O prédio que nasceu clássico
Atualizado
Do Estadão
Prédio 360° de Weinfeld é premiado
Arquiteto recebeu o Future Projects Awards, dado por revista inglesa
Daniel Piza
O arquiteto Isay Weinfeld somou mais um prêmio à sua carreira, mas este tem características especiais: é um prêmio internacional a um prédio residencial que só começa a ser construído daqui a quatro meses. Pelo Edifício 360°, a ser erguido na Avenida Cerro Corá (zona oeste de São Paulo), Weinfeld recebeu o Future Projects Awards, da mais respeitada revista inglesa de arquitetura, Architectural Review, concorrendo com grandes nomes internacionais. Ele foi vencedor não apenas na categoria para projetos residenciais, mas também “overall winner”, o melhor entre todas as categorias.
Weinfeld é o primeiro brasileiro a receber a premiação desde que ela foi criada há sete anos justamente para eleger projetos arquitetônicos – em vez de obras realizadas ou em construção – e destacar assim as ideias mais arrojadas. Para os juízes do prêmio, ele traz “lições para qualquer arquiteto que tente projetar moradias decentes em prédios altos”. Para Weinfeld, autor de trabalhos como o Hotel Fasano, a Livraria da Vila e a recém-inaugurada loja das Havaianas, nos Jardins, “mais importante do que o prêmio é mostrar para as grandes incorporadoras de São Paulo que é possível fazer algo diferente”.
O 360° é candidato a se tornar um novo símbolo da cidade, com suas quatro fachadas formadas por caixas que se acoplam à estrutura criando um ritmo assimétrico. Ele se distingue bastante, portanto, do modelo “neoclássico” predominante em muitos empreendimentos imobiliários, com sua fachada de formas quadradas e vidros azuis. Mesmo assim, 60% dos apartamentos criados por Weinfeld já foram vendidos em quatro meses. O prédio foi lançado em outubro, quando a crise econômica mundial começou a chegar ao Brasil, e o resultado é considerado surpreendente pelo mercado.
Os incorporadores da obra são a Idea Zarvos e a Stan Empreendimentos. Otávio Zarvos, administrador de empresas, de 42 anos, diz que há um público cada vez mais interessado em arquitetura e design. “Nem todos foram comprar por ser um prédio do Isay, mas porque ficaram encantados com a estética, sem conhecer o nome do arquiteto. Há uma tendência mundial de valorização dos prédios residenciais com design que fuja ao lugar-comum.” Segundo ele, imobiliárias importantes não aderiram ao negócio por achar que era fora do padrão.
Zarvos afirma, porém, que a ideia de chamar Weinfeld foi para “avalizar” o empreendimento numa região da cidade onde ainda são raros os edifícios de alto padrão, embora os bairros de Vila Romana, Alto de Pinheiros e Alto da Lapa estejam vivendo um “boom” imobiliário. Seu parceiro, Stefan Neuding, de 39 anos, diretor da Stan Empreendimentos, confessa que a velocidade das vendas o espantou. “Isso também se deve ao fato de que fizemos um preço competitivo.”
O prédio tem três dimensões de apartamentos, de 120 m² a 250 m², que custam de R$ 550 mil a R$ 1,5 milhão. Neuding conta que uma das vantagens foi o tempo dedicado ao estudo do projeto, de como torná-lo viável sem custos excessivamente altos. “Levamos um ano e meio desenvolvendo as soluções.” As caixas, por exemplo, serão pré-moldadas, em vez de concretadas diretamente na estrutura. Isso ajudou a manter o preço em torno de US$ 2 mil por m², baixo em termos mundiais. Um quarto dos apartamentos foi adquirido por investidores e não moradores, o que mostra que há uma aposta em sua valorização. Com o prêmio dado ao projeto, essa aposta se tornou ainda mais consistente.
Por Anibal
Nassif,
Pelo que esta mostrando a fotografia da maquete do predio premiado, acho que estamos diante de um berrante plagio de arquitetura ( existe ?).
O predio em questao e copia identica ( 360o ) aos predios do Condominio Village Sao Conrado que a Construtora Carvalho Hosken construiu no Rio de Janeiro há mais de 20 anos.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Arquitetura Tags: Weinfeld

Fora o fato do pilotis deixar o predio mais solto na paisagem e liberar mais a área junto ao chão, nao vi absolutamente nada que valesse mensão . . . . quando fala 360 graus imaginei que houvesse alguma vantagem funcional disso para os diferentes apartamentos, mas não há . . . então, até o momento, a ultima inovação (e nao é tao nova assim), que eu considero, é aquela solução de varandas escalonadas e edificios tortuosos que permitem a captação do sol diretamente por todos os apartamentos com as piscinas a cada andar . . . . .
Se existe plagio de arquitetura eu desconheço, mas se o predio tivesse registro de propriedade como objeto de Design de Produto haveria plagio sim . . . . é por isso que eu digo, afirmo, bato o pé e brigo, que a arquitetura é um específico caso de Design de Produto, com programas proprios das edificações, mas Design sim . . . . .
Não consigo entender como se pode gostar de prédios:
a) morador de prédio não pode ficar desempregado, pois se atrasar condomínio, então vai para o SPC, SERASA, Vaticano, PF, FBI, NSA, etc. e ainda pode perder sua morada para o condomínio;
b) no apê, exceto cor e móveis, quase nada pode ser mudado depois de pronto;
c) nas chamadas áreas comuns, exceto o tal tanque chamado de piscina, não se pode andar de forma mais descontraída (sungão sem camisa);
d) ao comprar carro novo é necessário verificar antes se ele passa no portão da garagem e cabe na vaga;
e) se alguém mais da família compra carro novo, fatalmente terá que procurar garagem alhures;
f) a bandidagem agora faz arrastão em prédios, do qual não se consegue escapar;
g) os corretores só vendem imóveis “no melhor ponto”, para um “estilo de vida”, e nas imagens sem nenhum outro prédio em volta, quando a realidade é exatamente oposta: localização ruim, estilo de vida de pombal, e o vizinho do prédio ao lado conhecendo toda a sua intimidade através das janelas;
h) em prédios maiores também temos hora do rush nas saídas das garagens;
i) cada prédio novo de apartamentos num mesmo quarteirão mutlitplica por 10 ou mais as necessidades básicas de infraestrutura: água, luz, telefonia, estacionamento para visitas, uso das ruas, etc. E nenhum construtor liga para isso, os moradores que se danem!
E a propósito desse tal “concurso” abordado: parece apenas “adulação de egos” de arquiteto para arquiteto. Minha experiência mostra que arquiteto muito badalado pela imprensa é ruim e péssimo para projetos de moradias.
Esse tal prédio, por ser prédio é horrorível! Só mesmo sendo muito bobo para achar alguma beleza num espigão.
Por isso só moro em casas e em bairros onde não se permite a construção desses pombais.
Argh!
Acho Sampa um celeiro de prédios tenebrosos. Coisa terrível.Achar um monstrengo desses uma obra de arte é não gostar da arte.Coisa de novo rico arrogante e pedante, típico classe média paulistana.Tenho certeza que a garagem do prédio estará lotada de carros pretos ou prata.Vislumbro tambem um exército de seguranças vestidos de preto e cabeças raspadas tentando impedir o inevitável.A vista lá de cima deve ser maravilhosa. Só concreto e engarrafamento.Gente muito estranha.
Filósofo:
Veja um pouco estatisticas de segurança em casas e apartamentos e analise o tempo que se ganha morando mais proximo do trabalho ao longo do ano que vc vai entender um pouco mais do mercado e ser menos ranzinza……
Nassif,
como tem Chato e Nerd na internet!
um forte abraço…
Caros comentaristas,
Acredito que é preciso conhecer antes o assunto a ser tratado para depois tecer todos os comentários desejados.
Vamos procurar mais informações sobre o edifício e assim fugir das superficialidades produzidas a partir de uma pequena imagem reproduzida aqui no nosso querido espaço.
Adianto que não se trata de plágio e, em termos de produção de arquitetura atual da cidade de São Paulo o empreendimento do Isay é revolucionário sim, digno do prêmio que lhe foi concedido.
Nem é preciso dizer quão vergonhosa é a produção arquitetônica (paulistana) atual, que se rende ao que era novidade na europa no séc XVIII (!!!) e que joga no lixo nossa tradição que vem do urbanismo colonial português, produz o barroco mineiro, passa por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e produz maravilhas nas mãos de Lina Bo Bardi, João Filgueiras Lima e Paulo Mendes da Rocha (desculpem-me por não citar todos os demais que vão contra essa corrente pelo Brasil afora).
Argumentos relativos aos custos de m2 ou dos valores de venda do apartamento devem ser feitos sob a ótica de que estes mesmos parâmetros produzem atualmente uma arquitetura MUITO RUIM.
“Neoclássico” é apenas um rótulo, criado pelo “deus mercado” e usado pelo (mau) empreendedor que está mais preocupado em ganhar (mais) dinheiro que em produzir e comercializar um bom produto (e também ganhar dinheiro, como é o direito de todos)
É preciso entender “bom produto” como uma “casa boa” ou “boa arquitetura”. É o mínimo que nós arquitetos podemos fazer por aquele que faz se não for o maior, um dos maiores investimentos de sua vida – a compra da casa própria – e não por acaso, o lugar que vai abrigá-lo, abrigar seus filhos, sua história, suas vidas…
ÓTIMA arquitetura é o que Isay Weinfeld fez. Parabéns pelo prêmio!
(e parabéns aos empreendedores pela fuga do convencional e pela aposta na inovação)
Nassif,
Parabéns, por publicar a notícia do prêmio do Isay Weinfeld.
Ele é atualmente um dos melhores dentro da Arquitetura Brasileira. Não é somente arquiteto, foi professor do Mackenzie e da FAAP (de cadeira). É cenógrafo. Fez a cenografia do show da Marina Lima- Primórdios em 2005 (que assisti) no Auditório Ibirapuera. Fez o Fashion Week de 2001 (lindo!) , fez o Bar Bareto, a Loja Club Chocolate, a Forneria San Paolo, Itaú BBA entre inúmeros projetos (comerciais e residenciais).
Foi premiado inúmeras vêzes no IAB -Instituto dos Arquitetos do Brasil, por mobiliário. É um profissional valoroso e respeitado. Sei disso pois trabalhei um tempo na área de construção civil, e mantenho amigos no setor.
O que me espanta ainda é o preconceito verificado em determinados setores da sociedade, que alguns comentários acima me fizeram lembrar.
Infelizmente no Brasil, fazer sucesso é crime. É uma afronta pessoal.
Não moro mais em Sampa (carinhosamente chamada por alguns de Gothan City), mas a arquitetura, o desencontro de épocas de urbanismo, todos juntos ao mesmo tempo é fascinante.
Esse conjunto triste têm também a sua poesia.
Um prédio Neoclássico é belíssimo, desde que constrído dentro das suas concepções puras.
Não têm nada de novo rico ou classe média burguesa paulistana, gostar e, se puder, morar num projeto destes.
Isso não quer dizer que quem more não saiba que existe PCC, Darfur, Gaza, Gilmar Mendes, Daniel Dantas, Paraisópolis, Prostituição Infantil, Corrupção, crise de cólera na Africa, Farcs, IRA, ETA, Bin Landen, Taliban, dobradinha Sarney-Temer, Ehud-Tvini, FHC e as privatizações entre outros, Mensalão, Haiti, Mianmar, Timor Leste, enchentes em Bangladesh, refugiados de todos as etnias em todos os lugares do mundo, crise economica mundial gravíssima, Citybank quebra-não-quebra, a camada de ozônio cada vez mais e mais pequena, o problema mundial da água, colonialismo ainda em alguns cantos do planeta, transporte público deficiente, salário mínimo Mínimo, falta de segurança, taxas de juros absurdas, IPTU escandaloso, educação de baixo nível, saúde pública deficitária, projetos culturais sempre em último lugar na lista de prioridades para a população de baixa renda, ONG’s corruptas, delegados e juízes corruptos, médicos corruptos, funcionários de 1º, 2º e 3º escalões corruptos (privado e público), jornalistas e editores corruptos, a pobreza gritante do Nordeste brasileiro, diminuição de valores nos orçamentos de pastas importantíssimas para o desenvolvimento do país e outras tantas coisinhas insignificantes, que de tão insignificantes não me lembro agora , e que fazem com que quem tenha um carro preto ou prata não durma…
abraços
Soledad
Como dizem por aí: de medico, arquiteto e louco, todo mundo tem um pouco.
Quanto “achismo” para uma pequena imagem?
Agaranto que o arquiteto não fêz um projeto é daqueles onde o ar condicionado não deixa abrir janelas, as luzes devem ficar acesas todo o tempo (nos trópicos!!!!).
Parece-me que o Isay é arquiteto de verdade, embora trabalhe para as elites daslunianas (o Chico Buarque já disse que não se pode cobrar posição política de artistas).
Espero que ele não tenha feito um projeto com a cara da ineficiência energética e ambiental.
A não ser que ele, de propósito, tenha feito exatamente isso para protestar e zoar com azelites-daslunianas e a arquitetura julio-nevista paulistana, talvez uma das piores do universo.
Arquitetos brasileiros
Muito interessante a reportagem “Arquitetos criticam a participação de estrangeiros em licitação” (Folha de São Paulo, 07/06/2009). Ficamos sabendo que os estrangeiros cobram 10 vezes mais e que os brasileiros não podem atuar nos EUA e na Inglaterra, pois estes governos não permitem. Um caso a ser investigado é o do Teatro da Dança, na região da Luz, no valor de R$ 300 mi. O governo de SP contratou dois arquitetos suíços sem nem mesmo fazer uma licitação; e vai pagar até R$ 25 milhões só para o projeto, conforme reportagem “Arquitetos do Ninho de Pássaro projetam teatro de dança” (Folha de São Paulo, 04/11/2008).
Com todo o devido respeito acredito que talvez esteja na hora de trocar as lentes… Sem comparações..
Abs,