É enorme a facilidade da mídia para impor julgamentos, condenações. O método é batido mas continua eficiente.
O primeiro passo é definir o que quer, se condenar o “bandido da vez” ou absolver o aliado. Aí, trata-se de demonizar o “bandido da vez”, como é o caso do tal deputado do castelo, ou demonizar o xerife, no caso do Protógenes.
Nem vamos entrar na análise das suas culpas, mas do método de manipulação jornalístico. O deputado deve ser julgado com isenção e, se comprovadas culpas ligadas ao mandato, ou crimes fiscais efetivos, que perca o mandato.
O que ocorreu, no entanto – e sempre ocorre em eventos estrambólicos, como um deputado quebrado dono de um castelo – é o julgamento sumário. Cria-se o carnaval e exige-se a punição. E aí entra o segundo deputado, o tal que deveria analisar o caso e, pressionado, informa que vai analisar de acordo com as provas, sem se submeter a pressões, e se disse “lixando” para a opinião pública ou do jornal.
O tal deputado gaúcho é santo ou demônio, tem reputação ilibada ou é suspeito, pouco importa. Ele só é relevante porque está analisando o caso do deputado do castelo e declarou que pretende analisar sem se submeter às pressões da mídia. Esse é o ponto central da questão. E quem ousa dizer que ele está errado? Fosse mais magistrado, e menos advogado, não fosse tão vergonhosamente parcial, Gilmar Mendes, o campeão dos direitos individuais do Daniel Dantas daria razão ao deputado.
A mídia nem quis saber se ele estava certo ou não nas suas declarações – e estava. Tratou de liquidar a questão sem entrar no mérito dela, simplesmente fuzilando a reputação do tal deputado. Vasculharam sua vida, tiraram da gôndola de acusações disponíveis o necessário e mandaram bala. Se a posição dele fosse outra, sua biografia poderia ser três vezes pior e ele seria poupado.
Veja, então, que a mídia se outorga o poder de selecionar qual a sua verdade e de fuzilar quem se meter no seu caminho. Apela de modo recorrente a esta prática da desqualificação da parte contrária. Quem for contra, quem for crítico, quem pensar diferente, é fuzilado, independentemente de estar certo ou não. Se não tiver faltas graves, fabricam-se.
Ora, não se está julgando o deputado mas sua posição no episódio. E, sendo bronco ou não, sendo dono de zona ou não, sua posição é a que mais está de acordo com as normas de direito individual. E a posição da mídia é a que mais se aproxima da selvageria dos julgamentos sumários.
A humanidade levou séculos para aprimorar princípios básicos de direitos individuais. São princípios de civilização. No entanto, o primarismo de alguns analistas pavlovianos leva a essa tese esdrúxula de que princípios devem ser aplicados nos Tribunais, porque juiz não foi eleito. Como político foi eleito, tem que abrir mão desses princípios e atender ao clamor das ruas. E por tal, entenda-se, a opinião formada pelo clamor da mídia. Conseguiram segregar até princípios básicos de civilização.
É de uma ignorância monumental. Parece a história de que só não pode beijo na boca. Leia mais »
O Ministro da Defesa Nelson Jobim defendeu a redução dos cargos de confiança na Infraero e disse não ter recebido pressões do PMDB, seu partido.
A propósito, nas últimas viagens que fiz, pela primeira vez deu para perceber a melhora na liberação de bagagens nos aeroportos, especialmente o de Congonhas. Durante anos fiquei sem entender como a Infraero – que montou seus primeiros programas de qualidade dez anos atrás – conseguia demorar tanto para liberar bagagens.
Ai vai a notícia da denúncia do Ministério Público contra o delegado Protógenes.
Algumas observações:
1. O ponto central das tentativas de anulação da Satiagraha – a colaboração Abin-PF – foi considerado legal pelo MP.
2. Protógenes é denunciado por ter permitido à Globo gravar o encontro e, depois, ter editado a gravação para tirar a imagem dos cinegrafistas – que se gravaram ao espelho. Pelas declarações do juiz De Sanctis, o vídeo não foi considerado como prova, o que afasta a possibilidade do tema ser invocado para anular o inquérito.
3. Protógenes é acusado de ter fornecido as informações para a Andrea Michel, da Folha. Formulei essa hipótese aqui. Posteriormente conversei com pessoas próximas ao delegado que me garantiram que, quando a reportagem saiu, ele ficou genuinamente enfurecido com um de seus superiores – a quem atribuiu o vazamento.
4. Se as acusações se resumem a isso, a tese da “república do grampo” vai por água abaixo. O que existia era o espetáculo midiático recorrente, que precisava ser coibido mesmo. Nem precisava de inquérito para comprovar.
Na sequência, mais numa das pesquisas preciosas do Stanley Burburinho, mostrando matérias com informações sobre o vazamento para a Globo, totalmente conflitantes com o inquérito da PF e a denúncia do MP.
Delegado nega ter passado informações à TV Globo e diz que não cometeu fraude na ação contra Dantas
DA REPORTAGEM LOCAL
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz foi denunciado ontem pelo Ministério Público Federal em São Paulo sob acusação dos crimes de vazamento de informação sigilosa e fraude processual durante a Operação Satiagraha.
Caso a denúncia (acusação formal) seja aceita pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Federal de São Paulo, inicia-se um processo penal contra o delegado, que foi afastado da PF por ter participado de um ato político.
Para a Procuradoria, o policial, que investigou o banqueiro Daniel Dantas, cometeu crime ao ter convidado produtores da TV Globo para filmar secretamente o encontro de um policial com dois intermediários de Dantas, que haviam oferecido propina para o banqueiro ser excluído do inquérito. Leia mais »
Leia o arquivo anexado de autoria do Roberto Mangabeira Unger (2009). Para instigar a leitura, cito o seguinte trecho: “(…) não há solução para o Brasil sem solução para o Nordeste. Quase um terço da nação vive no Nordeste. É nessa região que se concentram muitas das áreas mais pobres e das populações mais carentes do país. A renda per capita e a remuneração média do trabalho continuam substancialmente abaixo das médias brasileiras, ainda que algumas partes do Nordeste (como o cerrado do oeste da Bahia e do sul do Piauí) figurem hoje entre as áreas que mais crescem” (Grifo nosso, p. 6-7).
Não se faz necessário concordar com todas as linhas do texto, porém dificilmente se pode dizer que os problemas do Nordeste não têm nenhuma relação com o peso econômico do Centro-Sul. Enfim, Celso Furtado está vivo…
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Este produto (KC-390) tem tudo para repetir o sucesso recente dos E-Jets e dos jatos executivos da Embraer, pois estará chegando ao mercado na hora certa. A Embraer estima que até 2015 vários operadores do C-130 Hércules já estarão procurando seus substitutos e não haverá nada similar ao KC-390 no mercado. Quase todos C-130 ainda em operação estarão chegando ao fim da vida útil.
A última versão do Hércules ainda em produção, o C-130J, é relativamente caro para muitas Forças Aéreas (principalmente as pequenas), custando cerca de US$ 80 milhões. A Embraer estima que o preço do KC-390 fique na faixa dos US$ 50 milhões, além de apresentar desempenho superior ao C-130J em praticamente todos os parâmetros de vôo.
Vale lembrar que outros fabricantes já iniciaram estudos de projetos semelhantes ao KC-390 após o anúncio pela Embraer de estudos do seu projeto em 2007. Tem tudo para dar certo!
As declarações do deputado Sérgio Moraes não foram contra a opinião pública, mas contra a manipulação da mídia e contra as ameaças que recebeu de uma repórter de O Globo.
É importante ouvir o seu discurso (disponibilizado pelo Estadão) e depois conferir os ataques que passou a sofrer. Se não for chantagem, se não foi pressão espúria, não sei que nome dar.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.