Uma perda para a cultura nacional
O Brasil poderá perder o mais rico acervo de arte jamais montado, desde que Assis Chateaubriand montou o MASP.
Trata-se da coleção de Edemar Cid Ferreira, do Banco Santos.
Durante anos, Edemar utilizou parte do dinheiro arrecadado em golpes para adquirir todo tipo de arte, de artistas célebres a antiguidades de valor histórico inestimável.
O juiz Fausto De Sanctis tinha dado uma sentença pela qual todo esse material seria passado para órgãos públicos, museus, universidades e se incorporassem definitivamente ao acervo cultural do país.
Havia razões de ordem jurídica e de ordem nacional. As de ordem jurídica devido ao fato de que as vítimas do Santos no fundo também eram cúmplices, pois aceitavam receber repsasses de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), desviando parte do dinheiro para papéis do próprio Banco Santos.
Ontem o Superior Tribunal de Justiça reformou a sentença, ordenando que o acervo volte para a massa falida. Seria dizimado, as peças serão vendidas para colecionadores individuais, haverá enorme dificuldade em definir o valor efetivo. E o país perderá a oportunidade de incorporar à cultura nacional um dos mais valiosos acervos constituídos em sua história.
Clique aqui para ler uma matéria de Mário César Carvalho sobre o acervo
E aqui para ver o que o Brasil poderá perder.
Veja mais fotos como esta em Portal Luis Nassif


Legal:
Concordo com você que o governo deveria entrar no leilão para comprar esse acervo, se essa for a ultima alternativa.
Agora, discordo de você em sua analise sobre o MASP. O museu paulista esta no nível dos melhores do mundo, evidentemente atrás de outros como o Louvre ou o Prado. Temos obras importantíssimas de Renoir, Degas, Velásquez, Rembrandt, Picasso, Goya e por ai vai.
Mário, concordo que as obras são boas, ótimas, as fotos aqui são apenas uma pequena amostra. E a coleção de manuscritos? Uma preciosidade. Até coisa egípcia tem!
Mas o banqueiro não fez isso por mecenato, senso estético, refinamento nem nada. Fez para lavar dinheiro mesmo. Arte é uma excelente maneira de fazê-lo. Que o digam as máfias russas, que “investem” até em quadro roubado.
Edmar teve bom-gosto, sem dúvida, ou foi bem assessorado, mas certamente lavou dinheiro montando a preciosa coleção. De quebra, conquistou a simpatia da ilustrada burguesia paulistana, e brasileira em geral.
Alguém perguntou pelo Sarney nessa história. Bem na véspera de intervirem no banco, um passarinho pousou na janela dele e avisou o que ia acontecer, a tempo de ele fazer a transferência para porto mais seguro.
Ele só não disse que passarinho era. Uns dizem que um sabiá, outros garantem que foi tiziu. Só é certo que maitaca não foi.
Antonio Rodrigues, o MASP não está no mesmo nível dos melhores do mundo.
Longe disso, é um bom museu mas apenas isso.
Só uma pergunta aos navegantes, se você fosse credor deste banco, concordaria em não receber bulhufas apenas para o MASP ter este acervo?
Aliás, quem disse que isso deveria ir para o MASP?
Por que não o MAM?
E as obras irão para a massa falida. Falir é conformar-se com a decisão que determinou esse absurdo.
Conforme o comentário de Marco Antônio, que faço questão de transcrever:
“É disso que eu falo quando elenco como problema estrutural do Poder Judiciário a falta da conexão entre a letra da lei e sua eficácia no mundo real, fim último de qualquer normatização jurídica. Com a robotização da exegese e a negação do papel de pacificação e bem-estar sociais da lei, aniquila-se todos os valores e direitos, individuais e coletivos. Cultura, dignidade, educação, segurança. Nada disso passa a ser objetivo mediato e definitivo de intérpretes jurídicos, cuja missão continua a ser a simples mecanização do Direito…”
Conforme a matéria de Mário César Carvalho:
“Entre outras preciosidades, o museu ganhou o sarcófago de uma múmia egípcia (cerca 1069 a.C.- 945 a.C.), um monumento maia (300 d.C.- 900 d.C), uma bíblia impressa em 1493, menos de 50 anos após a de Gutenberg, e um tablete com escrita suméria de 1900 a.C.
“A USP não teria como comprar um acervo desses nunca”, diz Eni.
…
Caso o STJ decida que a coleção de Edemar deve ficar com a massa falida, será criado um novo conflito: peças arqueológicas não podem ser comercializadas, de acordo com a Constituição…”
Sendo as obras leiloadas, certamente irão parar nas paredes dos abastados. Até como forma de homenagear e de prestar solidariedade ao Edemar que, quando sentir saudades, poderá ir visitá-las.
Imagine se você tem um filho, ou uma filha – Indianinhas Jones – pequenos que queiram se formar em arqueologia no futuro. Que oportunidade perdida! Essas peças arqueológicas que compõem o acervo, mesmo com a proibição de serem comercializadas, têm mercado certo no exterior. Porém, se não me equivoco, somente às peças arqueológicas nacionais são proibidas a comercialização.
Entre as vítimas do Banco Santos estão pessoas que não sabiam das mutretas do sr. Edemar Cid Ferreira e da leniência do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (ambos entidades do estado que iria receber as obras). A frase “As de ordem jurídica devido ao fato de que as vítimas do Santos no fundo também eram cúmplices, pois aceitavam receber repsasses de financiamento do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), desviando parte do dinheiro para papéis do próprio Banco Santos.” é de profunda infelicidade, pois muitos dos prejudicados são aplicadores em fundos do banco, sem qualquer participação nas fraudes. Existem pessoas que perderam suas economias de anos.
Quanto a juiz de Sanctis, faz muito bem seu papel na vara criminal, mas foi de uma infelicidade tremenda ao invadir a competência de outro juiz, a quem cabe decidir o destino das obras.
nassif:
uma perda dessas é muito forte.
como esses tribunais,ditos superiores,pensam?
romério
O serra poderia sair de seu governo fazendo pelo menos algo para ser lembrado no futuro. Poderia trocar as assinaturas da folha e veja pelas obras do bandoleiro do banco de santos e fazer um upgrade no MASP.
““É disso que eu falo quando elenco como problema estrutural do Poder Judiciário a falta da conexão entre a letra da lei e sua eficácia no mundo real, fim último de qualquer normatização jurídica. Com a robotização da exegese e a negação do papel de pacificação e bem-estar sociais da lei, aniquila-se todos os valores e direitos, individuais e coletivos”
Sancho e Marco Antonio: quando foi a ultima vez que judiciario fez alguma coisa PELO Brasil?
Nao faz, nao faz, nao faz. Judiciario brasileiro serve pra legalizar corrupcao de elite. O judiciario brasileiro ***SERVE*** pra isso. Ele eh arquitetado pra fins exclusivos de elites. Arquitetado pra falhar em todos os casos de elites corruptas. Nao falha.
O ponto de dizer tudo isso eh que a recem-declarada “mercadoria” ja tem comprador. Eh que ninguem sabe ainda, mas ja esta tudo decidido.
Porque eh assim que o judiciario ***realmente*** funciona. Pra isso ele nao falha nunca.
(E o Liechtenstein continua pavoroso como tudo que ele fez -alguem na Europa algum dia vai criar coragem e prohibir a existencia de pintores alemaos? Eita sofrimento!)
Segundo eu li, os investidores do Banco foram tidos na sentença penal como “cooperadores” da fraude, ou seja, foram aqueles que deram o dinheiro para a “lavagem”, daí porque a pena acessória de perdimento dos bens. Em resumo: os bens foram tidos como produto do crime.
Existem juízes, existem homens estúpidos que não sabem julgar questões as mais elementares. muitos destes últimos estão na profissão errada. não servem seuuer para apitar futebol de várzea, porque este é coisa simples mas séria.
Pisaram na bola novamente.
Ah, estão criando mais cargos no Judicíário.
Deus nos ajude.
Leger, Basquiat e Linschtestein. Qualque país de primeiro mundo garantiria que obras desses artistas ficassem no acervo de seus Museus. Esse De Sanctis sabe das coisas. É o cara.
O IPHAN não se manifestou?
Bens artísticos não é patrimônio da humanidade?
http://masp.art.br/sobreomasp/historico.php
De Sanctis para presidente do STF já!
O estado possui créditos a receber e deve poder abatê-los ao receber as obras. Segundo a decisão do STJ “o juízo falimentar é o credenciado a custodiar todo o patrimônio da falida, para os REPARTIR ENTRE OS CREDORES e os que demonstrem legítimo direito, nos moldes da legislação falimentar. Por essa razão, ao juízo falimentar concorrerão todos os que demonstram interesse no patrimônio da falida.”
Acho precipitada a decisão saída de uma vara criminal, desconsiderando o processo na vara de falências. O caso foi decidido de forma UNÂNIME pelo STJ. Entre as pessoas afetadas pela falência estão pessoas sem a mínima condição, que ficaram sem receber seus créditos trabalhistas e perderam o emprego. E segundo a decisão do
Acho interessante a defesa incondicional feita por alguns da atuação do juiz no caso, esse é o país dos heróis virtuosos, incapazes de errar.
Quem quer que os bens se destine ao estado se movimente para que o Estado aceite as obras no abatimento da dívida.
Perda para a cultura nacional é ver o dono desses quadros solto. Isso sim é uma lástima!
Tinha dinheiro em fundos no Banco Santos, de renda fixa, e perdi alguma coisa. Sei de gente que perdeu poupança de uma vida inteira. Se estas obras de arte forem vendidas para ajudar a diminuir este projuízo, achoi ótimo… até porque CVM e BACEN deveriam saber o que ele andava fazendo com os fundos administrados por ele