Arquivo de maio, 2007
31/05/2007 - 15:19
Arnaldo Carrilho, testemunha ocular da história
Sempre caro Luis,
não fosse Jesus Soares Pereira, nem Eletrobrás teríamos tido, você sabe. Mas a “linguagem” daquele grande brasileiro, assim como a de Ignacio Mourão Rangel, Domar Campos e outros era destinada a um Brasil que não mais existe. Neste mundo doido da mutação antropológica que o neo-capitalismo globalizante homologou em toda parte, em nome do consumo dirigido, as ondas oligomonopolizadoras impedem a superação de obstáculos. Já inundam o mercado, fadando-o a perdê-lo na incompetitividade, logo, ressecando-o e tornando-o mero antro de especulações.
Esses pontos em que você toca, brilhante e corajosamente como sempre, das majorações de PIS-COFINS e do criptocâmbio, unidos à campanha anti-hidreletricidade são absurdos. Num País de múltiplos gravames, sem moeda de fato conversível e rico em águas como o nosso, só podem ser enfrentados se as decisões técnicas e tenológicas não pertencerem a apenas grupos decisionais. Há que se criar uma “consciência multitudinária” sobre os dirigentes das instituições.
Os executivos não deveriam traçar políticas, mas “executá-las”; as instituições, controladas por todos, teriam de perder ares demiúrgicos sobre os interesses do PÚBLICO e COMUM; e a democracia não poderia ficar nas mãos de lideranças impostas ao Povo e, sim, nascidas espontânea e naturalmente. Cada palavra que exponho, no momento, foi pesada e sopesada para o que lhe digo, pode crer.
P.S.: não são, em geral, as hidrelétricas que destroem o meio ambiente. São o modo de produção e a exploração adotada em regiões e áreas que deveriam ser preservadas, como fontes da própria energia também. Uma hidrelétrica bem projetada até ajuda a defesa ecológica. Lembremos da “seca” amazônica de dois anos atrás, devida a reduzidíssimos níveis de pluviosidade.
Quanto à Política, vejam-se as Rússias, ex-soviéticas, dilapidadas pelo capitalismo de Estado até a sua queda, ridícula, porém necessária. Lá também faltava “mercado”. Faltavam o comum e o público democráticos em essência. Não há socialismo, sem democracia, e esta não surge do nada: tem de ser “construída” pela Multidão.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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31/05/2007 - 12:26
Vai aí a nova obra-prima do “professor de Deus”, com minhas observações sublinhadas.
Cigarras, formigas e efeitos especiais
Por Alexandre Schwartsman
Breve introdução.
O ambiente econômico é o que em física se chama de realidade complexa. Tem muitas variáveis inter-relacionadas. Mexeu em uma, altera o equilíbrio e afeta outra, que por sua vez interfere em uma terceira, e assim por diante.
Há dois tipos de economistas. Numa ponta, os grandes economistas sabem enxergar o todo e identificam co-relações que passam despercebidas aos economistas menores. É preciso visão sistêmica, sensibilidade, intuição. Identificadas possíveis co-relações, entra em cena, o segundo tipo de economista, que poderíamos chamar de “tarefeiros”. São os sujeitos que vão buscar os números, montar seus cálculos para conferir se as hipóteses estão corretas. É trabalho importante, mas menos nobre.
Cabeças de planilha são economistas do segundo grupo que, a partir de um levantamento de uma peça, tiram conclusões para o jogo todo, querem integrar a primeira divisão. São aqueles cujas planilhas não comportam muitas variáveis. E acabam tomando a célula pela planilha inteira.
Vamos entender como é isso.
UM ESPECTRO ronda o Brasil -o espectro das más idéias. A mais recente é a proposta de tributar as exportações de commodities para reduzir seu ímpeto e depreciar a moeda, supostamente justificada pelos casos do Chile e da Noruega, países que tributam as exportações de cobre e petróleo, respectivamente. No entanto, à parte o mérito de reconhecer que o desempenho das exportações (e não a taxa de juros) é o principal fator de pressão sobre a moeda, uma análise detalhada indica que, no ranking das más sugestões, esta ocupa lugar de destaque.
Quanto à afirmação de que a apreciação se deve apenas ao desempenho das exportações, dou a resposta ao David Kupffer, em seu artigo desta semana no “Valor”: “A medida da entrada “física” de dólares deve ser o saldo em transações correntes – o saldo conjunto das transações comerciais e também das operações referentes a serviços como seguros, fretes e royalties. E esse não está em trajetória ascendente, já que no primeiro trimestre de 2005 foi de US$ 2,66 bilhões, no de 2006 caiu para US$ 1,57 bilhões e agora está em US$ 1,39 bilhões. Longe de caracterizar um reforço na entrada de dólares, isso significa uma contração de quase 50% em relação ao primeiro trimestre de 2005, quando a trajetória de apreciação cambial estava em seu início”. Além disso, quando faz antecipação de exportação e outras operações do gênero,o exportador está também seguindo a lógica financeira, e não comercial. Deu para perceber a diferença entre o economista que enxerga diversos ângulos e o que enxerga só uma célula da planilha?
Os números são eloqüentes: na Noruega, petróleo e gás representam 64% das exportações totais e 62% das novas exportações; no Chile, o cobre abrange 56% das exportações, o equivalente a 72% das novas exportações. A dependência dessas economias de commodities, porém, não cessa aí. No caso chileno, por exemplo, o cobre também representou receita fiscal de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado.
Vale dizer, nesses países tanto o desempenho fiscal como as contas externas estão fortemente ligados a uma única commodity, de preço volátil e não-renovável. Não é necessário grande esforço para concluir que a simples prudência recomenda poupar ganhos extraordinários para dias menos felizes. Em tais períodos, os dividendos desses fundos, se bem aplicados, mantêm o balanço de pagamentos em boa forma e evitam cortes drásticos dos gastos públicos.
Afora a questão cíclica, dois outros pontos são relevantes. Como cobre e petróleo são finitos, não é justo que as gerações correntes se apropriem de toda a riqueza; parte deve ser poupada para as gerações futuras.
Olha a sofisticação do “professor de Deus”, incluindo aspectos intertemporais em sua análise.
Por fim, nos dois países, as empresas produtoras são estatais, de modo que as decisões de produção e exportação de commodities são menos sensíveis à tributação que as tomadas por empresas privadas.
No Brasil, em contraste, os dez principais produtos de exportação representaram apenas 35% das exportações em 2006 (41% das novas exportações) e fração ainda menor dos tributos.
“Apenas” 35% das exportações é ótimo. A conta correta é a balança comercial do setor, quanto cada setor representa sobre a geração de saldos comerciais. O que a geração de tributos tem a ver com o raciocínio? Não me pergunte.
Em outras palavras, não há um quadro de dependência fiscal ou de balanço de pagamentos que se assemelhe ao dos países acima para justificar a adoção dessa política, que só serviria assim para aumentar a carga tributária, sem contar que o país já dispõe de US$ 135 bilhões de reservas.
Dependência fiscal? O fundo não tem função fiscal, mas de reduzir o ingresso de dólares para impedir a apreciação da moeda. Repare que o “professor de Deus” vai pegando argumentos, como quem joga lego, mas sem conseguir encaixar a peça no lugar adequado.
É verdade que petróleo e minérios são finitos, mas já se pagam royalties pela sua exploração.
O que tem a ver os royalties com a necessidade de reduzir a pressão sobre a entrada de dólares? Nenhuma. Ele achou o argumento interessante e colocou, mesmo não tendo nada a ver com a discussão.
Só não perguntem se esses recursos estão sendo devidamente poupados para o bem das gerações vindouras.
Uma frase retórica, inútil para a tese que ele pretende defender.
Por fim, são empresas privadas que respondem pelo grosso das exportações brasileiras, o que sugere uma resposta bem mais negativa à taxação que no Chile ou Noruega: pelo contrário, os volumes embarcados devem cair.
Se a taxação tornar a exportação onerosa, não se exporta nada. Se a exportação não for onerosa (e a intenção do fundo não é tornar a exportação onerosa), a troco de quê o exportador deixará de exportar? Qual a lógica dessa afirmação?
Trata-se, pois, de mera importação de uma idéia sem maior preocupação com o entorno em que foi gerada nem com o ambiente no qual seria aplicada. Curiosa ironia para quem sempre criticou a teoria econômica tradicional por supostamente refletir as condições de países desenvolvidos sem consideração pelas especificidades nacionais…
O “professor de Deus” reconheceu, finalmente, que tem que aprender a adaptar o manual para a análise das circunstâncias de cada economia. Falta, agora, apenas utilizar as variáveis corretas para analisar a economia.
Se colocasse seu senso de minúcia a serviço de um raciocínio mais complexo, poderia comparar cotações x dólar / custo de produção dos principais produtos. Com a queda do dólar nesses níveis, alguns produtos agrícolas já bateram no fundo do poço, mesmo com o aumento das cotações internacionais. Poderia ser um bom argumento contra o fundo de exportação. Ou poderia tentar entender as implicações financeiras inclusive sobre a balança comercial (induzindo à antecipação de exportações). Mas seria incluir mais variáveis do que comporta o “buffer” da sua planilha.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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31/05/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 31/05/2007
A partir dos anos 50, uma das grandes vantagens competitivas brasileiras foi a energia abundante e barata, fruto do sistema de hidroeletricidade implantado a partir da criação da Eletrobrás. Foi o que permitiu ao país desenvolver uma forte indústria de eletro-intensivos, como a de alumínio, a siderúrgica, entre outras.
A partir de 2002, essa vantagem começou a se reduzir sensivelmente. Problemas na implantação do modelo elétrico, a chamada “descontratação” da energia antiga (que passou a ser colocada a preços de mercado, não levando em conta a depreciação dos investimentos) apagão, dificuldades com licenciamento ambiental, apreciação cambial, tudo está contribuindo para eliminar progressivamente as vantagens do país.
Em quatro anos, o aumento real da energia médio industrial foi de 120% (descontada a inflação), de acordo com levantamentos da ABRACE (Associação Brasileira dos Consumidores de Energia), que congrega 68 grupos industriais, responsáveis por 75% do consumo no mercado livre – aquele em que a energia é contratada livremente, sem passar compulsoriamente pela distribuidora.
Esse aumento ocorreu mesmo a energia hídrica ainda sendo majoritária na matriz energética brasileira.
O Plano Decenal de energia do governo mostra um quadro mais preocupante. Se se chegar à matriz pretendida, nos próximos dez anos a energia terá um aumento real de 25%. Se não se conseguir emplacar as grandes hidrelétricas, o aumento será maior ainda. Se configurará o que o setor está chamando de “apagão de preços”.
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Dois fatores têm levado a essa escalada. O primeiro, a explosão de encargos, com o aumento do Pis-Cofins e de outros encargos. De 2002 a 2006, tributos e encargos passaram de 36% para 51% da receita bruta das geradoras. No caso da energia nova, o investimento representa 60% do custo. Só que 40% desses 60% são impostos pagos antes da operação.
O segundo, o modelo dos leilões de energia que, devido ao atraso da oferta de nova energia hídrica, tem privilegiado a energia térmica – mais de 70% da energia contratada.
Isso se deveu não apenas aos problemas de licenciamento, mas aos atrasos do segundo governo FHC e do primeiro governo Lula em realizar o inventário hídrico e preparar projetos e licenciamento.
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Para tentar inverter essa lógica, a ABRACE criou o Projeto Energia Competitiva, visando encontrar alternativas. Na associação, se considera que o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) representou um avanço expressivo. Para usinas maiores (mais de 1.000 mw), significará uma redução de 18% no custo; de 15% para usinas médias e de 12% para usinas menores.
Mesmo assim, a redução da parte hídrica da matriz trará conseqüências graves. Vai se abrir mão de uma energia que custa R$ 120 o mw/hora para outras de R$ 150 (carvão, gás natural e nuclear) e, depois, para óleo combustível e diesel, que custam até seis vezes mais.
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Uma das propostas do grupo é reduzir o ritmo dos leilões, a fim de dar tempo para que possa ser ofertada a nova energia hidrelétrica, que depende de licenciamento ambiental. Outra, é atuar para impedir a criação de novos encargos, além de racionalizar ou reduzir os já existentes.
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Clique aqui para baixar o trabalho da Abrace.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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30/05/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 30/05/2007
Nos próximos anos, haverá mudanças significativas no mercado aeronáutico, prevê o novo presidente da Embraer Frederico Curado. No momento, existem quatro empresas globais, as gigantes Airbus e Boeing e as menores Embraer e Bombardier.
Os russos estão se preparando para entrar no jogo, com a aglutinação dos fabricantes em torno da Sukhoy. Os chineses também estão caminhando célere. Só que seus planos são bem mais ambiciosos: disputar o mercado global com as duas gigantes do setor.
Como se colocar nesse jogo? No mercado aeronáutico, cada aposta dura vinte anos: cinco para fazer o produto, quinze de vida útil do projeto. Se a companhia aérea erra, dança.
Anos atrás, com apenas vinte anos de vida a Airbus aproveitou o fim da McDonell Douglas para passar a Boeing, com seus quase 70 anos de vida. Bastou problemas com seu 380, a demora para ser lançado, para a Boeing recuperar terreno.
As duas empresas são gigantes, com apoio dos respectivos governos. Irmão menor da família de quatro, a Embraer não pode errar.
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O jogo tem vários ingredientes. Um dos segredos é a parceria com os fornecedores. Talvez não exista outra máquina em que todas as partes sejam tão integradas quanto o avião. Em cada projeto, motor e economia caminham em direções opostas. Mais espaço para o passageiro exige menos para a bagagem. Ou então motor mais potente e consumo maior.
O segredo é encontrar o ponto ótimo. Para tanto, o fabricante precisa adaptar seus produtos ao projeto do avião. Por exemplo, o Embraer 190 exigia um motor totalmente novo. O fabricante apostou, ganhou o fornecimento exclusivo ao modelo, e um motor mais moderno, aprimorado graças à parceria.
Como fabricar aviões não é apenas juntar os componentes, a Embraer já tem uma vantagem competitiva relevante, com as vitórias das últimas décadas.
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Outra vantagem competitiva relevante são os processos de certificação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), herdados do antigo IFI (Instituto de Fomento e Coordenação Industrial), baseado no Centro Tecnológico de Aeronáutica.
Graças a acordos bilaterais da ANAC com as principais agências reguladoras, o avião já sai do Brasil praticamente certificado. As agências européia e americana só testam situações de stress, como pouco ou decolagem de emergência.
Se outro país quiser entrar no mercado, se não dispuser de uma agência certificadora, dependeria da FAA (o órgão homologador norte-americano) o que tornaria praticamente inviável a produção.
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Na última rodada, a Embraer saiu vitoriosa do confronto direto com a canadense Bombardier. Agora, o jogo começa a ficar mais pesado. Hoje ela domina inteiramente o mercado de aviões de cem lugares. Mas o maior avião da Embraer é similar ao menor da Boeing e da Airbus. Como para ambas é apenas um produto de entrada, não há ainda a competição direta.
Por outro lado, o fato do setor ser atrativo está atraindo russos e chineses. Para os próximos cinco anos, Curado supõe que o impacto da entrada de ambos será pequeno. Em dez anos, será maior. Em vinte, provavelmente a China estará disputando mercado com a Airbus e a Boeing.
Foco no cliente, caixa reforçado são elementos cruciais nessa batalha.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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29/05/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 29/05/2007
Ao longo de sua história republicana, a economia oscilou entre duas vertentes comandando o processo de investimento: os industriais e os financistas. Em fases de transformação o financista tem grande utilidade. O industrial tem enorme dificuldade em reestruturar sua atividade, porque implica vender ativos, fazer novos investimentos. Já o financista pode mobilizar poupança e entrar rapidamente em novos negócios.
Todos, em geral, acumulam capital com operações no mercado de capitais e de câmbio. Depois de capitalizados, os mais sérios, como Barão de Mauá ou Walther Moreira Salles, tornam-se grandes e fundamentais empreendedores. Os aventureiros, como o Conselheiro Mayrink (o homem do qual Rui Barbosa tornou-se sócio) limitam-se a aplicar golpes.
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A partir dos anos 90, esses gestores de recursos passam a dominar a política econômica e os investimentos no país. O paradigma maior é Jorge Paulo Lemann, do GP Investimentos, homem que criou o modelo do moderno banqueiro de negócios.
Seu processo de enriquecimento seguiu um padrão comum nos anos 80: informações especiais sobre inflação e sobre indexadores de governo, e uso da matemática financeira para operações de arbitragem na Bolsa.
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Em seu banco, Lemann criou uma cultura fortemente baseado nos princípios protestantes de sua formação. Esquemas de participação nos lucros, cobrança férrea por resultados, a condenação a toda forma de exibicionismo.
A partir do Real, resolveu ingressar na economia real. Adquiriu algumas empresas antes disso, conseguiu algum sucesso inicial melhorando a sua gestão financeira. Mas quando veio a estabilização econômica, acabou esbarrando na falta de familiaridade com os negócios, amargando prejuízos.
Na fase da bolha da Internet, acabou investindo em algumas empresas “ponto com”. Parte dos insucessos acabou sendo repassado para algumas empresas de telecomunicações adquiridas na privatização.
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Seu maior lance foi a compra da Brahma e, depois, a incorporação da Antárctica, em um processo de fusão que recebeu a aprovação surpreendente do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico). Da incorporação resultou a Ambev, com pleno controle do mercado brasileiro de bebidas.
O segundo grande lance foi quando vendeu a Ambev para a Interbrew, empresa belga, assumindo parte preponderante do seu capital. Acabou tornando-se um empresário belga, apesar do próprio presidente da República, Lula, saudar a desnacionalização como se fosse um feito nacional.
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O sucesso de Lemann se deveu a uma visão estratégica apuradíssima, a um amplo conhecimento das modernas ferramentas financeiras, ao uso intensivo dos programas de gestão e qualidade para melhorar sua rentabilidade, e a uma influência decisiva sobre as decisões de dois governos.
Firmou-se como o mais importante empresário brasileiro da globalização. E mostra a importância do Estado não abrir mão da política econômica. Um animal empresarial como ele, se não houver elementos de política econômica capazes de direcionar sua energia, torna-se global. O país vira apenas uma plataforma para se lançar no mundo.
Hoje o poder dos gestores tornou-se imbatível. Se não houver mais Estado, tornar-se-ão senhores absolutos da economia, da mídia e da política.
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Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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27/05/2007 - 13:39
Correspondente do “Estadão” em Nova York, Patrícia Campos Mello faz bela entrevista com Nouriel Roubini, presidente do RGE Monitor e professor da New York University, dono do Blog econômico mais prestigiado do momento.
Comprovando o que André Araújo vem postando com freqüência no Blog, as novas linhas de pensamento americana já extirparam faz tempo o ideologismo emburrecedor e preguiçoso ainda praticado no Brasil pelos cabeções.
O que diz Roubini sobre o câmbio?
“O governo vem comprando reservas e esterilizando (com emissão de dívida), mas isso dificulta a redução dos juros. O governo poderia aumentar o esforço fiscal para reduzir os juros. Mas pode ser difícil politicamente aumentar o superávit primário e uma política fiscal mais prudente pode ter efeito oposto – atrair mais capital estrangeiro, com a redução de riscos. O melhor instrumento, no momento, é mesmo a redução dos juros de forma mais rápida”.
“Um certo grau de valorização da moeda não é ruim. Mas, se essas medidas não conseguirem reduzir a entrada de capitais – há muita liquidez global e otimismo dos investidores em relação ao Brasil -, o país poderia adotar algum tipo de controle sobre entrada de capitais especulativos. Poderia ser um controle de capitais formal ou por meio de regulamentações bancárias que funcionam como controle. Poderiam determinar depósito compulsório para fluxos de capital estrangeiro de curto prazo (o que já foi feito na época do Plano Real)”.*
O compulsório foi anunciado antes, mas não foi implementado com o Real.
Estadão – Para muito economista e investidor, controle de capital é um palavrão.
Vários países já tiveram controle na entrada de capitais, entre eles Brasil, China, Chile. A maioria das pessoas tem mais restrições em relação ao controle de saída de capitais do que entrada. A Tailândia tentou implementar um controle de entrada de capitais no início do ano mas fez de forma desastrada, e causou reação negativa no mercado. O controle de capitais precisa ser feito de forma inteligente e seletiva. Também é importante informar o mercado de como e porque vai implementar os controles.Mas ressalto que apenas uma sobrevalorização de 30%, 40%, é um problema real para competitividade.
Sobre a volta do pêndulo
Os fluxos de capital estrangeiro não duram para sempre. Suponha que a moeda continue se valorizando. Em algum momento, as pessoas vão perceber que está supervalorizada e que não deve se valorizar muito mais, e que os ganhos de capital provenientes de expectativa de valorização podem estar diminuindo, e aí param de investir tanto no país. Existe um ajuste automático do mercado quando a moeda se torna sobrevalorizada.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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27/05/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 27/95/2007
Vamos tentar tirar lições da Operação Navalha, visando aprimorar os controles públicos.
Na estratégia imediata, o primeiro passo é mapear as fontes de corrupção. Faça-se um organograma da administração pública e se tinja de vermelho as regiões perigosas, que podem ser subdividas em três grupos: compras públicas de produtos commoditizados (comparáveis); grandes contratos de obras que demandam projetos ; e entidades reguladoras, que podem tomar medidas para beneficiar indevidamente empresas — por exemplo, o inacreditável voto do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico) que aprovou a compra da Antárctica pela Brahma no governo FHC; ou a demora da Previdência em liberar conta consignada de aposentado no governo Lula, beneficiando o BMG.
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É mais fácil mapear e resolver problemas do primeiro grupo: basta obrigar todas as compras a serem efetuadas pela Bolsa Eletrônica. E focar mais nos maiores grupos de compras, como os de medicamentos, material de consumo e serviços terceirizados, como os de vigilância e limpeza.
***
O segundo grupo é mais problemático, porque a Lei de Licitações permite critérios técnicos nas contratações e alguns vazamentos, como as contratações de emergência e os aditivos contratuais.
Um caminho rápido seria desenvolver um sistema integrado, disponível na Internet, organizando as principais informações: lista de obras contratadas, órgão responsável, vencedor da licitação, preço final (assim como formas de comparar obras entre si), condicionalidades técnicas da licitação (para identificar exigências descabidas ou direcionadas), contratações em regime de urgência etc. E punir rigorosamente contratações de emergência e aditamentos indevidos.
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Um terceiro campo, mais complexo, é o que envolve tecnicalidades do mercado, em alguns setores especializados, como BC ( Banco Central), STN (Secretaria do Tesouro Nacional), CVM (Comissão de Valores Mobiliários), sistema de defesa da concorrência.
Dentre todas as áreas, é aquela em movimentos sutis provocam os maiores ganhos (e perdas para o orçamento).
A Corregedoria da República, ou o Tribunal de Contas deveriam montar um conselho técnico, não para interferir na política monetária ou nas resoluções da CVM, mas para identificar as mais absurdas e exigir explicações técnicas dos responsáveis.
Por exemplo, na sua gestão no Banco Central, Gustavo Franco decidiu terceirizar a aplicação das reservas cambiais brasileiras. Quais as instituições que foram escolhidas e por quais critérios?
***
Depois, avançar sobre os procedimentos legislativos. Não ha mais clima para manter a excrescência das emendas individuais. Mas também não se pode jogar nas mãos o burocrata do Ministério a definição exclusiva das obras prioritárias. Tem que se aprovar alguma lei estabelecendo punções para ente público que não dispuser de um plano de investimentos plurianual, com consulta pública pela Internet.
Não basta acabar com os cargos comissionados para moralizar o serviço público. Todos esses golpes contam com a participação ativa de uma minoria de servidores de carreira.
Voltaremos com mais ângulos desse tema, que se tornou prioridade nacional.
Para incluir na lista Coluna Econômica
PS — Pessoal, estou recolhendo todas as observações e sugestões para compor o fórum de discussões sobre Reforma do Estado, que estará no novo site do Projeto Brasil.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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26/05/2007 - 19:35
Na enorme geléia geral da música popular brasileira, um personagem que teve destaques décadas atrás foi o “cançonetista”, o “chansonneur”, de acordo com a influência trazida por Maurice Chevalier.
Em um período em que os cantores americanos dominavam, de Frank Sinatra e Bing Crosby a Pat Boone e Elvis Presley, Chevalier era uma exceção admirável. Além disso, o grande ambiente artístico daqueles tempos eram os cassinos -fechados em 1946–, apropriados a esse tipo de “crooner”, que não apenas cantava como representava.
Nos cassinos de Poços, fez enorme sucesso Juan Daniel -pai do diretor Daniel Filhoque pegava o microfone e caminhava pelo salão de baile, cantando e jogando galanterias para os casais.
Não peguei esse período. Passei a ter noção maior das coisas lá por volta de 1958, aos oito anos de idade. E aí a referência absoluta de música era a rádio Nacional, e nosso “cançonetista” predileto era Ivon Cury. Meu pai comprava todos os 78 lançados por ele. Anos depois, Moacir Franco seria seu sucessor, inclusive trazendo pela primeira vez para o Brasil a “Balada de um Louco”, de Piazzola, no início dos anos 70.
Ivon nasceu em Caxambu e seguiu para o Rio junto com seu irmão Jorge Cury, na época o mais conhecido comentarista de futebol do rádio. No início trabalhou na Orquestra do Zacarias, que tocava no Copacabana Pálace. Em 1947 foi contratado pela rádio Nacional, onde viveu cerca de quinze anos de imenso prestígio.
Na época, a rádio Nacional atendia a todos os gostos. Seu famoso “cast” cobria todos os setores de público, de Francisco Carlos (o queridinho do público jovem), a Marlene e Emilinha, passando pelos melhores arranjadores nacionais de todos os tempos, liderados por Radamés Gnatalli. E, nela, Ivon Cury era o grande destaque.
Havia grandes cantores de sambas-canção e músicas estrangeiras, como Dick Farney e Lúcio Alves. Ivon tinha uma voz quase tão bonita quanto a de Dick, um aveludado que não chegava a transbordar, e uma enorme versatilidade musical.
Em seu repertório havia lugar para as canções francesas. “C’est Si Bon” e “La Vie en Rose”, para o repertório de Chevalier e de Edith Piaf, e para inúmeras versões musicais. Esse fato fez com que não fosse completamente aceito nos templos da chamada música popular autêntica, o que contribuiu para que sua memória se diluísse no tempo.
No entanto, foi um notável intérprete dos mais variados tipos de música brasileira. Era muito engraçado interpretando músicas buliçosas nordestinas, como “Perfume Nacioná” (Zé Dantas), sambas canções da última fase, como “Amendoim Torradinho” (Henrique Beltrão), os sambas canções de Caymmi (”Sodade matadeira”, “Dora”, “Nunca Mais”, “Não Tem Solução”), toadas como e o “Xote das Meninas” (Luiz Gonzaga – Zé Dantas), que fez mais sucesso com ele do que com o próprio Luiz Gonzaga, a “Farinhada”, o ‘Xote Miudinho”, a valsa o “João Bobo” imenso sucesso de sua autoria (”João bobo, coitado, tolinho / Falava sozinho, sempre a caminhar/ Mas quando passava ao seu lado /A Rosa do prado, parava a olhar. / Rosinha era moça bonita / De seda ou de chita chamava atenção / A todos seu amor vendia / Mas nada queria c’o pobre do João… Ai, João bobo é gozado / Quer casar (ah ah ah) co’a Rosa do prado”).
Luiz Vieira, o grande nome da toada e da guarânia teve em Ivon Cury o passaporte para o sucesso, através de inúmeras gravações, como o belíssimo “Vá Com Deus” (Álvaro Mattos/Luiz Vieira) e “Estrada de Columbandê” e o clássico “Menino de Braçanã”.
As qualidades histriônicas de Ivon, seus trejeitos, fizeram com que, paralelamente à carreira musical, fosse um dos pioneiros da televisão brasileira, participando do histórico “TV na Taba”, da Tupy, apresentado por Homero Silva, ao lado de artistas como Lima Duarte, Hebe Camargo, Mazzaropi, Lolita Rodrigues, Wilma Bentivegna, e a orquestra de George Henri, entre outros. Nos anos 60 ainda era um sucesso tão retumbante, que seu casamento com uma aeromoça de nome Ivana dominou os noticiários da época, assim como as perucas que passou a usar.
A rapaziada que o visse no final de carreira, fazendo ponta na “Escolinha do Professor Raimundo”, sem chance para cantar, jamais poderia imaginar a influência que suas canções tiveram sobre seus pais e avós.
Foi uma referência na canção e na televisão brasileiras.
Para incluir na lista Crönica Semanal
Enviado por: RENATO
NASSIF, bom dia.
Ivon Cury, bem como toda a família Cury é um marco em Caxambu e sul de Minas. Nasci em uma cidade a 60Km de Caxambu e conheço um pouco a famosa trajetória dos Curys.
Ivon é um exemplo da vitória da VIDA, da vitória sobre o Aborto. Sua mãe faleceu durante o parto, mas disse aos médicos, caso tenha que salvar alguém salve meu filho.
É triste e ao mesmo tempo emocionante, doar a vida ao irmão, ao filho.
Abraços,
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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26/05/2007 - 14:53
Nasci às sete horas da noite de um dia 24 de maio. Era para ter nascido três dias antes, mas uma tia paterna, Marta, carola, rezou para que nascesse no dia de Nossa Senhora Auxiliadora. Ganhou a implicância eterna de dona Teresa, que atribuía à tia Marta os três dias que passou sofrendo o cão.
Não foi nascimento fácil. Nasci enrolado e dando trabalho. Na infância, dona Teresa teve reumatismo infeccioso, do qual resultou um sopro no coração. Quando se casou com seu Oscar, o Dr. Rowilson Flora avisou que ela não deveria engravidar: colocava em risco ou sua vida ou a da criança. Teimosa como ela só, dona Teresa resolveu insistir. Mais ainda: em casa. Se tivesse que morrer, que fosse em sua casa. Quase matou a multidão de parentes que ficou na sala de casa rezando por ela no dia 24.
Rezaram o dia inteiro. Às sete da noite Dr. Rowilson abriu a porta do quarto e apareceu com um bebê cabeçudo no colo. Suspense geral! Ele tinha dito que ou morreria a mãe ou o filho. Seu sorriso matou a charada: ambos estavam vivos.
Naquele dia, foi uma choradeira que perdurou por décadas. Quando nasceu minha vice-caçula a Bibi, 47 anos depois, levei-a para apresentar à minha avó Martha e minhas tias. Não tinha um mês de vida. Não era tão cabeçuda como fui, mas era cabeluda e tinha o rosto miúdo que aparecia nas minhas fotos de recém nascido. Foi outra choradeira, com as tias lembrando a vigília e o que pareceu ser um milagre de Nossa Senhora Auxiliadora.
Pai tardio, 34 anos, mas orgulhoso como ele só, meu pai me pegou no colo e nos dias seguintes saiu pela cidade visitando amigos e exibindo aquela obra-prima. Quando Jurandir Ferreira, farmacêutico, grande contista, seu ex-patrão, olhou com pouco caso para mim e fulminou – “esse cabeçudo é seu filho?” – ganhou a implicância do meu pai.
A sina de cabeçudo e orelhudo me acompanhou por alguns anos. Minhas primas gozadoras, Rosa Maria e Cristina, contavam que, com 3 ou 4 anos, minha mãe me colocava sentado na mesa da copa. O peso da cabeça me fazia pender lentamente, que nem a torre de Pisa, e só parava quando batia no chão. Outra informação preciosa é que quando minha mãe me levava com ela ao mercadão, podia economizar uma cesta: meu chapéu substituía com folga.
Meu pai só se reaproximou de Jurandir uns dezoito anos depois, dia em que estávamos almoçando no Restaurante Sem-Sem, um carro atravessou o sinal, bateu no carro do Jurandir jogando-o no asfalto. Meu pai saiu correndo, acudiu Jurandir, levou-o para o hospital e se reconciliaram. Facilitou em muito o fato de minha cabeça ter ficado um pouco mais equilibrada com o tronco.
Deixei de ser cabeção, embora continuasse cabeçudo para sempre.
Mas esses dias me chamam a atenção para o significado do aniversário. Tenho fotos de meus aniversários no primário, cercado de coleguinhas, orgulhoso por poder soprar as velas, ser o anfitrião da meninada. A partir dos 13 ou 14 anos, deixei de ter as comemorações. Já vivia uma fase de intenso conflito com meu pai, o clima de casa não estava bom.
Em uma noite de aniversário, sete da noite, nada programado, a casa vazia, bateu o desespero. Passei a telefonar para colegas, para os amigos de pelada do São Benedito, para nos juntarmos e fazermos alguma coisa. O quê, nem sei. Festa, não dava para improvisar àquela hora, embora minha mãe tivesse me dados uns trocados para ir comprar Guaraná Caçula na vendinha. Ir para um boteco, nem pensar, para uma meninada de 13 anos. Uns três ou quatro gatos pingados toparam se reunir no largo do São Benedito, oito da noite para bater bola. Ficamos batendo bola, batendo bola, até o cansaço chegar e os gritos de dona Teresa, me chamando para dormir, me tirar daquele torpor.
Quando entrei na idade adulta, a comemoração do aniversário tornou-se sagrada. Podia ser apenas os amigos reunidos no Bar do Alemão, tomando chopp e cantando. Ou, à noite, as famílias das irmãs e as tias se reunindo em casa, e o violão comendo solto. Mas nenhum aniversário pode ser escondido ou ignorado. É momento único no ano, para um balanço, que pode ser dolorido ou reconfortante, mas é só seu.
Já mais velho, é hora de olhar para trás e relembrar mortos queridos; e olhar para frente, e se reconfortar com as sementes que são plantadas no caminho, filhos, livros, trabalho, amigos. Por isso, cada aniversário em casa, meu, da Ruiva, das meninonas e das menininhas, é comemorado como deve ser: uma celebração da família e da amizade, valores que se tornaram cada vez mais relevantes em um mundo louco e partido.
Para incluir na lista Crönica Semanal
Autor: luisnassif - Categoria(s): Crônica
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26/05/2007 - 13:28
Enviado por: Lucas Jerzy Portela
Mouro, o Bando Virado no Mói de Coentro, de que lhe falei. Dois vídeos no youtube:
Vídeo 1
Vídeo 2
Más notícias: Pajeú não é mais vocalista da Volante. Pena. Por outro lado, isso os levou-os a serem melhores ainda na musica – ou talvez isso tenha ficado evidente.
Por exemplo: no cláááássico “Luiz, respeita Januário”, o refrao musical é com frase basica de rockzinho dos anos 50 (twist); em “Que falta eu sinto de um bem/ que falta me faz um xodó”, o refrao musica é com riffs zepellinianos.
(coisa curiosa: nao sei se voce gosta do Zeppellin, nem dessa proposta antropofagica de voltar-se ao tradicional, modernizando-o up-to-date com o resto do mundo. gosta?)
Ontem, como foi um forró unificado, teve gato e cachorro. Ai, a banda anterior a Volante foi uma zorra ordinaria cujo nome refere-se a um utensilio de cozinha, toca um oxente-music pra-mauricinho-garrar-mulé, horrivel!
Mas vale a pena esperar a Volante até 3 da manha, apesar da chuva…
(me diga o que achaste da Volante e do Bando, ok?)
Enviado por: Antonio Francisco
Um pequeno trecho da Traviata, cantada por Cristina Nassif.
Luis Nassif canta ao violão, Marianinha, com acompanhamento ao piano:
Luis Nassif e grupo musical canta Congada
Enviado por: Novaes
Paul Leroy Bustill Robeson, baixo barítono nasceu em 1898 e morreu em 1976. Cantor, ator, ativista dos direitos humanos, graudado em direito e uma grande voz.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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25/05/2007 - 18:59
Enviado por: Rogério Maestri
Nassif e demais debatedores.
Ser jovem não é problema, o problema é reconhecer que não se está preparado totalmente para a função que se desempenha.
Começo o meu comentário desta forma, pois acho que estamos no meio de uma crise de juventude (e inexperiência) no setor de licenciamento ambiental. Estamos na primeira geração de técnicos tanto da parte do setor que elabora os estudos quanto da parte dos que analisam, devido a esta juventude é que temos problemas.
Nos últimos vinte anos saímos da visão “Green Peace” (visão romântica e apaixonada) do problema ambiental e estamos passando para a fase técnico-científica. Muitos poderão dizer que já temos, tanto no setor privado como no setor público, técnicos de alto nível com graduação, mestrado e doutorado na área de gestão ambiental, essas pessoas não estarão mentindo, formamos, tanto em nossas Universidades como no exterior, técnicos capazes e qualificados para a fiscalização e gestão do meio ambiente, mas precisamos passar para a nova fase, a da maturidade.
Todos os setores da atividade industrial, inclusive o setor de informática, já estão numa segunda ou terceira geração de técnicos atingindo um bom grau de maturidade. E quando se atinge esta maturidade? Simples, a maturidade de um setor só se atinge com o tempo e antes disto penamos com a inexperiência e falta de profissionalismo que setores jovens possuem.
Sou professor de uma escola que forma Engenheiros Ambientais, participo inclusive da Comissão de Graduação da mesma. Nesta participação falando com técnicos da área, (Engenheiros, Biólogos, Geólogos e outros), tanto do setor público como do privado, vejo que uma série de coisas ainda não resolvidas.
Os conceitos básicos que norteiam uma ciência são como dogmas de fé de uma religião, se não são perfeitamente estabelecidos ela não vai para frente. Na parte ambiental estamos neste ponto, à visão que tem um Engenheiro muitas vezes não é compatível com a visão que tem um Biólogo. Um químico ao analisar o grau de poluição de uma determinada substância no meio ambiente se concentrará em medidas pontuais, interessando-se mais na concentração desta do que qualquer outra coisa, um Engenheiro ao analisar a mesma coisa estará mais preocupado no fluxo de massa da substância do na concentração pontual. As duas visões que podem parecem antagônicas, na realidade são complementares, e enquanto não forem definidos com clareza os postulados básicos para a avaliação do impacto dessa de quaisquer ações do homem na natureza ficaremos sem padrões de comparação de diversas visões.
Outra grande dificuldade está na própria formação dos técnicos não havendo um consenso sobre o currículo mínimo que deve ter um técnico na área. Se olharmos os programas de formação de Engenheiros Ambientais se vê que há grande variabilidade na formação básica desses profissionais, não se está falando da formação específica, que é e deve ser variada.
Muitos acham que um técnico se qualifica para uma área de conflito, como a área ambiental, simplesmente pela formação acadêmica, e como acadêmico posso dizer que isto é um grande erro. A formação nos bancos escolares é imprescindível, mas esta não ensinará a gerenciar conflitos, esta gerência só será alcançada com o tempo e com os próprios conflitos.
Esperar profissionais, graduados, mestrados e doutorados numa área técnica, consigam transcender seu conhecimento e administrar conflitos é esperar muito. Conhecer o problema é fácil, o difícil é saber qual das milhares de soluções tecnicamente viáveis que é a melhor. Um problema técnico não tem uma só solução e quando se está pressionado pelo tempo e por outras pessoas fica ainda mais difícil.
Vejam o problema das Usinas hidrelétricas, se não aceitas serão substituídas por termoelétricas (nucleares ou a carvão), fica-se num imenso, se corre o bicho pega, se fica o bicho come.
Daqui a vinte anos, quando as pessoas responsáveis por elaborar os projetos e os outros por fiscalizá-los tiverem maturidade suficiente para gerir os conflitos teremos rápidas e boas soluções, até lá ficamos com o que temos.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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25/05/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 25/05/2007
Um dos principais inovadores da construção civil brasileira a partir dos anos 80, o empresário Hugo Marques da Rosa, da Método Engenharia, sustenta que o setor passa pelo maior “boom” desde os anos 70.
Praticamente todos os sub-setores da construção civil estão em intensa atividade. Antes, tinha-se a fase dos hotéis e residências, depois a fase das instalações industriais. Agora, todas estão crescendo simultaneamente.
Além disso, o mercado de capitais descobriu o setor imobiliário e aumentou a oferta de financiamentos a prazos maiores e taxas menores.
Estão se esgotando os estoques no mercado imobiliário comercial, e as indústrias começaram finalmente a aumentar fisicamente. Nos últimos vinte anos, limitaram-se a ganhos de produtividade, investindo em maquinário e redução de pessoal. Agora, pela primeira vez, começam a ampliar as instalações físicas. Some-se a infra-estrutura, reativada pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e se terá o melhor dos mundos.
A diferença em relação aos anos 70 é a falta de recursos do setor público. Mas como os investimentos em infra-estutura serão fundamentalmente privados, não haverá queda de ritmo.
***
Esse “boom” reflete uma característica do setor. Sempre que a economia vai mal, o setor é o que mais sente. Às vezes, um, dois por cento de restrição econômica pode significar quebras de até 30% no setor.
Com o recálculo do PIB, por exemplo, constatou-se que os investimentos respondem por apenas 16%. Dos investimentos, 50% correspondem à construção civil. Assim, qualquer projeção do setor deverá levar em conta o crescimento do PIB (em geral a construção civil cresce mais do que o PIB), mais um crescimento adicional, necessário para a relação investimento/PIB chegar aos 25%.
***
O “boom” dos anos 70 coincidiu com a urbanização, aliás o mais violento processo de urbanização. Era um fenômeno tipicamente paulista e do centro-sul. Hoje, o “boom” se espalha por todo o país. No Nordeste, que forneceu a mão-de-obra dos anos 70, hoje a construção civil cresce mais do que em qualquer outra região.
E aí começa a se entrar em alguns gargalos. Não tem como a construção civil competir com mão-de-obra com outros setores. Embora o ofício de pedreiro seja mais qualificado que o de um torneiro-mecânico, não há orgulho em ser da construção civil. Pesquisas indicam que mais de 95% dos trabalhadores do setor não querem que seus filhos sigam a sua profissão.
***
Esse mesmo fenômeno ocorreu na França, que preciou se valer de imigrantes espanhóis e português, da Alemanha, com os turcos, e da Inglaterra, com imigrantes das ex-colônias. Depois de se tornarem cidadãos dos países europeus, seus filhos tiveram acesso a ensino público de qualidade, e não quiserem seguir o caminho dos pais.
A saída, lá e aqui, será a crescente industrialização do setor – a compra de partes prontas do imóvel, seguindo o modelo da indústria automobilística. Esse processo de iniciou nos anos 90, mas foi revertido com a estagnação da economia. Agora, deverá ser retomado.
A tendência será a industrialização e a qualificação do emprego.
Para incluir na lista Coluna Econômica*
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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24/05/2007 - 22:54
Enviado por: felicio rodrigues
A verdade é que o dolar vem sofrendo desvalorização no mundo inteiro. Pudera, com esse enorme défict americano …
Mas nem todos estão passivos.
Ontem o Banco Central argentino – que vem segurando a pressão para não valorizar o peso e desta forma não estancar o crescimento asiático de 6 anos seguidos – baixou portaria obrigando os exportadores a prefinanciarem suas vendas con entidades financeiras.
A medida está dirigida às grandes companhias estrangeiras que vinham tomando créditos dolarizados desde suas casas matrizes.O banco central constatou que durante o primeiro trimestre a liquidação de dólares foi superior ao total das exportação. Que as petroleiras e mineradores – que não tem obrigação de internalizar os dólares – também o estavam fazendo. Os grandes conglomerados estão apostando na valorização do peso argentino.
O Banco Central trabalha junto com o Tesouro nesse propósito pois não querem que essa avalanche de divisas prejudique seu câmbio competitivo, tal como está sucedendo hoje no Brasil.
As reservas argentinas, ontem, superaram os 40 bilhões de dólares. Proporcionalmente ao tamanho da economia, são maiores que as brasileiras.
Êta mundão sô! Segura o câmbio competitivo e com as reservas ajuda a sustentar o déficit dos grandãos lá de cima.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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24/05/2007 - 14:08
Enviado por: rubens goyatá campan
Nassif,
No início do século XX, Max Weber, comentando a respeito do Partido Social Democrata, uma das maiores forças políticas de esquerda da época, disse: “eles pensam que vão conquistar o Estado alemão e mudá-lo a partir de dentro, mas, uma vez que estejam no poder, é o Estado alemão que vai mudá-los”.
Essa análise de Weber fazia parte de uma ótica profundamente pessimista (ou realista) que ele tinha sobre a questão política alemã – o principal problema de sua nação era político, ele achava.
O mesmo vale para o Brasil: nosso principal problema é político: é esse padrão de Estado, particularista, não-transparente e tendencialmente corrupto, foi construído ao longo da nossa história. Mais que uma reforma política, uma reforma do Estado – que o torne mais eficiente em sentido público – é o nó górdio do Brasil. Mas duvido que esse nó será desatado.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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24/05/2007 - 10:49
Enviado por: Benedito Domingues
Prezado Nassif,
o negócio é o caminho do dinheiro. Explico: Os recursos (doados bilaterais e/ou multilaterais) abundantes nas ordem de bilhões de dólares na década de 90 minguaram para a casa dos milhões de dólares atualmente. Essa redução do fluxo centro-periferia e o direcionamento para as ONGs internacionais, como WWF, TNC e CI, afunilam as perspectivas por aqui.
Por outro lado o governo não investe mesmo, basta ver os dados, somente tem dinheiro para o juros e tal. A conversa que se houve é que somente após as mudanças nas instituições de meio ambiente, diga-se IBAMA e MMA, os recursos voltam a circular entre os membros do Principado Ambiental Brasileiro.
Os doadores não estão preocupados com as mazelas do licenciamento e os empreendedores nativos. Mas são interessados em gerir, ou melhor dar as coordenadas no processo de gestão das áreas de conservação e os recursos naturais nos trópicos.
Acredito que nesse contexto é que renasce das cinzas o IChico. Pela truculência do processo de criação, não conheci o Chico Mendes, mas penso que o mesmo deve estar se revirando no caixão.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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23/05/2007 - 21:49
Do leitor Igor Cornelsen
Caro Luís
Você está coberto de razão o Brasil emitir dívida externa em moeda estrangeira e subordinada a tribunais estrangeiros é coisa de amador.
O Brasil não tem profissionais lidando com dívida externa nossos professores inexperientes em mercados internacionais estão sujeitos a conversa fiada de banqueiros e traders de dívidas de economias emergentes.
Ter curva de juros em moeda estrangeira é ridículo, coisa de nação sem reservas e sem liquidez.
Se ter curva de juros em moeda estrangeira fosse bom negócio os EUA a Alemanha a França e Suíça certamente teriam.
Desafio alguém achar um título destas repúblicas emitidos em moedas estrangeiras e submetidos a jurisdições que não as suas.
Abraço,
Igor
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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23/05/2007 - 17:17
Ricardo Trípoli telefona para comentar as notas postadas no Blog.
Disse que se fosse tão importante e urgente a divisão do IBAMA, porque o Ministério do Meio-Ambiente não mandou com o PAC, mas depois? Responde ele: porque foi uma maneira de disfarçar o fato do Ministério do Meio Ambiente não ter cumprido com os prazos dos pareceres das hidrelétricas, conforme garantido ao presidente da República.
Em sua opinião, as acusações levantadas agora, sobre a Lei Ambiental de 1999, fazem parte do mesmo esquema de pressão que sofreu quando resolveu fechar as portas da Secretaria do Meio-Ambiente de São Paulopara as ONGs. Seu antecessor Fábio Feldmann tinha aberto e acabou levando 12 processos criminais na cabeça. Na época, a ofensiva foi comandada por João Paulo Capobianco, atual Secretário-Executivo do Ministério do Meio-Ambiente.
Em sua opinião, Capobianco estaria articulando a passagem dos parques para as ONGs, e sairá do Ministério para se tornar presidente do Instituto Chico Mendes. Trípoli arrisca mais: SOS Mata Atlântica e a ISA (Instituto Sócio-Ambiental), ONGs ligadas a Capobianco, estarão entre as que receberão o direito de administrar parques.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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23/05/2007 - 16:00
Como não acompanho de perto os temas ambientais, me chamou a atenção comentários de leitores sobre os problemas de Ricardo Trípoli, quando Secretário do Meio Ambiente, com a Lei Ambiental, aprovada na sua gestão.
A lei juntou praticamente todos os ambientalistas contra ela. A SOS Mata Atlântica levou denúncias ao governador Geraldo Alckmin
A moção foi entregue por um grupo composto por João Paulo Capobianco, Roberto Klabin, Mário Mantovani e os conselheiros Paulo Nogueira Netto, Fábio Feldmann e Rodrigo Mesquita.
Segundo a matéria do “Estadão” da época, “cita ainda o projeto de regularização de ocupações em área de mananciais, que “colocaria nas mãos da Secretaria, sem nenhum controle social, o poder discricionário total para ´negociar´ diretamente com os interessados em resolver seus problemas, criando, portanto, um espaço de manipulação de interesses econômicos e políticos jamais pensado para o sistema de gestão ambiental”.
“Um caso específico denunciado no documento foi a expedição, pela Diretoria de Operações Ambientais de Bertioga, de 127 licenças autorizando desmatamentos no município, no período de 25 de fevereiro a 5 de maio de 1999″, diz o documento.
Trípoli respondeu atribuindo o documento a uma “infeliz antecipação” da agenda política. “Nunca é bom misturar questões administrativas com questões político-partidárias, isso acaba em jogo político antropofágico.”
Embora entre os integrantes do grupo estivessem correligionários políticos, como Fábio Feldmann, o jornalista Rodrigo Mesquita e Paulo Nogueira Neto, o pai do ambientalismo brasileiro.
Fica o registro e os links para a manifestação das duas partes.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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23/05/2007 - 15:43
Enviado por: Gilson
(…) O Deputado cita os itens conservação e floresta de um lado e licenciamento e fiscalização do outro. O estranho é que com a divisão os três últimos ficam dos dois lados e o primeiro não fica atendido a contento em nenhum dos órgãos.
O patrimônio representado pela biodiversidade brasileira não será preservado apenas pelas unidades de conservação. Em biomas mais degradados como a Mata Atlântica e o Cerrado (e talvez outros), o conjunto de UC é insuficiente para atingir o objetivo.
Para ficar num assunto próximo à vc, Nassif, temos que a região do planalto de Poços foi apontada como de interesse extremo para a conservação pelo projeto PROBIO (dada sua relevância nacional no que tange à riqueza biológica), no âmbito do MMA, só que lá ainda não existe um conjunto de UCs que garantam a conservação. Por outro lado TODA a borda do planalto (onde estão os remanescentes) está tomada por quadrículas minerárias (dê uma olhada no Sigmine, DNPM). Ora, isso representa um claro conflito de interesses que não será abordado, pelo menos no âmbito da federação, a se manter os moldes propostos pela MP 366/07.
O tamanho da biodiversidade nacional, e o potencial econômico que ela representa ainda são significativamente desconhecidos, isso porque, entre outras razões, não há um grande sistema de informações ambientais e monitoramento ambiental (que poderia/deveria tratar de outros recursos renováveis como águas superficiais, subterrâneas, qualidade do ar e talvez até do solo, poluição e por aí vai) este sistema seria um componente salutar na definição de prioridades e estratégias de ação, do ponto de vista da União.
Também podemos inferir que se houvesse um órgão de assessoria do MMA (que poderia ser o próprio IBAMA ou outro, com dispositivos de consulta e participação de outras instituições, como CONAMA por ex.), com foco na proposição e promoção de técnicas e soluções ambientais voltadas ao desenvolvimento sustentável, haveria possibilidade de o MMA participar mais ativamente na elaboração de planos como o PAC, ou colaborar junto à órgãos financiadores, etc.. Nesse modelo os projetos já seriam concebidos com um forte viés ambiental, facilitando a vida do licenciamento, nas etapas seguintes.
Vale ressaltar que, não obstante a campanha contra o órgão, o IBAMA conta com um grande número de profissionais com conhecimento profundo e expressiva experiência sobre os variados temas ambientais do país. Este pessoal está sendo alijado de um debate importante, dada a premência da questão ambiental nos dias de hoje nos que virão.
Gilson Alves – servidor do IBAMA em MG
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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23/05/2007 - 15:32
A última reunião dos “Tornos e Planilhas” junto um grupo de peso do lado das planilhas. Do lado dos tornos (os economistas ligados ao setor produtivo) problemas de agenda reduziram a representação.
Participaram do encontro Tomás Málaga, economista-chefe do Banco Itaú; Paulo Tenani, estrategista-chefe do UBS, Ernesto Leme, do UBS; Roberto Troster, ex-economista chefe da Febraban e Enio Mendonça de Souza, ex- BBA.
Sobre a Selic
Se o mercado é o melhor avaliador de riscos, se os sinais do mercado têm que ser considerados, como diz o Banco Central, então a taxa Selic está fora de prumo. No mercado, os juros futuros pré-fixados foram negociados abaixo de 9%. É como se o mercado estivesse apostando em uma taxa Selic de 8,5%.
Houve unanimidade sobre a necessidade de acelerar a queda da taxa Selic. Para alguns dos economistas, só uma pancada grande reverteria a apreciação do real. Para outros, uma queda substancial poderia “desarranjar as expectativas do mercado”.
Tenani não concorda e indaga o que aconteceria se a taxa Selic baixasse 2,5 pontos de uma só pancada. Não defendeu a queda abrupta, mas colocou a questão para reflexão.
Ai voltou a velha questão do PIB potencial, da capacidade da economia de criar produção para atender o crescimento da demanda. De um lado, economistas que julgam necessário tempo para criar capacidade.
Tenani rebate: superávit em conta corrente significa que a oferta agregada é maior que a demanda agregada. Logo há espaço para crescimento. Com o fator China deflacionando e com a queda do risco-Brasil, diz Tenani, o próprio investidor internacional está apontando riscos pequenos para o crescimento. Se houvesse riscos inflacionários no crescimento, a redução dos juros iria provocar aumento do risco-Brasil, não redução. Se o Banco Central não interpreta corretamente os sinais, quem cai é o câmbio.
A teoria da “jabuticaba”
Foi lembrado que há dois anos o Brasil está pagando um yeld abaixo de 6,5%, contra uma taxa Selic que era de 15, 16%, diz Tenani.
Tudo isso foi decorrência do mito que se criou sobre a “taxa de juros de equilíbrio” de 8%, a famosa “teoria da jabuticaba” do Pérsio Arida — alvo, aliás, de inúmeras críticas que fiz na época ao Pérsio.
Houve consenso dos participantes que quando surgiu essa história dos “juros de equilíbrio” não havia sequer um modelo capaz de validar a hipótese. Com isso, o BC acabou mirando o alvo errado. Os juros de equilíbrio no Brasil são muito menores do que os 7 ou 8% anunciados anos atrás, conforme conclusão unânime do grupo.
A intenção da proposta de Tomás Málaga, de constituir um fundo com parte das reservas cambiais, é diversificação de risco e estabilizar as receitas de conta corrente e receitas de governo.
Diversificação das reservas
Em vez de aplicar apenas em dólares, se aplicaria em empresas triple A no exterior, aumentando a rentabilidade das reservas. Hoje em dia, o governo só tem dividendos de empresas públicas como Petrobrás e Banco do Brasil. Uma queda nos preços do petróleo reduzirá o fluxo de dividendos da Petrobrás.
A idéia será diversificar a carteira com boas empresas estrangeiras, garantindo um fluxo contínuo de dividendos para o país, reduzindo o custo de carregamento das reservas.
Choque de importações
O choque de importações – abrir todas as comportas por três meses – foi veementemente condenada pelo grupo. Seria uma maneira de aproveitar uma janela de oportunidade para gastar da pior forma possível os dólares excedentes: no aumento do consumo.
O economista Enio Mendonça de Souza lembrou que os últimos dados da balança comercial já mostram que a balança dos manufaturados ficou negativa no primeiro trimestre.
O próximo encontro será para discutir Previdência Social.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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23/05/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 23/05/2007
Vice-presidente da Sub-Comissão de Meio Ambiente da Câmara, e relator da Medida Provisória que trata da questão da lei ambiental, o deputado Ricardo Trípoli (PSDB-SP), diz que o governo federal tem errado sistematicamente na questão. Primeiro, ao editar a MP sem estabelecer um processo amplo de consulta. Segundo, ao dividir o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
O problema básico a entravar o setor é falta de gente e de recursos do órgão, diz ele.
Com a MP, o IBAMA será dividido, parte de florestas e conservação, parte de licenciamento e fiscalização, Em sua opinião, a medida só irá burocratizar o sistema. Agora, vai ser um ping-pong, diz ele, com uma parte do órgão transferindo a questão para a outra.
Em sua opinião, o problema do IBAMA foi a tentativa inicial de aparelhamento do órgão. Quando explodiu a demanda por licenciamento, o órgão não tinha nem recursos, nem quadros técnicos.
***
A demanda aumentou quando o setor privado se preparou para apresentar projetos ao IBAMA. Sem quadros, o órgão passou a recorrer à terceirização, atrasando substancialmente os estudos. Hoje em dia, por exemplo, há três ou quatro usinas do porte do Madeira aguardando o licenciamento ambiental. É o mesmo grupo, do Núcleo 7 do IBAMA, para preparar os parecer.
Não se tem uma linha de produção. Sai um parecer inicial. Aí ocorre um questionamento qualquer que exige, por exemplo, o parecer de um geólogo. Toca a sair correndo para contratar um professor da Unicamp para dar um parecer. Ai o processo exige o parecer de um químico. Toca sair correndo para contratar um químico.
Na opinião de Trípoli, trata-se exclusivamente de um problema de gestão e de falta de recursos. Dia desses houve um concurso no órgão para contratar um dentista. Qual a necessidade, indaga o deputado?
Com isso, a impressão que se passa é que o IBAMA é uma grande ONG, querendo apenas atazanar todo mundo. E não é assim, diz Trípoli, embora reconheça que a decisão dos técnicos, de consultar o Peru e a Bolívia para o parecer sobre a Hidrelétrica do Madeira, não passou de provocação.
***
No desespero, em vez de chamar todo mundo para conversar, e se chegar a uma solução satisfatória, o governo saiu atirando para todo o lado. E abrindo espaço para problemas sérios de poluição.
Por exemplo, facilitando a vida para a energia suja, das termoelétricas. Entre as 203 empresas cadastradas para os próximos leilões da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), 70 querem vender usinas sujas, movidas a óleo combustível e diesel. E, na MP, o governo abriu Mao do requerimento de informações, uma espécie de licença prévia dos órgãos de meio ambiente.
***
Qual a saída? O primeiro passo seria apagar o incêndio. Menciona estudos de um professor da USP sobre “repotencialização” (melhoria do aproveitamento de energia nas linhas de transmissão) que, segundo ele, poderia reduzir de 15% para 6% as perdas do sistema.
Depois, tratar de reunir todas as partes para uma discussão serena sobre a maneira de resolver definitivamente o problema ambiental.
Para incluir na lista Coluna Econômica
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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22/05/2007 - 14:51
Não há lógica na colocação pela Secretaria do Tesouro Nacional de títulos brasileiros no exterior neste momento, a não ser pagar comissões para os bancos que organizam as emissões.
Qual a lógica? Nenhuma. Nem essa desculpa esfarrapada de que a colocação ajudará na formação da tal curva de juros.
O Banco Central está entupido de reservas cambiais. Além disso, o Brasil caminha para ser “investment grande”. Quando isso ocorre, cai a remuneração dos papéis brasileiros. Qual a lógica de colocar papéis pré-investment-grade? Paga-se um juro mais alto, e não se ajuda na formação da curva de juros, porque essa realidade mudará com a própria melhoria do rating brasileiro. A posição correta seria comprar dívida velha (mais barata) antes da elevação do rating.
Mas, desde o início dos anos 90, as complexidades do mercado de títulos têm permitido toda sorte de operações nebulosas, sem justificativas técnicas.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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22/05/2007 - 12:24
Enviado por: Lewis
Nassif
Estes caras analisam macro como se o país fosse uma empresa, usam conceitos micro, como se não houvessem várias empresas no mercado tomando decisões no âmbito micro, como não houvessem relações pessoais nos negócios.
Por outro lado eles nunca tiveram empresas, produção, não sabem a importância do comercial, do conhecimento de um negócio, tudo isto afeta a competitividade relativa e não se mede estas coisas facilmente por pesquisas. Uma metalúrgica com tornos coreanos, tudo eletrônico pode perder feio para uma empresa com centros de usinagem e tornos Romi do tempo do onça. Têm gráficas com rotativas de ponta que quebraram, outras estão em dificuldades, e gráficas com máquinas planas bem mais antigas, mas clientela cativa, estão indo bem.
Onde está a competitividade?
Depois, um dia destes teóricos resolvem empreender. Acontece. Compram uma franquia, baba para trabalhar e não dá outra, não teria como, mas muitas vezes quebram. Há muita história. É o caso de alguns ex-diretores de grandes empresas também, quando tocam uma franquia ficam no vermelho, são ótimos numa multinacional, mas não conseguem tocar uma biboca.
Queria falar da ironia. Passado um certo limite, ela ofende, mas no teu caso não tem como, tem que correr o risco, pois cala mais fundo, dá mais resultado. Estes conceitos arraigados, fixos, são demovidos mais com ironia do que com pensamento lógico. Pois se todo pensamento é ligado a um sentimento ou emoção, algo do sub-consciente, e penso que todo pensamento fixo é, tem que bater em baixo e em cima, para usar uma linguagem do boxe, tem que minar mesmo. Você está ajudando estas figuras, ofende um pouquinho agora, mas pode ajudá-los a se libertarem, pois são escravos de conceitos. A ironia na tua “operação” é essencial.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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22/05/2007 - 10:42
Enviado por: Cornelio de Souza Ma
Nassif:
Uma do Joel:Foi contratado a cantar com seus músicos numa festa chic.Na contratação, a dona da casa fez o cheque, só que pediu:Seu Joel, por favor, eu só não queria que os músicos falassem com os convidados. Aí o Joel: então a Sra.vai ter que fazer outro cheque.E ela: Por que? Joel:Porque assim é a metade do preço.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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22/05/2007 - 09:24
Celso Ming, que é um sujeito batuta, volta ao tema do fundo de exportação proposto pelo Luiz Carlos Bresser-Pereira, corrigindo a idéia de confisco, que exprimiu no seu artigo anterior. Belo gesto.
Conforme explica em seu artigo, haveria uma compensação entre a parte do fundo e a desvalorização do real, de maneira a impedir a redução dos ganhos do exportador. Com base nesse entendimento, Ming faz três ressalvas à idéia do fundo, que mostro, com meus comentários sublinhados:
“1) Se teria aplicação só depois que o governo conseguisse desvalorizar o real, conclui-se que não viria para corrigir o câmbio; apenas para mantê-lo. O governo que trate de buscar o equilíbrio cambial de outra maneira”.
Obviamente não é isso. A intenção do fundo é não só evitar a apreciação do real como promover a sua desvalorização. Mesmo se fosse só para manter o câmbio parado seria um enorme alívio, em um momento em que força nenhuma (no quadro atual) parece capaz de deter a derrocada do dólar.
“(2) Como a pauta brasileira de exportações é diversificada, para que tivesse alguma densidade, o imposto teria de alcançar uma gama enorme de produtos. Não é como o petróleo na Rússia ou o cobre no Chile. Por isso, exigiria uma administração complicada”.
O fundo só pegaria produtos commoditizados, com cotação internacional. São cinco ou seis que respondem pelo maior volume de exportação e que estejam passando por um boom de cotações. A pauta dos primários ou semi-manufaturados commoditizados é muito simples e a administração mais simples ainda porque baseada em cotações internacionais.
“(3) como estaria sujeito a um punhado de variáveis, esse imposto lembra um pouco a complexidade da banda diagonal endógena, que o economista Chico Lopes propôs para o câmbio em 1999″.
Pelas razões expostas acima, essa ressalva fica prejudicada.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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22/05/2007 - 09:12
A Suzano é uma petroquímica que está no chamado estado da arte da gestão. A Unipar é uma família em briga permanente, que está se esfacelando (a família) com um histórico de má administração.
A proposta de compra da Suzano pela Unipar não faz sentido. Parece muito mais uma tentativa de Unipar de se colocar no mercado, para ser vendida.
Comentário postado em 26/05
Esse post foi baseado em conversas que tive com velhos habitantes do Rio, sobre os problemas terríveis de sucessão na Unipar. Os problemas foram superados há pouco tempo. A família conseguiu chegar a um acordo de governança e os números exibidos pela Unipar são bem mais robustos que os da Suzano Petroquímica.
Duplo erro que cometi.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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22/05/2007 - 07:00
Coluna Econômica – 22/05/2007
O que a “Operação Navalha” da Polícia Federal trouxe à tona foi a atividade de um dos setores mais florescentes do mercado brasileiro: os operadores públicos. Por tal, entenda-se o funcionário, ou o lobista especializado em descobrir onde gira o dinheiro na área pública.
Não se trata de atividade comezinha. O sujeito tem que entender de orçamento e licitações, estabelecer uma teia de relações entre os técnicos de carreira, homens do governo, entre políticos. E, depois, pontes com os sucessivos ministros que assumem a pasta.
Toda disputa em torno de Ministérios, por parte dos diversos partidos políticos aliados, além da prestimosa vontade de ajudar o país, tem como objetivo maior o operador. Não interessa para a maior parte dos Ministros fisiológicos o ministério, sem o operador. Sem esse técnico especializado, o Ministro fica vendido, dá passos errados, colhe migalhas ou encrencas.
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As duas maiores crises políticas do Brasil moderno tiveram como pano de fundo os operadores. Fernando Collor pretendeu centralizar as operações com PC Farias. Entregou dedos despidos de anéis para seus aliados políticos. A CPI do Impeachment teve um pingo de indignação cívica e uma montanha de indignação do movimento dos “sem operadores”.
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A segunda grande crise foi do governo Lula. Lá, mais uma vez repetiu-se o pecado político de pretender entregar Ministérios e preservar os operadores para partido. A reação solar de Roberto Jefferson e de tantos varões-de-plutarco está diretamente ligada a esse erro monumental.
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A grande habilidade política de Fernando Henrique Cardoso foi ter entregue os ministérios de porteira fechada para seus aliados. O PFL ficou com o setor elétrico, e seus “eletrocratas”. O PMDB com o setor de transportes. E foram todos felizes para sempre.
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Pelas características dos “operadores” as sucessivas CPIs que chacoalharam o país nos últimos anos não poderiam ter dado em nada. Marcos Valério servia ao PT, como serviu a Eduardo Azeredo e a governos tucanos, e como serviria a governos pefelistas e a quem quer mais que precisasse de seus serviços.
Não é por outro motivo que o esquema desvendado envolvesse, no Maranhão, praticamente todos os grupos políticos, adversários históricos, de José Sarney a Jackson Lago. Ou em Alagoas de Ronaldo Lessa a Teotônio Villela Filho.
O “know how” exigido de um partido político brasileiro que ascenda ao poder é saber onde reside o poder no Congresso, e como se locomover nessa teia dos operadores. Qualquer articulador político bem monitorado conhece os endereços de Brasília, do Rio, de São Paulo e de outros estados.
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Aí se está falando de recursos orçamentários. Se quiser aprofundar o jogo, vai se entrar no campo dos prestadores de serviços, firmas de vigilância e limpeza, que praticamente dominam os governos federal, estaduais e de grandes capitais.
Vez por outra entra um desmancha-prazer na história, como a Polícia Federal, e liquida um esquema. A oposição faz um carnaval danado, consegue seus pontinhos junto à mídia e à opinião pública. Depois, trata de esquentar a pizza, porque ou o operador já lhe prestou serviços, ou virá a prestar.
Para incluir na lista Coluna Econômica
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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21/05/2007 - 09:50
O jornalista Ribamar de Oliveira, em sua coluna de hoje no “Estadão”:
“A inflação está em queda, os indicadores fiscais melhoraram, o crédito está em expansão, os riscos da economia mundial diminuíram, as exportações brasileiras estão em ritmo acelerado, as reservas internacionais nunca foram tão elevadas, o risco Brasil bateu recorde de queda e a cotação do dólar despencou, o que retira qualquer perspectiva de pressão inflacionária para os próximos meses. Em um cenário tão benigno como este, é difícil entender os motivos que levam o Banco Central (BC) a manter um ritmo tão lento de redução da taxa de juro”.
O economista-historiador Marcelo de Paiva Abreu:
“Os críticos mais radicais da política de juros insistem no mito de que a apreciação cambial decorre exclusivamente da diferença entre juros no Brasil e no resto mundo, a despeito dos maciços saldos na conta comercial. Dado que a política de juros decorre das metas inflacionárias fixadas, os críticos mais audaciosos sugerem que as metas inflacionárias poderiam ser flexibilizadas e que algum aumento da inflação seria mal menor, ‘perfeitamente tolerável’. Seria reconfortante se tais recomendações não tivessem partido exatamente daqueles que há quase 30 anos defendiam ‘um pouco mais de inflação’ e que se viram, logo em seguida, obrigados a defender a estabilidade da inflação de 200% como grande feito da política econômica”.
Marcelo é um historiador econômico respeitável, dos melhores que temos. Natan Blanche é um velho garimpeiro, que depois que entrou no mercado aprendeu, como um craque, a levantar argumentos econômicos (qualquer deles) em defesa dos ganhos do mercado. É uma arte. É capaz de citar David Ricardo com desenvoltura, dar aulas sobre déficit público, da mesma forma que um garimpeiro separando pepitas na bateia. Ouve a enorme balbúrdia econômica em volta dele, depois extrai dois ou três argumentos que, pimba!, viram lugar-comum, batem direto no pensamento monofásico da mídia e se tornam slogans.
Pois nas discussões do dia a dia, o professor-doutor Marcelo de Paiva Abreu se baseia no livrinho de slogans de Natan. Não é dado a sutilezas, como o exercício da dúvida sobre se a política monetária está correta ou não, como faz o jornalista Ribamar. Caricaturiza, para poder argumentar, porque ele não veio aqui para explicar, mas para duelar.
A maior parte das críticas consistentes à política monetária coloca que, dado o quadro atual, os juros deveriam ser reduzidos com mais vigor, porque os riscos de inflação são mínimos. Marcelo diz que os críticos querem a volta da inflação, e ponto final. Por dessas falsetas da edição, o crítico Ribamar ficou na mesma página de Marcelo levantando argumentos inteligentes. E Marcelo duelando com os neobobos imaginários que ele criou para poder bater.
Os críticos da apreciação cambial notam que haverá perda substancial de agregação de valor na indústria. O historiador Marcelo sabe bem o significado desses processos. Mas seu argumento é quem combate o câmbio apreciado são os hierarcas da FIESP, e ponto final.
Se colocasse os dois artigos para alguém ler, sem mencionar o autor, aliás, é possível que dissessem que o de Ribamar é o de um acadêmico rigoroso; e o de Marcelo o de um jornalista populista, querendo agradar seus leitores.
Mas, para um discípulo de Natan, o “gênio do senso comum”, até que Marcelo se sai bem.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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20/05/2007 - 13:43
Dentre todos os gêneros da música popular brasileira, nenhum se tornou tão popular quanto as marchinhas de carnaval, um gênero que começa a se desenvolver nos anos 30, mantém a vitalidade até meados dos anos 60, depois fenece.
Mais do que qualquer outro gênero, a marchinha reflete magistralmente o espírito carioca do período, a malícia, a malandragem simpática, a verve imbatível. Dentre os cantores, nenhum conseguiu encarnar melhor esse espírito do que Joel de Almeida, o “Magrinho Elétrico”, rei da marchinha, sambista dos mais inspirados, proveniente de uma família extremamente musical. Seu irmão Janet de Almeida foi um dos criadores do samba sincopado, e falecido antes dos 30 anos.
A estupenda coleção do Senac, de programas de Fernando Faro, preparados pelo produtor José Carlos Botezelli, o Pelão, em sua última edição traz uma síntese do programa de Joel de Almeida, que é para ouvir sem parar.
Joel não foi apenas o cantor de marchinhas, mas um seguidor fiel do samba sincopado inaugurado por Luiz Barbosa, seu grande ídolo. Foi com Barbosa que aprendeu a fazer o ritmo no chapéu de palheta, e tornou-se, por acaso, ritmista de uma gravação histórica, o “Na Pavuna”, que praticamente inaugurou o estilo samba urbano no país, e foi a primeira a ter o bumbo na marcação, em gravação de estúdio.
Nascido em Vila Isabel, Joel foi amigo e contemporâneo de Noel Rosa e de toda a chamada geração de ouro da música brasileira. Na época, estavam em voga as duplas masculinas de cantores. A mais famosa, mas de vida breve, foi a de Francisco Alves e Mário Reis interpretando clássicos de Ismael Silva. Na sua cola, surgiu a dupla Jonjoca e Castro Barbosa, quase uma xerocópia autenticada da primeira.
Em 1930, logo após a revolução, chegou ao Rio de Janeiro um soldado gaúcho de farda, violão e voz. Era Francisco de Paulo Rangel. Conheceram-se e surgiu a dupla Joel e Gaúcho, que, ao lado da breve dupla Mário Reis e Francisco Alves, se constituiria no mais famoso duo masculino da história da música brasileira.
Começaram a trabalhar na rádio Phillips do Rio, no programa do Case -o grande homem do rádio brasileiro. Seu primeiro sucesso foi em 1935 com um samba sincopado dos mais saborosos que o país produziu, o “Estão Batendo” (Gadé/ Valfrido Silva). “Estão batendo / se for comigo diga que não estou (só pode ser o cobrador) / é a mulata, que há muito tempo você abandonou”. Na segunda parte, o sincopado comia solto com um “estão ba-ra-que-tendo” que botava paralítico para sambar.
Nos anos 70, Marchezan, aposentado da CESP e um dos freqüentadores mais assíduos do bar do Alemão, na Água Branca, conhecia de cor e salteado todas as músicas e as duas vozes da dupla. Seu maior sucesso, pelo menos no Alemão, foi o samba “Foi uma Pedra”, de Pedro Caetano, com uma segunda voz imbatível (”levava jurando / ter grande afeição por mim / tu foste embora me deixando triste assim”), gravação de 1940.
Em 1936 a dupla obteve um sucesso estrondoso com a marchinha “”Pierrô Apaixonado”, de Heitor dos Prazeres e Noel Rosa. Joel testemunhou o nascimento da canção em uma mesa de bar e saiu correndo dali para gravar, antes que passassem a música para Francisco Alves, o grande campeão de vendas da época. E também seria o grande sucesso do filme “Alô, Alô Carnaval”, de 1936, dirigido por Ademar Gonzaga, no qual a dupla é acompanhada pelos Diabos do Céu.
Dali por diante, a lista de sucessos foi infindável, marchinhas, como “A Mulher do Padeiro” (J. Piedade/ G. Augusto/ N. Bruno), e uma sucessão de clássicos do sincopado, como “Cai, Cai” (Roberto Roberti) (”cai, cai, cai, cai / eu não vou escorregar”), e outro clássico de Bucy Moreira com Miguel Barroso, o “eu não pretendo aceitar / de modo algum / pois o dinheiro que você me deve, deve, não precisa pagar”./ A única coisa que quero de você são os carinhos meus / pra satisfazer os desejos meus”.
Com o fim do jogo, a dupla tentou outros ares, indo cantar com a orquestra do famoso maestro Simon Boutman na Argentina e no Uruguai. Em 1947 se separaram. Gaúcho abandonou a vida artística e Joel continuou sozinho, colecionando sucessos. “Quem Sabe, Sabe” (”quem sabe, sabe / conhece bem / como é gostoso / gostar de alguém”), dele e Carvalhinho e “Madureira Chorou” (Carvalhinho/ Julio Monteiro) foram músicas cantadas por todos os anos 50 e 60.
Em 1962 voltou a se reencontrar com Gaúcho, lançando um LP com os maiores sucessos de sua carreira.
Na era da televisão, até falecer Joel continuou sendo uma referência, com seu ar de dandi dos anos 30, a simpatia tipicamente de carioca do subúrbio, a auto-ironia com a própria magreza. Um clássico!
Para incluir na lista Crônica Semanal.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Música
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20/05/2007 - 13:26
enviada por João Villaverde
Estive essa semana em um evento apresentado por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central (1997-1999) e um dos formuladores do Plano Real (1994). A apresentação foi sobre os juros, mas o melhor estava na conversa informal após sua fala.
Com os recentes cortes na taxa de juros Selic, hoje em 12,5%, a possibilidade, inédita, de praticarmos uma taxa de juros de um dígito se tornou visível e plenamente possível. Mas, segundo Gustavo, com esse patamar, uma revolução está por vir na economia.
“O sistema bancário não está preparado para juros de um dígito. O sistema foi criado nos tempos de inflação alta” diz o economista. Com juros de 7%, ficará mais barato captar depósitos à prazo que os depósitos à vista, que seriam de 15%.
Gustavo cita os balanços dos bancos publicados nos jornais. Nesses balanços aparecem as despesas e as receitas. As despesas de custeio (aluguel de agências, conta de luz, manutenção, etc.) e salários dos vários funcionários por agência. As receitas são os obtidos através dos pagamentos de recebíveis, juros e liquidação de contrato de crédito.
Com juros de um dígito, como 7%, os bancos terão de cortar despesas. Ou seja, diminuir pessoal, número de agências, etc. (…)
Ele cita o “caos instalado depois que o Plano Real acabou com a inflação”. Segundo Franco, “todos os bancos estaduais, sem exceção, quebraram. Banco do Nordeste, Nossa Caixa, o Banco do Brasil quebrou duas vezes”. (…)
Outro dado apontado pelo economista, hoje presidente do banco de investimentos Rio Bravo, que vai causar problema são os investimentos. Afinal os fundos de DI, com rendimentos de 70% do CDI (os mais comuns, com taxa de administração de 3%) renderão bem menos que os depósitos na Caderneta de Poupança. Até porque, na Poupança, não se recolhe imposto de renda.
E, uma vez alocados na poupança, 60% de cada depósito efetuado deve ser direcionado para os compulsórios bancários e para crédito habitacional. A poupança rende uma taxa referencial (TR) – calculada pelo CMN – mais 6% ao ano. Com juros Selic, abaixo de 10%, a poupança passará a render mais que os fundos de renda fixa. “E o governo não têm mais o que fazer para diminuir a TR” diz Gustavo.
Para ele uma adequação do atual sistema está por vir.
Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia
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