Pode ser implicância minha, mas poucas vezes vi na profissão sujeito mais sem noção do que é notícia e jornalismo do que o Eurípedes Alcântara, diretor de redação da Veja.
Recebe de mão beijada uma entrevista armada por FHC e José Serra com Jarbas Vasconcellos. A Carta ao Leitor da edição tenta antecipar os efeitos da entrevista, comparando àqueles da entrevista do Pedro Collor – que levou ao impeachment de seu irmão Fernando Collor. Só isso! A própria Veja elegendo a sua entrevista como capaz de produzir os mesmos efeitos da entrevista do Pedro Collor.
Não foram necessários dois dias para que a blogosfera desmoralizasse o neocatão Jarbas Vasconcellos, apesar de todo o apoio dado pelo Jornal Nacional do Ali Kamel e outros veículos. Dois dias!, não mais que isso, mostrando a hipocrisia de Jarbas, sua história política, para que os principais analistas alinhados com o pensamento neocon saíssem se explicando para seus leitores sobre o fato de terem caído no conto do homem justo.
Agora, Eurípedes volta à carga tecendo loas ao factóide. Diz que a entrevista entrará para a história É uma falta de discernimento que beira o ridículo. A entrevista não tem sequer a criatividade do boimate para aspirar a imortalidade.
RIO – O ex-deputado federal Sérgio Naya morreu nesta sexta-feira, aos 66 anos, em Ilhéus, na Bahia. A causa da morte ainda não foi divulgada.
Naya era dono da construtora Sersan, responsável pela construção do edifício Palace 2, na Barra da Tijuca, que desabou em 22 de fevereiro de 1998, durante o carnaval. A tragédia completa 11 anos no próximo domingo. Oito pessoas morreram soterradas e quase duas mil ficaram desabrigadas.
Após o desabamento, ficou comprovado que o edifício fora construído com material de qualidade ruim, como areia da praia, além de erros de cálculo nas vigas de sustentação.
Comentário
Foi erro de cálculo, não de qualidade de material. Na época ousei enfrentar o efeito-manada, a partir de um email que recebi de um engenheiro de prefeitura de São Paulo, comprovando que só poderia ter sido erro do calculista. E erro no cálculo da obra não havia como ser escamoteado. O que mantinha Naya como responsável cível pelas perdas e pelas mortes, mas não responsável penal.
O engenheiro também mostrava que a história da areia encontrada nas fundações era típica armação jornalística. O inquérito confirmou essas hipóteses.
Pesava contra Naya o fato de ser um político de quarta categoria, que usava o cargo para abrir portas.
Comentário 2
Atenção: há uma possibilidade (não uma certeza, ainda) de Naya ter sido assassinado. Amanhã tentarei trazer mais dados.
Nassif, há algumas ” verdades absolutas” da grande mídia que precisam ser melhor analisadas. O Ministro Celso de Mello concedeu uma entrevista ao Conjur, com as perguntas de sempre. E em certo momento, afirmou que quem discorda das recentes decisões do Supremo ( sabemos quais) é reacionário e advoga o direito penal do inimigo ( corrente que propugna por maior severidade penal). E fez uma apologia veemente da defesa dos direitos e garantias fundamentais do indivíduo, chegando a citar a mudança de orientação sobre o mandado de injunção.
Pois vamos aos fatos e sobre como o Ministro costumava votar sobre esse assunto. Leia mais »
Nassif vc viu o panel do leitor da FSP de hoje, com a polêmica da “ditabranda” e o ataque a prof. M. Victoria Benevides e a Dr. Fábio Comparato?
A esse respeito escrevi para o Ombudsman:
“Toda vez que eu lhe escrevo juro a mim mesma que será a última, porque escolhi ignorar totalmente o que a FSP publica. Porém, como já disse anteriormente, os absurdos são tamanhos que acabam chamando minha atenção e aí… impossível não me indignar. Como por exemplo, com a polêmica da “ditabranda”, que por si só já é um escárnio, um desrespeito, uma traição aos valores democráticos brutalmente violados no período mais nefasto de nossa história recente, que culminou em décadas de retrocesso e atraso social, econômico e político – e que deixou como herança esse quadro político lamentável – sem falar nas centenas de vítimas de tortura, assassinatos perseguições e exílio!!!!!
Como se não fosse muito mais do que o suficiente, a nota de redação afirma: “Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa.”
Com este ataque ofensivo, baixo e agressivo a dois importantes e respeitados intelectuais que “ousaram” discordar da opinião do jornal, a FSP finalmente tirou a sua última máscara e mostrou sua verdadeira e repugnante face.”
Parece que a FSP atingiu agora o mesmo nível de esgoto da veja. O que você acha?
A nota da Folha
Nota da Redação – A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua “indignação” é obviamente cínica e mentirosa. Leia mais »
Hoje na Folha O juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, passou as últimas semanas respondendo a ofícios enviados pela corregedoria do TRF (Tribunal Regional Federal), informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta sexta-feira pela Folha (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).
Segundo a coluna, o bombardeio de perguntas se refere, em sua ampla maioria, à Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
Ele teve que responder, por exemplo, por que citou um assessor do STF (Supremo Tribunal Federal) na sentença em que condenou o banqueiro Daniel Dantas, por que deu entrevistas que podem “denegrir” o STF, por que não deu informações sobre um habeas corpus de Dantas (o processo era sigiloso) e por que deu seguimento a um processo que o STF tinha suspendido, o do russo Boris Berezovski, no caso Corinthians/MSI.
De fato o Senador Jarbas Vasconcelos é um autentico varão de Plutarco… Dê uma olhadinha em um artigo do seu colega de IG Leonardo Sakamoto sobre as atitudes do nobre senador em relação a fiscalização do trabalho escravo, um problema crônico em certos rincões brasileiros. Segue o link abaixo: Leia mais »
Até agora, a Dassault era franca favorita para a licitação FX, de compra e construção de caças de guerra. Os americanos sempre foram considerados carta fora do baralho devido às restrições para a transferência de tecnologia sensível.
Nos últimos meses, no entanto, voltaram com a carga toda. Agora, a Boeing se propõe a produzir os caças no Brasil. Segundo a reportagem da Folha, nem a Dassault nem a Gripen chegaram a tanto.
Na verdade, não é bem isso. Quase certamente a proposta de fabricação aqui estará condicionada ao número de aviões encomendados – e essa lógica será seguida também pelas demais concorrentes. Leia mais »
No seu artigo de hoje em O Globo, o Merval Pereira admite o óbvio: que o sistema partidário brasileiro induz ao fisiologismo mais amplo, que a cooptação do PMDB por Lula, denunciada por Jarbas Vasconcellos, ocorreu com Fernando Henrique Cardoso. Enfim, constavava o óbvio: que todos os gatos são pardos. Para mostrar uma diferençazinha, diz que Lula demora mais que FHC para defenestrar os suspeitos.
Não é o caso de usar o argumento como forma de não-ação, mas de ir ao centro da questão, que é o sistema eleitoral-partidário brasileiro.
Antes de ontem, a Dora Kramer, no Estadão, questionava essa história de se buscar as motivações da entrevista do Jarbas. O que valia, segundo ela, era o conteúdo. Que conteúdo? Acusações genéricas sobre temas de conhecimento geral?
A única novidade era o fato de supostamente ser o desabafo de um homem justo, um varão de Plutarco que jamais recorrreu a tais métodos. Quase chorei ouvindo o Arnaldo Jabor perpetrar uma de suas crônicas brilhantes sobre a indignação do homem justo.
Quando se sabe que Jarbas imputa aos aliados do atual governo as mesmas práticas das quais ele era agente principal, junto ao PMDB, no governo FHC, a única importância da entrevista é permitir entender a motivação por trás dela.
O sábio Golbery do Couto e Silva dizia que a verdade era enfadonha: tinha apenas um ângulo. A mantira, não, revelava mil nuances sobre o mentiroso e suas motivações.
Agora, cá para nós, ouvir o Eduardo Cunha criticando o Jarbas Vasconcellos é de doer. Alguém apontou um artigo pós-Jarbas denunciando as manobras do PMDB com o Fundo Real Grandeza, de Furnas. Aí não se trata de denúncia de PIG, nem de armações amarelas da Veja: é risco na veia com o dinheiro dos trabalhadores de Furnas.
A Justiça norte-americana está negociando com a UBS (União de Bancos Suiços) a quebra do sigilo de clientes suspeitos de sonegação ou de participação em atividades criminosas.
É um precedente relevante.
Se aplicado no fundo Zeus, do Banco Safra, poderia revelar episódios interessantes. Conforme já divulgado pelo Ricardo Boechat, é possível que exista uma conta grande em nome de Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e suspeito de ter atrasado as investigações contra os fundos do Opportunity. Como se recorda, o inquérito foi aberto com abundância de provas sobre a participação de brasileiros residentes em fundos sediados no exterior. Era crime antes, é crime agora. Cantidiano fechou os olhos às denúncias da época.
Há pelo menos um funcionário público da Secretaria da Fazenda de São Paulo e ex-funcionários públicos do setor de telecomunicações que participaram do processo de privatização das teles. É possível que as quantias depositadas tenham sido poupadas depois que passaram a trabalhar no setor privado; é possível que tenham conseguido antes. Leia mais »
AtualizadoA arrogância, a falta de limites, os atos pouco transparentes do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, conseguiram alguns resultados inéditos na história do Judiciário.
O primeiro, o de mostrar a falta de controle sobre o STF. As demonstrações de poder de Gilmar, a falta de limites para suas decisões e declarações e o endosso da maioria do STF à sua atuação, acenderam uma luz amarela no panorama democrático brasileiro.
O segundo, chacoalhar o país e o próprio Judiciário da falta de empenho em discutir as mudanças no setor.
O terceiro, o de questionar a vitaliciedade dos membros do STF. Enquanto poder moderador, o STF nunca foi questionado a respeito desse ponto. Agora, há a necessidade de que o sistema de freios e contra-freios contemple também o poder absoluto do órgão.
É sobre esses tema o artigo do deputado Flávio Dino (ex-presidente da Associação dos Juízes Federais), publicado hoje na Folha. Leia mais »
Um dos jogos de xadrez mais interessantes na economia brasileira é a guerra entre a Natura e a Avon. Aliás, guerra é termo forte demais para duas empresas exemplares. Ambas atuam no mercado de cosméticos e na venda porta-a-porta. Esse segmento – que tem peso crescente na economia brasileira – não foi afetado pela crise. Como não foi o segmento de perfumes e cosméticos.
Tempos atrás a Natura ampliou seus planos de internacionalização. Aumentou as vendas para a América Latina e montou seu show room no endereço mais nobre de Paris.
O contra-ataque da Avon foi um lance de mestre: passou a atacar a Natura em seu próprio território, o Brasil. Concentrou publicidade, investimentos e as melhores cabeças e, em 2007, conseguiu abalar a até então trajetória de crescimento iressistível da Natura.
A empresa sentiu o golpe, readequou sua estratégia, adiou um pouco a expansão internacional e se concentrou novamente no mercado interno. No ano passado, retomou o crescimento e a rentabilidade. Ainda que à custa de um ritmo menor na expansão internacional. Leia mais »
Francamente não entendi a postura da Embraer, nesse episódio de demissão de 20% de sua folha de salários.
A crise é braba, um dos setores mais afetados é a aviação. Como a Embraer trabalha com encomendas de longo prazo, é mais fácil prever os próximos anos. E a tormenta dve ter vindo pesada, para uma atitude tão drástica.
O que causa espécie é o fato de não ter buscado novas alternativas. Essa atitude drástica traz um conjunto enorme de perdas adicionais para a empresa.
Perde mão de obra especializada, difícil de preparar – apesar dos engenheiros terem sido poupados. Mais importante que isso, compromete uma relação com a comunidade e com os funcionários que foi construída ao longo de décadas.
Ontem, a televisão entrevistava alguns desses demitidos. Ainda atarantados, pessoas com trinta anos de Embraer faziam questão de elogiar a empresa, dizer que a Embraer fazia parte de sua vida, do orgulho que era trabalhar na empresa. Como toda pessoa que se sente traída, o próximo sentimento a aflorar será o de raiva.
Em muitos lugares, se procuraram soluções intermediárias, como suspensão temporária do contrato de serviço. Poderia haver um programa de realocação dos funcionários, a possibilidade de orientá-los a montar pequenas empresas de prestação de serviço. A própria Embraer tem um trabalho exemplar com a prefeitura de São José dos Campos e com a comunidade.
Em si, o episódio já choca, por ser o maior caso de demissão coletiva da moderna história das empresas brasileiras, talvez equiparável apenas ao da CSN ou outras empresas privatizadas nos anos 90. A seco, choca mais ainda.
Vou tentar conversar com a empresa durante o dia para entender suas razões. Leia mais »
Em geral, os sistemas de financiamento habitacional precisam ficar atento a dois parâmetros. O primeiro deles, é a compatibilidade com a renda do mutuário. O segundo é a compatibilidade com o “funding” (isto é, a remuneração da poupança que serviu de lastro para o financiamento).
No extinto Sistema Financeiro da Habitação (SFH) brasileiro, havia um problema. No início a poupança tinha remuneração trimestral e era corrigida pela ORTN. Já os salários eram reajustados anualmente. As prestações passaram, então, a ser corrigidas anualmente. Como criava uma defasagem, o Banco Nacional da Habitação criou um Coeficiente de Equiparação Salarial (CES), um acréscimo no valor da prestação para compensar essa defasagem.
Quanto explodiu a inflação dos anos 80, o CES ficou insuficiente para cobrir o rombo do saldo devedor; e as prestações ficaram altas, em relação ao reajuste salarial. Foi um pepino que levou anos para se ajustar. Leia mais »
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.