Fonte acusa Folha de manipulação
“Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada”
Por Antonio Roberto Espinosa
Á coluna painel do leitor
Chocado com a matéria publicada na edição de hoje (domingo, 5), páginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa “Grupo de Dilma planejou seqüestro de Delfim Neto”, e da repercussão da mesma nos blogs de vários de seus articulistas e no jornal
Agora, do mesmo grupo, solicito a publicação desta carta na íntegra, sem edições ou cortes, na edição de amanhã, segunda-feira, 6 de abril, no “Painel do Leitor” (ou em espaço equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem prejuízo de outras medidas que vier a tomar.
Esclareço preliminarmente que:
1) Não conheço pessoalmente a repórter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A propósito, estranho que um jornal do porte da Folha publique matérias dessa relevância com base somente em “investigações” telefônicas;
2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na íntegra, para que o leitor a compare com o conteúdo da matéria editada. Esclareço que concedi a entrevista porque defendo a transparência e a clareza histórica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. Já concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre disponível a todos os interessados;
3) Quem informou à Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A repórter, porém, não conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autorização pessoal por escrito, para investigar fatos relativos à minha participação na luta armada, não da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela repórter, que me enviou o croquis do trajeto para o sítio Gramadão, em Jundiaí, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seqüestro do então ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que também sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao próprio Delfim (co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditato rial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).
Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um não-fato de 40 anos atrás (o seqüestro que não houve de Delfim) num factóide do presente (iniciando uma forma sórdida de anticampanha contra a Ministra). A direção do jornal (ou a sua repórter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distorção grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a história da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profissão que também exerço há mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na Última Hora, sob a direção de Samuel Wayner (demitido que fui pela intolerância do falecido Octávio Frias a pessoas com um passado político de lutas democráticas). A respeito da natureza tendenciosa da edição da referida matéria faço questão de esclarecer:
1) A VAR-Palmares não era o “grupo da Dilma”, mas uma organização política de resistência à infame ditadura que se alastrava sobre nosso país, que só era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos porões do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, João Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, não é saber se a estratégia e as táticas da organização estavam corretas ou não, mas que ela integrava a ampla resistência contra um regime ilegítimo, instaurado pela força bruta de um golpe militar;
2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como é de conhecimento público, mas sempre teve uma militância somente política, ou seja, jamais participou de ações ou do planejamento de ações militares. O responsável nacional pelo setor militar da organização naquele período era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e política por nossas iniciativas, denunciando como sórdidas as insinuações contra Dilma;
3) Dilma sequer teria como conhecer a idéia da ação, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos rápidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organização clandestina e se preocupava com a segurança de seus quadros e planos, sem contar que “informação política” é algo completamente distinto de “informação factual”. Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo tão ingênuo, inútil e contraproducente como “vamos seqüestrar o Delfim, você concorda?”. O que disse à repórter é que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de São Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seqüestro e resgate de companheiros então em precárias condições de saúde e em risco de morte pelas torturados sofridas. A esse propósito, convém lembrar que o próprio companheiro Carlos Marighela, comandante na cional da ALN, não ficou sabendo do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, então, a Dilma deveria ser informada da ação contra o Delfim? É perfeitamente compreensível que ela não tivesse essa informação e totalmente crível que o próprio Carlos Araújo, seu então companheiro, diga hoje não se lembrar de nada;
4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupações atuais (não sou “doutorando em Relações Internacionais”, mas em Ciência Política), também informou na capa que havia um plano detalhado e que “a ação chegou a ter data e local definidos”. Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a gravação em que eu teria informado isso à repórter;
5) Uma coisa elementar para quem viveu a época: qualquer plano de ação envolvia aspectos técnicos (ou seja, mais de caráter militar) e políticos. O levantamento (que é efetivamente o que estava sendo feito, não nego) seria apenas o começo do começo. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou três semanas. Reiterando: o Comando Regional de São Paulo ainda não sabia com certeza sequer a freqüência e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no sítio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a ação poderia ocorrer tecnicamente: planejamento logístico, armas, locais de esconderijo etc. Somente após o plano militar seria elaborado o plano político, a parte mais complicada e delicada de uma operação dessa natureza, que envolveria a estratégia de negociações, a definição das exigências para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declaração pública à nação etc. O comando nacional só par ticiparia do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase política. Até pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa função a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Araújo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano José da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a direção; no caso dela, sequer tinha vivência militar;
6) Chocou-me, portanto, a seleção arbitrária e edição de má-fé da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal – apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orientações de um jornalista mais experiente, no caso o próprio entrevistado -, a repórter chegou a conclusões mais peremptórias do que a própria polícia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricionário. Prova disso é que nenhum de nós foi incriminado por isso na época pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu não fui denunciado por qualquer um dos três promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de São Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.
Osasco, 5 de abril de 2009
Antonio Roberto Espinosa
Jornalista, professor de Política Internacional, doutorando em Ciência Política pela USP, autor de Abraços que sufocam – E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia, Sem categoria Tags: Dilma Rousseff, Folha, Var-Palmares

No Lula eu votaria a vida inteira com o maior prazer, e pelo PT distribuí e distribuo panfletos na rua e até lavo o banheiro do seu diretório se precisar.
Acho até que o Lulão deveria lutar com todas as forças por um terceiro mandato pois, afinal, se o intragável entregador FHC comprou a sua re-eleição, então por que o Lula não poderia fazer algo parecido visando um terceiro mandato?
Também vou votar na Dilma, pois contra o PSDB, principalmente contra o PSDB que fede a FHC e José Serra, eu votaria até numa ameba, mas o Lula bem que poderia colocar alguém mais palatável para a disputa presidencial.
Mas, por outro lado, lamento desapontar a muitos aqui, pois entre ditadura e ditabranda concordo com a segunda alternativa.
Esse negócio de “tortura nos meninos” ( que meninos?) me parece que sempre foi pintada com cores mais berrantes do que as reais. Me parece que sempre foi feita com lente de aumento como dita as melhores cartilhas da propaganda esquerdista radical, ou, no popular, se fingir de besta para comer embornal cheio.
E, em uma guerra, queriam o quê? Queriam assassinar inocentes, cometer atentados, roubos, assaltos e sequestros e depois ainda ser tratados a pão-de-ló?
Esses tais “meninos” deviam ser parecidos com aqueles pivetões de fuzil em punho, com muitos crimes nas costas, os soldados do tráfico, que quando são pegos transformam-se logo para alguns espertalhões ongueiros em inocentes crianças “dimenores”, como se não soubessem muito bem o que estavam fazendo.
Será que a prática de assassinar os oponentes com tiros à queima-roupa, como sempre fizeram os regimes comunistas que os “meninos” queriam implantar no Brasil, é menos perversa do que a tortura?
Uma questão: Será que os participantes do falado congresso de Ibiúna, tanto os cabeças-coroadas instigadores como os bobos-da-corte que lá estavam porque era “fashion”, caso fossem de direita num governo comunista implantado por Jango e Brizola, teriam escapado com vida como aconteceu, ou teriam sido fuzilados incontinentemente?
Me lembro de uma jornalista conhecidíssima (acho que hoje é Serrista de carteirinha) que, entrevistada num programa de TV, afirmou que foi torturada pelo regime militar e, cretinamente, quando disse isto olhou para a platéia esperando aplausos ou olhares de admiração.
Quando o entrevistador, querendo ajudá-la na “denúncia”, perguntou que tipo de tortura ela tinha sofrido, ela parece que foi pega de surpresa e meio sem graça disse que tinha sido interrogada sob uma luz muito forte por um oficial do exército, enquanto um segundo oficial dava voltas em torno da cadeira em que ela estava sentada, com um enorme cachorro preso numa coleira.
Mas o cachorro, disse ela tentando dar a volta por cima e sair bem na fita dando cores dramáticas à “sua tortura”, tinha dentes enormes e não parava de rosnar um só instante.
Bem que ela tentou, mas não conseguiu nada mais dramático ou terrível para ilustrar a sua carreira de “heroína torturada pelos milicos malvados”.
Como podem ver, a tortura que essa senhora, na época uma jovem, sofreu foi mesmo de arrepiar qualquer cristão e ensinar maldades torturísticas até a um índio apache.
Não existe essa informação,mas estou certo de que a dilma exigiu o áudio da gravação, na íntegra, como condição para conceder a entrevista. Por isso a entrevista foi tão boa . A dilma nocauteou mais um. Dá pra ver que a transcriçaõ é fidedigna. No mais,não pega bem prum jornal informar que o entrevistado exigiu a íntegra do áudio. Então é isso. Dá entrevista pros caras e leva o cd na hora. Ou então produz o seu próprio áudio como o Lula fez recentemente com a entrevista pro Mario conti.
Não sei não, mas do jeito que as coisas vão indo, em 2010, mesmo que Dilma ganhe, vai cair no tapetão. Já estão criando até jurisprudência em Diamantina.
Pena que Antonio Spinoza não tenha ligado suas antenas parabólicas para captar os reais interesses por detrás da trama.
Spinoza ficou morrendo de dó da “inexperiente’ jornalista e lhe ensinou tudo, incluse tática de guerrilha e como usar o arquivo da Justiça Militar.
Com direito até a croquis.
Tem que saber nadar neste rio infestado de piranhas ou dança
Nassif e amigos esta história já rendeu tanto que vale a pena ler o texto do Jornalista Celso Lungaretti ex-preso politíco e jornalista que viveu de perto esta situação pois era militante das forças que planejaram o sequestro.
http://observatoriodeopinioes.blogspot.com/2009/04/por-que-tanto-estrardalhaco-em-torno-de.html
Abraços
O tiro vai sair pela culatra. O que estão conseguindo com isso é apenas criar uma mística em torno da Dilma. O vice tucano vai sair do ninho da Arena, e na eleição não vão ter peito de levantar o debate sobrea ditadura.
Do blog Náufrago da utopia:
“SÓ FALTOU A FOLHA DIZER: ELA É COMUNISTA E COME CRIANCINHA!”
Num primeiro momento, era importante posicionar-me energicamente contra a reportagem Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim (Folha de S. Paulo, 05/04/2009, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0504200906.htm ), alertando os companheiros de que se tratava de uma nova investida reacionária do jornal, de contornos bem semelhantes ao do episódio ditabranda.
Foi o que fiz, de bate-pronto, com meu artigo Por que tanto estardalhaço em torno de um sequestro que não ocorreu? ( http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2009/04/por-que-tanto-estardalhaco-em-torno-de.html ).
Agora, com mais vagar, cabe aprofundar um pouco a análise.
Quem ler com atenção a imensa reportagem da Folha, perceberá que seu propósito subjacente foi fixar dois conceitos, ambos muito desfavoráveis às pretensões eleitorais da ministra Dilma Rousseff:
que ela era uma guerrilheira, envolvida com ações atualmente vistas de forma negativa (sequestros);
que ela hoje tem como aliado político alguém que era seu inimigo, exatamente o alvo do sequestro.
Então, a Dilma militante é mostrada como alguém que “sabe montar e desmontar um fuzil de olhos fechados”. E tem mais: “Na clandestinidade, seu grupo planeja uma das ações ousadas da luta armada em 1969 contra a ditadura militar: o sequestro de Delfim Netto, símbolo do milagre econômico e civil mais poderoso do governo federal”.
A afirmação bombástica do 1º parágrafo só é relativizada no 5º, quando ficamos sabendo que Dilma e outros três comandantes da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares apenas “concordaram” com o plano de sequestrar Delfim Netto. Quem estava à frente desse projeto era o quinto comandante, Antonio Roberto Espinosa, exatamente a fonte principal da bombástica reportagem da Folha.
Ele “assumiu que coordenou o plano”, contando à reportagem do jornal “segredos que diz não ter revelado sob tortura”. E foram citadas declarações sintomáticas de Espinoza: “O grupo foi informado. Os cinco [ele, Dilma e os outros três dirigentes da VAR] sabiam”, “o comando nacional sabia, não houve nenhum veto”.
Ou seja, Espinoza acalentou a idéia de sequestrar Delfim Netto e fez alguns levantamentos. Informou o restante do comando da VAR-Palmares de sua intenção. Foi preso antes de qualquer tentativa concreta de concretizar seu propósito. Onde está a revelação estarrecedora que justifique o enorme destaque editorial dado a esse não-acontecimento de quatro décadas atrás?
Mais: por que acreditar tanto nas palavras de Espinoza e tão pouco nas de Dilma Rousseff? Afinal, inquirida sobre o tal sequestro, ela respondeu: “Acho que o Espinosa fantasiou essa. Sei lá o que ele fez, eu não me lembro disso. (…) Não acredito que tenha existido isso, dessa forma. Isso está no grande grupo de ações que me atribuem. Antes era o negócio do cofre do Adhemar, agora vem o Delfim. Ah, tem dó. Todos os dias arranjam uma ação para mim”.
Conheço bem os personagens e, mais ainda, o contexto em que travávamos a luta de resistência ao totalitarismo de estado implantado no Brasil. Espinoza foi quem me recrutou (juntamente com sete companheiros secundaristas) para a Vanguarda Popular Revolucionária.
E, de abril a outubro de 1969, ele fazia a ligação entre o Comando Nacional da organização e o comando estadual de São Paulo, ao qual eu pertencia. Só o perdi de vista quando ficamos em lados opostos no racha do Congresso de Teresópolis: eu na VPR reconstituída, ele na VAR.
Então, posso afirmar que ele estava sempre com um plano mirabolante desses na cabeça. Não duvido que tenha cientificado os quatro outros comandantes da VAR, mas algo assim só era discutido para valer no momento de ser colocado em prática. Aí, sim, os prós e contras eram minuciosamente avaliados. Antes, quando se tratava apenas de uma possibilidade dentre tantas outras, ninguém levava muito a sério.
As dificuldades eram imensas. Todas as organizações participantes da luta armada, no final de 1969, estavam debilitadas. Foi a fase em que se começaram a juntar vários partidos e organizações para efetuar ações armadas de maior porte, já que um só não dava mais conta do recado.
Então, era inimaginável, para nós, corrermos o risco de trocar tiros com uma escolta poderosa. Não podíamos nos dar ao luxo de perder mais combatentes. Uma ação dessas, na cabeça tanto dos dirigentes da VPR quanto dos da VAR, só se justificaria havendo uma boa chance de alcançar-se o objetivo sem baixas.
Segundo a reportagem da Folha, Delfim seria um “alvo fácil”. É uma contradição com a proeminência que o jornal lhe atribui e uma afirmação dura de engolir: desde quando uma ditadura descura da segurança de seus ministros?
E, noutro trecho, diz-se que “Delfim contou à Folha que recebeu recomendações para redobrar o cuidado diante da onda de atentados promovida pela esquerda contra o regime”. Quantas contradições numa reportagem só!
Ora, Espinoza não chegou a esse estágio, de reunir o comando e apresentar-lhe um roteiro de ação aceitável. Foi preso antes. Portanto, o tal sequestro do Delfim Netto não passou de um sonho de uma noite de verão, a exemplo de tantos outros que a guerrilha elocubrava sem ter como concretizar.
Além de Espinoza agora estar declarando, com indignação, que foi vítima de uma armadilha da Folha, salta aos olhos que o material reunido pelo jornal não é suficiente para atribuir a Dilma Rousseff uma real responsabilidade por esse plano que não saiu do papel.
Com a experiência de mais de três décadas de atuação jornalística, posso afirmar que, não havendo uma presidenciável na jogada, as pseudo-revelações de Espinoza teriam um destino certo: o cesto de lixo.
Há histórias muito mais significativas a serem contadas sobre a luta armada, mas à grande imprensa nunca interessou contá-las, porque delas o que sobressai é a bravura e o idealismo de quem travou uma luta tão desigual, contra um inimigo capaz das piores atrocidades.
Para quem quer fazer as novas gerações acreditarem que o regime militar nada mais era do que uma ditabranda, não convém trazer o fundamental do período à tona, mas, apenas, pinçar miudezas que sirvam a seus objetivos.
FOLHA CONFUNDE 1969 COM 1970 – E essa tendenciosidade perpassa toda a reportagem dominical da Folha.
P. ex., a escolha de Delfim Netto como alvo de sequestro se explicaria por ele ser “símbolo do milagre econômico”, o ministro da Fazenda “que sustentava a popularidade dos generais com um crescimento econômico de 9,5% em 1969″. Ou seja, sugere-se que os guerrilheiros, malvados como eles só, estariam ressentidos com o boom econômico e seu alegado artífice.
A Folha omitiu, entretanto, que nem se falava em milagre brasileiro no ano de 1969. O PIB avançara 9,8% em 1968, mas o salário-mínimo tivera crescimento negativo de 24,78%! A política econômica da ditadura beneficiou, primeiramente, o grande capital; só depois, em 1970, é que as sobras chegaram até a classe média.
No período 1968/1973, mais da metade dos assalariados brasileiros recebia um salário-mínimo ou menos. E, enquanto o PIB cresceu 146,33% nesses seis anos, o salário-mínimo teve de se contentar com apenas 81,52%, pois o modelo era, acentuadamente, concentrador de renda.
O período foi marcado por um aumento dos acidentes de trabalho, conseqüência das horas extras e da maior intensidade produtiva; e até por um agravamento das condições de saúde da maioria da população brasileira, evidenciado, p. ex., no ressurgimento de epidemias como a meningite e no aumento das taxas de mortalidade infantil.
O certo é que, em 1969, nem sequer a classe média estava eufórica com o regime, pois não havia a percepção de uma melhora econômica significativa, depois de tantos anos de vacas magras. E Delfim não sustentava a (inexistente) popularidade dos generais. Tudo isso viria em 1970.
Já o aspecto que eu destaquei — o de que Delfim era um alvo para sequestros por conta de sua condição de signatário do AI-5, o cheque em branco que a ditadura deu à linha dura militar para praticar todas as atrocidades –, isto ficou totalmente de fora da reportagem da Folha. Por que será?
Afora isto, Dilma é mostrada como a guerrilheira fútil que ia “cortar o cabelo no salão Jambert, que servia champanhe aos clientes”; como a responsável pela queda de quatro companheiros de organização (o que não tem nenhuma relevância em 2009!); e como a incumbida da distribuição do dinheiro da VAR (o que só interessa para quem quer propiciar insinuações malévolas, sem fazê-las diretamente).
E várias perguntas que lhe foram feitas pela repórter têm viés negativo, tipo “a sra. faz algum mea-culpa pela opção pela guerrilha?”.
Vale registrar que Dilma respondeu com dignidade a essa indagação descabida: “Não. Por quê? Isso não é ato de confissão, não é religioso. Eu mudei. Não tenho a mesma cabeça que tinha. (…) As pessoas mudam na vida, todos nós. Não mudei de lado não, isso é um orgulho. Mudei de métodos, de visão”.
Mas, se a extrema-direita precisava de munição para suas campanhas difamatórias contra Dilma, agora tem de sobra. Suas candentes declarações sobre as torturas que ela e todos os militantes sofríamos serão obviamente omitidas, mas se trombeteará que a “terrorista” antes queria sequestrar o Delfim Netto e agora os dois hipócritas estão irmanados num mesmo projeto político.
Uma mensagem de leitor, publicada no Painel de 06/04/2009, atesta que a reportagem atingiu plenamente seus objetivos: “se meu filho fosse se casar com uma ex-guerrilheira que pretendia sequestrar alguém, mesmo que fosse por motivos ideológicos, eu não aprovaria de jeito nenhum”.
Felizmente, ainda há quem não se deixe manipular. “Só faltou a Folha dizer: “Ela é comunista e come criancinha!”, escreveu outro leitor, este perspicaz.
Celso Lungaretti
“Por que confiar na palavra dele e não de uma jornalista que investigou o caso por semanas e possue um vasto material de estudo?”: porque a gravacao nao apareceu.
So outro grampo que nao apareceu.
“06/04/2009 – 16:50
Enviado por: Contador
Um assaltante que mata a sua vítima é mil vezes melhor que um terrorista que mata inocentes.”
De todas, essa o CONTADOR se superou.
Quando se tornar uma vítima você vai poder ficar feliz e dizer:
“Pelo menos não era um terrorista!”
ou então aconselhar :
“Estupra, mas não mata!”
Voce ainda considera um bom material levantado pela jornalista? Fica claro a manipulação e as pretensões do jornal.
É PARA ISSO QUE QUEREM LIBERDADE DE IMPRENSA? SERÁ QUE NÃO NÃO ESTARIA NA HORA DE COBRARMOS (E MUITO CARO) O QUE ESTES JORNAIS FAZEM NO BRASIL? DIZEM O QUE QUEREM, QUANDO QUEREM E PIOR, NÃO SE RETRATAM NUNCA. ATÉ QUANDO TEREMOS QUE SUPORTAR TUDO ISSO? CERTAMENTE ESTA JORNALISTAZINHA NEM CONHECE O QUE É ÉTICA NO JORNALISMO. SE PRESTA A ASSINAR OS LIXOS QUE MANIPULAM (FOLHA DE SÃO PAULO NESTE CASO) E SEQUER SE PREOCUPA COM O LEGADO QUE VAI DEIXAR PARA OS SEUS DESCENDENTES – A VERGONHA.
SR. ANTONIO ESPINOSA, LEVANTE ESTA BANDEIRA DA ÉTICA NO JORNALISMO, ESTÁ NA HORA DE DAR UM BASTA. VI HOJE NUM DOS “PERIFÉRICOS” (METRO DISTRIBUIDO GRATUITAMENTE) JÁ PUBLICOU HOJE UMA NOTA, E CLARO, COM A VERSÃO DELES. (FOLHA e METRO – ESTE ÚLTIMO SÓ TRANSCREVEU)
Nassif, essa notícia me lembrou uma propaganda bem bolada da Folha: http://www.youtube.com/watch?v=6t0SK9qPK8M
Se falando só a verdade já é possível manipular, imaginem faltando com a verdade…
Deixeeu entender: a Folha informa que o grupo ao qual Dilma pertencia planejou sequestrar o Defim, e que não o fez porque a turma foi presa primeiro. E entrevista a Dilma, que, como o jonal publica, com destaque, nega premptoriamente participação na coisa.
O Espinosa confirma que havia o planejamento, e que era o grupo ao qual Dilma pertencia, embora ela não participasse desse tipo de ação.
Gostem ou não os inimigos ou partidários de Dilma, tudo que for relativo ao passado de uma futura candidata à presidencia da República é notícia. E ela foi ouvida, está lá, na íntegra, o que disse. E, ao contrário do que supõe Espinosa, me pareceu sair bem do episódio, uma entrevista humana, respeitosa.
Mas tem gente que acha que sabe o que o povo deve ou não saber. No regime stalinista, esse tipo de gente apagava da foto os camaradas caídos em desgraça. Hoje, classifica de golpista qualquer notícia incômoda.
A crítica ao uso do telefone para a conversa (3 horas!!) é ridicula. E é claro que a repórter dependeu dele para acessar os arquivos; é exigência legal, os arquivos eram sobre ele…
Quando o Nassif saiu elogiando essa jornalista Fernanda Odilla, eu percebi que ele tinha cometido uma mancada.
Jornalista que trabalha para jornal que colaborou com a ditadura, inclusive logisticamente, disponibilizando sua frota de veículos para transportar presos políticos que foram levados para centros de tortura ou para locais onde foram simplesmente executados, e quem sabe outras coisas mais, não pode ser um profissional sério e honesto.
Esse jornal deveria ser fechado.
PS: nessa reportagem, o que dá mais nojo é tentarem insinuar que a Ministra teria cometido o crime de delação.
Delação é quando a pessoa em pleno domínio de sua razão, sem sofrer pressão psicológica, sem sofrer torturas, sem estar urinando, defecando, vomitando, expelindo sangue por todos os buracos em consequência da tortura, entrega companheiros em troca de sua desonra.
NÃO é delação quando o prisioneiro político, sob o impacto brutal da tortura, fora do domínio de sua consciência, apresenta nomes, quaisquer nomes, para se livrar imediatamente da dor insuportável. Aqueles presos políticos torturados que não falaram, em nenhuma hipótese, foram todos mortos como consequência da tortura.
E os torturadores estão por aí, chacoalhando, rindo, gozando a cara dos torturados, ou seja, perpetuando a tortura, impunes por uma lei de anistia promulgada pela própria ditadura.
Essa Folha de São Paulo não só pratica jornalismo de esgoto. Ela é o próprio esgoto.
Inda mais envolvendo o Delfim, segundo Espinosa “co-signatário do Ato Institucional número 5, principal quadro civil do governo ditatorial e cúmplice das ilegalidades, assassinatos e torturas)”, hoje um dos maiores aliados do governo e um dos principais conselheiros do presidente Lula em matéria de economia. Cabeça brilhante, diga-se de passagem.
A exceção de José Simão, a folhs só serve para limpar cocô de cachorro
Não sejam cruéis com o “não sequestro”. Já existe o “não áudio”. Ambos promovidos pela “não imprensa”.Deve ser uma nova vertente jornalística, o niilismo editorial. Nas eleições do ano que vem, vão repetir o volume dois da primeira série negativa: o ” não colou”.
Cacilda, a historinha do discurso da mulher esclarecida na fila da padaria dá de dez naquela do garçon do Jarbas Vasconcelos. Haja…
Abs
Li, reli, ouvi, não entendi e confesso que é muito difícil acreditar que se trata de mancada de papagaio de pirata, ou melhor, tudo indica que é carta de corso lida de trás pra frente : navio armado por particular para combater navios amigos, com a devida autorização de governo inimigo. Nem com videografismo dá para acreditar
Esta ingenuidade de acreditar que teria direito de resposta , e tão rápido, é a prova, não convence.
Este já era em rodinhas de papo entre amigos e amigas. Melhor compreender e esquecer !!!
Alguem pode confirmar se a jornalista sem-nome era contato com a tv, por favor?
Deu para captar:.
A dita foi branda
E a Dilma dura.
O Serra só brando
Na dita Folha
De cara dura.
Esse esquema subserrâneo de informacão, operado por ex stalinistas, quercistas e pefelistas em atividade, é tão ou mais manjado que manifestacão do Giilmar Dantas,
Outro ponto central da matéria é a contradição entre ela e a fonte. Ora, se a chamada do jornal é propositalmente ambígua, serve para mostar que a ministra mente.
Mas a ministra conduziu-se bem e, no que me toca, subiu o meu conceito.
É isso aí: a história dela merece ser mais conhecida por todos. Isso a fará mais ela mesma para o público, uma mulher digna de admiração, bastante consistente e inteligente. Deveria dar entrevistas na TV a jornalistas decentes contando a sua história com transparência.
JURA . . . . .
Lógico que DITABRANDA nao é ao acaso . . . . entre todos os motivos impera o de trazer à baila a época em que DILMA “aparece como guerrilheira” . . . . .
Como é que faz com esse povo (os jornalistas) que se permitem manipular nesse grau é um ponto. O outro ponto é que está na cara que o PIG já começa a detonar a Dilma…Mas tem um detalhe: isso é feito para uma pequena parcela da opinião pública, já alinhada como Lacerdismo…em suma, como batalha naval = ÁGUA! Os Frias tentam se redimir e ao mesmo tempo atiram a esmo….
O Arquiteto e astuto da Ditadura foi Golberi do Couto e Silva. Quando ele propos a Anistia ampla geral e irrestrita foi justamente para não levar ao banco dos réus o Otavio Frias que cedia suas c-14 para a “ditabranda” do Otavinho.
Dilma, a Maria Bonita que veio pra botar ordem na casa . . . . . . Serra, bem, Serra é apenas o Serra . . . . . .
A Pholla cospe para cima a cada dia que passa, no desespero de viabilizar a volta dos demotucanos para seus paus-de-araras-de-choque-de-gestão a nivel nacional.
É a desbandeirada geral depois que Lula ganhou um espaço político que poucos no mundo possuem, incensado por Obama e a imprensa mundial.
Na reunião do G20 o Lula bombou na imprensa mundial ao lado da Rainha e com o Obama levantando a bola pra ele matar no peito na pequena área.
Aí, logo depois aparece essa materinhinhazinha com cara de caca de foca trainee, provavelmente pautada por quem de direito de baraço e cutelo.
Quem estará financiando a “descredibilização” da pholla, da vexa, do Ão,Ão,Ão?
Em termos mercadológicos isso é suicídio puro. Eles não escrevem para que tem QI de ostra.
Os ulstras e agripinos da vida, da tortura e da morte não representam nem 1% da população brasileira. E eles mal sabem ler…
Quem financia esta terrorista imprensa-bomba midiática?
Será o Benedito? O Al Qaeda? A CIA? O Chávez? O Cartel de Medellin?
Ou serão as migalhas que estão pingando nas redações, provenientes das eternas, brandas e malemolentes obras de São Paulo como a dragagem do Tietê, Rodoanel, Metrô, CPTM, todas elas com problemas jurídicos e escândalos sufocados.
Será que os trocentos mil funcionários do estado estão ganhando assinaturas grátis de revistas, pasquins e papel de embrulhar peixe e cocô de gato?
Será porisso que depufedes e incitatus da situação e oposição decidiram não abrir a CPI da camargo pra não espalhar m…. no ventilador?
Ou de acordo com a teoria da conspiração do nossos jurássicos garrastazunianos, o maquiavélico ultraesquerdismo petista, aliado aos cumunistas tucanodemos vem conspirando contra a volta da Revolução Redentora da Família com Deus, pela Liberdade, Propriedade, Tradição e Família?
Ou porque, como disse Lampedusa: é preciso mudar tudo para que continue a mesma coisa?
Era tão certo como a chuva cai para baixo que a intenção da Folha ao falar em brandura da dita, era pintar a Dilma como uma radical comunista terrorista sanguinária que só combateu os militares porque ela era isso tudo. Já que os militares não eram tão maus assim, pois torturaram e mataram “tão pouquinho”. Isso tem tudo a ver com a papaguaida anticomunista do Alberto Goldman. Você tem toda razão, Nassif, os caras são primários.
Que vexame, dona Folha…
Do Blog do Mello: Folha reconhece erro em reporcagem sobre Dilma
“PRIMEIRA PÁGINA (5.ABR) O sobrenome de Antonio Roberto Espinosa, ex-colega da hoje ministra Dilma Rousseff na guerrilha, foi grafado incorretamente como “Spinoza” no texto “Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto”.
Da contestaçao da reportagem que o Espinosa mandou para o painel do leitor, nem uma linha.
Amigos, vamos ser sinceros: quem ainda assina a Falha, cancele logo , vamos fazer este pedante e mal educado “boss” sentir no bolso.
Campanha contra a manipulaçao da informaçao
O governo Lula se recusou a mandar a ditadura para o banco dos réus, inclusive designando o AGU para defender o torturador Cel. Ustra. Pois a ditadura vai colocar Dilma, vai julgar e condenar. Quem não faz gol, leva. Só nos resta esperar o resultado do júri popular em 2010.
Infelizmente, essa pratica da impressa não é única e nem tão pouco exclusiva da FSP. Sempre foi assim, porém hoje em dia, a pratica aumenta.
O estilo atual do jornalismo é “vamos fazer uma versão bombastica, se colar, colou. Mas se alguem se incomodar, melhor ainda, por repercute a nossa matéria”
É ou não é LN e ARE?
Da série : não confunda
Não confunda filosofia Ética, ateu , de Spinoza com entrevista cética, a toa, espinhosa .
não confunda excomunhão dos sacramentos com confissão de excrementos.
Pois eu acho é uma pena que a Dilma não tenha sequestrado ela mesma o Delfim!
Brincadeiras a parte, esse tiro da FSP vai sair pela culatra. Dilma paga de sonsa perante a opinião pública, sem contar que ainda por cima é mulher e velha (pra quem não sabe, existe MUITO sexismo e MUITO adolescentismo no Brasil). Se de repente vira guerrilheira sequestradora, estoura a boca do balão nas urnas.
Um grande personagem, é isso encanta nossa nação noveleira.
É revoltante como os veículos manipulam as informações!!!…
Alguns jornalista estão esquecendo o que siginifica a palavra ÉTICA!!!
Que vexamE….
Pessoal…só vou falar uma coisa…… EU NÃO FALO MAIS NADA…quem tem poder é a mídia!! infelismente fazem o que querem e derrubam quem querem…. Não saão todas, felizmente..mas, EU NÃO FALO MAIS NADA