O fim da Kuarup
Por Adimilson Barros
Caro Nassif
Fuit surpreendido hoje de manhã pela noticia de que a tradicional gravadora independente carioca Kuarup, especializada em música instrumental brasileira de qualidade, decidiu fechar as portas e retirar-se do negócio neste início de 2009, justificando sua decisão de jogar a toalha por causa das progressivas agruras que o mercado fonográfico vem enfrentando desde que o download ficou popular. Confesso que me deu um certo desespero ao saber da notícia e gostaria de perguntar-lhe: sobrou mais alguém da mesma estatura no ramo? Ficarei grato se puder responder e/ou comentar.
Comentário
A Kuarup fez um trabalho inestimável para a música instrumental brasileira. Era previsível que o avanço dos downloads afetaria as grandes gravadoras. Mas acabou atingindo também as gravadoras de nicho.
Acho que ela deveria analisar outros modelos de negócio da era digital. Com a riqueza do seu acervo, é impossível que não haja um modelo economicamente viável para ela.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Internet, Tecnologia Tags: gravadora, Kuarup, música digital

Quando comecei a ouvir boa música, confiava em tudo que via com o selo DISCOS MARCUS PEREIRA, que desapareceu, fiquei feliz com o selo KUARUP, e agora essa, que tristeza.
Grande idéia essa que o Luciano mencionou: gravar em vinil! Até porque o vinil consegue reproduzir timbres que o CD nem sonha fazer, e o mp3 menos ainda, já que esse formato é ainda mais pobre que o CD.
Outra opção é a venda pela internet. Há sites que vendem música legalmente, a partir de U$ 0,09. Eu mesmo sou um freguês cativo. Só que há pouquíssima música brasileira nesses sites.
ADIMILSON BARROS . . . . .
TEM A BISCOITO FINO . . . . .
Eu acho que ela não deve ter fechado por causa dos downloads. Eu nunca consegui baixar nada na internet de música instrumental brasileira. Se alguém tiver Guerra-Peixe aí, por favor, passar o link!!!
O problema é que as pessoas simplesmente não ouvem mais música instrumental. Principalmente os jovens. Então esse estilo de música está cada vez mais restrito, ao ponto de ser considerado um “nicho”.
A propósito, até conseguir esses cds é difícil. A internet é um ótimo meio para se divulgar a música instrumental brasileira, se alguém que tem os cds resolver upá-los. Mas isso não tem acontecido. Alguém conhece alguma loja aqui em Fortaleza que venda tais cds a preços módicos? Eu ficaria muito agradecido.
PS: Quando quero ouvir algum compositor, tenho recorrido ao You Tube.
Anselmo Pitombeira:
Você tem razão quando diz que os jovens não escutam mais musica instrumental. Creio que isso aconteça porque não existe acesso a ela. Na verdade o que acontece com o povo é um verdadeiro genocídio cultural. A televisão que poderia ser um maravilhoso instrumento de difusão cultural tornou-se um meio de propagação da mediocridade. O ser humano enquanto tiver uma cabeça sobre o pescoço será capaz de aceitar e gostar do que é melhor, mas ele é privado desse encontro. Meio século atrás, a bossa nova, totalmente revolucionaria musicalmente, era tocada largamente nas rádios e aceita pelo povo. Isso pode voltar a acontecer, necessita apenas de uma vontade politica de mudança. Fico triste de ver o governo de um partido de trabalhadores e intelectuais não atacar de frente esse problema.
Esta é uma matéria do Kid Vinil sobre como as gravadoras americanas estão enfrentando a concorrência dos mp3.
As alternativas tem sido as midias alternativas, como o vinil (quem diria que um dia chamaria ele de alternativo!), albuns exclusivos e de pequena tiragem e adoção do ” pequeno negócio”, ou seja, vender pouco mas para um público que exige qualidade.
http://br.noticias.yahoo.com/s/20012009/48/entretenimento-colapso-na-industria-disco.html
Caro Nassif, é a primeira vez que frequento seu blog. Encontrei uma referência no blog do PHA e decidi verificar o texto que faz menção a Daniel Dantas e Pablo Escobar. Após fazer a leitura do mesmo, decidi ler alguns outros textos seus, foi quando encontrei esse sobre a Kuarup.
Fiquei absorto! Eu não sabia e nem saberia se não fosse o seu blog. Lamento profundamente que esse seja o desfejo de uma das poucas gravadoras que prestigiaram a beleza das cantorias sertanesas de Elomar, Xangai e Vital Farias. Apesar de jovem, 24 anos, tive a oportunidade de crescer apaixonado pelas cantigas do Maestro João Omar e pela beleza de seu discurso regional. Infelizmente, uma parte do país que o Brasil “desenvolvido” ignora, não reconhece.
Espero que viabilizem outros meios para que essa mensagem regional continue chegando a todos os apreciadores da boa música brasileira.