Gilmar censura TV Câmara
Por Henrique
Aqui,o jornalista Leandro Fortes, publica no site da Carta Capital, mais uma do Gilmar Mendes e do Michel Temer. Estamos sob a ditadura da mais nova revelação do STF, o seu presidente, introduzido pelo ex-FHC.Trecho da matéria escrita por Fortes sob o titulo ” Carta Aberta aos Jornalistas do Brasil”:
Por Leandro Fortes
CARTA ABERTA AOS JORNALISTAS DO BRASIL
Com cópias para:
Sérgio Murillo de Andrade, presidente da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj);
Maurício Azedo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); e
Romário Schettino, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF)
No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado “Comitê de Imprensa”, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.
Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do “Comitê de Imprensa”, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.
Nesta carta, contudo, falo somente por mim.
Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalista, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.
Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.
Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.
Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes?
Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?
Por Paulo Kautscher-São Gonçalo-RJ
5 anos – Por que leio este blog – Gilmar Mendes
“Leio por que sendo a transparência um dos pilares da democracia, nunca será demais ressaltar a importância da mídia responsável na consolidação do Estado de Direito.
Assim, diante da excelência com que vem desempenhando o ofício de bem informar os cidadãos brasileiros, congratulo o Blog do Noblat pelos cinco anos de compromisso com a verdade e com a democracia no país”.
Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal
Por Olímpio Cruz Neto
Quem conhece o ministro Gilmar Mendes, ainda dos tempos de consultor jurídico do presidente e advogado-geral da União não se surpreende. É uma personalidade com ataques. Um homem que não admite ser contrariado e, diante do contraditório, ameaça o interlocutor. Fiz várias entrevistas com o ministro, ainda nos tempos de sua atuação na AGU e, por pelo menos três vezes, fui ameaçado verbalmente, nos mesmos termos que ele usou com o repórter acreano. A denúncia de Leandro é séria. Mas o mais inacreditável, de fato, é a Câmara ter retirado o programa do site.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: censura, Gilmar Mendes

Cesar, o “concordou” saiu em caixa alta por engano.
Perdão.
Interessante o relacionamento entre os poderes nessa questão da Operação Satiagraha. Parece ser consenso geral que ela não pode ir até o final e que as únicas autoridades empenhadas em esclarecer todas as irregularidades apuradas são os três mosqueteiros Protógenes, De Sanctis e De Grandis. A respeito do assunto só são aceitas matérias e reportagens que fazem coro com o pensamento da autoridade que parece realmente mandar nessa república das bananas que é o Sr. Presidente do Supremo Tribunal Federal. A comunidade jornalistica juntamente com os internautas assistem abismados a toda sorte de absurdos, inimagináveis antes da operação, mas que agora, de tão comuns, começam a fazer parte do nosso triste dia-a-dia. Estão todos anestesiados, e a voz que ouvimos se levantar contra algumas arbitrariedades é a da associação de juízes que, legitimamente, sai em defesa do valoroso magistrado Dr. Fausto de Sanctis. Que Brasil é esse? Quais valores estão sendo passados para as gerações que conduzirão esse país dentro de alguns anos? Qual a imagem que ficará da nossa corte suprema após esse episódio? Começo a crer que nunca seremos essa democracia que tantos homens de valor desse país passaram a vida perseguindo. Uma a uma assistimos a falência de nossas mais caras instituições criando naqueles que ainda acreditavam em alguma coisa a certeza de que somos uma nação sem futuro, saqueada por oportunistas desde sua colonização e que no teatro do mundo lhe foi destinado esse triste papel de coadjuvante sem muitas falas. É uma pena.
Eu me preocuparia intesamente se uma figura pública como Gilmar Mendes enviasse uma mensagem para o meu blog com observações elogiosas. Pensaria com os meus botões: fui denunciado. Agora todos sabem, se já não sabiam, que meu blog serve às conveniências de Gilmar Mendes. Cosiderada uma figura execrável, como é o presidente do supremo, não me agradaria nem um pouco ser acariciado por ele.