administração de fundos de investimento, pois nas aplicações em fundos de investimento eles pegam o dinheiro dos investidores sem se responsabilizar por ele e ainda cobram taxas de administração por isso. Quando um aplicador aplica em fundo de investimento ele assina um documento isentando o banco de qualquer prejuizo que o investidor possa vir a ter e isso é certo pois os fundos mesclam títulos privados como ações com títulos do governo.
    Para o governo essas aplicações em fundos de investimento são muito interesantes, pois os bancos compram os títulos do governo com os recursos do investidor e o governo se possivel quer pagar 0% de juros a esse investidor. É por esse motivo que os fundos tem que inserir na carteira ações em bolsa de valores, as quais supostamente trarão algum rendimento para o aplicador do fundo.
    Resumindo, o governo financia a sua dívida, se possível a custo zero. O banco fica com o dinheiro do aplicador para movimentá-lo e ganhar o maior spreed possível e ao investidor resta os títulos do governo rendendo cada vez menos, (com a queda da selic), perdendo da inflação e títulos como ações de alto risco e volatilidade, ou seja, esse é um jogo onde o investidor é forçado a sair perdendo. É por esse motivo que os gerentes de bancos tendem a oferecer FUNDOS DE INVESTIMENTO, ao invés de poupança e CDB.
    Governo e bancos, mais uma vez, unidos para explorar quem disponibiliza os seus recursos para eles.

  28. MARLENE WUYASTYK disse:

    É perceptível com grande frequência que as pessoas vêm tendo concepções errôneas sobre determinados assuntos, ref.por exemplo, à projetos de lei; e antes mesmo dessas leis serem aprovadas levam uma multidão ao desespero. Um exemplo recente foi o projeto sobre a mudança na poupança. o que acontece, é que a mídia transmite algumas mensagens como por ex.: “lei que passa a vigorar a partir de 2010, estabelece alíquota de 27,5% de IR sobre poupança acima de R$50.000,00.”
    Imagine o tamanho do susto. Pois não há uma explicação clara para se chegar ao valor desse imposto, e até segundo momento, ou seja, até que se chegue a um melhor entendimento, muitas pessoas tomam atitudes antecipadas.Um dos muitos comentários que ouvi foi: “..terei que tirar meu dinheiro da poupança o ano que vem, pq não posso pagar tanto imposto.”
    É preciso primeiramente entender que ainda estamos no terceiro mundo, e maioria das pessoas no Brasil são leigas, na maioria dos assuntos.
    Então fica a mensagem aos INFORMANTES: Antes de passarem determinadas informações, pensem que essas informações serão destinadas à pessoas que vieram da MINORIA.

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