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13/01/2009 - 16:50

A venda do Banco Votorantim

Atualizado às 16:50

Coluna Econômica – 13/01/2008

Ontem o Banco do Brasil acertou a compra de 50% do Banco Votorantim e de 49,99% do capital votante. O valor pago foi de R$ 4,2 bilhões. Aprovada a operação pelo Banco Central, o BB deverá desembolsar R$ 3,75 bilhões a vista. Outros R$ 450 milhões serão pagos após seis meses da liberação do negócio. Ao final da operação, o patrimônio líquido do Votorantim será de R$ 6,87 bilhões.

***

Segundo levantou o repórter Klinger Portella, a idéia do BB ficar com 49.99% do controle visa permitir ao banco manter a estrutura privada, que lhe garante maior agilidade decisória e administrativa.

De acordo com estimativas do Banco do Brasil, a operação trará um lucro adicional de R$ 0,03 por ação, saltando de R$ 2,76 para R$ 2,79 o lucro por ação do banco, uma expansão de 1,2%. Os dados não consideram eventuais sinergias e são referentes ao balanço das duas instituições nos 12 meses encerrados em setembro do ano passado.

Para Aldo Luiz Mendes, vice-presidente de Finanças do Banco do Brasil, a parceria consolida e amplia a participação do banco no mercado. “Por meio da BV Financeira, passaremos a ter maior competitividade, com destaque para o segmento de veículos”. Com a operação, Banco do Brasil e Votorantim manterão o quarto lugar no mercado de financiamento de veículos – posição já ocupada pelo Votorantim -, mas a participação no mercado saltará de 12% para 16%.

***

Apesar de, para alguns, a operação soar como salva-banco, na verdade foi uma operação salva-grupo. A rapidez com que a Votorantim se desfez do banco mostra que foi muito mais atingida pelas operações especulativas com derivativos do que se supunha inicialmente.

O próprio banco deve ter esqueletos no armário. Tanto que o preço final foi de R$ 8 bilhões – contra R$ 10 bi da avaliação inicial. Significou um múltiplo de 1,3 vezes o patrimônio do banco – contra, por exemplo, um de 2,4 na aquisição da NossaCaixa.

Em parte, essa redução se deveu ao desaquecimento do mercado de veículos – já que o financiamento tinha um bom peso nos resultados do banco.

“No caso da Votorantim, o mercado de veículos, que é o carro-chefe, teve um desaquecimento acentuado. Basta ver os dados da Anfavea, que mostraram redução de produção gigantesca. Nos sindicatos, há expectativa de demissões no setor. Nessa operação, há um múltiplo que está esperando retração da atividade, com maior dificuldade de precificação”, explica Luiz Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Ratings.

Mas devem ter sido encontrados alguns esqueletos no banco.

***

A tendência do Banco Votorantim é passar totalmente para o controle do BB – deve haver cláusula no contrato prevendo. No caso da NossaCaixa, era um esqueleto sem produtos na prateleira. Como o BB tem um bom leque de produtos, haverá uma otimização da rede.

A Votorantim deverá completar sua reestruturação vendendo sua participação na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), uma empresa modelo. Tudo isso devido a uma única lição quie os herdeiros do grupo não aprenderam com os consolidadores: dinheiro fácil não é boa receita de negócios.

Por Igor Cornelsen

Caro Luis

Aparentemente você achou cara a compra da Nossa Caixa, por ser um banco sem produtos na prateleira, comparado ao Votorantim, especializado no financiamento de veículos usados.

Eu achei o contrário, a Nossa Caixa tinha bons clientes cativos, os funcionários públicos, e uma rede de agências respeitável. Para o futuro do Brasil é sempre bom acabar com mais um banco estadual.

Achei o Votorantim vazio, sem agências e sem clientes cativos.

Quem quiser financiar carteira de carro usado não precisa comprar banco, basta contratar gerentes com experiência no ramo e montar o setor, o custo é bem mais baixo do que o BB pagou.

Acho que o governo e o BB devem uma boa explicação pela compra. O BB porque tem acionistas e precisa justificar o preço que pagou pelo Votorantin,e o governo porque comprometeu o capital de seu principal banco numa aquisição que parece muito mais uma operação socorro feita próxima da eleição de 2010.

Eu pessoalmente estou esperando ser convencido que a compra do Votorantim é um bom negócio,

A compra da Nossa Caixa, e de todos os bancos estaduais, parece vantajosa, pelo menos evita que futuros governadores não venham a dizer, quebrei o banco estadual mas elegi o meu sucessor!

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Crise, Economia Tags: , ,

38 comentários para “A venda do Banco Votorantim”

  1. nira disse:

    Ai, coitadinho do Antonio Ermírio, deve estar tão constrangido…

  2. Ivan Moraes disse:

    “Não sei qual seria o motivo para um governo, seja qual for, criar intencionalmente um “apagão””: nao o sugeri! Nao eh o **governo** fazendo isso intencionalmente, eh as COMPANIAS DE ELETRICIDADE fazendo o intencionalmente pra tirrarem dinheiro do governo, portanto da populacao.

    Procure “Enron” no google pra conferir: eles fizeram a mesma coisa na California, legalmente, porque podiam. Nao havia governo, havia sistema economico/financeiro de sabotagem da populacao.

  3. Flávio Gusmão Sá disse:

    “Pelo menos as privatizações de FHC eram feitas com concorrência aberta a todos, pagando o valor de mercado. Se valesse mais alguém teria pago.”
    Eu acredito em Papai Noel e em Saci Pererê.

  4. sergio g disse:

    O Grupo Votorantim diversificou investimentos a partir do final do 80.
    Criou um banco cujo grande cliente era o próprio grupo.
    Na privatização ficou com parte da CPFL. Embora já tivesse empresa de energia no sudeste paulista.
    Investiu em biotecnologia visando a produção de laranja e cana.
    Estava tudo indo bem até que…
    Apostou num tal de derivativo e perdeu. Tem que refluir para a posição original.
    O rombo deve ter sido bem grande pois a CPFL era o embrião duma grande empresa de energia. E está à venda.
    A biotecnologia já foi e parte do banco tb.
    O Antônio deve estar inconformado.

    Baita besteira!

  5. anarquista disse:

    Não é caso de quem levou vantagem.

    A venda do banco Votorantim é um péssimo sinal.

    Numa raciocínio rápido:

    Um dos homens mais ricos do país,vendendo banco?

    Hum…….

    é grave.Muito grave.

    é essa questão a ser levantada.E não quem saiu lucrando com isso.

    Como vcs são míopes….e tarados ideológicos…

  6. 49,9%? E com esqueletos? O controle na mão dos caras? É, meio complicado de explicar…
    Será que o investidor privado concordaria em assumir esse risco por mais R$ 0,03 por ação?
    Ops! Ninguém precisa consultar o investidor privado. Afinal, o Governo tem 51% do BB. E o controle do banco.
    Quer dizer, o Votorantim pode fazer a bandalheira que quiser, sem consultar o minoritário. Ou dando-lhe mais – a expectativa – 3 centavos por ação…

    Eu ou o mundo. Alguém não está entendendo direito!

    Existe um acordo de acionistas permitindo o compartilhamento de gestão.

  7. Cris disse:

    Essa compra é, evidentemente, um sinal dos tempos. A repetição de um erro paulista que vem das primeiras décadas do século vinte: confiar cegamente na solidez inquebrantável do sistema financeiro mundial e depositar seu destino nas mãos lascivas dos homens bem vestidos que dizem estar sintonizados com tudo o que se passa em Wall Street. Quando a bolsa quebrou em 29, ficaram sem chão para porem os pés. O acordo de Taubaté garantiria que o Governo Brasileiro(que lhes pertencia) comprasse seu café, para garantir-lhes os lucros, mesmo sem ter o que fazer com ele. Vargas golpeou esta conjuntura atrasada e espalhou a governança por todo o Brasil. Mas Vargas continuou fazendo muito por São Paulo. Como Lula, agora (com certeza a última palavra da compra foi sua) através do Banco do Brasil, que livra os últimos resquícios tradicionais do empresariado familiar paulista de um vexame, assume um bom negécio que daqui por diante será gerido pelo Banco do Brasil, não há a menor dúvida, e dá mais um drible de craque no poderoso time da crise.

  8. Haertel disse:

    Não sei porque mas acho que tudo termina em samba:
    “Nada como um dia após o outro, tenho essa virtude de esperar …”

  9. Paulo Kautscher disse:

    O “Convênio de Taubaté” foi firmado em 1906, portanto, antes da crise de 29.

    Vargas manteve a política de “valorização do café “, ou seja, manteve o poder econômico de São Paulo e debilitou o poder politico.
    Em Fevereiro de 1906, reuniram-se em Taubaté, os governadores dos Estados de São Paulo (Jorge Tibiriçá), Minas Gerais (Francisco Sales) e Rio de Janeiro (Nilo Peçanha).

    Como resultado, assinaram, a 26 desse mês, um convênio que estabelecia as bases de uma política conjunta de valorização do café, condicionado à aprovação pelo presidente da República. (O presidente iria se recusar a assinar o acordo, que foi ratificado, então, pelo seu vice Afonso Pena)

    Celso Furtado, em sua obra Formação Econômica do Brasil, assim resumiu essas medidas:

    * Visando estabelecer um equilíbrio entre a oferta e a procura, o governo interviria no mercado, adquirindo os excedentes dos cafeicultores;
    * O financiamento das aquisições se efetuaria mediante o recurso a capitais obtidos por empréstimos no estrangeiro;
    * A amortização e os juros desses empréstimos seria efetuada mediante um novo imposto cobrado em ouro sobre cada saca de café exportado;
    * Visando solucionar a médio e longo prazo o problema do excesso de produção, os governadores dos estados produtores adotariam medidas visando desencorajar a expansão das lavouras pelos cafeicultores.

    Com isso, os preços do produto eram mantidos artificialmente altos, garantindo-se os lucros dos cafeicultores. Estes, ao invés de diminuirem a produção de café, continuaram produzindo-o em larga escala, obrigando o governo a contrair mais empréstimos para continuar adquirindo esses excedentes. O Estado adquiriu o produto para revenda em momentos mais favoráveis até 1924, ano em que foi criado o Instituto do Café de São Paulo, a partir de quando essa intervenção passou a se dar de forma indireta.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Conv%C3%AAnio_de_Taubat%C3%A9

  10. Marko disse:

    Se o super anarquista, defensor dos fortes e opressores e aqueles q falam em nome do maroto sr. Mercado acharam bom… já viram né rs

    Michael, Villares e Nira… realmente, o mundo dá voltas, qdo se trata dos poderosos d sempre, geralmente d 360º …Abranchescamente – 1 Bailout à Brasileira.

    E d novo o melô do bailout – http://www.youtube.com/watch?v=dnT21hmlT4o

  11. mclane disse:

    Qual a intenção em tornar o BB o maior banco brasileiro (superior à fusão Itaú/Unibanco)? Delírio do governo ou há, realmente, alguma aplicação prática?

  12. Cris disse:

    O convênio de Taubaté foi firmado em 1906, mas seu objetivo era defender os barões do café em momentos de crises. Diante da crise deflagrada em 1929, os barões acharam por bem continuarem no poder, diante das eleições de 1930, para garantirem as benesses do acordo de Taubaté. Com isso, o Partido Republicano Paulista(único partido republicano do mundo que nasceu escravagista)resolveu romper com a política do café com leite, lançando outro candidato paulista à presendência quando seria a vez dos mineiros. Minas, desgostosa, uniu-se à Paraíba e ao Rio Grande do Sul na candidatura de Vargas. Com a vitória paulista por fraude escandalosa, veio o golpe que levou Getulio ao poder. Como se vê, o acordo de Taubaté e a crise estão por trás de tudo. Mas Getúlio não desamparou os barões paulistas e continuou uma política de amparo à cafeicultura. Só que o Norte, o Nordeste, o Centro Oeste e de certo modo até mesmo o Sul, que passaram por completo abandono governamental por toda a República Velha, que só tinha olhos para Minas, Rio e sobretudo São Paulo, com Vargas passaram a contar novamente com a atenção governamental.
    Meus parabéns ao senhor Paulo Kautscher. Não é todo mundo hoje que se interessa pela História.

  13. Reinaldo disse:

    “Enviado por: Michael: Depois de aguentar o Antônio Ermírio falando mal da gestão estatal por anos em sua coluna da Folha acordo com essa notícia. Tem certas coisas que não tem preço! Será que o BB pagou com Mastercard?”

    Michael… essa foi a melhor de todas!!!

  14. josé carlos leão da costa disse:

    Caro Nassif,
    Um PROERzinho? Preço nominal? Preço de mercado?
    José Carlos

  15. Dalmace disse:

    Como sempre, dinheiro público para as mãos de uma pequena familia.
    E o povo comprando carro 1.0 a preço de carro de luxo (incluindo o juros).

  16. Edmilson disse:

    Nassif,
    “Tostines vende mais…”
    Esclarece pra gente, se for possível: pelo que já li, o Banco Votorantim era um dos maiores, senão o maior, no financiamento de veículos. O que ocorreu primeiro: o mercado ficou desaquecido e prejudicou a saúde do banco ou a traulitada que o banco levou com os derivativos o descapitalizou, prejudicou seriamente a concessão dos referidos financiamentos e fez com que o mercado desaquecesse?

  17. Alexandre Weber- Santos/S.P. disse:

    Apesar da censura, espero que este passe, não sou o único a ver coisa errada.
    http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/1/14/cpi-do-votorantim

    CPI do Votorantim
    Panorama Político – Ilimar Franco
    O Globo – 14/01/2009

    A oposição vai começar a colher assinaturas para a criação de uma CPI para investigar a compra de ações do Banco Votorantim pelo Banco do Brasil. O negócio é de R$4,9 bilhões, e o controle do Votorantim se manteve nas mãos do grupo Ermírio de Moraes. Para a oposição, o governo usa dinheiro público para socorrer um banco privado, cujos controladores tiveram prejuízos de R$2,2 bilhões em operações com derivativos.

    “Uma história mal contada”

    A oposição quer ouvir os presidentes do BB, Antonio Lima Neto, do Votorantim, José Ermírio de Moraes Neto, do BC, Henrique Meirelles, e da CVM, Maria Helena Santana. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), e o líder do PPS, Fernando Coruja (SC), articulam a investigação. Petistas também querem transparência. O ex-ministro José Dirceu, em blog de sexta-feira, diz: “A compra não parece aceitável nem republicana porque trata-se de uma história mal contada. Por que nenhum banco privado se interessou pelo Votorantim? Os contribuintes têm o direito de saber o que aconteceu no Votorantim e em operações de derivativos”.

    Prezado, que censura? Sugiro um pouco mais de calma porque não tenho máquina de aprovar comentários em massa.

  18. venceslau disse:

    sera que existe trilhos (trem) proximo a casa do Antonio Ermirio….. olho nele pessoal.

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