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Arquivo de fevereiro 20th, 2007

20/02/2007 - 17:15

Os rostos do HSBC

Pouca gente se deu conta, mas o publicitário que montou a última campanha do HSBC é um tremendo gozador. O tema da campanha é “Quem é você”. Nela tem um poster com cinco pessoas de rostos conhecidos.

Tente adivinhar quem são elas:

Vitório é o Silvinho da Land Rover.

Elvira é uma colega nossa, jornalista econômica, mais velha na pintura do que na vida real.

Edgard lembra um agitador cultura muito louco de Sâo Paulo, que anda meio sumido.

Dr. Gouveia não me é estranho

Alice lembra a Viviane Senna.

Dêem seu palpite sobre com quem se parecem.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/02/2007 - 11:19

Os filhos da Febem

Enviado por: JB

Oi Nassif bom dia!

Quando nasci fui abandonado pela minha mãe, pois meu pai me abandonou muito antes de meu nascimento. fiquei interno na Febem ( MG), até os 18 anos , quando junto com outros colegas prestei concurso público e entrei para o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

Na escola onde eramos interno, não havia grades, cercas, muros ou qualquer outro tipo de sistema que nos levasse a considerar nos presos. Tinhamos a rotina de todos os dias acordar as 06:30 da manhã, arrumar a cama, tomar café, irmos para a aula das 07:00 até as 11:30, na parte da tarde alguns trabalhavam na lavoura, outros faziam cursos profissionalizantes( música, mecanica, cursos no senac, técnico agricolas, marceneiros etc). a noite das 19:00 até as 21:00 eramos obrigados a ficar em salas de estudo.

Isso foi nos anos 80. hoje somos sargentos, tenentes, capitães do Corpo de Bombeiros. O comandante do Policiamento do Mineirão, é o Capitão Cecilio, que foi interno naquela época, o Comandante do Batalhão de Bombeiros na cidade de Divinópolis é o Ten- Coronel Paulo Adriano. somos a prova viva de que se o Estado realmente se importar com o menor ABANDONADO, existem meios sim de ajuda los a tornar cidadãos.

Citei somente a “turma” que entrou para o Corpo de Bombeiros, mas existem muitos outros bons exemplos para provar isso. por incrivel que pareça a Escola onde eramos internos (Escola Febem Lima Duarte), teve uma decadencia vertiginosa a partir do momento em que a politica começou a intrometer nos assuntos internos (troca de diretores por favores).

Comentário

Sem pieguice, o relato do leitor JB é mais comovente do que a dor “insuportável” do professor Renato Janine ou a “Ode à Centopéia”, do Ferreira Gullar, ambas na “Folha” de domingo. E uma denúncia forte sobre os estragos que a politização espúria traz sobre todos os aspectos da vida nacional.

Que maravilha as confidências simples, sinceras, sem o objetivo de causar comoção, explorar tragédias ou fazer média com a torcida.

Dos leitores

Enviado por: Marcelo Nonato

Olá, Nassif.

Esse depoimento só confirma que nada acontece por acaso. Nos anos 80, a Febem de MG foi presidida por Antonio Carlos Gomes da Costa, talvez um dos mais lúcidos educadores brasileiros ligados à causa jovem. Depois dessa experiência na Febem, ele trabalhou para diversos organismos internacionais como UNICEF, OIT e ONU. Foi também um dos autores do Estatuto da Criança e do Adolescente, que substituiu o antigo Código de Menores, de 1927.

Atua hoje como consultor. Seria interessante ouví-lo nesse momento de tanta confusão de idéias e conhecer um pouco melhor a experiência de MG.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/02/2007 - 07:00

Os menores infratores

Coluna Econômica – 20/02/2007

A comoção em torno da morte do menino João Hélio tem inspirado uma discussão tão apaixonada quanto inútil sobre as formas de combater a criminalidade. Nos últimos dias, tudo ficou focado na questão da maioridade penal, no fato de menores que cometeram crimes de sangue poderem ser libertados em pouco tempo. O jogo é bem mais complexo, e envolve variáveis sociais, econômicas e penais.

Na economia do crime, há o chamado exército industrial de reserva, a rapaziada sem oportunidades de emprego ou de ascensão social que, em determinado momento, acaba cooptada pelo crime. Esse extrato foi profundamente prejudicado nos anos 90, quando apertos de renda obrigaram as mães a sair de casa para trabalhar. Especialmente nas classes de menor renda, o papel da mãe, em casa, é fundamental.

É nessa primeira etapa que a ação do poder público pode ter maior eficácia, com investimentos em educação, inclusão na rede escolar etc. Quando em idade de trabalho, a inclusão se dá através do emprego. Uma economia pouca dinâmica, como a brasileira nos últimos 25 anos, acaba não fornecendo nem a primeira nem a segunda retaguarda.

Com essas condições adversas, abre-se espaço para as primeiras tentativas dos jovens pelos caminhos da marginalidade, através de pequenos furtos e assaltos. A tragédia que culminou na morte do menino João Hélio foi tipicamente um caso de assalto, promovido por jovens sem antecedentes criminais (com exceção de um). Obviamente, a impunidade dos criminosos verdadeiros cria mitos em que se espelham esses jovens. Eles seguem o caminho que lhes parece mais acessível. O que lhes está mais próximo: o emprego formal ou a possibilidade de participar de um assalto.

Enveredando por esse caminho, cometem os primeiros crimes leves, e são presos. Aí entra a questão da maioridade penal.

***

A formação para o crime pesado, em geral, se dá nos presídios. São instituições anacrônicas, mal administradas e controladas pelos chefes do crime organizado.

Há menores efetivamente perigosos, e menores que estão começando a trilhar os caminhos do crime. Reduzir a maioridade e colocá-los em contato com criminosos profissionais significará acelerar seu doutorado na escola do crime.

Por outro lado, não se podem libertar menores reconhecidamente perigosos por causa da idade. É nesse sentido que as sugestões do senador Aloísio Mercadante e do governador de São Paulo José Serra são as mais sensatas. Aumente-se o período de detenção dos menores, mas mantendo-os em estabelecimentos especializados.

Mesmo assim, o que se vê hoje no complexo Febem e congêneres é um caos completo, falta de projeto pedagógico, que acaba fazendo com que a sociedade perca muitos dos rapazes para o crime.

***

Em todos esses casos, mudanças de lei não resolverão o problema da gestão das penitenciárias, da impunidade do crime organizado, da falta de projeto pedagógico das Febems. O combate ao crime, e a recuperação da rapaziada, depende de um trabalho diuturno de gestão, de remontagem do sistema prisional, de aumento da eficácia das políticas sociais, e de eficiência e rigor absoluto, quando se tratar de combater o crime organizado.

Para incluir na lista Coluna Econômica

Autor: luisnassif - Categoria(s): Economia Tags:
20/02/2007 - 07:00

O menor infrator

Na aba de ECONOMIA (clique aqui) a Coluna Econômica discuto essa questão do menor infrator e as questões legais.

Autor: luisnassif - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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