O fim do centralismo
Por Cida Medeiros
Retomei ontem à noite minha, após um ano de ausência, participação no grupo de estudos Gestão da Complexidade na BSP – Business School de SP, coordenada pelo professor Humberto Mariotti (clique aqui).
E fui apresentada ao pensamento de Dave Snowden (clique aqui) e seu Cognitive Edge.
Diversos autores tem despontado, à sua maneira, para falar coisas na mesma direção:
Sim, uma das possibilidades para o novo mundo que vem surgindo das cinzas desta “crise” é sair do pensamento autocentrado, top down, de centralização de poder para garantir resultados, para o entendimento de que o mundo dos fenômenos é uma realidade e que produzir bens e serviços tem de levar em conta a enorme responsabilidade que é agir, se movimentar dentro de uma sociedade complexa, seu meio ambiente social e natural.
Navegar é preciso. Viver é mais que preciso.
It’s all about accuracy.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Modelo, Novo Mundo Tags: descentralização, Novo Mundo

De acordo, o problema é exatamente esse, mas é preciso ter cuidado com os sentidos opostos da palavra “centralismo”.
O centralismo administrativo, a que vc se refere, é o oposto de ser “centralizador” também na política, querendo dizer autocrático, autoritário, etc. Isto se faz necessário para não confundir centralismo com centrismo, já que são termos praticamente semelhantes e ambíguos
A confusão poderá ocorrer porque as posturas de centro na política hoje são mais avançadas que as radicais ou extremistas. Centro hoje é avanço, justamente por causa dos argumentos do post, isto é, expressa a habilidade para lidar com problemas complexos e antagônicos, mas que precisam ser bem negociados e harmonizados.
Agora, a resistência das posturas anteriores, as “tradicionais”, que em pouquíssimo tempo serão retrógradas mesmo, ainda é muito grande. E os efeitos dessas atitudes ultrapassadas no Brasil podem levar a conflitos enormes, a grandes desvios e erros, a tensões e rupturas perfeitamente evitáveis.
Teremos problemas enormes se os principais líderes políticos do país forem incapazes de atualizar seu discurso, suas atitudes e as bases de suas alianças. Isto existe tanto em Lula quanto em Serra, e em seus principais assessores. Mas outras lideranças, quando vierem se posicionar tão fortemente quanto as citadas, enfrentarão o mesmo problema.
Não haverá outa saída a não ser fazer um “upgrade” de simplesmente tudo. Primeiro o país, depois os interesses particulares, senão não funciona.
Particularmente, acho ótimo, que ainda tem muita coisa muito errada “nesse país”, e não pode continuar assim, de jeito nenhum, ou o Brasil vai patinar de novo, nos momentos e pontos decisivos.
Pq todo acadêmico escreve tão mal?
Ah, é.
O erro está em dizer:
- It’s all about accuracy.
Na verdade:
- Accuracy is impossible.
Vale a pena ler uma excelente reportagem (1) com Jorge Forbes (2), que dirige pesquisas clínicas da Psicanálise com a Genética, no Centro de Estudos do Genoma Humano – USP. Trecho:
“Hoje, no momento em que o mundo tem seu norte quebrado pelo surgimento de uma sociedade da comunicação, do conhecimento, ligada em rede, quebram-se os conceitos universais e as pessoas se sentem fragilizadas frente à responsabilidade de terem tantas opções para realizar o seu desejo. Neste contexto, muitas pessoas preferem abrir mão de seus desejos mais íntimos e substituí-los por um produto pronto. Um exemplo simples é quando se vai ao restaurante para satisfazer a vontade de comer algo e, diante das possibilidades do cardápio, você se pergunta: ’será que era aquilo mesmo que queria comer?’. (…)
Como as pessoas estão perdidas e a responsabilidade da opção gera uma angústia muito grande, todos aqueles que oferecem um caminho, uma fórmula pronta, um remédio, seja de base química ou ideológica, terão muita aceitação. Tornou-se comum pessoas que se destacaram como ‘líderes de sucesso’, depois que deixam suas empresas, se notabilizarem como gurus corporativos. Chega a ser incompreensível que empresas competentes na produção daquilo que as perpetuam no mercado, para melhorar a ‘qualidade’ do seu pessoal, acabem gerando um ‘estrago mental’ em seus funcionários. (…)
Em síntese, o ser humano ‘desbussolado’ dos nossos tempos tem a sua frente dois caminhos: o ‘reacionário’ e o que chamo de ‘caminho de vanguarda’. Claro que a maior parte prefere o reacionário. Por que? Justamente porque seguir o caminho de vanguarda angustia logo de cara. Esta escolha leva você a ter que inventar seu próprio caminho e se responsabilizar por ele. (…)
Há uma grande diferença entre psicanálise e psicoterapia. As psicoterapias promovem o exercício da alegria prêt-a-porter. Elas querem, na maioria das vezes, tirar a angústia das pessoas e acomodá-las em uma falsa harmonia. A psicanálise não quer desangustiar ninguém. Ela entende que a angústia é fundamental para o ser humano. Se ela é causa de doenças, é também causa de criação. Ninguém cria nada se não estiver angustiado.”
Notas:
(1) http://www.guiarioclaro.com.br/guia_novo/frame/frame.htm?link=show&serial=140004807&seccao=Editorias
(2) http://www.jorgeforbes.com.br/
Voces podem não gostar dos meus textos (reconheço que são de má qualidade) e ainda estejam especulando uma tradução melhor para compreender a realidade e utopia do meio natural, (com enfase de novidade para autores de liingua ingleza), mas o brasileirinho aqui da comunidade do blog escreve com ernorme vanguarda.sobre a centralidade mundial, muito antes da crise, e isso me parece, no minimo, falta de patriotismo..
Servos e cegos seria demais..
Num outro foro que participava, vira e mexe alguém vinha com a tal de Serendipity , vale a pena olhar na Wikipédia o significado.
Esta discussão é boa, mas para mim, uma egrégora mágica ainda funciona melhor.
“Patriotismo…”
Isso me fez lembrar a melhor discussão recente da blogosfera brasileira, a cearense TV Diário no site Vi o Mundo (1). Trecho:
“TV Diário: ‘Ela não tinha preocupação de excluir o sotaque nordestino’
por LUIZ CARLOS AZENHA
Para quem está chegando agora, a TV Diário pertence ao grupo Edson Queiroz, de Fortaleza, e transmitia via satélite para todo o Brasil.
O grupo também controla a TV Verdes Mares, afiliada da TV Globo no Ceará.
Desde o dia 25 deste mês a TV Diário sumiu das parabólicas: o sinal foi codificado. Passou a ser vista apenas no estado do Ceará e, via cabo, em algumas outras de outros estados.
Quem estava acostumado a ver a emissora ficou pê da vida.”
Meu comentário, postado no site Vi o Mundo (2):
Como dizia o russo Leon Tolstói, “se queres ser universal, fala de tua aldeia”.
A TV Diário é tão mais universal e importante quanto mais cearense for, seja lá o que isso signifique. Reprimi-la é inútil pois, como bem observou Tolstói:
“Em vão centenas de milhares de homens, amontoados num pequeno espaço, se esforçavam por desfigurar a terra em que viviam; em vão a cobriam de pedras para que nada pudesse germinar; em vão arrancavam as ervas tenras que pugnavam por irromper; em vão impregnavam o ar de fumaça de petróleo e de carvão; em vão escorraçavam os animais e os pássaros – porque até na cidade a Primavera era Primavera.”
Notas:
(1) http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/tv-diario-ela-nao-tinha-preocupacao-de-excluir-o-sotaque-nordestino
(2) http://www.viomundo.com.br/blog/a-tv-diario
Caro Hans
quando eu terminei, depois da poesia do Caetano Veloso, falando que o ponto está na palavra “precisão” é que é exatamente impossível, meu caro.
A poesia do Caetano fala exatamente sobre isto> é preciso viver.
Não dá pra ser “o fim do neoliberalismo”?