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Arquivo de março 9th, 2009

09/03/2009 - 21:54

A reação de De Sanctis

Nota de esclarecimento à população

Diante da matéria intitulada “SEM LIMITES”, publicada pela VEJA, edição 2.103, de 11.03.2009, por sua imprecisão e diante dos questionamentos da imprensa, cabe-me esclarecer:

1 – Abordagens multifacetadas de fatos supostamente conhecidos, com visão particular de seus editores, têm proporcionado esclarecimentos a opinião pública, notadamente quando não parte de conclusões preconcebidas;

2 – A riqueza de informações é salutar a democracia, mesmo quando reproduz fatos já noticiados, regime que dignifica o império da lei, que verdadeiramente iguala a todos, equipara;

3 – Se a independência do trabalho da mídia traduz-se num valor caro à sociedade, idêntica conclusão há de possuir a independência judicial consubstanciada num trabalho cauteloso, responsável e respeitoso entre as instituições;

4 – Este magistrado reafirma o seu compromisso de servir com isenção, equilíbrio e firmeza, sendo certo que informações da imprensa são relevantes, não mais importantes, porém, que as provas produzidas e existentes nos autos. Matéria jornalística não pode, s.mj., servir de lastro para conclusões judiciais, à exceção dos casos de crimes contra a honra ou de ações cíveis indenizatórias;

5 – Atendimentos a advogados são corriqueiros, e em percentual ínfimo e raro, ao ministério público ou à polícia federal;

6 – Em momento algum este magistrado foi objeto ou está sendo objeto correcional por atuar em “consórcio” com esta ou aquela instituição ou parte;

7 – A investida de parte de setores da imprensa contra um magistrado que age com sua convicção e em questões que demandem interpretação puramente jurídica revela desmedida e injustificada interferência na atividade jurisdicional, não podendo dar causa a temor e terror infundados, inconsequentes e sem precedentes, que depõem contra a busca da verdade;

8 – A “ordem” democrática não pode significar vã afirmação em um de nossos queridos símbolos nacionais: a bandeira brasileira. Esta nota visa repudiar o que seria um indecoroso silêncio deste magistrado, que não aceitaria as palavras do hóspede e vilão Tartufo de Jean-Baptiste Molière, na comedia intitulada Tartuffe, ao dizer a Orgon: “a casa é minha: você é quem deve abandoná-la” (”La Maison est à moi, c´est à vous d´en sortir”), apesar das manifestações de solidariedade da decepção que absorveu as pessoas e, em particular, parte da magistratura nacional.

FAUSTO MARTIN DE SANCTIS

Comentário

Pensar que essa desmoralização ampla do Judiciário esteja sendo liderada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal é demais. E os Tribunais quedam, subjugados pelos jogos internos da política judiciária, sem coragem de defender o próprio poder Judiciário.

É um poder sem coluna vertebral.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
09/03/2009 - 20:39

Nova Zelândia e a excomunhão

Por Andre Almeida

Nassif,

Estou em Auckland, Nova zelândia, e a repercussão aqui da notícia sobre a menina de 9 anos estuprada no Recife pelo padrasto esta muito grande. Ontem no rádio, duas estações ao mesmo tempo estavam debatendo esse assunto com os ouvintes através de telefonemas. Obviamente estão todos boquiabertos com a atitude do bispo(???). Ninguém entende porque ele excomungou, se bobear ate o faxineiro do hospital, e perdoou o inocente estuprador.

Quem quiser saber mais desse país maravilhoso que é a Nova Zelândia pode conferir no meu blog hospedado na comunidade. Clique aqui.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
09/03/2009 - 20:00

Trivial havaiano

Por Bianca

Oi Luis

Que trivial mais lindo este do Bob Marley! Que talento tinha esse cara… E que falta faz seus bons toques nos dilemas mundiais de hoje. Morreu tão jovem, com apenas 36 anos! Um homem que cantou e encantou o mundo com sua luta em versos em prol dos pobres e oprimidos. Não vislumbro atualmente alguém com essa vontade de ser tal porta-voz.

E depois deste trivial “caribenho”, permita-me uma humilde sugestão que nunca vi em teu blog: um trivial “havaiano”!

E minha dileta sugestão vai para o fenomenal Israel Kamakawiwo’ole, mais conhecido como “Iz”. Ele sempre foi famoso não só pela música mas pelas letras que exprimiam o amor pela sua cultura e raízes (Israel era descendente de uma linhagem pura de nativos havaianos). Iz também nunca ocultou a sua posição a favor da independência do Havai e de defesa dos direitos dos havaianos. E cantou isso magnificamente em versos que até hoje ecoam nas praias e bares havaianos. Quem visita o Havaí se surpreeende com a popularidade dele, visto como um grande representante dos pobres e nativos.

Iz popularizou um instrumento que ainda é quase desconhecido para nós: o Ukelele havaiano. Parece um pouco com o bandolim ou um violão pequeno, mas não sou especialista no assunto.

E Iz trouxe à tona uma música muito famosa, “Somewhere over the Rainbow”. A regravação de Iz foi tema de vários filmes, como Um Encontro Marcado (Brad Pitt) e Encontrando Forrest (Sean Connery), além de muitos seriados. Eu duvido que alguém aqui nunca tenha ouvido esta regravação de Iz. Todos ouviram, mas ninguém sabe quem ele foi.

Para quem não sabe, Iz faleceu precocemente aos 38 anos (em 1997), vitima de obesidade mórbida contra a qual lutou por décadas…

Para quem não o conhece eis aí uma boa oportunidade de vê-lo cantando e encantando com esta maravilhosa regravação. E entre o ukelele que toca e sua bela voz não há mais nada, nada mesmo, apenas suavidade e muita emoção. Algo único, coisa dos gênios.

Aproveitem! O final mostra os nativos havaianos homenageando e jogando ao mar as cinzas de Iz. É emocionante!

Clique aqui se não conseguir ver.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Fora de Pauta Tags: ,
09/03/2009 - 18:47

Aberta a Caixa de Pandora

Há um lance maior nesse vazamento dos dados do inquérito da Polícia Federal sobre a Satiagraha.

O juiz Ali Mazloum – sem consultar o Ministério Público – autorizou a quebra do sigilo da operação. Significa que todo o material coletado, os arquivos de Protógenes, não estão mais protegidos pelo sigilo.

Como há arquivos sobre políticos, jornalistas, autoridades, abriu-se a Caixa de Pandora. Ao quebrar o sigilo, em tese qualquer jornalista poderá solicitar o material que a CPI passou para a revista Veja.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: ,
09/03/2009 - 18:14

Prêmio Esso de Efeitos Especiais

O próximo Prêmio Esso de efeitos especiais irá sem dúvida para esse trecho da reportagem de Veja sobre Protógenes:

“Os policiais buscavam provas de ações ilegais da equipe de Protógenes, entre as quais o áudio da interceptação clandestina de uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres. A existência do grampo foi revelada a VEJA em agosto do ano passado por um agente da Abin que participou da Operação Satiagraha como encarregado da transcrição de centenas de outras conversas captadas ilegalmente. O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta mais sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas, cuja ousadia sem limite chegou à antessala do presidente Lula e a seu filho Fábio Luís”.

É Esso ou não é? A revista fala do grampo armado por ela (da conversa entre Gilmar e Demóstenes Torres). Inclui o grampo no inquérito com a maior sem-cerimônia possível. Diz que os policiais estavam procurando provas desse grampo. Ora, há um inquérito específico sobre o grampo, que irá constatar que não existe nenhum indício da sua existência – o que provavelmente implicará a revista em ato criminoso.

A conclusão do parágrafo é uma pérola, só possível em uma publicação dirigida por Eurípedes e Sabino:

O resultado final da investigação deve ser anunciado até maio, mas, pelo que já se encontrou nos arquivos pessoais de Protógenes, não resta mais sombra de dúvida sobre a extensão de suas ações ilícitas”.

Como assim? Não há uma menção ao grampo na matéria e certamente no relatório. Restam todas as dúvidas sobre o papel da revista na armação daquele grampo.

Junte-se esse trecho com o “caco” em que pretendem envolver De Sanctis e o Ministério Público, para se ter uma aula prática sobre as manipulações primárias no jornalismo.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
09/03/2009 - 17:23

A história do dossiê Protógenes

Alguns dados sobre o vazamento do inquérito da Polícia Federal para a Veja, colhidos a partir de conversas em Brasília.

1.Quem enviou os dados para a CPI foi o juiz Ali Mazloum. O inquérito ainda não estava pronto. O corregedor estava voltando de férias e faltavam duas diligências para completar o trabalho. Mazloum tomou a decisão de remeter o inquérito, incompleto, mas a tempo de tentar ressuscitar a CPI do Grampo.

2.Os dados divulgados são considerados fidedignos (em relação ao relatório). Não se analisou ainda se a “literalidade” (a maneira dos fatos estarem expostos) é fidedigna. Quando tenta implicar o juiz De Sanctis e o Ministério Público, por exemplo, a intenção clara da revista é melar o inquérito Satiagraha. Em nenhum momento, o inquérito da PF identificou qualquer suspeita de atuação irregular de ambos.

3.Nas batidas nas diversas casas, a PF se cercou de todos os cuidados legais: métodos de colheita de provas, mandados de busca, lacração do material recolhido, espelhamento dos HDs. Julga-se que Protógenes não irá negar o conteúdo. Poderá rebater a “literalidade” do inquérito.

4.O acusação central do inquérito é que esse material só poderia estar nos autos ou nos bancos de inteligência da PF, nunca em arquivo pessoal.
5.Esses dados em nada invalidam o inquérito Satiagraha, que foi inteiramente construído com provas legais.

Comentário

Há um bom itinerário pela frente para analisar esse material. O mero fato de possuir arquivos com dados, dicas sobre suspeitos, em si não quer dizer nada. Sempre que se vai investigar algo, colhem-se dados aqui, lembretes ali, fotos acolá. Como são materiais de apoio, não necessariamente teriam que estar armazenados na PF.

Por outro lado, não está afastada a possibilidade de Protógenes guardar material sigiloso, fruto de grampos legais ou ilegais.

Dois pontos precisam ser analisados. O primeiro, a origem do material. Se veio por canais legais ou por pesquisas em dados públicos, é uma coisa. Se por grampo ilegal, é outra. O fato de manter material legal em seu computador pode significar uma falta funcional, não necessariamente um crime.

O segundo, a maneira como foram utilizados. Foram vazados para a mídia, utilizados para chantagens ou coisas do gênero? Não consta. Protógenes guardava para sua defesa, contra inimigos poderosos. Utilizou-os ou não?

Em suma, nem a Veja é isenta, nem a cadeia de informações do inquérito é neutra: o corregedor entrou para pegar Protógenes, já que toda a cúpula da PF tem broncas explícitas do delegado; o juiz Ali Masloum tem mágoas profundas de Protógenes, não sem alguma razão; o deputado Itagiba é cúmplice escancarado do esquema Veja; e a Veja, está envolta com seus fantasmas, da ligação ostensiva com Daniel Dantas e do envolvimento em prováveis ações criminosas (desde assassinatos de reputação até divulgação de grampos de origem não comprovada).

Qual a maneira de resolver a pendenga? Ampla divulgação do material encontrado e não apenas sua entrega à um agente suspeito da história.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , , ,
09/03/2009 - 12:14

Veja e a liberdade de imprensa

Quando fui procurado pelo representante do Roberto Civita, com proposta de acordo de não-beligerância, o argumento levantado foi de que a paz deveria ser celebrada em nome da “liberdade de imprensa”. A polêmica ajudaria apenas os inimigos da liberdade de imprensa, segundo ele.

Aleguei que a píor ameaça à liberdade de imprensa era o mau jornalismo.

Comentários colhidos agora, na home do Globo que traz a matéria da Folha de Pernambuco com o delegado Protógenes: Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , ,
09/03/2009 - 12:08

A queda no consumo de energia

Segundo Djalma Moraes, presidente da Cemig, em janeiro o consumo de energia caiu 12% em relação a janeiro do ano passado. Em fevereiro, a queda foi menor – de 7%.

Em Minas Gerais a crise foi mais sentida devido aos efeitos sobre o agronegócios e a siderurgia – dois setores fortes no Estado. Nos demais estados pode ser que a queda tenha sido menos, diz Djalma. Mas a curva é igual: redução no ritmo da queda.

Comentário

A queda na arrecadação em Minas Gerais fez acender forte luz amarela no governo.

Atenção, estados: há uma defasagem de até dois meses entre a venda de produtos e a arrecadação de ICMS e IPI. Portanto, essa queda brutal da arrecadação, agora, reflete o que aconteceu em outubro a dezembro.

Por Roberto São Paulo/SP

Da Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia

Boletins de Análise do Mercado de Energia

Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica – Janeiro 2009

Clique aqu

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Energia Tags: ,
09/03/2009 - 12:02

De tostão em tostão…

Por nsdelgado

Buemba, buemba, urgente, ouvi agora há pouco na rádio CBN o Sr. Governador José Serra.

Disse que os passageiros que utilizarem a CPTM entre 4:30 às 5:00 da manhã irão pagar a passagem R$0,20 mais barato, ou seja, de R$2,55 a passagem custará R$2,35, uma economia segundo o próprio José Serra, será de R$4,00 por mês ou R$48,00 por ano.

Obrigado Sr. Governador, o povão agradece!!!

Comentário

R$ 480,00 em dez anos.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/03/2009 - 11:41

Protógenes se manifesta – 2

Por João Carlos

sobre a reportagem de veja
Queiroz: “É um serviço muito sujo”

DELEGADO vê medida para “desviar o foco” do banqueiro Daniel Dantas.

por Marileide Alves
da Folha de Pernambuco

Hospedado em um hotel em Porto de Galinhas, Litoral Sul do Estado, o delegado Protógenes Queiroz classificou a reportagem da revista Veja de “mentirosa e leviana” e de “natureza corrupta e sórdida”.

Na edição desta semana, a Veja traz informações nas quais aponta Queiroz como o “comandante” de uma “máquina ilegal de espionagem”, tendo como alvos ministros, senadores, presidenciáveis, ex-presidente e o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além de negar o conteúdo do texto, Protógenes disse que processará a Veja e insinuou que a mesma tenha sido movida por interesses políticos. Negou que tivesse em seu poder arquivos com investigações da vida das autoridades e acredita que, se a espionagem existe, deve ter a participação de organizações internacionais. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , ,
09/03/2009 - 11:19

O remédio popular

Não consegui entrar no novo site do Valor. Por isso não poderei postar a matéria sobre a Fundação do Remédio Popular (FURP), do governo de São Paulo, que começará a produzir genéricos, em sociedade com um laboratório israelense.

Junto com as iniciativas do Instituto Butantan e da Farmanguinhos, trata-se de passo maiúsculo de avaço da saúde pública no país.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Saúde Tags: , ,
09/03/2009 - 11:03

Protógenes se manifesta

Essa ação desesperada contra Protógenes desperta uma imensa curiosidade. Que tipo de informação se teme que ele tenha, para mobilizar a República para tentar abafar o caso? É muita coisa, muito desespero – especialmente da Veja.

Aos apressados: aguardem a divulgação do material original no qual a revista supostamente se baseou. Todo mundo que foi atrás dos factóides da revista até agora, quebrou a cara.

Por Sergio M Silveira Filho

O delegado esteve hoje no bom dia Pernambuco e disse que a Veja mentiu e que vai processar a mesma. Clique aqui.

Do PE/360

Delegado Protógenes Queiroz desmente informações da revista Veja Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: ,
09/03/2009 - 10:09

Balanço do Mundo

Da Agência Dinheiro Vivo

09.03.09

Banco Mundial prevê economia pior em 2009

A economia global vai afundar pela primeira vez desde a II Guerra Mundial, disse o Banco Mundial. A previsão do banco é mais sombria que outras estimativas, que ainda prevê algum crescimento no meio de 2009, produção industrial poderia ser 15% abaixo de 2008, enquanto o comércio pode registrar o pior declínio em 80 anos, disse.

http://news.bbc.co.uk/2/hi/business/7931899.stm Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Sem categoria Tags:
09/03/2009 - 09:51

Fora de Pauta

Para começar a semana.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/03/2009 - 09:51

A estrela e o santo

Frei Betto montou seu marketing se anunciando amigo de Fidel; Patrus Ananias, trabalhando duro na periferia.

Betto leva apoio espiritual a políticos ilustres, jornalistas conhecidos, intelectuais afamados; Patrus se dedica aos pobres.

Betto fez sua opção preferencial pelas celebridades; Patrus, pelos anônimos.

Betto procura os holofotes; Patrus a ação discreta.

Betto tem os pecados capitais da soberba e da inveja; Patrus as virtudes da humildade e da sabedoria.

Betto coloca bandeiras a serviço da promoção pessoal; Patrus iça as bandeiras, e se esconde, com pruridos para não se beneficiar da própria obra.

Betto participou de um programa caótico, o Fome Zero; Patrus criou um programa modelo, o Bolsa Família.

Até hoje Betto busca holofotes para celebrar seu fracasso; raramente se vê Patrus celebrando seu sucesso.

O Fome Zero era um esforço de marketing; o Bolsa Família um trabalho que incorpora indicadores avançados, modelos de gerenciamento e parcerias com o setor privado para as chamadas portas de saída dos miseráveis.

Betto critica o Bolsa Família por não ter porta de saída; o Fome Zero não tinha porta de entrada. Era um mero programa que distribuía alimentos, mas nem contribuições conseguia receber por desorganização ampla e geral.

Em suma, é isso o que explica as catilinárias permanentes de Frei Betto, o soberbo, contra a obra de Patrus Ananias, o humilde. Um é candidato a estrela; outro, é candidato a santo.

No Estadão de hoje Betto volta à carga: “Bolsa-Família é política de governo e projeto de poder”. Nas suas memórias ele atribui o fracasso do Fome Zero à pouca vontade do governo em bancar campanhas promocionais. O fracasso não decorreu da falta de holofotes, mas do excesso de preocupação com o brilho.

Quando ambos morrerem, São Pedro os estará aguardando na porta do paraíso. Betto empurrará Patrus, acelerará o passo para chegar na frente: “Eu sou Frei Betto, amigo do Fidel, do Chico Buarque, orientador espiritual da dona Marise, da dona Risoleta, da Milu Vilella, de psiquiatras, escritores e intelectuais famosos”.

Com paciência, São Pedro o afastará educadamente com um braço, enquanto com o outro indicará a Patrus a entrada. Procissões de anjos celebrarão sua chegada.

Betto não receberá o castigo eterno. Apenas passará uma temporadinha no purgatório, para se livrar definitivamente dos pecados da soberba e da inveja.

Aliás, quando vejo Patrus, o irmão leigo, quase volto a acreditar. Aí vejo Betto, o religioso, e caio na real novamente. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Fome Tags: , ,
09/03/2009 - 08:57

O avanço do crime organizado

Matéria do Fausto Macedo, do Estadão, sobre os inquéritos da Polícia Federal contra o delegado Protógenes (clique aqui).

É um massacre. Agora, pretende-se abrir o sigilo dos telefones de Protógenes durante cinco meses. Ou seja, podem ser encontrados arapongas ilegalmente contratados. Mas o objetivo maior é revelar suas fontes, seus contatos e todo o sistema montado para o combate ao crime organizado.

“O acesso aos contatos reservados do delegado é o passo final da PF no cerco que realiza a Protógenes. O rastreamento pedido à Justiça Federal abrange todas as suas linhas fixas e móveis”.

Depois, esses relatórios são vazados para publicações envolvidas em suspeitas de crime – como a Veja – que ficam donas do escândalo, dando a interpretação que bem entenderem aos fatos apurados.

Todo um sistema de combate ao crime organizado está sendo desarticulado com essa ação. Todos os avanços obtidos na integração dos diversos órgãos de combate ao crime serão desmontados, com o nome de agentes, fiscais, funcionários do BC e da COAF sendo revelados, assim como ocorreu com os da ABIN (Agência Brasileira da Inteligência).

O relatório da PF está sendo vazado por todos os cantos. Para a Veja, provavelmente pelo delegado Itagiba, da CPI dos Grampos. Para Fausto Macedo, as fontes são da própria Polícia Federal.

Diz a matéria:

“A PF já produziu três relatórios confidenciais sobre Protógenes. Os documentos formam a principal prova contra o delegado, que deverá ser indiciado criminalmente. Documento interno da corporação indica envolvimento do criador da Satiagraha em “delitos de extrema gravidade” – vazamento de informações antes da deflagração da operação; ocorrência de gravações clandestinas de vídeo e áudio; filmagens e interceptação de conversas telefônicas e possível escuta ambiental; uso de senhas concedidas exclusivamente a agentes da PF, mas intensamente utilizadas por servidores da Abin.

Outro relatório confidencial da PF aponta em 12 páginas como o delegado agiu sem respaldo judicial e mobilizou agentes e oficiais da Abin para a Satiagraha. São transcritos trechos de depoimentos de arapongas e colegas do próprio Protógenes“.

Ou seja, informações vazadas pela PF acusam Protógenes de vazar informações.

O curioso é que a maior acusação contra Protógenes é a de ter feito escutas sem autorização judicial – isto é, sem que o juiz De Sanctis soubesse. Mas a revista Veja faz questão de envolver nas irregularidades o juiz De Sanctis e o Ministério Público, com o óbvio intuito de livrar Daniel Dantas.

Não sei se Protógenes é inocente ou culpado do que lhe imputam. Mas tenho certeza absoluta de que todo esse jogo de cena não visa o delegado, mas matar ou, pelo menos, capar as conclusões da Operação Satiagraha.

Comentário

Na matéria, uma entrevista de Fausto Macedo com Protógenes, onde o delegado não responde a nenhuma das acusações exploradas pela revista. Como leitor, fiquei em dúvida: ele está fugindo do tema? Depois, vai-se conferir, a entrevista foi feita depois de uma sessão na Assembléia Legislativa. Como li no PHA que Protógenes tomou conhecimento da reportagem no aeroporto, a caminho de Porto de Galinhas, entendi que a entrevista foi feita antes das denúncias. Os leitores do Estadão não foram informados desse detalhe.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , ,
09/03/2009 - 08:35

Nossa Caixa e a folha dos funcionários

A entrevista à Folha do presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, é uma auto-louvação ampla, aceita com uma ausência de crítica notável (clique aqui).

Assim como outros bancos estaduais, no governo Alckmin a Nossa Caixa foi aparelhada. A história jamais foi adequadamente levantada mas, além de financiamento de publicações partidárias, seus serviços terceirizados foram entregues às mesmas empresas que montaram esquemas no BRB de Joaquim Roriz. Como em São Paulo tudo termina em pizza, não se sabe o resultado das investigações.

O que chama a atenção na matéria é a louvação já presente na abertura.

“Em dois anos, Santos levou um banco “coadjuvante” em São Paulo, atrasado no crédito, com equipe desmotivada e tecnologia defasada, a despertar a cobiça do Banco do Brasil em ter a maior rede bancária no Estado.”

O que despertou a cobiça do Banco do Brasil foi a fusão do Unibanco com o Itau que tirou dele a condição de maior banco brasileiro. A avaliação de todo o mercado foi que o negócio foi bom pelo fato da Nossa Caixa ser uma “gôndola vazia” – isto é, ter uma rede por todo o estado (que não foi criada pela administração atual) e não ter produtos para oferecer. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Negócios Tags: , , ,
09/03/2009 - 08:01

Obama, o Clinton sem medo

Da Folha

Matéria do New York Times (no suplemento da Folha) sobre a ginástica de Barack Obama para fugir da pecha de “progressismo antiquado” com que a ideologia dominante inibiou a atuação anterior de Bill Clinton.

A análise é de David. E. Sanger.

Ao contrário dos abrangentes programas sociais da década de 1960, o plano de Obama, falando em “empregos verdes” e eficiência energética, parece mais destinado a uma classe média que deixou o boom passar do que aos americanos mais pobres.

O Orçamento é anunciado como uma forma de resolver as três questões que Obama mais citou na sua campanha: um papel muito mais amplo para o governo federal em educação, saúde e política energética. Seus novos itens mais caros, como os US$ 630 bilhões reservados para a criação de um fundo nacional de saúde, e os US$ 250 bilhões para o resgate de bancos e setores frágeis, se destinam a trabalhadores de classe média, que enfrentam a dupla ameaça de perder o emprego e o plano de saúde.

E, pela primeira vez, um presidente americano se mobilizou para taxar setores cujas emissões contribuem com o efeito estufa -algo que o antecessor George W. Bush argumentava que amarraria a indústria dos EUA.

Há uma impressionante ousadia nessa estratégia. Obama aposta que a combinação do seu capital político com a urgência criada pela crise lhe oferece um momento que pode jamais se repetir.

Mas, no caminho, ele parece ter se livrado do medo de Bill Clinton (1993-2001) de ser taxado de progressista antiquado.

Para afastar as críticas de que estaria voltando a uma era de governo inchado, Obama confia em uma nova embalagem. Ele tem sido altamente específico sobre como os impostos dos ricos seriam redirecionados para programas que ecoam junto àqueles que ouviram suas promessas de campanha.

“Há notáveis semelhanças com Johnson e a ‘grande sociedade’”, disse Robert Dallek, historiador que escreveu sobre a promessa de Johnson de pôr fim à pobreza, compromisso que ele só cumpriu parcialmente.

“A retórica de Obama não é tão grandiosa”, disse Dallek. Mas ele vê o risco de que Obama reinvente o erro de Johnson. “O Vietnã provou, em poucos anos, que realmente não se pode fazer armas e manteiga [investir em guerra e produtividade ao mesmo tempo]. E temo que o Afeganistão seja o paralelo para Obama.”

Se o grito de guerra de Johnson era o fim da pobreza nos EUA, o de Obama é o fim da “revolução Reagan”. Com a proposta de aumentar impostos para casais que ganhem mais de US$ 250 mil por ano, Obama declarou que a “economia do gotejamento” -teoria segundo a qual todo o país se beneficia quando os mais ricos acumulam e gastam- é uma fantasia. Ele a denunciou em termos morais, declarando no seu Orçamento que é permitir “que o terreno de jogo seja tão inclinado em favor de tão poucos”.

Enfatizando o foco na classe média, o mesmo Orçamento lembrou que de 2000 a 2007, no governo Bush, “a renda mediana [anual] nos lares chefiados por pessoas com menos de 65 anos” caiu cerca de US$ 2.000.

(…) Ao contrário de Obama, Clinton foi muito mais cauteloso. Ele chegou ao cargo apenas quatro anos depois de Ronald Reagan deixar Washington, e a ascensão do movimento republicano do “Contrato com a América”, em meados da década de 1990, manteve viva a filosofia reaganista.

Além disso, Clinton naturalmente devia mais gratidão aos doadores democratas mais ricos. A bem-sucedida estratégia obamista de campanha, de arrecadar centenas de milhões de dólares em pequenas doações pela internet, lhe dá mais margem de manobra política. O que começa agora é a parte mais difícil da batalha de Obama, os debates programa a programa que acabam transformando (e tantas vezes inchando) um Orçamento federal.

Mas, para o novo presidente, só a vitória legislativa não basta. Como Clinton, ele terá de convencer os mercados, que ficaram apáticos diante do pacote de estímulo, de que os EUA têm condições de realizar as mudanças que ele está fazendo. Ele precisa persuadir os chineses, entre outros, a emprestar dinheiro para custear isso. E deve convencer os americanos de que pode trazer de volta o governo ativista sem os piores aspectos do governo grande.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia, Novo Modelo, Novo Mundo Tags: , ,
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