A culpa dos economistas
Viajei hoje de manhã e não tive tempo de colocar esse artigo que saiu no Valor, do Dani Rodrik. Mais uma crítica contundente contra os cabeças de planilha.
Culpe os economistas, não a economia
Dani Rodrik
13/03/2009
À medida que o mundo ruma atabalhoadamente para a beira de um precipício, críticos do ofício da economia vêm levantando questionamentos sobre a sua cumplicidade na crise atual. E com razão: os economistas têm muito pelo que responder.
Foram os economistas os que legitimaram e popularizaram a ideia de que um setor financeiro sem amarras representava um benefício para a sociedade. Eles falavam quase de maneira unânime quando se tratava dos “perigos da regulamentação excessiva do governo”. Seu conhecimento técnico – ou o que se assemelhava a isso à época – lhes conferiu uma posição privilegiada de formadores de opinião, bem como acesso aos corredores do poder.
Muito poucos dentre eles (exceções notáveis, como Nouriel Roubini e Robert Shiller) soaram os sinos de alarme sobre a crise que se anunciava. Pior ainda, talvez, a profissão fracassou em oferecer orientação proveitosa para desviar o mundo da sua rota de desordem atual. A respeito do estímulo fiscal keynesiano, as opiniões dos economistas variaram de “absolutamente essencial” a “ineficaz e prejudicial”.
A respeito da re-regulamentação das finanças, há um grande número de boas ideias, mas pouca convergência. Do quase consenso em torno das virtudes do modelo centrado em finanças do mundo, o ofício da economia passou para uma quase total ausência de consenso sobre o que deve ser feito.
Assim sendo, será que a economia está precisando de uma grande sacudida? Devemos deitar fogo nas nossas cartilhas atuais e reescrevê-las do zero?
Na verdade, não. Sem recorrer à caixa de ferramentas do economista, sequer poderemos começar a entender a crise atual.
Por que, por exemplo, a decisão da China, de acumular divisas estrangeiras, levou uma instituição de crédito imobiliário em Ohio a assumir riscos excessivos? Se a sua resposta não usar elementos de economia comportamental, teoria da agência, economia da informação e economia internacional, entre outros, provavelmente continuará seriamente incompleta.
A falta não reside no campo da economia, mas no campo dos economistas. O problema é que os economistas (e os que lhes dão ouvidos) ficaram excessivamente confiantes nos seus modelos preferidos do momento: os mercados são eficientes, a inovação financeira transfere risco aos melhor capacitados para arcá-lo, a auto-regulamentação funciona melhor e a intervenção do governo é ineficaz e prejudicial.
Eles esqueceram que havia muitos outros modelos que levavam a direções radicalmente diferentes. O orgulho arrogante gera pontos cegos. Se algo necessita de reparo, é a sociologia da profissão. As cartilhas – pelo menos as usadas nos cursos avançados – são ótimas.
Não-economistas tendem a enxergar a economia como uma disciplina que venera mercados e um conceito estreito de eficiência (de alocação). Se o único curso de economia que você frequenta é o típico giro introdutório, ou se você for um jornalista pedindo que um jornalista dê uma rápida opinião sobre um tema de política pública, é o que realmente vai encontrar. Mas pegue mais alguns cursos de economia, ou consuma mais tempo em salas de seminários avançados, e receberá um quadro diferente.
Economistas do trabalho se concentram não só na forma como sindicatos podem distorcer mercados, mas também, na forma como, sob certas condições, eles podem melhorar a produtividade. Economistas do comércio estudam as implicações da globalização sobre a desigualdade dentro de e através de países. Os teóricos das finanças escreveram abundantemente sobre as consequências do fracasso da hipótese de “mercados eficientes”. Macroeconomistas da economia aberta examinam as instabilidades das finanças internacionais. O treinamento avançado em economia requer aprendizagem detalhada das falhas de mercado, e sobre o sem-número de formas nas quais os governos podem ajudar os mercados a funcionarem melhor.
A macroeconomia pode ser o único campo aplicado na disciplina de economia no qual mais treinamento aumenta a distância entre o especialista e o mundo real, devido à sua dependência de modelos altamente irreais, que sacrificam a relevância em favor do rigor técnico. Lamentavelmente, em vista das necessidades atuais, os macroeconomistas fizeram pouco progresso em planos de ação desde que John Maynard Keynes explicou como as economias podem ficar atoladas no desemprego devido à demanda agregada insuficiente. Alguns, como Brad DeLong e Paul Krugman, dirão que o campo já regrediu.
A ciência econômica é na verdade um conjunto de ferramentas com múltiplos modelos – cada qual uma apresentação diferente e estilizada de algum aspecto da realidade. A habilidade de um economista depende da sua capacidade de escolher cuidadosamente o modelo apropriado para a situação.
A fertilidade dos economistas não se refletiu no debate público porque os economistas tomaram demasiada liberdade. Em vez de apresentar menus de opções e relacionar as vantagens e desvantagens relevantes – a razão de ser da Economia – muitas vezes os economistas preferiram transmitir suas próprias preferências políticas e sociais. Em vez de serem analistas, eles têm sido ideólogos, preferindo um conjunto de ordenamentos sociais em detrimento de outros.
Além disso, os economistas têm hesitado em compartilhar as suas dúvidas com o público, temendo “fortalecer os bárbaros”. Nenhum economista pode estar completamente seguro de que seu modelo predileto esteja correto. Mas quando ele e outros o defendem a ponto de excluir as alternativas, acabam transmitindo um grau exagerado de confiança sobre o tipo de rota de ação exigido.
Paradoxalmente, portanto, a desordem reinante na profissão representa, talvez, um reflexo melhor do verdadeiro valor agregado da profissão face ao seu enganoso consenso anterior. A economia pode, na melhor das hipóteses, tornar claras as opções para os formuladores de políticas; ela não pode fazer essas escolhas para eles.
Quando os economistas discordam, o mundo fica exposto a legítimas diferenças de opinião sobre como a economia funciona. É no momento em que eles concordam tanto que o público deve tomar cuidado.
Dani Rodrik é professor de economia política na Escola de Governo John F. Kennedy da Universidade Harvard e foi o primeiro a receber o Prêmio Albert O. Hirschman do Conselho de Pesquisa de Ciências Sociais © Project Syndicate/Europe´s World, 2009. www.project-syndicate.org
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise Tags: economistas, mercado, neoliberalismo

Nassif,
Não posso acreditar que os “cabeças-de-planilha” defendiam com tanto ardor as falidas teses só por convicção: é claro que havia muito retorno financeiro, porque os resultados da propagação das teses carreou zilhões para setor financeiro.
Aqui, vale o bordão: ladrões, do berço ao túmulo.
Entende agora por que digo isso?
Eis uma opinião um pouco mais incisiva.
Delfim Neto, do valor econômico
Link: http://www.valoronline.com.br/ValorImpresso/MateriaImpresso.aspx?tit=A%20crise%20e%20o%20fracasso%20dos%20economistas&dtmateria=10/03/2009&codmateria=5454240&codcategoria=89&tp=968031960&p=1469&t=14px
O fracasso da economia acadêmica
Antonio Delfim Netto
10/03/2009
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Em 1609, Galileu Galilei, (1564-1642) depois de ter aperfeiçoado um instrumento construído um pouco antes por óticos holandeses, produziu uma luneta que chamou de “Perspicillum”. Com ela deu origem a uma revolução na astronomia. Por isso, a União Astronômica Internacional e a Unesco elegeram 2009 como o Ano Internacional da Astronomia. Qual é a profunda importância de Galileu? A resposta é simples, como nos informa o ilustre prof. Antonio Augusto Passos Videira (revista “Ciência Hoje”, jan./fev. 2009: 18): “Suas descobertas contribuíram para minar a primazia da concepção aristotélica do cosmo, baseada na beleza dos corpos celestes e na imutabilidade dos céus. Em longo prazo, suas ideias – sustentadas pela matemática, por medidas e por uma retórica afiada – ergueram uma visão do mundo na qual se buscavam leis para os fenômenos naturais”.
Mas qual a importância disso agora, há de perguntar-se, irritado, um daqueles economistas que se pensa portador da “verdadeira” ciência econômica? Eu também uso a matemática! A pequena diferença é que o seu “tipo” de conhecimento tem muito mais a ver com Aristóteles esteticamente matematizado do que com Galileu. Em lugar de tentar entender como funciona o sistema econômico, tenta ensiná-lo como deveria funcionar em resposta à beleza dos seus axiomas…
Essa é uma crítica antiga, mas que a corrente majoritária dos economistas (que à falta de nome melhor chama-se a si mesma de neoclássica) recusava-se a considerar diante do aparente sucesso da sua teoria na “explicação” do mundo dos últimos 25 anos. A cavalar crise financeira (em parte produzida pelos equívocos propagados pela própria “teoria”) desconstruiu essa ilusão. Um grupo de oito importantes economistas (todos um pouco mais ou um pouco menos críticos, mas sem dúvida, competentes membros do “mainstream” e senhores da mais sofisticada matemática e econometria) acabam de publicar um trabalho, “A Crise Financeira e o Fracasso Sistêmico da Economia Acadêmica” 1. É um verdadeiro réquiem de corpo presente para a economia pré-galileliana, que foi dominante na última geração.
A síntese do artigo (em tradução livre) é a seguinte:
“A profissão dos economistas parece ter ignorado a longa construção que terminou nesta crise financeira internacional e ter significativamente subestimado as suas dimensões quando ela começou a manifestar-se. Na nossa opinião, essa falta de entendimento foi devida à má alocação dos recursos de pesquisa na economia. Fixamos as raízes profundas desse fracasso na insistência da profissão em produzir modelos que – por construção – ignoram elementos fundamentais que controlam os resultados no mundo dos mercados reais. A profissão falhou, lamentavelmente, na comunicação ao público das limitações e fraquezas e, mesmo, dos perigos que caracterizam os modelos de sua preferência. Esse estado de coisas deixa claro a necessidade de uma fundamental reorientação das pesquisas que devem ser feitas pelos economistas e, também, do estabelecimento de um código de comportamento ético, que exija deles o conhecimento e a comunicação (para o público) das limitações e dos maus usos potenciais possíveis de seus modelos”.
O final do trabalho é ainda mais preocupante:
“Acreditamos que a teoria econômica caiu numa armadilha de um equilíbrio subótimo, no qual o grosso do esforço de pesquisa não foi dirigido para as mais angustiantes necessidades das sociedade. Paradoxalmente, um efeito retroativo, que se autorreforça dentro da profissão, levou à dominância de um paradigma que tem base metodológica pouco sólida e cuja performance empírica é, para dizer o menos, apenas modesta. Pondo de lado os mais prementes problemas da moderna economia e fracassando na comunicação das limitações e das hipóteses contidas nos seus modelos mais populares, a profissão dos economistas tem certa responsabilidade na produção da crise atual. Ela falhou na sua relação com a sociedade. Não produziu tanto conhecimento quanto seria possível sobre o comportamento da economia e não a alertou dos riscos implícitos nas inovações que criava. Além do mais, relutou em enfatizar as limitações da sua análise. Acreditamos que o seu fracasso em sequer antecipar os problemas gerados pela crise do sistema financeiro e a sua incapacidade de prover qualquer sinal antecipado dos eventos que iriam se passar exigem uma reorientação fundamental dessas áreas e uma reconsideração de suas premissas básicas”.
Trata-se de um trágico “requiescat in pace”, não para a teoria econômica, mas para o “mainstream” pré-galileliano, que se apropriou dela com imensa irresponsabilidade. Podemos voltar agora à modesta e útil economia política?
1 Os autores são David Colander, Katarina Inlesuis, Alan Kirman e outros
Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras
Ou, como diria Nelson Rodrigues, toda unanimidade é burra.
os caras não desistem…
olha isso. imperdível:
http://economia.uol.com.br/ultnot/multi/2009/03/13/0402306AE0898326.jhtm?economista-critica-discurso-economico-de-dilma-e-serra-0402306AE0898326
atenção pras caretas do figurinha.
Nassif, você conhece esse economista chamdado Fábio Kanczuk?
Economista critica discurso econômico de Dilma e Serra
http://economia.uol.com.br/ultnot/multi/2009/03/13/0402306AE0898326.jhtm
Eu sabia !
Eu sabia……
Orides,
O seu entendimento sobre os “cabeças-de-planilha” me parece um pouco superficial e simplificado.
Essa lógica do nós-contra-eles não eleva o debate científico.
Está dito.
“Aqui, vale o bordão: ladrões, do berço ao túmulo”
Ao invez de tomar o artigo como ponto de partida vou coomentar por essa sentenca que resume muito mais do que parece. O artigo prova cada palavra do que eu estou falando ha anos:
O dinheiro nao existe mais. Dinheiro eh baseado em malicia–nao no valor que tem mas em quanto dele pode ser roubado e exportado pra paises brancos ou pras elites do seu pais.
O que os economistas fizeram foi um sistema “economico/financeiro” que se basea no roubo de continentes inteiros. Basta estar do lado da ladroagem.
Economistas estao simultaneamente tendo grande prazer de aperfeicoar o darwinismo economico e detestando estar perdendo um conflito darwinista economico. O proximo passo agora eh legalizar o que ja esta em efeito ha decadas, dois niveis de dinheiro, um pra populacao -que nao tem valor- e outro facilmente roubavel. A pilhagem deve continuar. A pilhagem nao pode parar.
Que se danem. Vao quebrar a cara.
Oi Luis sempre leio o teu blog gostaria de saber como enviar para um amigo este texto. abraços
“muitas vezes os economistas preferiram transmitir suas próprias preferências políticas e sociais. Em vez de serem analistas, eles têm sido ideólogos,” Vou destacar somente essa frase para mostrar a contradição do texto. Aparentemente o autor defende o pluralismo de modelos para oferecer ao freguês. Colocar em uma vitrine todos os modelos possíveis, o cardápio, como se isso fosse uma garantia de sucesso. Acontece que, como ele mesmo denuncia a crise atual não pode ser resolvida pelo atual cardápio, porque trata-se de uma situação até então não pensada, em que não adianta voltar no tempo e compará-la com a depressão de 29. A economia, hoje em dia, circula além das fronteiras. A primeira tentativa é a de buscar controlá-la através da regulamentação, como se fosse possível controlá-la. Cada país, se for inteligente, deveria buscar pela análise crítica sistêmica as contradições internas do modelo para repensar epistemologicamente a prática a ser adotada. Modelos abstratos também não são uma solução em si, mas somente sendo colocados em prática podem ser avaliados. O Brasil tem uma grande chance de repensar e formular um modelo próprio com um olho nas relações com os países da América Latina e o outro nas demandas sociais a tanto tempo reprimidas. A partir da articulação das demandas sociais não de forma aditiva, mas articuladas entre si de fato, sem sobreposições, parte-se para formular o modelo com as ferramentas da economia, fazendo-se portanto, economia política.
“os caras não desistem…
olha isso. imperdível”: concordo. Primeiras palavras do “economista” com sobrenome estrangeiro:
“Finalmente isso apareceu de forma clara. Marolinha, nao teve marolinha nenhuma, a gente olha paises pelo mundo inteiro, so tem um pais que sofreu mais que o Brasil, que eh a Coreia do Sul. O resto sofreu muito menos, inclusive os Estados Unidos. A marolinha virou um tsunami.”
Pra mim, que moro nos EUA, ja da pra parar, nao preciso de ouvir o resto. Ele esta mentindo. Eh simples assim. “De forma clara, marolinha, Coreia do Sul, “sofrimento”, tsunami. A escolha de palavras dele eh tipica de neocons, e a fala em nome do “sofrimento” alheio eh tipica dos lobistas –note que ele nao esta falando de populacao mas espera que o ouvinte se confunda -dado que esta usando a palavra pra isso. O “sofrimento” das EMPRESAS eh o que ele esta falando. Nao diz que ha uma centena de paises que pagariam uma nota pra trocar de lugar com o Brasil nesse exato minuto.
Cricris neocons vao deixar a “marolinha” de lado ou vao continuar repetindo isso ate as raias do vomito?
corrigindo: onde escrevo regulamentação cabe regulação.
Sem um dinheiro sonoro, é só tapeação !!!!
Todos eles só ficam mudando a estratégia, para separar o dinheiro dos trouxas.
IN GOVERNMENT WE TRUST? (PARTS 1, 2 AND 3)
By Congressman Ron Paul
Many who agree with me on a lot of other issues, do not understand my enthusiasm for gold and sound money or why I spend so much time studying and talking about monetary policy. It’s true that I talk about money differently than most, but the fact is sound money offers many benefits. For example – peace.
http://blogln.ning.com/profiles/blogs/amanha-e-sexta-13-tem-muita
Os instrumentos monetários que estão sendo demonizados, são ferramentas neutras a serviço do homem, sujeitas , como Platão demonstrou, ao bom e ao mau uso.
Gozam de características comuns com outras ferramentas, aperfeiçoam-se com o uso e o desenvolvimento de novas tecnologias.
As atuais do mercado financeiro, podem ser consideradas o estado de arte para a liberação do uso de capitais que de outra forma estavam imobilizados por diversos problemas de ordem sociológica, legal e mesmo religiosas, o mau uso das mesmas, apoiado na ignorância ou má-fé não inquinam as mesmas e sim seus utilizadores.
Já o Dinheiro, é ave de outra plumagem, por isto os sumos sacerdotes que o dominam o tratam com tanta deferência e respeito. Para entender de Dinheiro é preciso conhecer um pouquinho de mágica, astrologia e tarot.
mais aqui,
http://blogln.ning.com/forum/topics/2189391:Topic:43934
O título me lembrou:
CULPE OS COMUNISTAS E NÂO O COMUNISMO.
Quantos economistas e suas consultorias “qualquer-coisa Asset Management” foram responsabilizados pelas orientações ‘equivocadas’, pelos vaticínios fraudulentos e pelos “pareceres independentes” (independente do bom senso e da realidade) que produziram a ruína de alguns, o desemprego de muitos e o drama de todos nós?
A China mandou um recado esquisito para os EUA dizendo que estava preocupada com suas reservas monetárias que estão investidas lá. O que será que vem por aí…..
Pois não é que um belo dia Galileu contrariou a ortodoxia dos cientistas (os cabeças de planilha) de sua época com a tese antigeocêntrica!
Agora ocorre o mesmo com a economia: não podemos condenar o academicismo dos primórdios do pensamento econômico, que haveria de ser obrigatoriamente ortodoxo.
O novo pensamento, ainda que, por ora, imerso em brumas, conciliará a ortodoxia e a sensibilidade, e contribuirá ainda para o aperfeiçoamento e a modernização das democracias, desimpregnando-as dos ranços ortodoxos.
Saiu hoje no Coreo Braziliense, mas não consigo encontrar o link:
Henrique Meirelles fala de um “novo” empecilho para queda da Selic. Novo no sentido de que pouco discutido em público: juros reais rendendo por ano menos do que a poupança fariam o dinheiro migrar do financiamento das dívidas do governo para as aplicações bancárias.
E isso é ruim? Quais os pontos benéficos e quais os prejudiciais ligados a problemas de rolagem da dívida?
Acho que merece discussão.
Prezado Fabrício Vasselai,
Não é um novo empecilho: é velho. Mera conta matemática. Na hora em que os CDBs, até mesmo a poupança, forem a melhor aplicação, todos migrarão do que rende menos para o que rende mais.
Da minha parte e modéstia, continuo a achar que não existe “ciencia” econômica. Os economistas apesar da arrogância nunca apresentaram uma idéia razoável da melhor evolução dos problemas econômicos financeiros da “sociedade humana” . Distante disto, sempre prevlegiaram a economia predatória. Correm simplesmente atrás do lucro, dos outros, de preferencia poucos. Sempre lutaram por menores salário, pelo menos para a grande maioria, preços de merdadorias mais altas, etc. Tudo puxado para a riquesa e principalmente para os ricos. Raciocínio direto, baixo, vassalo. Rarissimas as exceções.
Quem paga mais imposto: a comida do pobre. O salário é taxado de maneira incrível e cruel. Qual o resultado de um real a mais no salário mínimo? O tratamento é: o custo de um real vezes 40 milhões de trabalhadores vezes 13 meses vezes, sei lá, 2 anos, ou seja um ” prejuizo” para a economia do país de 1 bi e 40 milhões, com diz de boca cheia o Sademberg.
Vejamos um caso concreto: Petrobras, que nós amamos. O preço da gazolina é uma aberração total. Criam um lucro artificial e perigoso para o futuro da empresa, não lhe cobram qualidade de volta, a qualidade dos combustíveis é das piores. Qual o custo para a sociedade brasleira daquilo que se transfere quase ilegalmente para a Petrobrás??
E o meio-ambiente como valor econômico: zero, para os economistas, é um verdadeiro lixo, que aliás fazem questão de não contabilizar,
Sua idolatria pelo liberalismo recente era um exemplo acima do normal para qualquer crente em Deus. Em quem eles não acreditam, é claro, por ser rival. Banco Mundial, FMI (A Companhias das Indias, dos Holandeses de 1600), etc, idéias de mando político referendada e aplaudida pelos economista dos paises sob jugo. Critica, ainda construtiva, nenhuma.
Quanto devemos aos escravos e seus descendentes? Que dívida? Nem pensar! Nunca se faz um cálculo destes! Heresia! Nem cotas nas escolas, porque todos “são iguais” perante a lei.
Qual a idéia econômica para o mundo, para a Africa, senão o cáus, destes narizes-para-cima?
Qual a receita para o problema atual? Nenhuma. Tentam salvar bancos porque só existe esta recita na sua cosinha. “Os ricos são nossa salvação” pensam.!
Economista é um metereologo que erra a previsão até do dia anterior.
Democracia e economia ( como hoje) são excludentes. Roberto Campos diz “Antes o liberalismo total, depois como conseqência, a democracia” (está em seu livro Lanterna de Popa). Asneira e imbecilidade decantada.
Premio Nobel para a matemática, e sai fora a economia.
Acho engraçado Meirelles dizer isso:” juros reais rendendo por ano menos do que a poupança fariam o dinheiro migrar do financiamento das dívidas do governo para as aplicações bancárias.” Há poucas semanas o governo emprestou dinheiro para socorrer os bancos? Porque o governo não procura metodos cientificos e não especulação dos bancos parasitários?
O Governo se tornou refém do crescimento da economia sem produzir uma agulha… Como disse Marx – As grandes descobertas de Marx e sua atualidade, pág. 161 : “O fato de colocar-se do ponto de vista da produção tem uma significação de classe. Mas numa etapa do desenvolvimento econômico em que o capitalista, começa a aparecer como parasitário com relação ao organismo social da produção, continuar a colocar-se do ponto de vista da produção (como os grandes economistas clássicos contemporânes do periodo ascendente da burguesia, em que a função do capitalista desempenhava ainda um papel positivo) torna-se perigoso para a própria burguesia.
Produz, então, uma verdadeira “rendição histórica” da pesquisa científica da economia.
A atitude subjetivista em Economia Política consiste em separar a pesquisa econômica do estudo das relações de produção e em considerar que a base das relações econômicas não está na produção, mas na troca. Essa corrente subjetivista prolonga a tradição do que Marx chamava “a economica vulgar (de Say ou de Bastiat, por exemplo”.
Portanto, a raiz da alienação do país (antes ponto de vista pesquisa de verificação) se transformou na procedência do financiamento externo, o qual se situa na especulação recorrente da verificação da produção.
O meu método de avançar na solução desse problema, da pesquisa científica, está em tornar a verificação uma realidade, em relação aos números engendrados da produção, pela formação econômica e social, considerando que o valor do PIB tem a classificação fundamental para ser um concentrado de leis naturais de tempo e espaço, e repartido na moeda racional de sua própria circulação.
[...] Por que, por exemplo…. LEIA MAIS. [...]
MAEC, seria bom avançar mais na discussão dos seus argumentos. Parece que na Comunidade foi aberto um tópico para essa discussão. A conferir. Se você ainda não faz parte se inscreva, pelo menos para debater essa questão.
Nassif,
O artigo defende o contrario do que vc diz: os modelos matematicos dos cabeças de planilha sao necessarios. Ora, ele afirma:
“Por que, por exemplo, a decisão da China, de acumular divisas estrangeiras, levou uma instituição de crédito imobiliário em Ohio a assumir riscos excessivos? Se a sua resposta não usar elementos de economia comportamental, teoria da agência, economia da informação e economia internacional, entre outros, provavelmente continuará seriamente incompleta.
….As cartilhas – pelo menos as usadas nos cursos avançados – são ótimas.”
Ivanisa,
Obrigado pela dica. Tenho lido seus textos e por lá escrito alguns que passam despercebidos. A comunidade é fantastica para escrever, mas para debater economia ainda está pegando no tranco.
Concordo com o “docontra” quando ele diz que “[e]ssa lógica do nós-contra-eles não eleva o debate científico.”
Quanto à “marolinha”, bem Ivan, o economista disse isso repetindo uma caracterização feita pelo nosso presidente! Ele está criticando essa caracterização…basicamente dizendo que “de marolinha não tem nada”.
Concordo em parte com as críticas no seguinte sentido: aqueles economistas que usam da modelagem cegamente (esses sim!!) devem receber essas críticas. Nam inha opinião, esses economistas são, em geral, pessoas com uma formação ruim e/ou incompleta. Ou têm bacharelado (não estou criticando aqueles que só tem a graduação e muito menos dizendo que só com uma pós ele poderia se gabar como um economista sério) ou são “palpiteiros” de plantão.
Agora, simplesmente classificar a modelagem como algo “inútil” é, ao meu ver, um erro muito grande. A modelagem forte e aplicada emergiu com o crescimento da tecnologia. O uso consciente desses modelos só tem a nos ajudar.
Um economista de verdade tem noção de que o modelo é um mero instrumento (assim como outros, sejam eles diversos modelos, que ele tem a disposição) usado para ajudar na tomada de decisões. Os economistas com boa formação — digo isso sem medo de dizer que tb sou um economista — têm ciencia das limitações dos modelos usados por eles. E que, portanto, sabem que os modelos não são invariantes no tempo (pela própria definição, ou quase definião, de “modelos”: que são representações da realizadade, mas nem por isso replicam com perfeição a mesma).
A discussão seria outra se o foco do ataque fosse sobre a visão de mundo (corrente de pensamento) dominante no mundo da economia.
Alguns podem confundir a crítica aos modelos com a crítica ao mainstrean neoclássico dominante na economia. Em outras palavras, muitos podem achar que as duas coisas estão juntas e por isso “bater em uma é bater na outra”. Digo que não! As críticas devem ser feitas separadamente. Os modelos são usados por todas as correntes de pensamento (ou muitas delas) e não só na economia.
Dito isso, reforço o que foi dito anteriormente: “[e]ssa lógica do nós-contra-eles não eleva o debate científico.” Reflitam sobre isso…
Abraços