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23/12/2008 - 10:17

Retrato de uma montagem

Da Folha

A base da dúvida

JANIO DE FREITAS

De que base se originou o caso de grampeamento do presidente do STF e de um senador para chegar a tanto?

O ARQUIVAMENTO , por falta de qualquer indício, da investigação na Abin sobre possível envolvimento seu no grampeamento do presidente do Supremo Tribunal Federal e de um senador ainda não isenta a agência. Mas repõe uma questão essencial nesse tumultuoso caso que comprometeu numerosas pessoas e, aqui como no exterior, o próprio serviço de informações da Presidência da República: de que base se originou esse caso para chegar a tanto?

O final dessa história para a Abin depende ainda das investigações da Polícia Federal. Mas, para a Abin e para todos, o começo, que ficou perdido na torrente das notícias, especulações e ficções iniciais do escândalo, não esteve em um fato, não esteve em um documento, não esteve em uma denúncia, em acusação ou declaração. Veio de uma vaguidão que não queria ser mais do que isso mesmo: a transcrição do telefonema, dizia a reportagem da “Veja”, foi entregue por um agente não identificado da Abin.

Frases assim, como penduricalhos, entram no jornalismo por muitos motivos. Por serem verdadeiras, ou porque o jornalista acha que valoriza o seu trabalho, ou para encobrir procedência verdadeira, ou para comprometer determinado setor ou empresa, ou para intrigar alguém, e por aí vai. Não é preciso suspeitar de uma das hipóteses de má-fé, em relação à “Veja”, para perceber que a menção era insuficiente demais para tumultuar um governo como fez com o atual, com epicentro no gabinete do próprio presidente da República. E, além disso, que foi explorada com boa-fé e com muita má-fé, manipulada como poderoso instrumento na luta por conquista de maiores poderes, presentes e futuros.

A rigor, diante disso tudo, nem ao menos é seguro que houvesse grampeamento no telefone do ministro Gilmar Mendes. À falta de indícios encontráveis pela segurança do Supremo, pela Polícia Federal e pela investigação do Gabinete de Segurança Institucional, permanecem as possibilidades de que grampeado fosse um ou outro interlocutor de Gilmar Mendes, assim como outro tipo de escuta. A maluquice final seria nem ter havido escuta, mas um ardil bem montado. A Polícia Federal que diga, ao menos, quem foi o alvo visado, entre os vários atingidos.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Mídia Tags: , , ,

23 comentários para “Retrato de uma montagem”

  1. Orides disse:

    Sr. Articulista,
    Em atenção ao seu pedido de esclarecimentos à PF, venho por meio deste Blog responder: os visados são o Dr. Paulo Lacerda, o Dr. Protógenes Queiroz, o promotor de Grandis e o Dr. Fausto de Sanctis.
    Subsidiariamente, visa a todos que tem qualquer pretensão em apurar os crimes cometidos pelo Sr. Daniel Dantas.
    Desculpe, esses fatos eu ovi das pedras, eis que até o mundo mineral está bem ciente dessas coisas.

  2. José Maia disse:

    Nassif, o Ricardo Noblat diz em seu blog:

    “Protóneges tentou vender a tese de que o repórter da revista reconstituiu a conversa com a ajuda de Demóstenes e de Mendes. No caso, o senador e o ministro teriam sido cúmplices do repórter na invenção de um episódio que quase procovou uma crise institucional.”

    Eu não assisti ao programa. Foi assim mesmo? Se foi, o delegado avariou. Não faz muito sentido sentido.

    É claro que o Ricardo Noblat foge da questão que interessa: a Veja afirma que foi a ABIN e Gilmar Mendes embarca nessa afirmação utilizando os poderes constitucionais de um presidente do STF. Ou ele tem mais informações ou foi um completo irresponsável, ou ainda, está cumprindo uma missão.

    Quem não tem nada de inocente é o Ricardo Noblat ao focar em questões secundárias. Afinal de contas, é apenas a opinião do delegado.

  3. jcslopes disse:

    Nassif, acho que o barco está afundando e quem pode pular fora, vai fazê-lo, sempre deixando a possibilidade de embarcar novamente caso ele se aprume…
    Agora, isso não foi “uma maluquice ou um ardil bem montado”, foi intencional e mal montado, para proteger DD ou aos próprios, no futuro…
    Outra coisa, essa acusação de que funcionários da ABIN não poderiam
    auxiliar nas investigações do delegado Protógenes, isso acaba com o Disque-Denúncia.
    Interessante também, é como duas reportagens, uma vinda de “Vaguidão” , por acaso, e outra “furo de reportagem” , sem maiores intenções”, provocaram um tsunami de proporções tão grandes, dentro do mesmo grupo…..Sdc.

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