De Varsóvia a Gaza
Do Valor Econômico
Do Gueto de Varsóvia ao Gueto de Gaza
Maria Inês Nassif
08/01/2009
O Gueto de Varsóvia foi o maior enclave judaico estabelecido pelos alemães na Polônia, durante a ocupação nazista. Chegou a atingir a marca de 380 mil habitantes, ou 30% da população de Varsóvia, e ocupava 2,4% de seu território, separado da cidade por muros. A partir da construção do muro, em novembro de 1940, e pelo ano e meio seguinte, os judeus poloneses das cidades e vilas menores eram levados para lá – depósito dos judeus que iriam para o campo de extermínio de Treblinka e que podiam ter a sorte de escapar das câmaras de gás se morressem antes de tifo ou fome, ou simplesmente fossem atingidos nas ruas, como animais, caça dos soldados nazistas. Lá dentro, três grupos, no entanto, resistiram com pistolas, bombas caseiras e coquetéis molotov – um deles até com umas armas um pouco melhores, fornecidas pela resistência polonesa que as contrabandeava para dentro dos muros – dizem que até por túneis. Depois de seis meses de resistência, os judeus poloneses do gueto foram transferidos maciçamente para Treblinka ou simplesmente assassinados em Varsóvia.
Ao longo da história, vários guetos confinaram judeus. Existiram guetos judaicos na Alemanha e na Península Ibérica no Século XIII; o Gueto de Veneza é do Século XIV. Dependendo da circunstância histórica, eram mais ricos, ou mais pobres, mas todos eles traziam o sentido metafórico do isolamento, da exclusão, do preconceito.
A primeira vez que ouvi a expressão “Gueto de Gaza” foi na minha casa. É uma expressão forte – e invertida. Nesse caso, a população judaica está fora do gueto, não dentro. Quem me chamou atenção para essa terrível inversão foi o meu companheiro, descendente de judeus poloneses.
De nossa vida em comum, ostentamos, com orgulho, filhos brasileiros de descendência 50% árabe, 50% judaica, e sempre cultivamos a convicção de que seríamos – com outros tantos casais que fizeram a mesma “mistura” – os precursores de um mundo moderno, de paz, laico, em que a religião fosse apenas uma decisão de foro íntimo que não agredisse vizinhos ou causasse guerras. Tenho acompanhado a angústia de meu companheiro nos últimos dias, no seu frenético procurar por imagens apertando botões da televisão a cabo, doendo por dentro pelas mortes de crianças palestinas, mulheres palestinas, centenas de anônimos palestinos, e tentando entender o que aconteceu com o inconsciente coletivo judaico daquele Israel do qual se sentiu parte quando, aos 18 anos, foi trabalhar num kibutz. É o Estado militarizado, explica: uma cultura entranhada da morte, uma dessensibilização para com a vida do outro, uma radicalização. Como deve ser difícil aos próprios israelenses que não concordam com a guerra entender isso: como a vida do outro pode ter se tornado acessória, como a humanidade pode ter se desumanizado. Lembro Primo Levi, nos seus pequenos e pesados livros em que tentou entender, de sua saída de um campo de concentração até a sua morte, a desumanização imposta pela guerra. “E isso é um homem?”, é o título de seu melhor livro, em que descreve um cru percurso de volta ao lar, depois da guerra, quando a sobrevivência tornou cada um daqueles que erravam pelas estradas animais. Isso não é um homem, diria, se aquela pesada literatura necessitasse de uma resposta.
Li no site da “Carta Maior” artigo de Shulamit Aloni, que foi ministra do governo Itzhak Rabin, publicado originalmente no “Israel News”, que é um chute no estômago. Escreve ela, em “Sangue em nossas mãos”: ” O Hamas exigiu a libertação de prisioneiros, e nós argumentamos que muitos deles têm sangue em suas mãos; nós somos muito mais capazes do que eles, mesmo que essa capacidade chegue a matar e leve a assassinatos. Nas primeiras 24 horas da operação matamos mais de 300 pessoas, inclusive duas meninas inocentes, para não mencionar as vítimas que matamos entre essa operação e outras anteriores. Por que nosso tão bem organizado exército, com sua excelente capacidade de inteligência, recusou a libertação de prisioneiros palestinos, quando poderíamos mandá-los de volta para casa e mais tarde assassiná-los no calor da batalha? Afinal de contas, já estamos sendo usados para assassinatos por ar, mar, em abrigos ou em bairros populosos. Assassinato – isto é, matar e assassinar. Além do mais, as pessoas que jogam nossas bombas não ficam manchadas com sangue. Nosso sistema é simples: não há necessidade de evidência para um julgamento. Uma vez que decidamos que alguém é alvo, jogamos uma bomba e ele se foi. Recentemente, o exército adquiriu permissão para matar civis que estejam próximos de alguém escolhido com alvo; isso foi publicado na imprensa há umas duas semanas, próximo à foto de uma sorridente comandante do exército”.
Li também na “Carta Maior” um artigo do secretário-geral da Iniciativa Nacional Palestina, Mustapha Barghouthi, em que a noção de gueto está lá também, cravado na pele: “Quem é mais anti-semita, aqueles que viciaram Israel ano após ano durante sessenta anos, até desfigurá-lo ao ponto de fazê-lo o país mais perigoso do mundo para os judeus, ou aqueles que os advertem de que o Muro marca um gueto de dois lados? É anti-semita reler Hannah Arendt hoje, em que nós, os palestinos, somos a escória da terra; é anti-semita voltar a iluminar essas páginas sobre o poder e a violência?”
A distância da guerra nos dá uma chance de não nos desumanizarmos. Mas a indiferença também desumaniza.
Errei, de novo
Estou incorrendo num péssimo hábito de cometer erros com nomes de autoridades. Já fiz isso antes, tornei a fazê-lo. Ministro Gilmar Mendes, desculpe-me. Tratei-o por “Gilberto Mendes” na primeira linha de minha coluna de 18 de dezembro. Embora eu tenha corretamente me referido ao senhor como Gilmar Mendes no restante da coluna, ainda assim considero que o erro na primeira linha é quase imperdoável. Mas espero que, mesmo assim, usando de sua generosidade, o senhor me perdoe.
Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras
Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: Gaza, gueto, Israel

Desde que Israel iniciou a construção de muros para cercar os Palestinos, e depois, com a retirada dos colonos Judeus de Gaza, tudo me pareceu muito claro. Era o ensaio para que algo abominável se repetisse, numa espécie de revanche – “agora é a nossa vez, vamos à forra”. Imaginei que os muros não deteriam, como não deteve, os ataques dos “terroristas”, o muro é a barreira que separa, aprisiona os “indesejáveis” vizinhos. A retirada dos colonos Judeus só “assanhou” quem achava que todos os territórios seriam devolvidos, como quem um dia achou que finalmente tomaria um delicioso e quente banho, quando o que saiu daqueles chuveiros foi um gás mortal…..como ontem, hoje a história mostra seus “dentes”, se repete novamente carregada de desumanidade, covardia, sinismo e hipocrisia. Onde isso vai terminar? Quem sabe num território “doado” (mais uma vez) pela ONU, mas agora para os Palestinos criarem finalmente seu “Estado”, expulsando, quem sabe um outro povo de suas terras………Será que termina?
A minha solidariedade ao povo palestino, mas gostaria de dizer que nós aqui no Brasil também temos os nossos guetos, só que aqui eles são auto-impostos. Aqui eles se chamam “condomínios fechados”. As pessoas que vivem neles sofrem da ilusão de que vivendo nesses lugares separados da maioria pobre do pais estariam protegidas da violência. Doce ilusão que nos ataques aos condomínios em SP nesse final de semana mais uma vez se mostrou não mais que uma mera ilusão.
israel (em minusculas por desprezo mesmo) há muitas décadas que tem governos neofascistas. Sempre apoiou os usa (torturelando) no apartheid da África do Sul, forneceu instrutores, “conselheiros” e toruradores para as guerras civis na América Central, introduziu o terrorismo no Oriente Médio, ganhou bombas nucleares (quase ao mesmo tempo que a África do Sul nazista) de presente dos reagan e nixosn da morte. Hellrael é um país neonazista desde antes da 2a. guerra, quando foi fundado um partido nazifascista e judeu na Palestina, combatido pelos judeus de verdade.
Albert Einstein Condenou os Israelitas Nazistas*
Carta ao New York Times:
Visita de Menachem Begin do Partido da Nova Palestina e Objetivos do Discutido Movimento Político
Judeus Proeminentes, Dezembro, 1948.
Segue-se uma cópia em sua inteireza de uma importante carta ao New York Times de intelectuais judeus, incluindo Albert Einstein, Hannah Arendt e Sidney Hook, que apareceu a 4 de dezembro de 1948.
Aos Editores do New York Times:
Entre os fenômenos políticos perturbadores de nossos tempos está a emergência no recém criado Estado de Israel do “Partido da Liberdade” (Tenuat Haherut), um partido político estreitamente assemelhado em sua organização, métodos, filosofia política e apelo social aos partidos Nazista e Fascista. Ele foi formado a partir de membros e seguidores do antigo Irgun Zvai Leumi, uma organização terrorista, facção direitista e organização chauvinista na Palestina.
A visita atual de Menachem Begin, líder deste partido, aos Estados Unidos é, obviamente, calculada no sentido de dar a impressão de apoio americano ao seu partido, por ocasião do advento das eleições israelitas e para cimentar laços políticos com os elementos Sionistas conservadores dos Estados Unidos. Vários americanos de reputação nacional têm emprestado seu nome para dar boas vindas a sua visita. É inconcebível que aqueles que se opõem ao fascismo no mundo, se corretamente informados sobre a história política e perspectivas de Mr. Begin, possam acrescentar seus nomes e apoio ao movimento que ele representa.
Embora esse irreparável perigo ocorra pela forma de contribuições financeiras, manifestações públicas a favor de Begin ou pela criação na Palestina da impressão de que um grande segmento da América apóia os elementos fascistas em Israel, o público americano deve ser informado sobre a historia e os objetivos de Mr. Begin e do seu movimento.
As promessas públicas do Partido de Begin não correspondem, quaisquer que sejam, ao seu caráter real. Hoje falam de liberdade, democracia e antiimperialismo, enquanto até recentemente pregavam abertamente a doutrina do Estado Fascista. É em suas ações que o partido terrorista denuncia o seu caráter real; de suas ações do passado podemos julgar o que dele pode ser esperado fazer no futuro.
Ataque sobre a Vila Árabe
Um exemplo chocante foi seu comportamento na vila árabe de Deir Yassin. Esta vila, distante das principais estradas e circundada por terras judaicas, não tomou nenhuma parte na guerra e chegou a contrariar o lado árabe que queria usar a vila como sua base. Em 9 de abril (The New York Times) bandos terroristas atacaram esta vila pacifista, que não era um objetivo militar na luta, matando a maioria de seus habitantes – 240 homens, mulheres e crianças – e mantiveram alguns deles vivos para desfilarem como cativos através das ruas de Jerusalém. A maior parte da comunidade judaica ficou horrorizada com aquela ação e a Agencia Judaica mandou um telegrama de pesar ao Rei Abdulah da Trans-Jordânia. Contudo, os terroristas, longe de se envergonharem de seu ato, ficaram orgulhosos com aquele massacre, divulgado amplamente e convidaram os correspondentes estrangeiros no país para testemunharem os cadáveres amontoados e a devastação geral em Deir Yassin.
O acontecimento de Deir Yassin exemplifica o caráter e as ações do Partido da Liberdade.
No interior da comunidade judaica eles têm propugnado uma mistura de ultra nacionalismo, misticismo religioso e superioridade racial. Como outros partidos fascistas eles têm sido usados para esmagar as greves e têm-se dedicado à destruição de sindicatos livres. Em seu lugar eles têm proposto sindicatos corporativistas no modelo fascista italiano. Durante os últimos anos da esporádica violência antibritânica, os grupos IZL e Stern inauguraram um reino de terror na comunidade Judaica Palestina. Professores foram espancados por se pronunciarem contra eles, adultos foram alvejados por não deixarem suas crianças juntar-se a eles. Por métodos de gangsterismo, açoites, quebra-vidraças e roubos em larga escala, os terroristas intimidavam a população e exigia-lhe pesado tributo. Os membros do Partido da Liberdade não têm nenhuma participação nos logros construtivos na Palestina. Eles não reivindicam nenhuma terra, nenhuma construção de habitações e apenas depreciam a atividade defensiva judaica. Seus esforços de imigração muito propagandeado foram diminutos e devotados principalmente para atraírem compatriotas fascistas.
Discrepâncias Observadas
As discrepâncias entre os bravos clamores que estão sendo feitos agora por Begin e seu partido e a história de sua performance no passado da Palestina não portam a marca de um partido qualquer. Esta é o selo de um Partido fascista, pelo qual o terrorismo e o embuste são os meios e o “Estado Regente” é o objetivo.
À luz das considerações anteriores, é imperativo que a verdade sobre Mr. Begin e seu movimento seja tornado conhecido neste país. É de toda maneira trágico que a liderança maior do Sionismo Americano tenha se recusado a participar da campanha contra os esforços de Begin, ou mesmo de expor aos seus constituintes os perigos para Israel do apoio a Begin. Os abaixo assinados, portanto, através deste meio de publicidade apresentam alguns fatos salientes que dizem respeito a Begin e seu Partido; e recomendam a todos os interessados a não apoiarem esta última manifestação do fascismo.
New York, 2 de dezembro de 1948
(Assinaturas)
Isidore Abramowitz, Hannah Arendt, Abraham Brick, Rabbi Jessurun Cardozo, Albert Eistein, Herman Eisen, M.D., Hayim Fineman, M. Gallen, M.D., HH. Harris, Zelig S. Harris, Sidney Hook, Fred Karush, Bruria Kaufman, Irma L. Lindheim, Nachman Maisel, Seymour Melmam, Myer D. Mendelson, M.D., Harry M. Oslinsky, Samuel Pitlick, Friitz Rohrlich, Louis P. Rocker, Ruth Sagis, Itzhak Sankowsky, I.J. Shoenberg, Samuel Shuman, M. Singer, Irma Wolfe, Stefan Wolfe.
“(Do hebr. guet, «id.», pelo it. ghetto, «id.»)”
Eh, Paulo, essa eh so a segunda vez que o hebreu doa a palavra “ghetto” pro mundo.
Olá Nassif. Creio que não serve como comentário ao post, mas como pergunta a você, que é muito mais bem informado que eu.
O Altamiro comentou sobre a bomba de Hiroshima, ainda que metaforicamente. Pois bem, este é um assunto que nunca consegui entender, apesar da minha descendência nipônica. O Japão já estava arrasado e, mesmo assim, jogaram 2 bombas apenas para demonstrar a sua incrível força ao oponente. O que ocorreu depois foram ações do Plano Marshall que permitiram a reconstrução do país e a condução a segunda potência econômica. O que sempre me deixou intrigado é por que não houve resistência e formação de grupos terroristas para “vingar” as bombas atomicas. Estamos falando de um país que, na época, tinha os temíveis kamikazes. Mal comparando, não é muito diferente dos homens-bomba atuais. Ambos não temem a morte. Pois bem LN, qual seria o equivalente ao Plano Marshall neste século 21? Para você as situações são equivalentes? Cabe algo parecido na Palestina? Existem condições para isto? Abraços.
Você pode ajudar a libertar os Shministim (colegiais, em hebraico), que são adolescentes entre 16 e 19 anos presos em Israel, por terem se recusado a servir o exército. Há uma campanha pela internet para lotar a caixa postal do ministério da defesa israelense com a mensagem de uma carta aberta que circula desde 18 de dezembro.
Cada vez que alguém assina online, eles repassam um postal paro ministério. No mesmo site tem um vídeo (em inglês), com o apelo dos jovens, que também pode ser assistido no youtube.
Assinar essa carta é uma forma de atuar contra essa guerra sangrenta no Oriente Médio.
http://december18th.org/
http://www.youtube.com/watch?v=250IfMhMPf0
Congratulacoes Maria Ines por mais um claro posicionamento a favor da verdade, da dignidade humana, da etica e da solidariedade com a verdadeira Causa do Povo Judeu; e nao com aqueles que vem destruindo um patrimonio moral e espiritual extraodinario em nome de uma idolatria, o sionismo.
Divido minhas angústias com a Maria Inês. Sou descendente de libaneses e casado com uma judia descendente de poloneses, que perdeu praticamente toda família em campos de concentração. Não consigo enxergar os judeus como inimigos e não sei como Israel enxerga o Líbano como inimigo. Minha família sempre teve bom convívo não só com judeus como também com pessoas de outras religiões. Acho que nesta guerra não há o que entender, só lamentar e chorar. Nada justifica a morte de crianças, palestinas ou judias. Nada justifica explodir um ônibus cheio de crianças judias ou um hospital com crianças palestinas. Nada justifica o infanticídio e ao ouvir qualquer comentário justificando qualquer uma dessas atitudes imediatamente corto a pessoa com isso: nada justifica a morte de crianças. Acredito se isso fosse repetido com um “mantra” esta guerra acabaria no primeiro dia. Aliás, todas as agressões de parte a parte nunca teriam acontecido.
Estou perplexo e, como a maioria dos brasileiros confuso, com as notícias vinculadas na grande impresa escrita e televisiva.
Além de não explicar os motivos da guerra, nos confudem com as versões nada parciais sobre o conflito, sempre do ponto de vista americano e, por tabela, israelense.
Acredito que somos também vítimas dessa guerra, de informações. Na medida em que tentam nos impor uma visão do conflito.
Ninguém explica que o Estado de Israel foi criado, depois da 2ª Guerra Mundial, onde era a Palestina. E que os palestinos e árabes foram explusos da região. Apenas a versão atual de que é terrotista todo aquele que se insurge contra os desejos do norte-amricanos.
Triste, também, é o destino do povo judeu. Por tantas vezes na história foi excluído e odiados, escondendo-se para não morrer. E hoje dentro de sua própria casa, os judeus construíram o mesmo destino para si próprios.
Parabéns e muito obrigado, Saladino, pelas informações extremamente importantes e escondidas pela mídia.
Ao Nelson, uma informação: tem um documentário, acho que feito pelo Discovery ou BBC (Foi apresentado pelo GNT há uns 8 anos) que se chama “A Decisão de Jogar a Bomba”. Mostra como o Japão tinha enviado o sobrinho do imperador Hiroito para negociar a rendição antes das bombas, mas os EUA protelaram as resposta até jogar a bomba. No documentário um funcionário (militar) graduado do gov. dos EUA lutou para não jogarem a bomba, principalmente a segunda sobre Nagasaki. Pelo documentário, os EUA jogaram as duas bombas para intimidar a URSS.
É da época pré 11/set, quando os canais Discovery e BBC ainda apresentavam programas que questionavam os EUA. Depois do 11/set foram banidos e até refeitos com ótica pró-EUA, como o da derrubada do Avião da Korean Airlines (vôo KAL-007) pela URSS em 1983 (o 1º documentário mostrava toda a manipulação do episódio pelo gov. americano para a mídia e o segundo programa desmente o primeiro).
Pois é, na escola eu sempre aprendi que o Japão provocou aos ataques atômicos por não aceitar a rendição. E na época da derrubada do KAL-007, toda a mídia acusou a URSS. Quem estará com a verdade?
O problema maior, hoje, é que após o 11/set a mídia deixou de questionar os governos de extrema direita dos EUA, a submissão incondicional do gov. inglês ao americano e a extrema direita israelense. Esse é o grande mal atual da mídia: Não questionar as versões dos EUA e israel.
Por fim, num artigo da Caio Blinder aqui no IG ele coloca ser inadmissível israel aceitar de volta os 300 mil refugiados palestinos. Inadmissível por quê? Por racismo?
Maria Inês.
Segue abaixo o que postei no blog do Paulo Henrique Amorim sobre o mesmo assunto, considero que minhas conclusões (tem uma certa dose de ironia) certamente se somará as suas conclusões.
Blog “Israel oprime os palestinos?’
“Israel já deu mostras ao mundo que não tem medo de ninguém, nem dos americanos. Eles vão até o fim neste empreendimento pois aprenderam na vida que quem é fraco morre. Eles estão aplicando o que foi aplicado a eles, sem emoções e ternuras. É parte da cultura deles, sabem que vão viver 100, 200 anos de guerras de conquistas e hoje são fortes e vão fazer uso disso. Sabem que os americanos e europeus são venais e vão explorar isso, via seus lobbies políticos e financeiros. Acreditei que eles poderiam se unir aos palestinos e outros povos árabes e fazerem um estado multiracial como o Líbano, onde as culturas seriam respeitadas e a religião não seria parte do estado. Ledo engano meu, querem manter o status quo religioso e oprimem os outros povos. É por isso que cresce entre os árabes pobres o fundamentalismo religioso, terreno que o Hamas prolifera (não podemos deixar de citar que a corrupção que assola a Autoridade Palestina e que foi tomado a OLP também ajudaram). Hoje, Israel sabe que está em um beco sem saída, ou mantém este tipo de política ou vai desaparecer, é um caminho sem volta que escolheram no início da construção do país deles. A cultura deles é de guerra e fazem de tudo para manté-la viva nas mentes e lares, sem se preocupar com efeitos colaterais. Produzem suas próprias armas, mais de 50 ogivas nucleares estão estocadas para qualquer “emergência”, são imunes a bloqueios, críticas e outras ações de retórica. O que eles não tem, eles compram e pagam o bom preço. São organizados e unidos (ao contrário dos árabes). Este fatores fazem deles superiores ao seus adversários, nos 60 anos de história de existência do estado de Israel já demostraram que são invencíveis e que tem dinheiro para comprar tudo que querem. O povo israelense apoia claramente esta política do governo, pois acreditam que só assim é que vão manter seu padrão de vida. Se pudessem, pagavam para transferir todos os palestinos para outras terras. Para acabar com as matanças e massacres, os árabes ricos deveriam entrar em negociação com o governo de Israel a fim de possibilitarem uma grande ação de “limpeza etnica da região”, oferecendo asilo e boas condições de vida para os palestinos que desejarem emigrar para os países árabes ricos. Certamente iria reduzir a pressão da panela quente que é o Oriente Médio. Israel não vai ceder mais um milimetro sequer de terra, os palestinos vão ter que conviver com 8% de suas terras somente, sempre sob forte ação militar e todo tipo de humilhação. Não há saída, pois Israel não vai querer uma solução na qual tenha que devolver o que roubo de terras dos palestinos, sem solução. Game over, vamos ficar nesta ladainha, sem efeitos práticos.”
As palavras da Shulamit Aloni, que foi ministra do governo Itzhak Rabin só ratificam o escrito acima. A comprovação da aprovação quase unânime da opinião pública israelense sobre a ofensiva reforça a minha tese: Eles querem exterminar os palestinos. Se ninguém tem força para impedir, que ao mínimo deixe ocorrer uma “limpeza étnica” consentida, paga-se pela terra e pronto. Israel tem dinheiro, ele controla boa parte da finanças do mundo e levantam dinheiro para isso rapidamente. Algum país árabe ríco deixa a mesquinhez de lado e doe terras para assentar os palestinos expulsos e que eles vão viver longe de sua terra, lugares sagrados e pontos turísticos, etc. Ninguém no mundo liga mesmo para eles, né. Ao mínimo deixam a hipocrisia de lado, as estorinhas de perigosos mísseis do Hamas para boi dormir e revela-se a verdadeira face racista que é o estado religioso de Israel. Quanto o mundo tiver força para domar esta “fera’ que é o estado de Israel, poderemos falar em crimes de guerra, tribunal de Haia e outras coisitas mais do direito internacional. Agora é só contar os mortos como a cínica ex-ministra diz.
Discordo totalmente dos comentários de Sérgio Lamarca. Inicialmente, Israel ocupa atualmente um território superior a 10 vezes o que tinha quando foi criado. Qual foi a intenção de criar o estado de Israel? Devolver a um povo a sua terra? Qual terra? A que os palestinos ocupavam há tantos anos que historicamente já era a sua terra? E vamos comparar a paz no Oriente Médio, antes e depois da criação de Israel. Parece sim, que o estado de Israel foi criado para ajudar a manter os países árabes desunidos, e assim controlar a produção de petróleo. E agora? Por que essa pressa em invadir Gaza? Será que não queriam um fato consumado antes da mudança da presidência dos EUA? Para que algum recuo, se necessário, fosse para a posição ocupada logo antes, ao invés de ter que ceder mais coisas?
Mas não saberemos, porque as agências internacionais de notícias, as grandes produtoras de filmes e uma enorme parcela da mídia internacional são controladas por judeus. Não judeus como alguns que tive a felicidade de conhecer ao longo da minha vida, mas sim judeus comprometidos com essa situação, que bancam politica e economicamente a guerra comercial e física. Nada tem a ver com religião, como a ilustre Maria Inês Nassif colocou. Mas sim com economia, dinheiro, porque essa é a razão essencial de todas as guerras que são defragladas no mundo.
Sugiro a leitura de http://www.culturabrasil.org/israel-2009.htm
Dei uma informação que não foi exata. O território ocupado atualmente por Israel é superior a 10 vezes o que os judeus tinham na região quando da criação do estado de Israel.