A economia solidária do Banco Palmas
Coluna Econômica – 25/02/2009
Quem me chamou a atenção para o tema foram os comentaristas do meu Blog e do Portal Luís Nassif (blogln.ning.com).
A atual crise mundial acirrará dois sentimentos conflitantes. Em uma primeira etapa, o protecionismo, a xenofobia, o isolamento. Em uma segunda etapa, o desabrochar da chamada economia solidária – forma de organização social em que membros de uma mesma comunidade se auxiliam mutuamente, gerando riqueza e emprego.
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Nos últimos anos houve um crescimento exponencial das cooperativas, saindo do ramo agrícola e esparramando-se por outros setores, especialmente o do crédito. Também avançou, ainda que timidamente, o conceito de Arranjos Produtivos Locais (APLs), assim como o microcrédito – na forma de Bancos do Povo, implantados em várias prefeituras.
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Mas uma das experiências mais interessantes é a do Banco Palmas em Fortaleza, para a qual fui alertado pelo leitor Marroni.
O banco foi criado dentro do conceito de socioeconomia solidária da Associação de Moradores do Conjunto Palmeira, bairro popular da periferia de Fortaleza, com 32 mil habitantes.
O trabalho começou pelo mapeamento da produção e do consumo local, tudo o que é consumidor e produzido, incluindo os insumos e o local onde trabalham.
O segundo passo foi criar um Balcão de empregos, identificando os trabalhadores desempregados e procurando coloca-los através das ofertas divulgadas pelo Sistema Nacional de Empregos (SINE) – que pode ser acessado pela Internet.
Simultaneamente, foi criado o que se chamou de Incubadora Feminina, na verdade um espaço na sede da Associação, com sala, cozinha, refeitório, banheiros e um galpão. Nele são ministrados cursos profissionalizantes, ateliê de produção e um Laboratório de Agricultura Urbana.
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Um dos itens mais interessantes desse projeto foi a criação de uma Moeda Social Circulante, administrada pelo Banco Comunitário. Como só pode ser negociada internamente, a moeda é a maneira de aumentar o que eles chamam de “riqueza circulante”.
Essas moedas têm como lastro reais depositados no Banco Comunitário. Quem usa a Moeda Social tem direito a descontos dos comerciantes e produtores. Caso necessite de reais, o empresário poderá trocar as moedas sociais no Banco Comunitário. Caso queira Moedas Sociais, bastará levar reais ao Banco Comunitário e trocar por elas.
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Com esse lastro, o Banco conta com uma linha de microcrédito alternativo (para produtores e consumidores), cartões de crédito, alternativas de comercialização (feiras e lojas solidárias), estimulando a geração local de empregos.
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Em cima dessa base, o Banco Palmas estimulou o aparecimento de várias iniciativas solidárias. Existem os empreendimentos produtivos da rede, independentes, mas trabalhando dentro do conceito de solidariedade e sendo supervisionados diariamente pela equipe do banco.
Tem a Academia de Moda Periferia, ensinando curso de estilismo e moda. Tem a Palmatech, produzindo material didático para os diversos cursos e enfatizando sempre os princípios da economia solidária.
Tem, finalmente, a Rede Brasileira de Bancos Solidários, com 32 instituições.
Está aí uma experiência digna de acompanhamento.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Economia, Novo Modelo Tags: Banco Palmas, economia solidária

Olá Nassif e demais amigas e amigos,
É muito importante incorporar o debate a respeito da Economia Solidária quando pensamos o modelo de desenvolvimento atual, em uma estrutura que não é nada saudável e que está clamando por alternativas.
A Economia Solidária consiste em milhares de iniciativas no país e no exterior, que, além do campo do crédito (como os bancos comunitários, entre eles o valioso Banco Palmas, e também fundos rotativos solidários, e cooperativas de crédito locais, além de grupos de trocas e moedas sociais), também perpassam os campos da produção (como empresas falimentares recuperadas por trabalhadores; cooperativas solidárias no campo e na cidade; grupos e associações, etc); do consumo (grupos de compras coletivas, etc); da comercialização (lojas, centrais de comercialização solidária, feiras, etc); e de serviços.
A base e princípios que norteiam estas iniciativas são o da autogestão, a cooperação, o enraizamento e o cuidado com o meio-ambiente. São iniciativas em que não há patrão nem empregado. No mapeamento que a SENAES/MTE realizou em parceria com o Fórum Brasileiro de Economia Solidária entre 2005 e 2007, identificamos mais de 20 mil empreendimentos solidários, tendo mapeado apenas 60% dos municípios brasileiros.
É possível localizar os produtos e serviços oferecidos por estas iniciativas (chamadas de empreendimentos da economia solidária) através do FAREJADOR DA ECONOMIA SOLIDÁRIA. Dêem uma olhadinha, e vejam o que há perto de sua cidade, no mapa! Está em nossa página, em:
http://www.fbes.org.br/farejador
Lá nesta página ( http://www.fbes.org.br ) vocês podem encontrar outras informações, notícias e debates a este respeito. Aconselho olharem a “biblioteca”, que contém centenas de artigos, publicações, filmes e reflexões a respeito da Economia Solidária e sua relação com debates como o desenvolvimento, o meio-ambiente, a formação, o consumo consciente, entre outras…
É importante salientar que estas iniciativas se organizam em fóruns locais, estaduais e nacional de economia solidária, e que a economia solidária não é, portanto, apenas um conjunto de iniciativas, mas um movimento que busca a mudança da organização da economia: radicalizar a democracia também para o âmbito econômico, mudando as relações de mercado que hoje imperam e dirigem boa parte das decisões políticas de governos.
Abraços, e parabéns por puxar esta temática, muito apaixonante!!
daniel (secretário executivo do FBES)
seria viavel uma moeda social equivalente a essa do banco palmas para o mercosul?
um tipo de moeda solidaria? Ja nao ha atualmente? Com a argentina, me parece…
Parabens por levantar o tema…Nesses tempos de crise, as solucoes internas e solidarias sao o assunto do momento.
[...] solidária da Associação de Moradores do Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, foi destaque no Blog do Luis Nassif, colunista do [...]
[...] na íntegra e com comentários a seguir: A economia solidária do Banco Palmas Tags: Banco Palmas, Blogues, Economia Solidária, Luis [...]
Ola Nassif,
Primeiramente parabéns por trazer esse debate…
Acredito que a constituição dos Bancos Comunitários, num cenário como o atual de crise econômica, é um importante instrumento anti-crise e de um desenvolvimento endógeno nas comunidadades e bairros populares (periferias) de todo o país.
Os Bancos Comunitários mostram que o desenvolvimento local é a grande saída para construirmos um novo modelo de desenvolvimento, fundado numa produção de necessidades e não de de um produtivismo irresponsável, que tem levado o mundo a crise ambiental e social.
Um outro elemento importante, é que a atual crise mundial, teve como estopim uma total desregulamentação no mercado financeiro, voltado a especulação e a lucros irreais. Que tem levado as pessoas, as instituições numa grande crise de confiança. Já os Bancos Comunitários o principal vaor é a auto-confinaça entre as pessoas e grupos que compõem e sustetam a vitalidade desses Bancos. Mostrando novamente, que através da autogestão entre as comunidades e grupos locais que poderemos criar novos paradigmas para a construção de um novo Brasil e um novo Mundo.
Termino, dizendo que essas iniciativas ainda são incipientes, por falta de políticas públicas que o fomentem e impulsionem, mas já mostram toda a sua potencialidade e assim, mostram que os mesmos podem ser uma saída macroeconomica, que possa levar nosso país a um novo padrão de desenvolvimento justo e solidário.
abs
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Aqui tem um boa ideia de fazer uma moeda local nosso pais rural – na ruralidade cuanto mais facil de fazer agricultura. Y tambem de impressar notas de Postal, nome da moeda.
Estou desenvolvendo um projeto com o Tema Banco Popular Palmas, adorei a coluna e contribuiu muito para o meu projeto. Gostaria de saber onde posso conseguir mais informações, (sites, livros, artigos…etc).