A casa de três vintens
Por Raí
Que tal,para “inaugurar a semana” um debate sobre este fenômeno que a Tata Housing chinesa, está propondo ao governo chinês,de constuir milhares de aptos residenciais,tipo dos nossos quitinetes da praia,a um custo (não subsidiado)de 16,3 mil,e pensa-los adaptados a realidade brasileira,que seguramente alivaria sobremaneira o nosso déficit habitacional ?
Por foo
A Tata não é chinesa, e o projeto não será na China.
Eu publiquei a notícia ontem, no meu blog:
Conglomerado indiano planeja apartamentos de US$ 7800 em Mumbai
Depois de mostrar que é possível vender carros por apenas US$ 2000, o conglomerado indiano Tata planeja o lançamento de 1200 apartamentos de US$ 7.800 a 13.400 (R$ 16 a 27 mil). São apartamentos pequenos (veja as plantas), destinados a pessoas que ganham de US$ 5 a 10 mil por ano.
http://capitao-obvio.blogspot.com/2009/05/conglomerado-indiano-planeja.html
Autor: luisnassif - Categoria(s): Arquitetura Tags: casas, Tata, urbanismo

Fácil de fazer: iniciativa privada, sem conexão com a roubalheiro do governo, IPI e ICMS zero nos impostos de materiais de construção.
Da BBC Brasil, Atualizado em 11 de maio, 2009 – 06:42 (Brasília) 09:42 GMT
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/05/090511_indiacasabarata_fp.shtml
———————-Tata lançará ‘casa mais barata do mundo’
A empresa indiana criadora do carro mais barato do mundo, o Tata Nano, anunciou que seu próximo empreendimento será construir e vender as casas mais baratas do mundo para populações de baixa renda em Mumbai.
————–Apelidado de “Casas Nano”, o empreendimento lançado pela Tata Housing, uma das companhias do Tata Group, vai disponibilizar no mercado imobiliário propriedades a partir de 390 mil rúpias (cerca de R$ 16,3 mil).
————-Um apartamento deste tipo, de apenas 26m², consiste de um cômodo onde sala, cozinha e quarto ocupam o o mesmo espaço.
————-Uma opção mais cara é um apartamento de 43m², com cozinha e quarto separados por 670 mil rúpias, (cerca R$ 28,2 mil)…………..
……….O primeiro complexo residencial está em construção em Boisar, uma pequena cidade situada e 96 km de Mumbai.
O empreendimento contará com mil residências, hospital, escola, playground e jardins.
————–Já na primeira fase do projeto a empresa espera obter lucros de até 1 bilhão de rúpias (R$ 42 milhões).
No final de 2009, a Tata Housing espera expandir o projeto para a capital Nova Déli e Bangalore………………………..
A Tata não é chinesa, e o projeto não será na China.
Eu publiquei a notícia ontem, no meu blog:
Conglomerado indiano planeja apartamentos de US$ 7800 em Mumbai
Depois de mostrar que é possível vender carros por apenas US$ 2000, o conglomerado indiano Tata planeja o lançamento de 1200 apartamentos de US$ 7.800 a 13.400 (R$ 16 a 27 mil). São apartamentos pequenos (veja as plantas), destinados a pessoas que ganham de US$ 5 a 10 mil por ano.
http://capitao-obvio.blogspot.com/2009/05/conglomerado-indiano-planeja.html
Carro amarrado com arame?
Da TATA Housing
http://www.shubhgriha.com/pages/plans.php
Township
———-Aesthetically designed master plan with tree lined avenues
Ground +2 buildings with beautifully landscaped courtyards
Polished Kota stone on the staircase and ceramic tiles in the corridor
Eco-friendly green homes……..
Se é possível na Índia, tvz fosse possível no Brasil se:
> a incidência de impostos sobre materiais de construção fosse BEM reduzida
> se os encargos trabalhistas sobre a M.O. fossem outros
> se as normas brasileiras de construção fossem mais flexíveis
> se a legislação de ocupação do solo nas cidades brasileiras fosse mais tolerante.
Sem estes quatros pontos e impossível se fazer por aqui.
Da TATA Housing,
http://www.shubhgriha.com/pages/payment.php
Payment Plan…………………
The Trust of Tata Coupled with affordable……………..
Note: The Stamp duty, registration & other charges (like electricity meter charges, water meter charges, other deposits etc) will be charged as per actuals…………………….
No meu post,onde escreví China,leia-se Índia,pois a Tata é uma empresa genuinamente indiana.
Não tiremos o crédto do FOO,que postou inicialmente a notícia,o que eu quiz provocar,foi uma discussão a respeito do assunto,e das probabilidades de alguma empresa do ramo de construção civil do Brasil “topar”um projeto neste sentido,funcional e barato(nem precisa custar apenas três vintens)
e ajudar ao governo nesta empreitada social.
Nassif, acho que a CDHU constrói apts até maiores a preços parecidos com esse, de .US$ 7.800 a 13.400.
Recentemente, o Romeu Chapchap apresentou uma casa de plástico com custo semelhante por unidade.
Técnica construtiva nós temos. Sempre faltou aumentar o mercado, para acompanhar a demanda. Nesse ponto políticas de transferência de renda e/ou programas habitacionais são mais revolucionárias que técnicas de construir em grande escala que já possuímos.
O grande problema do programa de habitação lançado pelo governo nunca foi o custo, mas mão-de-obra e materiais para empreitada de tamanha ambição.
Não precisa ir tão longe…
Um engenheiro de Londrina tem um projeto que se chama ONDE MORAS que faz casas com materiais reciclados mais barato que isso. É claro que um projeto desses não interessa a boa parcela dos políticos e outros segmentos da sociedade…
Caro Nassif,
Caros comentaristas,
O comentário do Rafael feito a respeito da CDHU é verdadeiro. O projeto Cingapura tinha preços e áreas parecidas.
Durante a faculdade, fizemos um estudo sobre como diminuir os custos de habitação, a questão de mão de obra, a qualidade do produto final (apartamento) e o papel central que o arquiteto deve desempenhar na condução desse arranjo que atualmente está com os empreendedores.
Uma das conclusões que chegamos é que o fator que mais encarece a habitação (estudo feito para a Cidade de São Paulo) é o preço da terra, do terreno e não tanto os impostos, materiais, mão-de-obra e etc.
Daí, para se fechar essa conta e tornar o negócio de construção civil viável, opta-se pela dimuinuição das áreas das unidades e que ficam em torno de 45 m² vendidas por R$ 40, 50 mil reais (financiados) e localizadas em bairros mais afastados das áreas centrais.
O programa “Minha Casa, Minha Vida” pode ajudar a definir esta questão visto que para compradores de até 3 salários mínimos, há de haver a doação dos terrenos pelas prefeituras, tornando o negócio mais atraente.
Abs!
André Pavão: deixa eu advinhar… vc é arquiteto !!
(nem preciso dizer que sou engenheiro, não é ?) ….. rs
Todos sabem o “caminho das pedras”neste caso,o caminho das casas baratas,até o governo,o que falta,como na estorinha dos ratos que planejavam colocar um chocalho no gato,para alerta-los da aproximação do felino,é quem seria o escolhido,para colocar o tal chocalho.
Tudo isto dito,fica a questão: Porque nenhuma gestão anterior,tentou algo semelhante ao projeto Minha casa,Minha vida,deste governo?
Então agora que o projeto está lançado,e não definitivamente acabado,e preparado para agregar qualquer subsídio que possa tira-lo definitivamente do papel,estas sugestões colocadas no post,por vários especialistas(arquitetos,engenheiros civís,incorporadores da área,etc,)nada impede que as sugestões destes especialistas,sejam encaminhadas pelos canais corretos,aos que estão coordenando o projeto.
Está mais do que provado,que se houver vontade política,engajamento total das partes envolvidas no processo,menos burocracia dos órgãos envolvidos,isenção dos impostos que forem necessários e menos gula por lucro fácil,da parte de quem for efetivamente construir,o negócio vai dar certo.
Caros André Pavão e Alexandre Fabian,
Um arquiteto e outro engenheiro, e eu corretor de imoveis.
O governo já tirou os tributos (impostos e taxas) federais sobre vários materiais de construção. Os mais importantes, os básicos.
No nosso país, além dos federais temos os tributos estaduais (Icm) e os municipais (Iss e taxas de licenças), além do custos dos encargos sociais dos trabalhadores da obra.
Claro, sem querer ser pretensioso, todos sabemos que o custo (e o preço) de um imóvel é composto pelo custo da construção, de materiais e mão de obra (incluso tributos) e preço do terreno. Em lugares nobres, como Vila Nova Conceição, em SP, a fração ideal do terreno tem peso extremamente significativo na composição do preço. Já em Sucupira da Serra, a 20 mil Km prá lá de Rio Branco-AC, ao custo de R$756,00 por alqueire paulista da terra (24.200,00 m2), o custo da da fração ideal do terreno é insignificante. Isto se o prefeito Tião, dado o relevante alcance social da obra, não doar o terreno e de quebra se oferecer para pavimentar os acessos ao condomínio e mandar o DAEE (Depto de Águas e Esgotos) fazer as ligações de água e esgotos gratuitamente (Veja que sábio prefeito o Tião, que heroicamente conseguiu completar o ensino primário, não acreditou na propaganda da Sabesp do Serra e faz ele mesmo este serviço a um custo 5 vezes menor).
Então vamos usar as calculadoras e calcular os custos da obra em Sucupira da Serra. Pronto, concluimos que na imaginária cidade acreana também conseguiremos construir as “kitnetenes”, do milionário indiano. E de quebra, ainda recolhendo os direitos trabalhistas dos funcionários da obra.
Em tempo, se os colegas dos funcionários do ministério do trabalho brasileiro, que foram assassinados em Unai, fossem fazer uma fiscalização nas obras da Índia, nossa colega nos BRIC’s, iam mandar todos para a cadeia, haja visto que as condições de trabalho dos indianos seriam consideradas análogas ao trabalho escravo.
No Brasil, o problema da fome nunca foi causado pela falta de alimentos, mas sim pela pobreza.
O défict habitacional tem a mesma origem. Tecnologias não faltam, a questão é o poder aquisitivo.
Por isso, nesta discussão temos que sublinhar o fato de que o maior programa social deste governo é a valorização do salário mínimo.
Agora, quando falamos de moradia para famílias com ganhos de 1 a 5 SM, estamos falando de renda de US$200 a US$ 1.000. Dá para fazer; com subsídios, mas dá.
No governo anterior, estaríamos na faixa US$ 70 a US$ 350…. daí o jeito seria chamar milagreiros, não economistas e/ou engenheiros.
Caros Alexandre Fabian e Francisco Guerra,
Alexandre, você adivinhou: sou arquiteto! Eu por outro lado, já sabia que você era engenheiro (rs…).
Falando sério: Leio com atenção os seus comentários e sempre os considerei de alto nível e com ótimo domínio do tema.
Acredito que temos que concordar com os argumentos do Francisco Guerra, não?
Por outro lado, a provoação do Raí no início do Post me faz lembrar que já há construtoras (ao menos em São Paulo) que comercializam unidades habitacionais – como os propostos pela Tata Housing – em Campo Limpo, Itapecerica da Serra, Ferraz de Vasconcelos e etc. Ou seja, o modelo “unidades pequenas + distância dos centros” já foi adaptado por aqui. Só o preço final não conseguiu ser adaptado (rs…)
E sinceramente, “apertados” já bastam os carros oferecidos pela empresa.
Sempre acreditei que a “Casa Própria” é um dos maiores investimentos que um cidadão pode fazer em sua vida. Daí a nossa responsabilidade (arquitetos, engenheiros, corretores de imóveis, etc) em oferecer o melhor que caiba no bolso deste comprador. Acho vergonhoso os “51 itens de lazer” oferecidos nos farois aos finais de semana: é oferecer o que não se precisa a pessoas que não tem como pagar (qual será o valor do condomínio desses futuros empreendimentos?).
Racionalidade de projeto, equipe multi-disciplinar (engenheiros, arquitetos, corretores, financiadoras, etc) e boa vontade do poder público pode vir ser a fórmula para a nossa questão de deficit habitacional.
Abs!
Para começar, lembro que Mestre Carlos Lemos costuma dizer que habitação mínima não quer dizer “do menor tamanho possível” mas com o mínimo de área e recursos necessários para se viver com conforto e dignidade.
Em segundo lugar, o custo da terra é um grave impecilho para a habitação econômica; com os PACs da habitação popular os preços dos terrenos nas mãos dos especuladores fundiários já dispararam, a corja de sempre vai assim embolsar os incentivos dados pelo governo. Para variar.
Devido a este absurdo custo do solo e a gentrificação dos bairros centrais da cidade, a população carente é quase sempre relegada à periferias distantes e carentes de serviços urbanos e culturais básicos como transporte público, educação, saúde, emprego, lazer, além de ficar exposta à violência de bandidos e policiais. Ou seja, é um problema muito mais de urbanismo do que de arquitetura.
E por fim, o apartamento tipo “kitchenete” não é nem funcional nem culturalmente adequado ao nosso modo de viver. O mínimo seriam dois quartos e sala, nesta última dormindo os pais e nos quartos, meninos em um e meninas no outro (três quartos seriam o ideal).