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04/05/2009 - 09:34

O diretor de escola paulista

A Folha traz entrevista de Fábio Takahashi com o diretor da melhor escola da rede estadual de São Paulo no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) – e 2.596o entre todas.

Sua avaliação: ” Governo do Estado só me atrapalha”, assim como a politização na eleição dos diretores.

Trechos principais da entrevista com Camilo Oliveira:

FOLHA – Por que a escola teve a melhor nota da rede no Enem?
CAMILO DA SILVA OLIVEIRA – É um trabalho de 22 anos, que resistiu a sucessivas trocas de governo e de secretários.

FOLHA – No dia-a-dia, o que a sua escola tem de diferente?
OLIVEIRA – Um eixo pedagógico, o rol de conteúdos [currículo], uma sequência de conteúdos. Fui pesquisar, porque o Estado não tinha subsídio para isso. Pesquisei escolas particulares e vestibulares de ponta. O Estado nem desconfiava desse rol. E hoje, 20 anos depois, ainda nem desconfia [o currículo começou a ser implementado na rede estadual em 2008]. Cada governo tem um modismo. Por exemplo, se fala em escola de tempo integral quando a escola não consegue funcionar quatro horas diárias [excesso de aulas vagas].

Tem também o projeto de informática, uma bobagem. Se tenho 17 máquinas e 40 alunos, o que os outros 23 ficarão fazendo? Posso bolar um esquema para fora do período, mas sem achar que irá melhorar a qualidade de ensino.

FOLHA – O sr. então tem uma escola que não segue a rede.

OLIVEIRA – Aqui é uma escola maldita, que vai contra os modismos de cada secretário. Depois da Rose Neubauer [gestão Mario Covas], em que as escolas perdiam aulas para treinamento de professores em horário de serviço, veio um que nem sabe o que é rol de conteúdos [Gabriel Chalita, gestão Geraldo Alckmin]. A escola, que já não funcionava, ficava uma semana em feira de ciências ou excursões para zoológico. Melhora o ensino? Vi que era fria e tirei a escola disso. No governo Serra, temos o terceiro secretário em dois anos e meio. Se o meu projeto dependesse do governo, estaria esfacelado. A menina do Mackenzie [Maria Lúcia Marcondes Carvalho Vasconcelos, primeira secretária da gestão José Serra] era bem intencionada, mas não conseguiu nada. A segunda [Maria Helena Guimarães de Castro] eu respeito porque sabe que escola é avaliação. E sabe que para avaliar precisa de um rol de conteúdos. Mas teve problemas de gestão. Por exemplo, a prova de temporários era uma boa ideia. Mas a implementação foi péssima, sem preparo jurídico, o que melou o sistema. Ou seja, o governo não tem a menor ideia do que fazer com as escolas. Deveríamos nos preocupar com o que realmente interessa, que é a aprendizagem dos alunos. Depois se acerta a burocracia. Hoje, os diretores ficam mais preocupados com as atinhas, e o aluno não tem aula. É uma inversão. É triste, porque se é esse caos em São Paulo, imagina nos outros Estados. Nem as universidades conhecem a rede. Ganhei da Escola de Aplicação da USP [que ficou em 3.293º lugar no ranking nacional], por exemplo. E a esquerda até hoje acha que a democracia é o principal debate para a escola. Você pega o PT, eles estão discutindo eleição para diretor de escola. Uma bobagem. Deveria pegar os melhores quadros para dirigir a escola. Isso aqui não é sindicato. Estou me aposentando e não vejo caminho. A escola pública vai continuar dependendo de talentos isolados. O Estado só atrapalha. Aquelas que seguiram a linha, se esfacelaram.

FOLHA – O sr. sofre retaliações?
OLIVEIRA – Nenhuma. Conheço o ofício. Os pais sabem que essa escola funciona, daí vem o apoio. No começo, senti pressão. O supervisor vinha e falava: “Como não vai mandar os professores para formação?”. Eu dizia: “Vou chamar a imprensa e explicar que os alunos vão ficar sem aulas.” Eles desistiam de me pressionar. Mas era um sobressalto constante.

FOLHA – Como o sr. avalia o corpo docente da sua escola e da rede?
OLIVEIRA – Aqui o pessoal é qualificado. Gente da USP, PUC, do Mackenzie. É uma nata que gostou do trabalho. Aqui se consegue dar aula, raridade na rede. Foi uma seleção natural ao longo dos anos.

FOLHA – Quanto ganham seus professores?
OLIVEIRA – Os mais novatos, com cinco anos de experiência, uns R$ 1.700, a média do Estado. Eu sou um diretor de 30 anos, que vai se aposentar na casa dos R$ 3.000.

FOLHA – Há pesquisas que mostram que o salário da rede estadual paulista não é ruim. O sr. concorda?
OLIVEIRA – Em cidades do interior, o salário de professor é o maior da cidade. Mas o Estado deve atrair melhores quadros. O salário não é compatível.

FOLHA – Como o sr. avalia a estrutura física da sua escola?
OLIVEIRA – Não consigo uma reforma porque não participo das reuniõezinhas, não vou lá ficar bajulando. Eu percorria gabinete de deputado para pedir reforma. Desisti. É indigno para um diretor.

FOLHA – Qual a principal ação para melhorar o ensino público?
OLIVEIRA – Gerência. Precisa ser técnica, trabalhar currículo, diagnóstico. Até trazer gente da iniciativa privada. Ou colocar os diretores das melhores escolas na gestão do sistema.

FOLHA – O que o sr. acha do novo secretário, Paulo Renato Souza?
OLIVEIRA – Tenho simpatia pela trajetória dele. Mas ele se tornou político. O problema é saber se o objetivo dele é eleger o Serra presidente ou melhorar o ensino. Se ele chegou apenas com visão política, as escolas vão seguir esfaceladas, sem conteúdos. Ele vai ser mais um.

Por Rafael Garcia Barbastefano

Esta entrevista deveria receber uma moldura. Sou chefe de departamento de Engenharia de Produção do CEFET/RJ e sinto a mesma coisa todos os dias. O estrago de anos de ações de pedagogos insanos na educação básica começa a trazer suas mazelas para a educaçao superior. A educação brasileira precisa é de gente dedicada e trabalho duro, não de inovações malucas saídas da cabeça de pessoas que nunca trabalharam de fato na educação.

Por Gustavo Cherubine

Nassif, a semana promete.

Da agência estado de hoje.

Realmente, Nassif, é preciso divulgar isso. Não ficarão impunes tais posturas políticas.

Abraços, Gustavo Cherubine

“Antes, você não via nenhuma criança nas ruas durante o fim de semana. Agora, elas ficam chutando latas ou brigando.”

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,publico-de-eventos-dos-ceus-cai-42-na-gestao-kassab,365064,0.htm

São Paulo
segunda-feira, 4 de maio de 2009, 09:06 | Online
Público de eventos dos CEUs cai 42% na gestão Kassab

Por mês, frequentadores das escolas passaram da média de 165 mil, na gestão Marta, para 96,4 mil, atualmente
Bruno Paes Manso – O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A quantidade de pessoas que assistiu a sessões de cinema, peças de teatro, eventos musicais e outras atividades culturais nos Centros Educacionais Unificados (CEUs) de São Paulo diminuiu 42% na gestão do prefeito Gilberto Kassab (DEM) se comparada à frequência ao longo da administração de Marta Suplicy (PT). A queda de espectadores ocorreu apesar da ampliação da rede – de 21 para 42 unidades.

(continua nos comentários)

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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100 comentários para “O diretor de escola paulista”

  1. duvidoso disse:

    Acompanho a carreira de minha mãe, que foi diretora e supervisora de ensino. Concordo com tudo que o entrevistado disse. Há muitos diretores competentes e interessados no ensino. Porém estão dispersos e não tem voz no sistema.

    Agora um ponto que não muito discutido. Um diretor de 30 anos de carreira, que pode ter 500 alunos sob sua responsabilidade e que tem que gerir dezenas de professores, se aposenta com R$ 3.000,00!!

  2. Mauricio Cesar Airolde disse:

    De fato não existe uma política educacional definida no Estado de São Paulo. Mas como professor não posso deixar de manifestar minha indignação com o descaso do governo em relação à categoria. Passamos por mais uma data-base e nada de aumento. O salário médio de R$1700,00 não é o que os educadores querem ou merecem. Acompanhe o cotidiano de um professor, que geralmente tem jornada dupla, além das atividades que é obrigado a levar para casa.
    UM LEMBRETE: Por que a mídia não fala nada sobre os desvios de verbas da merenda nas escolas de São Paulo?

  3. Alexandre disse:

    Eu sei Nilson, o meu raciocínio considerou a percepção do eleitor com filhos na escola pública, e o efeito da péssima formação na hora da inserção no mercado de trabalho. Ainda assim eu não deixo de ser otimista, se olharmos o quadro de duas decádas atrás e além, onde boa parte da população não sabia assinar o próprio nome, a situação melhorou. Claro que a percepção de quem estudou em bons colégios e teve uma formação adequada é de total desânimo, não é fácil olhar algumas provas de alunos do 3 ano do atual ensino médio e perceber que na 3 série do primário já escrevíamos e interpretávamos textos bem melhor, mas há de se considerar que, enquanto 40% ou 50% das crianças tinham acesso a uma educação de melhor qualidade que a atual, 50 ou 60% nunca entraram numa escola.

  4. Lendo essa reportagem lembrei do meu período de 5. a 8. série a partir de 1980 na Escola Estadual Professor Nilo Brandão em Curitiba.
    Tinhamos um diretor linha dura que priorizava o comportamento e o desempenho dos alunos, a escola era um brinco porque cada aluno era responsável pela sua carteira e olha que haviam dois turnos. A escola era muito conservada e era modelo na capital. Os professores eram dedicados e gostavam de dar aula e do local. O diretor Antonio Moreno Martins era considerado um autoritário. Uma decada depois 1990 e a influência da abertura da democracia acharam que a escola deveria seguir ter eleições para diretor. Ocorreu que a qualidade do ensino não era mais a mesma e as depredações apareceram. Quando vou lá fico chateado. Do meu tempo alguns engenheiros da qual me incluo, médicos, administradores, matemáticos e muitos profissionais foram bem encaminhados.
    Acredito que na opinião do professor de São Paulo eleições para diretor é uma furada e demagogia. Esse cargo é para competente e longo prazo.

  5. gepeto disse:

    Discordo do “imagina os outros”. O ENEM mostrou as melhores escolas publicas (media) no rio grande do sul, que é tradicionalmente bem avaliado.
    Sao Paulo não é mais referencia de efeito manada (os outros seguem) e nem a elefanta matriarca (memoria e inteligencia). Pelo contrário.

  6. Chico Pedro disse:

    Pouquíssimos sabem o que fazer com a educação.

    Essa sim é a grande verdade. Nunca foi prioridade para nenhum governo.

    Pensei que seria uma espécie de carro-chefe do Lula. Não foi.

    Apesar das melhoras.

    Todos os dias em direção ao trabalho vejo crianças indo para a escola.

    Melhor: vejo crianças pobres caminhando para as escolas.

    As de classe média prá cima eu só vejo as cabeças…Porque vão de carro.

    A sem vergonhice já começa aí.

    Sete horas da manhã saem de casa e andam um km e meio a dois.

    Onze e meia já voltam para casa. Nâo recebem café-da-manhã nem almoço.

    Como podem aprender assim…?

  7. Li a notícia aqui no blog e logo me veio à cabeça: “Professor Camilo deve dirigir uma escola na Vila Mariana ou em qualquer bairro da elite branca – lá é fácil…”. Chequei a matéria na Folha. A escola d’O Cara é em TABOÃO DA SERRA. Isto só reforça o mérito! Parabéns Professor Camilo!

    Cheguei a tentar lecionar, em 2008, na rede pública de São Paulo – escola da prefeitura, aprovado por concurso, em ótima classificação.

    O diretor de minha primeira escola da periferia (lá em São Mateus) era 100%, bem como sua equipe e demais professores.

    Não consegui transmitir o que deveria aos adolescentes. Era o início de um trabalho mas também por isso logo desisti.

    Além desta “minha culpa” houve motivo maior para a tomada de decisão.
    A outra escola, para onde fui removido – quase ao lado de minha casa, no Cangaíba.

    A diretora simplesmente não me chamou para conversar, não “perdeu seu tempo” para explicar como seria na escola, nem para me ouvir. Assim, imaginei que seria impossível fazer um trabalho legal com os alunos, especialmente se eu precisasse de algum apoio da direção.

    Quem sabe na escola do Prof. Camilo poderia ser diferente; ao menos bom como era na escola lá de São Mateus.

    Todo mundo fala que o professor é mal preparado. Sugiro então, que depois de dar posse a um professor, seja feito com ele um trabalho de aproximação. Que a escola não coloque sob sua responsabilidade as classes mais difíceis, muito menos uma série de salas ao mesmo tempo. Entendo que seria preciso um trabalho de alguns meses como ADJUNTO, depois a atribuição de uma única sala, paralelamente. À medida que o trabalho começasse a dar certo, fossem atribuídas mais aulas. Quem sabe assim, não teríamos tantos pedidos de exoneração publicados diariamente no Diário Oficial.

    O plano de carreira de nossa prefeitura, graças à Erundina, é bem melhor do que o do Estado. Vergonhoso o salário do professor, na rede do estado mais rico do país!

    No mais, infelizmente, EM REGRA, vivemos ainda com a política de que é preciso apenas deixar o aluno no ensino fundamental por alguns anos – se ele aprender, ótimo; se não….

  8. luiz gor disse:

    coitado é do reporter.vai ser cobrado pelo otavinho e pela renata.ofendeu os tucanos

  9. Isabella disse:

    Aqui no MS, o governador entrou com ADIN contra 33% da carga horaria do professor ficar reservada a hora atividade fora de sala. O governador chamou os professores de VAGABUNDOS, disse que na era do google ninguem precisa de tanto tempo pra preparar aula, imagina ele medico precissasse de estudar antes de uma cirugia. Ameaça diretores, falta merendeira, serventes nas escolas….aliás minha tia dá aulas ai e passou o feriado contabilizando as dificuldades com minha irmã ( que dá aulas aqui no MS, é de dar dó). Pra terminar esse ano aumentaram o n de alunos por sala 1 e 2º anos 32 alunos, do 3 ao 5º 35 e demais 40. A sala da minha irmã uma 1º ano ( alunos de 5 a 6 anos) são 40, mas só pode dividir a sala se chegar a 45, hoje ela já esta exasta ñ da conta de auxiliar todos sozinhos, vai acabar doente e me disse que o sindicato é inoperante ( espero ter escrito certo)…cade o lula que ñ ve isso e poe comercila que tudo vai bem….Isabella 7 ano de escola estadual de MS. Capital

  10. Rogério disse:

    Concordo completamente com o comentário de Rafael Garcia Barbastefano.

  11. Dimas disse:

    Naturalmente que o diretor foi muito simplista nas suas colocações. Possivelmente ele encontrou um corpo docente diferenciado pois o que ocorre no ensino de maneira geral é uma seleção às avessas.
    Discordo daqueles que acham que o professor deve ser bom independente do salário. Isso não ocorre em nenhuma profissão e o professor não é um ser diferente.
    Sou professor em uma escola pública do Estado em que o professor é tratado como operário e se pensa que ensinar é produzir objetos de consumo: temos o ponto cortado por 5 minutos de atraso.
    Além da incompetência generalizada no gerenciamento da Educação há um aspecto não abordado: o que fazer com os que não querem aprender?
    Isto é uma constante e qualquer professor sabe. Foi realizada uma pesquisa recente onde este número atinge quase metade dos estudantes. Acrescente-se que estes que não querem aprender atrapalham os que querem.
    Um outro aspecto: o professorado é uma das categorias com maior índice de disturbios mentais e é natural a quantidade de faltas até porque não há como suportar o desgaste de uma sala de aula sem contar que o dia de um professor vale quase nada.
    O profissional com quem trato os dentes me cobra 330,00 reais por uma seção de não mais que 40 minutos enquanto que como professor percebo 10 reais por hora.
    É essa pouca vergonha que muitos querem esconder sob palavras como “missão”, “sacerdócio” e outras formas de hipocrisia.

  12. Wender disse:

    Cada vez mais o governo estadual tira a autonomia dos professores e mecanifica o ato de ensinar a escola é uma fabrica de trabalhadores que não tem nenhum compromisso com o aprendizado do aluno.

  13. José Carlos disse:

    Ser professor é uma coisa sem futuro mesmo, o cara diz que não deixa os professores se qualificar e recebe o mérito da Escola está se dando bem. A escola só é boa quando tem bons professores. Diretor, como disse o entrevistado, pode ser qualquer um até indicado por políticos..

  14. João A. disse:

    R$ 1700?

    Realmente não é tão ruim em SP. Aqui em Goiás, o governo estadual custa pagar o mínimo constitucional (R$ 465). Para pagar o novo piso salarial dos professores vai demorar…

  15. luiz claudio disse:

    nao sou professor, mas minha mulher leciona a 24 anos e sei muito bem o quanto ela passa numa sala de aula, pois o enfretamento dos alunos e um absurdo apos o estatuto da crianca e adolescente, nao e como no meu tempo de estudante onde ate os faxineiros da escola eram respeitados e nao cacoados, educacao como disse nosso nobre diretor infelismente e tratada por vaidades politicas de gente que nunca lecionou e muitas vezes nunca trabalhou na direcao de uma escola. Parabens diretor, se tu tivesses em Santos provavelmente minha mulher e eu iria conhecer-te, pois tu es uma execao a regra.

  16. Cremilda Dentro da Escola – http://cremilda.blig.ig.com.br
    e-mail: cremildateixeira@ig.com.br

    30/04/2009 08:20

    Mais um ditadorzinho na escola de Taboão da Serra

    A divulgação das notas do Enem revela o mapa da exclusão escolar e também desnuda vários diretores aprendizes de ditadores.
    As escolas autoritárias já estão cacarejando os seus “bons resultados”, numa completa manipulação para enganar a sociedade brasileira… Tem até diretorzinho-ditadorzinho estufando o peito e dizendo: “A democracia não se aplica ao ensino. Os alunos têm que aprender a ter disciplina” (in “Melhor Escola tem diretor durão”, Jornal Agora São Paulo, 30/04/2009).

    Como toda organização autoritária, a regra é esconder os dados mais relevantes. Por exemplo: não cita o nível sócio-econômico dos alunos, não fala dos alunos que fazem “cursinhos particulares” e nem tampouco fala dos alunos que só tem suas dúvidas esclarecidas em casa e não na escola…

    A imprensa deveria comparar as notas do ENEM com outras notas e indicadores (Saeb, Idesp etc).
    A EE Professora Lucia de Castro Bueno teve nota 4,42 na 3º série do ensino médio (IDESP 2008 – veja aqui)… mas apenas 29 (!) alunos fizeram a prova…
    Já no caso do ENEM, A escola teve a participação de 141 alunos, de um total de 432 matrículas…

    O Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública sempre alerta que o ENEM não serve para dizer quais são as melhores ou piores escolas, pois além de não ser uma prova obrigatória para todos os alunos, ainda tem professores que desestimulam os alunos mais fracos a prestarem o exame. Essa distorção dos resultados impede que seja feito um ranking.

    continua…

    Postado por Mauro A. Silva
    enviada por Cremilda

  17. Ricardo disse:

    Olá,
    Com todo o respeito ao professor Dimas, mas tem algumas opiniões suas com as quais não concordo:
    1 – Acho que um profissional, de qualquer área, tem que ser bom o quanto pode e queira sê-lo, independentemente do salário. A alternativa é ruim: quando que um profissional que “modula” sua competência de acordo com o salário que recebe vai se realizar profissionalmente? Claro que ninguém vive só de “liturgia profissional”, mas para que então esconder o erro da escolha da profissão alegando insatisfação financeira? Eu adoro minha profissão, sou dedicado e mesmo assim fico bastante a vontade em me declarar um insatisfeito com meus rendimentos.
    2 – Tratar um professor como “operário” não é desrespeito nenhum. A menos que os operários sejam uma classe inferior de trabalhadores. Acho qualquer atraso desrespeitoso. Vale para o consultório médico, para uma reunião, encontro, etc. Pior ainda são os casos onde nem se pede desculpas pelos atrasos. No caso dos professores de escola pública, é desrespeitoso não com o estado que lhes paga, mas com os alunos que os esperam.
    3 – Sobre os alunos “que não querem aprender”, a alternativa aqui pode ser amarga: que tal dispensá-los de suas presenças? Abone as faltas destes e livre os outros das presenças incômodas. O sistema já não permite a aprovação automática? Falando sério, em qualquer país civilizado o baixo aproveitamento de qualquer aluno é tratado, antes de tudo, como um problema da escola em geral e dos mestres em particular. Só depois de esgotados todos os recursos motivacionais e todas as tentativas de inserção dos problemáticos ao grupo é que se “joga a toalha”. Não sem antes envolver a família, etc. Claro que estamos falando de países onde existe um curriculo básico comum a todas as escolas, onde há estruturas sociais que funcionam, etc. Mas isto serve para nos mostrar o quanto ainda temos que caminhar.
    [ ]´s

  18. Mauro A Silva disse:

    A covardia da Folha e a sua defesa da ditadura escolar

    A reportagem da Folha de São Paulo não causou surpresa. Para quem acha que a ditadura militar foi “branda” e publica uma falsa ficha policial na primeira página, não é surpresa elogiar um diretor autoritário que não acha importante a democracia na escola pública.

    A ditadura escolar seria cômica, se não fosse trágica
    O jornalista Fabio Takahashi entrevistou o diretor-autoritário da EE Lúcia de Castro Bueno e escreveu uma frase que é uma verdadeira piada de mau gosto: “Camilo Oliveira, diretor da melhor escola estadual de SP no Enem…” (in “Governo do Estado só me atrapalha”, Folha de São Paulo, 04/05/2009).
    - Dos 132 alunos matriculados na 3ª série do ensino médio, apenas 38 fizeram a prova do ENEM…
    - Dos 32 alunos do 3º do ensino médio regular, apenas 21 fizeram a prova…
    Qual seria a nota da escola se todos os alunos fizessem a prova?

    A grande mentira propagada pela Folha de São Paulo
    Além de piada, é uma desinfomação e má prática jornalistica utilizar a nota de apenas 21 alunos para dizer que a EE Lúcia de Castro Bueno (Taboão da Serra-SP) é a melhor escola estadual de SP…
    A nota média da escola é 52,11… (tem que incluir também os alunos da Educação de Jovens e Adultos. Ou estes alunos não estão sob a direção do diretorzinho-ditadorzinho?)
    Mas o jornalista comete a fraude de escolher apenas a nota de 21 alunos dos 132 matriculados na escola!
    Bastaria uma simples comparação entre as escolas estaduais “melhor colocadas” para constatar a enganção que é feita na EE Lúcia de Castro Bueno. Vejam que nas outras escolas é grande o número de alunos matriculados e dos que prestaram o ENEM:
    - EE Rui Bloem: 568 matriculas; 407 participantes no ENEM; nota média: 55,46
    - EE Alberto Levy: 740 matriculas; 203 participantes no ENEM; nota média: 52,17
    - EE Antonio Alves Cruz: 349 matriculas; 73 participantes no ENEM; nota média: 52,29
    - EE Brasilio Machado: 334 matriculas; 194 participantes no ENEM; nota média: 52,42
    Será que os “21 melhores alunos” da EE Lucia Castro Bueno têm notas maiores do que as notas dos 21 “melhores” da EE Rui Bloem? ou da EE Alberto Levy? Ou da EE Brasílio Machado?
    Observação importante: Estas escolas da capital também são autoritárias e excludentes, mas não têm a audácia de papaguear sua ditadura na imprensa…
    Como é que um grande jornal como a Folha permite uma publicação totalmente enganosa? Como é que se pode qualificar uma escola como a “melhor escola” sabendo-se que esta escola tem apenas uma classe com alunos da 3ª série do ensino médio? E esta classe tem apenas 32 alunos!!! E somente 21 deles fizeram o ENEM…

    Viúvas da Ditadura
    Já que o jornalista Fábio Takahashi e a Folha de São Paulo não escolheram a EE Lucia Castro Bueno pelo seu “bom desempenho acadêmico”, podemos inferir que a escolha foi para fazer propaganda do seu diretor-autoritário e sua língua-solta contra o Estado Democrático de Direito.
    A EE Lucia Castro Bueno é tristemente famosa pela exclusão praticada contra os alunos mais fracos e pela disciplina militar (não pode usar boné e nem cabelos compridos)…
    A crítica do diretor – contra governadores democraticamente eleitos – é típica de quem foi formado na ditadura militar e está saudoso dos tempos do “prendo e arrebento”, quando não havia eleições diretas e nem mesmo garantiam-se o acesso e a permanência de todos os alunos em escolas públicas gratuitas.

    Manual de Redação da Folha é “prá inglês ver”
    O Grupo Folha sempre fala no seu “famoso” Manual de Redação, o qual deve ser seguido por todos os jornalistas, para garantir um jornalismo de qualidade e blá blá blá… Mas isto é para “iglês ver”. Vejam um dos verbetes do Manual que certamente não é cumprido:
    exatidão – Qualidade essencial do jornalismo. A credibilidade de um jornal depende da exatidão das informações que publica e da fiel transcrição de declarações. Para escrever reportagens exatas, não menospreze os detalhes. Seja obsessivamente rigoroso. O jornal tem obrigação de publicar apenas informações corretas e completas.
    Outro “verbete” que a Folha constantemente ignora:
    opinião – O jornalista deve se abster de opinar ou emitir juízos de valor ao relatar um fato ou redigir uma notícia. O jornalismo crítico não depende da opinião de quem escreve: o simples registro ou confronto de dados, informações e opiniões alheias pode ser muito mais contundente que a opinião de um jornalista. Quando uma notícia envolve opiniões divergentes, o jornalista tem obrigação de relatar essas diversas versões ao leitor.

    Com a palavra o Ombudsman da Folha
    Tanto a Redação da Folha quanto o seu ombudsman foram devidamente e antecipadamente alertados sobre a enganação escolar que é feita na EE Lucia Castro Bueno. A Cremilda Estella Teixeira, presidente do NAPA (Núcleo de Apoio a Pais e Alunos), esteve presente na escola no mesmo dia da “entrevista fajuta” feita pelo jornalista Fábio Takahashi, o qual não quis ouvi-la e nem mesmo ouviu aos alunos que facilmente poderiam apresentar uma versão diferente da versão do diretor-ditadorzinho.
    Esperamos que o ombudsman da Folha cobre uma retratação do jornal e que sejam eliminados todo tipo de apologia à ditadura, até mesmo para evitar que milhões de crianças sejam diarimente, humilhadas, xingadas e agredidas fisicamente e até sexualmente nas autoritárias e impunes escolas públicas brasileiras…

    Veja também:
    - 30/04/2009 – QUEM TEM MEDO DA DEMOCRACIA?
    - 30/04/2009 – Mais um ditadorzinho na escola de Taboão da Serra
    - Confira o desempenho de todas as escolas de São Paulo no Enem 2008 (Portal Estadão)
    - Enem 2008 – Notas Médias por Escolas dos Concluintes do Ensino Médio. (Portal INEP)
    - Jornal da Tarde defende ditadura nas escolas públicas
    - Alunos fantasmas? Ou escolas corruptas?

    Postado por Mauro A. Silva – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
    http://www.geocities.com/coepdeolho

  19. Carol Baggio disse:

    Sou jornalista com formação em Magistério e não fiquei abismada com a entrevista do Sr. Camilo, pelo simples motivo de ter vivenciado, na prática, durante 4 anos, o descaso do governo paulista com a formação de professores – ora, se na hora de formar aqueles que vão ‘ensinar’ não se vê comprometimento, o que dirá com os aluninhos pobres que frequentam as salas de aulas, em sua maioria em condições precárias?

    Durante 4 anos, fui aluna do projeto CEFAM Campinas – já extinto, seguindo as regras de que cada governante impõe seus modismos.
    No Centro de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério, tínhamos aula em período integral, com matérias que contribuiam para a formação humanística e variada que um professor deve ter. Para ficarmos na sala de aula o dia todo, era prevista uma bolsa de estudos de 1 salário mínimo e aí, claro, vivenciei ‘n’ situações de atraso de bolsa, além de outros problemas estruturais, como ausência de professores e inclusive a falta de prédio para estudar!

    Para minha sorte, essa experiência me tornou muito mais consciente da necessidade de uma educação de qualidade – a bandeira que carrego com paixão no jornalismo. O mais triste é que, assim como eu, grande parte daquelas meninas desistiram do sonho de ser professoras depois de vivenciarem a dura realidade das salas de aula do ensino público.

    Por isso, Sr. Camilo, sua entrevista não me surpreende. Mas é com ternura que leio que o Sr. teve coragem de seguir em outra direção – que o seu exemplo sirva de guia para outros diretores por aí.

  20. novais disse:

    Adorei a entrevista do professor Camilo, sobre a qualidade do ensino de sua escola.
    O compromisso com a educação, o respeito que demonstrou com seus professores e alunos foi maravilhoso.Sei que não foi fácil em lidar com todos os problemas existente na educação durante todos esses anos que o senhor enfrentou, mas o reconhecimento dos pais com o seu trabalho, foram digno por sempre ter acreditado na boa educação.
    Tenho certeza que alguem no meio educacional irá reconhecer o seu trabalho .Boa sorte!

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