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13/01/2009 - 17:30

Sobre crônicas poéticas

Do Blog Fênix em Verso e Prosa

Por Renata

e sobre a insônia, o dia inteiro

13, Janeiro, 2009 por Fênix

insônia. eu deveria trabalhar. eu deveria escrever, eu deveria fazer uma mágica, um feitiço, macumba – “simpatia do amor, pague só depois do resultado” – para ver se você volta. mas nem sobre a rejeição eu sei escrever e minhas tentativas desajeitadas são patéticas porque se esbarram na mediocridade que, agora em rasgo de sinceridade insone, eu ouso admitir. admito agora, enquanto o silêncio é perturbado por rugido de carro, alguém que foge de si mesmo em sua própria angústia noturna. minha é esta insônia de excessos, é assim como naquele dia em que eu resolvi pintar um quadro com tinta a óleo e exagerei tanto, misturei tanto, errei tanto – no meu afã de querer tudo, de pintar como quem engole o mundo, de querer impressionar você a qualquer custo, de querer disfarçar meus dedos medíocres, estes que nem escrevem nem desenham, só se contorcem – errei tanto que ficou aquele borrão pardo, indefinido, indecifrável. um auto-retrato involuntário. e é assim minha insônia. nem durmo nem faço nada. eu penso em você. eu penso em você o tempo todo, noite-e-dia, dia-e-noite, este velho hábito que custa a morrer; este mau hábito que eu não deixo morrer para não ficar sozinha demais. para que meu silêncio seja povoado pela falta, pelo eterno ansiar; para preencher de angústia as lacunas estéreis da minha vida medíocre. ontem, fui à manicure e escolhi pintar de vermelho as unhas dos pés. só porque você não gosta – só porque você não gostava – então, pintei de vermelho vivo, que é um grito de rebeldia, assim como se eu gritasse ao mundo que eu não me importo mais com você. um grito furioso e púrpura que é para ver se me convenço. deitada, na minha insônia, liguei o televisor e vi meus pés me encarando como olhos rubros na escuridão azulada da programação de madrugada. coloquei meia: vendei os olhos da escuridão. ah se eu pudesse também vendar os meus!, estes que me assombram dia-e-noite-noite-e-dia… sei que não faço sentido: pouco se me dá. vou endereçar ao seu email este lamento sobre o nada, mesmo sabendo que você não vai entender que ele é todo perturbação e saudade. e abandono.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:

27 comentários para “Sobre crônicas poéticas”

  1. Franco Farias disse:

    Belo texto.

    Mas poderia proporcionar um prazer maior de leitura não fosse a algazarra do auditório com os gritos “de uma beleza que nos deixa insones!”, “que força! Que virulência! Que espasmo!” ” Ó, my God!”, “Uma concretude acachapante! (?)”

    Povo mais exclamativo!

  2. anarquista disse:

    Julieta :

    Uma moça perguntou pro seu pai:

    Duas pessoas me pediram em casamento.Sou muita amada por ambos.Com quem eu caso?

    O pai respondeu:

    Tanto faz.Vc vai se arrepender mesmo.

    Eu vou fazer a mesma pergunta pra minha mãe.Porque estou na mesma situação.E se a resposta for a mesma,responderei:

    É que a sra. não conhece a Julieta…

    Ai…ai…ai…

  3. o blogueiro,que em certa época postava uns poemas seus,desafiadores pra muitos,inclusive pra mim,poderia retomar o costume.com poeta não se brinca,gosto de dizer.arrebentamos a veja,o dd,o gm e quem mais for,se
    mais for necessário.pode ser entendido como convite ou convocação.o
    blogueiro se ausentou da poesia ou a escondeu muito bem.
    romério

  4. Wesley Silva disse:

    Na minha simplória visão, a poesia sentimentalista vem do fundo d´alma, a propriedade com que ela flui origina-se do fervilhar das emoções que são trazidas à tona, como se fosse a transpiração num dia de intenso calor.
    Parabéns, Renata.

  5. luciano gonçalves coelho disse:

    Poesia não se explica, se sente. E mesmo eivada de ficção a gente finge
    que é tudo expressão animica, como alguem falou “incorporação mediúnica”, de um rescaldo de um incendio, da fala que não se cala e vai
    cantando uma letra sem música. O que importa é que a gente gosta, delira e sente falta de mais arroubo de um coração sensivel pronto pra disparar mísseis pra todo lado. Beijos Renata, espero outros…

  6. luciano gonçalves coelho disse:

    Desculpe Nassif, não sabia que é proibido postar mais de um vez. É que ou outro “poeta’ fez citações ao que escrevi sobre o que escrevi sobre
    o texto da Renata. Afina o anarquista posta quantos comentário quer. De qualque forma me penitencio pela falta.

    Não entendi. O que não se deve é postar mais de uma vez a mesma mensagem.

  7. adauto disse:

    Aqui diz para deixar uma comentário….eu deixei um ontem, não publicado.

    Não mudará nada nem deixarei de dormir, mas será que ofendi alguém..?

    Foi apenas o que eu vi…………………..

    sayonara……

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