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29/04/2009 - 10:53

Corrupção e PIB per capita

De Eduardo Giuliani

Luis,

Fiz uma análise sobre o assunto com os índices da Transparency International (www.transparency.org).

A correlação entre o índice e o PIB/cap (em PPP) é muito forte, demonstrando que a corrupção decresce consistentemente com o aumento do PIB/Cap. Alguns pontos fora da curva são Itália e Taiwan, que possuem um nível de corrupção mais alto do que seria de esperar no nível de desenvolvimento que estas economias se encontram.

A análise mostra também que a corrupção não afeta a taxa de crescimento da economia. Muitas economias com altos índices de corrupção apresentam fortes taxas de crescimento.

O Brasil está bem na curva, podendo-se até dizer que nossa corrupção está abaixo do esperado.

Esta evidência empírica vai bem de encontro a sua argumentação de que com maior transparência a corrupção fica mais difícil. Além desta questão de transparência, há também o nível de desenvolvimento da sociedade, que tendo mais conhecimento (educação) passa a controlar melhor o sistema e inibir comportamentos oportunistas dos corruptos.

Com certeza a variável mais importante na dimensão da corrupção não é a cultura, ou má índole dos povos, pois ser oportunista e egoísta (self-interested) é uma característica do ser humano, que vamos limitando com a maior participação da sociedade nos processos decisórios. Veja que o americano, que é líder mundial em PIB/Capita, demonstra dia após dia uma série de comportamentos corruptos: Arthur Andersen, Enron, Madoff, Bush com o petróleo etc. Crimes de alto índice de corrupção no alto escalão da sociedade: PhDs, consultores das melhores empresas etc.

Tirando um paralelo, podemos dizer que o caso Madoff foi uma cópia da Fazendas Reunidas Boi Gordo, esquema da pirâmide ou bicicleta. Contudo o sistema dos EUA em poucos meses colocou o Madoff na cadeia, já o nosso sistema jurídico, provavelmente uns 100 anos atrás do sistema americano em termos de desenvolvimento, ainda deixa o pessoal da FRBG ficar passeando de jatinho, mais de 7 anos após a falência fraudulenta da empresa.

Nossa polícia federal já está closing the gap com o sistema americano, já nosso sistema jurídico (a la Gilmar Mendes), continua liberando os maus exemplos da sociedade.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Corrupção Tags: , ,

30 comentários para “Corrupção e PIB per capita”

  1. Wandhklêysson disse:

    Estava lendo o livo do Ha-Joon Chang, Maus Samaritanos – O mito do livre comércio etc.O autor é um coreano atualmente pesquisador de economia em uma universidade inglesa. A tese central do livro é que os países que se desenvolveram – desde a Inglaterra do século XVIII – o fizeram fazendo tudo que o FMI e Banco Mundial dizem que não deve ser feito: proteção tarifária, câmbio depreciado, incentivos governamentais, desrespeito de patentes, etc, etc.
    O melhor exemplo é o do próprio país do Ha-joon Chang, a Coréia do Sul que era a segunda menor renda per-capita do mundo nos meados dos anos 50 , em apenas uma geração, tornou-se um grande exportador de produtos de alta tecnologia.

    Ainda não cheguei lá, mas o Ha-joon Chang também fala de corrupção em seu livro e tem uma tese semelhante. Pelo que ele diz, a corrupção ocorre mais quando a economia é pequena. Bem, ainda não li este capítulo.

  2. DKRC disse:

    Seria interessante para a correlação usar outras váriaveis no lugar do PIB/cap, para fazer uma comparação.

    Como por exemplo Índice de Gini, Nível Educacional etc..

    Ou melhor ainda, usar todos esses dados em uma regressão a ver qual tem maior participação no Índice de Corrupção.

    Salve a econometria.. rsrs

  3. Zé da Silva Brasileiro disse:

    “O Brasil está bem na curva, podendo-se até dizer que nossa corrupção está abaixo do esperado.”. Brincadeira de mau gosto. Parece até uma provocação aos nossos corruptos. Eles tem orgulho profissional e não vão gostar de saber que o seu desempenho não anda lá essas coisas e que eles não estão roubando o suficiente, sendo superados por corruptos de outros países. Ademais essa relação com o PIB per capita não faz nenhum sentido, pois não leva em consideração as disparidades internas na distribuição na distribuição de renda. Melhor seria uma relação com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) quando veriamos claramente a relação entra corrupção e más condições de vida.

  4. Luiz Horacio disse:

    O que é difícil de uma análise estrangeira sobre corrupção fazer sobre o quadro brasileiro, ainda mais se o Brasil não é o objeto específico do estudo, mas todo o cenário internacional, ou um outro país, é compreender a diversidade, a variedade, a “criatividade” e a intensidade das atitudes “não lícitas” em voga por aqui.

    O padrão de corrupção de que tratam parece ser simplesmente o tipo “central” de não declarar ao fisco, e isso parece ser bem mais detectável por lá. Lá parece ser mais a velha batalha entre a iniciativa privada e a carga tributária do Estado (que no Brasil, se fosse paga, seria de longe a maior do mundo). Não é como aqui.

  5. Fabricio Vasselai disse:

    Esse trabalho aproxima-se de uma idéia que eu queria desenvolver há algum tempo. Fiquei muito contente em vê-lo desenvolvido aqui! Parabéns mesmo ao autor e ao blog! Solicito muito encarecidamente que o autor disponibilize o texto desse trabalho. Ou se tiver sido apenas um cálculo para “brincar” com os dados (o que eu adoro fazer!), pergunto se seria possível disponibilizar o banco de dados que montou.

    Algumas das questões que eu queria detalhar melhor:
    1) como montou a variável Absense of Corruption, a partir dos dados que há na Transparência Internacional?

    2) qual a equação do gráfico e seu R-quadrado?

    3) qual a reta média, padrão, esperada?

    Ficari muito feliz mesmo em conseguir mais sobre isso!!

  6. luiz c l botelho disse:

    Prezado Nassif e Sr Marçal Antonio Sartori
    É bem sabido que as estatísticas para analisar um fenômeno tão complexo como a corrupção (especialmente na esfera pública como no Brasil ) é um assunto polêmico.Hoje existe toda uma “tecnologia e saber” a serviço de esconder a corrupção (falsidade ideológica,peculato,prevaricação,falseamento de dados para uso da máquina de propaganda governamental, como se diz no Inglês : you name it!, you have it!).Por exemplo, qual foi o objetivo de induzir que o Brasil estava avançado na Industria Espacial ao ponto de se propagandear como um grande feito heróico nacional , que um Major da FAB (Marcos Ponte) era um astronauta de verdade (não aquele da estória da Mõnica-Maurício de Souza),sabendo-se que por qualquer hum milhâo de dólares,até um “Tangara da Roça” e que nunca viajou de aviâo” , ou um piloto Paraguaio ou Cubano vai passear na Troposfera! (informação da Mídia).Outra aberração “corrupcional” é achar que os Colégios de Aplicações das Universidades Federais ou as Escola Preparatória de Cadetes do Ar, do Mar e do Exército possam ser realmente classificadas como Escolas Públicas de segundo grau no exame de aplicação do ENEM e que são modelos obrigatórios de comparação de qualidade de ensino com o Grupo Escolar “Dona Hermengarda da Boqueirão “(nome fictício).A propósito ,é com surpresa que a classificação da EPCAr seja uma das últimas do “Ranking das 22 primeiras , pelo excepcional dificuldade histórica dos seus exames de admissão!. Em relação a esta ultima observação, em 1975 eu fui o único candidato de Escola Pública de Primeiro Grau em todo o Norte e Nordeste a ser aprovado nos muitos difíceis exames intelectuais ao Colégio Naval ,no Rio(mas graças ao bom Deus, eu fui reprovado no exame psicológico para a vida naval militar, além de não ter o necessário porte físico para o “garbo” militar naval).Outra empulhação,melhor classificada como “neo-corrupção” é a substituição do Ensino Presencial (Professores e Quadro negro+ material didático adicional :computador,slides,etc) pelo Ensino à distância , patrocinado pelas Redes Televisivas através de suas fundações ( as quais tem um ganho substancial de abater o IR!) e notem, triste e desastrosa invenção dos governos militares .À época, o famoso ensino á distancia era através do Rádio (eu fui “monitor –acompanhante de uma turma e com a idade de 15 anos!) e por Correspondência( o “saudoso ” como virar técnico em qualquer coisa em 10 lições!-virei “detetive particular! Para me divertir com a “gurizada”-minha turma de folguedos).Deste modo e voltando ao ponto observo-lhes que o gestor municipal ou estadual sempre apresenta um número gigantesco de alunos matriculados em escolas públicas para unicamente obter mais verbas do MEC!.-aí usando as matriculas do ensino não presencial. Graças a Imprensa , a opinião pública brasileira toma conhecimento destes atos ,minimamente classificados como nebulosos do ponto de vista de sua eficácia pública.Não é à toa que os alunos da Escola “Dona Hermengarda do Boqueirâo” acima citada ,sejam todos alfabetizados,técnicos,”Doutores”,entretanto todos funcionais!.Certamente este tipo de “ação” pública não esta no parâmetro da metodologia usada no Transparency International Statistical Methods.

  7. Eduardo Giuliani disse:

    Fabricio,

    Fiz esta análise em 2000 com os dados da TI. A análise é simples, sem muita sofisticação. Meu ponto é que como brasileiro costumamos só falar mal do país, colocando a culpa nos outros cidadãos, sem assumir que o Brasil somos nós. Esta análise dá uma visão independente, e relativa ao contexto internacional, sobre como estamos posicionados.

    Não acredito que a corrupção seja o nosso problema para o crescimento econômico. Países altamente corruptos crescem a boas taxas (China, Taiwan etc.). Corrupção é uma ineficiência econômica que vamos resolvendo com o tempo. Quanto menos melhor, mas não podemos parar por causa dela.

    Nosso principal problema para o crescimento mais rápido é a taxa de câmbio que define a demanda pelo trabalho brasileiro. Esta taxa parece intocável pela equipe econômica. Nosso contexto institucional concentrador de renda não deixa os juros baixarem para patamares decentes e nem a taxa de câmbio tornar nosso país tão competitivo quanto a China.

    Posso lhe enviar o excel por e-mail, mas vou tentar replicar a tabela abaixo com o copy & paste.

    Abs, EG

    PPP 95WB Growth 2Q00 Growth Adj% PPP 00E Corruption Index (Abs) Corruption Index (Rel) Absolute Ranking Relative Ranking
    Finland 17,8 3,0% 20,6 10,00 3,25 1 1
    Sweden 18,5 4,0% 3,0% 21,4 9,50 2,53 2 3
    Canada 21,1 5,3% 3,0% 24,5 9,00 1,23 3 8
    Singapore 22,8 8,0% 6,0% 30,5 9,00 (0,39) 4 27
    Netherlands 20,0 4,1% 3,0% 23,2 8,75 1,32 5 6
    Britain 19,3 3,1% 3,0% 22,4 8,50 1,28 6 7
    Australia 18,9 4,7% 4,0% 23,0 8,25 0,87 7 13
    United States 27,0 6,0% 3,0% 31,3 8,00 (1,60) 8 36
    Hong Kong 23,0 10,8% 5,0% 29,4 7,75 (1,33) 9 34
    Germany 20,0 3,1% 2,0% 22,1 7,75 0,61 10 14
    Chile 9,5 6,1% 4,0% 11,6 7,50 3,17 11 2
    Spain 14,5 4,2% 4,0% 17,6 7,00 1,05 12 10
    France 21,0 3,3% 2,0% 23,2 6,75 (0,68) 13 30
    Israel 16,5 5,9% 5,0% 21,1 6,50 (0,37) 14 26
    Japan 22,0 0,8% 0,0% 22,0 6,25 (0,87) 15 33
    Taiwan 22,0 5,4% 4,0% 26,8 5,50 (2,89) 16 38
    Hungary 6,4 5,9% 5,0% 8,2 5,25 1,82 17 5
    South Africa 5,0 2,4% 2,5% 5,7 5,00 2,24 18 4
    Greece 11,7 3,7% 3,5% 13,9 4,75 (0,21) 19 23
    Malaysia 9,0 8,8% 7,0% 12,6 4,75 0,13 20 20
    Italy 19,9 3,0% 2,0% 22,0 4,50 (2,61) 21 37
    Czech Republic 9,8 4,4% 4,0% 11,9 4,25 (0,18) 22 21
    Poland 5,4 6,0% 5,0% 6,9 4,00 0,91 23 12
    South Korea 11,5 9,6% 6,0% 15,4 4,00 (1,35) 24 35
    Brazil 5,4 4,0% 2,5% 6,1 4,00 1,12 25 9
    Turkey 5,6 5,8% 5,0% 7,1 3,75 0,60 26 15
    Argentina 8,3 0,9% 2,0% 9,2 3,50 (0,19) 27 22
    Mexico 6,4 7,6% 6,0% 8,6 3,25 (0,28) 28 25
    Colombia 6,1 2,2% 2,0% 6,8 3,25 0,20 29 19
    Thailand 7,5 5,2% 5,0% 9,6 3,25 (0,57) 30 28
    China 2,9 8,3% 9,0% 4,5 3,00 0,55 31 17
    Egypt 3,8 6,0% 4,0% 4,6 3,00 0,51 32 18
    India 1,4 5,8% 6,0% 1,9 2,75 1,00 33 11
    Philippines 2,9 4,5% 4,0% 3,5 2,75 0,58 34 16
    Venezuela 7,9 2,6% 2,0% 8,7 2,75 (0,83) 35 32
    Russia 4,5 6,7% 4,0% 5,5 2,00 (0,70) 36 31
    Indonesia 3,8 4,1% 3,0% 4,4 1,75 (0,67) 37 29
    Nigeria 0,8 3,0% 0,9 1,25 (0,23) 38 24

    Top10 rel 13,8 4,3% 3,3% 16,1 7,5 1,9 10,0 5,5
    Low10 rel 16,3 5,2% 3,1% 18,9 4,9 (1,4) 21,4 33,5

    Top10 abs 20,8 5,5% 3,5% 24,8 8,7 0,8 5,5 14,9
    Low10 abs 4,2 5,0% 4,2% 5,0 2,6 (0,0) 33,5 22,5

  8. Fabricio Vasselai disse:

    Caro Eduardo Giuliani,

    Fico muito feliz com sua resposta! Ajuda a entender melhor o escopo e a problematização de seu trabalho, com os quais estou de pleno acordo. Mas se mesmo assim pudermos trocar arquivos, seria fantástico.

    É que acontece o seguinte. Inspirado por esse post, resolvi coletar os mesmos dados, referentes a 2008.

    Utilizei, da Transparência Internacional, o CPI: Corruption Perceptio Index, referente a 2008:
    http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2008

    E para os PIBs per capta ajustados pela Paridade de Poder de Compra, utilizei o relatório da CIA com os dados mais recentes:
    https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2004rank.html

    Só que no lugar dos 36 paises que você mostrou, utilizei os 178 para os quais há ambos os dados (são 180 no CPI da Transparência, mas para dois países não PIB per capta na mesma fonte).

    Mas o que encontrei são resultados um tanto diferentes dos seus, enquanto eu confesso que esperava um modelo próximo ao seu. Não consigo colar a imagem do gráfico aqui, mas já a enviei para o Nassif. E claro, gostaria de enviar para você também. Só para ter uma idéia, a equação do gráfico que encontrei é: CPI = 2,67 + 0 * PIB/per capta, com um R-quadrado de 0,58.

    Uma das questões chave deve ser a seleção de países que você fez, ou dito de outro modo, a quantidade de países a mais no meu banco alterou os resultados. Evidentemente, seria necessário estudar melhor esses “países a mais”.

    Grande abraço!

  9. Eduardo Giuliani disse:

    Fabricio,

    Garbage in; garbage out. Precisa tomar cuidado ao montar modelos de regressão porque os pesos dos países são iguais e acredito que a maioria se concentra nos pib/cap pequenos. Forçando uma reta em um montão de dados dá este tipo de problema.

    Tente selecionar os países para ter pontos em todo o gráfico, e pegue países com dimensões razoáveis de PIB, por exemplo, os 50 maiores PIBs. Assim seu R-quadrado deve subir, mas nunca será muito próximo de 1, talvez 0,7.

    As fontes dos dados são boas, tanto a CIA como a TI.

    Esquecendo os dados e pensando sobre a lógica da problemática, sua equação demonstra que conhecimento (produtividade, PIB/capita) não reduz corrupção. Isto para mim parece incompatível com a evidência empírica de países desenvolvidos e sub-desenvolvidos que todos nós sabemos. A questão que estamos discutindo é o quanto o conhecimento ajuda a reduzir isto, e que nível de corrupção seria aceitável/natural para cada estágio de desenvolvimento, porque o custo de controlá-la não seria justificável economicamente.

    Forte abraço,

    EG

  10. jessica disse:

    é muito grande estes textos ñ dar pra diminuir ñ ?

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