Para salvar 2009
Em artigo no Valor, Delfim Netto historia os prpofundos erros de avaliação da política monetária do Banco Central do governo Lula e apresenta su receita para salvar 2009:
2009 está (ainda) em nossas mãos
Antonio Delfim Netto
(…) A “blindagem”, que poderíamos ter feito e não fizemos, era a do nosso sistema bancário hígido para que ele não tivesse de, por precaução, assassinar o crédito interbancário e interromper abruptamente o “circuito econômico”. Tudo isso é passado. O que foi feito foi feito, não pode ser não-feito, mas pode ser refeito.
(…) Não podemos perder o foco e o senso de urgência e “filosofar” sobre a nova arquitetura mundial. Nosso problema está aqui. É aqui, no chão do Brasil real, que se definirá, afinal, a verdadeira qualidade da nossa governança.
Lembremos três fatos insuperáveis:
1) Nosso ponto de partida é de -1,5%;
2) Perdemos o primeiro trimestre de 2009; e
3) Dissipamos os últimos seis meses enrolados numa política monetária que, em lugar de usar a musculatura do Banco Central para reduzir os efeitos da queda do crédito interbancário, tergiversou e construiu a perversa teoria que qualquer banco “grande” é melhor do que qualquer banco “pequeno” e que qualquer banco “público” é melhor do que o melhor banco “privado”, da qual ainda vamos nos arrepender…
Temos os próximos três trimestres para: 1) corrigir a política monetária reduzindo os juros, dando maior “conforto” ao sistema bancário e abrindo janelas no Banco Central para o acesso direto das empresas ao crédito, como o FED já está fazendo; e 2) acelerar os investimentos públicos, manter a responsabilidade fiscal (cortando gastos) e cooptar o setor privado.
Não adianta ficar brigando com as “estimativas”. O crescimento real não está no passado: depende de nossa ação. Por exemplo, se o crescimento do primeiro trimestre de 2009 com relação ao último de 2008 foi nulo ou ligeiramente positivo (o que parece plausível), e se os crescimentos dos trimestres sucessivos sobre os seus antecedentes forem de 1% no segundo, 2% no terceiro e 1,5% no quarto, o PIB médio crescerá em torno de 0,6%. Com um pequeno esforço adicional bem dirigido, com crescimentos trimestrais de 1%, 3% e 2,5% respectivamente, o PIB poderá crescer 1,4%, em lugar do -1,4% projetado pelo JP Morgan.
(…) É preciso respeitar as regras do bom convívio internacional, mas não parece razoável iludir-se tentando primeiro salvar os EUA para depois salvar o Brasil, mesmo porque é provável que eles saiam da crise antes de nós…
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: Banco Central, bancos, crise, Delfim Netto
Nassif,
Você acha que a diretoria do Banco Central muda de comportamento?
Para mim está claro que o Meireles deveria ser demitido, junto com alguns outros diretores.
Isso sim seria uma atitude! Mas o que esperar do Lula?
O que se pode fazer para corrigir o tempo perdido é mandar o banqueiro tucano-pefelê Henrique Meirelles para a rua, colocar no seu lugar um economista que pense nos interesses do desenvolvimento social do país e não dos banqueiros sanguessugas do nosso desenvolvimento econômico.
Outra coisa a ser feita é acabar com a independência do BC, ele tem que ser controlado pelo governo federal e pelos interesses soberanos do povo brasileiro. Do jeito que está hoje, o BC é independente do povo brasileiro e dependente e administrado somente pelos interesses mesquinhos do sistema financeiro nacional aliado ao internacional.
Delfim esquece-se da segurança jurídica que no país inexiste. Falar em crédito direto do BC às empresas é o mesmo que falar em doação,ou será que os lobbies destes setores não irão propor um novo refinanciamento mais a frente?
A taxa de juros pode cair a zero,zero mesmo,que a taxa cobrada pelos bancos não apresentará recuo expressivo.
Devido a insegurança jurídica nossos bancos trabalham com baixa alavancagem o que,para manter uma rentabilidade próxima aos 25% de retorno sobre o patrimônio líquido como os demais setores,necessariamente implica em taxas cobradas próximas aos valores atuais.
Não é de graça que,ao perceberem isso,grandes corretoras de ações já começam a direcionar os recursos de seus investidores para o setor bancário,ou seja,cada vez que o BC diminuir os juros o setor bancário ganhará mais.
De positivo na rdução dos juros fica a redução da dívida pública o que,em tese,possibilitaria maiores investimentos na infra-estrura por exemplo .
A seguirmos a idéia de Delfim,logo,logo, o BC será obrigado a imprimir dinheiro,assim como o FED está a fazer.
O governo precisa é acabar aquilo que começou e não ficar a cada dia incluindo novas obras no PAC. Obras que tem principalmente o caráter estruturante como a Transnordestina e a transposição das águas do São Francisco caminham a passos lentos e todos os prazos já foram dilatados e já estima-se grande parte das conclusões para período posterior a este governo o que,como sabemos,não é garantia nenhuma de conclusão de obras.
Não entendo estes ex-Ministros da Fazenda, querendo dar opinião na administração dos outros. Porque não te calas?
Teve a oportunidade de fazer algo pela nação e não fez, e agora vem fazer recomendações e analise, ora, just shut up!
“sistema bancário hígido”? É isso mesmo? Ou é rígido?
Este Delfim sabe das coisas. Mas, o que eu mais gosto nele e a antipatia quase visceral pelo PSDB e, particularmente, pelo governo FHC.
Nassif, por favor, me responda: Que tipo de desenvolvimento os brasileiros desejam?
A propósito, segue abaixo mais uma história holandesa:
“A política do [conde Maurício] de Nassau para combater a fome criou diversos atritos do governo com os senhores [de engenho], já que se exigiu a plantação de mandioca para consumo local, e os senhores, que não aceitavam a imposição muitas vezes passavam por vexames em suas próprias terras obrigados pelas forças holandesas a iniciar o novo cultivo. Estes fatos foram decisivos para a decisão dos senhores de iniciarem uma rebelião em 1645, criada e sustentada pela elite agrária de origem portuguesa. (…)
O Nordeste brasileiro durante o período nunca foi auto-suficiente em alimentos, apesar das tentativas governamentais de incentivo à plantação de mandioca e de utilização de Alagoas como centro produtor de gêneros alimentícios de primeira necessidade e de gado.”
Fonte: http://www.klepsidra.net/klepsidra3/holandeses.html
Para falar do pensamento sobre o presente e o futuro.
Há holandeses que “através da integração entre arte e ciência, intuição e lógica, razão e sentimento, a comunicação será enriquecida. A cada individuo se dá a possibilidade de trocar suas próprias experiências, de fazer parte de um coletivo verdadeiro, usando comunicação e criatividade em grupo.
O TIBÁ se dispõe em toda a extensão de seus programas, atendendo comunidades e organizações, por exemplo, nas áreas de bio-arquitetura, agroecologia e no planejamento de ecovilas. Mantém ainda convênios e intercâmbios com instituições, grupos e pessoas direcionadas para os mesmos fins.
Pesquisamos e desenvolvemos protótipos de moradias saudáveis e de sistemas agroflorestais. Também produzimos materiais didáticos, na forma de cartazes, documentários, jogos, manuais e livros.
No idioma tupi, tibá quer dizer: LUGAR ONDE MUITAS PESSOAS SE ENCONTRAM”
Fonte: http://www.tibarose.com/port/home.htm
Do Banco Central do Brasil
http://www.bcb.gov.br/?ECOIMPEXT
NOTA PARA A IMPRENSA – 24.3.2009 – Setor Externo
I – Balanço de pagamentos – Fevereiro de 2009
O balanço de pagamentos registrou superávit de US$113 milhões em fevereiro.
As transações correntes foram deficitárias em US$591 milhões no mês, acumulando déficit, nos últimos doze meses, de US$25,7 bilhões, equivalente a -1,73% do PIB.
No mês, a conta financeira apresentou ingressos líquidos de US$481 milhões, destacando-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos, que somaram US$2 bilhões.
……..O item viagens internacionais registrou despesas líquidas de US$120 milhões, ante déficit de US$317 milhões em fevereiro do ano anterior, com reduções de 32,1% nos gastos com viagens ao exterior e de 13,1% nas receitas…………..
….Os lucros e dividendos permanecem reduzindo-se, em comparação com igual período do ano anterior, com contrações respectivas de 14,6%, no mês, e de 58,3%, no bimestre…………………
……….Os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$2 bilhões……………
…..III – Dívida externa
A dívida externa total, apurada para o mês de dezembro, atingiu US$198,4 bilhões, redução de US$13 bilhões em relação à posição de setembro de 2008. Essa redução deveu-se, em sua maior parte, à dívida de curto prazo, apurada nos balancetes dos bancos comerciais, cuja diminuição atingiu US$11 bilhões. A dívida externa de médio e longo prazos dos setores privado e público financeiro reduziu-se US$2 bilhões no mesmo período………………
……….Quanto à dívida externa de curto prazo, estimada em US$35,6 bilhões, a redução de US$869 milhões decorreu da redução líquida dos empréstimos em moeda, US$1 bilhão, e dos ingressos líquidos de US$177 milhões de financiamentos.
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Para o país ficar competitivo, as ações para salvar a economia brasileira deveria começar pelos bancos, eles deveriam cortar os juros para clientes com baixo risco de inadimplencia, parece que ninguém enchergar o problema, e continuam esperando que o Governo resolva tudo por decreto.
Nassif.
A visão pró-ativa do Delfim é impressionante. Enquanto uma boa parcela “urubulina” fica resmungando, Delfim parte para soluções pragmáticas e possíveis, brigando contra a sonolência do BC.
Chamaria muita a atenção de “cooptar o setor privado”.
Se Delfim quer reativar a movimentação de recursos e a produção de riquezas no curto prazo, deveria apontar como fazer isso, para que os investimentos não sejam feitos de modo “conservador”, ou seja, em projetos que nos mantenham nas áreas superadas do mercado anteriormente à crise. É preciso levar em conta que o mundo mudou, e há de fato condições produtivas totalmente novas em formação e em profusão, em ritmo muito acelerado. Nesse único ponto de um novo período histórico acho que não se deve deixar de olhar para o mundo. Em todos os outros, de fato é preciso resolver a crise aqui, primeiro.
Mas Delfim apontou sim o caminho e as novas perspectivas que se abrem, para onde se devem dirigir os “músculos” da economia. Nesse mundo renovado que passa a ser construído nas próximas décadas, durante muito tempo as áreas apontadas por ele serão as áreas mais incentivadas pela economia real. O caminho então não é reestatizar, mas trazer o capital privado para as áreas de infra-estrutura, contudo, isso de modo algum pode ser feito da maneira como foi feito até agora, nos 4 mandatos dos presidentes “progressistas”. Há uma cultura corporativa que não está sendo seguida pela área privada nos mais diversos setores em que começou a investir, e que antes eram infra-estrutura estatal. Há nessas fronteiras de desenvolvimento muitas lacunas que precisam ser resolvidas pelo Estado e pela iniciativa privada.
Mas acho que Delfim deu a melhor orientação sobre a crise, até agora. Vamos continuar tentando pegar o elevador com ele, para fazermos pequenas consultazinhas cotidianas e ver se nossas brilhantes idéias estão certas, ou porque é que estão -quase sempre- erradas.
Luis Nassif,
Toda vez que aparecer uma chamada para um texto de Delfim Netto no seu blog eu, um grande admirador dele, espero poder lembrar de indicar o seu texto intitulado “Requiém dos cabeças de planilhas” de 10/03/2009 às 08:23 em que se remete ao artigo de Delfim Netto no Valor Econômico de 10/03/2009 denominado “O fracasso da economia acadêmica”. Isso porque, enviei alguns comentários para lá onde apesar de ser admirador de Delfim, não esqueci de alertar para a necessidade de se ter atenção redobrada para os textos dele. E mais importante lá eu transcrevo uma passagem do texto seu que encontrei na Folha de S. Paulo publicado em 16/07/2003 e intitulado “O velho sábio e o câmbio” em que você também mostra a cautela que devemos ter ao ler um texto de Delfim Netto.
Insisti muito nos últimos emails que enviei para o seu blog, principalmente para o texto de Roberto São Paulo intitulado “A queda no consumo de energia” de 20/03/2009 às 15:28, sobre o problema da amarração da economia brasileira.
A economia brasileira está amarrada (E a isso eu chamo herança maldita) ao superávit primário, ao regime de metas, ao câmbio livre/flutuante e ao comércio externo liberado. Posso incluir também uma quinta amarração que é a Lei de Responsabilidade Fiscal. Não vejo o governo com cacife para quebrar essa amarração.
Não li o texto do Delfim Netto na íntegra e espero fazer isso hoje à noite e então comentar mais aqui no seu blog. Em princípio me parece que ele estaria propondo o mesmo do que se encontra no texto postado ontem, 23/03/2009 às 15:33, no blog do José Paulo Kupfer, intitulado “Basta de superávits primários!”.
Eu tenho a expectativa de o dólar valorizado permitir o relançamento da economia brasileira via mercado externo. Para isso seria imperativo a manutenção do câmbio em um patamar próximo de 2,30. Se conseguíssemos isso certamente reproduziríamos em 2009 e 2010 o que tivemos em 2003 e 2004 e já conhecendo o caminho, sem precisar repetir o erro de 2003 em que houve uma redução do juro acima do que seria recomendável.
Agora, se a alternativa for acabar com o superávit primário, que se acabe com todas as outras amarras, e que se deixe claro que se pretende acabar com a idéia do superávit primário. No meu entender, entretanto, acabar com o superávit primário e manter o câmbio livre/flutuante vai nos levar muito cedo para outra crise no Balanço de Pagamentos.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/03/2009
Eu vi o Lamarca elogiando o Delfim….
Eu vi !!!!!
Outra coisa: Nunca tinha notado quanta gente critica essa politica monetaria.
Mas é que a culpa é do Meirelles….
Delfim Neto, o Ministro da Fazenda que um dia culpou o chuchu pela inflação alta…..
E esqueceu de colocar a questão da carga tributária na sua crítica….
Será que ele sabe quanto tem de imposto no litro da gasolina?
Porque será que só as montadoras conseguem isenção de IPI?
Alguém sabe dizer se o economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, tem parentesco com o Sardemberg da Globo?
Flaggsmasher
É higido mesmo. O Delfim gosta muito de usar essa palavra, sempre dá um jeito de colocá-la em todos os seus textos. Fica parecendo mais inteligente, mas não passa de pedantismo intelectual, já que há muitos sinônimos que todos conhecem, como sadio, saudável, salutar.
Outro que abusa do “hígido” é o Clovis Rossi, mas ele não deve saber o significado. Já o utilizou como sinônimo de asséptico num texto em que falava do suposto dossiê contra o FHC.
Nassif,
O FED vai comprar títulos federais a rodo para reduzir a taxa de juros de longo prazo.
No Brasil isso é proibido, configura até ato de improbidade.
Quer dizer o Lula tagarela para lá e pra cá e não consegue baixar a taxa de juros.
Afinal, quem está com a razão na política monetária, o Brasil ou os EUA?
Luis Nassif
Eu me enganei a respeito do texto de Delfim Netto. Pensei que ele, aproveitando a cantilena contra o superávit primário, embarcara na canoa enquanto você utilizava o remo dele para também levar o seu barco. Enganei-me e me penitencio. Penitencio por dizer no meu comentário que me parecia que ele estaria propondo acabar com os superávits primários. E é só por isso que me penitencio. Tudo o mais que eu disse sobre Delfim Netto, em especial em remissão que faço para meus comentários que enviei para o seu texto “Requiém dos cabeças de planilhas” de 10/03/2009 às 08:23, continua válido.
De todo modo, não penso ser esse um bom texto do Delfim. Até a tabela, onde costumeiramente a arte de Delfim Netto excede, parece fora do lugar. E digo não em relação a montagem que você fez no seu blog, mas em relação ao texto original do Valor Econômico.
Não há a preocupação nem mesmo com os fatos. No primeiro parágrafo ele diz: “Em abril de 2008, quando iniciamos o movimento de aumento do nosso juro real, praticamente todos os países estavam reduzindo os seus, o que levou a valorização da nossa taxa cambial ao paroxismo em julho de 2008”. Ora, só os países desenvolvidos estavam reduzindo o juro. China, Índia e outros países ainda sofriam as conseqüências inflacionárias da valorização das commodities e precisavam tomar medidas para se contraporem a essa valorização e, dependendo do modelo econômico que adotavam, optavam pelo aumento do juro.
Se ele apresentasse uma tabela mensal para inflação e taxa de juro observar-se-ia que os países em desenvolvimento, em especial os que adotavam um modelo econômico com amarração ao regime de metas de inflação, ao fluxo de câmbio livre/câmbio flutuante, ao superávit primário, ao comercio exterior liberado, e também à Lei de Responsabilidade Fiscal, provavelmente apresentavam uma semelhança muito grande da política monetária com a brasileira.
O segundo e o terceiro parágrafo são repetitivos, pois insistem na idéia que o Banco Central do Brasil foi o único a adotar uma elevação da taxa de câmbio quando no mundo todo havia uma redução. Ora, isso só era verdade para os países desenvolvidos e os que perderam há muito a característica de país independente. Posso estar enganado, mas entre os países em desenvolvimento, só o México talvez estivesse apresentando indicadores que aconselhassem a redução dos juros.
Salvo o problema causado pela jogatina de algumas empresas no swap cambial, a valorização excessiva do dólar foi nos útil para afastarmos um pouco a nossa economia da dependência às exportações e não sofrermos tanto a paralisia que começava a ocorrer nos países desenvolvidos mais atrelados ao mercado externo. Creio que o problema que ocorreu com o México foi exatamente de estar a economia mexicana imensamente atrelada a economia americana e por isso as taxas de crescimento há muito era semelhante aos de países desenvolvidos.
Depois, parece que para preencher um parágrafo, Delfim Netto arrisca-se em um truismo e afirma: se não nos mobilizarmos, “corremos o risco de ter em 2009 uma redução do PIB”. E isso porque eu não quis dar o destaque a uma frase em que ele parece querer dizer alguma coisa, mas fica em: “Tudo isso é passado. O que foi feito foi feito, não pode ser não-feito, mas pode ser refeito”. E fecha o parágrafo com a tabela já mencionada acima. Com um pouco de trabalho ele poderia colocar mais sete colunas: o juro em setembro de 2007, em setembro de 2008 e no primeiro trimestre de 2009 e o juro que em setembro de 2008 se previa para setembro de 2009 e o PIB do terceiro trimestre de 2007 e de 2008 e do quarto de 2008.
Há em seguida o parágrafo que é de praxe nos textos de Delfim Netto: o parágrafo que ele faz os elogios genéricos e que recaem de preferência sobre o Plano Real. Para Delfim é de supor que a grande obra de engenharia que é o Plano Real é irretocável, a menos dos cabeças de planilhas que vez em quando aparecem aqui e ali para tentar por o Plano Real por terra.
E então aparece o Delfim que se esconde, o Delfim Netto que representa os interesses empresariais paulistas toma coragem e diz a que ele veio. E assim ele começa apresentando fatos: o ponto de partida é –1,5% (Sim, houve uma queda do PIB), perdemos o primeiro trimestre de 2009 (Sim, já estamos em 24/03/2009 e não há o que pode ser feito) e se construiu uma perversa teoria.
E a qual teoria Delfim Netto denominou perversa? A história que “qualquer banco “grande” é melhor do que qualquer banco “pequeno” e que qualquer banco “público” é melhor do que o melhor banco “privado””. E não se trata de uma história qualquer, mas de uma “da qual ainda vamos-nos arrepender”.
E é história que não foi construída no Brasil e talvez por isso, precisa que uma voz de autoridade aqui dos tropicos venha dizer que essa é uma história falaciosa, evitando que ela prospere em nossa terra. Para combater a primeira parte da história certamente que ele contará com a ajuda de antigos esquerdistas que se converteram em capitalistas e preconizam a pulverização dos empreendimentos para dar ensejo à competição, exigência primordial do capitalismo do sec. XVIII.
Meu personal economic adviser tem mais o que ensinar a esse pobre leigo. Assim ele aconselha a reduzir os juros. Em vez de falar em acabar com o superávit primário como eu pensara que ele dissera, o grande mestre propõe reduzir os juros. No ouvido de quem isso deve soar como música, além do seu, Luis Nassif? Certamente no ouvido do pequeno e médio empresariado paulista que, tenho que reconhecer, não dispõe de um canal junto ao BNDES. E propõe mais, pois ele quer que se acelere os investimentos públicos (Aha! Eu pensei, finalmente ele vai fazer o grande blocão pelo aumento do déficit público ou redução do superávit primário).
Qual o que? O mestre quer acelerar os investimentos mantendo a Lei de Responsabilidade Fiscal, ou seja, ele quer a redução de custos. Certamente leu o texto do Andre Araujo aqui no seu blog intitulado “A máfia das terceirizadoras” de 22/03/2009 às 08:00 e viu ali uma grande solução. Corta os gastos com a terceirização, desempregando um tanto de assalariados e certamente haverá maior disponibilidade de recursos para fazer grandes obras. Talvez também ele queira ver uma redução no consumo de energia elétrica, no uso de telefone e nos gastos com água, para assim sobrar recursos para investimentos. E nada mais sendo-lhe perguntado, Delfim Netto faz alguns exercícios de previsões de crescimento e fecha o artigo para o Valor Econômico com o título de “2009 está (ainda) em nossas mãos” Sim, isso sabemos, o que queremos saber é como tornar realizável esse crescimento.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 24/03/2009
Luis Nassif,
No meu email anterior, eu disse que o cerne do texto do Delfim Netto consiste na critica à teoria que ele chama de perversa e que seria decorrente da política monetária que, “em lugar de usar a musculatura do Banco Central para reduzir os efeitos da queda do crédito interbancário, tergiversou e construiu a perversa teoria que qualquer banco “grande” é melhor do que qualquer banco “pequeno” e que qualquer banco “público” é melhor do que o melhor banco “privado”, da qual ainda vamos nos arrepender…”
Embora o parágrafo seja revelador dos interesses que Delfim Netto defende, há que se concordar que nele reside razão. O princípio da livre iniciativa requer que os bancos sejam na sua maioria privados. Um sistema de bancos privados não produz uma economia capitalista livre.
Penso, entretanto que dois aspectos devem ser considerados na análise do que de certa forma, Delfim Netto fez no artigo. Para mim ele discutiu a sobrevivência do sistema capitalista. E nessa discussão, os dois aspectos a considerar é a extrema capacidade do capitalismo se adaptar as novas regras e a própria questão da superação do capitalismo.
Dias virão em que o capitalismo não mais existirá e, ai, não teremos do que nos arrepender. Alem disso, enquanto não fenece, o capitalismo se adapta a tudo. Quem poderia imaginar no início do séc. XX, quando a carga tributária girava em torno de 10% do PIB, que no séc. XXI as nações com uma carga tributária superior a 35% do PIB funcionam melhor do que as nações que com carga tributária inferior.
Sem dúvida que a inexistência de bancos privados breca em muito a capacidade de iniciativa do empresário ou o torna dependente dos humores do governante de plantão. É uma questão complexa que o alerta de Delfim Netto, embora interesseiro, não pode ser desconsiderado, e que, de certo modo, eu desconsiderei no email anterior (Discuti o alerta apenas pelo lado do interesse que ele subliminarmente trazia).
No entanto, a preocupação maior agora é com a sobrevivência e persistência do sistema de desenvolvimento de uma nação. Se a medida é contra o capitalismo, mas é boa para a nação é evidente que ela deveria ser implementada. O problema é que talvez não tenhamos o instrumental para fazer essa avaliação.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 25/03/2009
Como fica esta questão hoje com a atual crise econômica mundial, que está levando principalmente os países mais desenvolvidos a liberar volumes grandiosos de dinheiro público para salvar a economia de seus países?