iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
09/01/2009 - 10:29

O lobby nuclear

Há uma disputa pesada em torno do desenvolvimento da energia nuclear. A pretexto de impedir a proliferação de bombas, o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares estabeleceu controles muito rígidos sobre as pesquisas de países signatários.

O desenvolvimento da tecnologia brasileira de enriquecimento de urânio penou com as restrições, seja para a compra de equipamentos ou para a preservação de segredos industriais.

Agora, que o Brasil está perto de entrar no mundo atômico, recomeçam as pressões.

O recado foi dado por Gregory Schulte, embaixador americano na AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) através de entrevista à Folha (clique aqui). A matéria é do Igor Gielow, Secretário de Redação em Brasília, que aceita acriticamente o jogo da fonte:

(…) Em dezembro, o governo Lula lançou sua Estratégia Nacional de Defesa, na qual a energia nuclear é tratada com destaque. O texto, ambíguo, lamenta restrição ao acesso a tecnologias e permite interpretação de que no futuro o Brasil pode lançar mão de outros usos da energia nuclear -leia-se a bomba.

(…) O TNP foi assinado pelo Brasil em 1998, e não são poucas as pessoas nos meios militares e diplomáticos que consideram a adesão uma capitulação a um tratado que foi desenhado para subordinar quem não tem a bomba atômica aos desígnios dos que a tem.

Clique aqui para ler a íntegra do Plano Nacional de Defesa.

Não se lê a bomba nem nas linhas nem nas entrelinhas do Plano.

Há dois trechos relevantes sobre o uso pacífico da energia:

O Brasil tem compromisso – decorrente da Constituição Federal e da adesão ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares – com o uso estritamente pacífico da energia nuclear. Entretanto, afirma a necessidade estratégica de desenvolver e dominar a tecnologia nuclear.

O Brasil precisa garantir o equilíbrio e a versatilidade da sua matriz energética e avançar em áreas, tais como as de agricultura e saúde, que podem se beneficiar da tecnologia de energia nuclear. E levar a cabo, entre outras iniciativas que exigem independência tecnológica em matéria de energia nuclear, o projeto do submarino de propulsão nuclear”.

O segundo:

“O Brasil zelará por manter abertas as vias de acesso ao desenvolvimento de suas tecnologias de energia nuclear. Não aderirá a acréscimos ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares destinados a ampliar as restrições do Tratado sem que as potências nucleares tenham avançado na premissa central do Tratado: seu próprio desarmamento nuclear”.

Nenhum país é mais atuante do que o Brasil na causa do desarmamento nuclear. Entretanto o Brasil, ao proibir a si mesmo o acesso ao armamento nuclear, não se deve despojar da tecnologia nuclear.

Deve, pelo contrário, desenvolvê-la, inclusive por meio das seguintes iniciativas:

Há um amplo detalhamento nas páginas 23 e 24. Nenhuma se refere à bomba.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Defesa Tags: , ,

30 comentários para “O lobby nuclear”

  1. Alexandre disse:

    Fora de Pauta:

    Nassif. ouvi o Furlan hoje na Jovem Pan. Ele comentou sobre os resultados da Sadia nos últimos tres meses e afirmou que as vendas em dezembro (comparadas com o mesmo mês do ano passado) cresceram 4,6%.

    Vc poderia abordar o assunto?

    Abraços,

    Alexandre

  2. Felipe Guerra disse:

    Nassif,
    Tem como estabelecer um paralelo entre essas pressões que o Brasil vai enfrentar com as que o Irã enfrenta?
    Quais são os principais aspectos que diferenciam os programas nucleares?

    Abraço

    O Irã quer a bomba; o Brasil, não. As relações com Agência Internacional de Energia Atômica sempre foram boas.

  3. Moses Kuhn Besouchet disse:

    Esse tema sempre é complicado, pois politicamente incorreto, mas deve ser abordado: é um crime contra a nação abrir mão da bomba atômica. É muito difícil exercer um papel de efetiva liderança no mundo sem tê-la.

  4. Fernando disse:

    Nassif

    Desculpas, porém, qto ingenuidade a sua, esperar que o Sr. Igor Gielow fizesse alguma crítica seria o mesmo que esperar Papai Noel. Infelizmente a FSP deixou, há muito, de ser um jornal com capacidade de formular crítica. Por isso, vem um qualquer e fala o que quer. Aliás, pergunto: esse jornalista estava devidamente preparado para abordar o assunto?

  5. Leo disse:

    O Brasil abriu mão de parte da sua soberania ao assinar um Tratado desse tipo. Se o acordo fosse para banir as armas nucleares, o Brasil teria agido de forma correta. Não foi o caso. Algumas poucas nações continuam desenvolvendo armas nucleares, uma vantagem militar extraordinária sobre os demais. Se o Brasil tivesse armas do tipo, duvido que tanta gente defendesse a “internacionalização” da Amazônia. Também duvido que os EUA tivessem, recentemente, reativado a IV Frota. O pré-sal é outra fonte potencial de riqueza para o nosso país. Riqueza que, no momento, não teríamos como defender de uma agressão externa. O presidente que assinou o tratado em questão, para quem tiver memória curta, foi presidente mais entreguista que esse país já teve: Fernando Henrique Cardoso.

  6. nuclear disse:

    Acho que você está pegando pesado demais com o cara dessa vez… A matéria foi isenta.

    E se nós quisermos ampla cooperação, seria melhor aderir… Que diabos vamos fazer com bomba atômica, afinal de contas ?

    A adesão pode abrir a possibilidade de uma série de parcerias, inclusive com os EUA.

    Prezado, se analisar todos os acordos de cooperação com os EUA (tenho aqui comigo dois detalhadíssimos, do início dos anos 50) nenhum saiu do lugar. Esse mercado movimenta US$ 100 bi/ano. Ninguém coopera com concorrentes.

  7. nuclear disse:

    Ah tá… Você critica o fato de ele ter visto bomba onde não há…

    De qualquer forma, porque não aderir se eles aderirem às inspeções ?


    O Brasil já aderiu ao TNP. O que não quer é que ampliem as exigências, prejudicando outros programas. PS – A propósito, porque esse medo de colocar o nome no comentário? Medo da CIA?

  8. Basílio disse:

    igor gielow não é aquele obscuro especialista de assuntos do Turcomenistão que conseguiu a façanha de criticar nomes de políticos e parentes, em servidões públicas sem mencionar o clã ACM?
    Está se especializando em jornalismo eleitoral, fabricando tropeços do governo ou é cidadão norte americano este mr. gielow?
    Sim, porque seu artigo “permite interpretação” de que deve ser, de fato, jornalista em campanha eleitoral, já se sabe contra quem, cidadão dos EUA ou um traíra.

  9. José Maia disse:

    Fernando Henrique Cardoso cometeu dois crimes de lesa pátria: um foi assinar esse tratado; outro foi elevar em 8 vezes a dívida pública, que consome todos os recursos economizados hoje e nas futuras gerações.

  10. nuclear disse:

    “Medo da CIA?”

    Pode deixar que quando eu achar relevante e justo colocar o meu nome eu coloco, até porque a faculdade de publicar ou não é sua, não minha.

    abs.

    Hehehehehehehe…..

  11. Marco Vitis disse:

    O Brasil já quiz a bomba. Não a quer mais, faz tempo.
    Mas por que FHC assinou o Tratado ?
    Qual foi a contrapartida para essa assinatura ?
    Qual o benefício que trouxe ao Brasil ?
    Por que alguns países podem ter a bomba e outros não ?

  12. Manoel Teixeira disse:

    O Brasil precisa aprofundar seu conhecimento do ciclo nuclear e criar efetivamente esta indústria.
    Não conheço nenhuma potência no mundo que não tenha a bomba atômica e forças armadas fortes. Sem isto o país se torna satélite dos EUA, Rússia ou da China.
    O que os donos do clube da energia atômica querem é o monopólio. É simples assim. E ainda conseguem convencer os ingênuos do contrário e cooptar outros via $$$.

  13. J.Ribamar disse:

    Norte Americano acha mesmo que o Brasil é quintal deles…
    1º Esses orgãos de regulação mundial tem o mesmo princípio regulamentador do FMI que fiscalizou com isenção(?) as finanças mundial, (como todos sabemos e estamos sentindo) ou a ONU que depois de alvejada em Israel a se retira de lá??? Pra que então ela serve, se já é a segunda carnificina(a outra foi o Iraque) que ela(ONU) assiste passivamente… Ou o FMI e o Banco Mundial que não deram um pio sequer sobre a grande “M” que os paises desenvolvidos fizeram com as finanças do mundo todo? Não seria o caso de pelo menos um “puxão de orelha” como seria, no caso fosse um País de 3º mundo que o tivesse feito?
    2º Paises belicosos como Israel e o Paquistão tem armamento nuclear e não vejo restrição nenhuma por parte do Americanos, porque?
    3º Se o Brasil fosse usar essa tecnologia com intenções bélicos-letais(bombas), que não é o caso em questão, eles não teriam o por que de reclamar, afinal, eles(especificamente Bush&cia) que começaram quando reativaram sem mais nem menos, sem consultas ou prévio aviso a 4ª frota.
    4º O único desarmamento nuclear que eu tenho conhecimento foi quando os E.U.A. e a antiga U.R.R.S. resolveram desativar conjuntamente algumas ogivas que estavam obsoletas e só oneravam a ambos sua conservação, ou seja, aproveitaram a oportunidade para posarem ao mundo como passifistas e de quebra “forçaram esse tratado”. Por sinal, isso me faz lembrar que esse tratado só foi assinado depois que a França finalizou todos os seus testes nucleares(coincidência não?).
    Ao Mr. Gregory Schulte e ao perspicaz reporter, só tenho uma coisa a dizer:
    “ME ENGANA QUE EU GOSTO!”…

  14. Graca disse:

    Falta de patriotismo e que atribuo a assinatura desse acordo. Uma decisao dessas deveria ter tido o consentimento do povo brasileiro, atraves de uma consulta popular. Um pais como o o Brasil com imensas riquezas minerais, com a Amazonia, com agua em abundancia, com a nossa imensa costa maritima, jamais poderia assinar esse tratado. Isto nos torna indefesos em ataque a nossa soberania e as nossas riquezas. FHC sempre abaixou a cabeca para os EUA e para a Europa. Creio que esta na hora de pensarmos no Brasil e no seu povo, exatamente como os paises desenvolvidos fizeram e fazem. E uma pergunta: como e porque Israel tem bomba atomica.

  15. Giovani disse:

    Tem um detalhe operacional que é importante: combustível nuclear decai com o tempo. Ou seja: ele está se esgotando, esteja sendo aproveitado numa usina ou ficando parado embaixo da terra. Outras fontes como o petróleo e gás podem ficar embaixo da terra por muito tempo, e serem aproveitados mais pro futuro. Do ponto de vista de uso dos recursos naturais, faz sentido utilizar combustível nuclear ao máximo e o quanto mais cedo possível, e poupar os combustíveis fósseis pro futuro, pra quando os nucleares se tornarem muito escassos. O Brasil têm sim que explorar ao máximo suas minas de urânio e fazer usinas nucleares, pra aproveitar o que têm enquanto ainda têm. Deixar pra daqui 200 anos não é muito boa idéia não.

  16. Luiz Carlos disse:

    O Brasil precisa do dominio da tecnologia nuclear inclusive a BOMBA para dissuadir qualquer aventura dos paises detentores. As guerras do futuro serão para acesso e dominio de minerais estratégicos, alimentos e agua; e o Brasil precisa dissuadir eventuais pretendentes. Este assunto com certeza já foi muito debatido na ESG ( Escola Superior de Guerra )

  17. Heitor disse:

    Já que o PIG não consegue convencer o povo brasileiro dos desacertos do Governo Lula, não custa tentar embaraçá-lo junto às nações que tem manifestado surpresa e admiração com o desempenho econômico e diplomático do Brasil nos últimos 6 anos, mesmo que tais arroubos não sejam exatamente sinceros e, frequentemente, tais desempenhos choquem-se com os interesses dos países desenvolvidos e os do RIC – o BRIC sem o Brasil. Os objetivos da FSP são sempre os mesmos: encontrar chifres em cabeça de cavalo.
    Quanto ao uso da energia nuclear, o Brasil há de chegar lá, principalmente se o povo brasileiro deixar votando na continuidade em 2010. Se o apoio for tão contundente quanto o é a popularidade do Presidente Lula, poderá mesmo ser a hora de fazer algumas reformas que desentravem outras questões tão essenciais quanto a energia nuclear, como a educação e saúde públicas e os poderes legislativo e judiciário.

  18. Go Oliveria disse:

    Gostaria de reforçar o que escreveru LEO (09/01/2009 – 10:59), JOSÉ MARIA (09/01/2009 – 11:18), MARCO VITIS (09/01/2009 – 11:44), GRACA (09/01/2009 – 13:48) a respeito de mais do ato de lesa-pátria cometido pelo Príncipe dos Sociólogos, Fernando Henrique Cardoso, ao assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Pelo que me informaram, foi mais um ato imperial, sem discutir com a Nação. Até mesmo contra as ponderações do pessoal das Forças Armadas/Segurança Nacional. Para o Brasil sair desse imbróglio agora, vai sofrer muitos desgastes. Mas a Amazônia está aí, sob o olho grande do furacão… e quem é submisso, não é respeitado na hora do vamos ver!

  19. Ivan Moraes disse:

    “O Brasil já quiz a bomba. Não a quer mais, faz tempo.
    Mas por que FHC assinou o Tratado ?
    Qual foi a contrapartida para essa assinatura ?
    Qual o benefício que trouxe ao Brasil ?
    Por que alguns países podem ter a bomba e outros não ?”:

    Se houvesse qualquer beneficio ao Brasil FHC nao teria assinado pois esse eh o historico dele. O “Brasil” nao “quiz” bomba alguma, quem a queria eram os militares.

    E pesquiza nao se descarta ponto final. O acordo eh pra parar pesquiza.

  20. Marcos Antonio disse:

    Assim como não tivemos competência para lançar um foguete ao espaço, não teríamos como não temos, a condição de fazer a bomba.
    O Brasil se perde no meio. Para que isto pudesse ao menos ser discutido, deveríamos term mais físicos nucleares, mais capacidade intelectual capaz de que se quisemos ter qualquer aparelho – tal qual a industria de chips – as empresas não vieram por que não temos recursos humanos. A Índia tem, a China tem, a Russia tem.
    E a discussão politica está onde?
    No meio, como sempre e sem efetividade.
    Os politicos se arvoram por 2010.
    E depois?
    Será oposição versus situação.
    Agora pensando em 2014!
    O Brasil precisa alcançar os fins de cada objetivo traçado.
    O mal do Brasil é parar no meio.

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo