Pelas regras do funcionalismo, não daria para continuar prorrogando a licença de Paulo Lacerda no comando da ABIN. Por outro lado, a Polícia Federal ainda não terminou o inquérito. O que deixava sua situação em suspensão.
Havia a sombra da CPI dos Grampos. Ao negar um envolvimento maior da ABIN com a Satiagraha, Lacerda se expôs.
A partir desse quadro, e da impossibilidade de prorrogar sua licença, o próprio Paulo Lacerda sugeriu um cargo de adido em Portugal – foram criados também na França e nos Estados Unidos.
A proposta a ele foi formalizada pelo Ministro da Justiça Tarso Genro e completada por Luiz Paulo Barreto, interino.
Lacerda achou a melhor saída porque não tinha condições nem de voltar nem de sair da ABIN. Por outro lado, a crise provocada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, paralisou os trabalhos da entidade há 120 dias.
Do ponto de vista político, a avaliação no Palácio é que a acusação feita contra Lacerda e a ABIN – de participação no tal grampo – está enfraquecendo-se dia a dia. As investigações da ABIN não chegaram a nada de conclusivo. A da Polícia Federal está em curso. Mas, nesses 120 dias, a hipótese do grampo se enfraqueceu.
O depoimento de Gilmar Mendes à Polícia Federal foi genérico, sem apresentar uma prova sequer que comprovasse sua acusação. A opinião geral é que existe um áudio, mas que não pode ser apresentado por conter alguma assinatura eletrônica que não pode aparecer.
Também foi considerado que, hoje em dia, a opinião pública tem mais convicção de que a Operação Satiagraha continuará a todo vapor, assim como os processos decorrentes.
Daniela Mercury Nobre Vagabundo
Adicionado por Marcia
Comentário
Ontem Daniela Mercury se apresentou aqui no hotel onde estou hospedado. A Ruiva foi com as menininhas. A besta quadrada, aqui, ficou entretido com os arquivos de Vargas. Quando acordei do mergulho, o show já tinha acabado. E tive que ouvir das menininhas um “bem feito, papai, quem mandou ser distraído”.
Plantão | Publicada em 29/12/2008 às 16h06m
Catarina Alencastro
BRASÍLIA – O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, foi definitivamente afastado da instituição. A decisão foi anunciada agora há pouco pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República.
Por Stanley Burburinho
Mais um lance de xadrez. Depois do “afastamento” do delegado Protógenes da Satiagraha e da “exoneração” do Dr. Paulo Lacerda da diretoria ABIN, sobrou quem para os aliados do Dantas e grande parte da imprensa atacar diariamente?
Acredito que a imprensa e os aliados do Dantas ficarão desorientados depois dos afastamentos do Protógenes e Paulo Lacerda. Em quem mirar daqui em diante e com qual argumento?
Se o Planalto desconfiasse do Paulo Lacerda, ele não seria enviado para Portugal para que ele pudesse atender às convocações da CPI dos Grampos.
Posso estar enganado, mas acho que esse movimento antecede aos desdobramentos da Satiagraha/Banestado que trarão alguma grande revelação num futuro bem próximo.
Acredito que a exoneração do Paulo Lacerda é estratégica.
Os aliados do Dantas estão se sentindo órfãos porque eles não têm como se comunicar com ele devido aos prováveis grampos telefônicos autorizados pela justiça. É um risco muito grande.
A única forma de se comunicar com o Dantas sem correr riscos é a partir de algum outro país.
Comentário
Estou em um hotel com a família, meio fora do mundo e com a secretária de folga. Por isso não consegui falar com Brasilia.
Alguns pontos para se analisar:
1. O Palácio não gosta de Protógenes, mas gosta e respeita Paulo Lacerda. Mas também se afirma que ele envolveu demais a ABIN no caso.
2. De acordo com sinais emitidos pelo próprio Protógenes, no Roda Viva, mais coisa estaria para estourar em breve. Inclusive a relação de jornalistas ligados a Dantas.
3. A informação do Burburinho sobre a desarticulação do esquema Dantas – pelo receio do grampo – é real. O que significa que a Polícia Federal não esmoreceu na investigação – conforme admitido pelo próprio Protógenes na entrevista.
4. Não tenho opinião formada ainda sobre a saída de Lacerda. Simbolicamente, é ruim. Estrategicamente, não. Leia mais »
Vi isto (Última Instância, informativo de 29/12/2008), abaixo, agora cedo e tentei postar em outro espaço. Como não encontrei nenhum tema que o abrigasse na comunidade, envio a vc por aqui mesmo (vc já viu isto?):
PGR encaminha parecer contra limitação do poder de investigação criminal do MP Leia mais »
(…) Tenho residência em A. dos Reis e um dia desses rolaram algumas lágrimas, quando passando em frente ao antigo (e morto) Estaleiro Verolme, fiquei deslumbrado com o espetáculo de cerca de 3 mil operários, em seus uniformes (assim como se fosse na China, com suas bicicletas) saindo do trabalho.
Ora! se faziam 2 décadas que a indústria naval estava sucumbida; se não existiam escolas técnicas nem universidades, bastou a coragem do governo de Obrigar a Petrobrás a encomendar plataformas e navios, que – do nada – se passou a ser tudo.
Os recursos vieram por conta e risco dos empresários-investidores; no princípio (informação do Pres. Sindicato dos Metalúrgicos de A. dos Reis), a empresa se fez escola e os empregados alunos. Em novembro foi lançada ao mar a P51. com nacionalização de 75% de insumos e 100% de mão de obra. Existem outras 5 encomendadas e quase 300 navios. Nem precisava exagerar tanto! Sou meio burro nestes assuntos, mais acho que a posição do Brasil em termos de estaleiros deve estar na crista da onda mundial! Leia mais »
No valor de hoje, Affonso Celso Pastore dá sua receita: em qualquer circunstância juros altos. Ou, como utilizar seletivamente argumentos em favor da tese única.
Os grandes desafios de 2009
Por Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti
As convicções do governo Lula estão sendo testadas diante da atual crise internacional. Desde o início do primeiro mandato o governo manteve um elevado grau de disciplina macroeconômica (…) Mas seu governo nunca foi submetido a um teste que colocasse à prova aquele pragmatismo. Afinal, ao contar com a contribuição de uma conjuntura internacional favorável ao crescimento econômico, podia jogar livremente e com custo baixo o jogo da “ortodoxia” na política econômica, conseguindo ao mesmo tempo agradar os mercados e as agências de risco; elevar a sua popularidade; e acalmar os setores mais à esquerda de seu partido, porque a eles entregava um crescimento acelerado e um aumento da probabilidade de permanecer no poder por muitos anos. Leia mais »
Um poema de Vinícius ordena, suplica que “Pensem nas crianças mudas telepáticas. Pensem nas meninas cegas inexatas. Pensem nas mulheres rotas alteradas. Pensem nas feridas como rosas cálidas…”. É esse poema, A Rosa de Hiroxima, é essa talha em versos que ordena, que resiste e insiste em nossa memória, quando vemos a foto de Somaeah Hassan, de 6 anos, abatida na faixa de Gaza. Essa flor fuzilada, entre gazes, olhinhos semicerrados, é a própria Rosa da Palestina. Contenhamos a velocidade da mão, refreemos a velocidade da escrita, represemos o fluxo da leitura. Pedimos uma pausa no caleidoscópio, nas luzes fugazes, frívolas, vulgares do incessante ir e vir do noticiário de todos os dias. Somaeah Hassan está morta. Calma, buldogues, fechem suas bocas, canos quentes de balas, suspendam a digitação, noticiaristas, segurem por um instante a divulgação do mais quente e recente escândalo. Porque o escândalo já está feito: Somaeah Hassan está morta (continua).
Segue abaixo link com trecho da entrevista do Juiz Fausto De Sanctis à Rede TV nesta madrugada.
Ele explica claramente o fundamento jurídico, as novas motivações e provas que deram sustentação à segunda decretação de prisão do Dantas.
Por Kennedy Alencar
Olá, Nassif, boa noite. Vi a nota sobre o De Sanctis. Se vc achar que é o caso de dar, segue o link do programa com a entrevista dele: clique aqui.
A questão toda está na combinação de dois pontos. O primeiro é o direito fundamental à presunção de inocência. O segundo é a estrutura do poder judiciário brasileiro.
A regra de presunção de inocência serve para evitar que o meramente “processado” seja objeto de tratamento jurídico de “condenado”. Sua origem está bem assentada na obra fundamental de Beccaria, quando vemos que no processo medieval era possível torturar o réu para que confessasse nos casos em que não havia “prova plena”. Leia mais »
Que o jornal seja muito mais cuidadoso do que tem sido na divulgação de grampos e vazamentos, não reproduza acriticamente o que sua própria equipe não apurou, revele ao leitor o interesse de quem fornece a informação ainda que o mantenha anônimo. E que, quando um caso dá em nada, como parece ter sido o do suposto grampo de Gilmar Mendes pela Abin, noticie o desenlace com ênfase comparável à dada às acusações. Neste caso, a revelação das suspeitas rendeu cinco manchetes de capa e dezenas de páginas; seu epílogo, duas notas curtas em página interna.
Comentário
A análise do Carlos Eduardo remete a um novo ponto, mais grave. Se praticamente há consenso de que o suposto grampo, com a conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres, foi uma armação, não dá para meramente registrar o ocorrido.
A partir dessa constatação, há no mínimo uma falta grave cometida pelo presidente do Supremo, por um senador e por uma revista semanal. No máximo, uma cumplicidade com atividades criminosas.
Como fica? Não há lei, não há cobrança de responsabilidade, não haverá CPI para apurar as responsabilidades de um episódio que colocou em xeque instituições públicas e quase gera uma crise institucional? Leia mais »
A Folha continua firme em sua linha editorial de esquecer todos os crimes de Daniel Dantas, passar ao largo sobre as suspeitas que pesam contra jornais e jornalistas e procurar desacreditar a Satiagraha.
Confira na entrevista de Lilian Christofoletti e Mário César Carvalho com o procurador Rodrigo De Grandis.
O título é “Erro de Protógenes não invalida provas que PF reuniu contra Dantas” (clique aqui).
Compare as sucessivas tentativas de jogar casca de banana, de arrancar declarações que comprometam a investigação, com a entrevista recente com Gilmar Mendes, em que sequer é tangenciada a questão do grampo. Leia mais »
Análise: Emergentes adotam controle de capitais 29/12 – 08:13 – Valor Online
SÃO PAULO – A falta de crédito em dólar e a crescente aversão ao risco, agravadas após a quebra da Lehman Brothers em 15 de setembro, provocam escassez de moeda americana nos países emergentes em todo o mundo e diversos deles têm optado por mecanismos de controle do fluxo internacional capitais, alguns inclusive com o aval ao menos temporário do Fundo Monetário Internacional. Há saída de recursos de portfólio dos emergentes, mas não só. ……. Leia mais »
Algumas pessoas ironizaram quando um comentarista levantou a possibilidade do tal calote do Equador ser uma manobra, para permitir adquirir os títulos da dívida com um grande deságio.
QUITO - O governo do Equador planeja recomprar seus bônus a um desconto expressivo, depois de ter deixado de pagar parte da dívida externa. O presidente Rafael Correa disse que o país poderá tentar recomprar a dívida externa em janeiro, mas não especificou quais títulos poderá adquirir.
“Vamos fazer uma proposta: no começo de janeiro, recomprar esta dívida externa, mas obviamente a um valor substancialmente menor que o valor de face dos bônus”, disse Correa em sua mensagem hoje por rádio.
O Equador enfrenta o aumento do déficit orçamentário, a queda da receita com petróleo e acesso limitado aos mercados de crédito internacional depois da decisão de Correa, em 12 de dezembro, de deixar de pagar US$ 30,6 milhões de juros devidos em US$ 510 milhões de dívida.
Introdutor do jornalismo de serviços e do jornalismo eletrônico no país. Vencedor do Prêmio de Melhor Jornalista de Economia da Imprensa Escrita do site Comunique-se em 2003, 2005 e 2008, em eleição direta da categoria. Prêmio iBest de Melhor Blog de Política, em eleição popular e da Academia iBest.