O governador José Serra (PSDB) declarou nesta terça-feira, durante inauguração de clínica para dependentes de álcool e drogas em São Bernardo, que os problemas pelos quais o Hospital Nardini está passando são de responsabilidade da Prefeitura de Mauá. “Eles (PT) estão politizando a questão. O hospital é de responsabilidade do município”, afirmou Serra.
Ao ser lembrado da situação calamitosa do centro hospitalar, como a falta de equipamentos, luvas e até a presença de baratas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), o governador foi categórico: “O prefeito que dê chinelada para matar as baratas”.
Após as declarações do governador, o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas, tentou suavizar a situação e disse que o Estado espera um aumento dos repasses federais para poder investir no Nardini. “Fica difícil aumentar os recursos para o hospital, pois já estão destinados. Esperamos um aumento dos repasses federais que estão estagnados”, declarou.”
Comentário
Desde 2006 o incrível prefeito de Mauá sequer encaminhou solicitação para o Ministério da Saúde poder repassar verbas para o hospital.
Foto tirada por Toni Frissell em 1947. Não há registro do nome da modelo, infelizmente. A imagem ficou conhecida como “Lady in the Water”. O cenário foi um lago na Flórida.
A desgraça do goleiro Barbosa, que tomou o gol que tirou no Brasil a conquista do titulo, no mundial de 1950, contra o Uruguai, realizado no Maracanã, me inspirou, faz tempo, este conto.
Não entendo nada de futebol, mas me fascina o lado humano de seus personagens.
Pra ele doía muito mais que fratura. Meu amigão, colega do grupo escolar. Saudade das peladas, eu era lateral direito, ele goleiro.Parecia um gato, o camarada! Mudou pra São Paulo, trabalhava numa firma lavando vidro e lá mesmo, jogando na fábrica, foi contratado pelo Ypiranga, por volta de 1940. Ele era do 1921, o senhor faz as contas, tinha 19 anos.
No 1943, o Barbosa já era dos melhores goleiros paulistas, daí o Domingos da Guia indicou ele pro Vasco em 44, em 45 já estava no escrete brasileiro. Mas naquele 16 de julho de 50, contra o Uruguai… (continua) Leia mais »
Advogados costumam contratar pareceres de juristas para consolidar suas teses. Muitas vezes há pareceres feitos sob medida. Outras vezes, adaptados ao gosto do fregues. E quando o parecerista invocado já morreu? Ai o advogado adapta o parecer.
Veja que belo trabalho do nosso comentarista Luiz Eduardo Brandão.
Citação do Toron
Para concluir, valham-nos as palavras de Evandro Lins e Silva lembradas pela desembargadora federal Cecília Mello ao conceder a medida liminar no habeas corpus impetrado em favor dos investigados: “Na realidade, quem está desejando punir demais, no fundo, no fundo, está querendo fazer o mal, se equipara um pouco ao próprio delinquente. Essa desenfreada vocação à substituição de justiça por vingança denuncia aquela que em outra ocasião referi como estirpe dos torpes delinquentes enrustidos que, impunemente, sentam à nossa mesa, como se fossem homens de bem”.
Por Luiz Eduardo Brandão
Toron se esqueceu de que existe um tal de Google e que basta selecionar um trecho da citação para encontrá-la. A frase de Evandro Lins e Silva,que deve estar espumando no além ao ver seu nome invocado com fins espúrios, não tem nada a ver com o assunto em debate. Evandro era contrário a usar a prisão para punir tudo que é crime, o que ocasiona o caos em nosso sistema prisional. Referia-se a prisioneiros pés-de-chinelo, autores de crimes quaisquer. Aqui está um trecho, facilmente encontrável na rede, que coloca a afirmação deturpada por Toron, em seu devido contexto:
“A política criminal hoje dominante no pensamento científico dos estudiosos do direito penal é: prisão só ultima ratio, só em último caso. Só deve haver segregação de quem é perigoso. O cidadão não sendo perigoso, vamos encontrar uma maneira de permitir que ele volte à sociedade. Ainda há mais argumentos em favor dessa posição: é que o preso custa muito dinheiro, de três a sete salários mínimos por mês. Se você der esse dinheiro ao preso, em muitos casos ele não vai cometer crime nenhum. Nos casos, por exemplo, de crime contra a propriedade sem violência, por que a prisão? Muito melhor é encontrar uma fórmula de ressarcimento do dano, de prestação de serviço gratuito à sociedade, uma sanção qualquer que não leve sobretudo o mais jovem para a prisão, que é uma universidade às avessas, que, em vez de recuperar, vai formar um delinqüente. Leia mais »
Saiu publicado hoje no Diário Oficial de São Paulo, sentença do juiz Carlos Henrique Abrão, da 42a Vara Cível do Foro Central de São Paulo, negando provimento à ação que Eurípides Alcântara e a Editora Abril movem contra mim. Minha advogada – de muitos anos – é a Tais Gasparian.
Ao leitor menos avisado, a primeira vista, impressiona e muito o conteúdo feito por Luis Nassif, porém ao longo da estrada é necessário enxergar alguns aspectos consistentes, sem querer julgar ou ingressar no âmbito propriamente dito de investigação a cargo da autoridade competente.
As transformações da modernidade inspiradas na globalização da economia trouxeram enormes conseqüências práticas em relação ao papel da imprensa, principalmente o meio eletrônico, a chamada guerra midiática, a informação e a desinformação coevas.
De fato, o regime autoritário segregou a opinião, quando houve sua débâcle, conseqüentemente a Constituição de 1988 revolucionou, pioneiramente, a função da imprensa, razão pela qual muitos a consideram quarto poder. A liberdade plena de imprensa, maior conquista das democracias ocidentais, observa o ângulo da transparência, seriedade e compromisso com a verdade. Difícil manter a harmonia quando interesses econômicos, políticos, sobretudo empresariais, sem sobra de dúvida, flexionam os limites da ética e da moralidade da imprensa.Leia mais »
O Estadão montou um ping-pong para analisar os ataques da desembargadora Cecília Melo ao juiz De Sanctis. A desembargadora reflete integralmente a postura do presidente do STF Gilmar Mendes, de desqualificação de colegas.
Essa mesma desembargadora aceitou as teses da defesa de Daniel Dantas – de incuir o inquérito italiano no brasileiro que investigava as escutas de Dantas – com base em uma reportagem de Janaina Leite (ligada a Dantas) contendo generalidades.
PS – Coloquei indevidamente a desembargadora como autora da acusação sobre o suposto monirotamento de Gilmar. Não foi ela.
Do Estadão
Houve abusos da parte do juiz Fausto De Sanctis?
NÃO
Fernando Mattos *
Tamanho do texto? A A A A
São perfeitamente compreensíveis, do ponto de vista do cidadão comum, não habituado ao mundo jurídico e às suas complexidades, as críticas e os elogios a decisões judiciais, como se tem visto ultimamente. O cidadão comum tanto pode elogiar decisões que determinam a prisão de alguém, como pode criticá-las. São compreensíveis, também, as críticas às decisões de tribunais superiores que determinam a soltura de presos dos chamados “crimes de colarinho branco”, assim como o são os elogios a tais decisões.
O que não é aceitável é a conduta de certos profissionais do Direito que costumeiramente criticam e até ofendem juízes pelas decisões por estes tomadas. Leia mais »
Banco Mundial e OCDE rebaixam projeções para a economia
Tanto o Banco Mundial como a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) cortaram suas respectivas estimativas de crescimento econômico para as nações emergentes e desenvolvidas, e alertaram para o aumento do desemprego. A OCDE disse que a economia dos seus 30 países membros vai se contrair 4,3% este ano, e previu que o desemprego no grupo dos 7 países mais ricos vai atingir 36 milhões de trabalhadores no próximo ano. Já o Banco Mundial rebaixou sua previsão de crescimento dos países em desenvolvimento para 2,1%. O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, também se disse preocupado com uma iminente crise de desemprego.
Estou em Brasilia assistindo ao Seminário de Imprensa e Mudanças Climáticas, promovido pela ANDI com a embaixada britânica. Irei soltando notas no decorrer da manhã. O smeinário começou com uma bela apresentação do professor Eduardo Viola.
Eduardo Viola – professor da UnB
Mudança climática chegou em 2007-2008 ao centro da discussão internacional, mas não foi absorvido pela mídia brasileira, com o assunto restrito às editoriais especiais e científicas.
Questão climática e ambiental não são sinônimos. Questão climática é síntese de ambiente global, economia política internacional e de segurança internacional.
Crise econômica se embrica com crise climática, de forma muito profunda e oposta do que muitos analistas pensavam. A crise econômica deixou de lado a crise climática.
Dá para sair da crise econômica se mudar a matriz energética? É possível enfrentar a crise climática sem um paradigma diferente para enfrentar a atual crise econômica? Esta é a discussão que ocorre no melhor da mídia mundial.
Pacotes de estímulo
Os pacotes de estímulo econômico não tem sido analisados, no Brasil, sob o ângulo da transição para economia de baixo carbono. Com isso, não se avaliam os estímulos brasileiros sob a ótica da mudança energética.
O pacote brasileiro para a indústria automobilística é dos mais atrasados do mundo, porque mantém apenas a inércia do modelo que já se esgotou. A relação automóveis-infraestrutura urbana é pior no Brasil que na China.
Negociações internacionais
Nós estamos superfocados no Protocolo de Kioto porque a obrigação são dos outros. A visão dominante no mundo é que o Protocolo é insuficiente e nova arquitetura será diferente. Mas Itamarati consolidou essa ideologia, sem entender a complexidade de uma arquitetura que efetivamente pudesse mitigar as mudanças climáticas.
Existe na mídia nacional pouco conhecimento da complexidade de indicadores de responsabilidade e alocação do custo de distribuição da mitigação.
Indicadores:
a. Emissões histórias da última geração,
b. Emissões presentes.
c. Taxa de crescimento de emissões.
d. Emissões per capita
e. Emissões por unidade de PIB ou intensidade de carbono.
f. Custo de redução.
O mais relevante
A queda de desmatamento de 2005-2008 não foi suficiente analisada. E foi o evento mais importante do período. Apesar de ainda alta, foi a maior queda nos fatores de emissão entre todos os países. Isso não teve destaque na imprensa. O feito muda a percepção nacional de importância. A imprensa não destaca para não dar pontos para o governo.
Biocombustíveis e hidrelétrica
São duas realidades relevantes. Mas a ênfase nessas duas formas de energia oculta dois problemas: deixou para trás as energias eólica e solar. Analisam apenas o custo agora, mas deixam de pensar na matriz do século 21.
A complexidade das hidrelétricas que polarizou entre os que acreditam nas virtudes absolutas das hidrelétricas e os ambientalistas que pensam no sacrário amazônica. E há maneiras de se ter hidrelétricas eficientes do ponto de vista ambiental.
Consciência
Brasil tem consciência difusa das mudanças climáticas. Mas, ao mesmo tempo, há a inércia de uma cobertura simplificada sem acumulação progressiva. Leia mais »
Quando não tem que pagar o óbolo ao estilo Folha, a Eliane é das melhores repórteres a cobrir o Itamarati e a deslindar a lógica diplomática. Aliás, confira a explicação do Itamarati para o conflito Lula-Biden e a interpretação do editorial da Folha, dentro do neoconservadorismo que tem marcado as opiniões do jornal.
Da Folha
ELIANE CANTANHÊDE
A pescaria de Lula no G20
BRASÍLIA – Lula jogou a isca, e Joe Biden, vice de Obama, mordeu.
Foi assim: no primeiro de dois discursos na 6ª Cúpula de Líderes Progressistas, no sábado, no Chile, Lula cobrou: “O mundo paga o preço de uma aventura irresponsável dos que transformaram a economia mundial em um gigantesco cassino”. Defendeu um “Estado forte” e acusou “os mercados”.
Em seguida, Biden discordou: “Nós não devemos exagerar. O livre mercado ainda precisa estar apto a funcionar. A mim parece que nós devemos é salvar os mercados dos “livre-mercadistas’”.
De volta ao microfone, Lula engordou a isca. Jogou fora o seu texto e, de improviso, foi ainda mais contundente, responsabilizando os países ricos pela crise e cobrando que eles recuperem o crédito e a confiança internas para deixar de prejudicar os outros. Irônico, foi no fígado: “Não queremos que comece a cair primeiro-ministro e presidente pelo mundo afora”.
Ao mesmo tempo em que atacava EUA e Europa, pais da crise, Lula defendeu enfaticamente a América Latina. O que o mundo desenvolvido condena como puro populismo, ele classificou de “uma onda de democracia popular”. Leia mais »
PODE SER QUE a Operação Castelo de Areia seja mesmo apenas uma ação rotineira da Polícia Federal. Mas suas consequências não são nem um pouco rotineiras.
Por causa das supostas doações irregulares a candidaturas e partidos, a investigação na empresa Camargo Corrêa poderia dar um empurrão na combalida reforma política. Especialmente no que diz respeito à proposta de financiamento público de campanhas, ponto de honra para o PT desde o episódio do “mensalão”. A última chance para isso é neste ano. Do contrário, a reforma vai mesmo se resumir à aprovação de uma janela oportunista para o troca-troca partidário. Leia mais »
O objetivo deste trabalho é discutir o impacto da expansão do setor sucroalcooleiro sobre a qualidade e as condições de trabalho. Em geral são destacados a forte presença dos trabalhadores temporários, a baixa remuneração, a baixa qualificação dos trabalhadores, o privilegio de trabalhadores jovens que possuem maior força e maior capacidade de trabalho, entre outros aspectos. Leia mais »
CAMPINAS – A Prefeitura de Campinas foi a primeira do Estado de São Paulo a apresentar à Caixa Econômica Federal (CEF) projeto para o programa habitacional “Minha casa, minha vida”, anunciado na quarta-feira pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o objetivo de construir um milhão de casas.
O projeto de Campinas, entregue na última sexta-feira à CEF, prevê a construção de 30 mil moradias para pessoas com renda de zero a seis salários mínimos, dentro de três anos.
Mais de 50% das moradias são, segundo informações da Secretaria de Habitação de Campinas, destinadas a pessoas com renda de zero a três salários mínimos. Leia mais »
Baseada no artigo do professor Ronaldo Fiani, publicado no Blog do Ronaldo Bicalho, no Portal Luís Nassif
No auge da globalização, se pensava que todos os mercados se integrariam, que cessaria o protecionismo e que a perspectiva de um mundo sem conflitos deixaria de lado a defesa de interesses nacionais.
Era uma ilusão, que se tornou forte em relação ao mercado de energia. Especialmente depois que a Rússia passou a fornecer gás para a Europa, mesmo com o gasoduto passando por zonas conflagradas e mesmo com os problemas políticos que se sucederam ao fim da União Soviética.
Um artigo de Ronaldo Fiani, do Instituto de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) desmistifica esse sonho. E traz de volta a questão da visão geopolítica do petróleo.
Já nos anos 90, diz ele, as sucessivas crises globais não se entendi a contradição de tantos políticos buscarem o controle de algo que estaria com seus dias contatos: o petróleo.
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O alarme soou, diz ele, com a tentativa de aquisição hostil da Unocal (companhia petrolífera da Califórnia) pela CNOOC (China National Offshore Oil Corporation) em 2005. A proposta da CNOOC era de US$ 18,5 bi contra US$ 16,5 bi feita pela Chevron. Houve pressão do Congresso e do governo norte-americano, obrigando a CNOOC a desistir.
Os argumentos eram objetivos: a Unocal detinha reservas de petróleo e gás não-exploradas nos Estados Unidos e na Ásia. Além de não se permitir a uma empresa chinesa prospectar em território americano, também era necessário impedir o acesso a reservas em regiões asiáticas estratégicas. A idéia do mercado global sem restrições ia pelos ares, à luz da nova geopolítica mundial.
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Em agosto de 2007 – prossegue Fiani – o Financial Times publicou um documento interno da Comissão Européia, no qual se advertia que o bloco poderia ficar “vulnerável” aos planos de “outros países” (leia-se, Rússia) de dominar os mercados europeus de energia pela aquisição das redes de infra-estrutura.
A Rússia estava de olho nessas redes e o documento constatava que os objetivos não eram meramente econômicos. O conselho era de que se bloqueassem os investimentos russos.
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Fiani define alguns dos fatores que estarão mais estressados, nos próximos anos, em função dessa relação crítica entre energia e geopolítica:
1) O crescimento acelerado de países que enfrentam déficit de energia e possuem grandes economias (China e Índia), que passam a concorrer com os Estados Unidos, União Européia e Japão pela oferta mundial de energéticos.
2) O retorno da Rússia às disputas internacionais de poder, utilizando para isso essencialmente suas grandes reservas de insumos energéticos como instrumento de barganha.
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A conclusão é que o período de se pensar em mercados globais de energia coincidiu com o vácuo de contestação ao poder norte-americano, após o fim da URSS e enquanto a China não era ainda potência em ascensão.
Agora, energia volta a ser tratada como fator estratégico. O que reforça a tese de que o etanol só irá se impor quando a produção estiver diversificada por outros países.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.