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14/05/2009 - 11:57

Noruega contra a crise

Por Sanzio

Uma boa matéria no NY Times de hoje sobre a atuação da Noruega para enfrentar a crise. A ministra da economia, a socalista Kristin Halvorsen, remou contra a maré mundial, indo às compras.

Em vez de gastar a riqueza oriunda de seu petróleo durante o boom, como fizeram outros paises produtores, injetou-a diretamente em seu fundosoberano, incrementando-o em US$ 60 bilhões, quase 23% do PIB. Apesar da queda de 23% por causa da crise, que afetou os investimentos do fundo ao redor do mundo, hoje o Fundo Soberano Norueguês está perto de se tornar o maior do mundo.

Como diz a matéria, em vez de limitar o papel do governo, como outras economias, a Noruega reforçou sua política de bem-estar social (welfare state) do berço-ao-túmulo.

A matéria traz informações sobre o PIB, déficit fiscal, e comparações com outras nações, mas o mais interessante são as informações sobre polítivas públicas que permitiram pessoas obter crédito para comprar casas de lazer, barcos, até garantem a heroina de cada dia de drogaditos.

Como diz a ministra, “As a socialist, I have always said that the market can’t regulate itself,” she said. “But even I was surprised how strong the failure was.”

Mais tarde, se o assunto despertar interesse, traduzxo a matéria toda, mas quem quiser ler no original o link é:

http://www.nytimes.com/2009/05/14/business/global/14frugal.html?_r=1&th&emc=th

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: , ,

15 comentários para “Noruega contra a crise”

  1. Enio disse:

    Esta é a importancia do pais ser contraciclico, economizar durante a bonanza, para poder gastar durante a crise. O Chile fez isto com o cobre (se bem que não chega perto do dinheiro do petróleo), enquanto a Venezuela fez exatamente o contrário, gastou tudo gerando inflação e agora está sem dinheiro para continuar o boom.
    O modelo da noruega é o que o Brasil deveria seguir com o petróleo pré sal.

  2. Rodrigo disse:

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u565702.shtml

    Filiais no Brasil ajudam empresas espanholas a evitar prejuízo

    ANELISE INFANTE
    de Madri, para a *BBC Brasil

    As filiais latino-americanas estão impedindo que algumas das grandes empresas espanholas tenham prejuízo. Os balanços do primeiro trimestre de 2009 indicam lucros abaixo do previsto, mas fechamentos positivos graças, principalmente ao mercado brasileiro.

  3. altamiro souza disse:

    aqui essa senhora seria esmagada pelo esquema do partido da imprensa golpita pautada pelo apropriadores e exproprieadores de todo o poder demotucano…

  4. Emerson Mathias disse:

    Eh sintomatico o NYTimes colocar essa materia. Vai contra muito do que o proprio NYTimes andou defendendo em seus editoriais nos anos Bush. Talvez seja um indicio de que, at last, politica fiscal e politica monetaria sao possiveis, CONJUNTAMENTE, ao contrario do que pregava a cartilha do sr. Milton Friedman, canonizado por 10 entre 10 diretores do Fed, ate a crise do subprime. Demorou!

  5. Emerson Mathias disse:

    Aos (neo) liberais de plantao, que a velha “political oeconomy” seja resgatada. E que a racionalidade “tabula rasa” de Milton Friedman ocupe o mesmo lugar que os dinossauros nos dias de hoje. Reler Adam Smith nunca foi tao necessario, e falo inclusive da “Teoria dos Sentimentos Morais” e nao apenas do magistral “Riqueza das Nacoes”, que junto com “Das Capital” de Marx, sao os dois tratados politicos mais lidos erroneamente e mais mal interpretados pelos schoolars e candidados a gurus nas capas de revistas nos dois lados do Atlantico. Repensar os fundamentos dos mecanismos de politica economica eh tao vital como a questao do CO2 e do efeito estufa. E poderia nos poupar de tratar falsos dilemas como essenciais, como saber qual sera a aliquota de tributacao da poupanca ou saber se os parlamentares rifam passagens aereas. sao falsas urgencias que nos desviam do principal: como equacionar a geracao de empregos e renda para as geracoes futuras? Como ampliar o bem-estar social a todos os estratos sociais? Releiam Smith e Marx. E se tiver tempo, os filosofos liberais ingleses, que iniciaram toda essa tradicao de colocar a economia na ordem do dia.

  6. Alexandre Fabian disse:

    O Chile fez o mesmo com o cobre. Quando conseguiremos isto no Brasil ?

  7. Legal disse:

    Tem duas coisas erradas nesta reportagem.

    Primeiro – o fundo soberano de 60 bilhoes jamais vai ser o maior do mundo. 60 bilhoes e menos do que a China recebe de juros dos T-bonds em um ano. E a nivel internacional, nao da nem pra comecar a tomar um bom cafe da manha. Sao mais de 3 TRILHOES em fundos soberanos mundo afora. O da Noruega, com todo o respeito, e apenas 2% deste montante.

    Segundo – Politicas publicas que usam o din din suado do trabalhador pra comprar casas de veraneio e barco e de lasca. O que a Noruega vai fazer quando acabar o petroleo? Vao vender bacalhau? Ai e que esta o problema. Dubai se transformou na Meca do Turismo de Luxo. E a Noruega vai se transformar em que? Ha fortes grupos economicos la?

    Alguem citou o exemplo do Chile com o cobre. Ok, o Chile economizou um bom din din. E dai? Economizar e so a primeira parte. A parte mais dificil e a segunda; usar o din din economizado pra transformar a economia. Se acabassem todas as reservas de cobre hoje, de que viveria a economia chilena?

    Sou a favor de que o Brasil tenha o seu, desde que saiba aonde quer usar o nosso suado dinheirinho.

  8. Maxwell barbosa Medeiros disse:

    Mulher inteligente é outra coisa.

  9. jacó disse:

    é cópiada DILMa, pois é competente.

  10. MAEC disse:

    Adivinhe quem souber. Que ciência é essa?

    A única forma de fundo soberano é aquela em que “um país” faz a emissão da moeda pelo PIB (o verdadeiro investimento) usando somente as variáveis domésticas para lastrear a base monetária – como faz os EUA. E, ou quando ele se individa com o mercado financeiro, e o déficit é pago em si mesmo, Alias, com moedas podres, como é toda a economia sem nenhum lastro lógico ou matemática extraida do valor da natureza da produção.

    O que vocês estão assistindo e comentando, ora como crise ora como fundo soberano é o ciclo de retorno ao imperialismo. Isto é: para além do rentismo dos banqueiros, FMI, Banco Mundial existem países como a Cihina, Japão, Alemanha, que se tornaram a reflexão do império, pois o valor em circulalação deu uma volta sobre a produção aleatória da propriedade privada. e eles, também, não se individam com o mercado financeiro pela própria riqueza – se não precisar mais crescer – superaram a realidade que basta a si mesma. O Brasil começou a entrar nesse grupo.

    Exemplo: de tanto ser produto das exportações, a acumulação de reservas externas pode se tornarar maior do que a capacidade de crescimento; e ou do que a necessidade do país se individar para reproduzir o PIB local. Portanto, as reservas dos meios da produção se tornam suficientes para a manutenção das espectativas da propriedade privada.

    Esse dinheiro de origem e meios esdruxulos, vai, por sua vez, alienar os países em desenvolvimento – que não têm o mesmo desenvolvimento para acumular moedas podres. Porém, alguns países, como o Brasil, já não precisavam desse falso desenvolvimento. Daí alguns doláres revoaram para o caminho inverso e se completou o ciclo do marginalismo nos EUA.

  11. Sanzio disse:

    Legal,

    Você entendeu mal. US$ 60 bilhões é o incremento ao fundo, que já era de US$ 300 bi.
    Sugiro ler o texto original do NYT. Não fala de Dubai, mas há informações sobre os guindastes parados en Ryiad, Arábia Saudita.

    Quanto a financiar casas de veraneio e barcos, o que se poderia esperar de um país cuja renda per capita é de US$ 52.000, a distribuição da renda é uma das mais justas do mundo, não existem os problemas sociais como nós os conhecemos, todos têm educação, saude, habitação e uma renda mínima de US$ 1500 mensais, independentes de estarem empregados ou não, de serem desocupados por opção, ou dependentes de drogas?

  12. Orides disse:

    Dubai, aiai!!

    A coisa tá meio trapaiada lá, meu pai…

    Atrás das cortinas lindas tem muito lixo escondido! Como em quase tudos os lugares.

    Mas lá conseguem esconder melhor.

  13. Cappacete disse:

    E por falar em capitalismo, publiquei em meu blog: blogdocappacete.blogspot.com, uma excelente análise do professor Sérgio Lessa sobre os percalços do capitalismo até os dias de hoje, o texto é meio longo mas vale a pena ler.

  14. Marko disse:

    Ô Legal… dá uma olhadinha na verdadeira face d Dubai aqui – http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/qual-dubai-o-da-cantanhede-ou-o-do-independent/ -dá meu filho, mas olha sentado pra não cair espantado…

  15. Hilano Carvalho disse:

    O pseudo-socialismo dos países escandinavos e de todos aqueles países que não creem na ideologia socialista e comunista, na ilusão de que, um dia, o capitalismo atingirá pontos de equilíbrio tais que a humanidade então subsistirá sem crises, sofre inevitavelmente abalos sísmicos. Na verdade, crises sempre existirão, mesmo em uma futura sociedade comunista, mas, evidentemente, somente em função das revoluções técnicas sucessivas por que passam os sistemas de produção, rumo a estágios superiores de desenvolvimento dos modos de produção sucessivos, tendo como fim a plena realização racional da sociedade humana global.

    A Noruega, por exemplo, sendo, pois, um país tecnologicamente desenvolvido, uma vez que não depende apenas do petróleo, ao contrário, depende da realização da sua razão técnica na realidade social. Pois, não nos esqueçamos dos movimentos históricos que propiciaram o que ela é hoje, na exploração passada de outros. Ainda assim, são economias que subsistem mais pela coesão social de séculos de vida comunitária, do entrelaçamento efetivo dos laços sociais, a tal ponto que as leis tornaram-se de fato costumes.

    Ao contrário do Brasil, que ainda não atingiu a unidade da sua multiplicidade, sob uma perspectiva de visão mais ampla e de desenvolvimento de longo prazo, uma vez que o ser brasileiro se faz esfacelado em múltiplos regionalismos em confronto ainda que não diretamente ou veladamente. Não houve ainda, em solo brasileiro, a síntese que levará ao surgimento de uma nação brasileira. A figura do povo brasileiro ainda está em gestação.

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