FHC e as drogas
Da Folha
Comissão propõe novo foco no combate a drogas
DA SUCURSAL DO RIO
O combate às drogas deve sofrer uma mudança de foco, com ações educativas para reduzir o consumo como alternativa ao enfrentamento armado ao crime organizado e à criminalização do usuário.
A proposta foi feita ontem por uma comissão internacional formada por ex-presidentes do Brasil, México e Colômbia, além de políticos, acadêmicos e escritores.
O grupo de 17 pessoas -que conta, entre outros, com os escritores Mario Vargas Llosa e Paulo Coelho- defende que a droga seja tratada como uma questão de saúde pública.
Para a comissão, formada pelos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (Brasil), César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México), usuários não deveriam ser presos ao serem flagrados com pequena quantidade de drogas, mas sim tratados.
“Reconhecemos que a maconha tem um impacto negativo sobre a saúde. A descriminalização do consumo de forma isolada de nada serviria. Ela só faz sentido articulada com um grande esforço de redução do consumo mediante a prevenção”, disse FHC.
Por ANTONIO CARLOS FON
Nassif,
não sei se este é o espaço para colocar essa história, mas acho que ela é importante e precisa ser exposta em algum lugar. O portal de notícias do UOL noticia que “FHC defende a descriminalização da maconha para uso pessoal”
Pois bem, alguns anos atrás, 2005, se não me engano, jantávamos no Mássimo, eu, o Mino Carta, o Luiz Gonzaga Belluzzo, o Sandoval, o Rogério Tuma, médico, filho do senador Romeu Tuma e que desenvolve um trabalho fantástico na área de inclusão digital, o Bob Fernandes, que chegou mais tarde e por isso não sei se ouviu toda a conversa, e Walter Maierovitch.
Aliás, deixa eu te falar um pouco do Maierovitch: ele foi colega de meu irmão no CPOR. Aí, concluído o serviço militar, cada um seguiu seu caminho: meu irmão foi para a ALN, Maierovitch entrou para a magistratura e se revelou um dos mais brilhantes e mais íntegros juizes naquele período. Acho que um dia os dois deveriam se reencontrar…
Lá pelo início do linguini com molho à base de berinjela, fantástico, falávamos sobre o FHC e o Maierovitch, que havia sido czar anti-drogas no governo FHC, contou a causa remota de seu rompimento com a administração FHC.
Brasil e Portugal teriam fechado acordo para anunciarem juntos a descriminalização da maconha para consumo pessoal. Tudo combinado – Itamaraty, Secretaria Nacional Anti-Drogas etc – quando, uma semana antes da data combinada para o anúncio, FHC, pessoalmente e desautorizando todos e tudo, roeu a corda, com as consequencias que você pode imaginar: negociadores brasileiros humilhados, portugueses p… da vida, etc.
A imprensa brasileira tem se mostrado muito interessada em política externa. ultimamente: Cesare Batisti, Evo Morales, papel do Brasil na América Latina e no mundo etc. Assim, acho que essa pode ser uma boa pauta.
Todos oa participantes daquela conversa ainda estão vivos, eu, o Mino Carta, o Belluzzo, o Rogério Tuma, o Sandoval e, principalmente, o Maierovitch. O FHC também está vivo, para dizer por que era contra a descriminalização da maconha quando era presidente e é a favor agora.
Por Wlter Maierovitch
Caro Nassif.
1. Depois da fala do FHC sobre a não criminalização da maconha, recebi uma mensagem com um link do seu blog:
1.Olá Dr. Walter
No blog do jornalista Luis Nassif, Antonio Carlos Fon comentou um post sobre o assunto, contando um episódio da época em que você era o czar anti-drogas do governo FHC.
Que tal um comentário sobre isso, confirmando ou negando?
OTON.
2. O contado, relatado, pelo Fon, — que não vejo faz anos–, é a expressão da verdade.
O FHC não quis acompanhar Portugal e meu trabalho foi interrompido. Portugal fez a lei transformando a posse de maconha para uso próprio em infração administrativa e não criminal.
Em síntese, tirou o usuário das leis criminais-penais.
Infração administrativa como estacionar automóvel em local proibido, jogar lixo na rua, etc.
O FHC, e eu não estava mais na secretaria, pediu ao presidente Aécio Neves (presidia a Câmara) para votar com urgência a lei sobre drogas, que ele achava maravilhosa, moderna e avançada. Fez isso publicamente, no dia de combate às drogas, instituído pela ONU.
Aécio decretou regime de urgência e a lei foi aprovada.
Depois que escrevi ser ela pior do que a velha e inconstitucional, FHC vetou 80% do seu texto.
Mais ainda. Na lei dada como admirável por FHC, o possuidor de droga para uso próprio era apenado com cadeia ou interdição. Ou seja, não poderia, uma vez interditado, por exemplo, abrir conta em banco, casa, exercer o comércio, etc.
No final do mandato, FHC aprovou a militarizada política antidrogas. Conforme entrevista ao Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, demonstrei, documentalmente, que o texto da política anunciada por FHC era cópia da norte-americana.
Foi a política sabuja, de agrado a ao presidente Clinton, admirado por FHC: ambos usaram maconha, um sem tragar e o outro não gostou.
3.Depois de 10 anos, FHC descobre e começa a falar em não criminalização. Um pequeno atraso.
Vamos torcer para não encontrar com o premier britânico, que quer mudar a lei e voltar a criminazar a maconha e colocar usuários na cadeia.
Agora, FHC quer ocupar espaço latino-americano, com ex-presidentes, igualmente fracassados no enfrentamento do fenômeno das drogas, para novas políticas.
Na verdade, FHC, com relação ao fenômeno das drogas, é um cego a querer guiar outros cegos.
Será que vai demorar mais 10 anos para descobrir que Lula foi bem melhor do que ele ?
E olha que o Lula prometeu, –em carta (segue abaixo) ao K.Annan e por ocasião da Assembléia da ONU sobre drogas (1998)–, que as políticas proibicionistas deveriam ser mudadas.
Lula pouco mudou, mas a lei que aprovou não manda mais maconheiro para a cadeia. São criminosos, ainda, ou seja, portar droga para uso próprio continua a ser crime. E nisso, Lula, infelizmente, não toca.
Wálter Fanganiello Maierovitch.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Segurança Tags: criminalização da droga, FHC

Uma grande bobagem, primeiro porque nem todo usuário é dependente, existem muitos que usam esporadicamente para se divertir, a exemplo dos maconheiros de classe média alta das prais cariocas.
Segundo, os usuários alimentam a tráfico de drogas, descriminalizar a maconha vai incentivá-los a consumir mais. O ideal seria legalizar, pois aí sim iria atrapalhar os traficantes.
Os macoheiros do VIVA RIO alimentam o tráfico mas sâo contra a violência.
É que agora ele tem que honrar o compromisso com o PCC para reeleger o Kassab. então vai ficar assim oh FHC = Fernando Hidro Carbinol.
É Nassif, que triste apagar de holofotes para o ex presidente. Que estranho valores ,sem conteudo, depois dos setenta anos. Tudo isto e muito mais virá, 2010 é logo ali. Precisa criar polêmica, tem de estar na midia. Que decadência !
Descriminalizar o uso da maconha, só fará com que marginais mudem o “foco” do seu negócio. Sempre haverá drogas ilegais, ou simplemenmte assaltos e todo tipo de violência.
Quanto aos “consumidores”, somente criaremos filhinhos de papai drogrados em praça pública, ficando doidões e se suicidando aos poucos, destruindo as suas famílias…todos os jovens sofrerão: o doidão pobre e o doidão rico..
Campanha educativa:
Olha filho…. se quiser fumar pode, mas tô avisando que faz mal…
Que péssima didática…
A única solução é proteger a Família, coisa que o Estado e as PORCAS NOVELAS estão destruindo.
Eduardo
Santo André-SP
Pelo menos em espírito, não existe ex-maconheiros e drogados.
Maconheiros e drogados serão sempre maconheiros e drogados e estarão sempre tentando defender a irmandade.
Assim também acontece com bandidos e terroristas.
Conheço a droga inseticida BHC que, inclusive está proibida há quase 20 anos pelos altos riscos na saúde, no meio ambiente. Já essa droga FHC, desconheço. É nova?
Porque pimenta nos olhos dos outro, é refresco.
1-Engraçado, qdo Gabeira falou isso há vários anos atrás foi crucificado pelo ratinho, por padres, pastores e politicos da bancada “religiosa” (e provavel a mais corrupta). Agora FHC fala e tudo absolutamente normal, sem repercussão, sem contestação.
2-Interessante ele falar em combate às drogas, quando seu partido contribuiu e MUITO para aumento do poderio dos traficantes: sucateamento da PF em sua gestão, desmobilizando o combate via inteligencia e via ações em fronteiras (nao tinham dinheiro pra aluguel e combustivel) e nascimento, crescimento e fortalecimento do PCC nas prisoes do choque de gestão tucano-paulista, que deve se tornar maior que os cartéis colombianos em alguns anos, no controle do tráfico de drogas e armas na america latina.
Acho que realmente FHC é frances. Tem tudo a ver com Sarkô.
Sinceramente, esse posicionamento de que o usuário deve ser tratado e não criminalizado em razão do porte de pequena quantidade de drogas dá a entender que todo usuário é dependente.
Isso me parece um equívoco. Salvo alguma pesquisa que eu desconheça, me baseando em meu “olhometro”, a maioria dos usuários fazem uso recreativo de substancias entorpecentes, ao menos no tocante à maconha, sem relação de dependencia, ao menos não maior que a de um copo de chopp, por exemplo.
Antes ele era presidente e não queria passar para a história por este ato. Agora ele é somente franco-atirador.
Nao vai dar certo. Se na Suica e na Holanda, onde as desigualdades sao minimas e a violencia ta longe de ser um problemao, as autoridades estao questionando a medida devido ao aumento da violencia nas areas de consumo; imagine aqui no Brasil.
Trata-se de uma ONG com nome pomposo: Comissão Latino-Americana para as Drogas e a Democracia. Está sendo presidida por FHC, nesta “operação”. O relatório tem 11 pontos a serem levados para exposição na ONU, inclusive esta proposta de descriminalizar a posse de pequenas quantidades do “produto”. Concentrar o foco da atenção governamental sobre campanhas educativas e combate ao tráfico. Nada, absolutamente nada, que já não tenha sido proposto milhares de vezes por toda parte. Talvez a ONG queira explorar o prestígio dos nomes envolvidos, para projetar-se e atingir algum objetivo. Mas há quem diga que é o contrário: políticos com jejum de holofotes querendo aparecer de qualquer maneira fazendo ponta no cenário internacional. Pena que não tenha algum nome realmente de peso, como por exemplo Jimmy Carter. Vargas Llosa é notório: opinião suspeita por posições conservadoras e neoliberais. Nosso Paulo Coelho é o único nome que empresta realmente prestígio a esta empreitada. Juntando-se aos “Exs” do México e da Colômbia, nosso ex-presidente junta o Brasil aos países que estão até o pescoço envolvidos com o problema do tráfico, não propriamente do consumo, das drogas.
Aqui do Alto Xingu, os índios se recusam a comentar quando uma droga fala de outra.
Pronto! FHC, Fernando Hidro Canabinol.
Agora sabemos a razão dos resultados do governo dele.
Nassif, por favor, sem ofensas. Não leve a mal, mas não resisti à piada.
Enquanto não acabarem com os paraísos fiscais, que servem somente para lavagem de dinheiro, não será fácil combater o crime organizado, porque é através destas fontes que se manipula o dinheiro ilícito. Porém também acaba com a verba de muitos políticos que se beneficiam do tráfico, principalmente no Rio de Janeiro.
Disso tudo uma coisa me interessa: que reunião é esta que reune o Belluzzo, o Mino Carta, um Tuma, e o Maierovitch?
Quanto ao que disse FHC, eu ia perguntar por que motivo ele só teve esta idéia agora. Mas eu sigo fielmente a última grande lição que nos deu este ex-professor de uma Faculdade da Universidade de São Paulo:
“Esqueçam o que eu escrevi”.
Descriminalizar o consumo sem descriminalizar a venda é o cúmulo dos cúmulos. O único resultado prático disso seria um aumento da demanda pela droga. Eu não sei em que mundo pessoas como o ex-presidente Fernando Henrique vivem. As favelas das grandes cidades estão ocupadas por exércitos de traficantes armados, e eles continuam achando que a droga é, antes de mais nada, um problema de saúde. O grande problema, na opinião de pessoas como Fernando Henrique, são os adolescente consumidores, especialmente se morarem bem longe do lugar em que vão comprar maconha, Extasy e cocaína. É sintomático que Fernando Henrique preocupe-se muito mais com maconha do que com crack. Os moços do planeta em que ele vive não consomem crack.
Droga é um problema de segurança pública. Às favas com o burguesinho que se entope de cocaína. É um problema? É, mas muito menor. Na ordem das prioridades, está abaixo do centésimo lugar. Dengue é um problema de saúde pública incomparavelmente mais grave. Desconfio que o álcool também seja. O problema da droga não é “destruir famílias”. É criar verdadeiros exércitos paralelos comandados por marginais, com a população local desempenhando o papel de escudo e de refém. O problema da “war on drugs” não é levar de vez em quando um viciadinho de classe média pro xilindró. É criar um mercado milionário em comunidades carentes do Terceiro Mundo para sustentar, na outra ponta, um fluxo de dinheiro que, segundo alguns cálculos, anda pela casa do trilhão de dólares.
Pergunta ao Nassif e a todos os economistas de plantão no blog.
Não sei se esse número (U$ 1 trilhão) é verdadeiro ou não. Suponhamos que seja – muito menor, certamente não é. O que aconteceria se, de repente, de uma hora para outra, o fluxo de narcodólares fosse interrompido? O que aconteceria à economia mundial se ela se visse privada desse montante de dinheiro circulando pelos paraísos fiscais, controlados quase todos pelos países do Primeiro Mundo? Quais seriam as consequências econômicas de uma descriminalização prá valer e generalizada das drogas? Minha impressão – corrijam-me se eu estiver errado – é que o grande viciado em drogas, hoje, é o mercado financeiro internacional. É ele que precisa da “war on drugs” e é para ele, em função dele, que ela foi criada e é mantida.
É obvio que a relutância de FHC de legalizar a maconha qdo era presidente está ligado diretamente a impopularidade dessa medida. FHC não queria ficar marcado como o presidente que legalizou a droga.
Agora que ele não é mais o presidente, fica fácil …
Quem acompanhou a trajetória política de FHC sabe que ele não diz uma única palavra sem ter um objetivo estratégico de poder.
Eu, se fosse Serra colocaria as barbas de molho.
Dá só uma olhada nos dois últimos parágrafos do comentário do arauto Ricardo Noblat em seu blog:
“A eleição presidencial de 2010 corre o risco de ser disputada por dois candidatos da situação. Ou melhor: dois lulistas de berço (um mais recente, é verdade).
Tem uma avenida larga e desimpedida à espera do surgimento de um candidato de oposição “a tudo isso que está aí”. Ou a quase tudo.”
MSG Truncou de novo
O ex-presidente está propondo o fio da meada de uma agenda de alto nível, que foge à mesmice dos temas saturados das questões tardias da sociedade industrial.
A sociedade pós-industrial tem-se estruturado a partir dos chamados “temas” de discussão: foi a questão da tolerância, do politicamente correto, das minorias não numéricas mas nos postos de prestígio social, como era o caso das mulheres e de etnias não hegemônicas, etc. e que redundou no ecologicamente correto, na liberação “criteriosa” de algumas drogas, etc. São os temas relacionais e transversais, é a camada de lapidação da cultura, mas são também essenciais, quer dizer, se não discutirmos o meio ambiente, ele acaba.
Essa temática do século 21 é que compõe o reino das necessidades de nossa época, mas, no fundo, o que Fernando Henrique propõe, além daquele discussão básica e rês do chão? Bom, estamos, comendo, mas e o resto?
Em que nível está o relacionamento do Estado com a cidadania? Do empresariado com os consumidores? Dos usuários com as operadoras? Existe uma nova ética da alta tecnologia? Estão se criando novas formas de fiscalização e controle? Como se comportam as instituições, as autoridades, os políticos, a sociedade civil e organizada?
São os “temas” pós-industriais que criarão os caldos culturais para que novos pensamentos, novas atitudes sejam produzidas e a história caminhe. Fazendo isso, iremos inevitavelmente ter de tocar em todos os pontos conflituosos e sensíveis das situações atuais.
Boa, FHC!