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Arquivo de janeiro 13th, 2009

13/01/2009 - 23:09

Trivial de Janis Joplin

Da Comunidade do Blog

Janis Joplin – Summertime (Live Gröna Lund 1969)

* Adicionado por Marcia

Autor: luisnassif - Categoria(s): Fora de Pauta, Pop Tags:
13/01/2009 - 17:30

Sobre crônicas poéticas

Do Blog Fênix em Verso e Prosa

Por Renata

e sobre a insônia, o dia inteiro

13, Janeiro, 2009 por Fênix

insônia. eu deveria trabalhar. eu deveria escrever, eu deveria fazer uma mágica, um feitiço, macumba – “simpatia do amor, pague só depois do resultado” – para ver se você volta. mas nem sobre a rejeição eu sei escrever e minhas tentativas desajeitadas são patéticas porque se esbarram na mediocridade que, agora em rasgo de sinceridade insone, eu ouso admitir. admito agora, enquanto o silêncio é perturbado por rugido de carro, alguém que foge de si mesmo em sua própria angústia noturna. minha é esta insônia de excessos, é assim como naquele dia em que eu resolvi pintar um quadro com tinta a óleo e exagerei tanto, misturei tanto, errei tanto – no meu afã de querer tudo, de pintar como quem engole o mundo, de querer impressionar você a qualquer custo, de querer disfarçar meus dedos medíocres, estes que nem escrevem nem desenham, só se contorcem – errei tanto que ficou aquele borrão pardo, indefinido, indecifrável. um auto-retrato involuntário. e é assim minha insônia. nem durmo nem faço nada. eu penso em você. eu penso em você o tempo todo, noite-e-dia, dia-e-noite, este velho hábito que custa a morrer; este mau hábito que eu não deixo morrer para não ficar sozinha demais. para que meu silêncio seja povoado pela falta, pelo eterno ansiar; para preencher de angústia as lacunas estéreis da minha vida medíocre. ontem, fui à manicure e escolhi pintar de vermelho as unhas dos pés. só porque você não gosta – só porque você não gostava – então, pintei de vermelho vivo, que é um grito de rebeldia, assim como se eu gritasse ao mundo que eu não me importo mais com você. um grito furioso e púrpura que é para ver se me convenço. deitada, na minha insônia, liguei o televisor e vi meus pés me encarando como olhos rubros na escuridão azulada da programação de madrugada. coloquei meia: vendei os olhos da escuridão. ah se eu pudesse também vendar os meus!, estes que me assombram dia-e-noite-noite-e-dia… sei que não faço sentido: pouco se me dá. vou endereçar ao seu email este lamento sobre o nada, mesmo sabendo que você não vai entender que ele é todo perturbação e saudade. e abandono.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica Tags:
13/01/2009 - 16:50

A venda do Banco Votorantim

Atualizado às 16:50

Coluna Econômica – 13/01/2008

Ontem o Banco do Brasil acertou a compra de 50% do Banco Votorantim e de 49,99% do capital votante. O valor pago foi de R$ 4,2 bilhões. Aprovada a operação pelo Banco Central, o BB deverá desembolsar R$ 3,75 bilhões a vista. Outros R$ 450 milhões serão pagos após seis meses da liberação do negócio. Ao final da operação, o patrimônio líquido do Votorantim será de R$ 6,87 bilhões. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Coluna Econômica, Crise, Economia Tags: , ,
13/01/2009 - 15:51

De Varsóvia a Gaza

Do Valor Econômico

Do Gueto de Varsóvia ao Gueto de Gaza

Maria Inês Nassif

08/01/2009

O Gueto de Varsóvia foi o maior enclave judaico estabelecido pelos alemães na Polônia, durante a ocupação nazista. Chegou a atingir a marca de 380 mil habitantes, ou 30% da população de Varsóvia, e ocupava 2,4% de seu território, separado da cidade por muros. A partir da construção do muro, em novembro de 1940, e pelo ano e meio seguinte, os judeus poloneses das cidades e vilas menores eram levados para lá – depósito dos judeus que iriam para o campo de extermínio de Treblinka e que podiam ter a sorte de escapar das câmaras de gás se morressem antes de tifo ou fome, ou simplesmente fossem atingidos nas ruas, como animais, caça dos soldados nazistas. Lá dentro, três grupos, no entanto, resistiram com pistolas, bombas caseiras e coquetéis molotov – um deles até com umas armas um pouco melhores, fornecidas pela resistência polonesa que as contrabandeava para dentro dos muros – dizem que até por túneis. Depois de seis meses de resistência, os judeus poloneses do gueto foram transferidos maciçamente para Treblinka ou simplesmente assassinados em Varsóvia.

Ao longo da história, vários guetos confinaram judeus. Existiram guetos judaicos na Alemanha e na Península Ibérica no Século XIII; o Gueto de Veneza é do Século XIV. Dependendo da circunstância histórica, eram mais ricos, ou mais pobres, mas todos eles traziam o sentido metafórico do isolamento, da exclusão, do preconceito.

A primeira vez que ouvi a expressão “Gueto de Gaza” foi na minha casa. É uma expressão forte – e invertida. Nesse caso, a população judaica está fora do gueto, não dentro. Quem me chamou atenção para essa terrível inversão foi o meu companheiro, descendente de judeus poloneses. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Política Tags: , ,
13/01/2009 - 15:24

Comentários

Acumularam muitos comentários e liberei de uma penada só. Se escapou algum inconveniente, peço que me alertem.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/01/2009 - 14:57

Os ônibus municipais

Por Marcos Vinicius

Nassif a Folha de hoje traz uma matéria sobre os ônibus em São Paulo que me despertou algumas questões (clique aqui).

Esse setor aparentemente é um foco de corrupção em grande parte das cidades; sempre se fala de subsídios, é comum haver junção de interesses de sindicatos e donos das empresas quando se desejam reajustes. me lembro de disputas pesadas quando a Marta mexeu com esse setor e as empresas alegarem baixa lucratividade – ao que o secretário municipal respondeu estranhar que, apesar disso, ninguém abandonava o negócio.

É um setor fundamental, mas pouco vejo estudos sobre planilhas, sobre as imbricações entre política e o funcionamento do serviço, sobre sua regulação, sobre otimizar o sistema. O pessoal da comunidade não teria isso para disponibilizar aos novos dirigentes públicos municipais? Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Gestão Tags: ,
13/01/2009 - 14:53

Diplomacia de fachada

Atualizado às 14:53

Da Folha

Por Ricardo Melo

SÃO PAULO – É patético. No mesmo momento em que Israel avança para a guerra urbana em Gaza, o presidente Lula usa seu programa de rádio para pedir respeito à decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre um cessar-fogo.

Mera saudação à bandeira. A ONU, desde a sua fundação, só tem feito referendar a vontade dos países ricos. Ninguém sério, ou que se leve a sério, acredita que as Nações Unidas exerçam algum poder de fato para arbitrar conflitos, interromper guerras e promover a paz.

Ao contrário. O que a ONU tem feito ao longo de sua história é chancelar as guerras ao dar poder de veto a um único país para impedir ações mandatórias. A ONU que votou pelo cessar-fogo em Gaza é a mesma que assistiu, aprovando documentos parecidos, à invasão do Iraque, do Afeganistão (pela URSS e pelos EUA), à Guerra do Vietnã, da Coreia e a outras tantas tragédias.

A retórica é o refúgio preferido da hipocrisia diplomática. O Brasil tem sido criticado por alguns por “condenar” o ataque à faixa de Gaza. Fachada pura. Pergunte qual iniciativa concreta o Itamaraty ou o Planalto tomaram para incomodar o governo israelense. Prepare-se para o silêncio absoluto. Mas, no mundo das representações, soa importante mandar nosso chanceler excursionar pelo Oriente Médio, aparecer em fotos com o presidente do Egito e apertar as mãos da ministra israelense que “não vê crise humanitária” na faixa de Gaza.

Em relação ao que interessa, a posição brasileira é, na verdade, oposta. Compare: por muito menos, se é que vidas importam alguma coisa, o Brasil chamou de volta o embaixador em Quito, até se certificar que o governo Correa honraria compromissos financeiros com uma empreiteira. Já em Gaza, trata-se de civis lançados à própria sorte, manipulados por extremistas islâmicos e vítimas da brutalidade da máquina de guerra de Israel. Que tal, presidente, também chamar nosso embaixador para conversar? Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Diplomacia, Internacional Tags: , ,
13/01/2009 - 14:15

O investimento em imóveis

Por paulo françaj

Aos que apenas se informam lendo jornais brasileiros e TVs e têm pesadelos dia e noite, vejam o que a BBC Brasil publica hoje:

Atualizado às: 13 de janeiro, 2009 – 11h19 GMT (09h19 Brasília)

Investidores em imóveis vêem Brasil como 2º mercado mais atraente

Pesquisa indica predisposição maior por investimentos em 2009

Uma pesquisa feita entre membros de uma associação americana de investidores estrangeiros em imóveis indica o Brasil como o segundo destino mais atraente para seus investimentos em 2009.
Segundo a pesquisa da Associação de Investidores Estrangeiros em Imóveis (Afire, na sigla em inglês), 16% dos seus membros consideram o Brasil como o país que oferece a melhor oportunidade para apreciação de capital.

O Brasil subiu dez postos no ranking em relação à mesma pesquisa realizada no ano anterior, desbancando a China do segundo posto de mercado mais atraente para os investimentos em imóveis. Leia mais »

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: ,
13/01/2009 - 12:50

Os 200 anos de Darwin

Por Mario Siqueira

Neste 2009 ( em 12 de fevereiro) comemoramos os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e tambem os 150 anos da publicação de sua obra “A Origem das Espécies”.

A teoria da evolução tem uma importância para a humanidade equivalente à descoberta de Copérnico, de que a Terra não era o centro do Universo. Afirmação que lhe deu problemas com a igreja e com a terrível Inquisição.

Este blog não pode deixar passar em branco essa histórica comemoração .

Autor: luisnassif - Categoria(s): C&T Tags:
13/01/2009 - 12:42

Caso Satiagraha

Há muita dúvida sobre o desfecho do caso Satiagraha, se a indicação de Paulo Lacerda como adido militar em Portugal foi promoção ou afastamento. Se o caso será abafado ou não.

Vou colocar um conjunto de elementos nos quais me baseio para avaliar o caso:

O quadro atual é francamente favorável a Daniel Dantas. Protógenes e Lacerda foram afastados, sim, não resta dúvida. A ida para Portugal foi prêmio de consolação. O que não impedirá que, eventualmente, ele possa atuar na chamada cooperação internacional contra o crime organizado.

Por outro lado, o inquérito da Kroll está totalmente parado, o esquema Dantas na imprensa continua agindo livremente, Gilmar Mendes permanece atuando com desenvoltura, os jornais ainda tratam um suborno filmado e documentado como “suposto” e todas as suposições sobre a ABIN (inclusive a fantástica central de grampos citada pela Veja) como fato concreto, mesmo sem  um elemento sequer de prova, e interlocutores do Ministério Público tentando vender a idéia de que a briga na imprensa é fruto de disputa de egos.

Há  sinais no ar de mais retaliação contra as pessoas que defendem a Satiagraha.

Na outra ponta, os elementos são os seguintes:

1. Por todas as informações disponíveis, é de primeira ordem a equipe da Polícia Federal que substituiu a equipe de Protógenes. De Sanctis, por exemplo, considera o delegado Ricardo Saady o mais brilhante delegado da PF que ele conheceu. Aparentemente tornou-se questão de honra para a PF levar o caso até o fim.

2. O primeiro relatório de Saady agradou até o delegado Protógenes. Há informações de outros relatórios a caminho. Saady já garantiu que todas as provas colhidas por Protógenes são legais. E há afirmações taxativas de Protógenes – inclusive no Roda Viva – de recolhimento de provas de suborno de jornalistas. Afinal, são quatro anos de investigação.

A conclusão final dependerá da chamada “prova do pudim”. Ou seja, dos resultados dos futuros inquéritos. Neste exato momento, a impressão é que Dantas vence de goleada.

Comentário

Acabo de ser comunicado pelo Gabriel Priolli da não renovação do meu contrato com a TV Cultura. Paulo Markun transferiu a incumbência para o Priolli.

No último prêmio Comunique-se foram três os jornalistas da Cultura indicados para a categoria TV: Heródoto Barbeiro, Markun e eu.

Nenhuma surpresa para quem conhece o Markun.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Justiça, Mídia Tags: , , ,
13/01/2009 - 10:00

Fora de Pauta

Aí vai o fora de pauta de terça.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Fora de Pauta, Sem categoria Tags:
13/01/2009 - 08:57

O tamanho da crise

Discutir o tamanho da crise tornou-se tarefa difícil, devido à extrema politização do tema.

Vou tentar organizar um pouco as idéias (minhas, pelo menos) sobre o tema:

1. O fato de se avaliar que a economia brasileira sofrerá menos do que as grandes economias não significa dizer que nada sofrerá.

2. Neste primeiro trimestre haverá uma onda de desemprego, sim. E a continuação da queda na atividade industrial. Será um período tomado pelas más notícias.

3. Parte da crise é provocada por fatores reais (queda nos preços das commodities, dificuldade com financiamento); parte por fatores psicológicos (empresas que preferem errar por conservadorismo). Esse movimento tenderá a refluir quando começar a haver consenso de que se bateu no fundo do poço.

4. Alguns fatores atuarão no contra-ciclo, ajudando na recuperação da economia. Um deles, serão os investimentos, especialmente em infra-estrutura. Outro, um cambio mais competitivo, estimulando as exportações – ainda que em um ambiente de desaquecimento do comércio global.

5. A mídia continua insistindo apenas nos fatores negativos, jogando contra a criação de expectativas positivas. Não se trata de esconder as más notícias, mas de NÃO esconder as boas notícias. Como o fator expectativa é relevante, o noticiário pesadamente negativo “tiro-no-pé” é um dos obstáculos à virada do jogo, especialmente a partir de agora, quando haverá dados concretos estimulando o pessimismo.

6. Os efeitos sociais da crise serão amenizados pelas políticas de transferência de renda, pelo aumento real do salário mínimo e pelo auxílio-desemprego.

7. Dois fatores que emperram a recuperação são a questão do crédito (custo e prazos) e a volatilidade do câmbio – ambos de responsabilidade do Banco Central.

8. Em algum momento, a recuperação das exportações (com o câmbio sendo mantido em patamares competitivos), o resultados dos investimentos em infraestrutura, a substituição de importações começarão a surtir efeito. Mas é impossível estimar o prazo em que isso ocorrerá.

As projeções da pesquisa Focus

Da coluna de Delfim Netto no Valor

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags:
13/01/2009 - 08:35

O novo presidente do Bradesco

Indicado para ser o quarto presidente da história do Bradesco, Luiz Carlos Trabucco Capri terá um perfil totalmente distinto do atual presidente Márcio Cipryrano.

Trabucco é considerado “puro sangue”, isto é, criado e formado dentro da cultura Bradesco; Cipryani veio do BCN, adquirido pelo banco. Cipryani tem atuação mais ostensiva; Trabucco é mais discreto. Cypriani é arrojado; Trabucco é consolidador. Cipryani sucedeu Lázaro Brandão em uma fase conturbada do próprio Brandão, assolado por uma sucessão de problemas – desbancando o sucessor natural, Alcides Tápias, também formado no banco. Trabucco passou incólume por aquele período e consolidou-se na seguradora.

É de falar pouco e ouvir muito, de uma timidez quase cerimoniosa e de uma educação que se manifesta nos mínimos detalhes. Terá o desafio de conduzir o banco em uma fase, a primeira de quase cinco décadas, em que deixou de ser líder absoluto do mercado bancário brasileiro – após a fusão Itaú-Unibanco.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Negócios Tags: ,
13/01/2009 - 08:22

O acordo de Balfour

O acordo de Balfour – que selou o apoio inglês à criação do Estado de Israel – foi possível, em grande parte a um químico judeu que morou no Brasil nos anos 40 e ajudou a desenvolver a tecnologia para exploração das areias monazíticas.

Contarei essa história na Coluna Econômica de amanhã.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional Tags: ,
13/01/2009 - 07:28

Comércio mundial em queda

No Japão, o superávit em conta corrente caiu 65,9% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2007. As exportações caíram 26,5% e as importações 13,7%.

Na China, houve queda de 2,7% nas exportações de dezembro, em relação a dezembro de 2007. A queda das importações foi de 21,3%.

Provavelmente a queda maior das importações se deve ao ajuste de estoques da economia chinesa.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: , ,
13/01/2009 - 07:24

A grande queda na indústria paulista

O Sinalizador de Produção Industrial da Fundação Getúlio Vargas com Eletropaulo – que acabou de sair – indicou uma redução de 13,5% na produção física industrial do estado de São Paulo de dezembro, em relação a novembro – com ajuste sazonal.

Em relação a dezembro de 2007, a queda foi de 12,6% – contra 2,7% de queda registrada em novembro.
No acumulado de 12 meses a produção continua positiva, mas o crescimento caiu de 7% em novembro para 5,4% em dezembro.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Crise, Economia Tags: ,
13/01/2009 - 07:16

Argumentos desproporcionais

Há um campo amplo para o exercício contumaz da asneira. Mas poucas vezes li tolice igual à brandida pelos que minimizam a questão da desproporção entre as forças de Israel e a dos palestinos de Gaza.

Hoje, na Folha, os simpaticíssimos (sem ironia) Salomão Schvartzan e Zevi Ghivelder perguntam: “Como medir proporção?” (clique aqui)

E respondem:

(…) Hoje, até mesmo os mais ferrenhos opositores do Estado judeu reconhecem que a atual operação militar em Gaza é uma resposta aos ataques do Hamas, mas veem nas decorrentes ações bélicas uma “desproporção”.

O que vem a ser proporção em um conflito armado? Há algum critério, alguma tabela, que a caracterize? Será que existe um consenso universal segundo o qual Israel teria o direito de matar “y” palestinos se contasse “x” mortos por foguetes?

É inacreditável. Em qualquer conflito, a medida que separa a batalha do massacre é a proporção de morte de lado a lado. Se, de um lado, morrem mil, dos quais grande número de crianças; do outro presumivelmente morrem 13 (já que o número é questionado até pelas agências internacionais), a desproporção é nítida. E é o sentido de proporção que separa as batalhas dos massacres. Ou não?

Quando, no Rio de Janeiro, a Polícia Militar invade um morro com 500 homens para caçar meia dúzia de traficantes, que também recorrem aos escudos humanos, faz um ataque desproporcional?

Faz, é evidente! Principalmente se deixa vítimas civis pelo caminho.

Quando os EUA, após o 11 de Setembro, lançaram milhares de toneladas de bombas sobre o Afeganistão dos talibãs, incluindo um hospital atingido, houve proporção?

Aplicou-se a lei de Talião que, segundo os defensores da democracia ocidental (entre os quais me incluo) significa ceder à barbárie. Aliás, o argumento lembra um velho personagem do Chico Anísio: sou, mas quem não é?

E quando os russos entraram com tudo para esmagar os rebeldes da Tchetchênia, a ação foi desproporcional?

É evidente que foi.

No dia 7 de junho de 1981, quando Israel bombardeou o que seria uma instalação nuclear no Iraque, houve protestos em todas as partes do mundo. Na Casa Branca, durante uma reunião de emergência, o vice-presidente George Bush propôs sanções contra Israel. O mesmo George Bush que, dez anos mais tarde, viria a desencadear a primeira Guerra do Golfo contra o Iraque.

E daí? Essa é outra peça gasta da retórica neocon, a de julgar que a desqualificação do crítico é suficiente para qualificar o criticado.

(…) O grande psicanalista brasileiro Hélio Pellegrino costumava dizer que a síntese da injustiça está na seguinte proposição: “O senhor tem toda a razão, mas vai preso assim mesmo”. É o que o mundo está fazendo agora com relação a Israel. Por isso, vale lembrar um conceito de Golda Meir, quando primeira-ministra: “Prefiro receber protestos a receber condolências”.

Ou Israel em relação aos mortos civis. “O senhor tem toda razão em protestar pela mortge das crianças e velhos, pelo bombardeio de escolas e hospitais, mas guerra é guerra, e os sábios neocons brasileiros aboliram a proporcionalidade na análise de conflitos.”

Autor: luisnassif - Categoria(s): Internacional, Mídia Tags: , ,
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