Arquivo de julho, 2007
31/07/2007 - 00:17
Foram dez anos, exatamente dez anos atrás quando a fui buscar no Hotel da Alameda Lorena onde se hospedavam cientistas e professores para os seminários da USP. Você tinha vindo para um encontro de farmácia. Alguns meses antes nos tornamos amigos virtuais, trocando conselhos e nos consolando mutuamente pelo ICQ.
Eu me encantava com seus modos, sua graça, quando chegava entusiasmada contando como fora a uma festa e chamara a atenção por sua beleza; ou pedindo uma pausa, para que pudesse esquentar o jantar do pai, que acabara de vir do trabalho; ou quando me mandava poemas que se encaixavam tão bem nas situações que atravessava.
Não tinha a menor idéia do que iria encontrar no hotel, quando marquei pegá-la às 20 horas para um jantar. Pelas molecagens nas salas de chat, imaginava uma menina magrinha, elétrica, com cabelos ouriçados, mesmo você sutilmente me avisando que não era bem assim.
Parei o carro no pátio do hotel e te olhei de leve caminhando em minha direção. Apresentou-se, entrou, e nem olhei direito para seu rosto. Estava vexado de sair com uma moça tão mais nova, ainda que não houvesse nenhuma intenção maior no encontro, a não ser o de conhecer uma amiga virtual. Era eu mentindo para mim. E você para você, quando supôs que seria apenas um encontro corriqueiro.
Minha timidez impediu-me de perceber, de cara, que você estava inibida. Nem parecia aquela serelepe que atazanava a sala com provocações. Só a olhei de fato, só vi seus olhos, olhei seu rosto, os dentes meio separados quando chegamos ao Chalé Alpino, pedimos o prato e o vinho, e parei para respirar.
Nem sei se parei para respirar ou deixei de respirar quando, pela primeira vez, olhei seu rosto. Foi um choque, um impacto que não esperava. O vinho correu solto e tirou a inibição. A conversa fluiu, todas as confidências trocadas no ICQ vieram à tona, estimuladas pelo vinho.
No túnel escuro em que me metera, de repente seu rosto era um farol, tão intenso que, em determinado momento, a chamei para vir embaixo da minha asa, e avancei um beijo, que você não recusou.
Depois, fui deixá-la no hotel, mas a acompanhei até o apartamento. Nem me lembrava direito o que tinha acontecido. Durante muito tempo imaginei que era um sonho e que, em determinado momento, eu a cobria de declarações, uma enxurrada de palavras, apaixonadas, segurando seu rosto com minhas duas mãos.
Muito tempo depois você me disse que não havia sido sonho. Fiz, de fato, as declarações, justo eu que fugia de qualquer envolvimento como o diabo da Cruz, que tinha todos os pruridos para expor sentimentos, quanto mais para fazer declarações. Mas tudo o que eu imaginara sonho, tinha de fato acontecido.
Naquela noite começou uma nova vida, complicada, difícil, mas que me salvou da solidão.
Hoje, dez anos depois, quando vejo nossas menininhas, vejo a mocinha de 25 anos tornando-se mulher, sofrida, amadurecida, companheira, constato que já fiz muitas apostas na vida, muitas apostas erradas.
Mas na maior delas, ganhei você, as menininhas, e a certeza de uma longa vida companheira pela frente.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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29/07/2007 - 18:58
Enviado por: Daniel
Caro Luis:
Li que vc continua a “descobrir” mais músicos argentinos para os colegas do blog que tem interesse por musica. Já foi Oscar Aleman e por último os Les Luthiers….. desta vez não vou deixar vc se antecipar……. estou falando de um pianista argentino, Gustavo “Cuchi” Leguizamón, nascido em Salta, a mesma terra do Falú.
Compunha e tocava piano com um ritmo sincopado que muitas vezes se acercava ao Jazz….. suas obras acompanharam as letras de grandes poetas, como Jaime Dávalos e Manuel Castilla.
Lamentavelmente não encontrei nenhum vídeo dele tocando no Youtube, mais sim músicas dele interpretadas por outros, que já dão uma boa idéia de sua dimensão musical:
Aqui http://a cantante Guadalupe Farias Gomes com piano de Raul Parentella.
e uma interessante versão em baixo elétrico e percussão de Willy Gonzalez e Micaela Vita.
e por ultimo uma versão de Rocio Palazzo, de Zamba del Laurel.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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28/07/2007 - 22:04
A música instrumental brasileira passa por uma fase esplendorosa. Não apenas por jovens revelações, mas pela facilidade trazida pelas novas tecnologias, que abriu espaço para o registro de músicos consagrados (no meio) mas desconhecidos do grande público.
O CD “Léa Freire” é uma obra de arte, na linha do “Interiores”, do Proveta. Aqui, a faixa “Bis a Bis” , composição dela, arranjo e requinta de Luca Raele, acompanhado pela requinta de Sérgio Antonio Burgani, o clarone de Luiz Afonso Montanha, o clarinete de Tiago José Garcia e o clarone de Luiz Nivaldo Orsi Filho.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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28/07/2007 - 07:00
A celebração do feito de Hugo Hoyama no tênis de mesa me trouxe de volta boas lembranças dos tempos em que praticava o esporte, que sempre teve ídolos de primeira. O maior deles foi Biriba.
Pelé foi gênio aos 17 anos. Aos 13, apenas Biriba no tênis de mesa e Mequinho no xadrez.
A bem da verdade, naqueles anos 50 e 60, em que apareceram as primeiras glórias do esporte nacional, o tênis de mesa não chegava a ser atividade nobre. Havia o boxe, com Luizão, Fernando Barreto e, principalmente, Éder Jofre; o futebol, com a geração de 58; o salto triplo de Ademar Ferreira da Silva, o atletismo múltiplo do grande José Telles da Conceição e o tênis feminino de Maria Esther Bueno, no final dos anos 50.
Já na década de 60, Thomaz Kock surgia como o grande nome do tênis masculino brasileiro, mas provocava uma implicância danada da imprensa. Para alguns, o craque brasileiro era Ronald Barnes, que se tornou professor de tênis nos Estados Unidos. Outros insistiam em Edson Mandarino, outros falavam muito de um carioca, campeão amador brasileiro, de nome Jorge Paulo Lehmann -futuro Banco Garantia. Mas quem levava os títulos era mesmo o Kock, que ainda por cima usava um rabo de cavalo à Woodstock que lhe dava um certo ar de contracultura zen.
O tênis de mesa era o primo pobre do tênis de quadra. Mas foi nele que apareceria o mais precoce fenômeno do esporte brasileiro: Biriba.
Lá na Associação Atlética Caldense sempre tivemos boa tradição no tênis de mesa, que remontava os anos 40. Nos anos 60, veio morar na cidade o Paulo Eugênio, ex-campeão carioca de duplas, e que era filho do Vivaldi, o grande empreendedor que transformou a Cinelândia do Rio e construiu o Quisisana em Poços -que teria sido um dos maiores hotéis cassinos do país, não fosse o fato de alguns meses após a inauguração dona Santinha ter convencido o presidente Dutra a fechar o jogo.
O Paulo Eugênio era um fenômeno -pelo menos era o que a gente pensava. Tinha uma doença qualquer que atrapalhava seus movimentos, por isso quase não se movia sobre a mesa. Ficava na defensiva, com aqueles movimentos de cortes curtos para baixo na bola, que a gente chamava de nheco-nheco. A tática impedia o ataque do adversário. Era só o adversário cansar com o ataque para Paulo Eugênio desfechar um top spin mortal -aquele golpe longo na bola, com a raquete fazendo um movimento de baixo para cima, que confere um efeito em forma de elipse. As cortadas de Paulo Eugênio eram apenas colocadas. Mas ele tinha um lance qualquer, uma forma de “não” olhar a bola, que sempre jogava o adversário no lado oposto da mesa.
Comecei a praticar o tênis de mesa aos 14 anos. Os mais antigos -como o Romeu Popó, o Armandinho e o Ruidiziam que o tal do top spin tinha sido ensinado ao Paulo Eugênio por coreanos que foram jogar no Rio. Eu e o Amílcar Caselli Neto, o Netinho -meu companheiro de treinosficávamos muito impressionados.
O grande momento do tênis de mesa em Poços foi quando Paulo Eugênio convidou Biriba para uma temporada no Quisisana, com direito a treinos diários matinais. A molecada da Caldense ia toda para lá ver o Biriba cortar e o Paulo Eugênio aparar.
Pois eu dizia do craque precoce. Biriba tinha 13 anos quando foi disputar o campeonato mundial, no Japão. Na segunda ou terceira rodada pegou o então campeão mundial, e o venceu. Há um lance no jogo que entrou para a história do tênis de mesa mundial. Foi quando o campeão japonês deu uma cortada forte, a bola bateu perto da rede e subiu que nem foguete. A bola passou por Biriba que, rápido como um raio, deu um salto e cortou a bola de costas, conquistando o ponto. A fotografia do lance foi aproveitado por uma fábrica japonesa para lançar a raquete Biriba, das mais prestigiadas da época. Depois disso, não havia moleque brasileiro que não sonhasse em ser como o Biriba.
Tive lá meu curto período de bom jogador, cheguei a ser campeão de Poços e vice da Média Mogiana. Depois, o Tiro de Guerra acabou com meu tempo livre e disputei um campeonato mineiro em péssimas condições técnicas.
Foi nesse campeonato que a glória de Paulo Eugênio atingiria o máximo. Venceu todos os campeões mineiros, um povo de Belo Horizonte que chegou em Poços achando que estava em cima da carne seca. Na decisão, destruiu o campeão Ivan em dois sets, deixando-o estatelado umas duas vezes no chão com seu estranho golpe de corpo.
Voltei a me entusiasmar com o tênis de mesa no ano seguinte quando, recém chegado a São Paulo, conheci o Pedrinho, filho de iugoslavos, dono de uma banca de revistas na rua Maria Paula, integrante da Seleção Paulista de Veteranos e um gozador incorrigível. O dia em que Pedrinho ficou de me apresentar o pai de Biriba foi o mais glorioso de minha curta carreira de caipira recém-chegado a São Paulo. Saí mais cedo da faculdade só para antecipar o grande encontro.
Seu Biribão tinha uma loja que vendia frangos engradados, na Vila Maria Alta. Lá, o pai coruja mostrou os álbuns com recortes de jornais sobre o filho. Depois, explicou que a carreira de Biriba começou a declinar com a idade, porque sua grande vantagem eram as pernas ágeis de menino.
A conversa fluiu e perguntei de Paulo Eugênio. “Ah, o Paulinho, grande amigo nosso”, disse ele. “E grande jogador, né?”, arrisquei. “Não, como jogador era fraquinho” -era o velho Biribão dos frangos engradados deixando em frangalhos a reputação do nosso campeão. Tentei argumentar: “Fraco perto do seu filho, que quase foi campeão mundial”. E seu Biribão, decretando a sentença de morte em minha crença de que algum dia poderia vir a me tornar um bom jogador: “Que nada. Até eu ganhava dele”.
Nunca contei essa história em Poços para não desiludir a minha geração de mesatenistas. Conto agora, porque acho que eles já estão em idade de absorver esse golpe.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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22/07/2007 - 14:18
A primeira vez que ouvi Pena Branca e Xavantinho creio ter sido no programa “Vitrine” da TV Cultura de São Paulo. Vou lhe contar, poucas vezes na vida uma interpretação me pegou daquele jeito, de ficar suspenso no ar sem conseguir respirar, como a emoção da primeira namorada. Talvez algumas interpretações de Jacob, as guarânias de Luiz Vieira, canções de Caymmi, as primeiras músicas que ouvi de Chico, Gil e Caetano, sei lá, e obviamente Cascatinha e Inhana.
Era isso, a emoção era a mesma da primeira audição de Cascatinha e Inhana, quando tinha meus dez anos e descobri em velhos discos 78 na casa de meu tio Léo. Ficava horas ouvindo “Meu Primeiro Amor”, “Índia”, “Luar do Sertão”, com aquela composição de vozes estranhamente simétricas, com o Cascatinha e a Inhana cantando uma oitava acima.
Apesar de periodicamente ouvir o programa “Alvorada Sertaneja” na rádio Cultura, apresentado pelo Compadre Zé Tomé e pelo Compadre Mesquita (meu tio Léo, carioquíssimo), as músicas caipira e sertaneja não me impressionavam muito. Não digo os clássicos, “Linda Flor do Ipê”, “Festa Junina”, “Chuá Chuá”, as obras de Valdemar Henrique, Joubert de Carvalho, J. Cascata e Leonel Azedo, Sá Pereira, o imenso Luiz Peixoto, João Pernambuco e outros, além dos paulistas Raul Torres, Capitão Furtado e Inezita Barroso, mas aquela música mais tosca de dupla caipira mesmo.
Nos meus tempos de moleque, havia uma distinção nítida entre a música caipira autêntica e a sertaneja, de funda influência mexicana e paraguaia. Minha casa ficava em frente o largo do São Benedito, onde tinha a quermesse anual mais concorrida de Poços. Todo início de maio, ficávamos nós lá, ouvindo “Pombinha Branca”, “Coração de Mãe” e outras menos votadas.
Mesmo depois que vim para São Paulo, toda manhã ia da Vila Maria à USP ouvindo o programa de Moreno e Moreninho na rádio Nove de Julho ou Marconi, não me lembro bem, e gostava muito do Zico e Zeca, de quem conhecia dois ou três clássicos. Gostava também de algumas músicas de Moreno e Moreninho, especialmente as congadas do sul de Minas, e adorava a viola caipira de Cafezal. Mas, no geral, era uma música muito pobre, esganiçada, que não me tocava a alma, mesmo quando interpretada pela mais popular dupla caipira de muitas décadas, Tonico e Tinoco.
Mas Cascatinha e Inhana, nunca ouvi coisa mais bonita. Aliás, até sozinha Inhana era imbatível. Há uns três anos saiu um CD póstumo da dupla, onde Inhana interpreta “Carinhoso”. Daquele período, não houve cantora romântica brasileira de voz mais bonita e de interpretação mais pungente, com exceção de Elizeth Cardoso e, talvez, de Alaide Costa e Nana Caymmi, na geração seguinte.
Pois Pena Branca e Xavantinho me despertavam as mesmas sensações. Ali no “Vitrine”, cantando clássicos de Milton Nascimento, Chico e Caetano, Pena Branca e Xavantinho não eram gente, eram anjos de ébano tecendo loas ao Criador. Xavantinho, aliás, tinha voz gêmea de Milton, o maior intérprete da MPB moderna.
Depois daquele dia, não houve show da dupla que eu não fosse atrás, que nem um fã despudorado. Nem tive pejo de pedir seus autógrafos em um desses shows e ruborizei como uma donzela quando escreveram meu nome, sem me perguntar qual era. Meus ídolos me conheciam! Até hoje minhas filhas mais velhas caçoam dessa demonstração de macaquismo explícito.
Todo mês entrava na Musical Box, ali na praça Vilaboim, e a primeira pergunta era se havia algum lançamento novo da dupla. Não perdi um. Eles formavam a linha de frente da música MPB rural de primeira linha, ao lado de Rolando Boldrin, Renato Teixeira, Sérgio Reis e do gênio Almir Satter.
A morte de Xavantinho foi tão triste quanto a de Inhana, muitos anos atrás. Naquele fim de semana, o som de casa ficou ligado direto nos seus CDs, especialmente em “Chuá Chuá”, de Sá Pereira, a música que me lembra minha mãe.
Lamento apenas que dona Tereza tenha partido antes que a dupla ficasse conhecida. Certamente teria ensinado todo o repertório de Pena Branca e Xavantinho aos seus netos, da mesma maneira que ensinou o de Cascatinha e Inhana aos seus filhos. Ensinaria “Cuitelinho”, recolhida por Vanzolini, “Velho Berrante”, do Adauto Santos, o hino a Mazaroppi, do Garfunkel, as músicas do Milton, Chico e Caetano que, na voz da dupla, perdiam o caráter moderno e ganhavam o tom intemporal, que provém das profundezas do tempo e do Brasil. E repetiria com aquela entonação pungente, o tipo de voz tremida que meu avô Issa usava quando cantava “Velho Realejo” para minha mãe criança, e que compõe o conjunto de valores intangíveis, que caracteriza a raça Brasil.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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22/07/2007 - 09:38
Esse povo do nordeste, que tem justo orgulho das suas raízes, não economiza para enaltecer Antônio Conselheiro, quando este declarou independência do Brasil. Mas lá na nossa região tivemos também um levante bonito, que quase culminou com a constituição da República Livre da Fazenda da Pedra.
O coronel José Custódio Dias de Araújo, Zeca da Pedra, dono da Fazenda da Pedra, era o maior chefe político de Campestre, no sul de Minas. A Pedra em questão era uma portentosa pedra, no meio de suas propriedades, de onde se avistavam muitas cidades vizinhas. Quando Tiradentes foi feito em picadinho, sua família saiu da região de Ouro Preto e foi se abrigar justamente na Fazenda da Pedra.
Nasceu lá em 1858 e morreu no Rio em 1943. Foi vereador em Campestre, e concessionário da linha telefônica Poços-Campestre, de 1905 e da Empresa de Luz Elétrica de Campestre. Pertencia à mesma linhagem do capitão-mor de Machado, Custódio José Dias, participante de 2a Junta Governativa de Minas, em 1822, e do padre José Custódio Dias, senador do Império, que participou da abdicação de Pedro I.
Era o chefe absoluto de Campestre até se meter com Arthur Bernardes, o todo-poderoso presidente do Partido Republicano Mineiro. Quando Bernardes assumiu, dentro do processo de renovação do PRM sugeriu ao coronel Zeca abrisse mão da candidatura à Câmara estadual em favor do próprio filho. O coronel não aceitou:
- Proponho que meu filho fique na bitola estreita, candidatando-se à Câmara Estadual, enquanto eu vou para a bitola larga, a Câmara Federal.
Bernardes não topou e romperam politicamente. A partir de então o coronel sofreu perseguição política implacável, que culminou com a mudança das divisas municipais. O coronel acordou uma manhã e, em lugar de Campestre, sua fazenda havia sido transferida para Machado. Mudaram a pedra de município.
Anos depois, faleceu o presidente mineiro Raul Soares, sendo substituído por Mello Vianna. Em Belo Horizonte chegou a notícia que Zeca da Pedra havia comemorado a morte servindo “cerveja para os miúdos, champanhe para os graúdos”, e declarado a independência da República da Fazenda da Pedra. Conseguiu a adesão do padre local, proibiu a entrada na cidade do coletor de impostos, que nem seu antepassado, e ficou esperando, com batedores encarrapitados na pedra para observar a movimentação das tropas adversárias.
Você veja que não foi Itamar quem inaugurou essa mania em Minas de colocar PM para cercar a represa. Foi o coronel Zeca da Pedra, e para cercar a pedra. Imediatamente o PRM mandou tropa de 50 soldados incumbidos de prender o Zeca e recuperar a pedra
A tropa chegou em Poços de Caldas e foi solicitar condução ao delegado local. Este, de férias, havia sido substituído pelo interino, José Luiz de Araújo Dias, dono da companhia elétrica local, e mais conhecida por Luiz da Pedra, filho do Zeca da mesma.
Nos anos de 1927 e 1928 o engenheiro Dias construiu uma estrada para automóveis de Poços a Machado, passando por Campestre, financiada por seu pai, o Zeca da Pedra.
Enquanto providenciava a condução, Luiz da Pedra enviou mensageiros para alertar o pai. Zeca da Pedra juntou todo o dinheiro que tinha e fugiu para São Paulo. Dali, para a Ilha da Madeira. Em São Paulo, com medo de ficar com muito dinheiro na mão, acabou adquirindo alguns terrenos onde, anos depois, o governo paulista instalou o Aeroporto de Congonhas.
Aliás, no dia da inauguração do aeroporto, Assis Chateaubriand envolveu-se em um rolo com o marido de uma amante, pegou o revólver e deu um tiro. A bala foi em direção a um dos orgulhos nacionais: a boca de Guilherme Olímpio, jornalista bonito que nem o diabo, com passagens por Hollywood e dono da dentição mais perfeita do país. Por puro reflexo, Guilherme abriu a boca, a bala entrou, atravessou a garganta, deixando intactos seus dentes.
Os soldados da Força Pública rumaram para Campestre, mas não encontraram o Zeca. Ficaram alguns dias na cidade em perfeita ordem, até o justo momento em que um italiano local, dono de uma vinícola, teve a infeliz idéia de convidá-los a provar o vinho. Produziu-se um terremoto inédito na cidade. Os soldados pararam o relógio da Matriz a tiro, invadiram uma fazenda das imediações e praticaram tiro ao alvo em uma vaca do fazendeiro Bié Junqueira, mais conhecido por Bié Calado, por gostar muito de ouvir, e poucos terem ouvido algum dia sua voz.
Bié Calado estava na fazenda Recreio, de Poços de Caldas, quando comunicaram o fuzilamento de sua vaca.
Ele disse:
- Canalhas!
E voltou a se calar.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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21/07/2007 - 17:11
O desenvolvimento da moderna pesquisa tecnológica brasileira está diretamente associado à energia nuclear. Nos anos 70, o início do programa nuclear Brasil-Alemanha levou o então Secretário de Tecnologia do governo Figueiredo, José Israel Vargas, a montar os primeiros programas sistemáticos de qualidade. O fracasso do programa levou o Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEM) a montar uma parceria inédita com a Universidade e, através do IPEN (Instituto de Pesquisas Nucleares) a controlar o processo de enriquecimento do urânio.
No início dos anos 50, foi a busca do domínio sobre a energia nuclear que levou o governo criar o Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e entregar seu comando ao almirante Álvaro Alberto.
Naqueles anos, o Brasil esteve a ponto de ter seu primeiro reator atômico, uma história ainda pouco conhecida. A guerra fria já começara quando Álvaro Alberto esteve nos EUA. Uma sucessão de acordos militares mal explicados tinha conferido aos americanos o monopólio sobre a pesquisa de minerais brasileiros. Na época, Álvaro Alberto havia enviado minérios brasileiros à França, na esperança de conseguir o apoio dos franceses ao projeto nuclear brasileiro. Quando a informação vazou, provocou enorme reação de Washington.
Em sua visita aos EUA, Álvaro Alberto havia se avistado com o “pai” da bomba atômica americana, o físico Robert Oppenheimer. Os acordos firmados com os EUA garantiam ao Brasil a entrega de alguns reatores pequenos, apenas para pesquisa de laboratório. O conselho de Oppenheimer havia sido outro: “No Brasil, não há o que discutir (…) Tem que fazer logo o reator atômico”, disse-lhe o físico. Sugeriu a construção de um reator simples. “Deixem essa história de reator experimental e façam um reator desse tipo, porque servirá de escola para vocês”.
Seguindo a sugestão, e ante a resistência dos EUA em fornecer tecnologia, Álvaro Alberto encomendou à Alemanha três unidades de ultracentrifugadores (sistema para enriquecimento de urânio). Isso foi em princípio de 1954. As tropas de ocupação da Alemanha não autorizaram a venda.
Tempos depois, restabeleceu-se a soberania da Alemanha. Mas um documento do governo americano ao brasileiro, que permaneceu sob sigilo por algum tempo, encerrou as negociações. Apesar do equipamento claramente não poder ser utilizado para fins bélicos, o documento dizia que “o estabelecimento no Brasil de um processo de extração de urânio físsil (…) poder ser considerado como uma ameaça potencial à segurança dos Estados Unidos e do Hemisfério Ocidental”.
Foram necessários quase cinqüenta anos para se recuperar o terreno perdido e se dominar o ciclo de enriquecimento de urânio. Mas as sementes plantadas por Álvaro Alberto já tinham encontrado terra fértil, ajudando a forjar a parte mais avançada da pesquisa tecnológica brasileira.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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13/07/2007 - 22:17
Comecei a me interessar pelo guitarrista argentino Oscar Aleman ainda nos anos 70, depois de ler um comentário do crítico norte-americano Leonardo Feather -considerado o maior crítico do jazzreputando-o dono de um swing superior ao de Django Reinhardt, um dos maiores da história.
Na minha primeira viagem à Argentina, em 1985, voltei com meia dúzia de fitas velhas de Aleman, a informação de que ele falecera em 1980 e tinha uma filha de nome Selva, atriz de televisão. Todas as vezes que voltava a Buenos Aires retornava com mais algumas fitas. Em todas elas, standards da música internacional e uma profusão de músicas brasileiras, de Caymmi à bossa nova e, especialmente, no choro.
Na penúltima viagem, resolvi tirar três dias para passear em Buenos Aires e tentar localizar alguma coisa de Aleman e Eduardo Falú -esplêndido violonista, cantor e compositor argentino.
Não consegui convencer a filha de Aleman, Índia Morena, que eu era jornalista querendo informações sobre o pai. Ficou desconfiada, querendo que eu enviasse e-mails com mais dados. Não deu tempo de cumprir as exigências.
Na verdade, o que me interessava na visita era saber mais sobre a fase da vida de Aleman em Santos, que marcaria para sempre sua produção. Seu balanço, com mistura de choro, ritmos caribenhos e jazz, forneceu as bases para o jazz latino que, depois, explodiria em Cuba e, especialmente, no estilo Paquito de Rivera.
Em um CD lançado na França, que adquiri anos atrás, soube de sua infância em Santos, da amizade com o violonista santista Gastão Bueno Lobo, de sua volta a Buenos Aires ainda nos anos 20, quando criou a dupla Los Lobos.
O jornalista Alan Romero, radicado em Portugal e minucioso pesquisador da Internet me forneceu informações adicionais sobre Aleman.
Oscar Marcelo Aleman nasceu no Chaco, Argentina, em 20 de fevereiro de 1909. Foi menino de rua em Santos. Tomava conta de carros e se apresentava nos bares do cais dançando, cantando, e tocando cavaquinho. Aliás, tenho duas versões da música “D.A. 1925″, um tema de jazz de sua autoria, solado no cavaquinho, sem nenhum acompanhamento, de deixar o Armandinho de queixo caído.
A mãe de Aleman era a pianista Marcela Pereira, índia da tribo Toba. O pai era o violonista uruguaio Jorge Alemán Moreira, descendentes de espanhóis. Informações dos biógrafos dão conta de uma família musical e feliz, com muitos irmãos que constituíam o “Moreira Sextet”.
Em 1919 eles se mudaram para Santos. Em 1920 a mãe morreu em Buenos Aires. No ano seguinte, o pai se suicidou em Santos. Os irmãos mais velhos sumiram e, aos 12 anos, Oscar se tornou menino de rua. Além da música fez de tudo, de palhaço de circo a boxeador.
Em 1924 conheceu Gastão Lobo -que depois, na Argentina, virou Gaston– que o iniciou no choro e no cavaquinho, e mudaria sua vida. Voltou a Buenos Aires, depois passou pelo Rio e seguiu para uma temporada parisiense. Lá, Aleman foi descoberto pela vedete Josephine Baker.
Ficou até 1940 brilhando na França, revezando-se com Django no histórico Hot Club de Paris. Teve inúmeras oportunidades de seguir carreira, uma delas em um convite de Duke Ellington, o maior nome do jazz norte-americano, para integrar sua orquestra.
Deixou tudo para trás e voltou para Buenos Aires. Lá montou diversas formações, de orquestras a quintetos e trios. Suas apresentações com o extraordinário violinista chileno Hernán Oliva nada ficam a dever às históricas gravações de Django com o violinista Stephane Grapelli.
Tem um filme sobre ele, vendido em VHS, “Oscar Alemán – A Swinging Life”.
Meu guru Nelsinho Risada, grande cavaquinho, me contou que no início dos anos 50 assistiu a uma apresentação de Aleman. Era um show man, que gostava de tocar com a guitarra nas costas.
Mesmo com essas extravagâncias, está sendo redescoberto e considerado, com toda justiça, um dos maiores guitarristas do século. Graças, em parte, a Gastão Lobo e ao choro.
Links:
Nesse site, além de dados da vida de Aleman, um choro especial composto por ele:
http://www.oscar-aleman.com.ar/
http://www.latinjazznet.com/reviews/video_oscar_aleman.htm
Youtube 1
Youtube 2
Youtube 3
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Choro, Jazz, Música
Tags: Aleman, Choro, guitarra, Jazz, swing
13/07/2007 - 12:39
Enviado por: Marcos André
Olá Nassif, gostaria de fazer uma nota de repúdio ao Super Simples e gostaria de ter a sua opinião a respeito desse assunto que afeta muitas micro empresas.
Vou lhe dar o meu exemplo para tentar explicar o que está acontecendo: Nós temos uma micro-empresa em SC que fornece alguns produtos para alguns supermercados da grd. fpolis. Até então destacávamos 17% de ICMS na nota fiscal.
Agora com essa mudança do Super Simples (Super complicado) não podemos mais discriminar os 17%. Como consequência os supermercados deixam de poder se creditar desse percentual e estão impondo que somente aceitarão continuar comprando os produtos mediante um desconto de 26%!!! simplesmente quebra todo o negócio, um verdadeiro absurdo. A outra opção que teríamos é mudar o regime de simples para lucro real, o que mais que quadruplicará os impostos que pagamos, inviabilizando a operação da empresa, ou seja, não temos opção, vamos ter que fechar as portas. Gostaria de tentar entender o que se passa na cabeça dos legisladores nesse Estado e nesse País, é por isso que existe tanta violência, fazem de tudo para destruir a iniciativa privada e para margializar a sociedade enquanto eles ficam recebendo muito bem, alheios aos problemas da sociedade, ganhando propinas…é muito triste. Talvez o seu Blog com sua reputação pudesse levantar esse assunto que está repercutindo em todo o Estado sobre um grupo de pequenos empresários que pouco tem recebido de apoio. O Sebrae não consegue orientar está perdido, os contadores não tem noção, só dizem que para “resolver” temos que mudar para lucro real, bela porcaria porque quebramos do mesmo jeito, será que estamos errados ou esse país perdeu todo senso de razoabilidade se é que um dia teve.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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13/07/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 13/07/2007
O engenheiro agrônomo Sérgio Torggler, com a assessorial de dois economistas da Faculdade de Economia e Administração da USP de Ribeirão Preto (FEA-RP), Roni Bonízio e Ricardo Feijó — é o autor, até agora, do estudo não oficial mais detalhado sobre o custo das águas na transposição do rio São Francisco.
Mas não apenas isso. Torggler foi atrás das raízes legitimadoras do projeto de transposição:
* dar segurança hídrica de 12 milhões de nordestinos;
* o investimento corresponderá a apenas ao custo do socorro de duas secas;
* reduzirá a fome e o êxodo de nordestinos;
* o custo da água transposta será baixo, de apenas R$ 0,11 o metro cúbico;
* promoverá a redenção econômica e a combaterá a indústria da seca;
***
O primeiro furo na argumentação, diz ele, foi contabilizar como beneficiária do projeto toda de grandes cidades, que já estão seguras contra desabastecimento dentro dos ciclos normais de seca da região. A possibilidade de falta de água nessas cidades é extremamente remota.
Esse ponto foi enfatizado também pelo maior geógrafo brasileiro Aziz Ab’Sáber. O flagelo da seca atinge fortemente a população rural do sertão que está distribuída por um território de mais de 700 mil quilômetros quadrados. Essa população não será atendida pelo projeto. Ou seja, a obra dará segurança hídrica a quem já tem e não dará a quem ainda não tem.
***
O segundo furo é a idéia de que o custo da obra corresponde apenas ao socorro de duas secas. Os gestores não afirmam, mas dão a entender que o projeto combaterá fortemente o flagelo da seca, mas tal fato não ocorrerá, pois a água não estará disponível para a população rural, principal vítima da seca.
***
O quarto argumento é quanto ao custo da água de transposição, de apenas R$ 0,11 o metro cúbico. Junto com seus dois colegas da FEA-RP, após três anos de estudos, aplicando técnicas acadêmicas de contabilidade de custo, se chegou a um custo de R$ 1,50 por metro cúbico, mais de dez vezes.
Com o trabalho pronto, foi enviada correspondência ao Ministério do Interior, para tentar entender a divergência de dados. A informação é que o Ministério não incluía nos cálculos do custo da água a depreciação e nem o custo do capital, porque os investimentos eram a fundo perdido. Ora, os custos omitidos correspondiam a quase 90% do custo total.
***
“O fato de o governo informar um valor sabidamente manipulado ao público sem mencionar as manobras realizadas não configura uma outra fraude?”, indaga ele. Quando alguém fala que alguma coisa custa tanto, está implícito que aquele preço é o total e não pode haver custos adicionais escondidos. Foi o que o governo fez, informou um preço sabidamente menor que a conta que será cobrada da população.
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“Ai é que começa a aparecer a última mentira’, diz ele. A redenção econômica pressupõe que os agentes criem mais riqueza do que consumam, ou seja, exerçam atividades rentáveis. Nos cálculos dos professores, o custo real da água poderá chegar a 160% da receita bruta da atividade, sem computar os outros insumos. Ou seja, o projeto não combate da indústria da seca, mas cria uma nova indústria da seca.
Para incluir na lista Coluna Econômica
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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12/07/2007 - 11:56
Clique aqui para ter acesso aos prós e contras do EIA-Rima o IBAMA em relação à Transposição do São Francisco. E coloque seu comentário na matéria, que está no site do Projeto Brasil.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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12/07/2007 - 07:11
Enviado por: Paulo de Tarso
Nassif,
Desde 2004 participei (e ainda participo) do Projeto Giga projetando e construindo dispositivos ópticos para a rede óptica experimental de alta velocidade, com grana da FINEP.
O projeto começou muito bem até que em 2005 Palocci barrou os recursos para fazer superávit primário. A sorte do nosso grupo de pesquisa é que já tínhamos comprado todo o material e nosso laboratório já estava bem equipado. Continuamos trabalhando e, na medida do possível, cumprimos todos os prazos e metas mesmo com o governo descumprindo o contrato arbitrariamente e unilateralmente. Outras universidades brasileiras pararam tudo (a meu ver com toda razão).
No final, houve transferência de tecnologia para as empresas que quiseram fabricar um dos dispositivos à partir do protótipo que construímos. Outro dispositivo que projetamos está na fila.
Achei esse modelo muito bom. Gera conhecimento nas universidades, traz recursos para equipar os laboratórios, forma capital humano e conseguimos chegar a um produto sob medida para a demanda nacional e muito mais barato que os importados (em parte graças à mão de obra semi-escrava dos bolsistas).
Mas O CRONOGRAMA DEVE SER SEGUIDO. Se continuar essa história de fechar a torneira dos recursos pra fazer caixa, em muitos caso se torna desperdício de dinheiro e uma falta de respeito com os contribuintes e com os pesquisadores envolvidos.
Culturalmente as empresas brasileiras têm horror a investimento em inovação. As universidades brasileiras têm gente capacitada e motivada para fazer esse trabalho. E podemos fazer isso muito bem. É só nos dizer do que as empresas precisam.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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12/07/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 12/07/2007
O trabalho “Impacto das Reformas Paramétricas na Previdência Social Brasileira: Simulações Alternativas” – lançado pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Rio de Janeiro, sob a coordenação do incorrigível Fábio Giambiagi – é mais uma tentativa de iludir a opinião pública para impor cortes na Previdência de cima para baixo.
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Há alguns pontos a se considerar. O envelhecimento da população, o aumento da idade média, o aumento da informalidade, são problemas que irão exigir, em algum momento, ajuste nas regras da Previdência. É importante para o país ter uma Previdência Social sustentável.
Para serem legítimos, no entanto, as regras terão que ser negociadas. Principalmente porque o modelo de previdência adotado no Brasil é o do chamado “pacto intergeracional” – no qual os trabalhadores e empresas de hoje garantem a aposentadoria de quem já contribuiu.
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O primeiro passo para um pacto é não utilizar números para iludir, não usar a estatística de forma dúbia, apresentar dados reais e o tamanho real do problema, de maneira que o pacto se dê em bases honestas.
A questão não é o trabalho em si, mas o uso político que se faz dele. Já na apresentação do trabalho, distribuído antes de ontem para a imprensa, fica nítido esse dom de iludir. O trabalho faz projeções sobre os gastos da Previdência de 2005 a 2050. Levanta um suposto déficit – a diferença entre as contribuições e o total de desembolso da Previdência. Não diferencia o que é previdência, assistência social ou incentivo fiscal (entidades que são isentas do pagamento de contribuições).
No trabalho, há comparações com a Previdência de outros países, levando-se em conta o custo (como proporção do PIB) e a proporção da população acima de 65 anos. Ora, como comparar medidas diferentes? Se nesses dados da Previdência brasileira estão incluídos incentivos fiscais a empresas, como comparar com dados de outros países em que todo recurso gastos é exclusivamente previdenciário?
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Na hora de calcular o valor presente do déficit, escolhe-se uma taxa de desconto. A taxa de desconto é como se fossem os juros que teriam que ser pagos para que o valor presente calculado banque o déficit da Previdência durante os 45 anos. Quanto menor a taxa de desconto, maior será o valor inicial para bancar os benefícios futuros. A diferença entre uma taxa de desconto de 3% ao ano e uma de 10% dá quase 2,5 vezes o valor presente calculado.
Se utilizasse uma taxa de desconto de 7% ao ano, por exemplo, a relação dívida atuarial/PIB cairia dos 1,93 para uma vez o PIB. Se usasse 10%, cairia para 0,8 vezes o PIB. Jogos de número, para dramatizar os dados. Na Alemanha e França, por exemplo, esse déficit atuarial chega a três vezes o PIB.
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Embora utilizado em trabalhos acadêmicos, essa comparação com o PIB, da maneira como utilizada na divulgação jornalística, visa apenas criar sensacionalismo. Suponha um casal que ganhe R$ 5 mil por mês, ou R$ 60 mil por ano, e tenha uma empregada doméstica que ganhe R$ 500,00 por mês. Em 45 anos, mantido o mesmo salário, a empregada teria ganhado R$ 270 mil, ou 4,5 vezes a renda da família no ano. Qual o sentido dessa comparação para o público?
Discutir a reforma da Previdência, sim. Mas em cima de clareza de números.
Para incluir na lista Coluna Econômica*
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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11/07/2007 - 11:48
Enviado por Ronaldo Bicalho
Grupo de Economia da Energia – IE/UFRJ
Prezado Nassif,
O anúncio da liberação do licenciamento prévio das duas usinas hidrelétrica do rio Madeira tem uma série de conseqüências relevantes que devem ser analisadas. Contudo, uma, em particular, me parece relevante, face à sua importância para o debate transparente e democrático das opções estratégicas do país no campo energético. Trata-se da maneira irresponsável, que beira a leviandade, com que é tratada a ameaça de um novo apagão no país. O dia de ontem começou com o anúncio, em um diário de grande circulação, de um apagão ameaçador, e terminou com o anúncio da liberação das usinas. Assim, os mesmos que diziam pela manhã que a vaca ia para o brejo, à noite afirmavam que agora não ia mais. E o pobre do cidadão que se vire no meio desse imbróglio.
(…) A possibilidade de ocorrência de uma situação de desequilíbrio entre oferta e demanda de eletricidade depende de um conjunto nada trivial de eventos, que vai de quanto a economia brasileira vai crescer nos próximos anos até as possibilidades reais de entrada em operação das plantas geradoras movidas a energias renováveis do PROINFA, passando pelo regime de chuvas, pela disponibilidade de gás, pelo licenciamento ambiental, etc. Para ficar apenas nos mais óbvios.
(…) O importante é discutir o que as sustenta, de forma a aclarar o debate, tornando-o mais honesto e transparente. Trocando em miúdos, são feitas previsões bombásticas pela imprensa que não se realizam, e nada é dito depois sobre as razões pelas quais elas não se realizaram. Por outro lado, configurações bastante favoráveis, que contribuem inesperadamente para evitar situações mais graves, são apresentadas como corriqueiras e naturais, de forma a sancionar determinadas políticas.
(…) O objetivo central da política energética é garantir o suprimento de energia. Para que isto seja alcançado é preciso construir um aparato institucional que possa sustentar um conjunto de ações e decisões que viabilize a sua consignação. A pergunta fundamental hoje no Brasil é: as instituições brasileiras associadas ao setor elétrico são capazes de conceber e implementar as decisões necessárias a garantir o suprimento de eletricidade nos próximos anos?
O essencial da questão aqui é que instituições fracas podem ser incapazes de lidar com um risco de déficit de 5%, ao passo que instituições fortes podem construir saídas para um déficit de 20%. Em outras palavras, um motorista ruim pode capotar a 10 km por hora, enquanto um bom motorista pode fazer uma curva a 100 km por hora.
A traumática experiência brasileira com o racionamento de 2001 gerou uma mudança institucional que buscou fortalecer a capacidade de coordenação das nossas instituições. Nesse movimento surgiram desde a obrigatoriedade da contratação centralizada da demanda das distribuidoras, via leilão, até a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), passando pela criação da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Somando-se a isso, a manutenção do Operador Nacional do Sistema (ONS), da Agência Reguladora de Energia Elétrica (ANEEL) e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), tem-se uma configuração institucional que, a princípio, apresenta condições melhores de fazer face aos desafios da coordenação setorial do que a que estava presente no período que antecedeu a crise de 2001.
Se considerarmos que a relação com as empresas estatais envolvidas com o setor, em termos de mobilização de recursos para evitar o pior, hoje é menos contraditória do que era na década anterior, pode-se afirmar que quando se contempla a capacidade de coordenação e mobilização de ações, decisões e recursos para garantir o suprimento de energia elétrica, constata-se que o quadro atual é melhor do que já foi. No entanto, isto não significa que os problemas acabaram, mas, simplesmente, que hoje eles estão colocados em outros termos.
A clareza sobre essa transformação essencial do setor elétrico brasileiro é fundamental para se evitar dois equívocos que geram lamentáveis conseqüências. De um lado, encontram-se aqueles que pensam que nada mudou, e seguem com os mesmos diagnósticos e prescrições, baseados na certeza do fracasso; de outro, acham-se aqueles que pensam que a simples mudança já traz embutida a solução, gerando uma perigosa imobilidade, baseada na certeza do sucesso. Desse modo, chega-se a duas conclusões simplórias: faltará energia porque este Governo é ruim, ou não faltará energia porque este Governo é bom.
Nesse sentido, o dia de ontem sintetizou esses equívocos corriqueiros no trato com os desafios atuais do setor elétrico brasileiro, que, de fato, produzem mais confusão e calor, do que entendimento e, literalmente, luz.
O que importa é que, no setor elétrico, nós estamos em um jogo que está sendo jogado; se vamos ganhar ou não é cedo para dizer. O importante aqui é estar jogando; e a liberação do licenciamento significa que estamos jogando. Portanto, vamos prestar atenção no jogo e nos jogadores, e não ficar fazendo profissão de fé nesse ou naquele time. Enfim, o jogo é jogado e o lambari pescado. O resto é conversa pra boi dormir e para rolar uma especulaçãozinha básica no preço da energia elétrica, porque afinal ninguém é de ferro.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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11/07/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 11/07/2007
A decisão do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de dar o licenciamento ambiental provisório à hidrelétrica do Rio Madeira, muda a metodologia do órgão.
Até então, o projeto técnico tinha que prever todos os desdobramentos e detalhes da obra, algo impossível. Por isso mesmo, técnicos defendiam um novo processo. Aprovava-se um licenciamento tendo que prever até como seria o comportamento de peixes depois de construída a usina. Havia pouco espaço para ajustes posteriores.
Além disso, o Ministério Público passou a criminalizar qualquer erro de aprovação de projeto, sem prazo de prescrição. Ou seja, se houvesse um problema não previsto daqui a dez anos, o funcionário que aprovou o projeto seria responsabilizado.
Não há processo que ande dentro desse modelo.
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O que se cobrava era um sistema mais rápido, em que se aprovaria um projeto básico, com os elementos fundamentais e as metas a serem seguidas. Depois, haveria uma fiscalização rigorosa que permitiria que fossem feitos ajustes no percurso, de maneira a atender às metas definidas no EIA-Rima (Estudo de Impacto Ambiental).
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Aparentemente, foi feito nesse caso da Hidrelétrica do Rio Madeira. A questão, agora, é como se procederá para a fiscalização e as correções de rumo. Para tanto, recorro à análise do leitor do meu Blog, Benedito Amaral, que juntou um grupo de especialistas para analisar a nova metodologia, sugerida pelas próprias construtoras.
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Para haver acompanhamento e ajustes periódicos, há a necessidade de uma gestão da documentação técnica transparente e pública, como um portal do empreendimento na internet, bem como criar mecanismos de correção de erros contornando a burocracia e morosidade.
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Outro ponto forte é o estabelecimento de prazos e os cronogramas de execução para expedir as licenças ajustado à ordem e magnitude diretamente proporcional as dimensões dos empreendimentos e seus impactos socioambientais decorrentes. Há o imperativo em estabelecer “Protocolos” claros e ajustados as licenças em função da diversidade dos setores produtivos. O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) poderia construir esses protocolos em seus comitês técnicos e revisá-los com certa periodicidade, em parceria com os Comitês da ABNT/INMETRO.
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Outro ponto relevante é a moralização dos relatórios de EIA/RIMA. Em geral, são projetos mal feitos, em processo similar ao que ocorre com os sistemas de gestão ISO no país, onde as empresas que implantam o sistema, às vezes são as mesmas que emitem os certificados que atestam à normalização das empresas que as contratou. A solução apresentada seria o INMETRO/ABNT controlar o processo, A empresa manifestaria a intenção de se ajustar ao processo de gestão, faria o deposito (recursos para o processo numa conta especial) e o INMETRO com o cadastro de certificadoras e prestadoras de serviços estabeleceria um procedimento de sorteio para distribuir o processo de certificação e auditoria. Isso retirar essa endogamia entre certificadoras e as empresas que recebem o certificado.
Para incluir na lista Coluna Econômica
Leia aqui a íntegra do trabalho do leitor Benedito Amaral.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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10/07/2007 - 22:03
Eu tinha oito anos quando enfrentei o maior desafio da minha vida: a final da Copa do Mundo de 1958. A campanha brasileira havia sido magnífica. Os “canarinhos” eram da família, pois haviam feito a concentração em Poços de Caldas, graças às ligações entre meu pai, Oscar, e Carlos Joel Nelli, da “Gazeta Esportiva”.
Lembro-me até hoje do batizado da minha irmã Inês sendo interrompido pela notícia de que o Brasil acabara de fazer dois a zero na Rússia e o padrinho Dr. Martinho, e o padre Trajano, e os pais da batizada comemorando. E a batizada chorando, sem entender nada.
Parecia um sonho, até que se chegou à final contra a Suécia. No dia anterior, meu pai acordo macambúzio. Contou-me a desgraça de 1950 no Maracanã, o Brasil, amplo favorito, sendo derrotado pelo Uruguai. Desde então, a imagem que se consolidara era a do país que amarelava na final, que não acreditava em si, que tinha talento mas não tinha fibra. E foi com esse fantasma pairando sobre nós que fomos assistir o jogo na casa do seu Alexandre, nosso vizinho.
A transmissão era pela Rádio Bandeirantes, meio tempo com a locução do Pedro Luiz, meio tempo com a do Edson Leite. Mal começa o jogo, a Suécia faz um a zero. Fez-se um silêncio sepulcral não apenas ali, mas em todo o país.
Olhei o largo do São Benedito, que ficava em frente de casa e ainda não tinha sido asfaltado. No centro, a Igrejinha de São Benedito, linda, caiada, no seu interior as pinturas preciosas da Via Sacra, na frente dela, a escadaria com vinte degraus. Ali mesmo fiz a promessa: se o Brasil virasse o jogo, além de ir na missa com milho no sapato, eu me comprometeria a lamber, um a um, os degraus da Igreja. Cumpri o prometido, contei para minha mãe que lavou minha boca com álcool. Mas o Brasil merecia o secrifício.
Não havia televisão na época em Poços, não havia transmissão ao vivo no Brasil. Mas Pedro Luiz descreveu a cena tal e qual a assistimos dezenas de vezes, nos anos seguintes, seja no cinema, pelo Canal 100 de Carlos Niemayer, seja pela televisão. E descreveu com aquela voz inigualável, de emoção contida, contando todos os detalhes do lance, não apenas os principais.
Foi por sua voz que “vi”, nascendo, a maior cena da história do país. Enquanto a Seleção parecia imobilizada em campo, Didi foi até o nosso gol, pegou a bola no fundo das redes, colocou-a debaixo do braço e caminhou em direção ao meio do campo, carregando-a como se carrega a um fuzil. Foi andando normalmente e, no caminho, soltando palavras de incentivo aos seus soldados.
O que se viu, dali para frente, jamais o mundo veria outra vez, nem em 1970, nem em 1974 com a Holanda, nem em 1982, com a Seleção de Telê. Era como se não apenas a Seleção, mas o Brasil florescesse como uma laranjeira em flor. Os ecos da Semana de 22, o canto orfeônico de Villa-Lobos, as descobertas culturais de Mário de Andrade, a geração de 1942, os regionalistas, os cantores populares, de repente tudo aparecia nítido aos olhos do mundo e, principalmente, aos olhos do país. Habemus um país.
O derrotismo, a baixo auto-estima, o complexo de inferioridade, tudo foi sendo varrido da frente por aqueles passos compassados, firmes do capitão Didi em direção ao meio do campo.
Quando Didi morreu, alguns anos atrás, recordei-me dele em Poços, em 1958 e 1962, a maneira como fazia os exercícios, suas corridas estacionárias nos treinamentos individuais, os lançamentos esplendorosos nos coletivos, o gol de “folha seca”.
Mais tarde foi para o Real Madri, dizem que sofreu boicote do grande Di Stefano. Depois, largou a mulher e se casou com a branca Guiomar. Foi alvo de campanhas preconceituosas de jornais, nada que reduzisse em um milímetro a admiração e gratidão que os brasileiros lhe devotavam.
Os EUA celebram a foto dos fuzileiros em Ivo Jima. O Brasil sempre celebrou o grito do Ipiranga, no quadro de Pedro Américo. Mas para a minha geração, do menino de 8 anos aos velhos septuagenários, a cena de Didi, sua caminhada do nosso gol até o meio de campo, foi um marco, um corte no país que teimava em nascer.
Nos anos seguintes, a auto-estima do país chegaria ao auge. Mesmo com todos os percalços políticos, resistiria incólume ainda por muitos anos.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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10/07/2007 - 18:21
Uma das aulas imperdíveis do economista Antonio Delfim Netto, sobre as divergências entre correntes econômicas, no “Valor” de hoje.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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10/07/2007 - 18:16
A última Carta do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) vê, este ano, um crescimento mais sustentado que no ano passado. No período janeiro/maio de 2006, “os setores líderes da indústria não foram segmentos de grande poder de irradiação de seu dinamismo para outros segmentos, devido ou ao relativamente pequeno componente de emprego ou ao alto coeficiente de importação de bens intermediários”.
Os cinco setores líderes em 2006 responderam por 66,8% da evolução total da indústria. Foram eles: máquinas de escritório e equipamentos de informática, indústrias extrativas, máquinas e aparelhos e materiais elétricos, refino de petróleo e álcool, Material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações.
Em 2007, os cinco setores com maior contribuição ao crescimento industrial e que responderam por 70,9% do crescimento total, têm muito maior capacidade de irradiação, segundo o IEDI: máquinas e equipamentos, veículos automotores, metalurgia básica, alimentos e máquinas para escritório e equipamentos de informática. Tudo puxado pela retomada dos investimentos e do crédito, além de programas de complementação de renda.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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10/07/2007 - 16:20
Paula Puliti, da Agência Estado
SÃO PAULO – O governador de São Paulo, José Serra, voltou a subir o tom contra a política econômica conduzida pela equipe econômica do presidente Lula e disse que o País é “trouxa” em matéria de política econômica externa. Em discurso para empresários do setor calçadista e dividindo a mesa com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, Serra disse, ainda, que o País vive um “desvario cambial”. Para o governador do Estado que tem o segundo maior parque industrial calçadista do Brasil, o setor é eficiente, mas vem sendo prejudicado pelas ações da equipe econômica.
Serra qualificou como “trololó de economistas” os argumentos que conferem às forças de mercado, incluindo o superávit comercial, a apreciação do real ante o dólar. “É para enganar quem não é economista”, alfinetou. Para ele, Brasília adota uma série de medidas artificiais para valorizar o câmbio. Citou, como exemplo, a isenção de imposto para o investidor estrangeiro em títulos públicos. “A política econômica consagra a especulação com o valor do dólar”, disse, na abertura da maior feira calçadista do Brasil, a Francal. Essa medida seria oportuna para países que precisam atrair moeda estrangeira, mas não é o caso do Brasil atual.
Para o governador, no mundo inteiro há países com grandes superávits comerciais, mas nem por isso têm moeda tão valorizada quanto o real. “É uma valorização artificial”, reiterou.
Falando logo após o ministro Miguel Jorge, cujo discurso focou na enumeração das medidas compensatórias que o governo federal adotou para ajudar os chamados “órfãos do câmbio”, Serra rebateu dizendo que “é preciso perder a ilusão de que dá para compensar o câmbio e os juros altos com medidas fiscais”. E completou: “a essência do problema não é setorial, mas macroeconômico”.
Ao fim da cerimônia de abertura da Francal, o ministro Miguel Jorge comentou que os jornalistas que houve um certo exagero de Serra, que as declarações foram fortes, mas vistas como normais por se tratar de um governador de oposição. “Não seria de se esperar que um governador de oposição tecesse elogios à política econômica federal”, finalizou.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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10/07/2007 - 15:36
Recebi um convite da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos para coordenar um painel sobre economia brasileira. Um dos participantes seria Fábio Gimabiagi.
A NTU me indagou se haveria algum problema em sentar na mesma mesa que Giambiagi, em função das diferenças de idéias. Disse que não, pelo contrário: o debate ficaria mais animado. Mas Giambiagi se recusou alegando “antagonismo” de idéias.
Não sou dos que tratam discussões como campeonatos de halterofilismo. Dia desses participei de um debate com Ilan Goldjan, primeira pessoa que chamei de “cabeça de planilha”. Embora tenha discordado de muita coisa que ele falou, foi um debate civilizado, entre pessoas civilizadas.
Mas é evidente que os sofismas de Giambiagi exigem ambiente asséptico, sem contraditório, para poder florescer.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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