iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
25/02/2009 - 07:00

A economia solidária do Banco Palmas

Coluna Econômica – 25/02/2009

Quem me chamou a atenção para o tema foram os comentaristas do meu Blog e do Portal Luís Nassif (blogln.ning.com).

A atual crise mundial acirrará dois sentimentos conflitantes. Em uma primeira etapa, o protecionismo, a xenofobia, o isolamento. Em uma segunda etapa, o desabrochar da chamada economia solidária – forma de organização social em que membros de uma mesma comunidade se auxiliam mutuamente, gerando riqueza e emprego.

***

Nos últimos anos houve um crescimento exponencial das cooperativas, saindo do ramo agrícola e esparramando-se por outros setores, especialmente o do crédito. Também avançou, ainda que timidamente, o conceito de Arranjos Produtivos Locais (APLs), assim como o microcrédito – na forma de Bancos do Povo, implantados em várias prefeituras.

***

Mas uma das experiências mais interessantes é a do Banco Palmas em Fortaleza, para a qual fui alertado pelo leitor Marroni.

O banco foi criado dentro do conceito de socioeconomia solidária da Associação de Moradores do Conjunto Palmeira,  bairro popular da periferia de Fortaleza, com 32 mil habitantes.

O trabalho começou pelo mapeamento da produção e do consumo local, tudo o que é consumidor e produzido, incluindo os insumos e o local onde trabalham.

O segundo passo foi criar um Balcão de empregos, identificando os trabalhadores desempregados e procurando coloca-los através das ofertas divulgadas pelo Sistema Nacional de Empregos (SINE) – que pode ser acessado pela Internet.

Simultaneamente, foi criado o que se chamou de Incubadora Feminina, na verdade um espaço na sede da Associação, com  sala, cozinha, refeitório, banheiros e um galpão. Nele são ministrados cursos profissionalizantes, ateliê de produção e um Laboratório de Agricultura Urbana.

***

Um dos itens mais interessantes desse projeto foi a criação de uma Moeda Social Circulante, administrada pelo Banco Comunitário. Como só pode ser negociada internamente, a moeda é a maneira de aumentar o que eles chamam de “riqueza circulante”.

Essas moedas têm como lastro reais depositados no Banco Comunitário. Quem usa a Moeda Social tem direito a descontos dos comerciantes e produtores. Caso necessite de reais, o empresário poderá trocar as moedas sociais no Banco Comunitário. Caso queira Moedas Sociais, bastará levar reais ao Banco Comunitário e trocar por elas.

***

Com esse lastro, o Banco conta com uma linha de microcrédito alternativo (para produtores e consumidores), cartões de crédito, alternativas de comercialização (feiras e lojas solidárias), estimulando a geração local de empregos.

***

Em cima dessa base, o Banco Palmas estimulou o aparecimento de várias iniciativas solidárias. Existem os empreendimentos produtivos da rede, independentes, mas trabalhando dentro do conceito de solidariedade e sendo supervisionados diariamente pela equipe do banco.

Tem a Academia de Moda Periferia, ensinando curso de estilismo e moda. Tem a Palmatech, produzindo material didático para os diversos cursos e enfatizando sempre os princípios da economia solidária.

Tem, finalmente, a Rede Brasileira de Bancos Solidários, com 32 instituições.

Está aí uma experiência digna de acompanhamento.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia, Novo Modelo Tags: ,

Ver todas as notas

30 comentários para “A economia solidária do Banco Palmas”

  1. Guilherme Velloso Diniz disse:

    Caro LN,
    aqui em BH, a Cooperativa de Crédito dos profissionais de saude – Credicom – já se tornou um banco “aparentemente sólido”, concentrando o recebimento dos proventos dos médicos; e recentemente tornou-se parceira de outra cooperativa – a UnimedBH

  2. Marroni disse:

    Nassif,

    Para um aprofundamento teórico sobre o tema sugiro a leitura, disponível para download, do livro Democracia Econômica: um passeio pelas teorias – do professor Ladislau Dowbor.
    http://dowbor.org/08demoecovozes.doc
    Abraços,

    Marroni

  3. Eu acho essas iniciativas muito importantes, mas elas somente amenizam o problema criado pela má gestão da política macroeconômica.

    A economia solidária se apoiada pode gerar uma grande quantidade de empregos, fortalecer pequenas empresas é muito importante. Mas o Banco Central não vê com bons olhos esses bancos solidários. Corre-se o risco do BC fazer o mesmo que a a ANATEL faz com as rádios comunitárias: fechá-los.

    Eu sou a favor da democratização da economia, mas tem um nó: o país não se desenvolverá somente com isso, é preciso de tecnologia, de grandes empresas nacionais financiando pesquisa aqui no Brasil, utilizando o conhecimento gerado nas universidades. A Unicamp por exemplo tem um grande número de patentes que não são utilizadas por falta de empresas interessadas. Falta de empresas de grande porte colocar o produto no mercado. Os bancos privados não financiam projetos de longo prazo.

    Nas universidades as grandes idéias morrem por falta de financiamento.

    Tem caras (muitos de esquerdas como Paul Singer, outros neoliberiais da pior espécia) que acreditam na economia solidária. Mas áreas importantes para o desenvolvimento do país. Indústria química, petroquíma, a farmacêutica, entre outras. A economia de escala e de escopo são fundamentais.

    Vejo a grande indústria produzindo insumos fundamentais, grande produção e a economia solidária se bem articulada gerando grande quantidade de emprego.

    Eu acho que o agronegócio é um setor em que a grande escala ser substituído pela economia solidária. Pequenos proprietários trabalhando de forma coordenada por associações ou cooperativas, planejamento estatal podem substituir com muitas vantagens a produção em grandes propriedades.

  4. Cida Medeiros disse:

    Sugiro também a leitura de diversos livros do professor neozelandês Brian Martin, que ele disponibiliza no site

    http://www.uow.edu.au/arts/sts/bmartin/pubs/peace.html#books

    Estudioso da Não Violência em todos os seus aspectos (diálogo, cooperação, coexistência etc.), coerentemente, disponibiliza em seu site diversos trabalhos que subsidiam estas novas formas de agir em sociedade de forma a permitir que o crescimento se dê de forma a assegurar segurança e estabilidade social, dentro da complexidade.
    Estão lá livros como:
    Brian Martin. Nonviolence versus capitalism (London: War Resisters’ International, 2001).
    Brian Martin. Technology for Nonviolent Struggle (London: War Resisters’ International, 2001).
    Brian Martin. Social Defence, Social Change (London: Freedom Press, 1993), 157 pages.

    Aproveito para informar que estão abertas até sexta-feira as inscrições para o curso de pós-graduação Jogos Cooperativos. São 18 meses e o curso já tem 10 anos de existência.

    http://projetocooperacao.tempsite.ws/pos-graudacao/
    “PROPÓSITO: O propósito deste curso é promover o encontro de pessoas estimuladas pela necessidade de ampliar e aprofundar o conhecimento a pesquisa, a criação e aplicação de JOGOS COOPERATIVOS em deferentes contextos: educacional, empresarial, terapêutico e comunitário. Deste modo, imaginamos oferecer um ambiente de aprendizagem compartilhada, para descobrir e exercitar nossa (im)possibilidade de construção de um mundo onde todo podem “VenSer”… Juntos!”

  5. Edmar Melo disse:

    Nassif,

    O Banco Palmas de Fortaleza, realmente é um bom exemplo de economia solidária que deu certo. Esse banco foi criado pela comunidade do Conjunto Palmeira, bairro pobre da periferia de Fortaleza, e é administrado com competência por membros da própria comunidade. Particularmente, atribuo o sucesso desse banco a não ingerência do Estado, da Prefeitura e do Banco Central nos negócios desse banco. O Banco Palmas é exemplo até para o Banco Central, vez que seus juros são de país civilizado e a inadimplência é quase zero.

    Abs.

    Edmar Melo

  6. Anarquista Lúcida disse:

    OFF TOPIC já que ainda nao há Fora de Pauta. Nassif, o Eduardo Guimarães, do Cidadania, está propondo um ato público contra a Folha de S. Paulo por causa da defesa feita da ditadura. O dia ainda nao está marcado, mas o Blog poderia fazer parte da divulgação e do chamamento.

  7. Mário Mendonça disse:

    Caro Luis

    Bom dia

    Algumas duvidas;

    - os órgãos reguladores da economia, ditam as regras destes bancos ?

    - Qual a participação os governantes de plantão ???

    Abraços

  8. Marcos Carvalho Campos disse:

    Parabéns, Nassif pelo seu blog. Gostaria de comentar sobre a questão abordada pelo Vladimir Coutinho. Em crises globais, como a atual, o Brasil está se mantendo devido ao mercado interno mais robusto do que muitos outros países e também devido ao fato de que os bancos nossos são mais conservadores dos que os europeus e americanos, quanto a aplicação em derivativos (ainda bem que esta “praga” financeira não chegou aqui, iria chegar…)(Talvez eles não precisem de buscar papéis “rentáveis” uma vez que a taxa de juros praticada aqui já lhes garantem bons lucros). E aqui o ritmo das privatizações foi, em muito, barrada pelo movimentos populares (vide COPEL). Mas quanto a empresas nacionais serem “turbinadas” com pesquisa das universidades isto já está acontecendo. Talvez o Wladimir não esteja levando em conta que esta transferência de tecnologia é demorada na maioria dos casos, e que a transformação de patentes em produtos requer análise detalhada de custos de produção e de mercado. Muitas patentes são interessantes, mas devido a rapidez do mercado nem sempre é viável investir em parques produtivos caso o produto seja de fácil superação. Deve haver sempre um ganho significativo. Por exemplo, muito do que a Petrobrás tem de tecnologia de extração em águas profundas foi desenvolvida em parcerias com universidades. Acredito que as estatais remanescentes no Brasil terão um papel fundamental no futuro próximo (Eletrobrás, CEMIG e outras) se venceram a inércia organizacional típicas destas empresas. Quanto a economia solidária, acredito ser uma excelente alternativa, incluo aqui também todos os tipos benéficos de cooperação, inclusive na geração de energia, para criar riqueza no interior no país e nas cidades e as iniciativas bancárias para crédito como as citadas devem ser estimuladas, com responsabilidade, em todos os cantos do país. Será esta estrutura de produção que será utilizada pelos demais países (que já ocorrem em muitos) para saírem desta crise. Capilaridade no crédito e atenção ao mercado interno, sem esquecer de exportação de produtos excedentes e específicos. Outras coisa a escrever mas fico por aqui. Abraços a todos.

  9. Raí disse:

    Já que o tema é a saúde financeira de bancos,vou tentar explicar a um leitor que perguntou ao Nassif,se procedem as informações do mercado financeiro,de que os ativos dos bancos Citi e Bofa,são atualmente menores que os do conglomerado Itaú e Unibanco. Ele não acredita que isto proceda e não entende como bancos tão tradicionais,tenham chegado a este ponto.
    Aconteceu o seguinte,meu caro: Os citados bancos alavancaram 35 veses mais que a capacidade real de seus ativos,numa economia que capengava, desde o início de 2008,como a norte-americana,e como lá não há fiscalização no setor bancário,eles agem como “donos do pedaço”,enquanto por aqui,até por excesso de zêlo,os bancos locais jamais alavancaram mais que 2 veses o seu patrimonio,mesmo que as regras do B.C,autorizassem os mesmos, a fazer isto até 12 veses.

  10. alfredo machado disse:

    Nassif:
    Um ótimo exemplo do conceito Economia Solidária é o de Muhammad Yunus, economista de Bangladesh que criou, há uns vinte anos atrás, o Banco Grameen, cuja função principal é oferecer créditos de pequeno valor e baixas taxas de juros para pessoas carentes em seu país, sem a habitual burocracia que tal prática exige; a experiência se tornou muito bem sucedida, já que inúmeras microempresas foram criadas a partir daqueles empréstimos, com um índice de inadimplência em torno de 2%.
    Yunus, pelo enorme resultado de ordem social obtido em função daquela iniciativa ímpar, recebeu o Nobel da Paz em 2006.

  11. maria coelho disse:

    Nassif e demais comentaristas, vale a pena conhecer também a Rede Xique-xique de economia solidária em Mossoró-RN.
    É uma rede composta basicamente de mulheres assentadas, que comercializam alimentos e artezanatos.
    Usando internet e celular elas se comunicam e organizam produção e comercialização em vários municípios do semi-árido. Usam motos para transportar as mercadorias para a sede em Mossoró e ônibus de linha para enviar caixas para Natal e Fortaleza.
    Depois de saber da Xique-xique, soube também de várias cooperativas solidárias que se organizam na amazônia e no centro oeste e que fazem trocas de experiências e mercadorias. Abraços, Maria.

  12. H. de Carvalho disse:

    O Banco Palmas deu tanto certo que agora, pelo Instituto Palmas, assessora a formação e a consolidação de bancos comunitários Brasil afora, inclusive no sudeste e no sul.

    A economia soldária é uma grande esperança para o mundo, pois ela se expande a passos largos mundo afora. Ela se pauta na cooperação do trabalho e não na competição e na exploração do trabalho, no fim da divisão hierárquica que se legitima pela desigualdade de condições materiais entre seus membros e, por conseguinte, com o fim do trabalho assalariado. O excedente do trabalho cooperado e solidário é repartido segundo critérios consensuais, devidamente discutidos e aceitos pelo grupo como um todo. Na mesma, dá-se a propriedade coletiva do meios de produção.

    Porém, na medida em que tomam corpo, melhorando suas condições econômicas mais imediatas, ascendendo socialmente, as reinvidicações políticas serão inevitáveis. Nesse moemento, a luta de classes estará no seu ápice. A burguesia tomará então consciência da ameaça do cooperativismo popular enquanto sua negação e fará de tudo para impedir a sua consolidação no poder, baixando decretos e leis, tal como ocorreu na década de 70 e 80, desvirtuando completamente a essência do cooperativismo.

    O proletariado solidário então ver-se-á diante de condições favoráveis para um movimento revolucionário, podendo assim consolidar a superação do capitalismo rumo a um novo mundo. A construção do socialismo de baixo para cima, tecnica e cientificamente alinhado ao pensamento marxista.

  13. maria coelho disse:

    Nassif, sugiro que você entreviste o secretário executivo do Fórum Brasileiro de Economia Solidária – Daniel Tygel – e-mail: dtygel@wowtech.com.br.
    Ele recentemente escreveu um artigo relatando a experiência do fórum e que pode ser acessado na página: http://www.fbes.com.br, que pode ser linkado na comunidade. Abraços, Maria.

  14. peregrino disse:

    por analogia, vejo como muito importante os empréstimos financeiros concedidos pelas entidades fechadas de previdência complementar, pela simplicidade no gerenciamento devido ao retorno garantido, desconto em folha, e o limite de comprometimento de renda do tomador de no máximo 15%.
    Como grande parte dos tomadores desse tipo de empréstimo usam o dinheiro para somar ao FGTS na compra de imóvel novo ou na compra de automóvel zero, no caso de já ter usado FGTS, o que contribui para crescimento economia.
    Seria uma boa se as secretarias de controle e os conselhos de administração fizessem um estudo visando aumentar o limite de concessão, de 12 para 20 salários, visto que o ideal para o momento é injetar recursos no mercado e se precaver de quebradeiras…situação anda tão sem controle, que é melhor somar 1 ou 2% do que perder toda a reserva matemática para politiqueiros e agiotas.

  15. Clayton Mendonça Cunha Filho disse:

    Vale ressaltar que as vans de transporte alternativo que circulam no bairro ou o atravessam também aceitam a moeda social, chamada de Palmas.

  16. Edwin Carlson Junior disse:

    Uma experiência social interessante. No Brasil, parece recorrente. Houveram Canudos e uma outra comunidade no Ceará. Contrariavam interesses. Foram destruídas pelo governo. Contra a primeira, usaram forças terrestres. Contra a segunda, usaram até aviação militar para bombardeio. Foi conhecida como Massacre do Caldeirão.

  17. Sofia disse:

    O endereço correto do Fórum Brasileiro de Economia Solidária é

    http://www.fbes.org.br/

  18. Edmar Roberto Prandini disse:

    Nassif e meu xará, Edmar Melo,

    Uma das primeiras apresentações sobre o Banco Palmas aconteceu durante o Fórum Social Mundial, de Porto Alegre, em 2001 ou 2002. Creio que 2001, apesar da memória não me dar segurança. A força do modelo do Banco Palmas está na coesão comunitária e na simbologia inovadora.

    Com a vitória eleitoral de Lula, em 2002, sua posse e a constituição da SENAES – Secretaria Nacional de Economia Solidária, em junho de 2003, sob a liderança do Prof. Paul Singer, o debate acerca do crédito para os empreendimentos de economia solidária – não apenas microcrédito, dada a dimensão de empreendimentos autogestionários e especialmente de empresas recuperadas (ex-falimentares), que por vezes demandam créditos bem vultosos – ganhou importância. Na preparação da Conferência Nacional de Economia Solidária, as Conferências Estaduais remeteram contribuições que algumas pessoas, dentre as quais tive a honra de participar, sistematizaram para o debate da plenária nacional.

    Parte do crescimento do Banco Palmas deve-se às oportunidades geradas com a criação de espaços tais como o Fórum Social Mundial, a constituição durante o FSM do Fórum Brasileiro de Economia Solidária e, sim, o apoio que o Banco Palmas tem recebido de instituições governamentais e outras ONGs, inclusive internacionais.

    O Ministério do Trabalho e Emprego, através da Senaes, tem financiado a irradiação da experiência do Banco Palmas para a constituição de uma rede de “bancos comunitários de desenvolvimento”. Para viabilizar essa iniciativa, inclusive, houve a constituição de uma nova organização, o Instituto Banco Palmas, distinto da Associação de Moradores, por razões óbvias. Além disso, parte do movimento do Banco Palmas, faz-se hoje utilizando-se de recursos do Banco do Brasil, através do modelo do Banco Popular do Brasil, que não teve muito êxito, mas criou uma ferramenta de presença em áreas de periferia, através de um formato de correspondente bancário.

    Trago tais informações para evidenciar que há forte apoio do governo brasileiro na sustentação e na difusão do Banco Palmas. Além disso, o Banco Palmas firmou laços também com o governo venezuelano, durante o Fórum Social das Américas, em 2006.

    Por outro lado, há outras experiências de criação de “moedas sociais” no país, não alinhadas ao Banco Palmas, ainda que guardadas certas similaridades.

    E, por último, existem inúmeras outras modalidades de instrumentos de “finanças solidárias” em crescimento. O Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (http://www.mte.gov.br/pnmpo) tem cadastradas quase trezentas organizações, dentre quais o Banco Palmas, mas além dele, mais de uma centena de OSCIPs, outra centena de cooperativas, por exemplo. O próprio programa Crediamigo, do Banco do Nordeste, outro caso sempre citado nessa área, também é parte do Programa. Em 2008, seguramente, mais de R$ 1,7 bilhões de reais foi concedido em microcréditos no país, por estas organizações, para aplicação em microempreendimentos produtivos, em geral, pequenos comércios, sendo mais de 90% deles empreendimentos informais. Mais de 600 mil pessoas tem sido atendidas, de maneira continuada.

    Por fim, é valioso citar também, o surgimento de uma valiosa experiência de garantia de crédito para a microempresa, através da Sociedade Garantidora de Crédito, cuja pioneira no país foi a de Caxias do Sul. Atualmente, outras organizações similares estão sendo estruturadas, inclusive com apoio do Sebrae Nacional.

    Por fim, reforço a sugestão da Maria Coelho, para que você entreviste o Daniel Tygel, um brilhante militante do movimento de economia solidária.

  19. Pedro F. disse:

    Nassif,

    eu pessoalmente – e acredito que muitos aqui – acho esse assunto particularmente interessante.
    Em acréscimo à sugestão da leitora acima, você poderia tentar entrevistar o próprio Paul Singer, hoje secretário da economia solidária, e analisar o que o governo pode (e está) fazendo a esse respeito.

    Eu acho – talvez muito grandiosamente – que o futuro do capitalismo brasileiro reside na economia solidária.

  20. gepeto disse:

    Acho que se deve atirar pra todos os lados, estabelecendo nichos. Por exemplo emprestimos à micro empresas e familiares via cooperativas, com administração sem interferencia do BC ou outros orgaos municipais e estaduais. Pequenas, médias e grandes empresas usando o sistema bancário tradicional, porém com redução drástica da selic pra se adequar à quase e inevitável recessão no brasil em breve. O BNDES a meu ver deveria se concentrar em financiar cadeias produtivas e comerciais (não somente uma empresa mas um grupo delas) e novas idéias/produtos visando viabilizá-los. Desses ultimos receberia royalties em pagamento além também do pagamento dos emprestimos com juros menores ou carencia maior.
    Exemplo no caso de financiar a Petrobrás, financiar tb seus fornecedores para um determinado projeto e até consumidores que comprarão o produto.
    No caso da informática creio que esta na hora de formar uma grande empresa de capital nacional, fundindo por exemplo a Positivo e CCE e partir para o mercado externo tipo america latina e africa competindo com as grandes chinesas e americanas em mercados que elas não dão importância.

  21. daniel tygel disse:

    Olá Nassif e demais amigas e amigos,

    É muito importante incorporar o debate a respeito da Economia Solidária quando pensamos o modelo de desenvolvimento atual, em uma estrutura que não é nada saudável e que está clamando por alternativas.

    A Economia Solidária consiste em milhares de iniciativas no país e no exterior, que, além do campo do crédito (como os bancos comunitários, entre eles o valioso Banco Palmas, e também fundos rotativos solidários, e cooperativas de crédito locais, além de grupos de trocas e moedas sociais), também perpassam os campos da produção (como empresas falimentares recuperadas por trabalhadores; cooperativas solidárias no campo e na cidade; grupos e associações, etc); do consumo (grupos de compras coletivas, etc); da comercialização (lojas, centrais de comercialização solidária, feiras, etc); e de serviços.

    A base e princípios que norteiam estas iniciativas são o da autogestão, a cooperação, o enraizamento e o cuidado com o meio-ambiente. São iniciativas em que não há patrão nem empregado. No mapeamento que a SENAES/MTE realizou em parceria com o Fórum Brasileiro de Economia Solidária entre 2005 e 2007, identificamos mais de 20 mil empreendimentos solidários, tendo mapeado apenas 60% dos municípios brasileiros.

    É possível localizar os produtos e serviços oferecidos por estas iniciativas (chamadas de empreendimentos da economia solidária) através do FAREJADOR DA ECONOMIA SOLIDÁRIA. Dêem uma olhadinha, e vejam o que há perto de sua cidade, no mapa! Está em nossa página, em:

    http://www.fbes.org.br/farejador

    Lá nesta página ( http://www.fbes.org.br ) vocês podem encontrar outras informações, notícias e debates a este respeito. Aconselho olharem a “biblioteca”, que contém centenas de artigos, publicações, filmes e reflexões a respeito da Economia Solidária e sua relação com debates como o desenvolvimento, o meio-ambiente, a formação, o consumo consciente, entre outras…

    É importante salientar que estas iniciativas se organizam em fóruns locais, estaduais e nacional de economia solidária, e que a economia solidária não é, portanto, apenas um conjunto de iniciativas, mas um movimento que busca a mudança da organização da economia: radicalizar a democracia também para o âmbito econômico, mudando as relações de mercado que hoje imperam e dirigem boa parte das decisões políticas de governos.

    Abraços, e parabéns por puxar esta temática, muito apaixonante!!

    daniel (secretário executivo do FBES)

  22. altamiro souza disse:

    seria viavel uma moeda social equivalente a essa do banco palmas para o mercosul?
    um tipo de moeda solidaria? Ja nao ha atualmente? Com a argentina, me parece…

    Parabens por levantar o tema…Nesses tempos de crise, as solucoes internas e solidarias sao o assunto do momento.

  23. [...] solidária da Associação de Moradores do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, foi destaque no Blog do Luis Nassif, colunista do [...]

  24. [...] na íntegra e com comentários a seguir: A economia solidária do Banco Palmas Tags: Banco Palmas, Blogues, Economia Solidária, Luis [...]

  25. Ola Nassif,

    Primeiramente parabéns por trazer esse debate…

    Acredito que a constituição dos Bancos Comunitários, num cenário como o atual de crise econômica, é um importante instrumento anti-crise e de um desenvolvimento endógeno nas comunidadades e bairros populares (periferias) de todo o país.

    Os Bancos Comunitários mostram que o desenvolvimento local é a grande saída para construirmos um novo modelo de desenvolvimento, fundado numa produção de necessidades e não de de um produtivismo irresponsável, que tem levado o mundo a crise ambiental e social.

    Um outro elemento importante, é que a atual crise mundial, teve como estopim uma total desregulamentação no mercado financeiro, voltado a especulação e a lucros irreais. Que tem levado as pessoas, as instituições numa grande crise de confiança. Já os Bancos Comunitários o principal vaor é a auto-confinaça entre as pessoas e grupos que compõem e sustetam a vitalidade desses Bancos. Mostrando novamente, que através da autogestão entre as comunidades e grupos locais que poderemos criar novos paradigmas para a construção de um novo Brasil e um novo Mundo.

    Termino, dizendo que essas iniciativas ainda são incipientes, por falta de políticas públicas que o fomentem e impulsionem, mas já mostram toda a sua potencialidade e assim, mostram que os mesmos podem ser uma saída macroeconomica, que possa levar nosso país a um novo padrão de desenvolvimento justo e solidário.

    abs

  26. [...] Estados Unidos, microcrédito, moedas alternativas, TVs web | by Antonio Martins > A última Coluna Econômica de Luís Nassif, sobre as conquistas do Banco de Palmas, de Fortaleza. Criado há alguns anos pela [...]

  27. [...] solidárias, microcrédito, moedas alternativas, resistência social trackback > A última Coluna Econômica de Luís Nassif, sobre as conquistas do Banco de Palmas, de Fortaleza. Criado há alguns anos pela [...]

  28. Aqui tem um boa ideia de fazer uma moeda local nosso pais rural – na ruralidade cuanto mais facil de fazer agricultura. Y tambem de impressar notas de Postal, nome da moeda.

  29. Cleidinalva disse:

    Estou desenvolvendo um projeto com o Tema Banco Popular Palmas, adorei a coluna e contribuiu muito para o meu projeto. Gostaria de saber onde posso conseguir mais informações, (sites, livros, artigos…etc).

  30. edilson josé da silva disse:

    olá caros golegas meu nome é tito so presidente da associação de moradores aqui na minha comunidade em santo amaro recife – pe trabalho com reciclagem otras

Voltar ao topo