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28/03/2009 - 10:20

O desastre na Educação paulista

Dia desses conversava com um consultor de uma grande empresa de auditoria internacional. Ele terminara um amplo estudo sobre modelos educacionais em diversos países.

A conversa era sobre a decisão da Secretaria da Educação de São Paulo de terceirizar os serviços de limpeza. O projeto é bom, redondo. É descentralizado, cada regional monta a sua licitação. Funcionários são preparados para gerenciar contratos, avaliar resultados da limpeza. E o diretor da escola fica desobrigado de trabalhos que consumiam seu tempo, impedindo de focar na questão pedagógica.

Mesmo assim, me dizia ele – confirmando o que eu já ouvira de diversos setores ligados à Educação paulista – os métodos de Maria Helena, a secretária recém demitida, eram excessivamente truculentos. Ele comparava com o modelo mineiro, em que a Secretaria procurara o diálogo, a conversa branda de convencimento sobre os novos valores de gestão.

Novos ricos da gestão

Em São Paulo, Maria Helena parecia uma nova rica da gestão, desses que dominam algumas técnicas e se julgam acima dos mortais comuns. Qualquer gestor eficiente sabe que o ponto central de todo programa é a área de recursos humanos, é a montagem de um modelo, o convite para as pessoas aderirem, a compreensão para as dificuldades iniciais de adaptação. É conquistar corações e mentes para o novo modelo.

Como São Paulo não tem modelo de gestão e o governo José Serra tende a considerar qualquer resistência do funcionalismo como boicote, deixou-se a Secretária à solta. E uma bandeira relevante – o da avaliação e da meritocracia – tornou-se um trambolho, devido à soma mortal de amadorismo e arrogância.

Montou-se um modelo que deveria premiar melhorias incrementais nas escolas. Não se deveria comparar simplesmente uma escola com outra, justamente devido ao fato de estarem em ambientes não homogêneos. Sendo assim, as melhores escolas continuariam sendo sempre as melhores e as piores, mesmo melhorando, não teriam incentivo para permaneceram na trilha do aprimoramento. Estava correto.

Qual a saída desses gênios da gestão? Decidiu-se que a premiação (e respectivos bônus de desempenho) seria apenas para melhorias. Conclusão, como é mais fácil melhorar as piores, estas foram premiadas. Como não sabiam como é difícil manter graus de excelência, as melhores escolas, que conservaram sua qualidade, foram punidas, nada ganharam, porque não melhoraram o que já era bom.

Com isso, o modelo Serra de modernização da gestão na educação conseguiu colocar contra si seus principais aliados: as escolas que eram modelo de excelência.

Além disso resultado absoluto foi decepcionante, dando continuidade à sequência de secretários da educação que estão desmantelando o ensino paulista.

Por Andre Araujo

O modelo economicista na educação começou no Governo Covas. Implantou-se um método de “”management”” puramente orçamentário, centrado no corte de custos, onde de cara sairam os guardas escolares, que eram mantidos pelo BANESER, empresa que foi fechada porque era considerada um reduto quercista mas que tinha muitos bons profissionais contratados no mercado de trabalho alocados em todo o Governo. Tambem foram fechadas escolinhas de futebol e outras iniciativas que vinham do governo Quercia, que tinha bastante atenção com a area de educação e bem estar social, inclusive com otimas creches estaduais bancadas por estatais, todas fechadas pelo governo Covas.

O estilo “”management”, exclusivamente financeiro pouco ligava para o que pensava a area que cuidava do ensino. Sob o tacão de Secretarios truculentos perdeu-se a motivação do professorado e com a aprovação automática o professor perdeu o resto de autoridade que tinha na classe.

O sistema ruiu de alto a baixo, com uma nova violencia dentro das salas de aula, entre alunos e destes contra os professores, alem da violência externa com marginais rondando as escolas, já não haviam mais os guardas do Baneser.

Se há um desastre que que se pode debitar exclusivamente aos tucanos, é a ruina da educação paulista. Por incrivel que possa parecer, os mais intelectualizados politicos brasileiros trataram a educação como um almoxarifado, a ponto da educação paulista, tradicionalmente a melhor do Pais, ser hoje uma das piores, muito atrás do Rio e Minas, que mantiveram mais ou menos a estrutura tradicional na mão de educadores .

A persistência no erro continua e se magnifica com a entrada de Paulo Renato, o Papa dessa linhagem de gerentões de escolas, a antítese do educador apaixonado pela educação, vai ser a continuidade da mesma visão puramente planilhista e estatistica, longe das reais necessidades de um sistema de educação, que começa pelo olhar missionário do educador, uma função nobre que exige vocação.

Por Waldyr Kopezky

Nunca houve compromisso nenhum dos governos de SP com o ensino público, gente! Para quem não se lembra (porque se alguém não lembrar, ninguém fala e a história é reescrita), a progressão continuada foi a saída fácil para manter um fluxo de dinheiro que vinha da UNESCO desde os anos 80, e que visava patrocinar nos países em desenvolvimento na luta pelo fim do analfabetismo. Pois bem, na época do governo Mário Covas o projeto da UNESCO atingia uma de suas fases de transformação: após anos e anos enviando dinheiro (graúdo!) para os países, agora o órgão da ONU exigia uma contrapartida para a manutenção do fluxo de verbas: que os governos apresentassem dados que comprovassem a melhoria nos índices de aprovação e a diminuição dos números de evasão escolar.

Covas – talvez num dos pouco momentos em que ele poderia se envergonhar, em sua carreira política – cede à uma ideia de FHC: a implantação – de cima para baixo – de um projeto de ensino moderno, construtivista, consagrado, de um educador irrepreensível: Paulo Freire. Estava aberta a porta para a progressão continuada. Repetência zero trazia duas vantagens: 1. os números de aprovação cresceriam, sem nenhum custo adicional e 2. a escola sem repetência seria um chamariz para a juventude humilde, que buscaria a graduação sem esforço. Foi isso. Os números subiram, a meta da UNESCO foi atingida e o fluxo de dinheiro foi mantido nos anos subsequentes. Tudo isso sem – claro, evidente! – melhorar o sistema de ensino, sem qualificar educadores ou aparelhá-los para uma mudança de avaliação tão radical. Isso tudo só piorou: hoje temos uma geração de semi-analfabetos (são muito piores que os analfabetos totais, ou “absolute beginners”) que estão na oitava série mas mal sabem escrever ou entender uma leitura; pensam que sabem, que são esclarecidos, mas não percebem em sua semi-ignorância que são o perfil ideal de público de massa: mero “gado” guiado, rebanho dócil e facilmente manobrado pela mídia e pelos políticos.

Nunca teve nada a ver com “gestão educacional”, “modelo de ensino” ou “mudança de paradigma”. Gente, foi ganância pura e simples, misturada a um projeto político de subserviência!

Autor: luisnassif - Categoria(s): Educação Tags: , ,

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85 comentários para “O desastre na Educação paulista”

  1. marina disse:

    Waldyr Kopezky:

    queria lhe agradecer pela resposta… e tambem concordo contigo quando afirma que o ensino no estado de sao paulo está sendo nivelado por baixo…. mas tambem eu quero acreditar que as ecolas que criaram um bom padrao de ensino em sp trabalharam para isso …. isso é algo que se conquista, é merito…. mas o problema que essas boas escolas do estado sofreram e ainda sofrem com o abandono, truculencia e falta de foco da de tantos secretários da educaçao do psdb em são paulo… secretaria da educaçao, até onde eu saiba, não privilegia escolas, pode privilegiar muita coisas, mas escolas não… e conseguiram se superar… sao poucas, sete apenas… se contarmos os indices entre quatro e cinco esse numero aumenta um pouco, mas ainda são poucas…

  2. Rivaldo disse:

    Caro leitor!
    O objetivo do PSDB é um só: deixar que a escola pública vá se asfixiando lentamente para que depois possa justificar junto à sociedade a terceirização por completo do Ensino, que por hora atinge a limpeza, merenda e alguns funcionários da secretaria. Portanto estes “gestores” estão de olho na sua fatia de mercado, isto é, como aplicarão este golpe com o discurso sínico de que os gestores de ensino privado são muito mais eficientes. A sociedade incauta compra o gato por lebre mais uma vez, vejam o caso das “uniesquinas” (faculdade particular) onde existem vestibulares 24 horas por dia, é só agendar uma prova. Tendo dinheiro para pagar a mensalidade extorsiva, fica garantida a entrada, mas a qualidade fica totalmente comprometida, afinal estes gestores querem apenas os lucro das mensalidades, portanto nunca vão correr o risco de perderem os seus clientes repetindo-os. Veja o caso da merenda terceirizada: bolacha com leite e Nescau no almoço, mas quando situação é um pouco melhor, três almôndegas por aluno e não pode passar disso. Além da questão das comidas estragadas que não podem ser descartadas, pois em primeiro lugar o lucro.

  3. Clever Mendes de Oliveira disse:

    Luis Nassif,
    Fiz menção aos meus comentários enviados para o texto acima intitulado “O desastre na Educação paulistanos” aos emails que enviei para “A estratégia dos “olhos azuis”” de 31/03/2009 às 09:26.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 31/03/2009

  4. Afonso Avena disse:

    A Secretaria de Estado da Educação há muito se encontra desestruturada e já atingiu o limite de incompetência. A Secretaria da Educação é, hoje, uma criatura monstruosa, com um enorme corpo e uma cabeça minúscula.
    Apesar de sermos o Estado mais rico e desenvolvido do país, que exige mão-de-obra altamente qualificada, o Sistema Público de Ensino Básico não qualifica os cidadãos para o trabalho mais simples e nem os prepara para o exercício da cidadania.
    O problema é de gestão. Os gestores nomeados para a Educação são educadores de gabinete – que parecem habitar outro planeta, tal é o alheamento que demonstram em relação à realidade das escolas brasileiras, especialmente a escola pública – com belas teorias acadêmicas, mas inexeqüíveis no chão da escola.
    A burocracia é altamente privilegiada e o pedagógico relegado a um plano secundário. Para os burocratas no poder o que importa são os relatórios impecavelmente elaborados, que lhes dão a “segurança” de que tudo está sendo executado com eficácia e dentro da legalidade, pouco se importando se as medidas relatadas foram efetivamente postas em prática ou tiveram êxito.
    Nosso Estado tem vocação empreendedora. A Secretaria de Estado da Educação deveria ser administrada como empresa – como um grande empreendimento, com sistema eficaz e ordem – e não como se fosse uma repartição pública convencional (muitos servidores interessados apenas em manter seus privilégios e benefícios, corporativismo, muita burocracia, com altíssimo custo e poucos resultados úteis para a Sociedade).
    O Governador José Serra, embora sendo economista, fez boa gestão como Ministro da Saúde. Por que não escolher um economista ou um administrador de empresas ou um empresário bem sucedido como Secretário de Estado da Educação? Garantimos que a experiência seria válida – com os mesmos recursos atuais, muito mais seria produzido. E a certeza de que pior do que está não ficará.

  5. Divino disse:

    fonte: Folha de São Paulo (26.04.2009)

    “É geral a insatisfação com a qualidade de ensino, bem como o entendimento de que a melhoria da escola ocorrerá pelas mãos dos educadores. Todavia, culpar educadores de forma generalizada é um desserviço e dificulta soluções. Estas pressupõem entender a complexidade do que significa ser professor hoje, vivendo a revolução digital/ comunicacional e acolhendo toda a diversidade do alunado.

    Por isso, urge: 1) a revalorização da profissão, com melhores condições de trabalho e remuneração digna; 2) a melhoria da formação de professores (inicial e continuada), sendo que na inicial, além dos esforços locais, falta em nível nacional a revisão de algumas diretrizes curriculares, como as da pedagogia; 3) políticas públicas dos governos e secretarias, destacando-se: aumento do tempo de estudo do aluno, professores efetivos, permanência e formação continuada na escola. Não é justo questionar profissionais ou faculdades isoladamente.
    Com exceção do alunado, não há inocentes; a sociedade toda está em questão.”

    Sônia Penin , diretora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP)

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