O Fórum Social Mundial
Por Edmar Roberto Prandini
Acho que valeria alguma matéria sobre o Fórum Social Mundial. Estou achando que vão tentar uma operação abafa no noticiário, dada a relevância e a oportunidade da crítica. Pelo que estou sabendo, participarão em eventos, em Belém, o Lula, o Chaves, o Morales, o Lugo e o Correa. Mais de 8 mil jornalistas e mais de 80 mil inscritos.
Estive em todas as edições em Porto Alegre e reputo ao Forum Social Mundial um poder de disseminação extraordinário.
É uma das mais inovadoras criações dos movimentos sociais, mundialmente falando, tendo tido valiosa contribuição de dois brasileiros no seu pontapé inicial: Francisco Whitacker – extraordinário! e Oded Grajew, além do apoio de Bernard Cansin, do Le Monde Diplomatique.
Destaco também a intensa participação do sociólogo português Boaventura de Souza Santos, que tem produzido, na interlocução com estes movimentos, uma inovadora epistemologia da sociologia das emergências. Alguns dos temas são “democratizar a democracia”, a rejeição ao “desperdício da experiência”, dentre outros.
Comentário
O Blog estará aberto às informações de lá. Se houver boa quantidade de notícias, posso abrir um Dossiê no Portal do Blog.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Novo Mundo Tags: Forum Social Mundial

Caio,
1. É evidente a impertinência de seu questionamento. Nâo sou da comissão organizadora, mas tenho certeza de que os jornalistas credenciados superam os números que você almejaria, em muito.
2. Não sou paraense. Mas, esta crítica acerca dos valores gastos é de baixíssima qualidade. A repercussão internacional, a presença de milhares de participantes de todo o Brasil e do exterior, a dinâmica que um evento como esse produz na economia local, são enormes. Ou você nunca ouvu falar em turismo de eventos? É evidente que estou muito mais atento a importância política que o evento possui. Você desconsidera que uma mobilização dessa dimensão tenha importância política também?
3. Se o Obama quiser efetivamente interagir com o sentimento de mudança e quiser encaminhar mudanças políticas e econômicas efetivamente relevantes, terá que dialogar com os participantes dos movimentos que se expressam no Fórum Social Mundial, com certeza.
4. Não sabia da presença do ministro Tarso Genro, mas é eloquente que o ministro responsável pelo bloqueio de US$ 2 bilhões de dólares de uma gangue financista tenha como referência ético-política os movimentos que se agregam no Forum Social Mundial. O que mais ainda revela a qualidade do fórum e a importância dos que lá se reúnem para produzir mudanças em favor da democracia e da igualdade social.
5. Aqui, da UNB, 390 estudantes partiram de ônibus para o Fórum. Há uma delegação de 1500 indígenas, sendo 500 brasileiros.
6. Com a crítica do André Araújo, discordo de tudo, exceto quando diz que a situação atual do Pará é lamentável. Imagino o grau de brutalidade empregado pelos que produziram a atual situação em que se encontra o Estado. Quanto os governantes locais negaram-se a atuar para tornar a lei presente. Lembro que naquele estado encontram-se casos e mais casos de violência agrária, trabalho escravo, desmatamento, etc. Realmente, merece todo respeito a governadora Ana Júlia, que deve estar enfrentando todo tipo de boicote e pressão para que se inviabilize seu governo. Parabéns à governadora por atrair para o Pará o Fórum Social. Que este feito, governadora, possa contribuir para acelerar as mudanças que seu governo deve estar tentando promover no Estado.
Não entendo o motivo mas com certeza deve existir um, porque se o Reinaldo Azevedo acredita nas coisas que ele fala naquele “blog” dele é muita falta de cabeça.
Ele disse que não vê sentido em pessoas se reunirem e discutir temas politicos no Forum Mundial Social…
Alguem devia avisar a ele que ele não passa de um nada. pra resumir.
Ah, o chato! Cê foge da resposta e vem perturbar aqui no FSM!
Chato fujão, vc não respondeu qual a contribuição (e as propostas) da direita para a democracia e o Brasil.
André tenho por formação respeitar opiniões. Mas você não acha que foi bastante preconceituoso e infeliz ao se referir ao estado do Pará como o mais caótico do Brasil? Será que é só aqui que ocorrem os fatos relatados por você?
Reproduzo o e-mail abaixo:
Temos recebido, por parte de companheiras e companheiros de Belém, e também da parte da imprensa, notícias que causam muita apreensão sobre a realização do Fórum Social Mundial naquela cidade.
O ministro Nelson Jobim, ardente defensor da militarização das cidades com a presença do exército e outras forças, no estilo do que vem sendo feito no Haiti, em pleno acordo com a governadora Ana Júlia Carepa (PT), autorizou o envio de 250 homens da Força Nacional de Segurança (a mesma FNS que cercou o Complexo do Alemão e da Penha e exibiu suas armas durante o Pan, aqui no Rio), com 50 viaturas e 2 helicópteros. A Polícia Federal dará sua “contribuição” com 350 homens vindas de diversas partes do Brasil. Uma das funções dos policiais da FNS será controlar o acesso aos espaços onde estarão se desenvolvendo as atividades do FSM. Ora, até hoje, que eu saiba, pelo menos nas edições do FSM que foram realizadas aqui no Brasil, o acesso da população às atividades era livre. Os inscritos recebiam um kit de material, mas tod@s podiam assistir as oficinas e atividades. Será que não vai ser mais assim? O FSM vai tornar-se algo como uma grande convenção de ONGs, com participação e acesso controlados?
O governo estadual, por sua vez, “tranqüilizou” os participantes do Fórum
anunciando que fará ocupação permanente, pela PM, das favelas (lá chamadas “baixadas”) que ficam em torno das univesidades. Peraí, o FSM não tem como lema “um outro mundo é possível”, um outro mundo, entre outras coisas, sem apartheid social, ocupações e cercos militares? Não se deveria, ao contrário, estimular o intercâmbio entre os participantes do Fórum e os moradores daquelas favelas tão próximas? Será que o FSM vai ficar parecido com as reuniões mundiais de capitalistas e governantes, como o Fórum de Davos e o G8, que se reúnem com forte aparato de segurança os separando da população das cidades e países onde eles marcam seus encontros de cúpula?
Não é só isso. Aproveitando-se das supostas exigências de “segurança” do FSM, o governo do Pará abriu concurso para contratação de mais 2200 PMs, dos quais 565 ficarão na capital. No dia 12/01 foram entregues mais 70 viaturas e 27 motocicletas para a polícia. Foram instaladas mais 15 câmeras de vigilância em “regiões mais problemáticas”, serão ao todo 88 quando começar o FSM. O governo federal já destinou ao Pará R$ 37 milhões para construção de 5 novas penitenciárias, inclusive uma feminina. A Assessoria de Comunicação do governo estadual anuncia com mórbido orgulho: “Para fechar o círculo contra a violência, o Governo solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado e à Procuradoria de Justiça maior rigor na concessão de benefícios aos condenados, como a progressão da pena e a concessão de liberdade provisória” (ver em
http://www.portalcorreio.com.br/noticias/matLer.asp?newsId=65257). Quer dizer, como foi com o Pan/2007 aqui no Rio, o FSM se tornou um bom pretexto no Pará para se incrementar uma estrutura de repressão e violência que terá resultados cruéis e duradouros para a população pobre de lá, como teve para as favelas e periferias daqui.
Espero que nós, envolvidos na luta contra tudo isso, como os movimentos e organizações que construíram o Tribunal Popular, não permaneçamos inertes diante de tanta militarização e exibição de força do Estado. Quem sabe podemos organizar uma marcha, visita, ou algo parecido às favelas próximas do FSM? Mostrando que, pelo menos nós, não temos medo deles, pelo contrário, contamos em primeiro lugar com eles para fortalecer nossa luta?
neoniberalismo
democracia burguesa
torres de papel
acho que o fsm eh uma especie de resposta para a discussao sobre esquerda e direita, que so foi ou sera superada no meu entendimento com a organica participacao popular…
LN,
Segue abaixo o link para o blog do Fórum Mundial de Midia Livre.
Os interessados podem se informar sobre programação ou histórico do movimento; podem também se manifestar, aderir ao movimento e fortalecer a luta pela democratização do meios de comunicação em massa em nível internacional.
http://forumdemidialivre.blogspot.com/2008/10/manifesto-da-mdia-livre-ampla-adeso-da.html
Edmar,
Quem escreveu que o surgimento se deu em 1994, em função do movimento zapatista ( que depois se afastou ) foi o Emir. Como o considero bastante informado, aproveitei a informação que me parece ter mérito por procurar situar um marco histórico. Outros podem apontar outras datas e outros movimentos. Exemplo disso é o Bolsa Família e os desacertos sobre quando sua idéia nasceu. Há quem diga que já está em sua quarta geração. Achei a informação do Emir interessante ao fazer a ligação do Forum com o movimento zapatista. Isso me fez pensar.
Corrigindo o histórico das reuniões do FSM, a partir de suas informações: Porto Alegre em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 2004, foi na India e 2007 em Nairobi e agora, 2009, em Belém. E em 2008, não houve? Você sabe por quê?
Estive no terceiro FSM, em Porto Alegre. Trata-se da mobilização de milhares de ativistas e conferencistas. Há os grandes debates e as oficinas. A participação é numerosa e entusiasmada. E a troca de experiências e visões sobre os movimentos sociais ao redor do mundo é realmente fantástica. Acredito que o artigo de Emir Sader e seu comentário se deva mais a uma percepção de que já há amadurecimento suficiente para propor ações conjuntas, a partir de lutas comuns entre os diversos povos. É um grande forum sem fronteiras, onde se misturam todas as línguas, dialetos, costumes e propostas. Acredito que um novo mundo é possível.
Ivanisa,
na dinâmica dos debates acerca da realização do Fórum, desde os primeiros anos, surgiu o debate sobre o denso e complexo processo mobilizatório envolvido em sua realização, que demanda demasiadamente algumas lideranças. Além disso, identificou-se o ônus financeiro desse processo também. Em função disso, surgiu a deliberação da realização de fórum descentralizados: houve um na Venezuela, por exemplo, Karachi, na Índia e o terceiro, não tenho certeza para afirmar. Em 2008, decidiu-se promover o que passou-se a denominar DIA DE AÇÃO GLOBAL, um dia em que localmente, todos os movimentos articulam-se para promover suas atividades, articuladas com os princípios do Fórum. Aqui em Brasília, por exemplo, soube de algumas organizações reunindo-se em Taguatinga, mas o mesmo ocorreu em mais uma centena de cidades brasileiras e em todos os países, o mesmo processo se deu.
O mais extraordinário do Fórum reside em sua lógica descentrada e não-hierárquica. O aparente caótico processo dos debates promovem condições para a composição e o enriquecimento dos paradigmas de enfrentamento das desigualdades. É um espaço fecundo de educação ético-política e de formação de militantes. Como você bem afirma, misturam-se línguas, dialetos, costumes e propostas. Em certa ocasião, escrevi um pequeno artigo para o boletim da Arquidiocese de Ribeirão Preto, dizendo que o Fórum inicia-se Babel e termina Pentecostes: ao final, todos seguem falando em seus proprios idiomas, mas há um forte e vibrante espírito unificador: fazer acontecer o novo mundo possível.
Como manter visivel o tópico durante os dias da realização do Fórum?
Já postei no Fora de Pauta mensagem sobre o Fórum Mundial Social da Saúde, que propõe tornar o SUS patrimônio imaterial da humanidade, avançando na proposição “universal” de sistemas “universais” de atendimento à saúde.
Acho que é a demonstração da relevância das discussões que o FSM propicia.
André Araújo, nunca soube qual era a sua porque não entendo de economia. Agora que vc fez um comentário sobre política, já vi que vc faz parte do que eu chamo egoístas. Critica governos de esquerda do ponto de vista do capitalismo. Bom, pra quem gosta, tá ótimo.
Minha cara Wilma : Eu conheci pela primeira vez Belem em 1949, fiquei encantando com a cidade, com suas mangueiras, seus predios portugueses, Depois voltei muitas e muitas vezes, Belem é uma cidade muito bonita, conheço tambem Salinas e Santarem, aonde chegue de barco em 1980. o Rio Tapajós é espetacular, acho o Estado dos mais interessantes do Brasil. Mas o Pará tem tido uma cultura de desgoverno assustadora. Uma governadora eleita com o apoio de Jader Barbalho é dose, especialmente por ser ela uma figura despreparada para qualquer cargo, entrou no Governo com manicures, namorados, uma falta de senso que colocou o Estado em ridiculo no Pais. Não me parece que tenha melhorado, a saga dos berçarios e UTIs de recem nascidos, exibidos no Pais todo via Globo, mostra o descalabro. Nada contra o Estado e seu povo tão simpatico mas francamento, o Governo é dificil de defender.
Nassif,
Marcus Pessoa (http://marcuspessoa.net/) é de Belém e prometeu uma cobertura do Forum. Ele é uma pessoa de opinões ponderadas, vale a pena conferir os posts que virão.