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24/01/2009 - 13:38

Os cabeções e o aporte no BNDES

Esse aporte do Tesouro ao BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) está sendo alvo das mesmices analíticas de sempre: comparar o custo de captação do Tesouro com o que será cobrado do banco jogando na rubrica de prejuízo.

Segundo as contas dos óbvios Raul Velloso e Armando Castelar, repetidas obviamente pela Mirian, esse aporte de R$ 100 bi custará R$ 4 bi ao Tesouro.

Primeiro, vamos a uma análise do custo das reservas cambiais:

1. O BC compra os dólares. Depois emite títulos para enxugar o excesso de liquidez. Paga em taxas brasileiras e aplica em taxas americanas. O custo é de, no mínimo, o dobro do custo desse aporte no BNDES.

2. O aporte no BNDES será carreado para investimentos. Cada investimento movimenta a cadeia produtiva. Exerce um efeito multiplicador que precisa ser avaliado em vários níveis: quanto de imposto o governo arrecadará a mais; quanto de riqueza será produzida a mais; quanto de emprego será criado ou preservado. Os analistas, em questão, divulgam a conta DEVE e escondem a conta HAVER.

3. O analista absoluto Armando Castellar disse que esses recursos provocarão apenas um efeito-substituição. As empresas trocarão o crédito privado por esse novo crédito, mais barato. Com isso, não haverá aumento na oferta de crédito na economia. Esqueceu de analisar apenas o que farão os bancos privados com o crédito que será disponibilizado por essas empresas que recorrerem ao BNDES.

4. A rigor, a única crítica consistente – aliás, mais um alerta do que uma crítica – foi do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyolla, que acenou para a possibilidade de concessão indiscriminada de crédito, em nome da crise.

Em suma, essas contas não colam mais. Eram eficientes na fase do pensamento único, em que esses analistas selecionavam um conjunto de pontos a favor de suas teses e ignoravam solenemente os demais.

Em plena era da informação, ou aprimoram os argumentos ou poderão optar: são incapazes de uma análise mais complexa; ou são intelectualmente adaptáveis, digamos assim.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,

52 comentários para “Os cabeções e o aporte no BNDES”

  1. Rafael Barbastefano disse:

    “Adaptabilidade intelectual” seria um equivalente para “flexibilidade de caráter”?

  2. Roberto São Paulo/SP disse:

    -51 começa a operar na Bacia de Campos Publicada em 24/1/2009 23:17:46
    AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS
    http://www.agenciapetrobrasdenoticias.com.br/materia.asp?id_editoria=8&id_noticia=6093

    A P-51, primeira plataforma semissubmersível construída totalmente no Brasil, começou a operar hoje (24), às 21 horas, dando início à produção do poço MLS-99 do campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Instalada em lâmina d’água de 1.255 metros e a 150 km da costa de Macaé,
    a nova unidade tem capacidade para produzir até 180 mil barris de petróleo por dia e é considerada estratégica para a manutenção da autossuficiência brasileira em petróleo.

    A nova plataforma faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal e gerou quatro mil empregos diretos e 12 mil indiretos, na sua construção. O investimento total nessa unidade de produção foi de aproximadamente US$ 1 bilhão…………..
    ………..em fevereiro de 2003, a Petrobras optou por suspender o processo de licitação da unidade, que já estava em andamento, para incluir no edital a obrigatoriedade de conteúdo nacional mínimo, que no caso da P-51 ficou acima de 70%. ……..

    ……..Essa foi a segunda vez que esse tipo de operação foi realizada no Brasil, reafirmando a alta capacitação da engenharia nacional.

    A P-51 tem capacidade para comprimir seis milhões de metros cúbicos de gás e será fundamental para o aumento da oferta do produto ao mercado brasileiro. Ela integra o Plano de Antecipação da Produção de Gás Natural (Plangás), criado para reduzir a dependência externa desse combustível. Suas quatro turbinas têm condições de gerar 100MW de energia, o bastante para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes……….

  3. Roberto São Paulo/SP disse:

    Do BNDES
    http://www.bndes.gov.br/noticias/2005/not108_05.asp

    BNDES aprova financiamentos de US$ 642 milhões para as plataformas P-51 e P-54 da Petrobras 05.05.05

    · Projetos vão gerar 10 mil empregos diretos, desenvolverão a indústria naval brasileira e contribuirão para a auto-suficiência da Petrobras

    A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou dois financiamentos para a Petrobras no valor total de até US$ 642 milhões destinados à construção de duas plataformas, a P-51 e P-54………………….

    ………. financiamento do Banco para a P-51 será de até US$ 370 milhões e para a P-54 de até US$ 272 milhões. ………..

  4. Roberto São Paulo/SP disse:

    Do BNDES
    http://www.bndes.gov.br/noticias/2009/not011_09.asp

    Financiamentos do BNDES permitiram geração ou manutenção de 2,8 milhões de empregos em 2008
    23.01.09
    Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possibilitaram a geração ou manutenção de 2,8 milhões de empregos em 2008. O resultado foi alcançado com base nos desembolsos do Banco no ano passado (cerca de R$ 91 bilhões) somados às respectivas contrapartidas dos tomadores dos créditos nos projetos apoiados (R$ 76,8 bilhões). A soma atingiu investimentos totais na economia de R$ 167,7 bilhões, em 2008.

    Os cálculos realizados por economistas do BNDES levam em conta, exclusivamente, a parcela destinada a investimentos fixos adquiridos no país – R$ 104,4 bilhões.

    O resultado, portanto, não considera os recursos direcionados a operações de refinanciamento ou reestruturação societária, a participações acionárias, a aquisição de equipamentos importados e ao financiamento das exportações…………..

    …..Levantamento realizado pelo IPEA, em fase de conclusão, mostra que as companhias que obtiveram empréstimos no BNDES empregaram, no terceiro ano após o financiamento, 28% mais trabalhadores do que as não-financiadas.

    Outra conclusão é que as empresas apoiadas pelo BNDES, além de serem mais empregadoras, também se tornaram mais produtivas do que as não financiadas: no terceiro ano após a concessão de crédito, a produtividade daquelas empresas era 36% superior a das não-financiadas pelo Banco…………

  5. Roberto São Paulo/SP disse:

    Do BNDES
    http://www.bndes.gov.br/produtos/custos/default.asp

    Custos Financeiros > Composição
    O custo dos financiamentos com recursos do BNDES é composto por:

    Para operações diretas = Custo Financeiro + Remuneração do BNDES + Taxa de Risco de Crédito

    Para operações indiretas = Custo Financeiro + Remuneração do BNDES + Taxa de Intermediação Financeira + Remuneração da Instituição Financeira Credenciada ……………………

    ………….C) Taxa de Risco de Crédito
    Remunera o risco de crédito do BNDES. Varia em função do risco de crédito do tomador do financiamento.

    D) Taxa de Intermediação Financeira
    É a taxa que reflete o risco sistêmico das Instituições Financeiras Credenciadas, limitada a 0,5% ao ano. As operações com Micro, Pequenas e Médias Empresas estão isentas da taxa de intermediação financeira.

    E) Remuneração da Instituição Financeira Credenciada
    É a taxa que reflete o risco de crédito assumido pelas Instituições Financeiras Credenciadas, e será determinada pela instituição repassadora dos recursos. Operações que utilizem o Fundo de Aval – FGPC terão esta taxa limitada a 4% ao ano.

  6. Roberto São Paulo/SP disse:

    Ou seja nos recursos do BNDES destinados para operações indiretas o Bancos privados ou públicos receberão até 4,5% ao ano pela intermediação e risco de crédito.

  7. Lucas disse:

    “Se uma grande empresa troca um crédito em um banco por uma linha do BNDES, significa que pegará o empréstimo do BNDES e pagará o banco – que ficará com disponibilidade maior de crédito.”

    Ah, quer dizer então que essa suposta empresa já tinha linha de crédito disponível? Bem , então a tese do custo para o contribuinte fica ainda mais escancarada. É básico entender que não houve geração desses 100 bi, apenas troca, com um intermediador a mais e, se este último, oferece condições melhores do que as que obteve na captação, naturalmente arca com os custos.

    Agora perdeu de vez o sentido.

    Prezado, estou analisando o exemplo hipotético do Armando Castellar. Aliás, é muito pretender que a diferença entre spread bancário e spread do BNDES seja custo para o contribuinte. Não consta que o BNDES nem o Tesouro incorra nos custos de tomada de emprésyimo bancário.

  8. Hélio Silva disse:

    Nassif, eu nunca vi a Miriam Leitão e outros pseudos comentaristas encômicos defenderem o Tesouro Nacional das sandices praticadas pelos diretores do BC, hoje, e diretores da banca privada, amanhã.

    Pois sabemos que o BC faz a besteira, pra não dizer crime, de elevar as já elevadas taxas de juros brasileiros, para o Tesouro pagar a conta, aumentando ainda mais o endividamento do Brasil.

    Essa mesma turma é aquela que vive criticando o governo de aumentar os gastos correntes, mas negam decerto por má-fé, que boa parte dos gastos correntes são os pesados pagamentos do serviço da dívida pública, por causa dos elevados juros praticados pelos irresponsáveis diretores do Banco Central.

    Ou será que a Miriam Leitão, doutora em urubulogia, acha que todo brasileiro é ignorante como ela e eles pensam?

  9. Lucas disse:

    “Prezado, estou analisando o exemplo hipotético do Armando Castellar. Aliás, é muito pretender que a diferença entre spread bancário e spread do BNDES seja custo para o contribuinte. Não consta que o BNDES nem o Tesouro incorra nos custos de tomada de emprésyimo bancário.”

    Pretender é muito mesmo. O fato é que não precisa ter spread bancário para a grana que o Tesouro toma ser mais cara que a que o BNDES doa. Seja selic ou qualquer ponto da curva de juros, o custo supera facilmente a TJLP + o spread do BNDES. Não tem mágica.

  10. Uwe disse:

    Vou juntar alguns recortes de notícias publicadas na seção economia do IG, que talvez tornem o assunto um pouco mais relevante:

    23/01 – 09:28 – Agência Estado
    Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e integrante do conselho de administração do BNDES, considerou “boa notícia” o anúncio do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas disse que todo projeto que chega ao banco estatal tem por objetivo gerar emprego e ser lucrativo desde o momento que sai do papel.

    “Não se trata de salvar empresas. O banco está lá para emprestar e a empresa que toma recursos do BNDES fica devendo, paga juros. É dinheiro empregado em projetos de fomento, que visam crescimento, empregos, lucro.”

    O fato de os recursos suplementares serem para infraestrutura, avalia Skaf, deve ser comemorado. “O Brasil precisa arrumar sua infraestrutura, porque as crises são passageiras e não podemos ter limitações quando o crescimento for retomado”, disse.

    23/01 – 10:19 – Agência Brasil
    A Medida Provisória n.º 453 prevê que o BNDES pague 70% do valor liberado com a correção de Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais um prêmio 2,5% ao ano, o que resulta numa taxa final de 10,75% ao ano. Os 30% restantes do aporte ao BNDES serão corrigidos pelo custo de captação de recursos do Tesouro Nacional no exterior (em torno de 6% ao ano).

    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem (22) a liberação dos recursos, que devem ser usados em projetos nos setores de gás, petróleo, energia elétrica, máquinas e equipamentos e investimentos industriais.

    22/01 – 16:26 , atualizada às 17:02 22/01 – Agência Estado
    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou nesta quinta-feira que, a partir de agora, a oferta de crédito público para as empresas estará condicionada à manutenção do emprego. Segundo o ministro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já exige na assinatura do contrato de financiamento que as empresas informem o volume de empregos que aquele investimento vai gerar.

    Por tudo que eu entendi, não é um crédito qualquer, mas sim um crédito condicionado a investimentos/ampliação de capacidade ou melhoria de instalações.

    Não é dinheiro para capital de giro, nem para pagar dívidas de outros bancos, com alegaram em postagem anterior.

    Neste caso, nas contas do custo deste dinheiro teriamos que incluir os impostos gerados, o menor desembolso do seguro-desemprego, a redução do deficit da previdência pelo recolhimento dos novos empregados, todos valores mensuráveis, além de valores não mesuráveis como a auto-estima da população, que fica em baixa quando está desempregada, os ganhos de competitividade interna e externa da nossa cadeia produtiva, entre outros.

    Comparando-se isso aos 4 bi citados na postagem inicial, acho que sobra um baita lucro.

    Alé do mais, está se disponibilizando dinheiro a juros civilizados……….

  11. Jonas Julio disse:

    “Se uma grande empresa troca um crédito em um banco por uma linha do BNDES, significa que pegará o empréstimo do BNDES e pagará o banco – que ficará com disponibilidade maior de crédito.”

    Ai ai ai… O BNDES vai ser financiado pelo Tesouro que vai emitir titulos da divida publica… Como o BNDES oferece emprestimos subsidiados (afinal tem acesso ao holerite do trabalhador) e tem garantia do tesouro, ele pode monopolizar os melhores creditos (Vale, Petrobras etc), deixando o resto do mercado para o setor bancario comercial (Itau, BB, etc) que portanto tem que cobrar um spread mais alto para compensar o risco. Mais dinheiro no BNDES eh, sem ambiguidade nenhuma, menos credito para a pequena empresa.

  12. Jonas Julio disse:

    “Nassif, você não acha que o governo Lula deveria aproveitar que o valor das ações despencou nos últimos meses no mundo inteiro e recomprar as ações da Petrobras que o governo FHC vendeu no exterior durante o seu governo e a preços muito baixos?”

    Seria genial. A Petrobras ainda eh muito cara. Com esse plano de investimento que eles acabaram de anunciar, eu nao compro acao da Petrobras nem que caia pela metade.

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