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30/04/2009 - 15:00

O manual de jornalismo da BBC

Por  Ricardo Bras

Que texto curioso acabo de ler no sítio do Estadão, que reproduz da BBC
(http://www.estadao.com.br/noticias/geral,atribuir-e-parte-da-funcao-de-informar,363364,0.htm). Parece provocação aos jornalões brasileiros, hehehehe.

Atribuir é parte da função de informar

A BBC tem a obrigação de deixar claro de onde vêm as informações divulgadas, especialmente quando elas podem ser contestadas.

Precisão e atribuição

O texto da BBC tem de ser preciso e não dar margem a dúvidas sobre o fato noticiado. Para atingir esse objetivo, a objetividade é importante, mas a reportagem também precisa ser completamente honesta com o leitor/ouvinte/espectador sobre o que está por trás dela.

Tão importante quanto a informação em si é atribuir a sua origem e revelar qualquer suspeita de que ela possa não ver conclusiva, verdadeira ou possa vir a ser questionada mais tarde. Por isso é necessário atribuir claramente de onde vieram as informações, especialmente as mais polêmicas.

Em um conflito militar, por exemplo, as partes envolvidas geralmente passam versões diferentes de fatos, e isso pode revelar interesses específicos das fontes. A BBC deve, então, sempre deixar claro quem disse o que e quem divulgou tal dado, se foi o governo de um país, o Exército de outro ou uma organização não-governamental.

Em nome da compreensão do público e da sua independência, os textos jornalísticos da BBC devem ser precisos e honestos.

BBC Brasil

Por Adir Tavares

Veja copia partes de matéria do Wall Street Journal sem citar fonte

Da Redação http://www.comuniquese.com.br/

A reportagem de capa da edição de 22/04 da revista Veja traz uma matéria coordenada muito parecida com um artigo, publicado quase um mês antes, pelo jornal americano The Wall Street Journal(WSJ). Tanto a estrutura como trechos do texto são idênticos. Questionada pelo Comunique-se, a repórter Gabriela Carelli negou a ocorrência de plágio.

“A gente falou com os pesquisadores, a gente fez a nossa própria apuração. A notícia é a mesma, a pesquisa é a mesma. Podem ter ficado parecidas. Foram três meses fazendo a matéria, ouvi 50 mil fontes, o box foi fechado de última hora. Não houve a intenção de fazer mal a ninguém”, explica.

A matéria em questão foi publicada num box com o título de “Genes no combate ao crime”. Ela trata da utilização de traços genéticos na elucidação de crimes, mesmo tema do artigo “Descrevendo um ladrão: genes traçam aparência de suspeitos”, publicado pelo WSJ em 27/03.

As similaridades foram percebidas pelo leitor Edgar Zanella Alvarenga, que publicou num blog uma troca de e-mails com a Veja. Nas mensagens, a revista dá a mesma explicação que foi dada ao Comunique-se, de que as informações estão disponíveis no site da universidade.

Dentre os trechos “parecidos”, existe uma declaração que, no texto da Veja, aparentemente teria sido dada pela pesquisadora da Universidade da Pensilvânia Pamela Sankar.

“‘Há uma perigosa tendência a fazer correlações entre etnia, crime e predisposição genética’, alerta Pamela Sankar”, diz a matéria da Veja.

Fonte nega ter sido procurada

Questionada pelo Comunique-se, a pesquisadora negou ter sido procurada pela Veja. Ela afirma que as informações publicadas pela revista foram baseadas em entrevista dada a um repórter doWSJ. No jornal americano existe a seguinte passagem:

“Algumas pessoas podem fazer correlações entre raça, crime e disposição genética”.

Além da não citação da fonte, a reportagem da Veja traz um erro. No jornal americano essa declaração foi atribuída ao pesquisador da Universidade de Tilburg, na Holanda, Bert-Jaap Koops.

A repórter da Veja reconhece não ter procurado a pesquisadora e, como justificativa, diz que tal procedimento é usual na revista.

“Fulano fala tal coisa, eu não tô dizendo que ele disse a mim. Quando fala pra gente, a gente coloca: disse à Veja. Às vezes a gente pode pegar, isso não é um plágio”, explica.

Apijor: “moralmente condenável”

Para o diretor da Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas Profissionais (Apijor) Frederico Ghedini, a determinação do que é ou não plágio no jornalismo é subjetiva. Diferente de outras manifestações, como a música, onde a cópia é definida pelo número de compassos iguais em sequência, o texto jornalístico depende da intenção de quem copia.

“No texto não tem esse tamanho. Mas mesmo que você não classifique, dá para saber quando é feito com a intenção de enganar o leitor, de se fazer passar pelo que você não é. Agora, mesmo que não configure crime de direito autoral, é moralmente condenável utilizar qualquer citação sem informar a fonte”, explica.

Seguem algumas passagens parecidas das duas matérias (os textos do WSJ estão em inglês para evitar possíveis desvios de tradução):

WSJ: “In 2004, police caught a Louisiana serial killer who eyewitnesses had suggested was white, but whose crime-scene DNA suggested — correctly — that he was black”.

Veja: “Pelos relatos de testemunhas, ele seria branco. No entanto, as amostras de DNA coletadas pelos investigadores diziam – corretamente – que era negro”.

***

WSJ: “They have found six genes that seem to influence such traits. (…) Prof. Shriver hopes to create a modern-day version of the police artist sketch”.

Veja: “Os pesquisadores encontraram seis genes relacionados às feições que podem ajudar a elaborar os retratos falados de criminosos”.

***

WSJ: “In 2007, a DNA test based on 34 genetic biomarkers developed by Christopher Phillips, a forensic geneticist at the University of Santiago de Compostelo in Spain, indicated that one of the suspects associated with the Madrid bombings was of North African origin. His body was mostly destroyed in an explosion. Using other clues, police later confirmed he had been an Algerian, thereby validating the test results”.

Veja: “Há dois anos, a polícia espanhola usou a mesma tecnologia para encontrar o suspeito dos atentados terroristas que destruíram uma estação de trem em Madri, em 2004. O teste genético feito nas amostras de DNA indicou que um dos participantes seria natural do norte da África. Outras provas validaram o resultado: ele era argelino”.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:

52 comentários para “O manual de jornalismo da BBC”

  1. Ivan Moraes disse:

    “Após o encontro com a comissão de inspeção do Comitê Olímpico Internacional, que está no Rio de Janeiro desde segunda-feira, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, reiterou as garantias do governo federal em investimentos para as Olimpíadas de 2016. Segundo o dossiê entregue pela candidatura do Rio em fevereiro ao COI, os brasileiros pretendem gastar cerca de R$ 37 bilhões para receber os Jogos, 85% oriundos de verba pública”

    Ela joga no lixo 37 bilhoes de reais e nao quer ser despersonalizada?

    Alguem ainda se lembra do que os oposicionistas fizeram no ultimo evento internacional no Brasil, o Pan, que passou a ser decoracao mediatica no segundo dia, logo depois que Lula matou 200 pessoas no aviao da TAM?

  2. Cida Medeiros disse:

    Nunca é demais lembrar o texto que compara Peace Journalism de War Journalism> o mesmo fato contato de acordo com padrões éticos de cada editor, jornal, repórter etc.

    http://www.mediachannel.org/originals/warandpeace.shtml

  3. Paulo Truglio disse:

    Achei oportuno o artigo do El Pais, em parte sobre este assunto. Segue o link:

    http://www.elpais.com/articulo/internacional/Palestina/laboratorio/pruebas/militares/Israel/elpepuint/20090501elpepuint_5/Tes

  4. Sancho Brancaleone disse:

    É interessante como o óbvio pode parecer inusitado e esclarecedor. No caso em questão, as empresas jornalísticas deveriam anotar nas portas dos banheiros, riscar com canivete nas mesas, escrever com tintas vermelhas nas paredes, estampar nos lados internos e externos das vidraças:

    “O texto tem de ser preciso e não dar margem a dúvidas sobre o fato noticiado. Para atingir esse objetivo, a objetividade é importante, mas a reportagem também precisa ser completamente honesta com o leitor/ouvinte/espectador sobre o que está por trás dela.
    Tão importante quanto a informação em si é atribuir a sua origem e revelar qualquer suspeita de que ela possa não ver conclusiva, verdadeira ou possa vir a ser questionada mais tarde. Por isso é necessário atribuir claramente de onde vieram as informações, especialmente as mais polêmicas.”

    Eu acrescentaria:

    “Não podemos atuar como a empresa Folha, que, no episódio em que tentaram envolver a ministra Dilma, não tiveram escrúpulos em cometer o crime de FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO.”

  5. Jorge Generoso do Nascimento disse:

    “”Sim, e não é de hoje que a BBC faz criticas indiretas a imprensa brasileira. Aliás, no caso da brasileira que se disse agredida na Suiça a crítica foi bem direta”". Concordo, mas creio que o colega esqueceu-se de dizer que na mesma página do dia, apareceu lá um zé mané que, no tópico de participação da audiência, teceu as linhas gerais do manual acima citado: só que com o ranço de colonialista. Portanto, creio que a tal imparcialidade da BBC é so para inglês ver, pois na média, as informações alí contidas tem um caráter nítido de nos desacreditar (principalmente com suas preocupações com a Amazônia) como pais independente. A reprodução das notícias do “The Economist” servem de pano de fundo desta tal imparcialidade. Na última, disse esse jornal que “nós deveríamos denunciar o autoritarismo na Venezuela”. Lembrei-me de nossos soldados massacrando o Paraguai financiados por eles (aliás, de financiamento de guerras, inclusive a do ópio, a Inglaterra detém know-how que ainda não foi conseguido nem pelos EE.UU.AA) Na verdade, a BBC é instrumento da geopolítica daqueles ex-colonizadores, e a sua imparcialidade tem o a espessura moral do verniz de um 007 a serviço de SSM.
    Por isso, que não haja espanto originado no nosso jornal por reproduzir o conteúdo dessa instituição. Afinal, filosoficamente, todos os extremos se encontram.

  6. paulo frança disse:

    MINISTRO DIREITO, DO STF, É ESPECIALISTA EM REQUISITAR PRIVILÉGIOS INDEVIDOS PARA SEUS PARENTES E ATÉ PARA “AMIGA” DA FILHA (Revista IstoÉ)

    http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2060/artigo132858-3.htm

    É mais um no lugar certo ao lado incondicional da pessoa certa.

    FAVOR PARA O FILHO Pedido de atendimento especial à Receita, à PF e à Infraero para Carlos Gustavo Direito e a mulher, Theresa, que chegavam de Paris

    Na mesma semana em que a Câmara dos Deputados se viu pressionada pela opinião pública a acabar com a chamada “farra das passagens aéreas”, documentos obtidos com exclusividade por ISTOÉ demonstram que, na Esplanada dos Ministérios, a obtenção de privilégios pessoais ou para parentes, graças à função pública, não estava restrita ao Legislativo. Doze ofícios do Superior Tribunal de Justiça (STJ), emitidos entre fevereiro e dezembro de 2008, revelam que familiares e amigos do ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do Supremo Tribunal Federal (STF), tinham acesso a um esquema VIP nos embarques e desembarques internacionais no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

    Assim, era possível ir a Paris numa classe superior à determinada pela passagem e voltar de Miami sem passar pelos trâmites impostos pela Receita Federal aos cidadãos comuns, que muitas vezes se veem obrigados a abrir as malas nos saguões de desembarque. Familiares e amigos do ministro também não ficavam nas filas que antecedem os equipamentos de raio X da Polícia Federal e tinham franqueado acesso a áreas restritas do aeroporto.

    O Superior Tribunal de Justiça tem, no Rio de Janeiro e em São Paulo, representações destinadas a facilitar o deslocamento dos ministros quando estão a serviço da corte. Direito foi ministro do STJ durante 11 anos, mas em agosto de 2007 o presidente Lula o indicou para o Supremo Tribunal Federal. Direito, contudo, continuou a usar a estrutura do outro tribunal para facilitar o trânsito da mulher, dos filhos, da nora e de amigos no Aeroporto Internacional do Galeão. (continua)

  7. Eduardo Vieira disse:

    Dilma só tornou pública seu problema pessoal, porque a Folha disse que ela estava com cancêr, como pessoa pública teria que vir a público dar esplicações. Ela nunca usou, nem o Lula da sua questão particular para fazer propaganda. Essa estória de marketing pessoal, surgiu na oposição, particulamente nos artigos de Reinado Azevedo, blogueiro da Veja. Para meu Espanto a Própria Veja, explora essa tese em sua capa semanal, Com um discurso facista, derrespeitador e desumano. Dilma enfrentará até 20010, ínumeras tentativas de golpe baixo. Mas acredito que o público vai perguntar para si mesmo: Que projeto é melhor para o País? No final a decisão que sair das urnas será uma decisão madura:)

  8. antonio barbosa filho disse:

    Imaginem uma veja, uma folha ou um o globo publicando “o que está por trás” das suas notícias….
    Jamais esses órgãos poderiam confessar os interesses financeiros e políticos que pautam sua atividade, digamos, “jornalística”. “O que está por trás” da mídia brasileira é muito mais relevante do que sua imagem pública, mas ficará para sempre no subterrâneo.

  9. C. Brayton disse:

    A BBC teve uns problemas com a questão da sua isenção em 2007. Um comitê independente determinou que o jornalismo empresarial da rede global apresentava grande numéro de falhas de isenção segundo os próprios padrões da BBC.

    Por exemplo, apresentadores foram observados elogiando acriticamente um brinquedo feito por um patrocinador da programa em questão, sem divulgar aquele patrocínio.

    Entretanto, diretrizes da BBC andavam dando palestras nas quais falavam de um jornalismo “pós-isento” e uma “isenção radical” que na verdade quer dizer que os esforços tradicionais de manter isenção e equilíbrio não fazem mais sentido.

    O relatório sobre o jornalismo empresarial da BBC (inglês):

    http://cbrayton.files.wordpress.com/2007/05/fde132b6-0acc-11dc-8412-000b5df10621.pdf

  10. Mello disse:

    É por isso que a BBC é o que é…

  11. Juliano Guilherme disse:

    O Civita sabe o que é jornalismo?

  12. luis queiroz vieira disse:

    Corrigindo meu comentario anterior pareçe que os estoques do medicamento tamiflu que é efetivo para gripe suina tem se mostrado maior em noticias recentes. embora em um primeiro momento o laboratorio roche tenha falado em estoques de tres milhoes de tratamentos nos estados unidos e Suiça parece que se referiam apenas aos estoques da empresa e que fariam parte de um total de cinco milhoes de doses doados a oms. recentemente o governo americado declarou possuir aproximadamente 50 milhoes de tratamentos e a roche falou em estoques governamentais totais de 220 milhoes de tratamentos no mundo. Dessa forma é sim plausivel o estoque declarado pelo governo brasileiro de nove milhoes de tratamentos embora a disponibilidade imediata de treze mil tratamentos pareça sem duvida desproporcional a esse estoque mais se se trata apenas de embalar as doses não deve ser uma coisa tão demorada disponibilizar alguns milhões de tratamentos.

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