O guardião do mercado
Por JOAO DA ROCHA
Concordo plenamente com o pensamento de Fernando Cardim, da UFRJ, na entrevista de hoje, no Valor Economico. O Banco Central tem que entender que o seu papel é de defensor da moeda e não dos especuladores, como vem agindo até hoje e o Tesouro desviando recursos para o capital volátil improdutivo e esquecendo as prioridades nacionais.” (clique aqui)
Valor: O BC deve atuar mais pesadamente no câmbio, para evitar uma desvalorização exagerada?
Cardim: Eu tenho defendido o controle de capitais há muitos anos, inclusive nos períodos em que a inundação de aplicações em busca dos juros que o BC oferecia gentilmente parecia satisfazer a todos. O BC não deveria queimar reservas para permitir saída de capitais a níveis mais baixos, nem permitir que a volatilidade implique custos importantes para a economia real, mas, sim, criar dificuldades para essas saídas, especialmente de residentes.
Valor: Fazer isso num momento de escassez de recursos externos não diminuiria ainda mais o fluxo de dinheiro estrangeiro?
Cardim: É uma preocupação válida, mas controles não se aplicam indiscriminadamente. Eu proponho controles de saída razoavelmente drásticos com relação ao capital de residentes, como foi da tradição brasileira até que isso começasse a ser desmontado pela equipe de FHC. Quanto aos não-residentes, os controles deveriam ser de entrada, o que, no momento, não é um problema, mas voltará a ser quando as coisas se normalizarem. Controles devem incidir principalmente sobre entradas para carteira [renda fixa e ações], não necessariamente para investimentos diretos. Apesar do discurso de economistas de bancos, que sugere que as diversas modalidades são solidárias entre si, a experiência mostra que, ao contrário, investidores aproveitam as oportunidades que lhes são oferecidas. Investidores diretos e em carteira não são os mesmos grupos. É possível discriminar entre eles. (SL)
Por Fernando Gomes
Estadão de hoje, B-4:
“Até banqueiro pede redução de juros – avaliação foi unânime entre representantes de empresas e de bancos na reunião com Mantega e Meirelles. O presidente do Bradesco, Marcio Cypriano defendeu ontem a antecipação da reunião do Conselho de Política Monetária (do Banco Central), marcada para os dias 20 e 21, para que os juros possam cair mais rapidamente… Meirelles não demonstrou o menor entusiasmo com a proposta… Meirelles disse respeitar as críticas, mas defendeu a política monetária, dizendo que ela, até agora, tem se mostrado bem-sucedida: ‘se acertamos no passado, tenho fé que vamos continuar acertando’, disse Meirelles…. ‘Aconteceu um milagre’ (disse um empresário ao se referir ao fato de TODOS na reunião, menos Meirelles, pedirem a redução dos juros.”
Nassif,
A Política Monetária do Brasil agora virou uma questão de fé. Só falta o tarô e jogar búzios.
Imaginemos o BC cortar míseros 0,5% dia 21′.01 e só 45 dias depois mais 0,5%. A vaca já estará no brejo até os chifres. Tudo pelo capricho de um presidente xiita do BC.


Creio que em função de mais oportunidade perdida pelo COPOM, a economia está dando um mergulho em direção ao inferno da recessão e do desemprego.
Nem mais o impossível e o inimaginável será suficiente. Será necessário medidas drásticas para salvar o crescimento e milhões de empregos.
Creio que o Governo do Presidente Lula precisa ter os nomes para uma eventual e necessária e rápida substituição dos membros do COPOM.
Talvez apenas isso possa salvar o Brasil do inferno da Recessão e do desemprego.
É claro, que sempre devemos estar atentos a inflação, mas a ruptura nas relações econômicas foi muito maior do que se esperava, e risco de uma enorme recessão é muito maior que qualquer risco de inflação.
Não hámais espaço para ações ousadas, esse tempo já passou, está na hora de medidas drásticas.
A decisão é política, só o LULA pode tomá-la.
O interessante, e aqui vai uma reflexão louca – quase alucinada, é que quando tento entender a motivação final de toda esta loucura, lá no fundo, fundo mesmo, aqueles pensamentos que a gente nem quer pensar que pode ter, me vem à mente :
O que falta a esta nação é amadurecimento para encarar o seu próprio destino, doa a quem doer, seja ela qual for.
O duro é o projeto de nação que vamos instituir. Falta projeto e falta mais coisa, dai vem a impotência.
Minha contribuição: Penso que uma estrutura matemática possa dar mais confiança ao projeto, na medida que não deixe ele ser ingovernável, ininteligível e desconectado em suas partes.
Se não tentar, depois vão se arrepender.
Roberto São Paulo,
Não vejo razão para tanta preocupação. A incerteza que existe no mercado é se o processo de paralisação de economia continua nos altos níveis em que se encontra ou se a economia voltará aos trilhos normais a partir do 2º trimestre de 2009. A queda na produção informada agora não é nenhuma surpresa. Está dentro do que se viu nos meses de novembro e dezembro. Outros setores não sofreram tanto. Só em março saberemos o que ocorreu com o PIB no 4º trimestre. Poderemos ter um crescimento do PIB no 4º trimestre em relação ao 4º trimestre do ano anterior perto de 0%. Essa situação é um desastre, mas é um desastre com aparência de passageiro.
De todo modo o que ocorreu não foi por culpa do Banco Central. Para as pessoas que criticam o Banco Central peça a elas que informem desde quando o Banco Central esteve errado e que cenário se construiria a partir daquele momento em que o Banco Central erra até o instante da crise de outubro e nos seis meses que se seguirão ao mês de outubro. Peça para apresentar o cenário com indicadores: a) PIB, b) relação dívida /PIB, c)exportações/PIB, d) saldo na balança comercial, e)taxa de juros, f) taxa de câmbio, g) reservas e h) inflação no período. Faça uma comparação entre o cenário do crítico do Banco Central e o cenário real que nós convivemos. Com atenção você vai verificar que ninguém será capaz de construir um cenário melhor do que o atual (Salvo se se tiver a coragem de se propor um cenário com inflação elevada e, portanto, com os índices de popularidade de Lula lá no chão). Eu sou a favor de índices de inflação mais elevados (algo em torno de 20 a 40% ao ano), mas torço para Lula manter elevado os índices de popularidade dele.
E outra coisa, onde eu referi Banco Central deve-se entender governo Lula, pois como volto a insistir, o Banco Central só é autônomo para os cabeças de planilhas que não entendem nada de política, e se acham o supra-sumo da tecnicidade ou tecnocracia ou qualquer coisa que o valha.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2009
Creio que os dados estão demonstrando uma redução de atividade muito maior do que se esperava, o que obriga a tomar decisões sem esperar que o quadro fique claro, na medida que dos dados completos da situação só teremos no segundo trimestre de 2009, quando já será muto tarde.
A situação exige que seja tomada decisões com umaa visão opaca.
Mas é preciso ter claro que em um quadro de recessão internacional caso a recessão se instale no Brasil dificlmente conseguiremos uma recuperação rápida da economia, mesmo recorrendo a medidas drásticas.
O tempo de medidas drásticas e preventiva é agora, caso ocorra qualquer excesso que provoque uma inflação no Brasil, a recessão na economia internaciona ajudará a fazer a correção necessária da demanda e conter a inflação.
Não há o que temer, no quadro atual de recessão internacional, não haverá dificuldade nenhuma em fazer correções se ela se fizerem necessárias, o que pouco provável.
Além da queda da demanda está correndo uma forte queda da renda, em função de estar havendo uma queda dos preços em reais apesar da forte valorização do câmbio.
O Preço da nafta despencou em reais, um importante insimo da indústria, e assim será com vários produtos agrícolas e insumos industrias.
Nassif:
Acho um tremendo desperdicio de recursos publico, o governo brasileiro manter uma diretoria do banco central, bastaria apenas um presidente, para que reunir tantas pessoas insensiveis aos problemas do país, quando na verdade elas estão defendendo os ganhos exorbitantes dos expeculadores. Não adianta nada sociedade, os empresarios, economistas renomados e o proprio governo espernear sobre as taxas de juros praticadas pelo bc, pois esses diretores, que recebem gordos salarios para trabalhar contra os interesses do país, se eles forem demitidos, no outro dia estarão empregados em outros bancos, e estarão expeculando da mesma forma, a unica solução é o presidente lula destituir toda a cupula do bc, e nomear outra composta por representantes dos ministerios: da fazenda, planejamento, trabalho, representante patronal das federações: da industria, comercio, agricultura, dos bancos e economista da sociedade civil, creio que assim cortariamos o cordão umbilical que une a atual diretoria do bc, com o mercado financeiro e especulativo, com uma diretoria ampla da sociedade, as decisões e resultados seriam de interesse do país, consequentemente de toda a população, diferentemente o que acontece hoje.
Do IBGE
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1300&id_pagina=1
IPCA de dezembro fica em 0,28% e fecha 2008 em 5,90%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de dezembro de 2008 teve variação de 0,28%, 0,08 ponto percentual abaixo da taxa de novembro (0,36%) e 0,46 ponto percentual abaixo do índice de dezembro de 2007 (0,74%). Com isso, o IPCA do ano de 2008 ficou em 5,90%, maior resultado desde 2004 (7,60%) e 1,44 ponto percentual acima da taxa de 2007 (4,46%). Assim como havia ocorrido em 2007, o IPCA de 2008 foi influenciado principalmente pela alta dos alimentos.
Cidadão Brasileiro,
O presidente do Banco Central é só para inglês ver. Seja brasileiro e não dê importância para ele. O que conta no Banco Central são seus diretores. Eles são meros assessores do Presidente da República e ficam acompanhando a economia para decidir qual é a taxa de juro. A taxa de juro é um instrumento importante de política econômica e é o mecanismo mais fácil de se combater a inflação. O presidente com seus assessores políticos tem interesse em manter uma taxa de inflação baixa para que a popularidade dele não caia. É uma questão política e não econômica.
Os economistas cismaram que a inflação não pode ser alta e sabem que nessa área de taxa de juro há um pouco de matemática (o aumento da quantidade de moeda em um determinado ano é passado para a inflação nos próximos 5 anos – Pesquisa de economistas portugueses que o Delfim Netto nos informou no Valor Econômico em 2002) e estatística e assim eles podem se especializar e vangloriar-se de conhecimento que ninguém mais sabe.
Na antigüidade e na idade média e até o início do Séc. XX, combatiam-se os processos inflacionários com mais impostos e quem ocupava cargos importantes na área de finanças públicas eram os advogados, pois eles sabiam lidar melhor com a imposição tributária. Depois que houve a centralização dos Bancos Centrais e como é muito difícil aumentar os impostos, embora do início do Séc. XX para esse início do Séc. XXI, a carga tributária tenha saído de 10% para 35%, os economistas passaram a se constituir na grande esperança do chefe de executivo de se ter taxas de inflação baixas com índices de crescimento suficiente para assegurar ao chefe do executivo bons índices de popularidade.
Talvez você esteja fazendo sua análise pensando ser semelhante a época de FHC com a época de Lula. Foram épocas diferentes. Embora FHC tenha sido professor de História do Pensamento Econômico, ele tem grande dificuldade com os números e tem medo dos economistas e assim se afastou completamente do Banco Central só pedindo que não deixassem a popularidade dele cair com aumento da inflação. No primeiro mandato dele quem mandava, seja como diretor, seja como presidente, era o Gustavo Franco. No segundo mandato, Armino Fraga com as boas reações dele com os financistas americanos e sem limites (Em 1999 ele elevou a Selic para 45% e em 2002 com o dólar subindo nas alturas ele ficou só olhando, pois sabia que inflação no governo dos outros não dói, foi por isso que o Delfim Netto fez o artigo sobre o efeito prolongado na inflação do aumento da base monetária) comandou o Banco Central impondo essa figura tacanha do Regime de Metas. A realidade de Lula é outra. Ele não sabe nada de economia, mas não tem medo de economista e escuta seus conselheiros e assessores. E a crise atual é distinta daquelas que ocorreram no período de FHC.
Roberto São Paulo,
A redução da atividade não está sendo maior do que a esperada. Parece que quando o John Snow (ele substitui o Paul O’Neil que teve que demitir-se por considerar errado a redução de impostos desejada por Bush) era secretário do Tesouro dos Estados Unidos ele rebateu a idéia dos críticos de que os Estados Unidos estavam em recessão alegando que as duas locomotivas da economia americana eram a construção civil e veículos e como esses setores estavam pujantes não havia porque falar em recessão. No Brasil a situação só não é semelhante aos Estados Unidos (e seria pior, pois a indústria tem muito mais participação no Brasil do que nos Estados Unidos) porque as commodities são bem mais relevantes para a economia brasileira do que para os Estados Unidos, apesar de eles serem maiores produtores de commodities do que o Brasil. Mas esses dois setores sofreram um baque forte e portanto qualquer análise conseguiria prever o tamanho da crise.
O que você deve ficar atento é com o câmbio, pois é ele que terá condições de relançar a economia brasileira. Se ele se mantiver acima de 2,20 e havendo a recuperação como já ocorre das commodities agrícolas a situação brasileira será a melhor possível. Para que as commodities relancem a economia brasileira é necessário que haja excedente e portanto o consumo interno não pode aumentar muito. Você só faz isso com aumento dos impostos e aumento do juro ou reduzindo os gastos públicos. Aumentar o juro ou deixá-lo elevado como está é a maneira mais fácil.
Outra solução é fazer a opção pelo mercado interno. Eu só recomedaria essa opção daqui a uns vinte anos, se a economia brasileira possuir um PIB em torno de U$ 6 trilhões. Se o Brasil adotar essa política agora, ele vai cair na esparrela do governo FHC. A todo momento teremos crise na balança de pagamentos (Lembre-se que só em 2007 nós produzimos mais veículos do que o pico de 1997).
Clever Mendes de Oliveira
BH, 09/01/2009
Creio que a Política do Governo do Presidente Lula é de dar autonomia ao Banco Central, é isto que vem fazendo, mas a crise e o comportamento dos membros do COPOM podem levar o Governo do Presidente Lula a tomar medidas drásticas para impedir a recessão e o desemprego, retirando a Autonomia concedida ao Banco Central e unificar a Política Econômica.
Não há tempo para o debate econômico e a correção na Política Monetária precisa ser feita de maneira rápida, o restante da Política econômica está muito bem até agora.
Não creio que transformar o país numa plataforma de exportação seja o melhor caminho para o desenvolvimento econômico e social nem para o Brasil, nem para qualquer país.
O que precisamos fazer é ajustar nossas exportações as necessidade de financiamento da Balança de Pagamentos. O aumento da produção de petróleo e do biodiesel deve facilitar esta tarefa a partir de 2011.
O fundamental é realizar a distribuição de renda via aumentos do salário mínimo, da ampliação das políticas socias, e da melhoria da gestão e dos serviços públicos.
Creio que a queda de atividade ecconômica no Brasil está sendo muito maior do que se imaginava, pois além da forte queda da liquidez e da queda da demanda externa, ainda está havendo uma forte queda de confiança dos consumidores no Brasil, mesmo o desemprego ainda não ter se instalado de fato, nem ter ocorrido qualquer alteração na renda dos consumidores
O erro do COPOM está sendo em não aproveitar a forte queda da atividade econômica no Brasil e a forte queda dos juros internacionais para derrubar os juros da Selic e viabilizar as medidas anti-cíclicas necessárias para a recuperação da atividade econômica.
O que o COPOM está fazendo ao manter elevadíssimos os juros da Selic está contribuindo determinantemente para continuidade da forte queda da atividade econômica no Brasil, abrindo as portas do inferno da recessão e do desemprego.
Roberto São Paulo,
Na minha opinião você se deixou cegar por um longo tempo de informações equivocadas. Veja por exemplo esse excerto de texto de Luis Nassif publicado na Folha de São Paulo de 07/05/2004, pág. B-3, com o título de “O fim das utopias”. Diz Luis Nassif, cujos escritos não podem ser jamais colocados no mesmo grupo dos jornalistas e jornais da nossa elite econômica, predadora e oportunista: “A primeira constatação que importa é que o tempo econômico e político de Lula se esgotou. No ano passado, houve enorme efervescência quando se percebeu que havia um governo que ouvia. Hoje há consenso de que o governo só ouve, mas não escuta nem age. E não é nem questão de querer: é de não saber.”
E continua Luis Nassif no segundo parágrafo: “Até alguns meses atrás, havia espaço para a redução acelerada das taxas de juros e a manutenção do câmbio em níveis que livrassem o país dos impactos das crises internacionais. Agora já se entrou na rota da crise, e esse espaço acabou. Se tiver de aumentar as taxas, será em cima de uma base extremamente elevada, aumentando a vulnerabilidade da economia. Sem reduzir os juros, é aguardar que o crescimento da dívida gere a crise que resolva pela via rápida o impasse.”
Eu poderia continuar, pois o terceiro parágrafo é bastante mais rigoroso com o Banco Central. Se houver interesse em ler todo o texto pode ir no endereço: (http://cronicats.blogger.com.br/2004_05_01_archive.html)
Vou discutir alguns dos pontos do seu último comentário. Como costumo dizer, só os ingleses e os que se tomam por ingleses acham que o Henrique Meirelles é quem dita o comando sobre a taxa Selic. Você, nos seus últimos posts está-se tomando por inglês. Nenhum país sério dá autonomia para um Banco Central. FHC deu porque ele toma o mundo como se fosse segmentado: aqui é a arena política e eu sei negociar com os políticos manda-chuva, aqui é área do Banco Central e eu vou por alguém que entende disso. FHC, entretanto, nunca teve experiência de chefe de executivo e por isso fez aquele estrago todo no Brasil. Os tempos agora são outros. É preciso imaginar o Lula e seus assessores como um bando de incompetentes para achar que foi dada autonomia para o Banco Central. Como eu disse, só os jornalistas que se tomam por ingleses é que acham Lula incompetente. Veja os links no meu email para o João da Rocha onde fica fácil verificar como Lula manipula a mídia, fazendo-a divulgar que o Banco Central é autônomo, mas se a inflação cair os méritos cabem a Lula
Em relação às medidas drásticas a que você se refere, penso que só há que se falar nelas se um trabalho de prospecção verificar que o futuro tem esse colorido que você parece prevê. Eu creio que o futuro próximo está incerto, mas os primeiros indicadores: preços de commodities se estabilizando em níveis altos se se comparam com os preços de 3 a 4 anos atrás.
No seu terceiro ponto há a grande divergência entre a sua concepção de modelo econômico para o Brasil e a minha preferência pelo modelo exportador. Até 1983, eu defendia o modelo de crescimento via mercado interno. Quando o Brasil fez a maxidesvalorização e eu vi que o Brasil passou a crescer, chegando a uma taxa de 7,8% em 1985, eu mudei de opinião. Passei a preferi o modelo exportador. Só em 2003 nós voltamos a trilhar com persistência o mesmo caminho. Alteramos a rota em 2007 por sorte ou porque o presidente Lula foi avisado que haveria uma crise como nunca houvera outra igual e ela seria mais bem enfrentada se o país afastasse um pouco do viés exportador. E por sorte, o Presidente que adotou o modelo exportador, é um presidente preocupado com a vasta gama dos excluídos na população brasileira.
Excetuando os países da cortina de ferro, que acabaram, no mundo todo só cresceram com continuidade os países que adotaram o viés exportador. Japão, Alemanha, os Tigres Asiáticos. Mesmo os Estados Unidos apresentavam, no Séc. XIX, um viés exportador, e para voltarem-se para o mercado interno eles tiveram que dar o calote nos financistas europeus. Nossa opção pelo mercado interno deve ficar para daqui a vinte anos.
A distribuição de renda deve ser feita, mas não adianta acelerar o processo. O aumento do salário mínimo no início do plano real fortaleceu o viés de mercado interno que se instalou na economia e nos levou a sucessivas crises no Balanço de Pagamentos.
A queda é setorizada. Procure uns três ou quatros grupos de supermercados de perifería, com bazar pequeno, e que estejam na faixa de faturamento de cerca de 1 bilhão de reais no ano. Obtenha dados sobre o faturamento mensal durante o ano. Você verá que não houve alteração na curva de crescimento. Nas medidas do PIB que virão nos próximos meses talvez além da indústria teremos problemas nas taxas de investimento do setor privado. Com cuidado e sem pressa poderemos enfrentar esses problemas.
Se o governo Lula fizer a opção por crescer puxado pelo mercado interno, eu concordo com você que não é necessário manter a taxa Selic tão alta. Mas se a opção for incentivar o mercado interno via o setor exportador, e as condições da taxa de câmbio são extremamente favoráveis, o governo não pode deixar a taxa de juro cair, mas evitando que o real se valorize.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 08/01/2009
Creio que o que ocorreu é que até maio de 2006 o Ministro da Fazenda estava alinhado com o Presidente do Banco Central do Brasil.
A partir da posse do Ministro Guido Mantega na Fazenda, houve a ruptura desse alinhamento que persiste até hoje, onde ficou claro a Autonomia concedida ao Banco Central pelo Governo do Presidente Lula.
Nos EUA tem um Banco Central Indepedente, Na Inglaterra e Na Zona do Euro também, neste lugares há um gestor da Polítca Monetária e um outro gestor para o restante da Política Econômica.
Agora pressões políticas faz parte vida de qualquer gestor.
Eu sei que a maioria dos países prefere o modelo de plataforma de exportação para alavancar o desenvolvimento. Só que considero o modelo do desenvolvimento do mercado interno muito melhor.
O Japão tem uma das melhores distribuição de renda do mundo, usou o modelo de plataforma de exportação para alavancar o crescimento, mas não significa que não havia outras opções.
A queda está se dando em importantes setores da economia, dados do IBGE indicam que a queda foi generalizada.
A queda das vendas de bens duráveis e do investimento em bens de capital e a queda da demanda externa, ainda não se refletiram no emprego, caso o COPOM não reduza os juros da selic, certamente isto vai acontecer.
A queda do emprego além de diminuir a renda, afeta muito a confiança dos consumidores.
O que está ocorrendo agora é uma forte e brusca desaceleração nas vendas interna e externa, isto provoca uma queda muito maior na produção para ajustar os estoques, o setor de mineração, fundição e laminados e de produção de automóveis literalmente paralizaram a produção, outros setores reduziram as contratações e reduziram as horas extras.
Luis Nassi,
Fiz referência a este post “o Guardião da Moeda” em comentário enviado hoje, 02/06/2009 às 23:49, para o post “As grande profecias” de 01/06/2009 às 14:23 de autoria de Wedem aqui no seu blog.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 02/06/2009