A farsa incompleta da CPI
Por Guilherme Hanesh
Achei triste a CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas ter indiciado Daniel Dantas da forma como o fez. Não que eu não ache que ele mereça, muito menos que ele não tenha realizado nenhuma interceptação clandestina. Estou convicto de que ele grampeou, e muito. Mas é preciso ser coerente. Essa CPI é uma farsa, um factóide montado por uma revista que se perdeu entre o pântano e o cemitério e parlamentares da mais baixa estatura moral, com uma ou duas exceções.
O indiciamento, feito desta forma, é apenas para dar uma satisfação à opinião pública. MAs que opinião pública? Seus leitores, a blogosfera antenada sabe que essa CPI bateu no fundo do poço faz tempo, sem salvação. Melhor seria se tivessem indicado Protógenes e Paulo Lacerda também. Aí a farsa ficaria completa, mas pelo menos coerente.
A CPI não se deu ao trabalho de investigar nenhum fato concreto referente a interceptações clandestinas praticadas por Dantas. E não porque esses fatos não existam nem porque o sigilo da Operação Chacal permaneceu em pé. Bastava ler algumas das capas da Carta Capital de 2002 para cá, em lugar da Veja, e haveria toneladas de informação a se investigar, por exemplo.
O que a CPI fez fez apenas colher o depoimento de Paulo Marinho, que disse ter sido espionado (e de fato o foi, e a maior prova é que o grampo saiu publicado na Veja). E parou aí logo que pôde.
Depois disso, Itagiba tratou o espião Avner Shemesh como especialista em segurança, passou longe dos documentos que a Kroll entregou para a Brasil Telecom e, por que não dizer, não se deu ao trabalho de apurar o que é fato e o que é invenção das investigações italianas que Dantas tanto quer trazer para o Brasil.
Itagiba permitiu a Dantas, enfim, fazer suas ilações e jogar lama em cima da Polícia Federal, Ministério Público, Abin etc sem ao menos confrontá-lo, sem expor as inúmeras contradições, sem showzinho de PowerPoint, entrando (orquestradamente ou não) em um jogo de cena que, certamente, só favoreceu ao Opportunity e à batalha pessoal de Itagiba contra Paulo Lacerda.
O indiciamento que a bem-intensionada deputada propõe não melhora em nada a imagem da CPI. Ao contrário, só expõe a incompetência e/ou má-fé do presidente Itagiba e do relator original, Nelson Pelegrino, na condução dos trabalhos. Dá espaço, enfim, para Dantas se colocar no papel de vítima e perseguido por todos e continuar com a sua farsa.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Política Tags: CPI, Daniel Dantas, Marcelo Itagiba, Satiagraha

Com sempre. Faktar a CPI relacionar tudo que Dantas teria roubado e quais os receptadores para os quais tenha vendido algo. Assim, como os documentos da justiça americanas acho bons por indicar ser possível condenar Dantas e o da italiana também, por condenar os mais bandidos dos bandidos, que é quem faz negócio com possível bandido.
Essa CPI não faz o menor sentido. Nem como farsa. É pura manisfestação de um poder que está se extinguindo. O da Veja pautar o país. Patético
Deu na folhaonline “Serra descarta pânico”. Serra foi até coerente na explicação da cripe suína. Convoca a imprensa para falar que São Paulo está preparado e coisa e tal. Nassif, esta entrevista tem que entrar para o rol de assunto irrelevante. Isto é preparação para ser colocado no horário eleitoral gratuíto em 2010, não tenho dúvida. Preparem as armas que 2010 já começou e promete. A imprensa oficlal do Serra vai fazer de tudo e inimaginável para elegê-lo.
“cearenseinvocado 22:12
Como é que um cristão tão azarado deste conseguiu sobreviver até hoje?”
Ele é judeu.
Existe …..eles acederam velas e receberam $$$ para/do Diabo…..agora estão tratando de acender …(quero continuar com seu voto!!!) para a a opinião pública ou a voz de Deus…..
Acaba que, acusar Dantas no relatorio, sem relatar as provas para tal, pode levar o MPF a excluir o banqueiro das acusações. Mas é exatamente isso que a CPI quer. Itagiba jamais acusaria Dantas pra valer.
Como se exigir credibilidade de CPIs, se seus membros não a possuem? As CPIs são instituídas mais para atacar opositores do que para se apurar ilícitos. As irregularidades só assim são consideradas quando praticadas por quem perdeu eleições ou foram alijados das partilhas das negociatas.
Não obstante todo o aparato estatal, exceto o ministério público que goza de grande credibilidade, quem continua colocando em pratos limpos e desvendando ou publicando interesses inconfessos, ainda é a imprensa. Principalmente a blogueira. Apesar da grande quantidade de advogados e autoridades públicas, os jornalistas (sérios) continuam sendo essenciais para desmascarar as farsas, minimizar as injustiças e melhorar a sociedade que ainda temos que construir.