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28/04/2007 - 22:06

A hidrelétrica do Madeira

Enviado por: JBA

Nassif, tenho muito respeito por suas posições no blog, não só pela seriedade e competência técnica, mas também pelo valor moral que lhes dão fundo especial.

Mas a questão do aproveitamento hidrelétrico de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia, não é tão simples como alguns setores do Governo – aliados ao projeto da OMC [hidrelétrica e hidrovia do Madeira-Beni] – exibiram nesse 41º Fórum de Debates, em mais um lance da ‘guerra de posições’ que a Globalização empreende no ‘avanço’ da chamada ‘fronteira oeste do capitalismo’, ganancioso e destrutivo.

Na decisão de escolher a construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau está também explícita a opção de colocar em risco de extinção a maioria das espécies de peixes que suprem as necessidades de mais de 80% da população ribeirinha não só do vale do Madeira, mas de todo a planície amazônica, com repercussão que se estende ao Estado do Pará.

A responsabilidade é grave. É necessário o máximo de cuidado, atenção e estudos visando prevenir os danos que por ora são inestimáveis, irreversíveis e incalculáveis: a hidrelétrica e a hidrovia promoverão bloqueio da rota de migração de grande parte das espécies de peixes amazônicos. No Madeira existem 19 acidentes geográficos que ambientalizam o santuário de reprodução de mais de 600 espécies da ictiofauna amazônica. A previsão de construção de um mecanismo de transposição dos peixes (escada), não resolverá o problema, porque o alargamento das margens do rio e a intersecção de seu leito impedirá a descida dos ovos e larvas para os trechos a jusante.

A conclusão do Fórum de que as hidrelétricas continuam sendo imprescindíveis, tanto para suprir o país de energia, como também para garantir um fornecimento a preços competitivos. Leva em conta apenas as necessidades econômicas do sul e sudeste. Essas usinas gerarão poucos empregos na Amazônia e os governos locais (AC/AM/RO) se contentam em ‘abocanhar’ 5% da receita das Usinjas. Um crime contra os interesses do povo amazônida.

No desafio de suprir demanda elétrica, é preciso levar em conta a proposta do greenpeace que aponta uma nova matriz energética para o País com ênfase em fontes de energias renováveis como eólica, biomassa e fotovoltaica. Somente em Rondônia existem hoje mais de 30 milhões de hectares de terras desflorestadas em estado ocioso. O aproveitamento dessas terras para a produção de fontes alternativas é uma alternativa econômica a ser apreciada.

Problema como esse – só pincelado superficialmente pelo EIA/RIMA – não encontra resposta no nível de conhecimento que a ciência acumulou sobre os rios e florestas da Amazônia. Nunca para um Governo e para toda a Sociedade sul-americana a pressa tem sido tão inimiga do planeta e das futuras gerações.

Comentário

A Ministra Marina Silva foi convidada para o Fórum. Não respondeu até a véspera, não mandou representantes, nem nada.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:

44 comentários para “A hidrelétrica do Madeira”

  1. Silvana disse:

    Caro Eduardo,

    Se premitir, faço minas tuas palavras!

    Eu, q moro aqui em Manaus, não soube tão bem traduzir meu protesto qto vc!

    Parabéns!

    Um abraço

  2. Orlandir V]CAvalcant disse:

    Impressionante como ainda vivemos, o dilema Progredir sem Agredir… parece que o governo está sendo encantado pela sereia do Progeosso a todo custo… uma pena.

  3. sergio disse:

    acho que deverian colocar algumas fotos ai para que o mundo tivese pelo menos uma base do que o propio homen con sua ganansia cnsegue faser sera que o juri que deu causa ganha na construsao da barrage consegue colocar a cabesa no traveseiro e au menos cuxilar? pois eeeeee viu o que deu coitado desse povo tomara que chegur ate eles os donativo

  4. Fernando Casas disse:

    Partindo da premissa que a longo prazo todos nós estaremos mortos.O que são na verdade esses projetos hidrelétricos-minerais, senão a necessidade de continuarmos com nosso conforto, e agredindo cada vez mais a natureza.Nossa extinção se fará pelas nossas mãos, não podemos retroceder.É inevitável que iremos juntos com todo nosso progresso, e nossas hidrelétricas.Já atingimos um grau de absoluta imbecilidade.Fiquem vocês brigando por essas coisas sem sentido, por essas tecnologias desgraçadas que aviltam o homem e nossa sociedade.Aproveitem essas horas ainda.

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