não sei se já teve algum post sobre o fabuloso Django Reinhardt (1910-1954), esse guitarrista cigano que praticamente fundou o jazz francês na companhia de Grappelli – no então Quinteto Hot Club em Paris (1934). Depois de um dia puxado de trabalho nada melhor do que chegar em casa, ligar o som, fechar os olhos e ouvir a fluidez insinuante e cristalina do Jazz Manuche do Django. Leia mais »
Não engulo esta onda moralista sobre a suposta “pornografia” dos textos dos livros didáticos paulistas. Já li um abobado chamando Manoel de Barros de pornográfico, cruzes.
Episódio semelhante aconteceu em Porto Alegre, na primeira prefeitura petista, que apoiou a publicação de uma excelente revista em quadrinhos (Dum-Dum) e levou pau da direita que julgava a revista indecente.
Agora é a esquerda que bate em Serra por causa de uma frase de um poema de um livro “não ame, estupre”. Não li o livro mas me parece que o contexto da frase era o da ironia. Frases pinçadas de Hamlet ou Macbeth podem parecem pornografia ou incitação ao crime.
Este discurso moralista é assustador, é o que a esquerda tem de pior.
Nassif, meu trivial de hoje vai para os livros didáticos distribuídos na rede pública de ensino de São Paulo, considerados “inadequados” para as crianças. E vai no verso:
O PORNÔ NO ABC
Sem dúvida, a educação
No Brasil anda atrasada
Com exceção de São Paulo
Que é moderna e avançada
Pois lá se ensina poesia
Usando a pornografia
Nos livros da criançada
O Estado de São Paulo
Inovando no ensino
Distribuiu com as crianças
Livro impróprio pra menino
Que ensina a odiar
Usar droga e estuprar
E tudo que é desatino
Alertado pelos pais
Alguns foram recolhidos
Foi aberta sindicância
Para apurar o alarido
Agora é pagar pra vê
Se a grana vão devolver
E o responsável punido
A nossa América do Sul
No livro de geografia
No mapa que consta lá
Nenhum geógrafo sabia
Bolívia, igual Paraguai
Paraguai, no Uruguai
E o Equador, nem se via
Criança de nove anos
Lendo contos de orgia
Não vai querer aprender
As regras de ortografia
E com os mapas errados
Nem alunos aplicados
Vão aprender geografia
No livro de conto erótico
O vilão termina herói
Já tem criança esperando
No próximo ano a playboy
Do jeito que a coisa anda
Essa educação insana
Nosso futuro destrói.
E tem pessoas que seguem achando que a internet não rompe com os padrões e comportamentos ditatoriais. O surgimento de um blog para o movimento Paraisópolis Exige Respeito ou a manifestação de diversos moradores através de outros blogs próprios, dão eco internacional a este tipo de resistência e denúncia.
Lembro-me aqui, para reforçar o argumento, que em Cuba uma jovem, há um ou dois anos atrás, foi considerada a blogueira mais famosa do mundo, porque usava o blog contra o regime vigente na Ilha. Lógico que contou com o apoio de toda a mídia internacional. Mas, serve para demonstrar que poder nenhum está mais encastelado e protegido, qualquer que seja sua orientação. O caso dos estduantes da USP contra os atentados de Serra à autonomia universitária no ano passado é outro exemplo.
Quero deixar aqui os parabéns ao extraordinário Plínio de Arruda Sampaio, que vi em foto no blog de Paraisópolis, vestindo uma camiseta preta do movimento Paraisópolis Exige Respeito. Aguerrido, incansável, de generosidade extrema, Plínio, você é admirável!
O pior desempenho do governo Lula não está no câmbio como você pensa. Está na questão ambiental. Este desenvolvimentismo anos 70 está DETONANDO nosso meio ambiente. Lembrando que uma política cambial pode ser mudada num próximo governo, do PT ou não, e recuperamos uma boa trajetória.
Esta devastação ambiental justificada pelo desenvolvimento, mudanças na legislação etc, pode se tornar irreversível. Usinas hidrelétricas em Rios Amazônicos, destes que são os mais diversos na ictiofauna, são um crime, gravíssimo!
Sou biólogo, e nossa classe está tecnicamente preocupada com o que vem acontecendo. Somos formados para fazermos uma mediação entre os interesses da sociedade e as questões ambientais, e o que temos visto nestes ultimos dois anos, foi uma grande piora na postura do Governo no que tange as politicas ambientais. Gravíssimo, irreversível em muitos casos.
Por falar em propaganda, vale a pena prestar atenção no que o governador de São Paulo anda fazendo, ou melhor, não fazendo, no que se refere á proteção da criança à exposição à propaganda voltada para o público infantil. Sabe-se que a criança é completamente vulnerável à propaganda porque ainda não tem a couraça da razão desenvolvida para discernir e se defender frente ao que fala a propaganda. Pois bem, uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa de SP para regulamentar a propaganda voltada às crianças, acaba de ser vetada pelo Serra e os argumentos usados para o veto são no mínimo, no mínimo, bastante discutíveis.
A garantia de uma boa alimentação às crianças paulistas esteve a um passo de se tornar realidade. O Projeto de Lei nº 1356, de 2007, aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo, estabelecia a proibição da comercialização de lanches e bebidas de alto teor calórico, de poucos nutrientes e com gordura “trans” nas escolas públicas e privadas do Estado. No entanto, no último dia 18 de maio, o governador José Serra vetou o PL.
Segundo nota do governo divulgada à imprensa, “a medida faz utilização de conceitos vagos e imprecisos, que carecem de rigor técnico”. Além disso, sobre a obrigação de disponibilizar ao menos dois tipos de frutas secas às crianças, o argumento é de que “o tipo de fruta e o tamanho da porção consumida influem no valor calórico desse alimento”. Em seu veto, o governador afirmou ainda que “o Governo de São Paulo, por meio da Secretaria da Educação, já assegura refeição balanceada nos cardápios da Rede Centralizada de Merenda Escolar”.
Para o médico Azor José de Lima, membro da Academia Brasileira de Pediatria, o controle da alimentação nas escolas é muito importante e garante o bom desenvolvimento das crianças. Segundo ele, o assunto é de extrema relevância, e deve ser tratado com seriedade. “Se o colégio fornece alimentos que não são os ideais, com excesso de açúcar ou gordura, a criança vai ter uma alimentação deturpada, o que pode levar à obesidade”, explica. Para ele, o problema hoje são os excessos.
A respeito da lei que foi vetada em São Paulo, o especialista afirma que, apesar da dificuldade de ser cumprida, uma iniciativa como esta é muito bem-vinda. Azor acredita ser possível aplicar algo um pouco mais flexível, como uma mudança parcial da alimentação nas escolas, de maneira gradativa. “Temos de conscientizar as crianças e adolescentes. Mas não precisa só servir salada. Carne assada e ovo cozido, por exemplo, são alimentos cheios de nutrientes e adequados a uma dieta rica e balanceada”.
Nassif, segue uma análise crítica do programa “Minha Casa, Minha Vida” feito pela Ermínia Maricato, que participou da equipe do governo Lula, no 1º mandato, e foi minha professora na FAUUSP:
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Há, no programa “Minha Casa, Minha Vida” avanços importantes em relação à regularização fundiária e custos cartoriais, assuntos até então quase intocáveis no Brasil. Pela primeira vez, de forma explícita, há subsídios significativos para a baixa renda (R$ 16 bilhões entre 0 e 3 salários mínimos). O pacote, todavia, não se refere à matéria urbanística e deixa a desejar em relação aos temas da habitação social, se considerarmos tudo o que avançamos conceitualmente sobre esse assunto no Brasil. Leia mais »
Com PT no Planalto, o número de meios de comunicação que recebem verbas de publicidade federal aumentou 961%
Ao tomar posse, comerciais do petista atingiam 21 TVs e 270 rádios; no fim de 2008 já havia 297 TVs e 2.597 rádios veiculando anúncios oficiais
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os comerciais do Palácio do Planalto atingiram no ano passado 5.297 veículos de comunicação no país. O número representa uma alta de 961% sobre os 499 meios que recebiam dinheiro para divulgar propaganda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando o petista tomou posse.
Esse padrão de pulverização na publicidade é incomum na iniciativa privada. Segundo dados do Ibope Monitor, a Fiat anunciou em 206 meios de comunicação diferentes no ano passado.
O banco Itaú, em 176. Trata-se de uma pesquisa por amostragem, mas mesmo com um desvio de 1.000% o número de veículos nos quais essas duas empresas anunciam não se aproximaria dos 5.297 escolhidos pelo governo federal.
A regionalização da propaganda federal é parte de uma estratégia de marketing do governo. Presidente mais bem avaliado no atual ciclo democrático, Lula viu sua alta popularidade se consolidar numa curva quase paralela ao avanço da distribuição de seus comerciais pelo interior do país.
“O fato de ter ampliado a presença do presidente na mídia regional pode ter ajudado [a elevar a popularidade do governo]“, admite Ottoni Fernandes, subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que está sob o comando do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins.
Comentário
Aí está a explicação para o tiros levados por Franklin Martins. A reportagem não analisa os problemas que afetam a publicidade privada. De um lado, os bônus de veiculação, pelos quais uma agência é remunerada pelo veículo se cumprir determinadas metas de veiculação. Cria-se um cartel e uma completa distorção no mercado.
De outro, dados abundantes mostrando que esse tipo de abuso acabou levando os grandes anunciantes a diversificarem suas verbas, destinando mais a eventos, patrocínios e outras formas de promoção.
Do lado político, esse movimento ajudou a romper com a influência dos grandes órgãos sobre a mídia regional. Quando o deputado gaúcho diz que está se “lixando para a opinião pública”, obviamente não incluiu o jornal da sua cidade nesse bolo.
Na quinta-feira, moeda brasileira já acumulava 15% no ano, atrás apenas do rand sul-africano, com 18,4%
Marcelo Rehder
O real é a segunda moeda entre as principais economias mundiais que mais se valorizou frente ao dólar este ano. De acordo com cotações da agência Bloomberg, na quinta-feira a moeda brasileira já acumulava alta de 15%, atrás apenas do rand sul africano, com ganho de 18,4% em relação ao dólar. Na outra ponta, o peso argentino sofreu desvalorização de 7,61% e o iene japonês caiu 6,2%.
Para aqueles que acham que essa valorização se deve à melhoria dos fundamentos econômicos e não a um jogo especulativo, outra matéria do Estadão, sobre a apreciação do euro:
O que surpreende os analistas de câmbio, porém, é uma contradição: enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) da Europa caiu 4,6% entre abril de 2008 e março de 2009, o dos Estados Unidos recuou menos (2,6%), e todas as previsões indicam que a retomada da curva de crescimento será mais acelerada nos EUA e na Ásia. No entanto, é o euro a moeda mais apreciada entre as grandes divisas internacionais no momento.
Comentário
Não adianta. Assim como FHC, Lula só age em função da agenda política e da pressão dos fatos. Passaram para ele a impressão de que a apreciação cambial vai se sustentar até as eleições, ele aceita. Toca o país a entrar no mesmo jogo deletério, de lucros aos especuladores e de estímulo às importações.
Me chamaram de implicante, quando peguei no pé do Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc – por seu apego exagerado às frases de impacto, em contraposição à militância discreta e firme de Marina Silva.
Desde o primeiro dia ele se meteu em um jogo impossível de ser mantido por um ministro com visibilidade nacional: prometia pragmatismo para dentro e esbanjava retórica para fora.
À medida que foi sendo apanhado nessa contradição, meteu os pés pelas mãos.
Auto de infração de R$ 3 mi contra frigorífico que comprou ?bois piratas? entra no sistema do órgão depois de denúncia
Rodrigo Rangel
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) segurou por quase nove meses a aplicação de uma multa de R$ 3 milhões ao Grupo Bertin S/A, uma das maiores redes de frigoríficos do País. Além da negligência administrativa, o engavetamento da multa, aplicada em 27 de julho do ano passado, ganha importância política porque o Grupo Bertin participou de uma operação ambiental de “sucesso” desencadeada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a quem o Ibama está subordinado.
Terceiro mandato não passa. Essa história toda visa, exclusivamente, passar para a opinião pública a ideia de que a doença de Dilma Rousseff inviabilizou sua candidatura. Todo esse alarido tem sido feito por setores de expressão contrários à Lula – e por aliados sem expressão.
De analistas de mercado – como Alexandre de Barros Siciliano - até poetas – como Ferreira Gullar – estão batendo nessa tese da inviabilidade trazida pela doença, antecipando-se ao próprio diagnóstico médico.
1. Pesquisa da Folha de que a hipótese do terceiro mandato divide a população. Não se soubesse a lógica, se acreditaria em um surto de neolulismo.
2. Pesquisa sobre a volta da aprovação a Lula a níveis recordes.
3. Pesquisa mostrando que a distância entre Serra e Dilma caiu 8 pontos – de 30 para 22 pontos.
Aliás, poetas deveriam se proibir dessas incursões de senso comum na política. Não em função da política, que merece até coisa pior. Mas em defesa da sua própria poesia.
Na busca por uma agenda que neutralize a propaganda governista em 2010 e evite a terceira derrota consecutiva em eleição presidencial, o PSDB começou a calibrar seu discurso, baseado em análises de especialistas em “psique” eleitoral e em célebres estrategistas estrangeiros que defendem a emoção como fator determinante na política. A ideia é engavetar o lema da “gerência”, usado na campanha de 2006, e focar na defesa de projetos e iniciativas sociais.
Há cerca de três meses, os tucanos contrataram o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor de A Cabeça do Brasileiro e Por que Lula?, para fazer pesquisas que deem um diagnóstico sobre o que o eleitor deseja na próxima disputa. Almeida já produziu duas análises para o PSDB, que foram submetidas à direção do partido e a seus parlamentares. Essas informações têm servido de ponto de partida para a formatação de um discurso que atinja grande parte do eleitor que aprova o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Comentário
Compare o post de baixo com este. Em nenhum momento o principal candidato do PSDB, José Serra, deu atenção às políticas sociais. Trabalhou com a ideia de que eleitor não tem memória, mandou às favas sua biografia e suas ideias históricas, trocou pelo figurino Maluf de truculência policial. E, agora? O principal candidato do PSDB passou a encarnar a direita do DEM – que sempre causou urticária nos melhores quadros tucanos? Como retomar o discurso social?
O cientista social a quem estão recorrendo é o mesmo cujo livro foi utilizado pela Veja para demonstrar que a elite é ética e o povo não, um monumento à segregação, quando a grande obra política consistiria em unir elite e povo em torno de um projeto comum.
A rigor, a única bandeira consistente do partido continua sendo o modelo de gestão em Minas.
Melhor seria, em vez de neurocientistas, consultar um pai-de-santo.
No espectro político, é evidente a necessidade de um partido conservador, assim como os de centro esquerda, centro direita. Mas a transição de José Serra rumo à direitização é chocante.
O “modelo PSDB” tinha a cara do ex-Secretário de Administração Penitenciária, Nagashi Furokawa. Consistia em união com a comunidade, em cidades menores, de maneira a criar um envolvimento no atendimento ao criminoso de pequena expressão. Depois, concentrar a força do Estado no combate ao crime organizado.
Esse modelo foi por água abaixo ainda no governo Alckmin, com a nomeação de um troglodita, Saulo de Castro Abreu, para Secretaria de Segurança. Saulo desmontou qualquer possibilidade de trabalho integrado entre sua Secretaria, a de Administração Penitenciária e a da Justiça. Esbanjou violência, prepotência e despreparo. A explosão do PCC em 2006 liquidou com ele. Mas trouxe de volta o padrão Maluf de segurança, agora assumido pelo governo de São Paulo.
Com Serra, o jogo continua. Não apenas foi totalmente omisso para segurar a corrupção que grassava na Polícia Civil, como permitiu a adoção da truculência ampla não contra marginais, mas contra população de áreas “sublevadas”. Talvez pela tendência de Serra de enxergar conspiração em qualquer manifestação que exponha seu governo.
Leia abaixo a matéria “82 dias de medo em Paraisópolis”, do repórter Bruno Paes Manso, do Estadão, um relato chocante do que se transformou José Serra. Percebendo que a centro-esquerda havia sido ocupada por Lula, orientado por FHC decidiu se transformar no líder da direita. Por falta de inteligência e imaginação políticas – e de escrúpulos -, mandou sua biografia às favas e foi se espelhar no que a direita havia produzido de mais estúpido, o figurino Paulo Maluf.
O Portal tem um espaço para agenda, que tem permitido a divulgação de eventos interessantes em todas as partes. Clique aqui para ir até lá e inclua também seus eventos.
8 maio 2009 às 20:00 a 31 maio 2009 às 19:00 – CCBB BrasiliaShow em Homenagem a Carmen Miranda no CCBB em Brasilia, Rio de Janeiro e São Paulo Programação 1 a 3/05 – A Pequena notável, com Roberta Sá e Pedro Luís. 8 a 10/05 – Disso é que eu gosto, com Verôn…Organizado por Tema | Tipo: showsVocê não respondeu.
Não é apenas genial, além da aplicação, eles estão liberando a API e criando um novo protocolo de comunicação. Das tecnologias pré-web, apenas o email ainda tinha alguma importância (alguém se lembra do gopher ou do finger?). O Wave é, na verdade, o fim do email. O que a Google fez foi constatar que o email é arcaico, baseado numa analogia que simplesmente não se adapta ao meio virtual — malwares e spam só existem por conta desse arcaicismo — e decidiram, como a TechCrunch bem falou, o Wave é o que o email seria se tivesse sido inventado hoje.
Não vejo a hora de substituir o exchange server pelo wave server.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.