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09/05/2009 - 22:58

Dos julgamentos sumários da mídia

É enorme a facilidade da mídia para impor julgamentos, condenações. O método é batido mas continua eficiente.

O primeiro passo é definir o que quer, se condenar o “bandido da vez” ou absolver o aliado. Aí, trata-se de demonizar o “bandido da vez”, como é o caso do tal deputado do castelo, ou demonizar o xerife, no caso do Protógenes.

Nem vamos entrar na análise das suas culpas, mas do método de manipulação jornalístico. O deputado deve ser julgado com isenção e, se comprovadas culpas ligadas ao mandato, ou crimes fiscais efetivos, que perca o mandato.

O que ocorreu, no entanto – e sempre ocorre em eventos estrambólicos, como um deputado quebrado dono de um castelo – é o julgamento sumário. Cria-se o carnaval e exige-se a punição. E aí entra o segundo deputado, o tal que deveria analisar o caso e, pressionado, informa que vai analisar de acordo com as provas, sem se submeter a pressões, e se disse “lixando” para a opinião pública ou do jornal.

O tal deputado gaúcho é santo ou demônio, tem reputação ilibada ou é suspeito, pouco importa. Ele só é relevante porque está analisando o caso do deputado do castelo e declarou que pretende analisar sem se submeter às pressões da mídia. Esse é o ponto central da questão. E quem ousa dizer que ele está errado? Fosse mais magistrado, e menos advogado, não fosse tão vergonhosamente parcial, Gilmar Mendes, o campeão dos direitos individuais do Daniel Dantas daria razão ao deputado.

A mídia nem quis saber se ele estava certo ou não nas suas declarações – e estava. Tratou de liquidar a questão sem entrar no mérito dela,  simplesmente fuzilando a reputação do tal deputado. Vasculharam sua vida, tiraram da gôndola de acusações disponíveis o necessário e mandaram bala. Se a posição dele fosse outra, sua biografia poderia ser três vezes pior e ele seria poupado.

Veja, então, que a mídia se outorga o poder de selecionar qual a sua verdade e de fuzilar quem se meter no seu caminho. Apela de modo recorrente a esta prática da desqualificação da parte contrária. Quem for contra, quem for crítico, quem pensar diferente, é fuzilado, independentemente de estar certo ou não. Se não tiver faltas graves, fabricam-se.

Ora, não se está julgando o deputado mas sua posição no episódio. E, sendo bronco ou não, sendo dono de zona ou não, sua posição é a que mais está de acordo com as normas de direito individual. E a posição da mídia é a que mais se aproxima da selvageria dos julgamentos sumários.

A humanidade levou séculos para aprimorar princípios básicos de direitos individuais. São princípios de civilização. No entanto, o primarismo de alguns analistas pavlovianos leva a essa tese esdrúxula de que princípios devem ser aplicados nos Tribunais, porque juiz não foi eleito. Como político foi eleito, tem que abrir mão desses princípios e atender ao clamor das ruas. E por tal, entenda-se, a opinião formada pelo clamor da mídia. Conseguiram segregar até princípios básicos de civilização.

É de uma ignorância monumental. Parece a história de que só não pode beijo na boca.

Por Weden

Nassif,

O problema não é somente – como já não fosse absurdo – o direito auto-outorgado de fazer prejulgamentos, que constitui num desvio de função da mídia.

A grande imprensa também se atribuiu o direito de dizer o que eu posso querer ou não em termos de debates nacionais. E faz isso interditando debates.

O caso da demonização do Congresso pela imprensa está atrapalhando o país. Não se debate o funcionamento do sistema, mas a moral dos políticos.

Todo debate moral é estúpido. Até porque se entrarmos na seara moral, fica difícil encontrar um veículo de pé (vide defesa de Daniel Dantas pela mídia).

O caso da discussão sobre a lista fechada ou aberta é um exemplo disso: “estamos proibidos de escolher entre um dispositivo eleitoral e outro, porque a grande imprensa não quer”. Ou seja: já decidiram por nós.

Mas o que precisamos é de informações equilibradas para que nós, e somente nós, possamos julgar o que é melhor. Ao condenar uma proposta de antemão, ela cala a sociedade, porque toma o seu lugar. Intromete-se de um jeito que não deveria.

Imprensa não tem que tomar o lugar da sociedade. Ela deve dar voz à sociedade, e não se apropriar da sua voz, sendo dona da voz do dono.

Um dia vi o Alexandre Garcia dizendo que a (grande) imprensa vinha cumprindo a função de “representantes do povo” sem mandato. Deu-me um frio na espinha.

Porque acho que ninguém lhe deu procuração pra isso.

Por Roberto G

Tb fiquei impressionado pela crucifixação do deputado. Bom sujeito ele provavelmente não é, mas é claro que não é disso q se trata.

Essa identidade jornalista-opinião pública virou o maior fundo de comércio da mídia atual. Acho q a forma como a FSP montou e depois usou o Datafolha, produzindo agenda a partir dele é o fenômeno mais interessante para analisar essa questão. E na época, ninguém reclamou, embora muita gente soubesse que se pode fazer muita coisa com as pesquisas, sem precisar manipular amostras, apenas redigindo perguntas de maneira a extrair as respostas q se quer.

Aos meus olhos. a operação simbólica para criar a identidade no Brasil recente foi esse uso das sondagens de opinião. Reparem q esse traço já virou identidade da profissão, independentemente da moral ou preferência ideológica e partidária do profissional.

Na evolução atual, se montou uma máquina coletiva de fazer e repercutir escândalos. Sem escândalo, não tem mais imprensa, nem muitas estratégias no judiciário ou na política partidária.

Tentei dar conta desse imbroglio num artigo escrito faz dois anos. Quem tiver interesse – mais uma vez, é em sociologuês…

http://www.scielo.br/pdf/dados/v51n2/04.pdf

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags:

72 comentários para “Dos julgamentos sumários da mídia”

  1. francisco.latorre disse:

    “Todo debate moral é estúpido.”

    isso isso isso.

    sim. sim.

    definitivamente.

  2. Malia disse:

    Achei muito interessante e atual o artigo do Roberto G, na Scielo,
    Escândalos, Marolas e Finanças:
    Para uma Sociologia da Transformação do Ambiente Econômico
    http://www.scielo.br/pdf/dados/v51n2/04.pdf

    Leitura obrigatória, para quem pretende ampliar e aprofundar o tema do post proposto pelo Nassif – onde o autor discute como ´a sociologia das finanças imbrica-se curiosamente com a sociologia dos escândalos´ – analisando, ‘a luz autores classicos, como Durkheim, Bourdieu, Boltansky e outros – escandalos políticos dos últimos anos, sua origem e consequencias – no Brasil, principalmente, mas tb nos EUA e França.
    Parabéns, Roberto G., excelente artigo.

  3. Silvana disse:

    A respeito do uso de pesquisas pela mídia, devo lembrar que os números, por mais exatos que sejam, dão margem a várias interpretações.

    E, de fato, não é muito difícil ser levado na enxurrada justiceira da mídia, por mais bem informado e ponderado que se seja.

  4. Simplista, ateu – por imposição dos homens – acredito em criisto, mais por imposição histórica do que por conhecimento real e fé. O que vejo nos nossos dias é a dificuldade que temos de praticar o que este homem deixou nos seus discursos durante o pouco tempo que esteve vivo.
    Meus contemporâneos, como todos os nossos antepassados, ainda não conseguiram entender a simplicidade de suas afirmativas, que se aplicadas na nossa vida em qualquer momento da história, estariamos vivendo no paraíso tão apregoado por ele.
    Não teriamos sujeitos como Gilmar Mendes colocando-se como um deus acima de qualquer crítica.
    Não teriamos uns tão ricos e outros tão miseráveis.
    Não teriamos um sistema de ensino que relega ao último plano a cidadania e o conhecimento que se preocupa somente com a produção e enriquecimento de poucos e em detrimeto de muitos.
    E por fim não teriamos a imprensa que temos, salvo, é claro, as raras exceções. Pelo menos do meu ponto de vista.
    Este método usado para criar bandidos e herois serve muito bem para cobrir as mazelas que sempre aconteceram, acontecem a acontecerão no país. Espero que voces continuem nesta empreitada no sentido de coibir o quarto poder da república no seu desvio.

  5. Alessandro disse:

    O que o país precisa é de organizações jornalísticas públicas não estatais, nos moldes da BBC, uma mídia realmente independente de governos e políticos;

    organizações que pudessem inclusive receber contribuições financeiras individuais dos cidadãos.

    Informação de qualidade é um direito.

    Existem questões seríssimas a serem tratadas no país, mas a mídia tem se mostrado incapaz de ao menos tangenciá-las. Um horror …

    Então, fica nessa de ruminar escândalos, construídos sobre irrelevâncias absolutas.

    Claro que a mídia não é tudo. Mas esta que está aí tem desempenhado o papel de confundir a sociedade, deseducar e impedir a mobilização social.

  6. Adilson disse:

    Nassif,

    Seu blog está cada vez mais chique, pois o Tal Emanuel Cunha Lima deve ser o Ricardo Noblat, a Lúcia Hippolito, a Miriam Leitão, o Carlos Alberto Sadenberg, o Heródoto Barbeiro, o Markum, o Ali Kemel ou algum assessor do Ministro Gilmar Mendes.

  7. [...] há muito luta contra os excessos e desvios de conduta praticados pela imprensa brasileira. Nassif, em artigo publicado no seu site, apontou o dedo para a personalidade revanchista e imperialista da imprensa brasileira, sempre [...]

  8. chico.mg@uol.com.br disse:

    Esta imprensa a que o deputado se referiu, já foi devidamente batizada de PIG. Todos os dias, ouço o Juca Kfouri acusar Ricardo Teixeira da CBF, Eurico Miranda do Vasco, Carlos Nuzman do COB de roubos e falcatruas. No entanto, eles seguem sua vida normal, sem nem ligar para que o Juca fala.O problema é que o jornalista acusa e não tem as provas de suas acusações. É como chover no molhado. Passa como mentiroso. A propósito, Bernardo Kucinsky cancelou sua assinatura do jornal A Folha. Motivo alegado:” eles mentem”.
    Abraços.

  9. Juliano Guilherme disse:

    Aguardo que depois do Ciro e o deputado gaúcho, mais parlamentares resolvam defender a instituição de que fazem parte, do achincalhe sistemático da mídia. Tenham coragem e enfrentem suas chantagens. Porque um dia podem virar alvo também.
    Independente das pessoas em questão vejo isso como uma ameaça de um poder, o quarto, contra outro, o parlamento. Que por acaso, é a base da nossa democracia representativa

  10. Pedro Almeida disse:

    Os princípios da civilização francesa mostraram ao mundo o que fazer com os vampiros da população. De forma elegante, honesta, à vista de todos em solenidades de pompa e circunstância. O povo teve seu privilégio de participar dos momentos singulares e históricos para a mudança de paradigmas. Nosso herói Tiradentes acompanhou o quanto pode esses acontecimentos daqui do Brasil.

    Quando um político engendra formas ilícitas de enriquecer ele esta assassinando pessoas de baixa renda. Também destrói gerações que poderiam ter um futuro melhor.

    No entendimento geral, os políticos são responsáveis por estas calamidades. Inúmeras vidas ceifadas poderiam ser poupadas, os que agonizam nos corredores dos hospitais públicos poderiam receber atendimento dignificante e humanitário. Os médicos e funcionários apelidaram estas áreas onde predomina a situação caótica de “Pântano”.
    Nesses momentos todos nutrem alguma revolta e total perplexidade.

    Tornou-se corriqueiro nos dias atuais comentar a corrupção como se ela fosse endêmica e inevitável. A Constituição de 1988 proíbe a Pena Capital, mas a sociologia estuda o que acontece quando as multidões enfurecidas se agrupam. Necessário apenas o estopim, um fato catalisador que cause impacto ou comoção nacional. A Saúde Pública em nosso País precisa ser reformada com urgência. (As funerárias realizam lucros excepcionais, nunca se ganhou tanto dinheiro neste ramo.) Onde está a verba para a Saúde, para a Educação de Qualidade? Foi parar no bolso de quem? Em quais Paraísos Fiscais? Ilhas Jersey? Ilhas Cayman? Com Maluf, Celso Pitta, Newton Cardoso? Daniel Dantas? Banco Opportunity? Obras do Juiz Lalau?

    Não podemos esperar que somente a próxima eleição corrija todas as pendências de corrupção, por si só. Tem de haver pressão popular!

    Político corrupto deveria ser picado, queimado e apedrejado…(comentário popular)
    http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/comentarios/fraude_na_daslu_all-2.shtml

    Os direitos individuais não podem se sobrepor aos direitos coletivos.

    Óbvio que somente os comprovadamente culpados devem ser execrados. Outra questão é quem possui competência para julgar um ato de corrupção? Nunca deveriam ser investigados através de uma “CPI”, ato organizado pelos próprios políticos. Isto é tarefa para a Polícia Federal. Se a justiça condená-los, deveriam devolver aos cofres públicos o fruto de seus atos criminosos. A Prisão Perpétua já começou a ser aplicada no Brasil aos crimes do “Colarinho Branco”, (vide recente condenação da empresária Eliana Tranchesi a 94 anos de prisão por fraudes em importações, falsidade ideológica e formação de quadrilha.)

    Necessário organizar uma manifestação para punir severamente os que flagelam a população com seus golpes ao erário. Sendo então justificada a lembrança dos antigos “Patíbulos e Forcas.”, mesmo que simbólicos! Para que os políticos passem a se “lixar” com a opinião pública.

  11. Bruno Gonçalves disse:

    Não virou moda dizer que o Congresso é o reflexo da sociedade? Pois então, como é que alguém pode ter medo do julgamento do espelho?

    Este país já se tornou incapaz de ser examinado sob a ótica da filosofia política, que pressupõe, nos agentes do processo histórico, um mínimo indispensável de consistência, de realidade, de substancialidade. No Brasil de hoje tudo é simulação — numa medida jamais vista em qualquer outro lugar ou época da história –, e por isso os únicos enfoques possíveis para estudá-lo são o da psicopatologia social e o da criminologia: o primeiro porque as conexões entre os pensamentos e a realidade, entre a vida interior e exterior dos personagens, são puramente convencionais e imaginárias; o segundo, porque não há um só ato ou decisão dos agentes que não constitua de algum modo uma violação das leis do país, para não dizer dos princípios elementares da moralidade. No fundo, a simples existência de um país como esse já é uma imoralidade, talvez um crime.

    A vida pública no Brasil de hoje não pode sequer ser objeto de sátira, pois ela mesma é satírica, no sentido de que todas as falas e ações dos personagens têm duplo significado e os dois significados são igualmente ilusórios: aquele que o agente pretende impingir ao ouvinte ou espectador e aquele em que ele se baseia para se orientar no quadro daquilo que imagina ser a realidade.

    O atual enredo brasileiro é totalmente composto de auto-ilusões que se sustentam na base de ilusões secundárias criadas para ludibriar o próximo, mas que não raro acabam por persuadir o próprio agente, transformando-o em instrumento inconsciente daqueles a quem pretendia enganar.

    As ações aí obedecem rigorosamente à estrutura de um engano mútuo fundado num duplo auto-engano, multiplicando-se num efeito em espelho até a total impossibilidade de controlar — ou até de narrar — o fluxo dos acontecimentos.

    Nesse panorama, qualquer discussão de idéias, doutrinas ou programas de ação nunca é o que parece, mas também não é o que os produtores da comédia desejariam que parecesse, uma vez que eles não têm domínio suficiente da realidade para projetar um efeito previsível e acabam sendo eles próprios arrastados no jogo de fantasmagorias que criaram.

    É a apoteose da macaquice, que termina por macaquear-se a si mesma, na ilusão suprema de poder restabelecer contato com a realidade por meio de uma macaqueação de segundo grau.

    A coisa só não descamba em tragédia porque as ações são tênues, o território é grande e os contatos sociais são ralos e epidérmicos. Comprimido num espaço mais denso, esse jogo seria explosivo. O caos das consciências só não se transmuta em caos social porque os agentes são fracos demais para romper o quadro rotineiro da vida, que, na desorientação geral, continua o único guiamento possível e adquire uma autoridade quase divina, produzindo, como efeito colateral, o culto devoto da banalidade.

    Posted by Olavo at junho 2, 2003 10:39 AM

  12. Bruno Gonçalves disse:

    Os grotescos assolam o Brasil
    (Postado por Altavolt)

    No Brasil, devido a várias circunstâncias históricas e geográficas, temos o ambiente propício à proliferação dos grotescos.

    Na minha concepção, os grotescos surgem quando não possibilitamos a formação de verdadeiros cidadãos. Eles são os não-cidadãos. Criados no vácuo formado pela falta de boas políticas educacionais e outras deformações econômicas e sociais surgidas no Brasil desde o seu descobrimento e colonização. O Brasil atual é campo fertilíssimo para a procriação desenfreada de grotescos.

    E não pensem os leitores que os grotescos são apenas pessoas desprovidas de educação formal. Não, há um número altíssimo de grotescos pós-graduados e pós-doutorados que perambulam por várias esferas decisórias do poder constituído. Brasília é um centro irradiador de grotesquices, talvez o maior deles.

    Oligarquias e monopólios industriais também contribuem enormemente para a manutenção da grotesquice em nosso país. A grande mídia televisiva e escrita também tem os seus representantes pró-grotesquice que não fazem nada para melhorar os níveis de cidadania e consciência do nosso povo. Muito pelo contrário, há décadas que atuam apenas para garantir as benesses já conquistadas pela minoria mandante.

    Enfim, grotescos existem aos borbotões, e assolam as ruas, empresas, universidades, hospitais, ou seja, todas as instâncias e lugares desse enorme país.

    Atualmente, por onde quer que andemos, vemos demonstrações de toda sorte de grotesquices, seja pela falta de educação, seja pela ausência total de solidariedade com as outras pessoas, seja pelo egoísmo e pela mesquinharia. Basta tomarmos como exemplo mais gritante a conduta da maioria dos brasileiros no trânsito, onde o desrespeito a tudo e a todos grassa vergonhosamente.

    Temos muito a falar sobre grotescos e grotesquices, mas fica para outras oportunidades, pois o material infelizmente é farto e já foi objeto de um manual elaborado por esse seu criado. A minha intenção é abrir a discussão sobre esta realidade, que acredito afetar aos leitores tanto quanto a mim.

    http://stoa.usp.br/altamirrds/weblog/24497.html

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