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31/03/2009 - 18:00

A tragédia de Barbosa

Do Portal Luís Nassif

Do Blog de Elizabeth Lorenzotti

Um conto: Muito mais de onze fraturas

A desgraça do goleiro Barbosa, que tomou o gol que tirou no Brasil a conquista do titulo, no mundial de 1950, contra o Uruguai, realizado no Maracanã, me inspirou, faz tempo, este conto.

Não entendo nada de futebol, mas me fascina o lado humano de seus personagens.

Pra ele doía muito mais que fratura. Meu amigão, colega do grupo escolar. Saudade das peladas, eu era lateral direito, ele goleiro.Parecia um gato, o camarada! Mudou pra São Paulo, trabalhava numa firma lavando vidro e lá mesmo, jogando na fábrica, foi contratado pelo Ypiranga, por volta de 1940. Ele era do 1921, o senhor faz as contas, tinha 19 anos.

No 1943, o Barbosa já era dos melhores goleiros paulistas, daí o Domingos da Guia indicou ele pro Vasco em 44, em 45 já estava no escrete brasileiro. Mas naquele 16 de julho de 50, contra o Uruguai… (continua)

Por Sergio de Moraes Paulo

A quem interessar possa,

vi uma palestra do Barbosa na década de 1990, quando o Depto de Geografia da USP fez uma semana de debates sobre a Geografia e o Futebol.

Na ocasião, vi um pedaço da história brasileira, com pele negra, velho e ignorado por muitos que acham que gostam do país.

Barbosa surpreendeu a todos quando disse o que havia comido no dia da final contra o Uruguai. Disse que almoçou uma folha de alface.

Estava concentrado num hotel no RJ, e durante o almoço, deputados, senadores, governadores e prefeitos tiravam fotos com os “campeões”.

Disse também que a seleção, esfomeada e convencida pela imprensa e políticos de que seria campeã, foi para o Maracanã em carro aberto do corpo de Bombeiros.

A seleção Brasileira, a CBD, a imprensa e uma boa parte da população brasileira contou vitória antes do tempo. Na opinião de Barbosa, um velho sábio, a seleção brasileira perdeu por uma única razão: o Uruguai
jogou melhor.

Chorando, Barbosa terminou sua fala dizendo que no Brasil o pior dos criminosos fica na cadeia no máximo 30 anos. E que ele, mais de 40 depois, ainda não havia sido absolvido de um crime que não havia
cometido.

Ele pediu a todos que dessem essa versão. Sou professor e como educador, sempre conto essa história aos meus alunos quando vejo euforia desmedida, como a que tivemos em relação a Deigo Hipólito e
Daiana dos Santos.

Mas de 50 anos se passaram e não aprendemos a lidar com ansiedade coletiva e falsas expectativas. Assim como não aprendemos a conter uma certa vaidade insana diante de casos como esses.

Barbosa tinha muito a ensinar. Lamentavelmente, pouco o ouviram ao longo de sua vida.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags: ,

15 comentários para “A tragédia de Barbosa”

  1. Marcia disse:

    Betinha, bela crônica, me emocionei….imagino o sofrimento do Barbosa sendo apontado como culpado pela derrota do Brasil, como se goleiro fosse super-homem, infalível, com obrigação de não errar!

  2. Legal disse:

    Olha que coisa. Eu sempre ouvi falar que a culpa foi do goleiro. Pois nao e que lendo o post, eu descobri que NINGUEM ACOMPANHOU OS TRES URUGUAIS QUE VINHAM PELO CENTRO. Ninguem jamais me contou este “pequenino” detalhe.

    Mas nos gostamos de uma trajedia.

    Depois daquela copa quantas copas ganhou o uruguai? Nenhuma.
    E nao e em todas as copas que eles foram. Pior, nao ganham de um time europeu desde 1970.

    Ja nos, fomos campeoes 5 vezes. E seremos 7 vezes campeoes em 2014. Alias, BARBOSA tem 7 letras. E o BRASIL vai ser CAMPEAO (7 letras) aqui dentro. Mais, vai ser HEPTA CAMPEAO.

    Duro vai ser aguentar o Galvao. E HEPTA, E HEPTA, E HEPTA.

  3. WAGNER disse:

    LN
    Barbosa foi vítima da Mídia Esportiva da época, que o execrou indevidamente, foi um grande complô contra o coitado, que não teve nenhuma culpa pelo gol, pois quem falhou foi um dos defensores. Como ainda eu não era nascido na época da Copa de 50, tive acesso
    as imagens, inclusive da frustação dos que estavam presentes no Maracanã que empurrados pelo pessoal da”imprensa” acreditavam que
    nem havia necessidade de haver jogo, pois o Brasil ja havia conquistado a copa (sem jogar ) . Voce ve que o assassinato de reputação já é algo antigo em nossa mídia.

  4. Ary Martini disse:

    O gol que o Barbosa levou, as duas polegadas de Marta Rocha e o “Olívio mandou a Ford embora”: até quando?

  5. sambarylove disse:

    Nem o Barbosa e tampouco o Bigode tiveram culpa naquele lance. Quem falhou foi o fraco zagueiro Juvenal (que não fez a devida cobertura), gaúcho e jogador do Flamengo na época.
    O bom Bigode eu cheguei a conhecer pobre e esquecido, aguardando o final dos seus dias numa pequena cidade do interior do Espirito Santo.
    Em outras Copas alguns jogadores verdadeiramente falharam bisonhamente, inclusive “ajudando” em eliminações do Brasil e, pasmem !, ainda são incensados pela nossa estranha mídia esportiva.
    Quem não se lembra do tal quarto-zagueiro Luizinho e do lateral-esquerdo Junior (hoje comentarista esportivo) entregando o ouro para o italiano Paulo Rossi em 1982? E não adianta alguém dizer que o Cerezzo falhou num dos lances, pois é mentira. Ele, Cerezzo, bateu uma falta para onde tinha três jogadores brasileiros: Luizinho, Oscar e Junior e os três esperaram um pelo outro e o Paulo Rossi vendo tanta moleza apareceu e aí…saco.
    Em outro gol italiano novamente Junior e Luizinho falharam conjuntamente, permitindo que o Paulo Rossi penetrasse entre os dois e fuzilasse mais uma vez sem apelação.
    E no terceiro gol o abobado Luizinho ficou estático no meio da área e o tal Junior fez pior: ficou estático na linha do gol, dando condições legais para o imperdoável Paulo Rossi acabar de fazer sua festa italiana.
    E na Copa de 1990, quem não se lembra de um meio-campista chamado Alemão, com a ajuda imprescindível dos dois ridículos e estabanados zagueiros Ricardo Rocha e Mauro Galvão, dando mole para o Maradona servir ao seu companheiro que fez o gol que eliminou o Brasil?
    E ainda nesta Copa de 1990, quem não se lembra dos atacantes Careca e Muller (também hoje comentarista esportivo) que tiveram um ataque de tremedeira e não conseguiram fazer uma jogada sequer neste mesmo jogo decisivo contra a Argentina?
    Bem, teve também quem cometesse pênalti claro e infantil em outras Copas, sendo salvo pela arbitragem que não marcou o referido pênalti.
    E teve quem perdesse cobrança de pênalti decisivo… mas os vilões são sempre os pobres e injustiçados Barbosa e Bigode, enquanto os outros são até considerados craques inesquecíveis.
    A mídia continua a mesma, né?

  6. É ruim ! Quem entregou o ouro para o Paulo Rossi foi o Toninho Cerezo [ MINEIRO ]. Prestes a findar o jogo, atropelando o Zico, tomando-lhe a bola, no que seria um gol certo e do empate foi o Serginho Chulapa [ PAULISTA ].
    O QUIZUMBEIRO AINDA SAIU RINDO, COM AS CANJICAS ARREGANHADAS.

  7. João disse:

    Frangueiro dos bons.

  8. paulo disse:

    Caros colegas fâs do esporte,

    Lembrem-se de que: Em 1994 – quarenta e quatro anos após a
    derrota na Copa de 1950 – num jogo das Eliminatórias, coincidentemente entre Brasil e Uruguai, o auxiliar-técnico, Mario Jorge Lobo Zagallo, negou ao idoso Barbosa uma visita ao goleiro Taffarel dentro dos vestiários. E Taffarel, mesmo sendo um atleta de assumida fé cristã, declarou-se aliviado, pois tinha receio de ser contaminado pelo “azar” de Barbosa

    Essa eu tirei do
    O Gênero Crônica e o Esporte Futebol: elementos de uma cultura genuinamente brasileira
    André Mendes Capraro – Doutorando em História – UFPR/ Unicenp

  9. Elizabeth disse:

    Paulo
    esotu impressionadissima com essa história. Eu não podia imaginar que a coisa fosse pior.
    Um atleta de assumida fé cristão, é? O tal Taffarel?Sei.

    Em 1994 o Barbosa tinha 73 anos!!!! Como impedi-lo de entrar no vestiário????Qual é a desses tipos?

    Como me perguntou a Luzete, do Portal: Do que é feita a alma humana?

    Também é feita disso. Desse desrespeito, desse desamor.

    Que Deus guarde o Barbosa, e que sua história fique no imaginário do povo brasileiro como o grande goleiro, de origem humilde — como a maioria dos jogadores brasileiros –, que não é infalível, como nenhum de nós é.
    .Numa época em que os jogadores se doavam pelo esporte e nada recebiam em troca: morriam pobres, como Garrincha e tantos outros.
    Aquele filme Boleiros, do Ugo Giorgetti, mostra bem o mundo do futebol, com os velhos jogadores contando suas histórias.
    Outro dia vi um programa com Pelé, Coutinho, Pepe,não lembro mais quem, enfim aquela linha do Santos.Também foi emocionante.

    O que tentei passar neste conto foi o sentimento de Barbosa.
    Sua paixão, sua delicadeza, sua alma elegante.
    História tirste, que se repete em vários setores da atividade humana, porque a espécie humana é a mesma em todo o canto.

    Ele não perdeu, ele ganhou seu lugar na historia do futebol, e com o tempo, a verdade emerge. Sempre.

  10. Marco Antonio disse:

    Essa história da visita de Barbosa a Taffarel eu não conhecia. O incrível são pessoas pretensamente esclarecidas deixarem superstições ultrapassar princípios morais e valores como educação, gentileza, caridade e respeito por um passado que é nosso. Porque ninguém vive só de vitórias e é preciso perder para saber o valor da vitória, é preciso saber que a diferença entre um resultado e outro é sempre menor do que a dedicação que permeou o caminho. É sabendo de casos assim que a gente, mais do que no gol de Gighia, ouve o silêncio sepulcral que surge a cada vez que morre um pouquinho a esperança que se tem nos homens.

  11. Marco Antonio disse:

    Quem visitou Zagallo em 74? E em 98? E em 2006? Mas talvez ele prefira pensar hoje que ” discriminação” também tem 13 letras e por isso fez o que fez.

  12. sambarylove disse:

    Hi! Esse Paulo Kautsher é flamenguista na certa, para aparecer defendendo o Zico, o dito galináceo, que tremia em partidas importantes, haja vista o pênalti perdido contra a França em 86, o mais ilustrativo de todos os seus fracassos.
    Quanto ao outro jogador flamenguista, o Júnior, falhou nos três gols italianos em 1982, em dois deles contando com a inestimável colaboração do Luizinho do Atlético Mineiro e, em um deles, também com uma pitadinha do Oscar do São Paulo.
    Quanto ao Serginho Chulapa, eu concordo. Era um perna-de-pau mesmo.
    Quanto a mim, que não sou paulista ou mineiro, só relatei aquilo que vi.
    Quanto ao gonçalense, acho que na sua imaginação de torcedor doente trocou alhos por bugalhos ou sonhou com coisas que jamais aconteceram naquele jogo Brasil x Itália.
    O lance com o Chulapa e o Zico aconteceu no jogo Brasil x Argentina, onde o Brasil só venceu graças aos roubos escandalosos da arbitragem a seu favor. No lance do primeiro gol do Brasil aconteceram os tais empurrões entre o Chulapa e o Zico pra ver quem chutava a bola para dentro, isto depois de o Zico ficar mais de um minuto em impedimento (sem dúvida o impedimento mais longo e clamoroso de todas as Copas) estranhamente ignorado pelo juiz e bandeirinha.
    Neste jogo a arbitragem camarada (lembrem-se que a Argentina entrou demonizada naquela Copa de 82 pelos acontecimentos da Copa anterior em seu país) também ignorou dois pênaltis clamorosos contra o Brasil: o primeiro cometido pelo corintiano Sócrates ao empurrar pelas costas um zagueiro argentino que fatalmente faria o gol de cabeça. O segundo cometido pelo inefável flamenguista Junior, ao aterrar dentro da pequena área um atacante argentino que também, fatalmente, faria o gol.
    Estes são os fatos, o resto é fruto da imaginação de torcedor doente ou da imprensa vendida e pouco confiável.

  13. Evaristo disse:

    Zagalo foi o cara que mais perdeu copas. Tô certo?

    Serra é o cara que vai perder tantas quantas forem preciso. Tô certo.

  14. A quem interessar possa,

    vi uma palestra do Barbosa na década de 1990, quando o Depto de Geografia da USP fez uma semana de debates sobre a Geografia e o Futebol.

    Na ocasião, vi um pedaço da história brasileira, com pele negra, velho e ignorado por muitos que acham que gostam do país.

    Barbosa surpreendeu a todos quando disse o que havia comido no dia da final contra o Uruguai. Disse que almoçou uma folha de alface. Estava concentrado num hotel no RJ, e durante o almoço, deputados, senadores, governadores e prefeitos tiravam fotos com os “campeões”.

    Disse também que a seleção, esfomeada e convencida pela imprensa e políticos de que seria campeã, foi para o Maracanã em carro aberto do corpo de Bombeiros.

    A seleção Brasileira, a CBD, a imprensa e uma boa parte da população brasileira contou vitória antes do tempo. Na opinião de Barbosa, um velho sábio, a seleção brasileira perdeu por uma única razão: o Uruguai jogou melhor.

    Chorando, Barbosa terminou sua fala dizendo que no Brasil o pior dos criminosos fica na cadeia no máximo 30 anos. E que ele, mais de 40 depois, ainda não havia sido absolvido de um crime que não havia cometido.

    Ele pediu a todos que dessem essa versão. Sou professor e como educador, sempre conto essa história aos meus alunos quando vejo euforia desmedida, como a que tivemos em relação a Deigo Hipólito e Daiana dos Santos.

    Mas de 50 anos se passaram e não aprendemos a lidar com ansiedade coletiva e falsas expectativas. Assim como não aprendemos a conter uma certa vaidade insana diante de casos como esses.

    Barbosa tinha muito a ensinar. Lamentavelmente, pouco o ouviram ao longo de sua vida.

  15. Bosquímano disse:

    Barbosa foi condenado a prisao perpétua. Bela homenagem a um grande goleiro. Galeano, en futebol a sol e sobra, também o homenageia.

    Vale lembrar que a ida de Barbosa ao Maracanã em 94, aliás, a partida contra o uruguai foi também num 16 de julho, foi para uma reportagem da BBC. A cara de Barbosa, quando lhe avisaram que sua enrada estava proibida, é a imagem que mais envergonha o futebol nacional. Depois o Zagallo tentou limpar a merda oferecendo uma camisa autografada, ou algo… A BBC, mesmo sem realizar a matéria, pagou o cachê ao goleiro de 50.

    Tanto Sambarylove como Paulo estao (mais ou menos) equivocados em realaçao aos lances da copa de 82. de fato Jr. falhou em 2 dos 3 gols da Itália, Cerezzo falhou no segundo. Há o lance, contra a itália, em que serginho atropela zico´em uma jogada clara de gol. Nao foi no fim da partida, foi no primeiro tempo, por volta dos 20 minutos. As vezes é importante reconhecer que a Itália jogou muito bem aquela partida, da mesma forma que o Uruguai, em 50.

    Sambarylove, vale recordar que o lance do pênalti perdido em 86, contra a frança, foi o segundo toque o o Zico deu na bola. Ele havia acabado de entrar na partida e a inda estava frio. O bom senso diria que outro deveria cobrar. Ele nao tremeu, bateu, mal, e perdeu. Acontece. Depois, na decisao por pênaltis, voltou a bater, mal, e fez. Só para constar, o primeiro toque que o Zico deu na bola naquela partida foi um espetacular lançamento para o Branco, que originou o pênalti.

    Esse tipo de comentário no fim das contas nao difere muito do que fizeram com Barbosa.

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