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15/05/2009 - 17:00

O segredo de justiça

Por Edmar Melo

Nassif, a decretação do segredo de justiça nos processos de ação penal pública, onde a lei não impõe essa providência, só tem beneficiado os réus poderosos. Assim, permita-me discorrer sobre esse polêmico tema. E vai no verso:

O SEGREDO DE JUSTIÇA

Qualquer tipo de censura
Deve ser abominado
E o segredo de justiça
É um dos tipos velado
Porque proíbe a notícia
Dos casos até de polícia
De modo despudorado

O segredo de justiça
Tem nome e endereço
É privilégio dos ricos
De pedigree desde berço
A ele só tem acesso
O mais forte no processo
Que pode pagar o preço

O pobre não tem segredo
E justiça, nem pensar
Porque segredo de pobre
Nem pobre quer divulgar
E numa questão com rico
É cem por cento o seu risco
De até as custas pagar

Entendo que um litígio
De cunho familiar
Só a família interessa
Nessa polêmica entrar
Mas se essa ação for pública
O cidadão da República
Tem direito se informar

Porém, na fase do inquérito
Durante a investigação
É importante o sigilo
Até sua conclusão
Pois não há contraditório
Daí qualquer falatório
Prejudica a apuração

Mas se alguém quer sigilo
Dou até uma sugestão
Procure andar direito
Use total discrição
No Google da internet
O seu passado delete
Lá não tem segredo não.

Edmar Melo.

Por Creuzo Geovani

O segredo de justiça,
Meu caro amigo Edmar,
É tarefa do impossível
Pra não dizer cavalar
Pois tanto os servidores
Como seus operadores
Ficam doidos pra falar.

Sabendo disso a imprensa
Corre pra bisbilhotar
Garantindo ao delator
A fonte não revelar
E diz que o jornalismo
Não vai levá-la ao abismo
Pois só deseja informar.

A liberdade de imprensa
E o segredo de justiça
São como a água e o óleo,
O desapego e a cobiça,
Andam de costas voltadas
Ao sabor das bordoadas
Que todo segredo atiça.

A violação começa
Nas salas dos tribunais
Com a imprensa doidinha
Por furos processuais
E nessa investigação
Pro bem da população
O segredo se desfaz.

A presunção de inocência
E direitos fundamentais
Terminam sacrificados
Nas rádios e nos jornais
Deixando expostas feridas
Que causam em muitas vidas
Estragos até mortais.

Correndo atrás da notícia
Querendo ser o primeiro
O TEMPO do jornalismo
Transcorre muito ligeiro
Enquanto o judiciário
É sempre retardatário
Na busca do verdadeiro.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Poesia Tags:

15 comentários para “O segredo de justiça”

  1. Geraldo Costa disse:

    Caro Edmar

    Pegou na veia! Brilhante! Parabéns! abs

  2. Ivan Moraes disse:

    O segredo benefico a poderosos nao eh so na justica nao. Ninguem acha estranho que a media brasileira pode com impunidade criar escandalo falso apos escandalo falso sem a menor preocupacao com o lado juridico do que faz? Impunidade eh garantida, sim, todo mundo sabe, mas ninguem sabe porque.

    Eh porque a media brasileira, como o judiciario brasileiro, ja tem projeto de brazil, e ele nao inclui brasileiros.

    EH TODO MUNDO ESPIAO, GENTE!

  3. Creuzo Geovani disse:

    O segredo de justiça,
    Meu caro amigo Edmar,
    É tarefa do impossível
    Pra não dizer cavalar
    Pois tanto os servidores
    Como seus operadores
    Ficam doidos pra falar.

    Sabendo disso a imprensa
    Corre pra bisbilhotar
    Garantindo ao delator
    A fonte não revelar
    E diz que o jornalismo
    Não vai levá-la ao abismo
    Pois só deseja informar.

    A liberdade de imprensa
    E o segredo de justiça
    São como a água e o óleo,
    O desapego e a cobiça,
    Andam de costas voltadas
    Ao sabor das bordoadas
    Que todo segredo atiça.

    A violação começa
    Nas salas dos tribunais
    Com a imprensa doidinha
    Por furos processuais
    E nessa investigação
    Pro bem da população
    O segredo se desfaz.

    A presunção de inocência
    E direitos fundamentais
    Terminam sacrificados
    Nas rádios e nos jornais
    Deixando expostas feridas
    Que causam em muitas vidas
    Estragos até mortais.

    Correndo atrás da notícia
    Querendo ser o primeiro
    O TEMPO do jornalismo
    Transcorre muito ligeiro
    Enquanto o judiciário
    É sempre retardatário
    Na busca do verdadeiro.

  4. Marco Antonio disse:

    Alguém quer uma contradição maior que a prevista na própria Constituição, em seu art. 14, parágrafo 10, que determina segredo de justiça nas ações de impugnação do mandato eletivo, que são manejadas quando há provas e evidências de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude? Ou seja, justamente uma ação que trata de lesão e influência financeira em um processo eleitoral, tradução maior da cidadania de um povo, não pode ser conhecida por esse povo. O sigilo processual deve ser adotado apenas em circunstâncias que possam comprometer o interesse social ou a defesa da intimidade, que constituem as exceções ao princípio da publicidade, previsto no art. 5º, LX, da mesma Constituição. O Poder Judiciário deve ter a sensibilidade social para distinguir tais situações.

  5. graciliano disse:

    O Edmar precisa reunir os versos aqui publicados num livro. A net é muito efêmera para trabalhos tão importantes.
    Especial de bom!

  6. Ivan Moraes disse:

    1–Alguem saberia me dizer se a CPI da Petrobras tem alguma coisa a ver com os portos brasileiros?

    2–Alguem pode me dizer quem sao os alvos brasilienses dos lobistas de portos, por favor?

  7. Edivaldo Dias de Oliveira disse:

    Os dois repentes são muito bons, mas a exemplo de Raul Seixas e Rauzito, acho que Edmar e Creuzo “sempre foram o mesmo homen”. Mas é assim mesmo, a história, tanto política como cultural estão cheias disso. O militante anarquista, depois fundador do PCdoB, Astrogildo pereira, dizia possuir vários pseudonimos que polemizavam em jornais libertaraios sobre diversos temas. O poeta Fernando Pessoa tambem tinha um, cujo nome, esqueci agora, portanto voçê(s) estão em muito boas companhias, caso eu esteja certo.

  8. Rômulo Oliveira disse:

    Parabéns poetas, vocês são geniais. Impressiona a forma como vocês falam de qualquer assunto com a leveza da poesia. Com esse poema de vocês se aprende mais direito do que em muitas aulas da faculdade.

  9. Cristovam disse:

    A falta de responsabilidades de muitos, extensíveis aos cargos que ocupem, a fé que professem, a profissão que exerçam, pode prejudicar não a investigação, mas a vida de inocentes.

    Falou…

  10. basilio disse:

    De ver tanto pulha se dar bem
    E ver enriquecendo salafrário
    E ainda assim seguir dentro do riscado
    O honesto quase sempre é chamado
    Pelos marginais de otário
    Segredo de justiça
    Sigilo bancário
    Tanto mistério
    Quem ganha com isso
    Certamente não o otário
    Mas quem mete a mão no ervanário

  11. antonio francisco disse:

    CUTELO

    Edmar derruba a árvore e o Creuso corta as gaia

    segredo nessas ações é que nem prédio do Naya

    até parece factóide, como disse o Cesar Maia

    esconde abuso de rico, as mutretas e as gandaia

    pra pobre não tem sigilo, na luz o seu ser se estaia

    porém, é rude injustiça, e nosso país se avacaia

    tem muito juiz que é bom, mas tem juiz de má laia

    invés de fazer o Bem, só tem no quengo lacraia

    Senhor Nosso Deus, a Justiça?, eu vos peço, Iluminai-a!

  12. Sancho Brancaleone disse:

    Prezado Edmar
    Nobre expositor
    Conforme informa
    Nosso douto comentador
    Na CF, o artigo 14 está lá
    Em seu parágrafo dez
    Para ninguém duvidar
    Marco Antônio
    Às dezessete e dezenove cantou
    Segredo de justiça sob crivo
    Até em impugnação
    De mandato eletivo

    Chamo a isso
    De super proteção
    Acertam no povo
    Com bala de canhão

    E sabemos, querido Edmar
    Que nos crimes do colarinho branco
    O segredo de justiça
    É o direito a arrolar
    Porque senão
    A merda pode vazar
    E isso eles tem
    De prato cheio
    Comem com garfo
    Inté o recheio
    Das tripas
    Fazem coração
    Pra desviar
    Mais de um milhão

    Olham o povo
    E tiram até as migalhas
    Eles vem do ovo
    Ou de coisa que o valha
    Gostam do inferno
    E da maracutalha
    Trazem em seus cofres
    Zilhões de navalhas
    Fazem do povo
    Brinquedo de marionetes
    Gostam de vê-los
    Comendo giletes

    Mas observe, amigo Edmar
    Que não estou do Congresso a falar
    Lá há sim
    Os que pisam na bola
    Mas também há
    Os que sabem atuar
    É só uma questão
    De saber escolher
    E isso o povo
    Terá que aprender

    Estou falando de gente infiel
    E os que com eles se mancomunam
    E o tipo Daniel
    Gostam mesmo de espalhar o mal
    O negócio deles é o paraíso fiscal
    Querem até o povo abocanhar
    O desejo é ao povo
    Ferrar.

  13. altamiro souza disse:

    esses criadores merecem todos os elogios (aproveito pra lembrar da Ana que gravou Hekel tavares, belíssima voz em riquíssimas composições)…

    esses criadores é que fazem a história da cuoltura brasileira, constróem uma nação, aquela que se diz que é de todos nós, efetivamente…

    (Ao contrário desse pessola do esquema demotucano e do chamado partido da imprensa golísta que que tentam desconstruir o que há de melhor nesse país)

  14. José Robson disse:

    Ode à testemunha (porém em tom realista):

    Falaram p’ra eu não dizê
    O que eu dizia sabê
    Se eu dissesse o que sabia
    Talvez eu não viveria.
    Mas vivê p’ra quê
    Se não posso dizê
    O que disse sabê!

  15. EGJ disse:

    O segredo de justiça
    É assunto delicado
    Grosso modo o conflito
    Deve ser argumentado
    Com olhar pro ponto cego
    Minimizando o ego
    Pois a honra é um legado

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