Confesso que a jornada foi dura. Depois de cinco horas no júri do Prêmio Mário Covas, ida a Guarulhos, três horas de vôo a Recife e 60 km de distância do hotel onde deveria palestrar na manhã seguinte.
Mas não poderia passar por Recife sem uma rodada com os chorões de lá, gentilmente reunidos pelo maior conhecedor de botecos da cidade – depois do Jarbas Vasconcellos – o Urariano Motta.
O Davi, violonista e professor de física foi me pegar no aeroporto
Valeu a pena. Além de ouvir o gênio Lalão e suas composições intrincadas, uma roda de choro de primeira, com Beto do Bandolim, Bozó no violão, Vlaudemir e Alexande na clarinete, Leandro na flauta e George e Vitor no pandeiro.
Tudo isso em um ambiente agradabilíssimo, meio boteco, meio atelier, o Poço da Panela, da Clarisse. E ainda saí de lá com a partitura do choro “O bandolim do Nassif”, composto pelo Beto. Não há nada que aqueça mais o coraçao de um chorão.
Fui dormir às duas, acordei às sete. Mas palestrei flutuando.
Reitero aqui o convite. Sempre que estiver desanimado com o Brasil, com Satiagraha, com a hipocrisia dos políticos, com a barra-pesada da mídia, vá a Recife. É um banho de Brasil que ajuda a recarregar a pilha por muito tempo.
Fui desrespeitoso e cometi um erro hoje contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, que está em visita ao Acre para uma palestra sobre drogas para jovens da rede pública estadual.
Ao fazer a primeira pergunta de uma entrevista coletiva, indaguei:
- Ministro, o senhor tem se manifestado constantemente em defesa da propriedade, contra as invasões, mas em nenhum momento o senhor se manifestou contra dezenas, centenas de assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais . [Até aqui, a pergunta é pertinente e correta do ponto de vista jornalístico, o exagero se deu na seqüência] Isso decorre do fato de o senhor ser ministro ou pecuarista?
A resposta do ministro veio à altura:
- Devo lhe dizer o seguinte: eu tenho me manifestado contra qualquer violação de direitos, qualquer violação de direitos. Eu não quero que haja assassinatos, independentemente de… Que não haja violência. Pode-se protestar, pode-se fazer qualquer consideração, mas tem que ser respeitado o direito de outrem. A pergunta de qualquer forma é desrespeitosa. O senhor tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta. Eu não sou pecuarista.
Ao formular de improviso a pergunta, tomei como base o manifesto distribuído no dia 6 de março pela pela Secretaria Nacional da Comissão Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, onde está afirmado (e até hoje não contestado publicamente), que o ministro Gilmar Mendes “não esconde sua parcialidade e de que lado está” e que é “grande proprietário de terra no Mato Grosso”.
Exagero também veio da parte de quem tanto critica a existência de um estado policialesco no país. Orientado pelo ministro, um assessor dele telefonou para a Polícia Federal, logo após a entrevista, e pediu aos agentes:
- Fiquem de olho naquele moço, pois ele é muito perigoso.Leia mais »
Estou ouvindo o depoimento do Ambrósio hoje na CPI.
O Ambrósio acabou de afirmar que no audio que ouviu acidentalmente, (pois o policial federal que estava ouvindo, acidentalmente deixou o canal aberto) a conversa e pessoas do audio são estas Andréa Michael ligou para o Opportunity e falou para seu assessor “Avisa ao Dantas que tenho algumas informações para ele”
Na entrevista à UOL (que começo a ouvir agora) a maior revelação do Delegado Protógenes (no capítulo “Quais os resultados positivos até agora da Satiagraha”), foi que Daniel Dantas guardava tudo de forma organizada, com data e detalhes, em arquivos próprios. Informava a conduta de cada subornado, quando foram iniciados os negócios, quanto receberam, quando?
Dá para entender o desespero geral?
Seu elogio à CPI é de uma ironia à toda prova. Defendeu, defendeu, elogiou. O bom entrevistador indaga qual a razão dos elogios, se era receio de ser preso na CPI. E ele, não. A CPI está ajudando a revelar personagens, atuações.
Não conheço pessoalmente Protógenes, nunca conversei por ele sequer por telefone. Mas a cada entrevista, mais se esvanece essa tese do “amalucado”. O nível dele e do De Sanctis, no debate público, é quilômetros acima do estilo cangaceiro de Gilmar Mendes.
“Pai” do Idesp critica governo de SP por divulgação do índice sem nota de alunos
LAURA CAPRIGLIONE DA REPORTAGEM LOCAL (…) Soares admite que a forma escolhida para calcular o Idesp pode levar a “melhorias ilusórias”. Uma escola que não tenha melhorado nem um centésimo no conhecimento adquirido pelos alunos pode apresentar resultados melhores no Idesp, bastando que ela aprove mais alunos. Com isso, o denominador da fração diminui, e o quociente geral aumenta.
Para entender a lógica: basta imaginar as escolas A e B, ambas com notas de aquisição de aprendizado igual a 3. Se a escola A perdeu menos alunos no ano do que a outra (B), ela terá nota no Idesp melhor do que B.
O professor lembra que uma das premissas dos desenvolvedores do Idesp era que a avaliação dos alunos fosse feita por entidade “externa”. Isso evitaria que uma escola menos exigente desse notas injustamente mais altas do que outra, mais exigente. A avaliação externa tornaria possível comparar performances. “Mas esse intuito de se estabelecerem padrões universais de avaliação acabou esbarrando no indicador de fluxo.” Todo o denominador da fração de cálculo do Idesp depende única e exclusivamente de critérios da própria escola. Assim, uma escola menos rigorosa na contagem das faltas dos alunos ou que permita que estudantes menos preparados passem de ano terá indicadores de fluxo melhores do que outra, mais rigorosa nesses controles.
“A única forma de evitar esses “enganos” seria divulgando todas as notas que compõem o Idesp. Só então saberíamos o quanto as crianças estão, de fato, aprendendo”, diz.
Bolsa Família pode diminuir impacto da crise, diz OIT
Ana Carolina Moraes
De Paris para a BBC Brasil
Relatório da OIT analisou dados do governo brasileiro e outros estudos
Um relatório produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que a ampliação do programa Bolsa Família pode contribuir para estimular o consumo interno e amortecer o impacto da crise mundial entre as camadas mais pobres da população no Brasil.
O documento, que está sendo discutido nesta quarta-feira durante reunião da Comissão de Emprego e Política Social da organização, apresenta uma análise do programa social brasileiro, com base em dados fornecidos pelo governo e outros estudos independentes.
“Como a população de baixa renda têm forte propensão ao consumo para suprir necessidades básicas, acreditamos que a extensão do programa vai contribuir para aumentar a demanda de alimentos e produtos de primeira necessidade, além de promover o desenvolvimento local”, afirmou à BBC Brasil um dos autores do estudo, Vinícius Pinheiro.
O delegado geral da Polícia Federal, Luiz Fernando, entrará para a história do órgão por ter ajudado na criação do ornitorrinco do Sistema Brasileiro de Inteligência: o delegado que investiga, processa e julga.
O corregedor Amaro vazou informações para a imprensa, privilegiou um jornalista, em uma sindicância destinada a apurar vazamentos de operação. Apurou um vazamento que não teve consequências diretas no inquérito Satiagraha – o carnaval com a TV Globo, condenável do ponto de vista de show, apenas -, e não apurou o vazamento que permitiu a Daniel Dantas impetrar dois habeas corpus ao Supremo e atrapalhar as investigações – um vazamento criminoso.
Diz que a cooperação com a Satiagraha é legal, mas que a atuação do órgão com Protógenes extrapolou. Lembra histórias picantes de adolescentes: até aqui pode, até aqui não pode. E quem define os limites da legalidade e da extrapolação? O corregedor-vazador-investigador-julgador com base nos seus critérios, não no disposto na lei. Transforma um problema funcional em um problema legal com o evidente propósito de anular a Satiagraha.
As alegações dos deputados para a perseguição não respeitam nem os limites do ridículo. Jungman era a favor de Protógenes até, ó, decepção!, descobrir que ele mentiu na CPI. A partir daí ficou a favor de Dantas.
Que vitórias essas pessoas julgam ser possível conquistar? O que pretendem jornalistas que encenam cara de decepção para dizer “por causa dos erros de Protógenes não conseguiremos pegar Dantas”? Julgam que enganam a quem? Apenas reforçam as suspeitas que pairam sobre parte expressiva da mídia.
Cada vitória sobre Protógenes é uma derrota da CPI e de todo o esquema de apoio a Dantas. Cada avanço sobre De Sanctis, a comprovação de que há, de fato, uma conspiração em curso.
No começo, o álibi para defender Dantas era o antilulismo. Esse álibi não existe mais. Ficaram sem álibi e tiveram que expor de maneira escarrada o objetivo final: desqualificar o inquérito para livrar Dantas.
Não tem como esconder essa meleca. Não tem como condenar Protógenes e absolver Dantas. Essa conspiração criminosa está expondo um a um todos seus personagens. A essa altura do campeonato, duvido que o próprio Dantas não tenha percebido que se tornou disfuncional.
Quem entrou nesse jogo se lambuzou, publicações, revistas e políticos. Prosseguindo, a sujeira vai se espalhar. Vai-se subir na escala hierárquica e liquidar com algumas lideranças nacionais expressivas. Leia mais »
Demorei a responder porque não queria macular esse post tão bom com qualquer bobagem (e espero não tê-lo feito. rsrs). Gostei muito da sua análise, mas acho que ela merece ser aprofundada. A intercalação de dois trechos específicos me parece problemática:
“Esse esquema começa a esboroar não apenas com o chamado escândalo do “mensalão”, mas pela iniciativa histórica do Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos” Leia mais »
A resposta do juiz Fausto De Sanctis ao pedido da CPI do grampo para quebra do sigilo da Operação Satiagraha é, na pior das hipóteses, uma aula inesquecível de direito aos membros da CPI. Se os jornalistas de grande imprensa deixarem de lado a relação promíscua que têm com Itagiba e gastarem cinco minutos para ler o que escreveu o magistrado, terão pauta para uma semana de bom jornalismo. Destaco alguns pontos trazidos por De Sanctis que, na minha interpretação, não podem passar despercebidos: Leia mais »
Delegado confirma atuação ilegal da Abin na Satiagraha
Corporação também confirmou indiciamento de Protógenes Queiroz por quebra de sigilo e violação da lei
BRASÍLIA – O delegado Amaro Vieira, que preside o inquérito que apura o vazamento da Satiagraha, afirmou nesta quarta-feira, 18, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos estar comprovada participação ilegal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na operação da Polícia Federal (PF), que chegou a prender o banqueiro Daniel Dantas e o ex-prefeito da capital paulista Celso Pitta, entre outros. “Não era uma colaboração formal. Era uma participação ilegal”, disse Vieira, de acordo com um grupo de parlamentares que o ouviram na sede da PF, em Brasília. A corporação também confirmou o indiciamento do delegado Protógenes Queiroz e de outros quatro escrivães. Ele foi enquadrado em dois crimes: quebra de sigilo funcional e violação da lei.
À saída do depoimento de Vieira, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que a comissão finalmente terá acesso aos dois volumes finais do inquérito da Operação Satiagraha. Neles, segundo o parlamentar, estão contidos os laudos do material apreendido. A avaliação dos volumes finais do inquérito, afirmou Itagiba, é fundamental para o desenvolvimento do trabalho da CPI. “O delegado Amaro nós deu várias orientações da forma como a CPI deve trabalhar (nos autos do processo) e realmente identificou que houve vazamento de dados por parte de servidores da PF.”
Juiz nega novo pedido de CPI para quebrar sigilo da Satiagraha
O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara da Justiça Federal em São Paulo, negou o pedido por escrito feito pela CPI dos Grampos na Câmara para ter acesso aos dados relativos à Operação Satiagraha, da Polícia Federal. O processo refere-se a supostos crimes financeiros envolvendo o sócio-fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas.
De acordo com De Sanctis, o novo pedido não acrescenta nenhum “dado importante que justificasse o levantamento” do sigilo legal impostos às interceptações telefônicas realizadas durante as investigações.
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Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.