Terça de Carnaval, o sol inundando janelas e aquecendo piscinas – uma festa.
Eu, que não comprei Avestruz nem Boi Gordo, e aliás nem sabia quem era o Madoff, me pergunto por qual razão sempre que falam do duo Flora Purim e Airto Moreira se referem primeiro ao Airto?
Flora é beleza e graça na veia, Airto (em minha opinião) é técnica acurada. A soma de ambos é prazer e sofisticação em alto estágio.
O valor medio das casas aqui nos EUA continuam a despencar, pior que parece que o fundo ainda está longe, aqui está o link para o gráfico baseado em S&P/Case-Shiller U.S. National Home Price Index.
Na entrevista coletiva de hoje, o PSOL afirma que existe o que segue abaixo:
- Áudio e vídeo mostrando representante da Mak Engenharia entregando 500 mil para a campanha de Yeda na presença de Chico Fraga, Aod Cunha, Rubens Bordini, Delson Martini, Lair Ferst e Marcelo Cavalcante;
- Áudio e vídeo de representantes de empresas fumageiras entregando 200 mil para Aod Cunha e Lair – na conversa, Lair diz que não poderia dar recibo a pedido de Yeda
- Lair Ferst relata conversa que seria sobre a repartição do dinheiro do Detran entre ele, Yeda, Vaz Netto e Maciel. Lair oferece 100 mil por mês para Yeda para manter o esquema e ela responde: por 100 mil eu não me levanto da cadeira.
- Áudio e vídeo de José Otávio Germano entregando 400 mil em espécie, do dinheiro do Detran, para caixa 2 do segundo turno da campanha de Yeda. José Otávio diz que aquela era uma ajuda para obter crédito político. Presentes: Lair, Yeda e Marcelo Cavalcante.
- Longo vídeo de conversa de Lair com o corretor Albert sobre a formatação da compra da casa de Yeda. Bem detalhado. Lair entrega 400 mil em dinheiro vivo para o corretor. Dinheiro este além dos 750 mil pagos formalmente. Neste vídeo são citados nomes de 20 pessoas, entre eles o marido Crusius e vários secretários;
- Áudio e vídeo de distribuição de pacotinhos de dinheiro para várias pessoas cujos nomes não são conhecidos. Quem aparece distribuindo (e inclusive a expressão “mensalinho” é dita por alguém) é Valna Villarins (assessora de Yeda) e Delson Martini. Testemunham o fato: Lair e Marcelo.
- Áudio e vídeo de Humberto Busnello entregando 200 mil para o caixa dois da campanha de Yeda para Aod Cunha. Lair testemunha.
- Áudio e vídeo de uma longa explanação de pagamentos de contas particulares da governadora, supermercado inclusive. Alguma coisa envolvendo empresas de publicidade – DCS entre elas. Presentes: Lair e Marcelo.
- Diálogo sobre reforma da casa de Yeda feita pela Magna Engenharia. Lair é que está negociando.
OBS:é crível um desmentido a partir disso? Leia mais »
Momento de emoção a ser registrado foi o de Jerry Lewis recebendo de Eddie Murphy o Oscar humanitário Jean Hersholt. Foi a maneira encontrada pela Academia de compensar o diretor e ator, de 82 anos, de nunca antes ter recebido um Oscar, sequer uma indicação, em toda a sua longa carreira.
Certo, comédia, em geral é tido como gênero “menor” para a Academia. Acontece que a trajetória de Lewis foi das mais curiosas. Se em casa nunca recebeu reconhecimento devido, passou a ser considerado uma espécie de mestre do cômico no exterior, em especial depois de descoberto pelos franceses. Sua obra-prima, provavelmente, é O Professor Aloprado, espécie de releitura, às avessas, de O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson. Formidável inventor de gagues, Lewis vem da comédia de music-hall e de um tempo em que a expressão “politicamente correto” ainda não havia sido inventada.
Lewis preside uma associação em benefício dos portadores de distrofia muscular. Promove uma maratona anual para angariar fundos para essa associação.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090224/not_imp328982,0.php
O texto em anexo apresenta o grande sociólogo francês do séc. XIX, Émile Durkheim, autor da obra “As regras do método sociológico”, marco para a consolidação da sociologia como ciência. Nessa obra ele define o objeto da sociologia, os fatos sociais, padrões de comportamento/pensamento caracterizados por serem genéricos, coercitivos e exteriores.
O texto, produzido pelo Instituto Florestan Fernandes, apresenta a trajetória de Durkheim, sua produção bibliográfica, e o esboço da sua teoria. Boa leitura!
Há um interessante movimento internacional em favor das “finanças éticas e solidárias”. Evidentemente, é pequeno, mas já está presente em alguns países, na forma de cooperativismo de crédito ou de bancos, constituídos por segmentos da sociedade civil organizada, movimentos sindicais, pastorais, ONGs. Um dos expoentes situa-se na Itália, com sede em Pádova, e denomina-se “Banca Ética”.
Sua história é interessante. Tento um breve resumo: no final dos anos 1970, em meio aos movimentos que sucumbiam a Itália, surgiram algumas organizações de autogestão, denominadas MAG – Mútuo Autogestione. As MAG pretendiam reunir poupança de seus participantes para financiar iniciativas diversas que não contassem com suporte do sistema financeiro ou apoio governamental. Também, pretendiam colaborar com o desenvolvimento da cooperação internacional, em políticas não incentivadas pelo governo. Assim, por exemplo, iniciaram o financiamento de comércio justo, apoiando, por ex., produtores nicaraguenses, durante a guerra dos contra, que destroçou com a revolução sandinista, em sua primeira fase. Os MAG agruparam-se, cooperativamente em um Consórcio denominado Consorzio Terzo Mondo (CTM-MAG) e, a partir de 1991, dadas as mudanças legislativas na Itália, iniciaram a discussão da criação de um banco cooperativo e autogestionário, focado no financiamento da “economia social”. Em 2001, após alguns anos de caminhada de um movimento “pró-banca etica”, reunindo e mobilizando o “terceiro setor” italiano, estava constituído e em funcionamento a “Banca Etica” italiana. Leia mais »
O livro “Os Cabeças de Planilha” saiu há dois anos. Em cima de hipóteses desenvolvidas desde a CPI dos Precatórios. A lógica central do livro começou a ser trabalhada a partir de 2002, em minhas colunas na Folha.
Digo isso porque o livro antecipou vários movimentos que ocorreram depois de lançado:
1. Previu a grande crise, pelas disfuncionalidades progressivas do sistema financeiro.
2. Levantou o embricamento entre capital financeiro, dinheiro da contravenção, através dos paraísos fiscais e fundos offshore.
3. Previu a reação dos estados nacionais contra essa nova faceta do crime organizado e que agora explode de forma irresistível com essa ação do governo americano contra o UBS – e, no Brasil, com a Operação Satiagraha.
4. Desvendou o enigma da apreciação do Real e a estratégia financeira dos economistas visando criar as novas riquezas e novas classes de poder. Concentrei-me especialmente em dois focos centrais: endividamento público e política monetária.
5. Mostrou o processo de montagem da ideologia do mercado.
6. Tentou antecipar as novas tendências da economia, voltadas para o conceito de nação, para o fortalecimento de modelos voltados para pequenas e micro empresas, o investimento em tecnologia e políticas sociais, o papel das multinacionais brasileiras – vendo a economia como um todo.
Apesar da baixíssima divulgação – restrita aos blogs, à Carta Capital e a uma resenha na Folha – creio ter cumprido seu papel de desvendar esse modelo, alguns anos do ciclo oficialmente terminar.
Aqui, algumas livrarias virtuais que ainda têm o livro:
Vc vem acompanhando o caso do tumulto no São Paulo e Corinthians do dia 15? Hoje o promotor encarregado desmente que a primeira bomba tenha partido do estacionamento…
Comentário
Arriscando criar cizânia em casa, abro a discussão proposta pelo Mário.
Sobre a possivel estatizacao de bancos nos EUA, diz uma piada que Lenin morreu e foi para o outro lado (se para o céu, para o inferno ou para o purgatório, não se sabe).
No outro lado ele se encontrou com Deus.
Lenin, que não acreditava em Deus, fez a ele a seguinte pergunta: “Deus, quando é que o capitalismo vai finalmente acabar?”.
Deus respondeu: “Nunca!”.
Lenin então começou a chorar copiosamente. Entre um soluço e outro, Lenin fez outra pregunta a Deus: “Mas Deus, por que é que o capitalismo nunca vai acabar?”.
Deus respondeu: “Por que sempre vai haver o socialismo para salva-lo!”
Comentário
Trecho da crônica que escrevi sobre Sebastião Trindade, o último comunista de Poços de Caldas:
O fim da guerra fria pegou Trindade meio no contrapé. Ela já não havia gostado nada das denúncias dos crimes de Stalin, que atribuía a uma manobra sórdida da CIA.
Quando teve início a Glasnot, no Quisisana –belíssimo hotel construído pouco antes do jogo ser proibido, que depois virou condomínio— vejo Trindade numa roda, explicando para um grupo de paulistas a estratégia de Gorbatchev,
“Gorbatchev é um gênio”, dizia ele. “Percebeu que o capitalismo está com seus dias contados e só vai sobreviver mais um pouco por conta da guerra fria. Aí ele decidiu tirar a Rússia de campo, para suspender a guerra fria e acelerar o processo de queda do capitalismo. Quando o capitalismo estiver morto, o comunismo volta”. Depois que o grupo se desfez, todos ensimesmados, absorvendo aquela aula de estratégia política do Trindade, perguntei: “Você acredita mesmo no que disse? “. E ele: “Que nada, Luisinho, esse Gorbatchev é agente da CIA, mais capitalista que os americanos. Mas eu não podia dar o braço a torcer para essa burguesada malufista”.
Conforme vocês já puderam conferir ao longo de inúmeras batalhas, tenho fígado reforçado contra baixarias.
Mas se tem algo que me abala são atritos com pessoas do bem – que podem ocorrer no fragor das batalhas.
Um desses episódios ocorreu recentemente com Wilson, comentarista de primeira hora do Blog. O Wilson é um tucano da melhor cepa, alto nível, sensibilidade social e política. Outro dia nos desentendemos, ele escreveu frases duras, retruquei com frases duras.
Depois, ele escreveu de novo tomando uma iniciativa que deveria ser minha: um chamamento recíproco à razão. Quero dizer que Wilson sempre será bem vindo por aqui, com suas provocações inteligentes e sua sensibilidade.
Veio à público algo estranho aquei em Porto Alegre: lideranças estaduais do PSOL (entre eles a deputada Luciana Genro) convocaram uma coletiva para denunciar o envolvimento da Governadora Yeda Crusius em irregularidades no caso de corrupção no Detran gaúcho atualmente sob investigação policial. Denunciaram sem apresentar provas. Apenas afirmaram que tiveram acesso ao processo no Ministério Púbico Federal.
Meu nível de informação sobre o caso é raso, pois apenas li e assisti noticiários da mesma empresa – RBS. Não conversei com colegas nem tive acesso à fontes do círculo político.
Posteriormente lideranças do PT também vieram a a público e declararam que se confirmadas as acusações a governadora deveria renunciar, etc.
Ou estou muito mal-informado sobre as coletivas do PSOL e do PT. Mas me pareceu que eles estão fazendo algo parecido com o esquema VEJA-DD. Linchamento público a partir de suposições sem provas trazidas à público.
O escândalo do Detran é grave e tem muita gente ligada ao governo sendo investigada pela polícia, mas ainda não foram apresentadas publicamente as conclusões da investigação.
Não estou entendendo quase nada. Quase… Creio que os representantes do PSOL e do PT deveriam ter reforçado a necessidade de investigações e da divulgação transparente dos resultados. Mas, acusar sem provas? Ou foi factóide ou não publicaram toda a história.
Acho que o assunto merecia discussão e aprofundamento pela comunidade do blog.
É curiosa essa invasão do Pontal por 2 mil famílias lideradas pelo José Rainha. Pelo que sei Rainha não é bem aceito pelas correntes majoritárias do MST nem dispõe do poder de mobilização dos seus adversários no movimento.
Aí fica a curiosidade: de onde vieram essas duas mil famílias e como chegaram? Uma boa dica de reportagem.
No Estadão de hoje, o grande Gilles Lapouge (correspondente em Paris) traz uma boa análise da falência da maior lavanderia que o século 20 conheceu: o sistema bancário suiço.
A morte do segredo bancário suíço
Gilles Lapouge*
A Suíça tremula. Zurique se alarma. Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes. Poderia se dizer que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.
O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama. O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira. A UBS – União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça – viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para fraudar o fisco. O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos. Os suíços, então, passaram os nomes. E a vida bancária foi retomada, tranquilamente. Leia mais »
Coração aberto, dona Marisa teve um longo papo reservado com o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ), do Rio, que mais uma vez pediu a ela desculpas por ter falado mal de Lulinha, um dos filhos do casal presidencial, na época da CPI do mensalão. “Ganhei o Carnaval! Tô feliz da vida”, disse Paes depois da conversa.
O camarada Greenspan quer que tomemos o comando de nossa economia.
O.k., não exatamente. O que Alan Greenspan, ex-presidente do Fed e defensor ferrenho do livre mercado realmente disse foi: “Pode ser necessário estatizar temporariamente alguns bancos para facilitar uma reestruturação rápida e ordenada”. Concordo.
A defesa da estatização se baseia em três observações.
Primeiro, alguns grandes bancos estão perigosamente perto do abismo -na verdade, já teriam quebrado se os investidores não esperassem um socorro do governo se necessário.
Segundo, bancos devem ser socorridos. O colapso do Lehman Brothers quase destruiu o sistema financeiro, e não podemos arriscar que instituições muito maiores como Citigroup ou BofA (Bank of America) implodam.
Terceiro, enquanto os bancos precisam ser resgatados, o governo dos EUA não tem condições, fiscais ou políticas, de dar grandes benefícios aos acionistas de bancos. Leia mais »
A “Folha” fuçou os arquivos da ditadura referente à Funai (clique aqui). Traz uma informação sobre o lendário sertanista Apoena Meirelles (assassinado em 2002): que ele teria pedido a cabeça de auxiliares e reagido contra o que considerava invasão da Igreja (especialmente do Conselho Missionário Indigenista) nos trabalhos da Funai.
Não sei se basta para comprometer sua história.
Nunca fui a favor do confinamento, do suposto isolamento do índio com o intuito de protegê-lo. Sempre me pareceu falso, impossível em um momento em que tecnologia e o próprio desenvolvimento do país levaria as fronteiras agrícolas e a mineração para os confins da Amazônia, liquidando com qualquer veleidade de paraíso natural. Leia mais »
A coluna sobre a Embraer provocou uma discussão rica no Blog.
Um dos pontos foi sobre as razões que levaram a Embraer à situação atual.
Em geral, nesses momentos de crise, sempre há a tendência de atribuir os problemas a cada decisão estratégica da empresa – como a de ter investido na China. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Há uma básica: o fato da economia mundial estar entrando naquela que, provavelmente, é a maior crise da história. Esse é o fato central.
Mas, sobre esse fato – fora do controle da empresa – houve problemas no planejamento da companhia, conforme as informações precisas de um comentarista do Blog. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.